Stray Kids - HALLOWEEN MEGAVERSE

8 04. 『As quatro visões』


Notas iniciais
⚠️ Avisos: ⚠️ Dor, Estocolmo (leve), Sobrenatural. Boa Leitura!

As quatro visões.

"Aquela época do ano está chegando..."

O I.N que é uma raposa de nove caldas, pensou sentindo um pesar em seu peito por lembrar que em breve sua função de fazer as divinações para os deuses estava chegando e dessa vez o oráculo estava inquieto por sentir que as coisas estavam um tanto diferentes.

— Halloween... quanto mais o tempo passa, mas eu detesto essa data.

Eu sei, para os humanos é algo festivo, divertido e em algumas culturas um rito poderoso e repleto de significados, mas para mim que vejo como as coisas realmente são tudo isso é um verdadeiro saco.

É sempre nessa época que todas as forças sobrenaturais se manifestam, juntas, de uma só vez e só de pensar que a ira de todos os seres sobrenaturais se mistura se tornando uma única força nociva me faz sentir pena do coelho que vive sua luta sozinho para manter tudo sobre controle e esse ano em particular o trabalho dele está ainda mais difícil de executar.

Todo ano é a mesma coisa? Sim, é...

Penso um pouco mais e dou um longo suspiro, mas esse ano estou ainda mais preocupado que o normal, dessa vez não estamos lidando apenas com os seres do submundo que por sinal estão em completo descontrole, mas também os seres sobrenaturais que se camuflam, os espíritos e os deuses; e eu que sou apenas um mero mediador entre os que mantém o equilíbrio entre os mundos para manter o véu protegido e cada coisa em seu devido mundo, sinto tudo com uma intensidade absurda e tudo graças a minha sensibilidade.

Todos estão muito agitados e irritados e toda essa energia cai sobre mim, o oráculo dos deuses, o mediador entre todos eles para manter o equilíbrio e todas essas coisas separadas.

Mas esse ano em particular essa tarefa está me sobrecarregando muito principalmente pelas visões que venho tendo.

Avisos, vislumbre de um futuro perturbador vem me angustiando principalmente porque algumas das visões que tive já foram confirmadas, acontecendo exatamente como se anunciaram para mim e isso não é nada bom.

Por conta de uma dessas visões tive a necessidade de entrar em contato com o guardião coelho, eu o preveni que uma jovem professora cairia no mundo inferior e se ela morresse por lá os monstros que habitam abaixo do véu ganhariam ainda mais força e isso definitivamente seria muito ruim.

"— Então ele conseguiu protegê-la..."

Falo me dando conta de que o meu aviso ao guardião não foi em vão como eu temia que fosse e me sinto aliviado.

O ruim é que depois dessa visão tive mais quatro vislumbres de futuros distintos, mas que prometiam ter finais igualmente perturbadores.

Em uma delas eu senti o peso do inevitável, já em outra não me foi permitido ver com exatidão o que aconteceria, o que é tão perturbador quanto ver tudo com clareza.

Para outra das quatro visões que tive eu já sei que precisarei emitir mais um aviso como fiz com o coelho guardião e o último deles não me veio como uma visão propriamente dita, mas sim como um sentimento, algo se fazia sentir, mas nem de longe pude ver do que se tratava e por ter sido convocado pelos deuses praticamente no mesmo tempo em que tinha esse vislumbre perturbador, não pude dar uma atenção maior a ela.

Mas uma coisa era certa, tudo isso lutava com toda sua força para atingir seu maior objetivo que é rasgar o véu entre os mundos e fazer com que o mal mantido há tanto tempo de fora invada o mundo dos humanos, trazendo a danação da humanidade.

E isso não pode acontecer, seria literalmente o fim de tudo como conhecemos...

Me preparo e sigo para atender o chamado dos deuses esperando que o melhor possa sair desse encontro.

[...]

No templo dos deuses

Eu estava bem agora em frente a eles, os deuses, e sabia bem o que eles queriam de mim.

