Stray Kids - HALLOWEEN MEGAVERSE
10 06. 『Sim Aranha, você me prendeu』
Notas iniciais
Sim Aranha, você me prendeu...
Já é quase dia trinta e um e eu preciso correr...
Tenho muito o que fazer e o lugar do rito que precisarei fazer é um tanto longe de onde eu moro, então eu estava me arrumando para viajar.
Depois que recebi uma mensagem espiritual de um oráculo que me dizia sobre suas previsões um tanto catastróficas, eu não tive dúvidas, o rito que faço todo ano com uma bruxa local precisava ser feito o quanto antes.
Temos que fortalecer o véu ou o mundo como conhecemos irá ruir e depois de tudo que soube sei que estamos em desvantagem na batalha desse ano.
Pego tudo que preciso, me certificando que não está faltando nenhum item da parte que cabe a mim, coloco tudo em meu carro e sigo em direção ao rumo que preciso tomar e enquanto dirijo estrada afora vou pensando nas previsões que foram passadas a mim de forma tão atordoante...
Nada estava claro, e estava difícil para mim interpretá-las, mas uma coisa era certa: Todas essas previsões eram muito preocupantes e se elas se concretizarem estaremos perdidos.
Procuro voltar a realidade e pensar no que preciso resolver, chegarei ao local dois dias antes do dia trinta e um e preciso de um lugar para ficar, eu não quero acampar na floresta nem nada do tipo, também, como tanto de coisas terríveis que temos ouvido ultimamente...
Assassinatos, desaparecimentos, tudo acontecendo de forma tão inusitadamente incomum que eu definitivamente não posso arriscar.
Farei tudo ao meu alcance para me manter segura até o dia do rito.
[...]
A noite estava fria quando cheguei na pousada mais próxima do meu destino então resolvi me registrar por ali mesmo, assim tudo ficaria mais fácil depois, e sinceramente eu prefiro descansar em um lugar quentinho e aconchegante visto que lá fora a noite me parece bem mais escura do que o normal então decido por evitar riscos maiores ficando por aqui mesmo.
— Temos o quarto perfeito para você, o 145.
— Ótimo, vou ficar com ele, obrigada.
Faço todo o registro, pego minhas chaves e sigo para o quarto indicado que de fato estava perfeito para mim, era aconchegante e quentinho, então me alojei, tomei um banho e enviei uma mensagem para a bruxa local.
Me:
Já estou alojada no hotel mais próximo à floresta.
Bruxa Local:
Perfeito, como você chegou antes, seria uma boa já ir preparando tudo para o nosso rito não acha?
Me:
Sim, inclusive estava pensando mesmo nisso.
Bruxa local:
Perfeito então, mas tem certeza que está tudo bem começar sozinha?
Aquela mensagem me pegou, no fundo, eu sentia que esse seria um ritual mais complicado, porém não quis preocupar a outra bruxa.
Me:
Tenho sim, amanhã eu irei para a floresta e já começarei com as preparações.
Bruxa local:
Então está bem, boa noite querida.
Me:
Boa noite, se cuide.
Bruxa local:
Te digo o mesmo.
Deixo meu celular carregando e me deito confortavelmente, preciso descansar para amanhã estar cem por cento e poder fazer o que preciso da melhor maneira possível.
[...]
Acordo na manhã seguinte e a primeira coisa que faço é ir espiar a janela, no fundo, eu ainda me sentia estranhamente apreensiva e quando olho para fora vejo que o dia estava escuro, nublado, por assim dizer, não parecia que iria chover o que já era um grande alívio para mim, porém, não havia mais dúvidas, tudo aquilo trazia um ar muito ominoso para aquele dia importante.
— Isso não é nada bom...
Falo comigo mesma pensando que aquilo estava me desanimando potencialmente, nada parecia propício para o que deveria ser feito e sinceramente eu não me sentia nada contente em ter que realizar o que era preciso.
