Stranger Tales from Stranger Things
20 (gotta get) Back in Time
— MERDA! — Will Byers, Lucas Sinclair e Dustin Henderson disseram juntos quando Mike Wheeler caiu por cima do arame que segurava a armadilha de Hopper.
Tudo acontecera muito rápido. Eles não sabiam dizer se Mike tropeçara antes e por isso caíra ou se não vira mesmo o arame. Após um tempo de caminhada, os quatro finalmente avistaram a cabana. Mike, num ímpeto de inquietação, correra ao mesmo tempo em que Will dissera para ele ter cuidado, pois achava que a armadilha era por ali. E Will estava certo. O som do disparo fora assustador. A tensão permanecera até os garotos se aproximarem e entenderem que o tal tiro não acertara o amigo que estava caído naquele monte de folhas podres.
Lucas se aproximou, sério, estendendo a mão para puxar Mike do chão. Dustin segurava um riso que insistia em sair agora que o susto ia passando gradativamente.
— Puta merda! — Ele disse ao se aproximar também, com Will logo ao seu lado. — Como você não enxergou? Você não ouviu Will te falando para PULAR? — Ele estava indignado.
— Ouvi, cara. Ouvi. — Mike respondia se levantando rápido com a ajuda de Lucas. Tirou o que conseguiu das folhas grudadas na calça e limpou as mãos. A terra preta meio molhada misturada com as folhas em decomposição fizera grandes marcas úmidas em suas pernas. — O problema é que eu não ouço com os pés e eles não foram tão rápidos quanto eu gostaria que eles tivessem sido... — Ele olhou novamente para a cabana realmente próxima.
— Falha crítica, Wheeler. — Will disse. — Parece que você tirou 1.
Dustin voltou a rir e Will se aproximou, pulando o arame.
— Vai, cara! — Will fez menção de empurrá-lo naquela direção. — Você não caiu nisso para ficar aqui esperando...
Mike sorriu nervoso e ajeitou a roupa mais uma vez. Olhou para eles e caminhou rápido na direção da cabana. Seu olhar ainda estava fixo nela, da mesma forma que antes. Se houvesse qualquer outra armadilha daquelas no meio do caminho novamente, ele certamente não a veria, de novo.
— Pessoal... — Lucas falou um pouco mais baixo quando Mike se afastou. — Isso não é bom. — Ele parecia preocupado. — Hopper vai saber que alguém esteve aqui quando vir a armadilha desarmada...
Os três se entreolharam parando de caminhar de maneira súbita. Ficarem ali, de certa forma, dava tempo para que Mike pudesse chegar na frente. Não que esse fosse o motivo principal, já que, agora, uma sombra de compreensão atingia um a um. Talvez, talvez eles tivessem um problema a mais para resolver agora...
— Não se nós conseguirmos montar ela de volta. — Dustin ajeitou o boné ao dizer de repente, fazendo com que os outros dois se sobressaltassem.
— E você por acaso é um grande perito em munições para saber como remontar aquilo? — Lucas apontou para o fim da armadilha, irritado. — Qual é, Dustin. Onde vamos arrumar uma bala, para início de conversa?
Dustin apontou para a cabana. Uma rajada de vento passou por eles fazendo-os apertar os casacos.
— Tenho certeza que de onde saiu aquela tem mais. A El pode falar para a gente onde ele guarda as munições e a gente consegue resolver isso antes de ele chegar em casa...
— Não, Dustin, eu concordo com o Lucas. — Will o interrompeu, caminhando em direção ao fim da armadilha. — Isso é bem arriscado, ninguém aqui entende nada de armas ou munição... — A frase do garoto se perdeu quando ele finalmente se aproximou da ratoeira.
Dustin rolou os olhos e o acompanhou apressado, se abaixando para analisar os detalhes daquela armadilha que pregara neles uma peça ridícula.
— Caras, não é nada de outro mundo. — Ele chamou os dois para verem mais de perto. Os garotos se entreolharam rapidamente e se abaixaram, cada um de um lado. — É só a gente montar a ratoeira e conseguir colocar uma bala aqui no mesmo lugar. — Ele apontou.
— Mas essas marcas — Will observou — elas vão ficar aí.
— Não se elas já estivessem aqui antes... — Dustin completou depois de Lucas observar e nada dizer. A expressão em seu rosto era dura e desconfiada. Dustin odiava aquela expressão de Lucas que dizia que as coisas não iam terminar bem.
