Notas iniciais
Gentneys! Eu não postaria hoje, mas os dedinhos estavam coçando pra que eu fizesse isso :v Já estou com mais dois capítulos prontos e a cabeça fervilhando de ideias, isso é tão bom ♥ Agradecimentos a Rainha do Nilo, Dany Targaryen, FilipaBlack, --darkangel-- e Annie Burton pelos comentários no capítulo anterior ♥ Tem uma surpresinha no final ♥ Apreciem a leitura!

And I ride the winds of a brand new day, high where mountains stand

Found my hope and pride again, rebirth of a man

Ainda não tinha esquecido aquela noite. A noite em que acordou do seu pesadelo nos braços de Rodolfo e o modo protetor como ele a tratou durante toda a noite até o amanhecer. Um pacto silencioso foi feito apenas com o olhar e ele continuou lhe tratando silenciosamente o resto dos dias. O final de semana já tinha chego e no dia seguinte iria para Hogwarts. Bom, recuperaria a sua varinha, também.

Respirou fundo e afundou mais uma vez na banheira em meio a toda aquela espuma. Emergiu de volta com os cabelos molhados e enfeitados de branco. Há dias não tirava Harry da cabeça. Suspirava saudosa quando se lembrava das coisas que tinham feito, mesmo aquele aniversário de morte de Nick Quase Sem Cabeça no segundo ano. Voltaria para aquele castelo sem ele, nada parecia ser normal.

Saiu da água e se enxugou já era quase noite e Rodolfo tinha dito que jantariam com os Greengrass mais uma vez, mas dessa vez eles iriam até a casa que moravam. Se sentia desconfortável com isso. Pelo menos veria Jorge, poderia conversar com ele um pouco. A expressão que a mãe dele tinha no rosto no dia em que Harry morreu era a mesma de quando soube que Fred havia se ido.

Entrou no quarto e viu Rodolfo colocando um terno com gravata. Em cima da cama estava um vestido negro na altura dos joelhos junto das suas sapatilhas pretas. Tinha a impressão de que ele tinha transfigurado algumas coisas no seu vestido vermelho, inclusive a cor. Se aproximou e viu o homem sair do seu transe e olhá-la nos olhos pelo reflexo no espelho.

“Tomei a liberdade de mudar a cor do seu vestido. Você não veio para cá com muitas roupas e como somos anfitriões, a etiqueta exige que você vista as mesmas cores que eu”, ele disse formal.

Apenas concordou com a cabeça e logo ele saiu do quarto. Vestiu a sua roupa íntima e depois o vestido, no fim se calçou e saiu do quarto também, não havia mais muito o que fazer lá dentro. Viu que ele a aguardava no corredor, perto da porta. Com a varinha nas mãos, sentiu o feitiço secar os seus cabelos. Ele passou os dedos em um bolso interno do paletó e tirou de lá uma presilha, fazendo com que algumas mechas do seu cabelo ficassem meio presas tal como usava na escola. Ele ofereceu o braço para e aceitou. Só não sabia se isso fazia parte daquela citada etiqueta ou não.

Andou com Rodolfo até a descida das escadas e viu o tal Astolfo Greengrass com toda a família os esperando. Desceram e o seu coração se acelerou quando viu Jorge sentado no sofá ao lado de Astoria.

“Tão bela quanto um ônix negro bem lapidado, Madame Lestrange”, Astolfo Greengrass disse enquanto a tomava pela mão para beijá-la.

“Você tem uma verdadeira joia nas mãos, Rodolfo, Olívio nos contou tudo sobre ela. A bruxa mais inteligente da sua geração”, Gemma Greengrass falou ao lado do marido. Eles eram muito diferentes daqueles que tinha conhecido, os sangue puro. Talvez fossem mais tolerantes a trouxas e nascidos trouxa ou estavam apenas bajulando a nova esposa de Rodolfo Lestrange. Nenhuma das duas opções a deixava confortável.