Como se um sexto sentido insistisse em me avisar sobre algum mal que estaria à espreita além de tudo que já vi e ouvi.
Mas eu não posso fugir da minha responsabilidade, e sim, essa é minha responsabilidade há anos, então tomo meu café e reúno tudo que precisarei em minha mochila já me colocando em seguida no caminho da divisão da floresta aonde se encontra o altar do véu que precisa ser fortalecido.
Meu coração estava aflito, eu sentia um aperto inegável no músculo que bombeia meu sangue para o corpo, mas mesmo assim prossegui meu caminho.
O véu era muito mais importante que isso agora e se eu ficar atenta acredito que estarei segura.
Pelo menos é nisso que preciso acreditar.
[...]
Pouco tempo se passou desde que adentrei a floresta e sinceramente, tem algo estranho rolando, toda a floresta está se mostrando muito mais agressiva que o normal, os elementos estão inquietos e desde que pus meus pés aqui que eles tentam se comunicar comigo, mas pela quantidade de força que tudo isso emanava estava difícil para eu me concentrar e processar o que eles querem de mim e por isso uma incômoda e forte dor de cabeça começou a me assolar.
Não parei meu caminho, eu precisava ir até o fim com isso e essas distrações precisam ser ignoradas por mim se eu quiser prosseguir.
[...]
Quando eu finalmente consigo chegar ao altar do véu começo a arrumar todas as preparações que havia trago comigo, porém isso levou mais tempo do que imaginei que levaria e quando olho em direção ao céu vejo que o escuro que vem dele não é de um simples dia nublado, não...
Estava escuro, já havia anoitecido...
— Não acredito que demorei tanto assim nisso...
Falo me sentindo arrepiar, o escuro da noite não estava comum, estava mais sombrio e macabro que o normal em uma noite na floresta.
— Pelo menos acabei por aqui, agora é só esperar a outra bruxa e faremos o que precisa ser feito.
Falo me convencendo de que meu trabalho ali acabou e pego minha mochila decidida a voltar ao hotel.
— Nada como um bom banho quente para me tirar esses calafrios insistentes.
Falo como algo mais que um devaneio, mas sim um enorme desejo, eu não vejo a hora de ir embora daqui.
Coloco minha mochila nas costas e me volto para o altar, antes de ir preciso deixar tudo protegido senão de nada valeria o meu trabalho de horas, então ergo minhas mãos e lanço o feitiço em Latim criado pela outra bruxa e por mim para que nada além de nós duas o encontre.
"—Serva altere velamen occultatum et munitum" — "Mantenha-se oculto e protegido o altar do véu"
— Prontinho, assim ninguém poderá encontrar o altar.
E assim que finalizo a proteção do altar me coloco floresta adentro no caminho de volta.
Mas algo não está normal aqui, conforme vou andando sinto algo me observar e os calafrios voltam a me tomar.
Fecho meus olhos me preparando mentalmente para um embate eminente quando sinto algo em minha perna, olho para baixo e avisto uma cobra subindo por ela.
— Mais que merda!
Me assusto e acabo tropeçando e caindo, o que não foi nada bom por eu estar muito próxima a um barranco e com esse meu desequilíbrio eu acabei rolando o barranco abaixo até chegar nas margens de um rio.
— Porra que ódio!
Me sinto enervar principalmente pela dor que agora sentia em meu tornozelo.
— Bela bruxa você é Kim Ra-on!
Falo brigando comigo mesma, mas, no fundo, me sentia mais tranquila, pelo menos eu agora me encontrava fora do campo de visão de seja lá o que for que queria me atacar.
Me sento com calma e olho em volta já me preparando para lançar mais um feitiço.
"— Locate me et ostende mihi viam" — "Localiza-me e me mostre o caminho."
E como eu precisava urgentemente sair dali me pus a seguir o rastro que o feitiço me trouxe, era minha chance de dar o fora com mais precisão e segurança.
