Stray Kids - HALLOWEEN MEGAVERSE
9 05. 『O maldito jogo da vida real』
Notas iniciais
O maldito jogo da vida real.
Em uma call no Discord:
[Bbokari: Quokka eu vou matar você]
[Quokka: Ah, não fica tristinho Bbokari, você é o nosso eterno bronze, mas nós ainda amamos você não é meninos?]
[WolfChan: Gente pega leve, tá tudo bem Bbokari, na próxima nós ganhamos]
[FoxINy: Vão ganhar nada não, o Leebit e eu vamos detonar o Nexus de vocês mais uma vez, né não Leebit?]
[Leebit: Como sempre né? Já te falei Bbokari deixa o WolfChan e cola com o pai aqui, ou com o Puppym aí você ganha.]
[Jiniret: Gente acho que vou nessa, fiquem aí zoando o nosso eterno bronze por mim.]
[Puppym: Nossa eu também vou vazar aqui.]
[Bbokari: Não, pera aí seus vacilões, e a minha ideia brilhante para o nosso reencontro?]
[Quokka: Brilhante dó se for igual seu bronze eterno... Fala sério Bbokari acampar? Tu nem gosta muito disso...]
[Bbokari: Não mesmo, mas se for para reunir todo mundo porque não? WolfChan me ajuda aí vai...]
[WolfChan: Vamos meninos! Vai ser uma boa vai, e nós já vimos que esse final de semana tá todo mundo livre, então não tem mais desculpas.]
[Jiniret: Cara... quando esses dois australianos querem alguma coisa... Tá por mim beleza com tanto que eu possa ir dormir agora.]
[Puppym: Tô fechado com o Jiniret.]
[FoxINy: Vocês sabem que eu não curto isso né? Mas é como o Bbokari disse, para ver vocês posso fazer esse sacrifício.]
[Leebit: Eu vou e nem é por vocês, gosto de acampar diferente desses zé aí.]
[Quokka: Se todo mundo vai...]
[Bbokari: Aeeeeew gostei de ver.]
[Leebit: Vamos deixar isso mais interessante?]
[Puppym: Lá vem ele com as ideias mirabolantes... fala aí Leebit]
[Leebit: Lá a gente só vai poder usar nossos niknames, e quem sair do combinado paga prenda.]
[Jiniret: Tá gostei disso, já vou pensar em prendas para o Quokka bobão porque é certeza que ele vai perder.]
[Quokka: vai sonhando furão...]
[WolfChan: Então estamos combinados? Vamos sair da minha casa no sábado bem cedinho, usamos meus carros para ir eu dirijo um e o Leebit dirige o outro pode ser?]
[Leebit: Eu ia com o meu, mas pensando bem o seus são bem mais espaçosos, por mim fechou.
[Bbokari: Eba! Não vejo a hora!]
[FoxINy: E temos um pintinho feliz.]
[Quokka: Nosso eterno bronze está contente!]
[Bbokari: Vão se ferrar...]
[Jiniret: Se já terminaram vou nessa, a gente combina tudo no grupo depois.]
—Jiniret saiu da call-
[Puppym: Também vou...]
—Puppym saiu da call-
[FoxINy: Vamos todos?]
—Leebit saiu da call-
[Quokka: ele sempre sai assim... bora então...]
—FoxINy saiu da call-
—Quokka saiu da call-
[Bbokari: Vamos também né?]
[WolfChan: Sim, boa noite Bbokari.]
[Bbokari: Boa noite WolfChan]
—Bbokari saiu da call-
—WolfChan saiu da call-
[...]
Momento atual.
Eu estou muito empolgado!
Depois de muito tempo sem ver meus amigos, decidimos em uma call do Discord enquanto jogávamos LoL que acamparíamos no parque florestal neste final de semana e agora que chegou me sinto elétrico.
Na verdade, foi o Bbokari que sugeriu, eu me empolguei com a ideia e acabei me juntando a ele insistindo bastante nisso e os demais acabaram aceitando sob a condição que nós só usaríamos nossos Nicks do jogo com direito a punição para quem infringisse a regra (coisa do Leebit) mas todos aceitaram, achamos até que seria bem divertido fazer assim e hoje após anos sem nos ver vamos nos reencontrar!
