Strange Love.
5 Protect me
Notas iniciais
"...We open the latch on the gate of the hole that we call our home, protect me from what I want..."
Abri meus olhos e estranhei já estar em um lugar conhecido, passei os mesmos pelo local e estranhei mais ainda estar onde estava.
Era meu quarto.
Coloquei a mão na cabeça e eu estava completamente quente, o que era de esperar. Levantei e vi que o relógio batia 2h da manhã. Minha cabeça doía, mas aquela dor era tão normal quanto respirar. Fui até a sala procurando por algum vestígio de como eu havia chegado ali.
- Ai! – gritei ao encontrar Justin dormindo no sofá, puta medo eu havia tido. Justin se retorceu e abriu os olhos lentamente.
- O que houve? – ele levantou com um olho ainda fechado, sua expressão era totalmente hilária, mas conti o riso. Meu coração ainda disparava forte.
- Nada – respirei fundo soltando minha respiração pesada – só fiquei com medo porra! Venho aqui tentando entender como cheguei e vejo um cara dormindo no meu sofá – ele ia falar algo, mas prossegui – me responda rápido: como viemos parar aqui?
- eu trouxe você – ele deitou no sofá novamente fechando os olhos. Fui até ele encostando no sofá.
- Tá, quem é você e o que você fez com o Justin?
- larga de ser idiota – ele falou com a voz mais rouca que antes – você deveria me agradecer.
- claro que não – rolei os olhos – você me levou, você tinha que me trazer.
- tá – ele virou e fechou os olhos novamente.
- acho que já está na hora de ir embora, justin – fingi olhar pras paredes.
- que? – ele pareceu confuso.
- não entendeu? – voltei meu olhar a ele, ele havia se levantado – vai embora – soltei um sorriso sarcástico.
- que seja – ele deu de ombros indo até a porta – minha cama é macia, seu sofá não.
- aqui você tem minha companhia, na sua casa não – o empurrei pra fora e ele pareceu pensativo.
- é – ele afirmou olhando pro além – como se fizesse diferença – ele riu alto.
- tchau Justin – fechei a porta, como de costume, em sua cara. E mais uma vez seu suspiro e passos distantes surgiram.
Abri a porta por impulso, antes que me arrependesse do que iria falar.
- Justin!
Ele virou, esperando pela minha fala.
- Eu acho que podemos ser amigos – falei e realmente não sei por que fiz aquilo.
- Nós já somos – seus lábios se curvaram em um sorriso suave, o que eu não vi desde que o conheci. Ele se virou e foi, dessa vez, pra longe.
Xx
Já eram 4 horas da manhã e eu não havia pregado os olhos desde que Justin tinha partido. Acho que nunca pensei tanto em minha vida, coisas que não faziam sentido e outras que faziam tanto sentido que até me assustavam.
Decidi que ia dar um jeito em casa.
Tanto estranho, quatro horas da manhã e eu arrumando a casa? Mas isso era a única coisa que eu queria fazer ou que tinha pra fazer. Comecei a arrumar toda aquela sujeira e me surpreendi. Primeiro: nunca cogitei em arrumar nada e agora que fiz isso, é um tanto estranho. Segundo: Havia ficado realmente melhor. Não lindo, meu apartamento é pequeno e tem poucos moveis, me pergunto como Justin gosta de vir aqui.
Justin.
Pensei comigo mesma: sem Justin, eu não havia nada pra fazer e ninguém pra irritar.
Olhei pro relógio e ainda eram 8h. Era sábado, não precisava ir trabalhar, nem se tivesse iria, eu estava morta. Entrei no banheiro e tomei um banho demorado, tanto tempo não parava pra pensar na vida, em mim, mas hoje o fiz.
Sai do banheiro pegando um shorts com uma blusa qualquer e logo depois vesti. Já era em torno de umas nove horas e eu nem sabia o que deveria fazer, até que fui interrompida por um barulho na porta.
Corri até a sala e lá estava ele, novamente.
