Notas iniciais
Gentneys! Feliz Natal pra todo mundo ♥ Como foi para vocês? Aqui foi meio quieto, sem muito barulho. Muito melhor assim :) Eu não pretendia postar hoje, mas os dedinhos ficaram coçando porque esse capítulo tá pronto desde anteontem XD Agradecimentos a Rainha do Nilo, Dany Targaryen, FilipaBlack, Annie Burton e pahf pelos cometários no capítulo anterior ♥ Apreciem a leitura!

These wounds won’t seem to heal, this pain is just too real

There’s just too much the time cannot erase

Rodolfo pensou que ela fosse se assustar bastante quando acordasse durante a madrugada com ele agarrado a ela. Ele mesmo se estranhou ao estar assim. As noites seguintes foram do mesmo modo. Logo ela já estava lá há uma semana e a casa continuava silenciosa. Percebia que ela parecia viver o seu próprio luto dentro daquelas paredes, dentro dos olhos assustados dela quando os abria no meio da noite depois dos pesadelos. Viu o quanto ela ainda estava assustada por essa situação a qual foram forçados, esperando ser morta ou seriamente torturada a qualquer momento, imaginava.

Não tinham trocado muitas palavras a mais do que as daquele dia, ela sabia o que tinha que fazer e ele também. Ainda não tinha sido chamado pelo Lorde das Trevas durante esse tempo todo, fora a vez em que retornou para casa com Antonio, só tinha ido à Mansão Malfoy duas vezes para obter informações sobre o tal Ronald Weasley.

Severo disse que ele era um rapaz comum, vindo de uma família enorme e insignificante, mal tinha onde cair morto e que era apaixonado por Hermione Granger desde que estavam no sexto ano. Bom, essa última informação o fez ficar pensativo demais, ele era apaixonado pela sua esposa. Tinha se prometido quando a buscou em Azkaban que ninguém lhe tiraria outra esposa, faria isso ser mais que válido. Severo também disse que o Lorde garantiu uma vaga para ela em Hogwarts para que concluísse o seu último ano, o que era estranho.

Rodolfo era orgulhoso, só tinha estudado com Belatriz pois ela reprovou alguns anos em Hogwarts e isso fez com que eles se encontrassem na sala de aula. Não podia negar, pelo menos tinha uma noiva inteligente.

Estava sentado em sua poltrona na sala de estar quando viu um vulto passar por detrás da poltrona. Hermione Granger estava com o espanador novamente e achava que limparia aquele cômodo no momento em que comia os seus chocolates, eles ficariam cheio de poeira! Fechou a caixa de papel e se levantou, vendo a garota se assustar com o fato de ele saber dos seus movimentos quase felinos. Deixou que ela passasse o espanador nos móveis e observou tudo atento, como se tivesse experiência em fazer isso. Não era de se estranhar, os pais dela eram trouxas, ela deveria fazer muitas coisas sem a varinha na maior parte do tempo.

Demoraria um pouco para ele começar a sentir uma ponta de confiança por ela, ainda não a conhecia e muitos poucos eram dignos disso nele. Tornou a se sentar quando ela saiu e abriu a sua edição do Profeta Diário. Pelo que leu, tudo estava bem e correndo naturalmente. Não haviam mais os nomes dos amigos de Harry Potter e nem do mesmo na sessão dos procurados. Ele e o seu irmão tinham estado naquela lista por algum tempo até que o Lorde das Trevas assumiu o Ministério da Magia por meio de Pio Thicknesse.

Como sentia a falta de Rabastan! Era o seu companheiro, melhor amigo, sentia por ele coisas que nunca sentira por ninguém, nem mesmo aqueles que se consideravam os seus amigos. Cada canto daquela casa lhe lembrava de Rabby e isso era deprimente. Talvez Hermione estivesse lidando melhor com as suas perdas pois estava em um lugar diferente, não enxergava os seus entes queridos em todos os cantos tal como ele. Aquele lugar também trazia lembranças de Belatriz, mas muito mais do seu irmão mais jovem. Contou as vezes em que o seu irmão se sentou ali com ele apenas para ler ou debochar de alguns colegas que tinha o ego tão inflado quanto o de Bela, Lúcio era um. Ali tinham rido de muitas pessoas e muitas coisas. Suspirou sem nem saber que estava tão emocionado quanto agora. Fungou alto e engoliu aquilo que sabia que sairia dos seus olhos se continuasse a se lembrar desse jeito de Rabastan.