— Mas não dá para sabermos se isso já foi disparado antes... — Lucas reiterou o que sua expressão já dizia.
— Mas a El deve saber... — Will ponderou.
Os três se levantaram avaliando as possibilidades.
— Acho que devemos montar de novo. — Dustin falou.
— Eu não sei, cara...
— Montar pelo menos vai disfarçar um pouco... apesar de achar tudo isso ainda vai terminar mal... — Will disse, por fim. — E acho que quando o Hopper souber, nós todos vamos ter um problemão...
— Positividade, ok? — Dustin pediu. — É só o que eu digo. Vamos pensar positivo. — Ele passou os braços em volta dos pescoços dos amigos os puxando lentamente para a varanda da casa. — Nós vamos entrar lá e vamos pegar uma bala e trazer e remontar isso. Quando Hopper descobrir que estivemos aqui já terá sido há tanto tempo que ele estará aposentado e nem conseguirá mais correr atrás da gente...
Will e Lucas fizeram caretas achando aquela possibilidade bastante remota.
— Cara, não se o Hopper conferir isso aqui, tipo, todos os dias. — Lucas pontuou.
Os três ficaram em silêncio. Dustin tirou os braços dos pescoços dos dois e olhou novamente para a armadilha. Depois voltou a olhar para os dois.
— Bom, ou isso ou a gente já foge da cidade agora.
El se aproximou da janela, olhando através de uma fresta. Ouviu barulhos de passos e vozes ali perto. Tinha impressão de que conhecia aquelas vozes. Seu coração acelerou. Não conseguia enxergar ninguém com clareza, apenas uma parte ou outra de um casaco ou calça. Correu até a porta encostando seu ouvido nela, tensa e apreensiva. Que ela não estivesse enganada, que tivesse ouvido o que ouvira porque realmente estava lá fora e não porque ela queria ouvir, era só o que ela pensava.
Passos apressados subiram as escadas do lado de fora. Ela prendia a respiração. Os passos cessaram e ela teve certeza de que a pessoa estava parada bem de frente para a porta. Ela colocou a mão na primeira trava, em partes porque queria abri-la e em partes porque queria ter certeza de que ela não seria aberta em caso de ser uma armadilha, exceto se ela quisesse. Ouviu uma respiração profunda. Uma batida de leve na porta a fez se sobressaltar e se afastar um pouco.
— El? — Mike perguntou, baixinho. — El, sou eu.
Eleven sorriu eufórica soltando a respiração.
— Mike! — Ela disse abrindo todas as trancas de uma só vez.
— El! — Ele deixou escapar em êxtase.
A garota abriu a porta. Mike a olhou por meio segundo e ela devolveu o olhar sentindo como se uma corrente elétrica percorresse cada parte do seu corpo. Ela não pensou muito, simplesmente jogou os braços em volta do pescoço do garoto que a abraçou de volta, com a mesma intensidade.
— Como... como você chegou aqui? — Ela perguntou quando eles se soltaram.
— Will... — Mike apontou para o amigo que agora já estava se aproximando com os outros dois.
El olhou de um para o outro e entendeu.
— É verdade! Ele esteve aqui ontem... — Ela disse, parando de repente. Se ele contara a Mike que estivera lá ontem a noite, certamente contara o porquê. Ela sentiu as bochechas um pouco quentes. Não queria entrar naquele assunto com Mike, não agora. Desviou o olhar do rosto do garoto e reparou que suas roupas estavam sujas. Mike disparara a armadilha?
— Eu... sinto sua falta. — Mike disse, a tirando de seus pensamentos. — Sei que nos vimos tem pouco tempo, mas eu preciso dizer. Eu sinto muito a sua falta, El. — Ele segurou-a pela mão ao dizer isso e ela sorriu.
— Eu também. — Ela falou, aliviada. Saber que ela não se sentira daquela forma sozinha era, de algum modo, reconfortante.
Lucas, Dustin e Will se aproximaram da varanda e ela abriu espaço para que Mike e eles entrassem na cabana, olhando em volta antes de fechar a porta.
— O que aconteceu lá fora? — Ela perguntou aos garotos enquanto fechava a porta e as trancas de uma só vez num estilo que era só seu.
Os quatro se entreolharam.
— Você diz o barulho? — Dustin perguntou.
Ela concordou com a cabeça indo até o sofá, dando espaço para eles se sentassem também.
