Notas iniciais
Enton, gentneys, estão gostando dessa pontualidade toda? Confesso que estou amando e me sentindo até mais produtiva depois que aderi à moda da agenda :v Coloco tudo o que tenho que fazer, o que escrever, que dia postar :D Ah, acredito que alguns de vocês tenham lido O Children, a minha fic Harmony... Então, acho que teremos meio que uma continuação dela que será postada no dia 25 de dezembro! Um capítulo especial de Natal ♥ Agradecimentos a Rainha do Nilo, Dany Targaryen, Merestille e Annie Burton no último capítulo ♥ Capítulo mais que especial e dedicado a Merestille pela linda recomendação que deixou em Strange, Love ontem ♥ Apreciem a leitura!

The cold embrace that you don’t wanna fell, must no be but you know it is real

We’re there for you

Acordou de madrugada com uma mão na sua cabeça. Hermione podia sentir os dedos do homem enlaçados no meio dos seus cabelos e isso era muito estranho. A varinha dele estava pousada na mesinha perto da janela pelo que conseguir ver com a visão ainda turva de sono. Se fosse rápida o suficiente, poderia pegá-la e sumir dali. Precisaria de muito mais calma agora, o seu coração tinha começado a acelerar com a possibilidade. Respirou tão fundo e alto que o homem ao seu lado puxou o seu cabelo de leve, sem querer, apenas para não senti-la mais na sua cabeça. Quando pensou em levantar, o corpo dele a pressionou e sentiu um braço pesado por cima da sua cintura. Seria possível que ele tivesse o sono tão pesado assim? Não bastou sentir o braço dele, Rodolfo Lestrange também começou a roncar baixinho.

Contou até dez e viu que ele não sairia dali, parecia estar dormindo como uma pedra. Lentamente e devagar, afastou a mão dele da sua perna até que sentiu que ela tocou a parte de trás da sua coxa. Respirou fundo mais uma vez e fez um esforço tremendo para se levantar. Conseguiu colocar uma perna para fora da cama, depois ergueu o tronco lentamente e passou a outra perna. Se levantou e começou a andar na ponta dos pés devagar até a mesinha.

“Aonde você pensa que vai?”, ouviu a voz grave e sonolenta de Rodolfo perguntar.

“Banheiro”, respondeu rapidamente.

“A porta do banheiro fica do outro lado, garota. Quando puser as mãos na minha varinha, você se arrependerá da gracinha pois ela não lhe obedecerá. Vá ao banheiro e volte para a cama, ainda é muito cedo para acordar”, ele disse.

Fechou os olhos e se encaminhou ao banheiro, derrotada. Ele sabia cada passo que ela pensava e isso era ridículo. Trancou a porta e se sentou no chão do banheiro por alguns minutos até realmente sentir a necessidade de fazer algo antes de voltar a dormir. Lavou as mãos e retornou para o cômodo, vendo a imagem do homem sem camisa na sua frente. A varinha não mais descansava na mesinha, tampouco as roupas dele estavam jogadas na poltrona. Isso significava que ele havia entendido o que iria fazer.

Tornou a se deitar ao lado dele e dessa vez deu as costas para onde ele estava. Não demorou muito para que sentisse novamente uma mão na sua cabeça. Isso era algum tipo de jogo?

Acordou horas depois sendo chamada por Alef. O elfo disse que o Monsieur Lestrange havia sido chamado para junto do Lorde das Trevas cedo e que logo retornaria, então deveriam terminar o café da manhã logo para que fosse servido às oito em ponto, ele não gostava de atrasos.

Tomou banho e se arrumou como se nada de ruim houvesse no mundo. A diferença era que havia e isso não seria nada fácil dali para a frente. Desceu as escadas e rumou à cozinha, pelo menos achou que estava indo para a cozinha, aquela casa era um labirinto de tão grande. Pelo corredor que dava em direção à cozinha, passou pela biblioteca e percebeu que o homem já estava de volta e não estava sozinho, tinha companhia. Reconheceria Dolohov aonde quer que estivesse e com quem estivesse. Pareciam conversar algo sem notar que havia mais uma pessoa na casa e que poderiam ser pegos nisso. No final, poderia ser interessante colher informações para o futuro, ainda não tinha perdido a sua fé na causa.