Se levantou e subiu as escadas, indo em direção ao seu quarto. O cômodo estava vazio e viu que agora aquela casa se parecia muito diferente daquela que tinha deixado há dezessete anos. Parecia que estava com mais luz, mais cor. Alguma coisa tinha mudado, só não sabia precisar se isso era bom ou ruim até o momento.

Correu até o seu armário de discos antigos, todos pertencentes à sua mãe já falecida. Ela dizia que Edith Piaf era a sensação do momento quando ela era jovem mesmo sendo uma bruxa de sangue puro. Dê o seu coração e a sua alma para mim e a vida sempre será a vida em cor de rosa. Levitou um disco e La vie em rose começou a tocar, a sua mãe cantava isso para ele e Rabby dormirem. Cantarolou em francês e depois se percebeu dançando um pouco desajeitado pelo quarto. Precisava fazer um pouco disso que Bela chamava de a coisa mais ridícula do mundo, dançar ao som de música dos trouxas.

Se deixou levar pela música e pelas lembranças, entrando em um estado de nostalgia que se forçava a reprimir por causa de Belatriz. Chorou ao se lembrar de novo do irmão e se permitiu tal ato, só admitia o seu sofrimento a si mesmo. Assim que a música acabou, se sentou no chão e fez uma garrafa de uísque de fogo meio vazia aparecer. Bebeu um pouco do gargalo e chorou mais um pouco. Depois da sua mãe, Rabastan foi a única pessoa por quem Rodolfo demonstrou algum tipo de sentimento que seria considerado bom. Amou o irmão de todo o coração assim como amou a sua mãe.

Enxugou as lágrimas e se levantou da situação que considerava deplorável quando sentiu a marca queimar no seu antebraço esquerdo. Estava sendo chamado verdadeiramente pela primeira vez em uma semana inteira. Se recompôs como pode e desceu as escadas correndo, sabia que seria questionado por estar suado como um porco e cheirando a uísque como um gambá embora soubesse que era impossível ser um híbrido desses dois animais. Com essa piada terrível percebeu que seu humor também estava péssimo.

Passou pela porta da frente e aparatou para a Mansão Malfoy, desparatando no jardim que ficava perto da porta de entrada daquela casa feia. Passou pela porta e viu alguns poucos ali, aquilo nunca era bom. Viu Draco, assustado, ao lado da que julgou ser a garota Weasley, Ginevra. Dolohov pelo menos não estava ali, era um alívio.

“Rodolfo, meu caro. Que bom que respondeu ao meu chamado”, o Lorde das Trevas disse sentado em uma grande poltrona de couro marrom, ao lado de Nagini. “Sente-se ao meu lado, Rodolfo, o lugar que um dia pertenceu à sua Belatriz. O meu mais fiel amigo”, percebeu a cautela dele ao escolher a palavra amigo.

Rodolfo era realmente o único que percebia essas coisas? Se sentou ao lado do seu mestre e ele parecia ansioso por algo, que lhe contasse algo. Já o viu desgraçar as mentes de muitos por muito pouco.

“Ela me serve bem, mestre, a sangue ruim”, disse tentando soar verdadeiro. Nem conhecia a garota, não sabia se ela realmente lhe servia bem. “Fico demasiado agradecido pela sua gratidão a mim”.

“Você me deu muito mais do que imagina, Rodolfo, muito mais do que pode pensar”, o ouviu dizer. “Cuide bem do seu brinquedinho, meu bom, não faça como Antonio, ele desperdiçou o seu regalo. Agora vá, apenas queria saber disso”.

Viria muito mais dali do que imaginavam, podia sentir nos seus ossos, na sua carne e nos seus pensamentos.

.

.

.

.

Hermione se assustou ao acordar naquela primeira manhã com aquele homem agarrado à sua cintura, como se estivesse lhe protegendo algo, chegou a lutar violentamente contra os braços dele e fosse qual fosse a sua missão naquilo. Na segunda vez também sentiu algo estranho no ar. Todas as vezes consecutivas até o presente momento lhe fizeram sentir coisas estranhas, algo nisso tudo parecia lhe dizer que Rodolfo Lestrange não era de todo mal.

Tinha almoçado sozinha enquanto o seu agora marido era chamado pelo seu Lorde das Trevas. Suspirou fundo e saiu para ver como o céu estava lá fora. Quando olhou para as nuvens, viu que elas pareciam bem mais carregadas que antes. Estavam vivendo tempos negros e o seu coração se apertava cada vez mais. Não tinha companhia e ficar sozinha naquela casa enorme era horrível. Não demorou mais tanto até que Alef a chamasse para entrar quando viu um raio atingir o solo não muito distante dali.