Só não sei ao certo se o que tenho a lhes dizer será de seu agrado e temo quanto ao resultado dessa nossa conversa.

— Como sabe raposa, o chamamos aqui porque queremos seus relatos.

Eu nada disse por saber que eles ainda falariam comigo.

— Peço que nos conte tudo o que tem previsto meu querido I.N e nós os ouviremos com atenção.

Respiro fundo, essa era uma situação corriqueira para mim, mas dado ao teor dos fatos que tenho para passar a eles me sinto receoso como nunca havia me sentido e ter o olhar curioso dos deuses sobre mim estava me deixando aflito então sem mais enrolar me ponho a falar.

— Eu tive quatro vislumbres meus deuses e apenas um deles não me foi o suficientemente claro, mas os três primeiros me deixou em estado de alerta, apesar de serem visões incertas, posso garantir que em uma delas haverá muitas mortes, em outra alguém com um papel importante para definir o futuro se encontrará em perigo e a terceira visão envolve uma bruxa especial, porém como disse antes a quarta e última não envolve uma visão em si, mas sim um sentimento que desprende de grande carga espiritual, porém não pude ver muito além disso, os espíritos que a revelaram para mim estavam estranhamente agitados e não quiseram me revelar mais detalhes do que vi.

Falo tentando tornar tudo o mais simples para o entendimento dos deuses como sempre fazia e noto que o semblante deles se pôs preocupado.

— Como não pôde ver mais nada? — um dos deuses ali falou em um tom frustrado.

— Isso é muito preocupante, precisamos de relatos mais concretos do que esses I.N.

Me sinto frustrado, o que eu poderia fazer?

— Eu apenas transmito aquilo que os espíritos me entregam, sou apenas a voz escolhida por eles para falar aos deuses, infelizmente não tenho controle sobre nada disso.

— Sim, nós sabemos oráculo, mas mesmo assim isso que nos trouxe está muito vago e não temos muito o que fazer com essas informações.

— Ele tem razão — outro deus falou em um tom mais acalorado. — Muitas mortes? Alguém importante? Uma bruxa especial e um amontoado de vibrações ruins? Ora, I.N isso não nos deixa muito confortáveis, não há nada concreto para trabalharmos em cima.

— Exatamente, e como poderemos fazer algo a respeito se nem sabemos ao certo do que se trata? Isso não faz sentido algum.

Os deuses falavam comigo sem dirigir a palavra a mim de fato, eu estava ali apenas sendo testemunha de um momento de reflexão e de um questionamento acalorado dessas divindades e, no fundo, eu já sabia que viria coisa por aí e sem muita demora minhas suspeitas se confirmaram.

— Raposa, chegamos à conclusão de que precisamos saber mais.

Me senti arrepiar, nada de bom poderia sair daquilo.

— E o que sugerem que eu faça, meus deuses?

— Você fará uma divinação através de um ritual para poder obter respostas mais concretas e assim que as obtiver enviará uma mensagem a nós com o que lhe foi revelado.

Um ritual? Penso já entendendo o que querem de mim e me senti completamente frustrado, é sério isso deuses?

— Vocês me mandarão realizar um rito mesmo com toda essa instabilidade espiritual? Isso poderá colocar minha vida em risco meus deuses.

— Você tem razão minha raposa de nove caldas, não será fácil, mas temos uma saída para você.

— Que seria? — Falo mantendo minha serenidade habitual, mas por dentro estou desmoronando, isso realmente não me agrada em nada.

Outro deus se vira me encarando.

— Faça um ritual com um sacrifício obtido no mundo dos homens, uma alma humana deverá ser o suficiente para garantir a sua segurança.

Aquilo me enervou, mas eu tentei me manter paciente, pois sei que não era uma sugestão dos deuses e sim uma ordem deles disfarçada de cuidado.

— Sim deuses, farei como me sugeriram, e lhes enviarem as respostas que eu obtiver.