“... seguro devolver?”, o homem com sotaque russo carregado disse.

“Sim, é seguro. Ela não pode entrar lá de novo, Antonio, está sozinha. Acho que estou começando a entender porque o Lorde me deu a sangue-ruim”, bom, isso provou que não deveria esperar nenhum pingo de respeito vindo de Rodolfo Lestrange, já tinha ficado bem claro isso.

“Mas vocês ainda não, você sabe...?”, Dolohov perguntou rindo a Rodolfo.

“Isso não é da sua conta, Dolohov. Agora se mande, você disse que precisava tomar conta da sua esposa”, o ouviu dizer duro ao russo.

“Está bem, está bem. Mas eu sei que você vai deixar escapar alguma coisa um dia. Até mais ver”, ouviu afastar uma grade, talvez estivesse pegando a rede de flu.

Respirou fundo e passou despretensiosa pela porta que estava fechada, apenas fazendo sombra para dentro da biblioteca. Continuou o seu caminho até a cozinha e viu Alef com tudo quase pronto. Tocou a bancada de mármore e suspirou, estava vendo a magia acontecer como se fosse somente uma trouxa casada com um bruxo.

“Senhora, vai tomar café na sala de jantar com o Mestre, apresse-se”, ele falou quieto.

Hermione não argumentou, não sabia se isso seria pior do que ser ignorada. Até torcia para ser deixada de lado mais vezes, estava começando a ver que sobreviveria bem ali sem precisar ser incomodada. Entrou na sala de jantar e viu o homem já sentado na cadeira na cabeceira da mesa, dando um pedaço de pão ao cachorro. Esperou um pouco e observou.

“Você está esperando o quê? Ande, sente-se e coma em silêncio”, ele disse sem lhe direcionar um olhar sequer.

Hermione se sentou ao lado dele e logo o seu copo encheu-se sozinho de suco de abóbora. Aquilo parecia familiar demais. Se lembrou dos seus dias n’A Toca e foi mais além no passado, dos dias em que fazia isso com os seus pais. Não pode deixar de se emocionar ao lembrar deles, ainda estavam na Austrália e sem nenhuma lembrança da própria filha. Seria melhor assim, que continuassem assim. Enxugou um pouco das lágrimas com a manga da camisa de flanela quadriculada e suspirou, atraindo a atenção do homem.

“O que houve?”, ele perguntou com o cenho franzido em curiosidade.

“Nada”, respondeu com vago medo do que ele poderia fazer.

“O que houve?”, ele insistiu firmemente, não se daria por vencido tão rápido pelo que notou.

“Eu só lembrei dos meus pais”, respondeu a verdade, mas não daria toda ela para ele.

“Trouxas, não? Aonde eles estão?”, Rodolfo Lestrange parecia demasiado interessado na sua história de vida e isso lhe incomodou.

“Eu não sei”, respondeu mais uma vez e escolhendo omitir algumas coisas. “Eles desapareceram, nunca mais os vi”.

“Coma rápido, hoje vamos ao Ministério assinar mais alguns papéis desse casamento”, ele falou.

Queria poder perguntar o porquê de irem. Não estava nem há dois dias naquela casa e parecia meio improvável que ele a deixasse sair a seu bel-prazer. Mordiscou uma torrada sem o mínimo ânimo, a sua ansiedade de não conseguir prever os movimentos seguintes a deixava sem fome e completamente gelada por dentro.

Viu Rodolfo terminar de comer, se levantar e voltar para a biblioteca. Alef não demorou a aparecer, ele estalou os dedos e tudo o que estava na mesa sumiu de repente. Ele disse que tinha separado um casaco para ela, podia ser primavera, mas estava mais frio que nos últimos anos.

