Strike match and burn with me...
9 Crossroads
Notas iniciais
POV NATASHA
Grávida, grávida, grávida. Aquelas palavras simplesmente não saíam da sua cabeça desde que recebera a notícia. Ela saindo da SHIELD e arrumando um disfarce para evitar ser localizada por Fury. Grávida. Indo ao aeroporto para pegar o próximo vôo para a Rússia com o passaporte de um de seus codinomes. Grávida. O tempo todo no avião. Grávida. Chegando à Rússia. Grávida. Nanitas. Grávida.
Ela tinha que se manter em movimento, porque se ousasse parar, provavelmente enlouqueceria. Já havia quase surtado com Dra Cho quando recebera a notícia. Aquilo era impossível, o soro da viúva negra havia a tornado infértil. Depois, ouviu quase uma hora de explicações de como aquilo pôde ter acontecido; o componente presente na mutação deveria ter inibido a função do soro, pelo menos no que dizia respeito ao seu útero. Dra Beth lembrou-a de que já havia avisado que ela devia ser cuidadosa. Nossa, ser cuidadosa é um conselho um pouco vago, não é? Como ela iria adivinhar que ser cuidadosa era para usar camisinha, sendo que ela para começar não poderia ter filhos?
Respirou devagar. Só de lembrar, quase entrava em uma crise de pânico. Não que não estivesse feliz com a notícia. Estava surpresa, confusa e meio surtada, mas também feliz. Porém, com certeza estaria mais se não tivesse acontecido nesse momento. Num momento sem nanitas, sem Ivan, sem confusão Steve-James, sem Yelena...
E falando em Ivan, esse era um dos maiores problemas, já que era óbvio que isso era coisa dele. Ele havia prometido que daria o que ela mais queria. Provavelmente, trabalhou anos para conseguir esse resultado, e sabia que isso aconteceria. Seu pequeno milagre não era nenhum um pouco um milagre, era obra direta das maquinações de Ivan para manipulá-la.
Se ele achava que isso fosse amolecê-la, estava muito enganado. Até porque, ao mesmo tempo, ele estava planejando destruí-la com essas malditas nanitas.
Encontrou-se com Reiko em Moscou e já foi logo perguntando o que japonesa tinha para ela. Não havia contado a ninguém sobre o seu estado, e não tinha a mínima intenção de contar a Reiko. Ninguém deixaria que ela fosse atrás de Ivan se soubessem disso.
— Bem, eu descobri que ele estava escondido numa base militar russa. – Reiko reportou.
— Base militar? Estava? – Natasha não sabia que Ivan tinha boas relações com os militares russos.
— Sim, infelizmente acredito que ele não está mais lá. – Reiko esclareceu. – E parece que ele não está envolvido nesses problemas que vocês estão tendo com os mutantes. Não os de agora, quero dizer, não é ele que está os comandando. Na verdade, parece que ele estava trabalhando para os militares russos.
— Está dizendo que toda essa história de mutações tem a ver com o governo russo? Essa é uma acusação muito séria.
— Bem, eles estavam financiando os projetos dele. Daí a dizer que eles sabiam exatamente o que Ivan estava aprontando é outra coisa. Mas é difícil de acreditar que eles não tivessem ciência de pelo menos uma parte do projeto dele... – Ela considerou. – Você precisa admitir que há uma certa predominância de “heróis” vivendo nos EUA, e que eles e a Rússia nunca tiveram uma relação amigável.
— Então, talvez imaginassem que deveriam ter seu próprio time de heróis para equilibrar a equação, já que, oficialmente o governo russo não possui ligações com a Hydra. É uma boa teoria. – Natasha respondeu. Começou a pensar nas complicações que aquela informação poderia causar caso vazassem. Poderia começar outra Guerra Fria, ou pior, uma Guerra nuclear. – Mas e agora? Com toda essa confusão, a Rússia não pode correr o risco de que esses mutantes sejam ligados ao país. Poderia causar uma guerra.
— Foi a mesma coisa que eu pensei. – Reiko concordou. — Por isso, eles precisam se livrar de tudo que possa levar até eles. E isso inclui o próprio Ivan. Provavelmente, as pessoas usadas nos experimentos desconhecem a participação do governo russo.
— E como eu sou muito sortuda, imagino que Ivan tenha dado um jeito nisso e fugiu da Rússia.
