Notas iniciais
Gentneys!!!! Sorry por esse mega atraso :x Adoeci bastante esse meio tempo e não conseguia manter o foco no que eu tinha que fazer, inclusive já comecei a acumular matéria na faculdade XD Mas cá estamos nós com um capítulo lindjo e novo :3 Agradecimentos a Love Stories, Taís Cordeiro, Áster, Katita Malfoy, Fhany Mazus Malfoy, Sammy, Minerva Lestrange, Rainha do Nilo, Princesa Mestiça e Dany Targaryen pelos comentários ♥

Embracing all myself I reel through the storm that is shaking me

I don’t know where, I don’t know why, I know I’m not going to fall

Já era sábado. Madrugada, mas mesmo assim já era sábado.

Hermione não havia conseguido dormir muito pois a ansiedade a consumia só um pouquinho. Seria o seu primeiro contato com alguém naquela casa, Andrômeda ainda era uma convidada assim como Teddy Lupin. Rodolfo estava dormindo pesado ao seu lado e agarrado ao lençol com a boca aberta, roncando um pouco baixo.

Se levantou da cama e foi até a janela para ver o céu estrelado. Desde que havia se mudado para a Mansão Lestrange ainda não tinha visto céu tão estrelado quando o dessa noite. Suspirou e abriu a porta da varanda silenciosamente. O vento vinha quente e estava um pouco abafado. Se segurou no parapeito e pensou no que realmente estava acontecendo na sua vida.

Harry tinha morrido. Tinha sido casada com um Comensal da Morte, um dos mais fiéis a Voldemort. Estavam todos seguindo com as suas vidas da melhor maneira que conseguiriam mesmo isso não sendo fácil ou tão certo. Brincou com o anel dourado que estava no seu dedo anelar esquerdo vendo a joia de família, isso deveria ser ouro puro. Não acabou, está apenas começando. Rodolfo teve o cuidado de inscrever isso dentro da sua quando voltou para casa.

Se sentou na cadeira que ali estava disposta e abraçou os joelhos. Pensou nos pais que estavam na Austrália, em como estariam, aonde estariam. Rodolfo Lestrange agora era a sua família também, embora não conseguisse assimilar isso tão rápido quanto o esperado. Olhou para o céu mais uma vez e percebia que o azul se esvaía dando lugar a nuances diversas do amanhecer. Fechou os olhos e se deixou levar pelo dia nascendo com as suas cores.

“O que você faz aqui tão cedo? Nem bem amanheceu, Hermione”, Rodolfo disse bocejando e saindo para se sentar junto dela.

“Eu não consegui dormir a noite toda. Acho que estou um pouco ansiosa por encontrar com Teddy e Andrômeda”, confessou.

“Você não precisa estar, Andrômeda virá”, ele disse. Percebeu o tom de desaprovação de Rodolfo com isso.

“Você não gosta muito da ideia de ela vir aqui porque Teddy é filho de um lobisomem e Andrômeda é viúva de um nascido trouxa”, disparou. Parecia ser verdade.

“Quando Andrômeda se casou com Ted Tonks, ela simplesmente sumiu, desapareceu. Depois reapareceu já com uma filha mestiça no noivado de Narcisa. Você toma a minha indiferença por desgosto, mas não é bem assim. Simplesmente preferi me manter alheio ao que Belatriz e suas irmãs faziam da vida, incluindo o casamento de Cissa com Lúcio. Eu tinha feito um casamento de sangue puro e era isso que esperavam de mim, nada mais. Esperavam isso de Andrômeda também, naturalmente. Tenho que reconhecer o que ela fez, a coragem que ela teve, nem sei de onde tirou forças para enfrentar Druella e Cygnus”, via o devaneio dele.

Ultimamente, Rodolfo ficou mais pensativo e distante, como que se estivesse pensando no que aconteceria mais adiante e isso a deixava desconfortável. Sabia que ele lhe escondia algo, mas não o forçaria a falar, ele mesmo daria com a língua nos dentes quando se sentisse sufocado, coisa que já estava começando a acontecer.

Se levantou da cadeira e entrou no quarto. Viu no relógio de parede que era cedo, só não conseguiria dormir novamente. Entrou no banheiro e começou a arrumar as coisas que precisaria para o seu banho e outras higienes. Escolheu uma toalha limpa no armário e a colocou perto da cortina do chuveiro. Se despiu e deixou as roupas jogadas no chão enquanto regulava a temperatura da água.

Entrou e deixou a água mais fria correr pelo seu corpo. Sentiu uma leve pontada no baixo ventre, como se fosse uma cólica. Seu período deveria estar perto de vir, só podia ser isso. Se lavou e lavou os cabelos. Saiu e não notou que Rodolfo estava lá apenas esperando pela sua vez. Se cobriu com a toalha e sentiu os dedos dele na sua pele como se estivesse se desculpando por algo.