[...]
— Não pode ser...
Paro olhando bem para onde estou.
— Tenho certeza que já passei aqui umas três ou quatro vezes... como isso é possível?
Eu estava na frente de uma caverna e a olhava toda cismada, por já tê-la visto outras vezes.
— Algo aqui está confundindo meu senso mágico? Só pode ser isso...
Sim, era exatamente isso e esse fato me incomodou profundamente.
Olhei mais atenta, e vi que a aura que emanava da minha magia estava se mesclando a uma energia misteriosa e completamente desconhecida para mim que adentrava a caverna em minha frente.
— O que quer que isso seja, está vindo lá de dentro e se eu quiser prosseguir, terei que eliminar a sua fonte.
Me pego me perdendo em meus pensamentos que solto em voz alta e sinceramente aquela ideia parecia ruim em cada mínimo detalhe e eu não estava gostando de nada disso, afinal tantos avisos me foram feitos esses últimos tempos e já era sabido por mim o quão perigosas as coisas entre os mundos estavam.
Mas o que eu poderia fazer?
Eu estava ali a minha própria sorte, e se eu nada fizesse era muito provável que eu ficaria presa na floresta e algo de muito pior poderia me acontecer, então mais uma vez me muni de toda coragem que ainda me restava e fui adentrando a caverna com esses pensamentos fervilhando minha mente.
Eu tinha que fazer algo por mim, e era exatamente por isso que eu precisava entrar ali.
[...]
Autora on.
A jovem bruxa ignorando propositalmente todo o seu receio quanto sua decisão adentrou a caverna em busca do que a estava impedindo de sair da floresta, mas o que a Ra-on não se atentou é que enquanto ela adentrava a caverna muitas teias de aranha iam cobrindo o local, mas a bruxa estava focada demais em escapar dali para se aperceber daquilo e então ela seguiu indo cada vez mais para dentro daquele lugar frio e escuro.
Autora off.
[...]
Quanto mais eu adentrava na caverna menos visão eu tinha, aqui dentro é escuro e apertado e em algumas partes preciso me abaixar um pouco para conseguir passar.
— Céus, o que é isso? Eu estou ficando pegajosa?
Sim, eu estava me sentindo muito pegajosa então com certeza algo não estava certo, porém assim que esse pensamento me ocorreu senti uma dor aguda no dorso da minha mão e quando olhei para o lugar de onde a dorzinha fina vinha, avistei um filete fino de sangue saindo dela me dando conta enfim de que seja lá o que estiver acontecendo, já era tarde demais para mim.
Mesmo com esses pensamentos me assolando segui tentando achar o que eu precisava eliminar para ter minha liberdade, porém caminhar já não estava mais sendo uma tarefa simples, eu comecei a me senti muito tonta e calafrios começaram a subir por todo o meu corpo.
— Mas que droga...
Foi a última coisa que me lembro de ter dito antes de tudo se apagar e eu sentir meu corpo indo ao chão.
[...]
Não sei quanto tempo fiquei desacordada, mas agora vou voltando a mim lentamente e vejo tudo ao meu redor por uma perspectiva um tanto diferente da que seria comum para mim.
— Está tudo de cabeça para baixo?
Falo baixinho tentando recobrar meus sentidos e sim, eu senti meu corpo preso, suspenso por algo que demorei a identificar, mas após apurar melhor os fatos, percebi estar sobre teias de aranha que tinham força o suficiente para me manter tão longe assim do chão.
— Se me permite, posso saber quem é você e o que faz aqui na minha caverna?
Uma voz marcante em um tom sério, mas muito convidativo, vinha de algum lugar acima de mim, eu só não conseguia enxergar de quem ela era.
— Sou a Kim Ra-on e só entrei aqui buscando uma saída, por mais estranho que isso possa parecer.
— De fato, a saída não seria fora daqui?