- Mas... Como... Você... Aqui? – foi as únicas palavras que consegui pronunciar.
- O vigia me deu – ele estendeu as chaves.
- Porque esse cretino fez isso? – fui até ele tentando arrancar a chave de suas mãos, mas ele se esquivou.
- Você se esqueceu de quem eu sou? – seu lábios se curvaram em um sorriso orgulhoso e ao mesmo tempo frio.
- Não, ainda lembro da merda que você é – bufei e sai de perto dele indo até a cozinha, Justin sentou-se no sofá.
- fico impressionado com tanto amor – ele colocou os pés em cima da mesinha que se encontrava a frente do sofá – vim com fome, o que tem? – ao ouvir sua pergunta, gargalhei alto.
- Você pode comer no melhor restaurante do país ou galáxia inteira e vem comer logo no meu apartamento?
- Fazer o que – deu de ombros adentrando dentro da cozinha. Abriu o meu armário – meu, sem permissão, meu armário! – e pegou dois pacotes de doritos e um pote de nutella.
- O que você acha que está fazendo? – falei o seguindo até a sala.
- Eu comprei, eu tenho direito – falou logo após sentar novamente no sofá.
- Mas – continuei – você me d...
- Cala boca e vem comer comigo – Justin me interrompeu, enfiando um doritos no pote de nutella e o colocando na boca. Eu não estava com fome, mas... Eu queria. Sentei no outro sofá seguindo os mesmos passos de Justin.
- puta que pariu! – gritei colocando a mão na boca.
- o que foi? – Justin se assustou arregalando os olhos.
- Eu tinha esquecido o quanto isso é bom – fui pra o seu lado pegando mais.
Ele sorriu.
- Desculpa pra se aproximar de mim – disse ainda com seu sorriso malicioso nos lábios.
- Vai se fuder – falei séria e ele ia colocar a mão em meu rosto, mas eu me esquivei antes disso.
- Nem.pense.nisso – pausei a cada palavra e Justin me olhou estranho – eu conheço esse truque de “sua boca esta suja, deixe-me limpar” – fiz uma expressão tentando interpretar minha frase.
- você é retardada – ele continuava sério – eu ia te ajudar e você vem com essa, até parece – ele riu alto.
- Até parece o que? Você tá comendo da minha comida e...
- Que eu comprei – ele me interrompeu, voltando a comer. Fiquei calada fazendo o mesmo que ele. O silêncio havia nos dominado e Justin parecia pensativo.
- Justin – o chamei.
- Que? – ele virou seu rosto.
- Me fala sobre você – falei e ele olhou estranho pra mim – nem vem me olhando assim, ontem eu te contei mais do que deveria e eu nem sei seu nome direito, isso é mais que justo.
- não quero – ele balançou os ombros e eu o encarei – tá, sky – ele rolou os olhos pegando mais um salgado e banhando na nutella – sou o justin drew bieber, nasci no canadá...
- viado – o interrompi – não quero isso – continuei – me conte da sua vida, dos seus pais, de tudo.
- Mereço – ele olhou pra mim, se ajeitando no sofá.
- Vai logo.
- Tá – ele bufou e logo continuou – meus pais são separados, mal vejo meu pai, só quando vou ao canadá. Minha mãe não gosta de se envolver com ninguém, mas meu pai é casado e tem dois filhos... Hm – ele pausou e quando achei que ele fosse falar novamente ele soltou um suspiro pesado e parou.
- o que foi? – perguntei, realmente preocupada. Justin pareceu triste.
Entendi seu silêncio, ele também não gostava de falar sobre sua vida porque aquilo parecia o machucar.
Pensei. Talvez Justin fosse assim não por birra, e sim por motivos.
- Frangote – ri de sua situação.
- não foi isso que eu fiz quando você cho...
- você prometeu que não ia me julgar pelos meus atos ontem – o interrompi.
