Straighthouse- Dangerous Bullet
1 !...: Um:...!
Notas iniciais
Momentos um tanto terríveis são inevitáveis.
Ódio é um sentimento que lhe invade.
O amor o deixa abandonado a própria sorte.
Valery sempre foi a linda e delicada moça do convento de Streetfield, aos seus quatorze anos a menina era considerada uma das mais delicadas e perfeitas meninas do lugar. Seu vestuário era elaborado com vestidos longos geralmente brancos, espartilhos apertados que lhe demarcavam as curvas. Era uma menina ousada para a época, Valery pensava em seu casamento, sempre estava a procura de um homem que desejasse se casar com uma moça sem família como ela. Mas a tarefa seria árdua, não era algo comum um cavalheiro de nome casar-se com uma menina vinda de um orfanato.
Valery vivia no ano de 1818 em Londres, como de costume da época a moça deveria casar-se cedo, por isso o diretor do orfanato padre Juan Suendetsten já estava cuidando de achar um moço para a menina.
Valery era linda, seus cabelos negros eram longos e tinham um brilho azulado; olhos verdes davam um contraste iluminando ainda mais o lindo rosto; a pele era alva, chegava a um tom semelhante ao leite e era estranhamente perfeita; seu corpo curvilíneo chamava a atenção de todos por suas formas voluptuosas. O longo cabelo negro era cacheado e volumoso, descia-lhe pelas costas como uma cachoeira na época de cheia dos rios. A menina aparentava bem mais velha do que as outras da mesma idade esse era seu diferencial.
A luz do sol adentrou no quarto, ainda preguiçoso por iluminar o dia, aqueles eram os primeiros raios de sol, os que levariam a escuridão da noite. Agora os lindos raios iluminavam o rosto de Valery como que implorando para que a menina acordasse sem que ele tivesse que forçar a barra com a luz mais forte.
Valery abriu os olhos, verdes olhos que pareciam duas esmeraldas quando expostas ao sol. Se levantou lamentando o fim de sua maravilhosa e agradável noite, Valery odiava o sol, na escuridão a menina sentia-se em casa, aquela era Valery, um segredo até para si mesma.
A longa camisola branca se arrastou pelo chão enquanto a menina se dirigia ao lavabo, delicada como uma gata folgada ela colocou a mão na água para sentir a temperatura, estranhamente agradável. Lavou o rosto e aliviada percebeu finalmente que acordara; o frio invadiu seu quarto taciturnamente. Valery foi a procura de um de seus vestidos de mangas longas, não era algo que ela gostasse de fazer, alem que ser extremamente fora de moda.
Já devidamente vestida a menina saiu de seu quarto, foi na direção da capela.
Ao chegar lá ela encontrou Juan.
− Senhor− Ela cumprimentou Juan
− Senhorita Val, tenho uma boa notícia. − Disse padre Juan levantando-se da pequena cadeira que jazia próxima ao altar − Existem alguns homens que estão interessados em casamentos, entre eles tem meu sobrinho, filho de Oxfordly; é um garoto ainda jovem, tem vinte e dois anos e está interessado em um casamento, contei-lhe sobre a senhorita e logo ele se interessou, o nome de meu sobrinho é Pietro, Pietro Lu’em De’llä Fortune Suendetsten. Ele não tem títulos, mas é um bom moço, disso eu tenho certeza. Diga-me, a senhorita se interessaria por uma proposta? Haverão bailes nos quais as moças disponíveis verão os pretendentes. Quer em uma noite encontrar-se com Pietro?
Então Valery quase pulou de felicidade, quase não acreditava que havia um homem interessado nela.
− Claro senhor!!! Quando o encontrarei?
− Logo, lhe avisarei quando houver algum evento no qual ele comparecerá. Agora vá.
Fazendo uma reverencia Valery saiu da capela, estava radiante, quase estava explodindo de felicidade.
No outro lado da cidade Pietro se divertia no Cidra Azul, um bar copo sujo de algum beco perdido pela cidade de Londres. Ele estava aproveitando seu tempo de solteiro. Pietro era um bom homem, mas às vezes fugia da linha e resolvia beber um pouco, esta noite o rapaz escolhera beber muito.
Pietro estava decepcionado em saber que o irmão Pierre viria para visitar a família. Ele tinha três irmãos, dois homens e uma mulher; os homens eram Pierre e Pablo, era bem legal quando falavam para alguém que eram o trio: Pierre o mais velho, Pietro o do meio e Pablo o mais novo. A irmã era Ana Pia, Ana ainda era uma criança, tinha onze anos e vivia com a mãe ainda.
Pietro estava nervoso, acabara de ficar sabendo que tua mãe queria casá-lo de qualquer forma, ele ainda era novo, por que não podia esperar mais para efetuar uma união de tanto compromisso? Pietro não entendia, Pierre tinha trinta anos e ainda não fora obrigado a casar; falando nele, Pierre sempre foi o mais solitário e agressivo de todo o grupo, desde de cedo Pierre vinha desvirtuando moças por onde passava. Pelo trabalho do pai quando pequenos os meninos viviam viajando por toda a província, com essas experiências os três meninos acabaram aprendendo truques importantes para a vida, eles aprenderam a malicia das ruas. Pierre sem dúvida era o que melhor tinha aproveitado as chances. Quando pequeno Pierre era um experiente ladrão, com a linda face de anjo e muito talento teatral o menino fazia com que todos acabassem querendo ajudá-lo, mas Pierre sempre conseguia mais do que ganhava pela vontade dos que paravam para ajudá-lo.