O seu casaco estava posto delicadamente sobre o encosto da poltrona e subiu para escovar os dentes, precisaria fazer isso antes de sair. Ao descer, viu que o Lestrange estava de braços cruzados ao lado da poltrona esperando que se vestisse. Colocou o casaco e saiu com ele pela porta da frente, aparatando antes mesmo que descesse devidamente os degraus da escada.

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Ela era estranha, Rodolfo anotou mentalmente. Quando viu Arthur Weasley, ela correu e o abraçou como se faz com o próprio pai. Draco tinha dito que ela passava alguns dias das férias de verão com os Weasley e talvez visse no homem uma figura paterna. Não teria deixado que fizesse isso, mas não poderia mantê-la sob feitiço de encarceramento, era demais até para ele.

Tinha ido assinar a devolução da varinha dela para si. Ainda era dela, mas estava diferente. Tinham posto um rastreador: se ela espirrasse, saberia quando e como ela limpou o nariz. Viu o homem passar os dedos no rosto dela acariciando como um pai faz com a sua filha, ela deveria significar muito para eles. Não ouviu muito do que estavam conversando, porém, ouviu quando ele disse que tinha certeza que ela e um tal de Ronald ficariam juntos no final. Descobriria quem de fato era Ronald Weasley.

Respirou aliviado quando voltaram para a casa, ela ainda não sabia que ele tinha a varinha dela realmente em posse, faria um estrago e tanto se descobrisse. Tinha começado a repensar algumas coisas e poderia fazê-la ter acesso à biblioteca e aos jardins, isso seria uma ideia boa. Ainda não tinham consumado os seus votos, então ela não teria como sair dali mesmo.

Pediu que ela o acompanhasse e assim ouviu os passos atrás de si, Alef já tinha desligado a rede de flu a essa altura, não teria problemas. Abriu as portas de correr da biblioteca de deixou que ela visse aquele mundo de livros em dois andares. Tinha a parte de baixo e mais um mezanino com algumas centenas de livros sobre as artes das trevas. Estranhou a si mesmo quando realizou que queria que ela se distraísse mais do que limpando janelas.

“Pode entrar, agora é tão sua quanto minha”, falou em tom baixo o suficiente para que ela prestasse atenção nele.

“Por que?”, ela perguntou.

“Você agora é uma Lestrange pelo casamento, tem direito a estar aqui tanto quando eu”, respondeu.

Leram em silêncio até Alef anunciar que levaria o jantar para a biblioteca. Pelo menos ele tinha feito quiches e isso era um motivo para pelo menos sorrir nesta noite. Estava lendo sobre pragas domésticas em um dos livros de Gilderoy Lockhart quando viu que a garota já estava sonolenta. Ainda não eram nem oito da noite! Ela bocejava e não conseguia se conter muito, se demorasse demais, dormiria sentada ali. Disse que ela deveria se servir logo e comer algo quente antes de se deitar.

Ela comia elegantemente mesmo com um livro apoiado na jarra de suco de abóbora, talvez fizesse isso há anos. Riu e se lembrou com tristeza de Rabastan, o seu irmão e ela tinham muito em comum, de verdade. Repetiu a sua refeição e refilou a sua taça usando mágica sem varinha. Contou mentalmente quanto tempo ela conseguiria levar para ler o livro. A louça foi retirada, a sobremesa servida e ela continuou lá. Pelo menos a torta de chocolate estava gostosa e o clima, ameno.

Começou a sentir o cansaço do corpo e da mente quando acordou assustado, sem perceber que já tinha cochilado um pouco. Coçou os olhos e viu que Hermione estava dormindo sentada, com a cabeça flexionada para a direita e as pernas esticadas até quase a mesinha de centro. O peito dela levantava e abaixava de forma compassada, parecia que ela já estava dormindo há alguns minutos, assim como ele. Se levantou bocejando e recolheu os livros, enviando todos aos seus devidos lugares usando a varinha. Olhou para ela e pensou alguns segundos, não seria justo deixa-la lá enquanto usufruía da cama, reconhecia que ela havia passado quase um ano fugindo e não foi encontrada até que ela e os amigos dissessem o nome do Lorde das Trevas. Se pelo menos tivessem continuado calados, o jogo de gato e rato não teria tido o fim que teve.