— Um oráculo dedicado, espero que consiga preservar sua vida I.N, nós gostamos muito de você.

Sei...

— Se me permitem voltarei ao meu templo, precisarei concluir isso o quanto antes para evitar o enfraquecimento do véu.

Me viro saindo do lugar sagrado onde os deuses vivem apenas pensando no que eles realmente presam, tirar uma vida humana quando queremos proteger vidas humanas era uma infeliz contradição e aquilo estava me injuriando demais.

— Boa sorte I.N!

— Esperaremos por notícias suas, raposa!

Ouço suas vozes atrás de mim, mas não me viro novamente, agora só me resta cumprir o ordenado e torcer para que essas visões se tornem de fato mais claras para mim para que assim os deuses possam fazer algo para ajeitar as coisas.

[...]

Voltei para o meu templo completamente contrariado, mas enfim a palavra dos deuses era absoluta e se eu quisesse ter alguma chance, qualquer mínima chance que fosse era melhor eu seguir o que me foi dito, então preparei tudo o que precisava e agora estou aqui esperando que alguém venha fazer suas preces para que eu tenha um alvo em potencial para o que precisa ser feito.

[...]

Não demorou muito e avistei uma jovem adentrar o templo de orações, ela era muito bela, levava uma doçura em seu olhar, mas, no fundo, parecia se sentir aflita e então sacudi minha cabeça evitando que esses pensamentos me impedissem de realizar o que era preciso fazer.

— Eu disse que a primeira pessoa que adentrasse o templo seria quem me serviria como sacrifício para o ritual da divinação, então eu sinto muito minha jovem, mas terá que ser você.

Começo a mover meus braços evocando uma névoa densa para envolver a moça que já se encontrava prostrada no altar de oração e muito rapidamente o efeito esperado se dá e ela entra em um transe sereno, o que facilita que eu a leve onde tudo já se encontrava pronto para que o meu rito seja feito.

Deito o corpo no meio do círculo previamente desenhado na sala onde faço minhas divinações e me ligo espiritualmente a ela, indo deitar em seguida no meu divã para que eu a acompanhe no transe e adentre o outro lado do véu.

"Agor y gorchudd, datguddio'r byd ysbrydoll..." — "Abra-se o véu, revele-se o mundo espiritual".

Falei em minha mente e assim que findei minha ordenança me vi do outro lado.

Minha alma saiu do meu corpo e agora os espíritos me permitiriam ter um vislumbre mais nítido do que o futuro nos reserva para esse solstício do dia trinta e um.

Tenho apenas três horas para fazer minhas divinações e descobrir o que preciso para poder garantir que eu termine a tempo de voltar ao meu corpo, senão estarei em maus lençóis podendo ficar preso para sempre aqui no mundo espiritual e mesmo que os espíritos tenham consumido o sacrifício humano que fiz a eles eu não poderia vacilar, pois se até mesmo em tempos de paz eles são traiçoeiros, imaginem só o que poderão fazer comigo em meio a tempos de pura revolta e desejo de libertação e dominância.

Com certeza eles não facilitarão para que eu saia ileso disso e por isso terei que ser o mais rápido que eu conseguir.

[...]

Começo a caminhar no plano em que me encontro agora e sem esperar por isso levo um leve susto ao sentir minha mão ser segurada por alguém e me viro no mesmo instante para ver do que se trata e para meu infortúnio era a alma da jovem que eu havia deixado desacordada no templo para me servir de combustível enquanto eu estivesse aqui.

— Onde estamos?

Ela que já me encarava com um olhar de espanto perguntou em um tom ligeiramente baixo, ela estava com medo, e eu? Irritado!

Será que os deuses não poderiam ter previsto isso e me dado uma força aqui? Penso ainda indignado.

— Estamos no plano espiritual Ae-Sook, — o fato de eu falar o nome dela lhe causou um nítido estranhamento. — Muito prazer sou o I.N.

Falo tentando parecer calmo e tranquilo afinal ela não tem culpa de nada disso.