Estou muito ansioso e espero que esse reencontro seja mesmo muito divertido para todos!
[...]
— Ah, olha se não é o WolfChan em toda sua glória!
O Leebit veio com aquele ar todo brincalhão dele fazendo os demais sorrirem.
— Vieram todos juntos? Acho que eu estava certo em pensar que vocês só me tiraram do grupo, mas que ainda vivem juntos no alojamento.
— Eu não ia dizer nada não, — O Jiniret falou em um sussurro fingido ao meu lado. — Mas o plano sempre foi deixar você de fora.
Todos começaram a rir e o Jiniret troca um high five com o Bbokari.
— Seus idiotas, sorte que eu amo vocês, vamos arrumar tudo para ir de uma vez.
Eles vieram zombando do tamanho do meu bico, mas logo colocamos tudo arrumado nos carros que nos levariam e partimos em seguida.
Nossa aventura estava prestes a começar.
[...]
Horas depois
— Finalmente! — O Puppym no banco de trás falou se espreguiçando. — Achei que não chegaríamos nunca.
— Ele continua o mesmo reclamão de sempre... — falo sorrindo pequeno. — Vamos descer, os outros já estão esvaziando o carro deles.
— Cara, eu nem acredito que viemos mesmo!
— Tá felizinho Quokka? Devo contar a eles que quase não te tiro de casa?
— Fica quieto Leebit!
— É, eu fiquei sabendo disso aí viu... — Olho em volta e dou uma boa respirada no ar puro que vem da mata. — Vou perdoar só porque você está aqui e isso promete ser muito divertido!
Todos estávamos muito empolgados, o parque florestal é muito lindo e apesar de não ser muito grande, era uma área cheia de árvores e o verde ali predominava e mesmo ainda estando tão perto da área industrial o parque mantinha o seu charme.
— Tudo certo com as coisas aí, WolfChan? Aqui já conferimos tudo e está okay.
— Tudo certo aqui também FoxINy, já podemos começar a subir
— Então vamos nessa!
O Bbokari falou todo empolgado e todos fomos em seu embalo.
[...]
Se eu soubesse o que estaria a nossa espera, eu jamais teria vindo aqui com eles.
[...]
A subida foi extremamente agradável, o lugar estava ainda mais bonito e bem cuidado, mas era inegável que o contraste com as áreas industriais entorno de todo aquele verde lindo deixava a área com um ar um tanto sombrio, bizarro até eu diria e após subir bem a trilha da montanha encontramos o ponto ideal para ficarmos.
— Aqui rapazes, acho que essa clareira está perfeita para montarmos nosso acampamento, o que me dizem?
— Demorou, não aguento mais subir.
— Logo você Leebit, o homem das montanhas?
— Nhêê... cala a boca lobão, vamos logo montar essas barracas.
Trabalhamos duro, montamos tudo com muito cuidado, acendemos a fogueira, começamos a preparar as comidas e é claro pegamos as cervejas.
Estávamos prontos para aproveitar ao máximo aquele final de semana.
[...]
— E aí? Quem vai começar com as histórias de terror?
— Ah, jura FoxINy?
— Não seja tão medroso Bbokari, qualquer coisa o WolfChan segura sua mão.
— Isso se ele já não estiver todo borrado também.
— Falou o que vai ser o primeiro a sair gritando.
Todo mundo riu do Jiniret que mostrava a língua para mim.
— Eu posso começar... — O Quokka falou criando uma atmosfera tensa. — Vocês viram os atuais desaparecimentos?
— Nossa, pode crer, teve aquelas duas garotas que sumiram no parque de diversões e quando acharam os rastros delas era menos que nada, mal deu para identificá-las.
— Eu vi Puppym foi terrível.
— Teve uma parada com a professora da minha irmãzinha também — Todos olhamos para o Leebit que falava sem muita emoção o que deixava tudo ainda mais tenso. — A moça sumiu por uns três dias e quando voltou foi afastada da escola por instabilidade psicológica.
— Sério isso Leebit?
— Sério pô! Minha irmãzinha disse que a professora dela estava falando coisas sobre o outro lado, monstros e coisas assim.
— Será que isso é verdade? — O Bbokari perguntou tenso.
— Provavelmente não Bboki. — Falo baixinho tentando acalmá-lo.