Entrou em passos largos notando que o homem já estava de volta. Decidiu por se aventurar pela biblioteca para passar o tempo, era isso o continuar a esfregar o chão da cozinha, coisa que já tinha feito no dia anterior e sem magia.

Pensou na cena que viu pela manhã no piso superior da casa. Não era segredo que o número de mestiços era enorme na atual sociedade bruxa, mas não era todos os dias que via um puro sangue dançando pelo próprio quarto ao som de Edith Piaf. Era música de trouxas em primeiro lugar. Depois disso o viu se sentar no chão com uma garrafa de uísque no colo e chorar como um bebê chamando baixo por um tal de Rabastan. Bom, sabia que ele tinha um irmão mais jovem com esse nome, Rabastan Lestrange, um dos responsáveis por incapacitar permanentemente Alice e Franco Longbottom, os pais de Neville.

Se sentou no grande sofá e logo viu Alef mandar uma caneca de chocolate quente para a mesinha de centro. Isso era muito parecido com o que a Sra. Weasley fazia. Se lembrava com dor de todos eles: sabia que estavam vivos, mas não tinha acesso a eles, não poderia falar com eles ou visita-los. Seu coração se apertou mais ainda quando lembrou de Harry. Sempre se lembrava dele, era impossível fugir da lembrança do seu melhor amigo. Era por ele que chorava assim como Rodolfo Lestrange chorava pelo irmão. No fim, a guerra tirou mais do que era possível mensurar.

Ouviu um pio de coruja vindo da janela grande e viu uma ave grande na cor de caramelo parada no parapeito com um envelope no bico. Foi até onde ela estava e conseguiu abrir a janela depois de um pouco de esforço, era realmente pesada. A coruja soltou o envelope no chão e se foi, como se estivesse ali apenas para isso. Não parecia uma ave de corujal, não esperou nenhum tipo de pagamento.

Pegou o envelope do chão e receou que fosse alguma correspondência para os Lestrange irmãos. Na parte frontal, era o seu nome que estava escrito. Sra. Hermione Jean Lestrange. Mansão Lestrange. A Biblioteca. Londres, Inglaterra. Tinha o selo de Hogwarts no verso, lacrando-o. não podia acreditar... abriu o envelope o mais rápido que conseguiu na intenção de ler o que havia ali.

Cara Sra. Lestrange,

Devido aos últimos acontecimentos no Mundo Mágico, a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts precisou de alguns dias a mais no ano letivo para fazer reparos em seu espaço físico. Sentimos muito por todo o acontecido e por suas perdas.

Informamos à Sra. que o ano letivo será retomado na próxima semana na finalidade de fazer as últimas revisões para os Níveis Incrivelmente Exaustivos de Magia, ou, NIEMs, e aplicação dos mesmos no final do mês de junho.

Aguardamos a sua presença,

Severo Snape, Diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Algo muito estranho estava ali. Os nascidos trouxa tinham perdido o direito de estudar em Hogwarts sob a acusação de roubarem a magia dos verdadeiros bruxos. O queriam com ela na escola? Harry tinha lhe contado a verdade sobre o homem, sobre o sentimento dele por Lílian Potter e sobre de que lado ele estava na guerra. Ele pode ter arranjado isso.

Saiu da biblioteca e andou até a varanda que tinha dentro do seu quarto, vendo o homem sentado e tomando chá sob os óculos de sol grandes. Se aproximou calmamente e respirando fundo. Seria a primeira vez que trocaria mais que meia dúzia de palavras

“Sr. Lestrange?”, perguntou receosa. Não obteve resposta alguma. “Sr. Lestrange?”, repetiu.

“Você sabe que pode me chamar pelo nome, Hermione?”, ele respondeu sem se mexer na cadeira ou se virar em sua direção.

“Você me chama de garota a maior parte do tempo”, respondeu.

“Você pode me chamar pelo nome”, ele tornou a dizer.

“Hoje chegou uma carta de Hogwarts para mim, dizia que a minha vaga tinha sido reestabelecida para o ano letivo. Eu não entendo, como isso aconteceu?”, perguntou.

“Você, mesmo sendo... nascida trouxa... fez um casamento dentro do círculo íntimo do Lorde das Trevas. Isso vem com algumas regalias”, o ouviu dizer ainda lendo o seu jornal.

“Isso significa que eu posso retornar à Hogwarts e finalizar os meus estudo?”, perguntou ainda em choque pela resposta dele.