Os três meninos não eram parecidos. Pierre tinha os cabelos castanhos mel, olhos azuis, um charme irresistível até para homens; não era assim no inicio, dos anos para cá ele havia se tornado um homem extremamente atraente, sedutor... e muito perigoso. Pietro tinha os cabelos negros e olhos azuis tão intensos como os de Pierre, Pietro era mais inocente, menino e o mais calmo e paciente de todos os três. Pablo era loiro, olhos verdes e pele alva, Pablo era com muita certeza um homem que se fazia de inocente, mas ele havia aprendido muito com Pierre, na verdade os dois viviam juntos, sempre foi assim.
Os pais dos meninos sempre foram negligentes, não porque queriam, mas porque não podiam cuidar deles, viviam trabalhando para alimentar os filhos, então não tinham tempo para cuidar dos mesmos.
Porem após o nascimento de Ana eles simplesmente começaram a tomar mais cuidado. Afinal, meninas têm que ser mais cuidadas do que meninos.
Pietro levantou-se da cadeira, quase caindo de bêbado. Seu equilíbrio realmente tinha sido afetado desta vez. Ele cambaleou de um lado para outro, então começou a cair. Tropeçou nos próprios pés e caiu.
Felizmente ou infelizmente ele foi segurado, segurado por alguém. Não sabia quem era, mas se segurou forte, ele definitivamente não queria cair novamente. Pietro levantou a cabeça e logo percebeu o erro que cometera.
− Boa noite Pietro. Nossa, afogando suas magoas em bebida, e eu que sempre achei que você fosse o irmão bom. − Disse Pierre.
− Pierre − Pietro vociferou. Pietro podia estar até mesmo bêbado, mas ele sempre odiaria Pierre, estando sóbrio ou não.
− Pietro! − Disse Pierre com um feliz sarcasmo − Quanto tempo não? Ora, ora, vejo que você também mudou um pouco, agora bebe e anda com estas roupas esfarrapadas como um mendigo. O que houve, mamãe parou de cuidar de você para cuidar de Ana Pia?
− Cale a boca seu inútil − Pietro levantou o braço para dar um soco em Pierre.
− Parem moçinhas!!! − Pablo apareceu do nada, segurou a mão de Pietro. Sua força para segurar aquele soco tão facilmente encantou Pietro. − Que tal se as senhoritas se sentassem e conversassem como criaturas civilizadas − Sugeriu Pablo ainda sarcástico.
Os três se sentaram na mesa onde Pietro estava sentado com tua solidão anteriormente.
− Viemos visitar a mamãe − Disse Pablo percebendo que não havia forma de reconciliar os outros dois que permaneciam de cara fechada um para o outro. − Pietro, estas bem?
− Sim... − Respondeu Pietro com a fala embaralhada.
− Acho que não vale conversar com um bêbado. − Disse Pierre com desdém
− Acho que não vale a pena conversar com vampiros− Pietro disse agressivo.
Pierre pulou sobre a mesa e caiu em cima de Pietro. Ele jogou o irmão no chão, como sempre Pietro não teve como se defender; Pablo correu para ajudar Pietro, Pierre rosnava cheio de ódio. Com muito trabalho e a ajuda do desesperado dono do bar Pablo conseguiu separar os dois; claro que todos foram expulsos do estabelecimento. Pablo puxou Pietro para um beco.
− Seu lesado! − Pablo deu um tapa na cara de Pietro− Sabe que não pode falar esse segredo na frente de outros!!! Sabe que nos somos vampiros mas não ouse falar isto na frente dos humanos, se fizer isso novamente eu deixo Pierre matá-lo! Seu idiota, sabe que isso nos coloca em risco. Pierre havia algum caçador por perto?
− Não, para a sorte do idiota aí. Vou te matar um dia seu... Desgraçado! E bem que podia fazer isso agora não é? Seria bem legal amassar esses seus ossos.
Pietro ainda leso pela bebida finalmente percebeu o que tinha feito. Tinha falado em voz alta o segredo da perfeição de seus irmãos. Ele abaixou a cabeça, e como sempre fazia quando errava disse: − Desculpem-me. − Disse ele abaixando a cabeça.
Pierre olhou para ele, então se lembrou do porque sempre teve raiva de Pietro. Pietro era o querido de todo o grupo, ele era certinho, vivia na linha, sempre que errava e machucava alguém ele pedia desculpas, era a ovelinha da família; isso enquanto Pierre era a ovelha negra. Pierre sentiu compaixão, tanto Pietro era o certo como era o excluído, ele havia acabado sozinho após a união de Pablo a Pierre. Era estranho, era um situação terrível. Pietro sempre foi o mais sensível de todo o grupo, vivia doente, fraco, e depressivo. Era triste na concepção de Pierre.
− Pietro... Você quer ser um de nós? − Perguntou Pierre calculista.
Pablo olhou para Pierre assustado, “O que ele está fazendo?!” ele se perguntou desesperado. Já Pietro olhava estático para Pierre, ele não conseguia entender o que ele estava fazendo, confuso ele foi bem direto.
− O que vai me pedir em troca?
− Nada... Nada, se quiser... mas vai ter que nos seguir. Está disposto a abandonar esta vida? O silencio inundou o espaço. As palavras saíram da boca de Pietro quase que inaudíveis.
− Sim... eu quero.
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