Se sentiu mais livre quando Rodolfo soltou o seu braço para conversar com os adultos. Não se sentiu insultada com o comentário, mas tinha que confessar que não podia mais ser tratada como criança pelo seu próprio marido. Levou uma mão aos lábios, instintivamente como se tivesse falado isso. Andou até aonde estavam Jorge e Astória sem sinal nenhum de Dafne ou Olívio. Tocou o ombro de Jorge Weasley e ele se virou, assustado. Se levantou rapidamente e sentiu de novo o abraço dele, apertado e aconchegante. Tocou o rosto dele e sentiu a barba por fazer de vários dias. Olhou para Astória e viu que ela a olhava ansiosa, lhe sorriu e a viu acenar com a cabeça sobre a melhora ínfima de Jorge.

Se sentou com eles e Jorge ficou quieto no meio do sofá, fazendo a situação toda ser mais constrangedora ainda. Se levantou e se sentou na mesinha de centro, ficando de frente para ambos. Astória não deveria ter mais que quinze anos e já estava com um contrato de casamento assinado, no dia seguinte ao seu aniversário de dezessete anos eles deveriam se casar.

“Jorge, tudo vai ficar melhor. Não vai ser exatamente como era antes, mas vamos seguir em frente. Só podemos seguir em frente”, falou alto o suficiente.

“Nunca terá sido justo ter acontecido aquilo com Fred, Mione”, ele falou. Pelo que viu no rosto de Astória, deveria ser a primeira vez que falava durante quase essa quinzena. A voz falhava, mas ainda era reconhecível. “O Sr. Greengrass me levou para ver a mamãe e o papai, Mione”.

“Eu vi o seu pai essa semana, no Ministério. Nenhum de nós vai ser o que era antes”, disse amarga.

“Eu só... quero ir para casa. A minha casa, Mione, A Toca. Eu quero ficar com a minha família, com os meus irmãos”, ele falou segurando um pouco do choro. “Mas eu sei que isso não vai acontecer. Tudo mudou”.

“Tudo mudou”, repetiu.

Tudo tinha mudado.

Astória estava contida ao lado dele, talvez ela estivesse começando a gostar um pouco mais dele do que poderia admitir. Viu quando ela tocou a mão dele e ele deixou. A garota voltaria com Hermione no dia seguinte com Astória para Hogwarts e deixar Jorge sozinho a preocupava. Quando fez menção de dizer alguma coisa, Alef os chamou para jantar.

Se sentou aonde deveria, ao lado direito de Rodolfo. Astolfo Greengrass ocupou o lugar que Alef tinha dito que pertencia a Rabastan Lestrange, o seu já falecido cunhado. Mais uma vez, não se disse muito durante o jantar. Astória chegou a comentar que estava um pouco ansiosa por causa dos NOMs, mas nada mais. Era desconfortável, ainda não sabia muito bem o que eles poderiam querer ali.

Ao terminarem de jantar, viu Rodolfo e Astolfo irem para a biblioteca com copos de uísque, aquilo a entediava. Conversou mais um pouco com Jorge até que Gemma disse que estava tarde e que deveriam ir para casa já que retornariam à escola no dia seguinte, inclusive Hermione.

Depois que ficou sozinha, se descalçou e sentou no sofá da saleta de visitas e colocou os pés na mesinha de centro tendo consciência de que estava mais parecida com Ron do que gostaria. Ficou ali tempo suficiente até que foi chamada por Alef dizendo que ela deveria subir pois o Monsieur Lestrange já estava no quarto. Subiu as escadas com os sapatos na mão e foi até a porta no fim de corredor. Viu Rodolfo Lestrange em pé com o seu copo de uísque em mãos ao lado de algo debaixo de um pano em cima da escrivaninha.

“Você vai voltar para a escola amanhã, achei que era apropriado ter a sua própria coruja para que eu pudesse enviar o que você precisa ou algo que queira de casa”, ele disse retirando o pano negro de cima de uma gaiola. A coruja era bonita, cinza com os olhos dourados. Também era a primeira vez que se se referia àquela casa como casa para ambos. “O nome dele é Bowie. Trate-o com respeito e ele fará o mesmo”.

“Quando poderei ter a minha varinha de volta?”, perguntou.