— O Karaokê do centro está interditado também, não sei se tem algo a ver com as demais histórias, mas as luzes lá se apagaram tem mais de uma semana e está todo mundo falando que lá é um portal onde criaturas monstruosas saem e adentram a cidade.
— Ah, isso já é balela Jiniret, onde já se viu?
— Não sei não WolfChan, os últimos clientes de lá não apareceram até hoje, a polícia está investigando e tudo.
— Só tem uma palavra para definir tudo isso: Loucura. — O Puppym falou um tanto entediado.
— Você não acredita no sobrenatural Puppym?
— Eu não, eu só acredito em gente má, isso sim, eles estão se aproveitando da época para fazer suas barbáries e colocarem a culpa de tudo em monstros... Monstros? Sério? E vocês acreditam mesmo nisso?
— Não sei não, eu ouvi falar em um assassino mascarado que está fazendo massacres por essa região e dizem que ele faz essas coisas para ofertar ao mundo inferior, pode ser só lenda urbana, mas que todo mês de outubro as coisas ficam mais estranhas, isso vocês precisam admitir.
— Ah então era medo do assassino mascarado que estava fazendo você relutar em vir com a gente Quokka?
— Claro! WolfChan fala para eles que isso pode ser real?
— Poder até pode, mas eu acredito mais nas lendas urbanas, hoje em dia o sensacionalismo viraliza fácil.
Falo tentando me manter firme por saber que eles meio que se apoiam em mim, seja na sala de call, seja na vida real, mas por dentro eu fico cismado, e se estivermos correndo perigo de verdade?
— Bom, acho que tudo deve ser baseado em filmes de terror, né? — O Bbokari fala tentando amenizar a tensão. — Abro minhas plataformas de streaming e só dá filme de terror, certeza que a galera só se deixou contaminar pelo espírito do Halloween.
— Exatamente! — Falo mais aliviado por ver que está tudo "bem" com eles. — Agora vamos comer, já bebemos bem e não podemos ficar de estômago vazio para não passar mal.
— Sim comandante Garen* WolfChan!
Esses meninos... penso e dou um sorriso, parecia que ainda estávamos em call e a qualquer momento o Bbokari ia chiar porque o Quokka o chamou de "eterno bronze".
E no restante da noite comemos, bebemos e falamos sobre muitas coisas.
Às vezes os assuntos de terror voltavam à tona, mas logo uma piadinha do Leebit ou do Puppym faziam todos caírem na gargalhada e assim como previ, tudo estava perfeito e muito divertido.
— Bom, acho que vou puxar o carro.
— Nossa sim, eu tô cansadão também vamos todos dormir?
O Jiniret falou se aconchegando todo no FoxINy que de todos era o mais calado, o que não era algo tão comum, mas que decidimos deixar quieto, pois sabemos que ele não curte muito essa de acampar e só veio para poder nos rever.
— Então vamos todos, eu também quero descansar amanhã iremos até o lago.
Falo e o "ânimo" escondido pelo sono e cansaço dos demais me fez sorrir, eu amo muito essa galerinha e estar com eles novamente estava me deixando imensamente feliz.
Era como se não tivéssemos crescido, como se nossos eu criança ainda fossem nossa essência e isso era divertido, algo que eu só tenho quando estou junto a eles e que para mim vale mais que ouro.
Verificamos tudo e entramos em nossas barracas; dividimos em duas duplas e um trio e acabou dando certinho.
— Durmam bem seus zé ruelas!
— Fica quieto Puppym!
— Boa noite!
[...]
Horas depois.
Eu estava em um sono profundo quando senti o Bbokari sacudir meu ombro.
— WolfChan?
— Hum...
— Tá ouvindo isso?
Pisco rapidamente algumas vezes seguidas para tentar me concentrar no que o Bbokari tentava chamar minha atenção e logo notei que ele tinha razão.
— É acho que ouvi sim.
— Parece o som de algo sendo carregado... um saco grande? — Ele veio até mim e segurou minha mão. — Por favor me diz que isso é só loucura da minha cabeça.
Um vento cortante uivou em seguida e eu aproveitei para acalmar meu parceiro de barraca.
— É só o vento Bboki, vamos voltar a dormir está bem?
— Tá, tá bom...
