Strange Love.
4 I will acept
Notas iniciais
"E se foi e se jogou num mar aberto de ilusões e as ondas te acertaram como eu planejei, eu exagerei..."
Já eram 8h e eu já estava acordada. Quer dizer, ainda estava. Não dormi a noite toda, o que é tão normal quanto não comer.
Me arrumei pra ir pro trabalho, meu rosto e meus olhos não ajudavam muito em minha aparência. Mas a franja bagunçada que eu tinha, dava pra pelo menos, disfarçar o rosto de insônia. Sai de casa apressada, teria que andar até o trabalho.
Xx
- Bom dia, sky! – Bethy sorriu largamente, o jeito como ela nunca parava de sorrir me assustava.
- Oi – forcei um sorriso colocando a mochila ao lado do balcão.
- Pareces doente – ela se aproximou colocando a mão em meu rosto.
- só pareço – tirei sua mão de meu rosto devagar.
- tudo bem – ela voltou ao sorriso, o que era de se esperar – como está o pé?
- como sempre – peguei meu uniforme e fui me trocar. O dia todo não havia vindo ninguém, evitei conversar, estava me sentindo realmente depressiva e só queria terminar meu trabalho e me isolar.
- Ow! – ouvi uma voz conhecida soar atrás de mim. Me virei e lá estava ele.
Era Justin.
- Até aqui? – falei em voz alta indo até a mesa onde ele se encontrava. Bethy pediu silêncio e eu assenti. Logo menos, voltei minha atenção pra Justin. Ele estava com um casaco preto por cima de uma camisa branca e um chapéu de marca desconhecida por mim.
- que foi? É um restaurante, não é? E eu sou uma pessoa. Pessoas comem em restaurantes – ele pegou o cardápio passando seus olhos pelo mesmo e logo após se sentando na mesa ao lado.
- olha pra isso aqui – ri irônica – isso é um lixo perto dos lugares que você vai – o olhei.
- ah, nem tanto – ele voltou seu olhar a mim, balançando os ombros.
- para e diz logo o que você quer – rolei os olhos e Justin parecia estar gostando de me torturar.
- tá – ele falou e pigarreou, o tempo pra ele abrir a boca novamente foi tão demorado que achei que nunca chegaria – quero te chamar pra ir na festa do Chaz comigo.
- que Chaz? Que festa? E porque eu? – estendi as mãos – viu porque eu sempre repito que não somos amigos?
- aceite – ele parecia pouco se importar com o que eu acabara de falar – ou você perde seu emprego – disse com a voz firme, cheguei mais perto da mesa evitando gritar.
- como assim?
- aceite ou eu falo com o gerente e digo que você me tratou mal.
- ah, que ironia – rolei os olhos novamente.
- eu sou o Justin Bieber – ele puxou um pouco a sua camisa pra frente – eu posso te tirar daqui em 1 minuto – ele sorriu novamente e senti um frio na barriga.
Santo Deus, bonito era pouco pra Justin.
- Que inferno – coloquei a mão no rosto, respirando fundo.
- passo pra te pegar as 9:00 – ele foi, sem nem olhar para atrás antes de sair. Me virei e voltei para o balcão, Bethy me olhava interrogativa.
- que foi? – perguntei.
- aconteceu algo? Aquele garoto...
- nada, não aconteceu nada – falei, já irritada.
Ótimo, definitivamente, minha vida era uma merda.
Xx
Vesti qualquer roupa que me deu na telha, não estava com saco pra escolher roupa e muito menos pra ir em um lugar que eu não gostaria de ir. Ouvi alguém bater na porta e já pude imaginar quem era, o imprestável do Justin. Andei até a porta a abrindo.
- Hm – ele me examinou – dá pro gasto – ele sorriu de lado.
- cala boca – bufei fechando a porta e saindo – eu não queria e nem quero ir, não há chances de você não me levar? – o olhei, tentando o convencer, porém, inútil.
- não – ele falou sem olhar pra mim. O segui até o carro, onde entramos no mesmo e Justin nos levou a tal festa de "Chaz".