— Mike tirou 1. Falha crítica. — Will falou, rindo. Os garotos riram também e Eleven não entendeu muito bem.
— Eu te explico isso depois. Mas na verdade eu não vi o arame. — Mike respondeu, sem graça, se sentando.
— Falando nisso, isso já foi disparado antes? — Lucas perguntou ao se sentar, com Dustin e Will fazendo o mesmo.
Ela negou com um aceno de cabeça. Não conseguia deixar de olhar para Mike, mesmo olhando para um ou outro para disfarçar.
Lucas e Dustin trocaram um olhar preocupado.
— Vocês querem água? Alguma coisa? — Ela ofereceu. — Não tenho muitas coisas aqui, mas posso oferecer algumas...
— Queremos munição, você tem? — Dustin perguntou, se levantando do sofá tão de repente quanto se sentara. Eleven estreitou as sobrancelhas, ou por não entender o que ele queria ou por achar aquilo extremamente estranho. — Balas. De revólver? — Ele especificou.
— Eu entendi, eu entendi. — Ela disse, coçando a cabeça. — Mas não entendi o porquê.
— Precisamos remontar aquilo. — Will e Lucas responderam praticamente juntos, antes mesmo de Dustin dizer mais alguma coisa. — Hopper não pode sonhar que estivemos aqui, você sabe disso. — Will completou.
Ela se levantou, indo até as prateleiras onde Hopper dizia para ela não mexer. Só podiam estar por ali.
— Acho que estão por aqui. — Ela disse ao procurar em algumas caixas com Lucas, Will e Dustin se aproximando para ajudar.
El voltou o olhar para Mike que esfregava as mãos nas calças na tentativa de se limpar, porém sem sucesso. Só conseguia deixar tudo ainda pior.
Ela se aproximou dele, pegando suas mãos.
— Você não está melhorando a situação delas... — Ela riu ao observá-las. — Vem, vamos lavar isso. — Ela o puxou para o pequeno banheiro enquanto os três garotos procuravam pelas balas para remontar a armadilha.
— Eu estive conversando com ele ontem... — Ela disse assim que entraram no banheiro, quando ela o entregou um sabonete para que ele lavasse as mãos. — Ele me perguntou como é esse jogo que vocês vão jogar e quando é... — Ela abriu a torneira para ele e permaneceu ao lado do minúsculo lavatório. Não que o banheiro tivesse muito espaço para que ela se afastasse, mas ela queria ficar perto dele.
— Sério? — Mike dissera animado enquanto esfregava as mãos, sem tirar os olhos da garota. A água e a espuma fizeram os cortes, que ele até então nem tomara conhecimento, arder. A queda havia sido aparada por ambas as mãos e agora ele podia dizer isso com certeza.
— Sim! — Ela respondeu, empolgada. — Ele disse que talvez me deixe ir. E a Joyce ontem até falou que podia ser na casa dela...
Mike terminou de lavar as mãos e pegou a toalha que El já segurar para ele para se secar. Se a mãe de Will até oferecera a casa para que eles pudessem jogar, por que Will não o dissera assim que se encontraram mais cedo?
— Isso é incrível! E o Will nem falou nada... — Ele secou as mãos procurando pelo lugar de pendurar a toalha. Ela a pegou de volta a pendurando na parede logo ao seu lado. Eles se olharam por um tempo. A proximidade dos dois ali naquele momento era algo surreal, um sentimento quase palpável.
— Ah, não, ele estava dormindo. — Ela sorriu desviando o olhar, não sabendo muito bem o que fazer.
— Dormindo? — Mike perguntou achando aquela história engraçada, mesmo que isso explicasse muita coisa.
Ela concordou com a cabeça voltando a olhá-lo.
— A Joyce disse que pode ser quando vocês quiserem. — Ela emendou.
— E o que o Hopper disse? — Ele estava ansioso.
— Bem... ele não respondeu nada, só fez aquela careta dele... — ela tentou imitar fazendo o garoto rir — mas já é melhor do que ter dito que não me deixaria ir...
Mike concordou.
— Parece que serei a maga finalmente. — Ela disse, feliz.
Mike a olhou nos olhos, segurando seu queixo com carinho. Encostou os lábios nos dela em meio a um sorriso.
— Será! — Ele disse quando se afastou. — Você consegue convencer ele para ser, tipo, amanhã? — Sabia que teria de virar a noite pensando em como fazer a aventura funcionar num espaço de tempo muito menor, mas isso não seria um problema. Poderia dividir toda a história em diversas aventuras pequenas, ele não se importaria, se isso fizesse com que ela estivesse com ele.