- você acreditou? – ele riu. Estremeci, não sei o que houve, mas aquilo havia me irritado profundamente – fez bem – ele continuou antes que eu o mandasse ir embora. Respirei fundo.
Justin era idiota, mas não a esse ponto de prometer algo que não fosse cumprir.
- De dez palavras que você fala, onze não fazem sentido – pausei – você não faz sentido.
- você que não faz – ele abocanhou um punhado de doritos, dessa vez, sem nutella – olha você – ele falou com a boca cheia, quase cuspindo as partículas que se encontravam em sua boca.
- Argh – falei fazendo cara de nojo.
- você já fez coisa pior – ele riu com a comida ainda em sua boca.
- sim – concordei – conhecer você.
- você não consegue passar um minuto sem me ofender? – falou, agora com sua boca limpa e vazia.
- consigo – ri dele – mas, não quero.
- não preciso – balançou os ombros – eu sou o Justin Bieber e você, quem é mesmo?
- não importa se você é famoso, isso não muda o quão oco você é por dentro – afirmei comendo mais um pouco.
- fazer o que – ele me olhou sério e depois de alguns segundos, já estava rindo.
Nunca havia parado pra pensar, mais a gargalhada de Justin me fazia querer sorrir.
- O que acha de ir a outra festa hoje? – ele voltou seu olhar pra frente – sem piscinas, eu prometo.
- não quero... isso não é pra mim, Justin.
- admitindo que é uma pobre, favelada, sem teto e que nunca foi a uma festa? – falou rindo, o fuzilei com os olhos e ele pareceu se conter.
- não, retardado mental – puxei o saco vazio de suas mãos, logo após, pegando o pote e partindo em direção a cozinha – só não gosto de ir a lugares assim, ah, você entendeu – bufei voltando ao sofá.
- então vamos a um... – ele pausou – restaurante comigo hoje.
– não sei, não quero sair...
- você prometeu – ele me interrompeu antes que eu continuasse.
- prometi que ia parar de fumar, não de sair com você – retruquei.
- sky, preste atenção, é a única vez que você vai me ouvir pronunciar essas palavras... – ele parecia realmente sério.
- sim – arqueei as sobrancelhas.
- por favor – ele falou tão rápido que mal ouvi.
- que? Não consegui ouvir, desculpe, pode repetir? – falei já rindo, porém, a face de Justin continuava sem expressão. Era como se não fizesse parte dele pedir “por favor”.
- você tá me tirando, né? – ele rolou os olhos e falou – por favor – falou lento, mas baixo.
- Justin, fale direito – falei já irritada.
- por favor, sky, que merda!
- que merda? Merda o que? Não era...
- por favor – ele me interrompeu – por favor, Sky, saia comigo hoje á noite – ele falou normalmente, sem ser rápido e nem baixo – ri dele que provavelmente, ficara sem entender meu ato.
- hm – parei aos poucos – vou pensar no seu caso – curvei os lábios.
- o que porra? Eu falei por favor, mais de uma vez, e você diz que vai pensar? – ele se levantou.
- acalma aí, garanhão – o olhei com desdém.
- você tem noção de quantas garotas queriam estar no seu lugar?
- então porque você não convida elas em vez de mim? – havia acertado em seu ponto fraco, percebi pelo seu jeito, ele pareceu nervoso.
- você não é igual a elas – ele falou sem pensar e antes que eu falasse algo, ele prosseguiu – não que isso te faça melhor, é que você... – pausou – não se atira pra cima de mim, você é diferente porra.
- me comoveu – coloquei a mão no peito fingindo se emocionar.
- deixa de graça, sky – ele se apoiou no braço do sofá – você sabe do que eu to falando.
- sei...
- então – ele pareceu esperar por uma resposta – você aceita?
- aceito – rolei os olhos e levantei indo até a porta – pode ir agora.
- já comi mesmo – ele falou andando até a porta, mas antes de partir, se virou.
- Sky...
- O que foi, Justin?
- Agora, eu que digo – pausou – não esqueça da sua promessa...
Fale com o autor