Quanto mais eu o ouvia mais curiosa ficava a respeito do dono daquela voz marcante, mas eu ainda não podia o ver e isso estava me intrigando demais.
— Sim, é uma longa história..., mas e você? Quem é? E se me permite indagar, o que faz aqui? Preciso de ajuda, você consegue me soltar daqui?
Um breve "Tsc..." seguido de uma risada poderosa veio até meus ouvidos.
— Como você foi educada vou me revelar a você e aí você mesma poderá tirar suas próprias conclusões do que eu faço aqui.
Assim que sua voz se calou uma figura estranha veio descendo do teto em minha direção e mesmo de cabeça para baixo consigo ver agora com muita clareza.
Ele era metade humano, metade aranha, dono de uma beleza horrenda, o que era conflitante e me fez sentir apavorada por ver tal figura em sua plena majestade em minha frente e nada poder fazer e por entender que ele não me soltaria uma vez que está nítido que foi ele quem me prendeu aqui me senti apavorar.
O que será que ele quer de mim? Vou virar o jantar de uma aranha?
Muitos pensamentos tomaram conta de mim, mas tentando me manter sóbria me voltei a ele.
— Por que você me prendeu aqui? — tento soar calma e corajosa, mesmo sendo o completo oposto do meu real estado atual.
— Interessante... — ele falou se aproximando e me encarando mais de perto. — Pensei que fosse começar a gritar.
— Não, eu não me sinto em condições para isso, mas me responda... por que me prendeu?
— Enquanto você passava em frente à minha caverna senti uma força mágica muito forte vindo de você e achei isso muito interessante.
— Ah, então você sentiu... — Falo tentando entender o porquê minha magia seria interessante para um ser como ele. — Você poderia me soltar? Está muito desconfortável ficar assim...
— Posso fazer isso... — ele falou ainda mais próximo a mim, seu tom de voz estava se alterando de convidativo para extremamente sedutor. — Sabe Ra-on, você é muito mais bonita agora que estou olhando de tão perto.
De fato, ele estava muito próximo a mim que perdi o fôlego com a encarada que ele me deu.
— Sim, muito bela, um espécime belo e forte em magia, uma candidata perfeita...
Aquele papo estranho fluía completamente unilateral, ele falava enquanto até que muito gentilmente ia me soltando e ao ouvir ele falando sobre eu ser uma candidata perfeita fiquei assustadoramente curiosa.
— Uma candidata perfeita?
Pergunto em um tom inegavelmente cismado.
— Sim minha querida Ra-on, perfeita.
— E para que eu seria uma candidata tão perfeita assim?
— Para ser a futura mãe de minha prole.
Isso só pode ser brincadeira.
Penso o mais rápido que um pensamento é permitido de caminhar na mente humana e nesse mesmo instante começo a pensar em como eu conseguiria sair dali, me desvencilhar dele e fugir, pois era nisso em que eu precisaria focar.
— Mas como isso seria possível errr...
Noto que nem sei o nome do ser que está nitidamente querendo algo de mim.
— Lee Felix meu bem, mas me chame apenas de Felix sim?
— Certo, Felix... então como eu ia dizendo, como eu poderia ser a mãe de sua prole como disse se nós dois nitidamente somos de espécies diferentes? Isso seria impossível não? Humanos como eu são seres fracos comparado a você, meu corpo não seria forte o bastante para isso.
— E você pensa em tudo com bastante rapidez não é minha linda?
Eu não o respondi apenas sorri torto e olhei em volta, preciso me livrar dele logo ou então eu apenas temo para qual será meu fim.
— Você tem razão minha Ra-onnah, humanos comuns são fracos, uma espécie verdadeiramente inferior, mas você não é uma humana qualquer, não é? E nem de longe apenas um ser humano comum.
Ele sorria e me seguia em cada movimento.
— Não sou?