A garota o olhou sorrindo e concordando com a cabeça.
— Farei o meu máximo.
— Pessoal! — Dustin chamou da sala. — Encontramos as balas! Vamos lá tentar remontar aquela armadilha.
— Nos desejem sorte! — Lucas gritou.
Eles ouviram os barulhos das trancas abrindo e a porta, em seguida. Os três garotos discutiam algo que, do banheiro, eles não conseguiam entender muito bem. O barulho da porta se fechando fez Mike e Eleven trocarem um olhar de compreensão. Finalmente, depois de tanto tempo, eles estavam sozinhos. Mas, dessa vez, estavam juntos.
— Por que você pegou tantas balas? — Lucas perguntou a Dustin quando os três se abaixaram próximos à ratoeira.
— Caso precisemos de alguma reserva, oras. — Ele respondeu, impaciente, jogando a chave de fenda que trazia consigo no chão, próxima dos seus pés.
— O que você quer dizer? — Lucas parecia confuso. — Não espera realmente que vá precisar de outras, não é? Ou seria melhor você também já ter trazido, sei lá, uma mão reserva de lá de dentro também.
Dustin o olhou de forma dura, mas claramente demonstrando que não havia pensado por aquela vertente. Parecia que, finalmente, a gravidade de tudo aquilo estava começando a atingi-lo.
— Pessoal, — Will se levantou, olhando em volta. — estou com um pressentimento não muito legal...
Lucas se levantou, olhando preocupado para o amigo.
— Calma, cara. Vai dar tudo certo. — Ele tentou ser, finalmente, positivo. — Assim que Dustin arrumar isso a gente corre lá e chama o Mike... Não é, Dustin?
O garoto encarava a ratoeira com as balas na mão. A boca aberta olhando da mão para a armadilha e da armadilha de volta para a mão. Como não tinha calculado aquele erro?
— ... é, é. — Ele respondeu depois de um tempo.
Lucas arqueou a sobrancelha quando se virou para ele.
— Qual é? — Ele perguntou, tentando disfarçar a aflição.
Os três garotos voltaram a se abaixar perto da ratoeira. Will ainda olhava em volta, preocupado, como se algo estivesse os observando.
— Vamos tirar no graveto para ver quem vai remontar essa ratoeira com uma... bala... — Dustin conseguiu dizer depois de um tempo.
— N-n-não, cara. — Will interveio. — Não consigo fazer isso.
— Cara... — Dustin balançou a cabeça de forma negativa, passando a mão que não segurava as balas pela testa. — Talvez essa ideia não tenha sido a mais esperta mesmo...
— Ah! Agora você diz isso? Agora?! — Lucas se irritou. Pegou a chave de fenda que estava aos pés de Dustin e começou a tentar limpar o local onde a antiga bala estivera momentos antes. — Agora a ideia não foi a mais esperta? — Ele olhava para o amigo que ajeitava o boné na cabeça.
Dustin permanecia com a boca entreaberta observando Lucas trabalhar enquanto praguejava. Will continuava com a mesma expressão preocupada no rosto, vez ou outra olhando por cima do ombro para ter certeza de que estavam sozinhos. Aquelas árvores sem folhas não passavam aquela impressão tão inquietante na noite anterior.
Lucas trabalhava da melhor maneira que seus dedos duros pelo frio o permitiam. Tentava limpar a ratoeira e tirar os possíveis estilhaços que não deixariam a nova bala se encaixar. Olhava para Dustin de maneira mortal enquanto xingava. O trabalho precisava ser feito e estava sendo, não que de maneira feliz, mas estava.
Mike abraçava El que se aconchegava nele agora que os dois estavam sentados próximos no sofá da sala. Ele a abraçava de lado, encostando o queixo na cabeça da garota. Tudo ali parecia fazer sentido. O cheiro Eleven o fazia fechar os olhos e imaginar tantas coisas que ele não conseguia nem começar a enumerá-las. Era muito melhor do que se lembrar dela naquela sonho, com o vestido molhado e colado ao corpo... Ah, não. De novo não, aquilo outra vez, não. Tentou achar qualquer coisa para distrair o pensamento. Não queria pensar nela daquele jeito, não agora. Mas, ao mesmo tempo, claro que queria pensar nela daquele jeito, ainda mais abraçado com ela! Mas que merda era ser adolescente.