— Infelizmente, sim. Mas a boa notícia é que talvez eu saiba onde ele está. – Natasha olhou para ela com desconfiança. – Ok, são apenas teorias.
— Suíça? – Natasha chutou de brincadeira.
— Não tão fácil assim. Talvez, um pouco mais longe. Bem mais longe? – disse indecisa.
Natasha a olhou incrédula.
— Bem mais longe? Ele não abriu um buraco até o centro da Terra e se escondeu lá, não é? – Respondeu brincando, mas Reiko não riu. – Qual é!
— Teorias, Nat, teorias. – Reiko se virou par ela. – E algumas parecem bem malucas, devo confessar, e por isso preciso de você aqui. Não conheço nada, fora o que acho em relatórios, sobre Ivan. Mas você o conhece bem. Acha que o conhece o suficiente para talvez ouvir nossas terias e descobrir qual delas é a mais provável?
— Humm, talvez. Vou ter que ver o que você reuniu. – Natasha olhou para ela e sorriu. – Você pensou nisso tudo sozinha?
— Você tinha mesmo que perguntar isso? – Ela respondeu com uma cara feia. – Hanne e Alexei me ajudaram um pouco.
...
Pouco tempo depois, ela estava reunida com Reiko e Hanne no novo apartamento de Hanne em Moscou. E Deus era tudo tão rosa! Perguntou-se como Will conseguia viver ali. As três não estavam sozinhas, Alexei também estava lá. Natasha ficou satisfeita de ter, pelo menos, resolvido as coisas com Alexei. Assim, não era tão constrangedor ter ele por perto.
— Cadê aquele vagabundo do Will? – Reiko perguntou se jogando na poltrona branca com almofadas de pêlos rosas. Era como estar na casa da Barbie modelo gigante.
— Trabalhando. Como você acha que iremos pagar o casamento afinal de contas? – Hanne defendeu o namorado.
— Por favor, me diga que ele não está metido com algo ilegal. – Natasha perguntou levantando a sobrancelha.
— Nat, você sabe que nós abrimos uma pequena empresa de investigação particular. Algumas vezes, temos de fazer algumas coisas que são questionáveis, outros poderiam chamar de ilegais, mas estamos sendo boas pessoas. Bem, tentando. Ei, já que você está aqui que tal tirar as medidas para seu vestido de madrinha?
Natasha revirou os olhos. Aqueles malditos vestidos de madrinha! As nanitas pareciam não serem tão ruins em comparação.
— Primeiro, vamos resolver esses outros problemas e, depois, faço o que você quiser. Agora falem.
Alexei pigarreou, chamando a atenção para si.
— Sabemos que Ivan não está mais na Rússia, se estivesse talvez já estivesse morto. – Ele começou. — Ele também não pode se arriscar a ir para outro país, porque caso as informações sobre o trabalho dele para o governo russo com esses mutantes vazarem, ele não estará seguro em nenhum lugar. Todos vão querer caçá-lo, alguns países querendo matá-lo e outros querendo saber mais sobre o trabalho dele. Então, ele precisa de um lugar neutro. E não fale Suíça. – ele brincou e ela sorriu.
— Concordo, me parece a única opção para ele. – Natasha respondeu. – Mas algum lugar no mundo é realmente neutro?
— Depois, que descobrimos que ele estava numa base militar. Consegui... – Hanne pigarreou. — HANNE conseguiu descobrir , usando seus encantos femininos, de um soldado da base, alguns papéis com anotações de Ivan. Peraí. – Reiko entregou alguns papéis para Natasha, que tinha alguns esboços, anotações e pesquisas. Eram sobre submarinos, navios, foguetes e sobre uma base espacial russa.
Natasha começou a ler, um pouco atordoada.
— Submarino? De jeito nenhum. – os três a olharam em dúvida. — Vocês já estiveram dentro de um submarino? Acreditem é uma bosta.
— Nisso concordamos. – Alexei respondeu. – Então temos duas opções.
— Eu acho que ele está em algum lugar no Oceano. – Reiko respondeu e depois começou a justificar o porquê: — O Oceano é realmente muito grande, muito. E têm algumas áreas que não pertencem necessariamente a nenhum país. Aviões caem direto no mar, e mesmo sabendo onde eles estavam no momento da queda, muitas vezes é difícil localizá-los. Fácil passar despercebido.
