Strani Amori
3 Strani Amori fragili, prigioneri liberi.
Notas iniciais
versão 2.0
:)
Tantava se concentrar nas pedrinhas que chutava ou em seu futuro jantar, mas, por mais que não quisesse admitir nem para si, estava pensando quase sem parar naquele moreno, naquele sorriso, naqueles lábios...
Estava completamente absorto em seus pensamentos e não notou quando o movimento da rua foi-se diminuindo e o céu ficando completamente escuro, mas seu maior susto foi quando se viu cercado por quatro garotos bem maiores que ele. A rua estava deserta, assim como seu plano de fuga.
Um deles tocou-lhe o rosto, rindo do medo evidente que ele sentia. Outro o abraçou por trás com força, roçando os lábios secos na pele de seu pescoço. Tentou se debater, mas foi inútil, era muito mais fraco que eles. Percebeu que todos o tratavam no feminino e tentou alertar que era homem e eles não o queriam.
- É macho? – um deles ergueu seu rosto para analisa-lo. Michelangelo nunca odiou tanto seu rosto por ser delicado e seu cabelo por ser quase um Chanel. – Não tem problema. – Roubou um beijo de Mic com força, mas essa distração foi o que Mic precisava para dar-lhe um chute entre as pernas. O homem caiu no chão, gemendo de dor.
O barulho que aquele ataque estava fazendo, causou movimentações nas casas, que ligaram para a polícia. Não demorou muito para que as sirenes fossem ouvidas. Todos saíram correndo, inclusive Michelangelo que, confuso, não queria explicar para a polícia que aqueles homens o queriam estuprar. Tropeçou, enganchou parte da calça numa grade, a ponto de rasgá-la na barra, e chegou em casa num estado deplorável. Bateu a porta em suas costas.
Barta parou, o encarou e começou a rir.
- A noite foi boa, Mic?
Mic soltou um “arg!” alto e saiu correndo para seu quarto, batendo a porta num estrondo. Escorregou de costas pela porta até se sentar no chão, abraçando seus joelhos e começando um choro baixinho.
Um choro angustiado e dolorido, assustado. Fazia tempo que não chorava assim e, assim que se deu conta disso, lembrou-se da última vez que chorara daquele jeito.
Lembrou da sombra da árvore que os escondia do sol, dos cabelos longos que voavam ao vento quando aquelas palavras duras foram pronunciadas tão docemente pelos lábios rosados daquela garota. Lembrou das feridas que cada sílaba deixou em seu coração. Lembrou do sorriso maldoso daqueles mesmos lábios. Lembrou do vento que levava as lágrimas que teimavam em escorrer enquanto corria para casa. Lembrou de quando percebeu que largara todos os seus amigos para ficar junto dela e agora estava sozinho. Lembrou das esperanças se desfazendo. Lembrou da tristeza que se apossou dele durante os dias seguintes, os dias sem sair, sem comer, sem dormir...
As lembranças o fizeram chorar mais. O telefone tocou insistentemente. Não queria atender, não queria atender nem que fosse o papa. Ouviu Berta atendendo no andar de baixo. Era Leonardo que, de algum jeito, tinha arranjado o número de lá, mas Michelangelo não queria atender. Berta percebeu, enfim, o tom choroso do garoto, desligando o telefone.
- Você está bem, Mic? – bateu na porta, atenciosa e preocupada. Mic enfiara a cabeça no travesseiro e mandou-a embora com a voz abafada. Mais tarde, ele não desceu para jantar.
Quando acordou no dia seguinte, se arrastou para o banheiro, observando o corte em seu lábio e os roxos espalhados pelo corpo. Suspirou, separando alguns remédios e pomadas.
Tomou o café em silêncio, cabisbaixo, e partiu para o colégio, tentando não pensar em nada, por mais que isso fosse completamente impossível.
Parecia que todos os demônios estavam contra Michelangelo naquele dia, já que mal dera um passo para dentro da escola e Leonardo veio pulando em cima de si, num abraço apertado enquanto berrava um bom dia histérico.
- Tá doendo, porra! – Empurrou-o bruscamente.
- O que tá doendo? – O moreno viu o machucado no lábio e alguns hematomas que apareciam pela roupa – Ai meu deus! O que aconteceu com você?! – Segurou o rosto de Mic para olhar de perto.
Michelangelo o empurrou e saiu correndo. Não queria dar satisfações para o moreno, e nem tinha, na verdade, por que dá-las a ele. De qualquer jeito, Leo foi atrás, preocupado. Entrou na sala gritando pelo loirinho, mas se calou quando viu o olhar raivoso e cheio de lágrimas que ele lhe dirigia.