Voltou para o quarto e pegou a primeira roupa que viu pela frente, vestindo um jeans antigo e uma camiseta azul escura. Calçou um par de meias fofas e saiu do quarto, deixando que Rodolfo a acompanhasse depois. Sentiu o cheio de embutidos fritando um pouco na cozinha vindo em direção a escada e desceu, rumando a sala de jantar.

Em algumas horas receberiam visitas e isso era um pouco ansioso da sua parte. Se deixou levar um pouco pelos seus pensamentos nublados pelo véu da novidade em sua vida. Conheceria o filho dos seus amigos queridos sabendo do sacrifício que eles fizeram durante a guerra, pela causa que defenderam. Isso a deixava triste na mesma proporção que ficava ansiosa.

Rodolfo demorou para descer, percebeu que ele estava com o semblante mais sóbrio que o de costume e parecia haver mais elegância no modo de ele se sentar e se portar. Não disse muito depois que começaram a comer o que estava disposto para eles. O viu tomar o seu chá preocupado, mas era uma preocupação diferente. Ele estava sutilmente mais calado e ele geralmente não era de ficar tão em silêncio assim.

“Você disse que essa também é a minha casa, por isso disse que Teddy e Andrômeda virão para cá”, disse.

“O garotinho Lupin é a menor das minhas preocupações”, Rodolfo disparou indiferente.

“Você está escondendo alguma coisa de mim, Rodolfo, e eu vou descobrir o que é. Pode levar o tempo que for, mas saberei de tudo”, finalizou antes de se levantar e ir para a biblioteca.

Assim que entrou, viu dispostas na mesinha de centro algumas fotografias da juventude de Rodolfo. Em uma ele parecia ser bem criança, talvez uns sete anos e sorria ao lado da mãe. Sabia quem era a mulher da foto porque havia um quadro dela pintado no corredor com a etiqueta de Amélia Lestrange. Ele se parecia bastante com ela. Depois Rodolfo parecia crescer conforme mexia nas fotos. Numa outra ele já estava com o irmão, os dois estavam lado a lado e vestidos em trajes de gala junto dos pais. Viu o colar que Amélia usava e era o mesmo que era seu agora. Respirou fundo e passou mais algumas fotos até ver o casamento de Rodolfo e Belatriz. Ela era visivelmente mais velha que ele e nenhum dos dois parecia feliz com aquilo. Por algum motivo, aquela era a última foto que estava ali. Deixou no lugar o que encontrou e tirou a varinha do bolso.

Não era possível que não tinha quase usado magia nos últimos dias. Ainda não dominava magia sem varinha, mas definitivamente não tinha usado tanto a sua ultimamente. Teve uma ideia e começou a revirar as suas lembranças mais felizes até cair em uma que não era exatamente feliz, mas lhe proporcionava bons risos agora que tudo isso já tinha passado. Se viu de volta como o gato de Emília Bulstrode e riu pensando em como conseguiu confundir pelo de gato com cabelo humano.

Expecto patronum”, disse com bastante vontade e conseguiu um feixe de luz branca que rapidamente foi transformada em uma lontra nadando no ar. Riu disso e adorava a sua lontra, saber que ela não dependia de nada além dela mesma para existir.

Suspirou e se lembrou que quando treinavam esse tipo de feitiço na Armada de Dumbledore. O seu eu daquela época sabia que tempos negros viriam a partir dali, só não imaginava o quanto isso cobraria de todos.

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Ouviu quando Alef foi até a porta de entrada da casa e a abriu, dando passagem para Andrômeda passar com algo nos braços. Olhou de longe Hermione correr até eles e abraçar a mulher. Por Merlin, ela continuava parecida com Belatriz. Os passos de Hermione se tornaram mais decididos à medida que ela se dirigia com os dois para a biblioteca e tornou a se sentar, não poderia correr o risco de ser pego bisbilhotando as visitas de sua esposa. Voltou a atenção para o jornal que lia quando Hermione abriu a porta de correr.

“Há anos não via você, Rodolfo”, ouviu Andrômeda dizer.

“É bom ver que está bem, Andrômeda. Se me permitem, deixarei que conversem a sós”, disse se levantando. Sem querer, tropeçou nas rodinhas do que quer eu aquilo fosse até que ouviu um choro.

“E você acaba de acordar o meu neto”, Andrômeda completou. A viu retirar um tecido da frente de um cesto, não sabia bem o que era aquilo, e dentro estava um bebê chorando. Andrômeda o pegou nos braços, parecia ser tão pequeno, tão indefeso. “Ele não fez por mal, meu amor, ele não fez por mal. Ele só precisa aprender a andar assim como você fará um dia. Hermione, lhe apresento Teddy Remo Lupin, o seu afilhado”.

Hermione andou até onde estavam e olhou meio incerta para eles, Andrômeda e Teddy. Viu o sorriso tímido dela e logo os dedos de Hermione estavam brincando com os do garotinho. Não sabia com quem se parecia, mas ele deveria se parecer um pouco com o lobisomem, um filho se parece com o pai. Pelo menos foi assim que aprendeu que deveria ser, era o que a sua mãe lhe dizia que deveria ser assim como tinha sido com Radolfo e Rabastan. Rodolfo era Selwyn fisicamente, por isso o desespero inútil em tentar abraçar o mundo com as pernas.

