Strani Amori

2 Che vanno e vengono, nei pensieri che li nascondon


Notas iniciais
[Estranhos amores vão e voltam nos pensamentos que os escondem] [ficou sem o "Strani Amori" no começo por falta de espaço ]
Versão 2.0 (?)

Naquele ritmo, não demorou muito para chegarem na imponente casa de Michelangelo. Tentou não cair enquanto buscava a chave na mochila e só parou de correr para destrancar a enorme porta de madeira. Tentou entrar correndo, mas Leonardo, largando Raffael, segurou a maçaneta, impedindo que a porta fosse aberta. Prensava o outro corpo contra a porta e o loiro só queria sumir.


– A gente quer entrar, Michelangelo... – sussurrou sério ao ouvido do mais baixo, se divertindo ao ver o desconforto que causava.

O loiro se virou, gritando e o empurrando-o para conseguir abrir a porta e entrar correndo. Passou reto pela sala ricamente ornada com peças compradas por um decorador qualquer e, depois de subir as escadas, entrou no único lugar que era só dele: seu quarto.

Fechou a porta com força atrás de si, se apoiando nela, ofegante. Queria tanto acreditar que seu coração estava agitado somente pela corrida...

Resolveu conferir, pela janela, se eles já tinham ido e se assustou ao ver Raffael sendo jogado pra cima pelo garoto de cabelos pretos, na direção da janela. Michelangelo abriu o vidro e o segurou antes que ele caísse.

– O que você está fazendo, seu louco?! – Gritou enquanto via o moreno escalando as paredes sabe-se lá como.

Raffael quase chorava agarrado a Michelangelo como um coala, murmurando algo que poderia tanto ser uma reza quanto um xingamento.

– Deu trabalho jogar o Raffa aqui! – Leo ria, sentando-se na cama de Mic e se divertindo com as molas.

– Ele quase morreu! – Tentava fazer o menor se soltar dele até que percebeu que ele realmente não conseguia ficar de pé.

– Daqui a pouco ele melhora! – Leo deu de ombros, mas, depois de receber um olhar reprovador do loirinho, puxou os dois para a cama, dando um beijo na bochecha de Raffael, talvez perto demais da boca ao ver de Mic. – Desculpa, Raffinha!

A porta foi aberta, sem nenhuma delicadeza, por uma senhora já de certa idade. Seu nome? Berta. Trabalhava há mais de 20 anos com a família de Michelangelo, como empregada e babá. Era de costume das visitas achar que ela era bem quieta, mas ela só estava se contendo. Quando entrou no quarto de Mic e viu aqueles três jogados meio que um em cima do outro na cama, não teve outra reação se não rir e ignorar completamente todos os protestos do jovem patrão para tentar explicar-lhe o que estava acontecendo.

– Não está acontecendo nada aqui, ok? – Roxo, ele se levantou nervoso.

– Certo, e eu tenho cabelo laranja... – riu sarcástica. Nada, nada, era mais divertido do que pentelhar aquele esquentadinho.

Leo começou a rir junto com a senhora.

– Você, cala a boca! – Mic apontou na cara de Leo o dedo trêmulo.

– Vão almoçar? – Berta perguntou doce – E não grite com seu amigo, Mic.

– Vamos sim! – Leo sorriu.

– Eles não são meus amigos!!! – e virou para Leo – Não vão!

– Certo, a comida fica pronta em 5 minutos. – sorriu, ignorando Mic completamente, e saiu, não sem antes avisá-lo da importância da camisinha.

Michelangelo estava tão envergonhado que seu único movimento era o do tórax ao respirar, mas Leo não o deixou ficar assim muito tempo, despertando-o o as sonoras risadas se soltava totalmente à vontade. Raffael, que até aquele momento estava totalmente em choque depois de ter sido arremessado andar a cima, se soltou do abraço inconsciente do loiro para perguntar do banheiro. Em seguida saiu do quarto.