O abraçou, apesar dos olhares da sala, carinhosamente, sussurrando que já tinha passado. Fez carinho nos cabelos loiros, mesmo não sabendo bem por que.
Leo só o soltou quando o professor entrou. Tentou não olhar para o moreno, aquele carinho todo o tinha deixado muito envergonhado. Depois disso o dia correu normalmente, até a saída.
Antes de chegarem ao portão, Mic parou de andar, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. Um dos garotos da noite anterior estava parado à porta do colégio e sorriu ao ver que tinha acertado onde ele estudava.
- Vai me deixar esperando aqui fora? – o garoto gritou, rindo do medo que se via estampado na cara dele.
Leonardo percebeu que algo estava muito errado e foi tirar algumas satisfações com aquele infeliz. Os dois estufavam os peitos, numa tentativa de intimidar, trocando palavras afiadas. Leo perdeu a calma, pegando-o pela gola da blusa, olhando-o nos olhos.
- Deixa ele em paz! Ele é meu... – a frase não tinha fim. O que Michelangelo era dele?
- Ontem eu não vi seu nome nele... – riu da expressão inconformada que se formou – Pois é, amigo, ontem a noite a gente se encontrou, mas ele fugiu na melhor parte...
Leo olhou incrédulo para Mic, perguntando “como assim?!” com o olhar.
- Leo, deixa ele quieto aí... – Tentou levar o outro para longe em vão, já que ele queria entender quem era aquele infeliz.
- Mas... o que ele disse é verdade, Mic...?
- Não! Ele e uns caras... me incomodaram ontem...
Leo notou o medo que o garoto sentia daquele cara. Sentiu o sangue ferver e, interrompendo as risadas que ele soltava, virou um soco com força em seu rosto, cortando uma parte do lábio e o deixando cair. Quanto tentou se levantar, Leo deu outro soco, dessa vez do outro lado, ainda mais forte.
- Não encosta no Mic. – Puxou o cara para que ele ficasse de pé e o empurrou, vendo-o correr – Foge mesmo! – pegou uma pedra do chão e jogou em sua direção. Observou enquanto o homem sumia na rua e se virou para Mic, pegando sua mão – Vamos pra sua casa...
- Obrigada... – estava aliviado por Leo estar ali, mas logo se tocou do que estava acontecendo e soltou a mão macia do outro – Como assim ‘vamos’?! Você não vai pra minha casa!
E parecia que tudo ia começar de novo.
O fim de semana chegou novamente e Michelangelo acordou com um barulho que se aproximava muito da chuva em sua janela, só absurdamente mais alto. Olhou e viu montes de pedrinhas batendo no vidro. Mais de perto pode ver que, no jardim, Leo arremessava uma por uma numa velocidade assustadora. Quando as pedrinhas que tinha finalmente acabaram, Leo jogou, novamente, o mais baixo, gritando um “vai lá abrir a janela!”.
Mic conseguiu abrir a janela antes que Raffael caísse e o segurou antes que caísse, puxando-o para dentro. Sentou-o na cama e voltou-se para a janela, procurando o moreno que estava antes no chão, mas foi atingido no queixo por uma cabeçada que poderia ter sido amortecida pela quantidade de nós que existiam nos cabelos ondulados de Leo.
— Oi Mic! – Exibia um sorriso animado, quase infantil. Parecia tão feliz que deixava o ar do quarto mais leve, mais calmo, mais... não existia bem um adjetivo para descrever aquele sentimento que ele trazia a sua volta.
Mas, com ou sem uma aura de amor e felicidade, Michelangelo estava no chão segurando o queixo, como que este fosse sair do lugar.
— Que mania é essa de entrar pela janela?! – gritou quando o susto passou.
— Vamos comprar fantasias! – Estava tão eufórico e animado que acabava gritando sem querer. – Eu vou de policial, você de pirata e o Raffa de cowboy!
Mic continuava a olhá-lo com um extremo ar de dúvida até que ele soltasse uma exclamação dançante de que tinham uma festa para ir. Iriam de bicão, mesmo Raffael tendo protestado um pouco quanto a essa parte.
Saíram, então, para comprar as tais fantasias.
Notas finais
Gente linda, eu to demorando para reescrever porque eu acabei de entrar na faculdade (LOLOLOLOL) e to toda linda fazendo zilhões de trabalhos e tals... portanto tá meio foda de sentar e reescrever...
também tem o lindo fato de que eu tinha reescrito no meu celular e esse celular foi roubado semana passada e eu perdi 3 capítulos e um extra (ADORO -N)
bom, para aqueles que querem ler algo mais dessa história, eu postei um extra do Leo e de um garoto que aparece no capítulo 6.
se chama Gioco A Piedi Nudi Sul Fuoco :)
é isso por agora
reviews?
Fale com o autor