Voltamos a nos deitar, mas eu me mantive alerta com os sons vindo de fora, talvez o Bbokari tenha razão de estar assustado, mas eu não queria o deixar ainda pior levantando essas suspeitas.
[...]
— Ai meu deus... — Um barulho ainda mais estrondoso foi ouvido e nós dois ficamos em alerta. — WolfChan...
— É, eu ouvi também... vamos sair e ver o que está acontecendo.
Falei em um tom firme e me levei para fora da barraca.
— Ah, não...
A voz do Bbokari veio lamentando logo atrás de mim.
O lugar onde estávamos estava uma zona, nem de longe foi apenas o vento que fez aquela enorme bagunça em toda a clareira e quando olhei para a barraca dos nossos outros amigos um frio cortante me paralisou.
— Estão todas vazias e destruídas...
Falei e senti um leve embrulho me tomar quando vi que rastros de sangue saiam delas indo em direção à mata mais densa e o pânico me tomou.
CABRUM!
O som potente de um trovão nos assustou.
— PUTA QUE PARIU! — O Bbokari gritou e se abraçou a mim. — Que merda é essa? O que está acontecendo aqui?
— Não sei Bboki, mas precisamos agir rápido.
— E o que você sugere que façamos WolfChan?
— Vamos seguir os rastros de sangue?
— E ir direto para onde vamos morrer? Claro porque não?
— Temos que achar os outros Bboki e se demorarmos muito a chuva virá e vai lavar os rastros.
— Odeio quando você tem razão...
— Você pode tentar ficar e pedir socorro...
— Como inteligência? Aqui em cima não temos sinal lembra? E nem a pau que eu vou ficar aqui sozinho, vamos de uma vez... AI MERDA!
Ele mal acabou de falar e um relâmpago desceu dos céus iluminando rapidamente a área escura onde nos encontrávamos e vimos uma silhueta muito estranha mais ao longe e aquele vislumbre me arrepiou.
— Wolf estamos na merda, cara estamos mesmo ferrados.
As muitas histórias que os meninos contaram mais cedo começaram a pular em minha mente, desaparecimentos, monstros, outro lado, coisas que eu jamais acreditaria começaram a fazer um certo sentido para mim e eu só pensava nos cinco meninos que sumiram e no que estava ao meu lado se tremendo todo.
Eu precisava fazer alguma coisa, mas também estava travado de medo.
A silhueta que vi era como se fosse de alguma figura forte e musculosa, me lembrou até um pouco de um amigo meu do trabalho que era um rato de academia, mas essa figura era muito maior que ele e sua cabeça?
Uma máscara horrenda de porco com orelhas pontudas conseguiu fazer os meus joelhos tremerem um pouco pelo medo que me tomava.
Aquilo nem fazia sentido.
Apertei meus olhos na direção da figura estranha, mas não havia mais nada ali e eu tentei voltar a respirar regularmente enquanto notei que os pingos de chuva começaram a cair me fazendo voltar a realidade mal sabendo quanto tempo levei em meus devaneios.
— Bboki se formos atrás dos meninos precisamos ir agora ou a chuva apagará todos os rastros.
— Eu sei, eu sei... vamos de uma vez e seja o que os deuses quiserem.
— Você acredita nos deuses?
— Não, mas a minha amiga sim, ela vai até orar num tal de templo às vezes.
— AH... entendi.
Começamos a seguir os rastros de sangue, não estava fácil, e quanto mais adentrávamos a mata densa, mais ouvíamos barulhos estranhos, era como se um animal estivesse bem perto da gente e então decidimos ser mais cautelosos.
— Vamos com mais cuidado Bboki... Minha nossa!
Mais um clarão se deu por conta de outro relâmpago e novamente vimos aquela silhueta horrenda e misteriosa.
— Esquece o cuidado Wolf, vamos mais depressa por favor.
— Tá, vem comigo, vamos por aqui.
Eu estava com tanto medo que mal conseguia raciocinar, só fui para onde o rastro vermelho e pegajoso estava nos levando e minha mente se dividia entre proteger o Bbokari e salvar os outros, eu sentia como se fosse minha responsabilidade tudo isso e uma vontade de chorar começou a apertar em minha garganta.
Paramos rapidamente e nos encaramos, nossos olhares se cruzaram e eu senti que o pequeno Bboki também estava prestes a chorar...
