Strange Love.

3 But if i don't want?


Notas iniciais
obrigada pelos reviews!!! ♥

Chegamos em frente ao meu trabalho, ainda faltavam quarenta minutos, o que era um bom sinal. Sai do carro – sim, do carro de Justin, qual é, a dor em minha perna era mais dolorosa do qualquer outra dor que já senti em toda minha vida — ainda mancando e com aquela faixa branca enorme na minha testa, horrível, era assim que eu estava.

– Não, você fica – falei antes que Justin entrasse – você não tem que me seguir, você não tem que ficar comigo vinte e quatro horas por dia, na verdade, você não tem que ficar comigo nunca – terminei bufando e ele deu de ombros se virando e entrando no carro. Nem se despedir ele o fez, saiu com o carro disparado sem nem olhar pra trás. Deveria ficar feliz, mas estranhei quando senti meu coração apertar.

– Sky! – a atendente de ontem sorriu ao meu ver – Ah, querida! O que houve? – ela correu até mim, passando a mão em meu curativo.

– Eu fui atropelada ontem – disse tirando sua mão disfarçadamente de minha cabeça.

– E porque veio hoje? – ela suspirou – não precisava, você sabe que...

– Sim, sei – a interrompi – mas, eu realmente preciso desse emprego – fui mancando até o balcão despejando minha mochila na mesma.

– entendo, mas veríamos isso depois – ela falou suavemente.

– está tudo bem, obrigada, eu vou tentar – sorri pra ela acabando com o papo. Peguei as instruções com ela e descobri que seu nome era Bethy, tinha 29 anos e tinha uma filha que se chamava Boonnie – motivo por ela me mimar tanto, ela disse que eu parecia com ela – conversamos sobre a vida dela enquanto não chegava pessoas para serem atendidas.

– Me conte de você agora – ela sorriu docemente.

– Não – balancei a cabeça – é entediante – ri tentando disfarçar o quanto era doloroso pra eu falar sobre a vida que levo.

– Vamos lá, Sky – pausou – o mais importante, te contei toda a minha vida, é sua vez.

– eu não quero, desculpe – falei olhando a porta, que por fim, foi aberta por um casal. Agradeci por aquilo, falar de mim não é tão fácil quanto parece e se é que parecia.

– deixa comigo – sorri pra ela, indo até o casal e os atendendo.

Pra minha primeira vez como garçonete, foi bastante surpreendente. Anotei seus pedidos e em pouco tempo, já estava entregando. Surpreendente não quer dizer que foi fácil, eu mal conseguia andar como alguém normal e a dor na minha cabeça não melhorou desde que cheguei. Atendi todas as pessoas pessoas e foi assim até anoitecer. Bethy me ofereceu alguma comida que não sei o que era, mas recusei. Rindo de sua inocência. Olhe só, uma drogada sentir fome. Estava cansada, confesso. Sai da loja as 18h e peguei um ônibus direto pra casa, Bethy – sim, ela – me deu alguns trocados. Era insuportável tentar mover meus pés, não agüentava mais, acho que assim que chegasse em casa, correria pro sofá e dorm... Ops, assistiria TV. Minha barriga embrulhava só de pensar em que teria que deixar meu vício para o outro dia. E esse outro dia não seria hoje, não mesmo. Pensei em como me aconchegaria naquele sofá macio e foi assim que o fiz ao chegar em casa.

Xx

– Desculpe Bethy, não queria ter me atrasado – cheguei andando quase normal dentro da loja, não havia ninguém no local ainda, o que me fez respirar de alivio.

– Tudo bem – disse e sorri como resposta indo colocar o uniforme – sim, agora eu tenho um -, havia dormido, o que eu não esperava que acontecesse, eu não sentia sono, não sentia fome, muito menos vontade de viver naquele mundo inútil, mas também não queria ir, não queria partir, não queria deixar tudo. E tudo se refere a isso que você pensa agora: a droga.

– Descanse um pouco – ela falou me barrando antes que eu fosse atender uma moça que chegara.

– Tudo bem, eu vou – falei tentando passar de novo, mas ela me trancou.

– Procure uma pasta vermelha dentro do gabinete do gerente, por favor, dá menos trabalho e vai ser melhor pra mim – ela sorriu tão docemente que se eu recusasse, me culparia.

– Tá – mudei minha direção indo até o gabinete, o gerente não estava e não fazia questão de que ele estivesse. Entrei e procurei por tal pasta vermelha. Achei-a e voltei, colocando-a em cima do balcão. O dia de hoje não foi muito diferente do de ontem, atendi as pessoas normalmente, o que foi mais um ponto positivo pra minha avaliação sobre trabalhar lá.

Peguei minha mochila rapidamente e sai, estava com as pernas cambaleando e precisava, muito, encontrar Dylan. Os trocados que haviam sobrado de ontem junto com o que Bethy me deu hoje dava pra pelo menos me sentir melhor. Fui rápido até o caminho que eu perseguia todas as noites, na verdade, desde que o idiota do Justin entrou em minha vida, eu não havia ido ali. Justin!

Não havia visto Justin hoje.

Continuei andando, mas me senti desconfortável, a sensação de estar sendo observada me tomou conta novamente. Andei mais rápido, mas era inevitável. Olhei para os lados, nada. Havia pessoas na rua, mas nenhuma delas olhava pra mim. Não eram elas, não mesmo. Corri pra dentro do beco antes que eu pudesse achar qualquer coisa que parecesse suspeita.

– Dylan! – fui até ele, respirando fundo.

– Sky – ele sorriu se aproximando, me afastei.

– Eu trouxe dinheiro – sorri e ele revirou os olhos.

– Quanto?