Falo acreditando não haver nada que eu diga a ele que o faça mudar de ideia e esse pensamento me põe em pânico.
— Não, você não é comum, muito menos fraca como aos demais de sua espécie o que me garante que você me dará herdeiros fortes assim como eu sou, pois eu mesmo venho de uma mistura assim, minha mãe; uma bruxa como você, e meu pai um monstro assim como eu e acredite em mim pequena, não há monstros bons o suficiente para me dar os herdeiros que tanto quero o que faz de você a opção mais perfeita para mim.
— Felix, mesmo assim, isso ainda é loucura...
Ele sorria faceiro e não me deixou terminar de falar.
— Eu sei, você está assim por conta da minha aparência não está? Eu tive esse receio quando a trouxe para cá, mas fique tranquila...
Ele ergueu sua mão em um movimento leve e suave e seu corpo foi se transformando em algo mais comumente humano, porém ele manteve traços de sua monstruosidade aracnídea e um conjunto de pernas saía de suas costas e em seguida ele saltou na teia onde eu estava ficando em uma posição que o deixava muito mais próximo a mim.
— Não se preocupe com nada minha Ra-onnah, você será uma bela mãe para as nossas crias, seremos uma ótima família e quanto ao fato do seu corpo aguentar...
Ele se debruçou em mim e me mordeu no ombro.
— Aí! Felix! O que foi isso?
— ... Esse é o início dos ajustes necessários para você poder gerá-los, só vai doer um pouquinho então aguente firme, estarei ao seu lado por todo o tempo meu bem.
Sinto uma dor excruciante me tomar e instantes depois noto que não tenho escapatória, perco meus sentidos, não sinto meus dedos, olho em direção do Felix que me olhava com certa posse, estou presa e ele me tem envolvida em muito mais do que apenas suas teias e não demorou muito tudo se apagou mais uma vez para mim.
[...]
Acordo novamente e ainda sinto a forte presença de uma dor intensa me tomar, mas agora me sinto um pouco mais aliviada por notar que não estou mais onde estava e sim recostada em uma das paredes da caverna e sinto uma luz batendo em meu rosto o que me indica que provavelmente ali seria a saída.
— Preciso sair daqui...
Falo sozinha tentando reunir forças e logo em seguida me ponho a correr na direção da luz.
— Consegui...
Sai da caverna e me vi novamente na floresta então aumento ainda mais a velocidade de minhas passadas correndo em busca de fugir daquela loucura e enquanto o faço noto muitos olhares vindo em minha direção.
Monstros, com toda certeza são monstros que me olham de todos os lados, mas por algum motivo que desconheço eles não se atrevem a tentar algo contra mim.
Sinto lágrimas rolarem meu rosto e eu sei que não eram lágrimas de medo ou algo do tipo, eram lágrimas de dor, aquela maldita dor não me deixava e por conta dessa dor aguda que eu estava sentindo, correr estava quase impossível.
— Ah, não... de novo não...
Comecei a sentir aqueles fios prateados me enrolando novamente e tenho plena convicção que estou sendo presa novamente pelas teias do Felix e não demora muito minhas suspeitas são confirmadas, pois sinto uma vibração vinda dos fios e quando olho mais atenta vejo que o Felix está vindo novamente em minha direção e algo em seu ombro me chamou a atenção.
Ele estava ferido, mas aparentemente a ferida já estava se curando.
Quando ele chegou perto o suficiente, ele veio em minha direção sem nada dizer e selou seus lábios nos meus e para minha maior surpresa o toque da carne dele na minha era macio quente, e não gélido como imaginei que fosse.
— Você acabou perdendo o controle por conta da dor que sentiu meu bem...
Ele falava enquanto me enrolava novamente em sua teia.
— Fui eu que o machuquei assim?
Perguntei um tanto nervosa.