Foi quando mais um trovão ressoou no céu.
— CARALHO! WOLFCHAN PELO AMOR DOS DEUSES!
— MERDAAA!!!
Ouvimos uma risada estrondosa que beirava a algo maníaco e em seguida vimos um vulto passar entre nossas cabeças e quando olhamos para a direção que ele foi vimos um enorme cutelo colar em um tronco de árvore que por pouco não nos acertou em cheio.
— Alguém atirou isso na gente?
— Parece que sim... vem Bboki vamos correr!
Começamos a correr na mesma direção do rastro de sangue, mas logo já não sabíamos mais para onde estávamos indo por estar muito escuro e mal dar para ver o chão.
— Ai, merda!
Os galhos finos das muitas árvores ali batiam em meu rosto e braços cortando tudo e aquilo doía demais.
— Vamos Bboki, corre!
— Estou, AÍ, correndo!
Pelo visto ele também estava sendo todo cortado pelos finos galhos e aquilo doeu no meu coração.
Corremos um pouco mais e os risos insistentes da criatura que nos perseguia não nos deixavam em paz até que ambos tropeçamos e caímos com tudo na terra já toda molhada pela chuva.
— Vocês caíram? HÁ HAHAHAHA! Vão facilitar assim para mim, porquinhos?
A voz do que nos seguia incessantemente era insanamente potente e marcante e a forma como ele gritou parecia que ele estava em meio a um surto psicótico.
— Levanta Bbokari, vamos sair daqui.
Ajudei meu amigo a se levantar e o senti tremendo por inteiro.
— Nós vamos morrer WolfChan?
— Não se eu puder impedir.
Voltamos a correr, mas agora estava muito mais difícil por conta de todo aquele lamaçal.
— hAHAHEHAHEHAAA Corram mais meus porquinhos! VAMOS, CORRAM!
Seguimos correndo quando de repente piso em um mato mais alto e a dor excruciante que sinto faz com que eu me arrependa amargamente por ter pisado ali.
— Aaaaiii! DROGA!
— WolfChan o que foi?
— Prendi meu pé aqui Bboki — Minha voz saiu cortada tamanha a dor que eu sentia. — Droga!
— Meu DEUS, CALMA! — O Bboki me pedia calma, mas ele estava nitidamente mais em pânico do que eu. — Isso é uma armadilha de urso?
— Sim, essa porcaria... — Mordi os lábios tentando aguentar a dor cortante. — Vai embora Bboki, me deixa aqui e se salve.
— Tá maluco WolfChan? O Caralho que eu vou te deixar para trás... — Ele olhou de um lado para o outro e levou suas mãos aos cabelos. — Me ajude a abrir isso, você é mais forte que eu.
— Tá, mas vamos logo com isso, precisamos sair daqui.
Cada um de nós pegou de um lado da armadilha.
— Vamos puxar no três, um, dois, puxa!
— ARRRRGH!
A dor era enorme, e não conseguimos retirar meu pé daquilo.
— Bboki corre você, por favor continua... NÃO!
— AAAAHH HAHAHAHA
Senti uma forte pancada na cabeça e só tive tempo de ver aquele ser com aquela máscara horrenda acertar o Bbokari também.
— Durmam meus porquinhos imundos, durmam...
E tudo se apagou.
[...]
Autora On.
"— E esses porquinhos foram passear... Uma pena, eles não irão mais voltar HAHAHAHA."
A figura que acabou de fazer uma caçada ao grupo de amigos na área florestal estava completamente satisfeito com o resultado de sua caçada.
Ele usava uma máscara de porco completamente medonha e com as duas últimas vítimas que pegou sobre seus ombros largos ele adentrou em seu covil onde ele já preparava tudo para sua diversão da noite e enquanto ele arrumava as coisas que queria fazer com eles ele se sentiu sortudo por ser um grupo grande dessa vez e por hora todos estavam inconscientes.
Homem porco POV.
— Mas que noite perfeita!
Coloquei ambos os corpos que trazia em uma das inúmeras mesas que tem aqui.
— Agora vamos preparar o nosso joguinho! HEHEHEHEH.
Me voltei para outros dois dos amigos e coloquei ganchos em suas peles delicadas os suspendendo no ar em seguida.