— Não tão fácil, se pensarmos que existem centenas de satélites atualmente em volta de todo o planeta. – Alexei contrapôs. – Desculpa, Natasha, mas acho que ele está na base espacial. É o ideal.
— Tirando o fato de que há outros russos lá. – Natasha respondeu. – Entretanto, Ivan é inteligente, tenho certeza que daria um jeito. Talvez, ele tenha seus próprios contatos na base espacial. Mas, parece muito extremo, não tenho certeza. O oceano parece uma opção mais segura.
— Então...? – Reiko questionou.
— Acho que vou ter que descobrir. Preciso ir, crianças. Agora é por minha conta – Ela olhou seriamente para eles. – Não se metam mais nisso.
POV BUCKY
Tinha que confessar que estava um pouco nervoso com a missão. Ele geralmente trabalhava sozinho, e agora iria ter que trabalhar em equipe, e isso trazia mais responsabilidades.
Chegaram à provável nova localização, que era na Hungria, o que até fazia sentido, já que fazia fronteira com a Romênia. Como combinado anteriormente, nem todos entrariam juntos. Dr Banner, Tempestade, Logan e Visão esperariam o sinal para entrar.
Ele entrou junto a Clint e ele logo percebeu que havia pessoas lá dentro. Ainda precisava confirmar se eram os alvos, mas tinha certeza que estavam no lugar certo.
— Então, você vai ser minha Natasha hoje. – Clint disse irônico. – Vê se não faz merda.
— Você sabe que eu a treinei, não é? – Bucky também ironizou.
Foram adentrando o lugar com calma, mantendo contato com os outros. Estava confiante que tudo seria fácil, até que o mundo começou a ruir ao seu redor.
Nem sabia como tinha começado, provavelmente, alguns deles tinham sido visto por alguns deles, então eles começaram a contra-atacar. E não podia negar que eles eram fortes e tinham poderes bizarros. Controle de elementos, telecinese, super-força, e outros que ele não sabia nem como nomear.
Ele e Clint lutaram como uma garota que se teletransportava entre os dois. Apesar da bizarrice, ele estava se saindo bem. E pelo jeito, apesar dos adversários fortes, pela comunicação, percebeu que pelos menos todos ainda estavam vivos.
O grande problema surgiu foi quando percebeu que eles eram muitos, a cada um que abatia, surgiam mais três. Daquele jeito, eles não aguentariam por muito tempo. Era hora de chamar a cavalaria.
E que cavalaria melhor, do que ver um monstro verde gigante entrando quebrando tudo pela frente? Bom, ele com certeza fazia uma bagunça enorme, mas era eficaz.
Mesmo assim, ainda não estava sendo fácil. Já não conseguia ver Clint no meio daquela massa de pessoas. O céu estava negro e relampeava, cortesia de Tempestade, provavelmente. O único que conseguia reconhecer era Steve naquele uniforme azul. Ele também estava passando por dificuldades.
Conseguiu se livrar da garota que se esticava como elástico, e deixando o rancor de lado, foi ajudar Steve que estava lutando com quatro mutantes. Chegou a tempo, antes que um deles conseguisse o congelar novamente. Lado a lado, os dois lutaram contra os quatros, o que deixava a luta um pouco mais justa.
Steve bloqueava os ataques com seu escudo, enquanto Bucky aproveitar para atacar. Juntos conseguiram se livrar dos quatros e de vários outros. Eles até sorriram um para o outro, como se tudo o que tinha acontecido tivesse sido esquecido. Pelo menos, naquele momento, os dois eram os velhos amigos de sempre.
Quando a situação começou a se acalmar e já se encaminhava para um provável fim, sentiu suas pernas enfraquecerem. Nem sabia o que estava acontecendo, até ver uma garota com a mão grudada em sua cabeça. Sua cabeça começou a girar e imagens pipocavam em sua mente. Todos mortos, o mundo destruído. Natasha e a filha caídas mortas no chão, sangue delas por todos os lados e ele em pé com aquele olhar petrificado e nebuloso do soldado e uma faca ainda banhada em sangue nas mãos. Desabou, quase enlouquecendo com aquelas visões. Até que tudo parou.
Steve estava atacando a garota, enquanto Wanda lutava mentalmente com ela. Foi Wanda que conseguiu inibir o ataque mental dela, mas foi Steve que por fim a matou.