— Como assim mundo espiritual? O que você é?

— Sou uma raposa de nove caldas, — falo pensando em como ser o mais sucinto possível, pois não temos tempo para conversas. — Eu vim em uma missão que poderá ajudar seu mundo a permanecer como você o conhece e você acabou vindo para cá comigo, preciso de sua força e juntos poderemos ajeitar as coisas.

Sei que omiti a parte de que para isso ela precisará morrer, mas não posso revelar isso para ela agora que com certeza entraria em um pânico muito maior do que já se encontra e definitivamente não temos tempo para isso.

— Você é um guardião?

— Um oráculo, mas sim existem guardiões por aí.

— E do que estamos falando afinal? Por que o meu mundo precisa ser protegido?

É claro que ela teria dúvidas, e eu tentarei a responder da melhor forma que consigo.

— Estão acontecendo algumas coisas nesse mês de outubro, são fatos que poderão rasgar o véu que divide os dois mundos e isso não é nada bom de se acontecer, se as criaturas e os espíritos invadirem o mundo onde você vive tudo estará perdido, todos irão perecer muito rapidamente e tudo se transformará em um verdadeiro caos.

Falo o mais rápido que consigo e a careta que a Ae-Sook está fazendo mostra o quão confusa ela se encontra.

— Entendo...

Ela fala vagamente e dessa vez sou eu que me encontro assustado.

— Entende mesmo?

— Sim I.N, inclusive eu vim ao templo rezar por minha melhor amiga a Chun-Hee que dias atrás ficou sumida por uns três dias e quando finalmente voltou a aparecer estava nitidamente alterada, completamente transtornada eu diria e me contou coisas absurdas que até ouvir tudo o que me disse eu não conseguia acreditar.

A olhei curioso.

— O que ela te contou exatamente?

— Que ela caiu em um buraco quando foi sequestrada por lobisomens e que nele havia monstros e que ela foi salva por um homem coelho, e isso nem foi tudo o que ela me disse...

Na mesma hora me lembrei de ver o LeeKnow salvando a moça que eu havia avisado sobre para ele por conta das minhas visões e entendi bem o que a Ae-Sook pode ter ouvido de sua amiga.

— Entendo, vou levar suas orações aos deuses Ae-Sook, e sua amiga ficará bem — falo e dou um sorriso fraco em sua direção. — Mas antes precisamos terminar o que viemos fazer aqui, isso é muito importante e temos pouco tempo.

— Pouco tempo? Quanto?

— Apenas três horas, e por isso teremos que nos apressar, nossa breve apresentação tomou um tempo precioso de nós.

— Certo.

— Me siga, e se mantenha o tempo todo ao meu lado está bem? — Ela faz um sinal com sua cabeça demonstrando que entendeu o recado e que irá me seguir. — Isso será perigoso e eu não poderei cuidar de você o tempo todo então por favor, não saia de perto de mim.

— Está bem senhor raposa.

— Não precisa me chamar assim.

Sorri mais uma vez em sua direção para tentar lhe acalmar um pouco, sei que isso é inviável agora, mas eu não quero que os seus últimos momentos sejam de pleno pavor ao meu lado e farei o que puder para que ela se sinta confortável comigo.

Mesmo sabendo que isso não irá durar muito.

[...]

Saímos do templo e entramos pelo caminho que deveríamos seguir, um caminho todo arborizado que nos levaria ao palácio das revelações então caminhamos por ele até que nos deparamos com um lago, nele havia uma escada que nos daria acesso às águas reveladoras e então me virei lenta e cautelosamente para pegar a Ae-Sook no colo com o máximo de leveza possível, desci as escadas em seguida e fui andando até o centro do lago.

Seguimos sem nada dizer, mas notei que ela me encarava com certa timidez devido a nossa proximidade atual, mas logo seu olhar foi para a beleza encantadora do lugar onde estávamos.