Assim que se viu com o dono da casa, o moreno o derrubou na cama, subindo por cima. – Você é muito engraçado, Mic — seu rosto estava absurdamente iluminado com aquele sorriso sapeca, quase infantil. Todos seus gestos pareciam de uma leveza quase sobrenatural de tão delicados, brincadeiras nos cabelos loiros, toques no rosto com as pontas dos dedos desenhavam um caminho invisível até os lábios entreabertos de Michelangelo. Caminho que foi seguido por seus próprios lábios, acabando num beijo carinhoso.

Não demorou muito para que o esquentadinho retomasse o controle de seu cérebro e entendesse o que estava acontecendo, ou que aquela criatura sobre ele era um homem.

– O que você pensa que está fazendo, seu viado?!- Empurrou-o com brutalidade, furioso, vermelho, confuso.

– Te beijando, ué. – Leo sorriu aquele mesmo sorriso angelical enquanto arrumava seus cabelos com a mão. – É que você é tão bonitinho... E fica tão bravo...

– Vai agarrar o Raffael que você ganha mais! Eu te garanto que ele não reclamaria nada! Só nunca mais venha me agarrar a sim! – espumou, se levantando. Tinha de sair de perto de Leo antes que pulasse nele, fosse para espanca-lo ou para beijá-lo, não conseguia decidir qual deles queria.

Ainda bem que estava de volta para não ver aquele sorriso tão alegre murchando. Aquele ódio todo, tão forte, não era normal nem mesmo para Mic. Só tinha uma pessoa que falava assim com ele, e ele detestava aquele idiota, mas esse é um trauma a ser discutido mais para a frente, quando velhos fantasmas voltarem.

Raffael entrou exatamente neste momento, sentiu o ar pesado e indagou porque estavam daquele jeito.

– Nada, Raffinha! – O sorriso que Leo mostrou foi, provavelmente, um dos mais falsos que já tinha exibido na vida. Estava doendo. – É só que o Mic está enrolado com algumas coisas e acha que seria melhor se a gente só comesse e fosse embora... – E fez um biquinho, tentando não começar a chorar. Realmente não estava mais acostumado com tanto ódio dirigido por ele, ainda mais por que não tinha feito nada de errado! – Não acha cruel ele nos expulsar?

– Quem é cruel?! – Mic não mudou absolutamente nada na forma de falar. Ele não tinha percebido nem o peso do que falara para Leonardo e, muito menos, o quanto aquilo o tinha afetado.

Desceram para comer quando Berta chamou. O jantar foi, no mínimo, estranho. Berta contava histórias antigas das trapalhadas de Michelangelo para Raffael, que, tímido, ria baixinho. Leonardo comia devagar, com o rosto baixo. Parecia se tentasse se apressar, quebraria. Mic o olhava de pouco em pouco tempo, esperando algum comentário de escárnio.

Leo terminou de comer e, interrompendo uma história, se despediu, saindo da cozinha em seguida. Michelangelo se levantou logo em seguida, indo atrás e o segurando pouco antes dele alcançar a porta.

– O que você tem?

Leo deu de ombros, como se não tivesse entendido a pergunta. Teria enganado qualquer um, não fosse seu olhar pedindo para ir logo embora.

– Nada o caralho! Você sempre me perturba por qualquer merda! A Berta tava dando todas as chances pra você começar a sua festa de “vamos fazer o Mic ficar bravinho” e não abriu a boca!

– Mas você não prefere assim? – Leo falava baixo, parecia um cão domesticado. Abaixou o rosto na falta de orelhas para abaixar. Sentia-se tão indesejável... aquilo, no mínimo, assustou Mic, que não era acostumado com uma postura não convencida do mais alto. – Você não gosta, de mim, não é, Michelangelo? – a voz trêmula era ainda mais assustadora.

– É claro que gosto! – ergueu o rosto do outro com as duas mãos, o encarando abismado com aquela pergunta, temendo que ele começasse a chorar.