— Você recebeu a fita? — Ele perguntou tentando mudar de assunto e não deixar transparecer o leve traço de rancor que sentia ao pensar no dia anterior. Ainda não tinha engolido muito bem o fato de Hopper ter feito o que fez, mas era muito melhor falar disso do que falar que tinha sonhado com ela num vestido molhado na porta da casa dele, não era? O que ela pensaria dele se ouvisse essa história absurda?
— Como você sabe da fita? — Ela perguntou claramente não entendendo.
Mike se afastou o suficiente apenas para poder encará-la e depois a abraçou novamente.
— Ele não te disse. — Ele sorriu a contragosto. Aquilo que sentia era antipatia ou uma pequena tendência ao ódio? Não, ele esperava que fosse apenas antipatia. E passageira.
Dessa vez El quem se afastou. O olhou de maneira delicada, porém séria.
— O que está acontecendo?
Mike mordeu o lábio inferior, expirando com força em frustração. Tantas possibilidades passando por sua mente naquele momento. Poderia dizer a ela toda a verdade e fazê-la prometer não descontar em Hopper a raiva que ela certamente sentiria e que, definitivamente, colocaria tudo a perder ou poderia amenizar consideravelmente todos os acontecimentos do dia anterior e seguir sua vida sabendo que a encontraria em breve.
— A fita, pedi para ele te entregar. — Ele optou pela segunda alternativa, sorrindo.
A garota o abraçou, beijando seu rosto de maneira demorada. Deveria saber que Hopper não gravaria aquelas músicas para ela, mas não tinha passado por sua cabeça o fato de Mike tê-lo feito.
— Eu voltei tantas vezes a primeira música que não sei nem quais são as outras! — Ela deu de ombros, sincera. — Gosto do começo dela, me imagino chegando na quadra novamente e te enxergando lá no final...
Mike riu achando aquilo engraçado, porém totalmente compreensível.
— Você está melhor? — Ele perguntou um tempo depois, enquanto acariciava os cabelos de El.
Ela o olhou de canto, estreitando os olhos meio sem entender a pergunta.
— Você sabe, de ontem... — Mike falou.
— Ah... — Ela se afastou um pouco dele, sentando ereta no sofá, visivelmente desconfortável. — Sim, é, sim.
— Desculpe, eu não queria te deixar sem graça... — Ele emendou prontamente arrependido de ter perguntado, meio que se levantando do sofá.
— Não, — El o segurou pela mão o fazendo sentar novamente. — está tudo bem, de verdade. É só que foi... estranho. — Ela disse, por fim. — Foi uma sensação muito diferente de tudo. E a Joyce disse que isso acontecerá todos os meses, então ainda estou tentando me acostumar com a ideia, não sei...
Mike a olhou a abraçando novamente, e ela sorriu mais uma vez ao o abraçar de volta. O colo de Mike era o melhor lugar do mundo. Tudo ali parecia perfeito para ela, seus braços a envolviam completamente a fazendo se sentir protegida, como se nada, naquele mundo ou em qualquer outro, pudesse atingi-la. Desconfiava que até o final do dia estaria com dor nos músculos da face. Não se lembrava de ter ficado tão feliz assim em muito tempo.
Lucas, Dustin e Will olhavam, orgulhosos, o trabalho terminado.
— Doideira... — Dustin falou, voltando o olhar para Lucas. — Não sabia que você tinha tantos pontos assim de perícias manuais na construção desse personagem...
— Eu sei, eu sei. Nem eu! — Ele dizia satisfeito, com um sorriso no rosto, pegando a chave de fenda do chão e as balas reservas trazidas por Dustin.
— Acho que isso foi um 20, não foi? — Will arriscou observando o trabalho do amigo.
Os três se entreolharam com sorrisos mais largos ainda. Não estavam acreditando que Lucas havia conseguido. A fuligem do tiro anterior ainda estava lá, mas, com sorte, Hopper não repararia. Estava escurecendo rápido.
— Vamos, vamos chamar o Mike. Precisamos ir antes que o Hopper apareça, pelo amor de Deus. — Ele completou ao se levantar. Olhou no relógio. Com sorte ainda conseguiria encontrar Max.
Will e Dustin se levantaram em seguida o seguindo apressados para a cabana. O céu nublado parecia ainda mais pesado do que quando chegaram ali. Não teriam muito tempo agora, se Hopper não os pegasse talvez uma tempestade o fizesse.
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