Por toda a extensão do lago havia pétalas das cerejeiras que nos ladeavam e ao encarar a expressão maravilhada da Ae-Sook sorri por ver que os olhos dela brilhavam.

— Prenda a respiração.

Falo suavemente em seu ouvido e sem me demorar os afundamos no lago e caímos em uma queda que parecia lenta, mas, na verdade, era rápida e brusca e pude notar uma ânsia tomando conta dela.

— Pronto Ae-Sook, pode voltar a respirar.

Falo já a colocando no chão novamente e ela me encarou assustada apesar de nada dizer.

Olhamos em volta em plena sincronia e eu a vejo tomando consciência de que não estamos mais no belo palácio que nos encontrávamos a pouco, mas sim em uma versão macabra dele onde o lago de antes se transformou em um lago de sangue e conforme eu andava meus pés ficavam sujos com aquele fluido rubro e denso e a bela jovem encarava a tudo com espanto se demorando em encarar meus pés descalços que já estavam completamente sujos em um vermelho macabro e assim que ela olhou para os próprios pés eu a vi respirar um tanto aliviada, pois ela não estava suja como eu e sim flutuando ao meu lado, mas assim que ela voltou a olhar em volta um certo pânico pareceu a tomar.

O lugar onde estávamos era como um retrato inverso do que havíamos visto a pouco, as árvores e flores estavam mortas, a água do lago era esse sangue pegajoso que lavava meus pés e o belo castelo agora se encontrava como um lugar abandonado, quebrado, velho, sujo e caindo aos pedaços, o céu aqui era vermelho como se refletisse o lago sob ele e a lua que nos encarava era negra.

Mal sabia ela que isso se deu por que agora ela estava enfrentando o limbo entre a vida e a morte, por isso tudo o que ela havia visto de lindo e vivo a poucos instantes se tornou mórbido e assombroso e esse pensamento me contrariou mais uma vez, não era para ela estar aqui vendo essas coisas tão bizarras.

Avisto o que vim procurar aqui e começo a me mover em direção aos quatro espelhos que estão mais a nossa frente e a encaro para que ela continue me seguindo e ela assim o faz até que paramos bem em frente a eles.

— Ae-Sook, me escute bem, — ela me olha com atenção e eu volto a falar. — Não posso te dar certeza de que vou te proteger, eu mal sei se conseguirei me proteger, minhas divinações nunca me trouxeram para este local antes então eu não sei ao certo como essas divinações irão se comportar, daqui para frente se você me seguir é por sua conta e risco, o perigo é certo, porém eu também não sei te dizer se esse plano dos espelhos é seguro já que a energia aqui é maligna. Então essa decisão é sua: Você vai me esperar aqui ou virá comigo?

As opções dela eram bem ruins, eu sei disso e meu coração não estava feliz com esse fato, mas eu tinha que perguntar, ela precisava decidir o que faria.

— Eu vou com você I.N, não quero ficar sozinha aqui, então seja o que for que eu vá ver aí dentro, prefiro estar ao seu lado.

Ela falou docemente e eu acenei positivamente em sua direção como resposta.

— Certo, então vamos às divinações.

Falo me virando novamente para os quatro espelhos e conjuro meu fogo de raposa que brilhou alto em um azul turquesa bem a nossa frente e em seguida foi em direção a um dos espelhos, indicando a mim que era para onde eu deveria seguir e assim eu o fiz com a Ae-Sook bem ao meu lado.

Assim que atravessamos o primeiro espelho nos deparamos com um cenário horrível onde havia muito sangue espalhado pelo chão, pedaços de corpos e vísceras sobre várias mesas ali, assim como corpos pendurados por todo o lugar que fedia fortemente a carne apodrecida.

Ouvimos sons de pessoas correndo que era seguido por uma risada potente e insana que ecoava por todo o lugar onde estávamos e um vulto passou por nós levando a nossa atenção a uma máscara que estava sobre uma das mesas, mas que não conseguimos avistar do que se tratava pela escuridão do lugar.