– Não sei – balancei a cabeça – mas o bastante pra pagar minha divida e me dar m...

– Tudo bem – ele me interrompeu arrancando o dinheiro de minhas mãos.

– O que houve, Dylan? – perguntei antes de esconder a droga em meu blusão.

– Nada – ele me olhou sério e logo depois sorriu, credo, a bipolaridade daquele garoto realmente me assutava.

– Tenho que ir – falei olhando pra trás e partindo sem esperar seu tchau. Poderia fumar ali mesmo, mas não me sentia bem fumando ali, já tentei, mas não funcionou. Sai do beco e a sensação voltou. Mas, que droga! Respirei fundo fingindo que aquilo não me afetava, que era só mais alguma coisa da minha imaginação. Enfiei as mãos dentro do blusão e andei, rápido, apressada e totalmente sem força. Mas, algo me interrompeu.

Algo me tomou.

Não vi mais nada, nem ninguém. Só os borrões, eu estava tão fraca me debater ali seria inútil. Escutei um som forte de portas batendo e foi o bastante pra abrir meus olhos e me despertar de um transe entre desmaiar ou fingir que estava bem. Era ele, era Justin.

– Porra Justin! – gritei, mas ele ligou o carro apressado pouco se importando com minha fala – Não dava pra ser mais gentil?

– É esse seu segredo! – ele gritou de volta – É isso que você faz, é disso que você vive – ele cuspiu as palavras em um tom alto, mais alto do qual eu comecei.

– O que você tem a ver com a minha vida? – falei tentando gritar, mas minha voz falhou, eu estava fraca e senti que meu corpo só aguentaria mais uma hora sem contato com o vício.

– Nada! – ele gritou ainda dirigindo, nem se quer olhou pra mim enquanto falava, mas sua raiva parecia ser tão grande, que vi as fúrias em seu olhos mesmo sem olhar pra mim – e é por isso, eu não tenho nada a ver com você, mas eu tô aqui – ele socou o volante e eu não sei por que, mas aquilo me deixou com medo.

– Justin – falei ainda com a voz alta, mas não gritando – você não é meu amigo! – o virei pra mim assim que o vi pausar o carro – você não é nada meu, você não tem que fingir nada.

– Eu não tô fingindo, caralho – sua voz continuava no mesmo tom autoritário – eu me importo com você, Sky! – ele olhou pra mim – e é isso que me deixa tão frustrado.

Permaneci calada, eu não sabia o que dizer. Procurei algum tipo de enganação em seus olhos, mas só o que vi foi a fúria. Fúria de se importar com alguém que ele mal conhecia.

– Me leva pra casa – virei meu rosto voltando a olhar pra frente – por favor – foi a única coisa que consegui falar.

– Não – ele falou, segurando meu braço – eu não vou deixar você seguir assim Sky, você não se importa com você?

– Justin – o olhei – você está me machucando – Ele ficara imóvel, com o mesmo rosto, a mesma expressão, a mesma ardência em seus olhos. Senti sua mão afroxar e ele por fim voltou com ela ao volante. Ligou o carro e deu a partida.

Chegamos em frente ao apartamento e antes que ele começasse a falar, comecei.

– Você não entende – ele olhou pra mim enquanto falava – você não pode me julgar – tentei soar forte e convincente, mas acho que falhei, novamente.

– Não entendo, porra? – ele deu uma risada irônica – olha pra você – ele voltou sua atenção a mim.

– Eu preciso! – gritei.

– Você não percebe o que essa droga tá te fazendo? – ele retrucou.

– Nós não somos amigos – falei.

– É só isso que você sabe falar? Que não somos amigos? – ele relaxou a voz junto com seus ombros.

– É só o que eu tenho pra falar – ajeitei minha blusa e dei um passo a frente esperando que ele saísse de perto, mas foi ao contrário.

– Você tem que parar – ele falou, rígido.

– Você não manda em mim.

– eu não quero mandar, quero ajudar você – ele continuou fixo.

– Recuso sua ajuda, eu já disse que n...

– Eu já entendi, porra – ele sussurrou alto – não vou deixar você morrer drogada sabendo que posso ajudar.

– que seja, não quero sua ajuda do mesmo jeito, se eu morrer, não vai fazer diferença – dei de ombros.

– você é tão teimosa quanto chata – ele curvou os lábios – deve ser por isso que não sai com ninguém.

Permaneci calada, se falasse, provavelmente iria sair merda.

– passar bem, Justin – me esquivei em direção a porta, mas antes ele segurou meu braço.

– prometa que não fará novamente.

– não vou prometer nada – tentei soltar meu braço, mas foi inútil.

– eu posso te ajudar, eu sou rico – ele falou, mas não notei nenhum tom de presunção em sua voz.

– senhor eu sou rico, recuso sua ajuda – sorri irônicamente e ele soltou meu braço.

– sky – ele rolou os olhos.

– que droga – bufei – se eu aceitar, você vai embora?

– claro — ele disse parecendo sincero.

– sim, aceito, nossa, meu deus, nunca mais fumo na minha vida, nossa justin, nossa — pausei — agora tchau – abri a porta e entrei a fechando sem esperar por resposta sua. E como sempre, ouvi sua respiração pesada e seus passos se afastando. Otário, pensei. Coloquei as mãos no bolso do meu blusão e lá estavam, intactas.

“Justin era tão idiota” Esse foi meu pensamento durante toda a viagem ao mundo surreal.

Xx


Notas finais
eu queria pedir um favor, sério, recomendem a fic :( sei que comecei agora, mas né... não faz mal mais gente lendo, faz muito bem. enfim, obrigada e não esqueçam de comentar! ♥