“Amanhã, antes de embarcar a terá de volta”, ele respondeu se deitando na cama depois de colocar a gaiola com a coruja perto da janela.

Já estava coberto quando voltou do banheiro vestida no pijama. Era estranho ter que dividir a cama com um homem estranho. Era um desconhecido, não queria ter de fazer isso. Andou até o seu lado da cama e se deitou também, olhando pela janela como a noite jazia escura. Se cobriu com o lençol fino e fechou os olhos, não tardando muito para senti-lo, mais uma vez, se aconchegando no seu corpo como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

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Respirou fundo antes de abrir os olhos e notou que Hermione não estava mais ao seu lado na cama. Olhou para o relógio de pulso que tinha no criado-mudo e viu que já passavam das oito da manhã. Pela primeira vez tinha conseguido dormir mais que ela. Se sentou e viu que a porta do banheiro estava fechada. Então ela estava dentro do cômodo.

Ouviu um arranhado de patas na porta e acenou com a mão para que ela se abrisse, revelando Leaf chateado ao lado de fora. Chamou e o cão logo subiu na cama e se deitou ao seu lado para tirar mais uma soneca. Tocou os pelos macios do cão e fechou os olhos, queria dormir apenas mais um pouco.

A porta se destrancou e viu Hermione já vestida sair do banheiro.

“Bom dia”, disse a ela em tom baixo.

“Bom dia”, ela respondeu no mesmo tom.

Depois foi a sua vez de rumar o banheiro, teria que deixar Hermione na estação. O Lorde das Trevas os queria vigiados de perto e isso era bastante incômodo mesmo que ela já pudesse aparatar. Tinha pego o seu antigo malão de Hogwarts e retirou as suas iniciais colocando as dela, HL, Grifinória. Ela já tinha empacotado as suas coisas e cederia alguns volumes dos livros que tinha para que ela não se sentisse mais perdida ainda nas disciplinas.

Tomou o seu banho, escovou os dentes e se vestiu de maneira costumeira. Desceu para tomar o café da manhã e ela já estava comendo um pouco. Se sentou na cabeceira e começou a cortar as suas frutas já dispostas no prato e viu a sua taça ser refilada com suco de abóbora. O clima entre eles ainda era estranho. Eram dois estranhos forçados a essa situação, não podia se esquecer mesmo começando a se apegar à presença de Hermione. Agora seria sozinho naquela casa por pelo menos seis semana e isso tinha diferença: é diferente estar sozinho de verdade e estar sozinho e saber que há mais alguém em algum canto da casa para lhe fazer companhia.

“Você já separou os seus uniformes?”, perguntou vendo-a assentir com a cabeça, estava um pouco aérea para aquela hora da manhã. “Já arrumou as suas roupas no malão?”, perguntou mais um vez tendo a sua resposta positiva. “Depois vamos à biblioteca, vou separar alguns livros para você levar”.

Ela parecia melancólica, triste, suspirava a cada gole de suco ou pedaço de torrada. Fizeram o resto da refeição em silêncio e Alef não demorou muito para começar a tirar a mesa. Chamou-a e andou com ela até a biblioteca. Pensou em todos os livros que talvez tivesse usado no seu último ano em Hogwarts, já fazia mais de vinte anos isso. Acenou com a varinha e logo alguns volumes voaram até a mesinha de centro, se empilhando elegantemente para que ela os pegasse.

Foi até o quarto com ela e a viu colocando os volumes dentro do malão escuro. Tinha casacos, calças, cachecóis, toda aquela parafernália de vestuário que há anos não via alguém usar. Deveria falar alguma coisa? Ela deveria estar se prendendo em seu luto assim como ele fazia pelo irmão às vezes, percebeu que ambos tinham os seus momentos para isso.

“Nada vai voltar a ser como antes, mas vamos seguir em frente com as nossas vidas”, foi o máximo que conseguiu falar, ouvindo um eu sei depois que ela baixou os olhos.