Decidi me aproximar mais para ver do que era a máscara, pois preciso reunir todos os detalhes possíveis para passar aos deuses, mas enquanto avançávamos uma lanterna apareceu em nossa frente iluminando toda a sala onde estávamos e nos mostrando que tudo havia desaparecido, tudo, menos a palavra "INEVITÁVEL" que havia sido escrita com sangue em uma das paredes ali então segurei a lanterna e me virei para voltar ao espelho.

— Vamos Ae-Sook, meu trabalho aqui terminou.

E assim atravessamos o espelho novamente voltando juntos ao lago de sangue.

[...]

Já do lado de fora vi meu fogo de raposa adentrar o próximo espelho e o segui sem hesitar, pois sei que já se passou um bom tempo do total que tenho então mesmo sentindo o pavor da moça ao meu lado não poderia parar para lhe falar algo que a confortasse e duvido muito que qualquer coisa que eu diga fará realmente ela se acalmar uma vez que ela nitidamente estava passando mal por todo o horror que presenciou no primeiro espelho.

Aquilo foi horrendo até para mim que tenho o costume de ver coisas assim o tempo todo, imagine para ela que passava por tudo pela primeira vez...

Entrei no espelho logo atrás da chama e ela veio junto a mim e agora nos encontrávamos em uma floresta negra onde sei ser a morada de muitos monstros e ao longe vimos uma garota correndo cambaleante, ela estava nitidamente toda machucada e perdida e enquanto ela corria notei haver fios prateados e brilhantes pelo caminho que ela seguia, os fios eram finos como os de fios de cabelo e quando fui mais para o lado para tentar ver melhor uma nova lanterna surgiu me interrompendo e ao contrário da primeira lanterna que iluminou o lugar onde estávamos, essa sugou toda a luz da floresta deixando apenas a palavra "MORTE?" escrita no ar pelos fios prateados.

— Não faça isso Ae-Sook. — Falo segurando o braço dela que decide ir até a moça para tentar ajudá-la mesmo sem a ver por tudo ali ter se apagado.

— Mas I.N... — Ela parecia querer chorar.

— Eu sei... — respiro fundo, sentindo um pesar em meu coração. — Mas se você for, você pode não voltar... — falo na tentativa de fazê-la entender a situação. — Isso é um vislumbre do futuro, para ser mais exato tudo o que estamos vendo aqui é um reflexo do futuro feito pelo mundo espiritual e caso você avance de mais em um deles você pode ficar presa na visão ou até coisa pior.

A encaro e vejo uma lágrima rolar seu rosto delicado, lágrima de pura frustração e se querem saber eu a entendia muito bem, posso ver todas essas coisas, mas o que posso fazer está do lado de fora dessas visões, aqui não me cabe agir de forma alguma por mais que eu tenha esses impulsos e isso até hoje me frustra.

Seguro em sua mão me mantendo firme ao seu lado, ainda temos mais duas portas para ver, então com a minha mão livre seguro a lanterna e atravessamos o espelho mais uma vez.

O lago agora parecia ainda mais sombrio, uma nevoa se formava ali deixando o ar mais pesado e isso me levou ao pensamento de que estamos ficando sem tempo.

— Vamos seguir a chama.

Falo e vou andando rapidamente para o próximo espelho e assim que o atravessamos temos uma visão como se estivéssemos em um evento, provavelmente o do dia de solstício.

— Quanta energia!

Falo sentindo que uma força mágica muito poderosa se encontra ali e quando olho na direção onde a sinto vejo monstros encararem sedentamente um jovem rapaz, ele era muito lindo e parecia estar completamente perdido e logo atrás dele noto haver algumas pessoas encapuzadas o que para mim não parecia ser nada bom.

A jovem ao meu lado também o encarava com certa curiosidade, então avisto um casal que passa por ali sorrindo descontraidamente e vejo que o olhar da moça vai diretamente em direção ao belo rapaz que eu também olhava curioso.