Paro um instante para contemplar minha arte.
— Tão lindos... — Me viro para a outra dupla, a mais barulhenta e o sorriso se alarga em meu rosto. — Agora vocês dois! Vamos lá!
Peguei esses dois e os acorrentei como belos porquinhos que são e assim que os senti bem presos os coloquei sobre uma pequena plataforma e os empurrei para o meio de uma piscina.
— Ai ai ai, se cair vai fazer dodói...
Falo levando a mão a boca para reprimir um risinho que insistia em deixar meus lábios.
Não seja tão mal assim Dwaekki, penso e uma gargalhada me escapa ecoando por todo o lugar de preparo.
— Ah, cadê o meu quebra cabeça? Onde foi que eu deixei?
Me voltei ao freezer que tenho ali e o abri encarando os vários pedaços de um deles que fiz questão de esquartejar para usar em minha brincadeirinha.
— Aqui... oi coisinha linda...
Falo me lembrando do trabalho que esse lindo coelho me deu, e me lembro que foi justamente por isso que eu o escolhi para ser o meu quebra cabeça, ele não era um porquinho, era um coelhinho insolente.
— Vem, vamos espalhar seus pedacinhos por aí.
Fiz tudo pensando em como eu era bom em tudo o que faço e após terminar voltei a última dupla que capturei.
Os mais medrosinhos do grupo.
— Já, já vocês acordam, não é? Então vamos colocar vocês na gaiola? Sim, para a gaiola, um de vocês até parece um pintinho mesmo, tão bonitinho..., mas hoje todos serão os meus porquinhos.
Fui até meus dois exemplares e os coloquei presos na gaiola que ficava em frente a uma parede onde usei o sangue do que fiz em pedacinhos para escrever a palavra "INEVITÁVEL" para que quando eles acordassem eles entendam que nada disso poderia ter sido evitado, afinal eu os quis assim que eles entraram em meu campo de caça e quando eu quero algo, nada me impede de ter, e quando eles acordarem minha caçada vai começar e por mais que eles achem que a "sobrevivência" de todos dependem deles, eu sei que não há nada o que eles possam fazer, eles tentarão lutar, mas correrão direto para mim.
Comigo é assim, se eu entro em um jogo, esse já está ganho ao meu favor antes mesmo de começar.
Agora só me resta admirar minha obra-prima!
— É Changbin, dessa vez você se superou... isso está perfeito! HAHAAHAAHAAA
[...]
Pouco tempo de espera se passou e eu comecei a ouvir os gritos de dor vindo dos meus porquinhos medrosos.
— É hora do show!
Falo para mim mesmo todo empolgado, limpo minha garganta e me coloco em um ponto privilegiado que dá para ver todos com aquelas caras de "o que está acontecendo?" ou de "socorro!!" que eu tanto adoro ver em seus semblantes completamente perdidos, agora vamos falar com os meus porquinhos.
Ligo todos os alto-falantes do lugar e começo a falar com eles.
— Olá porquinhos, sejam bem vindos a minha câmara de jogos, hoje vocês vão entreter a mim e eu pretendo me divertir muito com vocês, então colaborem e quem sabe vocês não sairão vivos daqui.
Olho para todas as áreas do meu açougue particular e os vejo tremendo, chorando e mais assustados do que eu imaginava e isso me causou um belíssimo frisson.
Tudo estava perfeito.
— Como podem ver todos estão relativamente próximos um do outro, então tudo o que acontecer com vocês poderá ser visto pelos demais, então não se preocupem, haverá show para todos.
— Onde está o Leebit? — ouço o que acho parecido com um pintinho falar todo assustado.
— Ah, como notaram falta um dos porquinhos, onde será que ele foi? Hum... AH! Ele não era um porquinho de fato era? Não, ele era um coelhinho, não é mesmo? Então ele foi o primeiro a ir, eu o transformei em parte do nosso quebra cabeça, eu o dissequei e o cortei em pedacinhos que vocês dois da gaiola vão ter que encontrar...
A expressão de pânico deles estava me deixando ainda mais animado, então prossegui com as instruções.