Desajeitadamente, pegou a garota nos braços e carregou pelo corredor em direção ao quarto. Teve sorte de ela ser leve e ter o sono pesado, ainda não estava reestabelecido completamente. Poderia ter feito isso usando magia, seria mais simples, mas ela poderia se assustar se acordasse e isso o desconcentraria, então ela cairia no chão. Segurando-a como estava fazendo, poderia pelo menos contê-la caso acordasse.

A porta do quarto já estava aberta e ele a colocou na cama, tirando os sapatos e observando os pés pequenos dela, eram bonitos pelo menos. Não tinha tido intimidade com Bela e não se imaginava tendo algum tipo disso com Hermione a ponto de retirar as suas roupas. Afrouxou a camisa de botões quadriculada que ela usava quando notou que havia uma segunda, fina, por dentro.

Ainda era relativamente cedo. Se sentou ao lado dela e chamou por Alef, com o elfo levando para dentro do quarto mais uma fatia da torta de chocolate pois estava ansioso. Era como a sua mãe, comia chocolates quando algo lhe incomodava e não sabia dizer o que era. Terminou de comer o doce e se levantou para escovar os dentes e trocar de roupas, vestindo um pijama confortável. Se deitou ao lado de Hermione e se juntou a ela debaixo do lençol fino. Olhou para o teto do dossel da cama e observou as inscrições em runas antigas.

Começou a pensar demais no que viria pela frente, com tudo o que tinha acontecido nos últimos dias. O corpo de Belatriz ainda estava quente quando fez os seus votos a outra mulher, uma nascida trouxa, precisava se referir a ela assim agora. Pelo menos os Greengrass pareciam estar lidando melhor com essa situação, uma adição dupla à família. Imaginou o que Astolfo teria feito para que conseguisse tal coisa. Rodolfo mesmo fez vista grossa por cima do seu orgulho, Parkinson também deve ter feito algo muito importante para que lhe fosse dado o Weasley mais novo.

Pelo que Draco comentou, todos eles tinham sido pessoas de extrema importância para Harry Potter: Ronald Weasley tinha sido o seu melhor e mais leal amigo; Hermione Granger tinha sido a sua melhor amiga e confidente; Ginevra Weasley tinha sido o seu amor de juventude pelo que ouviu; Cho Chang tinha sido uma breve namorada; Jorge Weasley tinha sido um grande amigo e sócio do Potter, pelo menos achava isso quando lhe contaram sobre as Gemialidades Weasley; Neville Longbottom era o filho de Franco e Alice, os aurores cuja tortura tinha sido cúmplice com o seu irmão; Olívio Wood era capitão do Time de Quadribol da Grifinória quando Potter começou a jogar pelo time de sua casa; e Luna Lovegood havia sido uma das amigas mais íntimas, chegando a quase se equiparar a Hermione na vida do garoto.

Não era possível que todos eles tivessem feito coisas as quais imaginava para merecer isso. Gemma e Astolfo pelo menos não.

Notou quando ela se virou na cama ainda em seu sono pesado. Algumas coisas passaram pela sua cabeça e a primeira delas foi de fazer como fez nas últimas duas noites, passar as mãos em seus cabelos revoltosos e castanhos para que ela sofresse menos com os pesadelos. Depois outra coisa lhe veio à mente: viu que ela era bastante receptiva com abraços. Não demoraria muito para que ela se revirasse completamente na cama em meio a sonhos ruins, então fez o que a sua mãe muitas vezes fez com ele.

Passou um braço desajeitadamente ao redor da cintura de Hermione Granger e deixou o seu rosto de afundar naquele mar castanho de fios rebeldes. Se aconchegou o mais confortável que conseguiu sem morrer sufocado. O seu corpo já estava bastante colado no dela quando o sono enfim veio.

(The Haunting – Avantasia)

O abraço frio que você não sentir, não deve ser, mas você sabe que é

Estamos lá por você

Notas finais
Gostaram? Crushing vai ser atualizada neste final de semana também :)