– Mesmo, Mic? Você gosta de mim? – Leo estava completamente confuso. Se Michelangelo gostava dele, porque ficava tão bravo com qualquer beijo ou abraço? Claro que ele era o único idiota que acha que só se gosta assim das pessoas, mas se ele tivesse noção de que ele pensava desse jeito torto, não mudaria nada. Gostava do jeito que via o mundo.

– Mas é claro! Porque eu menti... – fora interrompido pelo toque doce dos lábios do maior. Foi um susto, seguido de uma vontade imensa de xingar todas as gerações da família de Leonardo, mas algo o impediu de interromper o beijo.

Talvez seu coração disparado e a dúvida sobre estar ou não gostando daquilo? Ou as mãos firmes que lhe seguravam a nuca e a cintura? Ele, naquele momento, se sentia tão entregue, tão conhecido, tão bem, que não conseguiu recuar. Fora, provavelmente, o beijo mais carinhoso que recebera, mesmo não querendo admitir que estava gostando. Quando pararam o beijo, Leo riu da vermelhidão nas bochechas do outro e da careta, involuntária, que se formou ao cair em si.

Ficou puto. Seguiu de volta para a cozinha mas a porta voltou com tudo e bateu em sua cara. A risada sonora de Leonardo preenchia a casa enquanto os outros dois não entenderam o que estava acontecendo. Mic abriu de novo a porta e entrou a passos fortes e se sentou, enfiando uma colherada enorme do almoço na boca.

Raffael fez que ia perguntar algo, mas o olhar furioso foi o bastante para que não abrisse a boca. Feliz ou infelizmente, Mic estava com a boca cheia e não pôde gritar com o amigo. Claro que essa vontade de gritar só aumentou quando Leo voltou à cozinha, lhe deu um selinho e se despediu de todos, sorrindo, antes de sair quase correndo de lá.

Berta abriu um sorriso maldoso ao ver o garoto tão vermelho, mas só começou a rir quando ele levantou e saiu correndo, fugindo para o banheiro. Nada fazia sentido. Nada. Porque tinha deixado aquilo acontecer? Porque tinha ido atrás de Leo? Tinha vergonha de talvez, só talvez, ter gostado dos beijos de Leo.

Os olhos verdes fitavam-no curiosos quando ele entrou no quarto. Mic se assustou com aquele serzinho. Berta o tinha forçado a ficar depois de ouvir que, em casa, não teria ninguém nem para brigar com ele.

– Michelangelo... porque o Leo foi embora mais cedo?

– Por que quer saber? – Michelangelo era tão acostumado às perguntas de Berta que esperava o mesmo tipo de malícia de Raffael.

– Ele é legal... Seria divertido de ele também estivesse aqui... – Mexia um tanto distraído em algumas coisas espalhadas pelo quarto. – Tenho inveja de você. Vocês são da mesma sala, né?

Mic concordou, não entendendo muito bem onde o magricela queria chegar. Foi na espera de alguma outra fala que ele percebeu o rosto pensativo, quase triste dele. Talvez Raffael também gostasse de Leo. Quer dizer, como assim também? Quem mais ali gostava de Leo?

Mudou de assunto, incomodado. Se teria que ficar perto daquele garoto, que falassem de algo que não Leo. Se surpreendeu ao descobrir vários gostos em comum, por jogos, filmes, músicas e até tipos de garota que gostavam. Talvez Raffael não fosse só um vaso em forma de gente fazendo fotossíntese. Talvez eles pudessem ser amigos. Aquilo era, no mínimo animador.

Passaram a tarde conversando, até que Raffael teve de voltar para sua casa e Michelangelo aproveitou o fim daquela tarde para sair para andar e tentar entender algumas coisas que ainda estavam em sua cabeça.

Notas finais
Continua. :)
Yey, em três dias já postei 2 capítulos. vou tentar correr mais pra conseguir continuar, efetivamente, a história, antes das minhas aulas começarem na facul :)