— Dentro de cada pedacinho terão as chaves que liberta seus outros amiguinhos, mas tudo isso terá que ser feito bem rápido, pois o tempo estará rolando e se demorarem muito... bom... digamos que os outros porquinhos sofrerão, quanto mais demorarem os que estão nos ganchos serão esticados e se não forem depressa seus corpos se despedaçarão, e a outra dupla acima da piscina bem, o ácido abaixo deles não deixará restos para contar história então eu os aconselho a não demorarem, pois quanto mais o tempo passar mais a plataforma onde estão irá descer e eles irão derreter...
Eu ouvia os choramingos e aquilo era o início de uma bela música para os meus ouvidos, mas a canção ainda estava muito baixa, então resolvi que devíamos melhorar isso.
— O tempo correrá nesse timer que todos verão no meio da nossa sala de jogos e quando vocês ouvirem a sineta a dupla da gaiola poderá começar.
— Bbokari corra e ache as chaves, eu darei o meu melhor, mas esse sádico me colocou aqui de propósito por saber que com o meu pé assim eu não vou conseguir ir muito longe.
— Mas WolfChan...
— Chega de ladainha vocês dois, a caçada começa AGORA!
Apertei o botão que liberaria a gaiola e a sineta fez o timer começar a correr.
E agora é hora de aproveitar meu showzinho particular.
— Corram, corram, corram meus porquinhos ou seus amiguinhos vão morrer... HAHAHAHAHAHA
WolfChan Pov.
Tudo isso é uma insanidade total, estou correndo como posso, mais mancando, na verdade, mas estou dando o máximo de mim o que é em vão e, no fundo, eu sei disso e por isso me rendo as lágrimas que insistem em cair e quando olho para o Bboki ele está igual a mim, em prantos, apesar de correr bem mais do que eu por estar inteiro.
Decidimos correr para uma das salas que tinha ali e enquanto o Bboki vasculhava tudo eu vigiava a porta.
— Ai meu deus, é a perna do Leebit.
Ele falou aos prantos e eu vi uma costura feita a grosso modo na perna do nosso amigo entendendo que uma das chaves poderia estar escondida ali.
— Enfie a mão na costura e pegue a chave Bboki, vamos!
Meu amigo fez o que eu disse e aos prantos pegou a primeira chave e sem pensar muito partimos para a outra sala.
— É um freezer WolfChan.
— Entra aí deve ter outra chave, vou segurar a porta.
Ele entrou e começou a vasculhar.
— Merda de frio!
— Vamos Bboki você consegue.
Falo sem realmente acreditar no que digo e começamos a ouvir gritos, olhamos e vemos que as coisas começaram a acontecer com os nossos amigos.
— Aguentem firme, vamos salvar vocês!
Grito em um tom desesperado e a risada do porco psicopata ecoa aterrorizante nos alto-falantes que tomam todo o lugar.
— Gostei de você, é um porquinho medroso, mas todo corajoso por seus amigos uma pena que mal possa correr...
— Achei a outra perna WolfChan, mas está congelada!
O Bboki gritou já lavado de lágrimas.
— Traga ela aqui, vamos quebrá-la.
Ele assim o faz e começamos a bater ela no chão e ela se partiu deixando a vista a ponta prata da segunda chave que puxei chorando copiosamente pela dor que sentia por reconhecer a meia do Leebit.
— Vamos! Precisamos correr.
Corremos que nem loucos, mas acabei me desequilibrando e caí com tudo no chão.
— WolfChan!
O Bboki fez que vinha me ajudar.
— Não! Você tem que continuar Bbokari, eu... AI!
Sinto algo pesado caindo sobre mim e quando virou meu corpo para ficar de frente para si aquela máscara tenebrosa estava tão próxima a mim que ali perdi todas as poucas esperanças que eu ainda mantinha.
— Oi, porquinho líder! Vamos brincar!
Aquele ser forte e pesado sorria feito louco enquanto me esfaqueava sem parar e ao fundo eu só ouvia os gritos e choros de todos, e principalmente do Bboki que era o que estava mais próximo a mim.
— Corre Bbok...
O líquido rubro e quente começou a jorrar pela minha boca, eu estava me afogando em meu próprio sangue e o porco maldito não parava de me esfaquear.
[...]
Bbokari POV.