Só viu isso, já que logo depois perdeu os sentidos.
...
Acordou confuso. Estava deitado numa cama e parecia ser um hospital. Steve estava do seu lado, e ao vê-lo, lembrou-se do que aconteceu.
— Hey, como você está? – Steve perguntou sem jeito.
— Anh...Acho que bem. – ele respondeu ainda assombrado por aquelas visões. Mas feliz de ao menos ainda se lembrar de quem era, tivera medo de perder suas memórias novamente. – Então vencemos? Todo mundo está bem?
— Sim. Alguns fugiram, mas foram poucos, não acho que irão nos trazer problemas tão cedo. – Steve respondeu. – Tem outros feridos, mas nada grave.
Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, sem saber como continuar a conversa.
— Bem... – Bucky começou. – Acho que fiquei devendo uma a você. E a Wanda, claro.
Steve balançou a cabeça, negando.
— Você me ajudou primeiro, eu que estou te devendo uma. – Steve respondeu ficando visivelmente constrangido. – Ainda mais considerando o que eu fiz antes. Preciso me desculpar, não sei se é o suficiente, mas eu não sei o que deu em mim, perdi a cabeça. Você estava certo em me socar, mereci mesmo aquilo. Mesmo que você não possa me desculpar, só queria dizer que eu lamento e me arrependo muito, e que nunca acontecerá novamente.
— Humm. – ele não sabia o que responder. Estava com um pouco de raiva ainda, mas Natasha mesmo o tinha aconselhado a deixar aquilo de lado. – Bem, eu acho que posso te desculpar, mas talvez eu precise de um tempo. Eu também devo muito a você, Steve, e se não fosse por você, eu ainda estaria preso dentro de mim mesmo, e não teria a vida que consegui agora. E gosto muito da vida que tenho agora, apesar dos pequenos problemas. Então, não só pelo o que aconteceu com Natasha, mas também por todas as vezes que eu feri você no passado, acho que o melhor seria restabelecer nossa amizade com calma.
— Só isso já é o suficiente para mim, não achei que fosse me perdoar. E isso seria horrível não só porque você é meu .melhor amigo, mas também porque somos os únicos idosos aqui. – os dois riram
— Nesse último ponto você está enganado. Natasha vai negar até a morte, mas também já está por aí a muito mais tempo do que você imagina, e Logan... Bem, Logan deve ser mais velho que nós três juntos.
— Oh, uau. Logan é o que tem as garras, não é? Isso explica porque ele é tão rabugento.
James riu e o dois ainda conversaram por mais um tempo. Depois, Tony e Wanda o visitaram, só aí que soube que não estava num hospital comum, mas sim no setor médico da SHIELD. Wanda não estava ferida, mas Tony tinha alguns hematomas. Soube que T’challa também estava ferido, e como já se sentia bem, foi visitá-lo. Mas quando viu Tempestade conversando, parecendo preocupada, com T’challa dentro do quarto, enquanto o pantera fazia caras forçadas de dor, preferiu não atrapalhar. O amigo ainda o viu no corredor e deu um pequeno sorriso para ele e James respondeu levantando o dedão, num gesto de ok, cara.
Vagueou mais um pouco pelo setor médico. Viu a Dra Beth conversando animadamente com o Dr Banner muito intimamente. Ela parou a conversa por um momento, o olhando como se quisesse falar algo com ele. Foi até eles e os cumprimentou. O monstro verde ficou constrangido ao ser pego no flagra com a doutora. Deus, precisava parar de pensar nele de forma tão negativa, era só um pouco de ciúmes bobo.
— Oi, James. – Beth cumprimentou, eles já tinham conversado várias vezes, já que Natasha fazia exames periódicos com ela quando não estavam nos EUA. – Você tem notícias de Natasha?
— Anh, não. – ele não queria contar para aquelas pessoas que conhecia superficialmente que Natasha simplesmente tinha o deixado e ido embora. – Ela tem alguns problemas para resolver, e você sabe, com toda essa história louca de mutantes do mal, não tive como falar com ela ainda.
— Entendo. – Beth sorria, mas ele sentia que ela estava tensa. – Eu e Dra Cho precisamos mesmo dela aqui, então se puder, peça a ela, por favor, para voltar para SHIELD.
Ele se despediu, e saiu tentando encontrar Clint. Agora era a hora de ele descobrir o que a ruiva estava aprontando.
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