Teddy Lupin parecia ser uma criança fácil de lidar, notou. Em poucos minutos ele já sorria abertamente para Hermione. Eles pareciam íntimos.

“Você quer segurá-lo?”, Andrômeda perguntou rindo de ambos.

“Eu posso?”, ouviu Hermione perguntar. Ficou tenso com isso, isso parecia tornar toda aquela expectativa em realidade concreta.

Se afastou um pouco e se encostou em uma das estantes, dando espaço para que pudessem interagir sem ele por perto. Observou atentamente Hermione receber nos braços o corpinho pequeno do menino, acolhendo-o e sendo ninado por ela. Sabia que teriam interações desse tipo quando o pedido do Lorde das Trevas fosse concretizado, só não se sentia pronto ainda para isso.

Se sentou no banquinho que estava ao lado da estante e cruzou os braços, colocando os óculos de leitura pendurados na prateleira. Andrômeda deixou os dois se conhecendo e veio na sua direção.

“Yaxley e Ellicott torturaram você há não muito tempo. Ainda é a excelente oclumente que eu me lembro. Eu sinto muito, Drômeda”, disse sincero.

“Bela eu entendi, Cissa se deixou levar. Eu sinceramente sei porque você nunca conseguiu manter contato comigo, o seu orgulho o deixou cego para uma das poucas amigas verdadeiras que você teve na vida”, ouviu com culpa. “Eu não me arrependo de ter fugido com Ted, nunca me arrependi. E me senti triste quando percebi que você não me contataria para conversarmos sobre tudo, sobre nada”.

“Eu não poderia trair a minha família. Meu pai já estava desconfiado de mim, ele esperava que eu realmente fizesse o mesmo que você fez pois ele sabia que eu faria. Você ficou dois anos desaparecida, ele me casou com Belatriz assim que terminamos o colégio”, respondeu.

“Belatriz foi uma péssima aluna”, Andrômeda riu. Sentiu falta das risadas da amiga.

“Ela reprovou quatro vezes Poções, queria desistir da escola, mas Walburga Black não deixou”, riu junto.

“Aconteceu alguma coisa, Roddy? Algo que queira compartilhar? Eu ainda sei quando você está incomodado com algo”.

“Aquilo me incomoda”, apontou discretamente para onde Hermione estava com Teddy nos braços.

“Você se incomoda com o fato de que a sua nova esposa está segurando o afilhado no colo?”

“Me incomodo com o fato de que daqui a alguns meses vai ser o meu filho que ela vai segurar e eu não me sinto confortável trazendo alguém ao mundo nessa confusão toda”, confessou. “Quando nos casamos, Belatriz e eu concordamos que não teríamos filhos de modo algum, que seguiríamos com as nossas vidas do modo como esperavam que seguíssemos. Eles queriam um casamento de sangue puro respeitável e tiveram, não precisavam de mais”.

“Eu sempre soube que havia mais em você do que simplesmente dever e obediência. E agora você se revira na cama por causa de um filho que nem sequer sabe se vai vir ou não”, Andrômeda apontou. Não contaria a ela que estava sendo praticamente coagido a isso. Não poderia. “Ela já sabe? Aliás, fiquei bastante surpresa quando a Lei de Casamento colocou você justamente com Hermione Granger. Há algo mais aí e você não está me contando”.

“Você também não está me contando muito, Drômeda. Como tem livre acesso a tudo?”

“Estamos sendo vigiados de perto, Roddy. Todos nós”, Andrômeda levantou a manga do suéter e mostrou uma tatuagem em forma de corrente em seu pulso esquerdo. “Nos puseram grilhões. Eles sabem aonde estamos, aonde vamos. Mas sobrevivemos, não é muito diferente da que você tem no braço”.

“Belatriz teve uma filha, Delphini. A garota não é minha”.

“Eu já imaginava que isso pudesse acontecer. O seu orgulho não o deixou chegar perto dela, acredito. Eu não sei o que faria, de verdade. Só espero que Cissa esteja cuidando dessa criança”.

“Sim, ela está”, não diria toda a verdade, mal tinha voltado um pouco da sua amizade com Drômeda, não poderia perder tudo novamente.

“Você vai ser um ótimo pai, Roddy. Apenas se deixe acreditar nisso”.

Observou novamente Hermione e teve uma sensação boa agora. Ela seria uma mãe tão capaz quanto ele mesmo seria, só não era um momento ideal para construir uma família.

(My Wings – Lacuna Coil)

Abraçando tudo sozinho eu rolo através da tempestade que está me sacudindo

Eu não seu onde, eu não sei porquê, eu sei que não vou cair

Notas finais
Me deixem saber se gostaram ♥