— Interessante...

Noto que assim que ela o encara seus olhos tomam um brilho azul claro e nada mais foi visto, pois a luz dos olhos dela se transformaram em mais uma lanterna que sinalizava que o nosso tempo naquele espelho havia acabado e nós não teríamos mais nada para ver ali.

Voltamos para o lago de sangue e a névoa agora estava tão densa que mal enxergávamos e a Ae-Sook se encostou em mim e eu pude notar toda sua apreensão.

— Você está se saindo muito bem, — falo para tentar confortá-la. — Vamos, só nos resta mais um espelho.

Fomos em direção ao que será minha última divinação e entramos sem demora no quarto espelho.

— Mas o quê?...

Avisto um guardião, ele que corria ao lado de uma bruxa em alguma direção que não soube identificar e nesse exato momento ouço um barulho que rapidamente foi ficando mais alto e bem presente, parecia como algo se quebrando e sendo arrastado.

O barulho era muito real e isso me assustou por entender do que se tratava.

— Vamos, precisamos sair daqui.

Tento deixar a Ae- Sook em alerta o que parece ter funcionado e começo a interromper a última divinação com minha própria magia de raposa, não vou pagar para ver, mas sinto que estou correndo perigo então começo a forçar meu fogo de raposa para abrir a saída do espelho e mesmo sem conseguir vislumbrar esse futuro até o fim saímos de lá o mais rápido que conseguimos.

[...]

— Ai meu deus!

A jovem ao meu lado fala em completo pânico ao ouvir a explosão que se deu bem atrás de nós assim que atravessamos o espelho onde estávamos e eu tenho convicção que algo tentou nos prender ali.

— Ai, droga!

Sinto estilhaços do vidro perfurarem minha pele me ferindo para valer e a dor estava mais absurda do que o comum então entendi que os espíritos estavam tentando me enfraquecer.

— I.N olha!

Levo minha atenção para o castelo que agora está despencando por conta de uma tromba d'água formada pelo sangue rubro dali e sua força era tão grande que arrancava também as árvores do chão removendo suas raízes e levando tudo em sua frente.

Para mim estava tudo bem claro, os espíritos não gostaram nada de me ver bisbilhotando o futuro e estavam decididos a não me deixarem sai dali com as informações que obtive.

— O que você está fazendo raposa?

Ela me questiona ao notar que me abaixei para mergulhar meus dedos no sangue.

— Estou tentando encontrar a saída desse lugar para nos tirar daqui.

Falo tentando sentir para onde o fluxo do sangue seguia, a energia estava bem fraca, mas eu me concentrei e então vi tudo levar a porta do castelo que nitidamente estava se desfazendo depressa demais, o que me levou a crer ainda mais que os espíritos querem nos trancar aqui, porque uma vez que a porta desaparecer não haverá mais saída para nós.

— Precisamos passar por aquela porta antes que ela se desfaça por completo ou então ficaremos aqui para sempre.

— Certo, então vamos!

Me surpreendo com a coragem na fala dela e começo a realizar alguns encantamentos para tentar abrir um caminho para atravessarmos a tempo e enquanto os conjurava vi um tornado de sangue se formar ficando cada vez maior e mais forte e se movendo com uma velocidade preocupante ao contrário de mim que quanto mais fazia minha magia mais fraco e lento me tornava, talvez eu não consiga nos tirar daqui e tudo isso acabou sendo em vão, mas eu não posso parar de lutar agora.

— I.N, pare de tentar usar sua magia, vamos tentar sair daqui com a força de nossas pernas, vem.

Ela fala e agora que se encontra como eu imersa nos fluidos começa a enfrentar o lago de sangue a nossa frente, aquilo era uma completa insanidade mas também poderia ser nossa única chance então eu a sigo e o sangue se espalhava com a ventania causada pelo tornado nos lavando naquele vermelho vivo e lançando contra nós os galhos soltos das árvores secas que machucavam nossa pele, nos ferindo ainda mais, mas nós não paramos de ir contra tudo, nosso foco era a porta que já quase não existia e nós dois faremos de tudo para conseguir passar por ela.