Ao chegarmos lá, só o que haviam eram garotos bêbados e com os hormônios a flor da pele, o cheiro de bebida entupiu-me as narinas. “Como eu queria estar no meu apartamento” foi meu último pensamento até Justin me interromper.
- E aí? – ele falou, examinando o local.
- E aí que eu realmente não entendi por que você me chamou – olhei pra ele irritada – eu quero ir embora, Justin.
- Relaxa – ele me olhou com reprovação – aproveita, sky, não é todo dia que você vai pra uma festa assim – ele pausou – não, espera, acho que você nunca foi – ele riu alto e logo depois saiu, não sei pra onde, seu corpo sumiu no meio de tanta gente.
Justin. Escroto. Bieber.
Andei até um lugar vazio — com dificuldade, estava lotado e mal conseguia andar direito sem esbarrar em alguém — onde haviam umas cadeiras, sentei em uma e esperei que o tempo passasse rápido, mas foi totalmente ao contrário.
- Hey – um loirinho meio forte quase do tamanho de Justin veio até mim com um sorriso estampado em seu rosto.
- Ah, oi – falei o olhando por breves segundos.
- Então, é você – ele afirmou com a cabeça.
- Eu o que? – perguntei, me ajeitando na cadeira.
- Nada – ele olhou pra trás, como se estivesse planejando algo – se anima, isso é uma festa – ele voltou seu olhar pra mim. Seu sorriso acolhedor tinha mudado pra um sorriso malicioso.
- Não quero – falei, procurando Justin com os olhos.
- Vem – ele ousou chegar mais perto, me levantei tentando me afastar, mas ele segurou meu braço antes que eu tentasse correr – vem! – ele riu, tentei me soltar, mas foi em vão. ele soltou uma gargalhada, mas continuei tentando me soltar – se você não vai por bem... – ele se aproximou e em pouco tempo, eu estava em seus braços.
- Para, me solta, caralho! – gritei me debatendo contra seu corpo, mas ele era bem – bem mesmo – mais forte que eu – idiota! – o xinguei ainda o batendo.
- Vamos animar a sua noite – ele riu, o cheiro de bebida em sua voz me deixa mais enfraquecida. Eu quase morri ante-ontem e minha cabeça ainda dói, se ele ousasse...
- Eu não quero! – gritei e quando me dei por conta, ele estava parado em frente a piscina.
Eu... Não... Tudo... Menos Isso...
Mal pensei e já estava chorando, ele parecia se divertir, na verdade todo mundo parecia se divertir. Mas, pra mim, de divertido aquilo não tinha nada.
- É um! – ele gritou acompanhado com todos.
- Para, por favor, eu não quero – gritei o mais alto que pude, mesmo entre soluços – Justin! – foi a última coisa que consegui gritar antes de ser dominada pela falta de voz.
– é dois... – ele riu mais ainda, ameaçando me jogar lá dentro – é três e...
- Ryan! – antes que pudesse raciocinar, senti a voz alta e autoritária de Justin e logo em seguida seus braços fortes de Justin me tomaram.
Acho que nunca agradeci tanto por Justin ter aparecido.
- Ryan, caralho! — a voz de Justin parecia enfurecida.
Continuei a chorar, eu não conseguia parar, realmente não. Era difícil até olhar pra uma piscina ou qualquer coisa relacionada a isso, imagine estar dentro dela. Me prendi nos braços de Justin e meu choro não cessava, queria parar... Mas, era bem mais forte que eu.
As lembranças eram bem mais fortes que eu.
Justin não esperou pela resposta daqueles que se encontravam ali e logo entrou dentro da casa comigo. Ele me levou até um quarto, onde não havia ninguém. Havia um sofá e foi onde Justin me despejou, mas o que mais estranhei e acho que ele também foi o meu ato:
Eu não queria soltar Justin, continuei aninhada em seu colo.
O choro ainda não havia parado e agora já não importava mais.
- Sky... – ele falou acabando com o silêncio.
- Justin, por favor, eu sei que isso é tão idiota quanto parece, mas por favor, Justin, por favor, não me solte – supliquei e ele se ajeitou no sofá. Mas, ainda comigo em seus braços.