— Uhum, mas não se preocupe, isso não vai mais acontecer e é por isso que estou a enrolando assim novamente, caso você volte a sentir dores muito agudas estar presa assim impedirá que você se machuque ou a mim.
Eu estava completamente enrolada em sua teia então o Felix me colocou em seus braços e me levou novamente para o interior da caverna e eu voltei a chorar, mas dessa vez não entendia muito bem o motivo do meu choro.
Dor, desespero, acolhimento? Com toda certeza meus sentidos estavam uma bagunça e saber que eu nada posso fazer para me livrar disso estava muito perturbador para mim.
[...]
— Prontinho minha pequenina, fique quietinha e daqui a uma meia hora mais ou menos seu corpo estará completamente pronto para gerar meus herdeiros.
— Felix...
— Shiiiu... — ele levou seu indicador aos meus lábios. — Não sofra mais, isso logo vai passar e quando você estiver pronta, mais a noite, nós daremos início a nossa linda família.
As lágrimas desciam insistentes, tudo que eu estava sentindo era uma dor absurda.
— Mas e a minha família Felix?
Ele se aproximou de mim e me encarou nos olhos.
— Sua família agora sou eu e nossos futuros filhos minha querida, para os humanos que a cercavam você morreu.
Uma luz verde saía da mão dele e vinha diretamente até meu rosto, fui me sentindo bêbada com o toque dele que me capturou novamente e então eu adormeci.
— Durma bem meu amor, logo seremos uma grande família feliz.
[...]
Mais um tempo se passou e eu já nem sei mais quanto tempo estou presa aqui com ele e então meus olhos ainda pesados vão se abrindo e minha mente foi tomando consciência da última conversa que tive com o Felix.
"Seu corpo estará completamente pronto..." ouço a voz dele com certa nitidez em minha mente e assustada olho para o meu corpo apenas para conferir se agora eu também sou uma aranha como ele, mas nada está diferente em mim.
— Que linda, está buscando as mudanças em seu corpo. — A voz dele me assustou e eu dei um pulinho pelo susto. — Não se preocupe tanto com isso querida, sua mudança não é externa.
Então ele ficou o tempo todo aqui me observando?
Penso devido à intensidade de seu olhar ainda observador sobre mim.
— Você é muito linda para se estragar com anomalias monstruosas, — ele segue usando seu tom mais sedutor e eu inevitavelmente me sinto hipnotizada por ele. — Mas agora posso afirmar que você está pronta para receber de mim e botar meus ovos depois.
— Botar seus ovos...
Falei baixinho e comecei a sentir uma vontade absurda de chorar pelo nojo que aquela ideia me deu e minha mente fervilhava com pensamentos sobre meu futuro incerto.
— Como poderei me casar um dia depois de tudo isso?
Vi um sorriso tomar a feição do Felix que veio andando até mim e me segurando firme, me fazendo sentar em seu colo sem deixar nenhuma brecha para que eu me movesse.
— Você realmente acredita que um dia voltará ao mundo humano meu bem?
As lágrimas que eu custava segurar começaram a rolar meu rosto e ele ia as limpando com seus dedos finos.
— Você agora pertence a mim Kim Ra-onnah, e a sua vida será apenas para me servir, minha pequena, então esqueça sua vida no mundo humano sim, você jamais voltará a ele.
Enquanto ele falava suas mãos me acariciavam de uma forma bem mais envolvente, era nítido que ele estava dando início a algo mais íntimo entre a gente e eu tentei me desvencilhar.
— Felix...
Não fui capaz de me interpor a ele como era minha vontade, pois nesse momento senti uma força absurda sobre meus sentidos e agora só uma vontade gritava dentro de mim.
A de servir ao meu mestre.
De servir ao Felix.
E então eu entendi.
Quando ele me mordeu, não foi apenas para modificar meu corpo para poder recebê-lo e ser capaz de gerar seus filhos, mas seu veneno que se espalhou pelo meu corpo me fez sua escrava e por mais que algo em mim quisesse fugir disso tudo eu agora tenho plena certeza de que minha vida será somente para servir ao Felix.