Assim que ela terminou, Rodolfo pegou a gaiola de Bowie e desceu o malão junto da coruja. Sabia que era perigoso aparatar com um animal, mas o faria, Bowie tinha aguentado muito mais coisas pelo que o vendedor do Empório das Corujas disse. Ainda faltava uma hora para que saíssem sem estarem atrasados e ainda estavam em Londres, não teria com chegarem fora do horário.

Leaf lambeu os seus dedos e olhou para o cão, ele parecia saber que Hermione iria para longe. Ele andou com muita malemolência até o quarto que partilhava com ela e o viu se sentar ao lado dela. Ela estava de costas para a porta, sentada no chão. Viu o cachorro começar a lamber o rosto da sua esposa e ela passou a mão nos olhos, como se estivesse enxugando lágrimas.

Tornou a descer as escadas indo para a sala de visitas. Ficou lendo o tempo todo até que a viu na sua frente. Já estava na hora, então.

“Como vamos para King’s Cross?”, ela perguntou silenciosa.

“Vamos aparatar até perto da estação, depois vamos a pé”, falou colocando as mãos nos bolsos do casaco grosso que vestia e sentiu o saquinho de veludo em um deles. Tinha passado em Gringotes no dia anterior, antes do jantar com os Greengrass. Eram alianças simples, douradas, a cor favorecia os olhos de Hermione. Resolveu que tiraria as joias do bolso. “Isso é para você”, disse desfazendo o laço do saquinho.

Andou até Hermione e tocou a mão esquerda dela, trazendo-a para perto de si na finalidade de colocar aquela joia grande e bem polida no seu dedo anelar esquerdo. Cada tempo mais que passava, mais sentia que era verdade tudo nesse casamento. Ela tomou o saquinho da sua mão e fez o mesmo com ele, sentindo o peso do ouro agora descansar consigo.

“Agora você é uma legítima Madame Lestrange”, disse.

Pegou o malão de Hermione e a coruja, levando para fora da casa com ela em seu encalço. Andou até o ponto de aparatação com ela tomando a gaiola de Bowie para si e segurando o seu braço. Quando deu por si, estava em um beco perto de uma rua deserta e puderam sair sem problemas. Tirou a varinha dela discretamente do seu bolso e colocou-a no bolso do casaco de Hermione. Viu quando ela sentiu. Agora com essa Lei de Casamento aprovada, eles ficariam juntos para sempre, não tinham como voltar atrás.

Passaram pelos portões da estação indo em direção às plataformas 9 e 10. Tinha decidido que a veria embarcar, era a família dela agora. Pegou um carrinho e colocou o malão de Hermione junto da gaiola de Bowie. Atravessaram a passagem e pode ver que poucos retornaram para a escola naquela época.

Viu Nott com o filho e uma garota loira cabisbaixa ao seu lado. Depois viu as garotas Greengrass. Por último viu Parkinson com a filha e o tal Ronald Weasley. O garoto parecia ainda mais atarracado que da última vez que o viu, na batalha em Hogwarts. Notou que ele arregalou os olhos quando viu Hermione. Faltavam apenas alguns minutos para que ela embarcasse para só retornar em julho.

Quando percebeu que Hermione embarcaria, Rodolfo a segurou pelo pulso direito e segurou o rosto dela delicadamente com a mão esquerda, mostrando a ostensiva aliança ao garoto Weasley. Se aproximou do rosto de Hermione e lhe beijou os lábios com alguma ternura por alguns segundos para depois lhe beijar a bochecha.

“Vou para Hogsmeade nos fins de semana. Até sábado”, falou depois que viu a expressão caída de Ronald. Já haviam lhe tirado uma esposa, não lhe tirariam outra.

“Até”, foi a única coisa que ouviu antes de ouvi-la embarcar no trem e se sentar no mesmo compartimento que a garota loira que estava com Theo Nott. Acenou discretamente quando ela o olhou pela janela e viu quando ela respondeu ao seu cumprimento do mesmo modo.

De fato, sentia coisas estranhas quando a tocava.

(Rebirth – Angra)

E eu vou pelos ventos de um novo dia, alto aonde as montanhas alcançam

Reencontrei a minha esperança e orgulho, renascimento de um homem

Notas finais
Que beijo *-* Gostaram?