- Era só uma piscina – ele falou desnorteado.
- Você não entende – continuei, mas fui interrompida pela dor que apertava em meu peito.
- Queria – ele disse com sua voz preocupada.
- Eu não quero falar disso – indaguei.
- Você nunca fala de nada sobre você – ele bufou.
- você também não e nem por isso te questiono – continuei ligada a ele.
Ora, ora... Sky Andrews, é você? Pra quem não cogitava nem em chorar. Agora parece um bebê chorão nos braços do garoto que você mais odeia.
- casos diferentes – ele se justificou – Sky...
- Que? – levantei um pouco o rosto, as lagrimas ainda insistiam em cair.
- você pode confiar em mim – ele falou com a voz mais rouca do que de costume.
- eu não preciso confiar em você – balancei a cabeça – eu não tenho porque confiar.
- eu já disse que você pode – o tom de sua voz não parecia de sarcasmo, muito menos de provocação.
- Eu... – tentei pronunciar algo, mas minha garganta apertou, fazendo com que eu voltasse a chorar novamente – eu não sei por onde começar.
- Pelo começo – Justin me trouxe mais pra perto dele, me apertando forte – eu vou te ouvir.
- Eu sou órfã – falei tão rápida que mal ouvi – acho que isso, você já sabe. Eu moro sozinha faz 2 meses e realmente não sei como cheguei tão bem até aqui – pausei – meus pais morreram no mar, Justin.
- Sky, você não precisa...
- Eu vou te contar – o interrompi – você disse que ia me ouvir – ele assentiu com seu olhar fitado no chão – o corpo dos dois foram encontrados no mar, em uma viagem que eles fizeram. Ninguém estava por perto pra dizer se eles se suicidaram juntos ou foi um acidente. Minha tia me falou que minha mãe tinha um tipo de doença incurável e meu pai ao saber, ficou sem chão – pausei tentando voltar ao normal – então, ele queria aproveitar o tempo que ainda sobrava com a minha mãe e decidiu viajar pelo mundo todo, juntos. Eu já havia nascido, mas tanto fez, eles foram sem mim e me deixaram com a minha tia, Melannie. O que leva a pensar que foi um suicídio foi um papel que encontraram nas coisas de meu pai. Tinha escrito “E que se for pra ser assim, que seja nós dois”. Sei que parece bizarro, mas depois disso, eu passei a ter medo de lugares acumulados de água. Piscina é uma delas. Mal consigo olhar e evito chegar perto. Fico perturbada perto dessas coisas e isso soa idiota, na verdade, é idiota.
- Você não precisa me contar mais – Justin pediu.
- Eu não ia – ri.
- Eu não imaginei – ele balançou a cabeça – desculpa pelo Ryan, se ele soubesse, aposto que nunca... você sabe — ele disse e eu virei meu rosto. Ainda estava abraçada com ele e isso é estranho agora. Fiquei calada olhando o quarto em que ele me levara. Parecia algum quarto de hóspedes.
- Justin... – falei interrompendo o silêncio.
- Que?
- Me prometa que não vai usar meus atos agora contra mim no futuro – falei e ele deu uma risada curta.
- Não posso prometer isso.
- Pode e deve, por favor.
- Prometo, sky, prometo.
- Ótimo – passei a mão em meu rosto – Justin... – o chamei, novamente.
- Pode falar.
- Se importaria de... – criei coragem pra falar – cantar?
- cantar? – sua voz soava surpresa – isso é sério?
- sim, Justin, por favor, não me obrigue a falar a mesma coisa tosca duas vezes.
- Tudo bem, eu acho – ele pareceu desconfortável – você quer que eu cante alguma em especial?
- não, cante as suas – dei de ombros.
- Tá – ele assentiu e pigarreou, logo após, começou:
“Bumps on the road and upside down now… I know it's hard baby, sleep at night. Don't you worry, cause everything is gonna be alright...”
- Justin – o interrompi.
- o que foi dessa vez?
- não esqueça da sua promessa...
xx
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