Quando checamos perto do centro do tornado pude sentir uma energia maligna, era tão poderosa que me fez temer pelo que viria e então pude ver o espirito emergindo com seus olhos me fitando como quem desejasse minha morte e com o pouco de força que ainda me restava lancei o espirito da Ae-Sook em direção à saída e comecei a lançar labaredas do meu fogo mágico sobre aquele espírito maligno.

Lutamos ferrenhamente, eu o atacava e o espirito devolvia tudo com fúria e quando sinto que vou cair e me perder para sempre minha mão é pega e sou puxado com força e quando olho vejo que a Ae-Sook está me salvando.

— Não faça isso!

— I.N você precisa continuar e avisar aos deuses, — ela fala com determinação. — Eu vou ficar bem, volte para me salvar depois, esperarei por você!

— Ae-Sook não!

Foi tudo muito rápido, ela me levou para cima para trocar de lugar comigo e quando dou por mim estou atravessando a porta indo para o outro lado, olho desesperadamente para ela que sorriu fraco em minha direção e quando dou por mim estou novamente no campo com árvores de cerejeira e um lindo lago repleto de pétalas.

— Ah... não! Ae-Sook, não...

Corro em direção à saída da divinação para tentar puxá-la para o lado de cá comigo, estendo minha mão em sua direção e grito seu nome...

[...]

— Ae-Sook!

Acordo em meu corpo novamente no templo onde tudo se iniciou, sento no divã onde estava esse tempo todo e levo minhas mãos aos cabelos em total angústia.

Não era isso que eu queria... essa não era a minha intenção.

— Ae-Sook..., mas que droga!

Falo me lembrando do corpo da garota que acabou de me salvar e vou até ele, estendo minhas mãos sobre o corpo deitado no meio do círculo de ritual e tento sentir sua energia.

— Vamos lá... por favor... esteja viva.

Qualquer coisa já me deixaria mais tranquilo e depois de um instante naquilo sinto o vibrar de sua alma que mesmo longínquo se fazia presente.

— Ela ainda vive...

Falo e me ponho de pé, preciso fazer o que tenho que fazer.

— Você terá que aguentar firme...

Falo sem muitas esperanças, sua vida está presente, mas por um fio e ela teria que aguentar até o véu voltar a sua força total para que eu possa voltar por ela.

Uma tarefa praticamente impossível.

Me viro ali mesmo e começo a fazer o que devo, criando chamas do meu fogo de raposa para enviar os relatos aos deuses sobre tudo o que vi, agora eles saberiam que o que está por vir pode arruinar os mundos como os conhecemos e talvez tenham uma direção para impedir que as forças malignas invadam o mundo dos humanos.

Aproveito também para enviar uma mensagem direta para o guardião que vi no último espelho, a visão não era nítida, mas agora que sei de quem se trata, posso dar a ele alguma direção sobre o que o aguarda.

— Pronto, agora é com vocês...

Falo completamente frustrado, tudo poderá ruir se esses acontecimentos não forem impedidos, então eu torço para que os deuses consigam fazer algo a tempo, mas agora volto minha atenção ao corpo delicado da minha salvadora indo até o círculo onde ela se encontra já quase sem vida e me sento no meio dele.

Pego a Ae-Sook no colo com o máximo de cuidado possível e começo uma meditação para tentar proteger a alma dela como me fosse possível, era o mínimo que eu poderia fazer e ficarei ali com ela pelo tempo que preciso for.

As minhas esperanças eram escassas, pois apesar de eu estar agora lutando em um âmbito espiritual para tentar mantê-la a salvo, tudo dependerá do que acontecerá no dia do solstício.

— Tudo vai depender do que vai acontecer no dia de Halloween, e até lá eu não sairei do seu lado Ae-Sook.

É uma promessa.

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