Vi o homem porco matar o WolfChan bem em minha frente e por um instante me senti completamente paralisado, o sangue lavava o corpo másculo do ser em cima do meu amigo e a julgar pelo seu tamanho eu jamais teria chances contra ele se ele me pegasse assim então fiz a única coisa que ainda me cabia.
Virei dali e sai correndo como louco, chorando, gritando e completamente desesperado.
Deixei meu amigo para trás e nunca mais vou me perdoar por isso.
Apesar da área ser toda posta a vista eu precisaria passar por uma porta para poder salvar os meus amigos que também gritavam agonizantes e completamente aterrorizados, mas um pouco antes deu atravessar o batente os gritos cessaram juntamente com o completo silêncio do timer que indicava que meu tempo acabou, então abro com cuidado a porta que estava em frente a mim e o que estou vendo bem agora é algo que nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar.
— Mas que caralho de merda é essa?
Falo levando minha mão a boca e uma vontade enorme de vomitar vem me embrulhando, ali não era onde meus amigos estavam, mas sim outro lugar onde tinham vários outros corpos destroçados espalhados em mesas ou pendurados em ganchos, aquilo fedia a morte e em um canto eu vi pedaços de corpos como se estivessem embalados em sacos e etiquetados com as palavras "mundo inferior" nelas e nesse exato momento imaginei que as muitas histórias de desaparecimentos poderiam não ser só lendas urbanas, mas sim uma realidade psicótica onde por um infortúnio do destino eu e meus amigos caímos sem chance alguma de nos livrar disso.
Todos estão mortos...
E a culpa era toda minha por ter dado aquela ideia idiota para eles.
Caio de joelhos sem força alguma para mais nada, e as lágrimas me lavavam o rosto.
Estava tudo acabado...
E eu sei que não tenho como vencer esse inferno de jogo, meus amigos se foram e eu sei que logo me juntarei a eles.
Fecho meus olhos os apertando pelo horror que me toma com a risada lunática que ouço bem atrás de mim.
— Aaaah então, você encontrou meu estoque? — A voz dele veio intensamente gélida atrás de mim. — É uma pena que você tenha desistido tão rápido...
Senti uma dor absurda em meu ombro, a lâmina da mesma faca que matou o WolfChan agora estava fincada em mim.
— Você quase encontrou a saída para o mundo inferior, — ele se aproximou do meu ouvido e falou em um tom pesado e arrastado. — Talvez lá a sua morte não fosse tão dolorosa quanto a que tenho reservada para você.
Senti mais da lâmina de sua faca me furar, ele me acertou em cada um dos tendões atrás dos meus joelhos, o que me impossibilitaria de tentar correr dele e eu só aceitei que tudo estava mesmo acabado para mim.
— Hora de ver os pedaços do que restou de seus amiguinhos antes de enfim se juntar a eles...
Senti um forte empurrão e meu corpo se chocou com tudo no chão duro e frio e então senti suas mãos fortes me pegarem pelos pés e em seguida ele começou a me arrastar lentamente pelo caminho que levaria aos meus amigos.
Meu fim chegou.
E junto a esse pensamento a dor do arrependimento por sugerir aquele acampamento para os meus amigos que nos tirou do joguinho online e nos colocou em um maldito jogo da vida real, onde morrer não nos levaria de volta a nossa Fonte* para nos recompor e poder voltar a partida.
Não haveria uma próxima rodada para tentarmos vencer.
E esse pensamento me preencheu com um sentimento de culpa e eu voltei a chorar até notar que aquele porco imundo parou de me arrastar e quanto olho para o lado.
— Não... WolfChan...
Vejo que ele me colocou ao lado do meu amigo que ele acabara de esfaquear, olho para o que sobrou dele e o vi todo desfigurado.
— SEU FILHO DA PUTA DE MERDA!
Eu gritava, chorava e me esperneava e o porco maldito seguiu me arrastando e deixando um rastro com o meu próprio sangue que agora se misturava com o do WolfChan para trás.
— HAHAHAHAHAHA... Vamos, dê uma boa olhada no que restou dos seus outros amigos...
O porco ria alto.
E eu chorei baixinho.
Olhar para tudo aquilo me levou a uma dor que eu jamais saberia explicar e a risada insistente dele não parava um só instante me fazendo chorar ainda mais por saber que aquele riso demoníaco seria a última coisa que eu ouviria na vida.
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