“Se você quiser, sim. Só não acho que valeria à pena já que perdeu quase todo um ano escolar. Se quiser tentar, pode voltar para a escola, não impedirei que isso aconteça”.

Já tinha estudado o suficiente para os seus NIEMs, sabia que teria excelentes notas. Arriscaria porque sabia da sua capacidade. Pela primeira vez passaria por aqueles corredores sem Harry e Ron, um sentimento de tristeza passou pelo seu peito. Iria em frente mesmo com as lembranças dolorosas em si.

“Então, já decidiu?”, ele perguntou ainda lá, sentado, sem nem ao menos se virar.

“Eu vou”, respondeu. “Mas eu gos-”.

“Você terá a sua varinha de volta antes de embarcar para Hogwarts, ainda na Plataforma. Não precisará dela até lá”, ele disse colocando o seu exemplar do Profeta Diário em cima mesa.

Viu a notícia da primeira página em letras garrafais: Lei de Casamento sancionada com sucesso pelo Ministro da Magia. Não seria possível que estivessem fazendo isso. Fechou os olhos com força e viu a manobra do Ministério para encobrir que tinham sido levados como reféns.

“Você não deveria descer para começar a ajudar Alef com o jantar? Pedi que ele fizesse uma ave caramelizada, ele disse que você tinha dito que gosta”, se surpreendeu com a última parte. Tinha contado ao elfo quando ele perguntou o que ela gostaria de jantar e começou a falar do que os seus pais faziam quando ela retornava para as férias de Natal da escola.

Se virou e saiu de lá, indo para a cozinha no piso inferior. Ajudou Alef como sabia que deveria fazer e depois passou um pouco do tempo lendo o seu antigo livro de Poções, teria que conseguir pelo menos um Excede Expectativas. Alef sinalizou que deveria ir para a sala de jantar e o viu sentado em silêncio no seu local costumeiro, bebericando um cálice vinho.

Comeu sem silêncio e não trocaram nenhuma palavra até o fim da sobremesa. Alef tirou a mesa e disse que ela deveria descansar ou estudar na biblioteca agora que sabia que retornaria para a escola. Escolheu a segunda opção e subiu para o quarto com dois livros de poções avançadas e o seu bloco de notas.

Não soube quanto tempo passou ali, só percebeu que era tarde quando viu Rodolfo entrar no quarto. Ele pegou uma calça de pijamas dentro do armário e uma camisa de algodão cinza pelo tempo. Voltou vestido e se deitou ao seu lado lhe dando as costas. Continuou mais algum tempo até perceber que ele roncava baixo. Depois de muitos sinais de sono, percebeu que as suas anotações pararam de fazer sentido. Era o sinal que precisava para deixar aquilo de lado e dormir, poderia recomeçar na manhã seguinte.

Se levantou e colocou o seu material de estudo em cima da mesa para depois colocar o seu pijama. Vestiu o short preto com a camisa cinza que um dia pertenceu a Harry. Escovou os dentes e voltou para o quarto vendo que o homem agora estava deitado de bruços. Se deitou ao lado dele e se cobriu, esperando que o sono viesse com mais força. Começou a imaginar coisas boas para poder dormir. Buscou a lembrança do último Natal que passou com os pais antes da guerra.

O cheiro de comida gostosa veio à sua cabeça e viu com clareza a árvore que ficava no canto ao lado da lareira. Tinham meias penduradas na lareira e outras decorações na sala toda. Os presentes embaixo da árvore cintilavam para os seus olhos e sabia que aquilo era tão reconfortante. Sentiu o abraço do seu pai e depois o da sua mãe, tão quente e acolhedor. Quando fez menção de soltá-la, a sua mãe continuou a abraça-la mais e mais forte até o ponto de derrubá-la no chão. Quando viu o rosto da mulher, era Belatriz Lestrange. Ela estava imobilizando-a no chão tal como naquele dia e sentiu toda a dor no braço voltar, sentindo a marca arder. Sangue Ruim.

Acordou ofegante com os olhos do homem olhando-a de perto. Ele estava com os braços em volta do seu corpo e uma mão no seu rosto, fazendo-a olhar para ele. Ele fechou os olhos e suspirou com que em alívio por saber que ela estava acordada de verdade e bem.

Realmente, sentia coisas estranhas quando ele a tocava.

(My Immortal – Evanescence)

Essas feridas parecem não querer cicatrizar, essa dor é muito real

Há simplesmente tantas coisas que o tempo não pode apagar

Notas finais
Gostaram? Tenho uma surpresa para o próximo capítulo :)