— Isso meu doce, relaxe e se entregue a mim e sem mais conversas, nossos filhos não vão se fazer sozinhos, não é?
— Sim, Felix...
Fecho meus olhos sentindo os lábios dele tocarem a pele do meu pescoço, era estranho, mas, ao mesmo tempo, era algo para qual o meu corpo respondia com total entrega.
Ele me fez dele, não tinha como negar isso e quanto mais eu recebia do seu toque mais eu sentia que aquilo era o certo para mim.
— Tudo o que meu dono quiser...
Essas palavras ecoavam repetidas vezes em minha mente e quando dei por mim estávamos nos beijando e dando início ao nosso acasalamento.
— Tão minha...
Ele falou entre o beijo e com uma de suas mãos levou meu cabelo para detrás da orelha.
— Vem pequena, vamos concluir isso de uma vez.
Ele me levou e me deitou sobre sua teia vindo por cima de mim e se livrando de minha roupa e pude notar uma luz verde tomar suas irises.
Ele estava vindo para possuir meu corpo e me fazer sua.
O Felix veio como um furacão furioso, e eu já completamente rendida me senti ansiando pelo seu toque.
Não posso fugir, para onde eu escaparia? E a verdade agora é que nem se eu conseguisse eu fugiria... Eu sou a presa dele e serei assim pelo tempo que ele me quiser.
Ele se despiu e eu o encarei, em sua forma mais humana ele estava plenamente belo aos meus olhos o que para mim foi a maior surpresa, aparências realmente enganam e o Felix estava me provando isso.
— Gostou do que viu não foi?
Acenei que sim e ele sorriu largo.
— E você como eu disse antes, é toda linda, minha linda, e a futura mãe da minha prole.
Ele veio até mim e o toque do seu corpo contra o meu já foi o suficiente para me deixar entregue a ele, então eu o recebi dentro de mim e ele veio com firmeza e uma força surreal.
Me agarrei a ele e o desejei ainda mais, ele se enfiava em mim e eu chamava por ele e todos os pensamentos e dúvidas que eu tinha quanto a isso desapareceram de minha mente.
Era apenas ele e eu ali naquela caverna escura, sobre a teia que me prendeu para o resto de minha vida.
Os movimentos dele me enchem de um prazer que eu nunca senti antes, era um prazer físico poderoso, mas também um prazer enorme por estar servindo bem ao meu mestre, e ele pareceu notar quais eram meus pensamentos atuais.
— Sim minha pequena e doce Ra-onnah, você está me servindo muito bem, continue assim meu amor.
— Felix... aaah...
Me sinto desnorteada da cabeça aos pés, sentindo os calafrios e arrepios por tê-lo tão dentro de mim.
Ele me pegou com força segurando em minha cintura e deixando em mim o que dará início a nossa família.
Ele gemeu meu nome e eu me senti no céu, alcançando também o meu ápice junto a ele que ao contrário do que imaginei ainda ficou por um tempo preso a mim e por todo esse tempo ele me acarinhava me fazendo sentir bem por recebê-lo assim.
— Estamos quase lá amor, em breve você botará nossos ovos, — ele selou seus lábios mais uma vez aos meus para me tranquilizar. — Você se sente presa a mim meu bem?
— Sim, aranha, você me prendeu, sou sua e serei assim para sempre.
Ele me abraçou e eu fechei meus olhos me entregando a minha nova realidade.
Uma vida de servidão ao Felix.
E nada mais em mim temia, pois agora eu pertenço a ele e sei que ele cuidará de mim e de nossa família que em breve será muito grande e poderosa.
Fui pega na teia do Felix, e não penso mais em escapar.
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Este capítulo foi inspirado (da minha parte) pela música:
Stray Kids "거미줄(VENOM)"
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