Strada Per L'inferno
48 Tempestades
Notas iniciais
Liguei o chuveiro e encostei-me aos azulejos frios enquanto uma onda de vapor começava a espalhar-se pelo box. Fechei os olhos sentindo meu corpo molhando-se. Pensava em tudo que vinha passando. Desde a mudança da Itália até a última briga com Aaron.
Quantas brigas tivemos desde que passamos a viver juntos? Foram tantas que eu sinceramente não sabia. A única coisa que tinha certeza era que cada uma deixou uma marca em mim. A cada briga com Aaron, algo mudava dentro de mim. E desta vez não foi diferente.
Eu tive a coragem de fazer o que certamente não faria sem seu estímulo. Porém passado o primeiro êxtase e acalmado a minha decepção e raiva dele, começava a repensar a minha escolha. Não me arrependia, mas temia as consequências. Caso Colin aceitasse, caso não. Seja qual for o desenrolar, haverá tempestade.
E de tempestades, eu já não aguento mais.
O que anseio agora é a calmaria, mas está parece nunca vir. Nunca chegar. E quanto mais analisava minha história com Aaron, mas achava que isso nunca chegaria. Não a calmaria total. Talvez um dia ficássemos em paz, mas em um mar com ondas leves que ameaçassem virar o barco sem nunca realmente o fizer.
Ouvi o barulho do box abrindo e vi Aaron na porta do mesmo. Seus olhos percorreram todo meu corpo, vidrados. Seu lábio inferior era surrado pelos dentes. Desci o olhar por suas roupas e notei o volume crescente em sua calça. Quando o preto cruzou com o azul, senti a eletricidade percorrendo-me. A mesma eletricidade maliciosa que o tomava na porta do box desde que o abrira.
Sem tirar os olhos dos meus, ele retirou os sapatos e as meias fechando a porta a sua passagem. Não o impedi. Nem de entrar ou muito menos de se aproximar e me prensar contra a parede. Sabia o que ele queria e eu queria também. Sabia onde ele queria chegar e eu queria chegar também. Ele poderia ter sido um bruto e um idiota comigo na noite anterior, mas palavras não resolveriam as coisas. Não com Aaron. Com ele só havia um modo de conciliação e por acaso eu estava me viciando nele.
O vapor quente era visível e as gotículas provocadas pelo mesmo desciam pelas paredes. O corpo de Aaron estava gelado, ainda que o vapor o abraçasse de bom grado. Ele estava embaixo do chuveiro agora e as poucas peças de roupa que restavam encharcavam-se e grudavam em sua pele.
Ele pegou em minha cintura e puxou meu quadril para frente, colando-o a sua ereção. Seu suspiro alto encobriu o meu. Fechando os olhos, encostou a cabeça em meu ombro, beijando-o.
– Você me deixa doido, Lane. – admitiu num sussurro entre os beijos e chupões. – Eu não consigo te olhar sem pensar coisas pervertidas e em te foder de todas as maneiras possíveis. Você me viciou no seu corpo e eu não sei como parar.
– Então não pare.
Ele levantou a cabeça, olhando-me surpreso por rápidos segundos. Não rápidos o suficiente para que eu não repetisse, no entanto:
– Não pare Aaron. Me fode aqui e agora. Me deixa viciar mais no seu corpo também.
Sabia que era insanidade e procrastinação minha pedir isso para ele. Sabia que evitava o inevitável e que não mais tardar não poderia mais fazê-lo. Mas naquele momento eu não queria ser a Lane responsável e boazinha. Eu queria ser a Lane sob a influência de Aaron. Queria agir inconsequentemente e fazer o que dava na telha. Queria sexo selvagem e quente embaixo do chuveiro como a forma de dizer que queria o nosso normal de volta. Não queria desculpas ou promessas que nunca ouvira de que "essa é última vez”. Só queria ele, seu corpo e seu poder de fazer qualquer briga virar sexo.
Ele não esperou um terceiro pedido para beijar-me com força e urgência. Meus ombros bateram contra os azulejos e suas mãos subiram minhas costas a fim de agarrar meus cabelos molhados entre os dedos. Ele os tinha em massa e agarrava-os como a corda salva vidas no meio do naufrágio. Esparramai minha mão em sua nuca e ombro, puxando seus cabelos e apertando a pele firme.
Sua mão desceu por minha coxa, alisando e apertando brandamente a pele. Ele deslizou a mão até um pouco acima do joelho, puxando a perna por alto e entrelaçando a sua cintura. O gesto colou mais nossas virilhas e pude sentir o volume sob as camadas de roupas ensopada. O contato me agoniava. A jeans era áspera contra minha intimidade e eu não a queria: queria a pele quente e macia por baixo dela.
Encaixei minha mão entre nós durante um beijo acalentado e puxei a barra de sua camiseta para cima. Ele entendeu minha intenção e afastou-se rapidamente para tira-la. Eu trabalhei em seu zíper, abrindo a calça. Ele olhou para minhas mãos nas laterais da peça e ergueu uma sobrancelha. Entendi como um consentimento para continuar. Empurrei as últimas de roupa de seu corpo para baixo e ele terminou de se livrar delas. Chutando-as para o lado, ele içou-me em seu colo. Minhas costas voltaram a se chocar na parede enquanto ele invadia-me sem cerimônias.
Sua boca colou-se a minha, obrigando-me a abafar o alto gemido que soltaria. Sua boca mexia na minha boca com calma e sensualidade, mas aquela pitada de urgência que estava pairando acima de nós. Cravei as unhas em seus ombros e agarrei seu cabelo, puxando-o para beijar meu pescoço e clavícula. Ele ia e vinha dentro de mim com força, mas não me incomodava. Queria isso mesmo.
A água caia sobre nós fazendo a temperatura parecer ainda mais elevada. Meu corpo já quente se aqueceu mais quando seus lábios fecharam-se em torno de meu seio. Encostei a cabeça à parede e arranhei suas costas e tracei seu abdômen e os gominhos do mesmo. Sua boca foi substituída por sua mão e seus lábios pararam em minha orelha.
– Você é tão gostosa, Lane. Seu corpo é tão perfeito e gostoso. Adoro como ele se contorce para mim quando te toco. Adoro como te deixou maluca com um simples toque. Você é tão minha. Tão e somente minha.
Suas palavras saíram entrecortadas, ofegantes. O desejo era inegável e isso só me deixou ainda mais molhada. Ele entrava e saia lentamente enquanto as dizia, torturando-me ainda mais. Cravei as unhas em seu abdômen, gemendo sem folego quando seus lábios envolveram meu lóbulo.
– Diz para mim que é minha, amore mio. Diz para mim.
– Sou sua, Aaron. – disse em uma lufada de ar.
Senti-o puxar meus cabelos. Abri os olhos e encontrei suas pupilas dilatadas, misturadas com o negro de seus olhos. Amava o jeito que elas se misturavam quando ele exalava luxuria. Luxúria que exalava de mim também e preenchia o banheiro.
Luxúria nos compunha essencialmente no momento.
– Repete para mim.
Ele entrou com força e fechei rapidamente meus olhos suspirando.
– Eu sou só sua. Lo sono solo tua, Aaron.
O rastro de um sorriso passou por seus lábios antes deles estarem nos meus. Seu beijo era lento e rápido; violento e pacifista; carnal e amoroso. Ele pegou em minha mão e levantou-a no alto, segurando-a forte. Ele aumentou a velocidade das entocadas. Sentia-me perto do ápice e sabia que ele também estava. Bastaram apenas mais duas entocadas para eu gemer alto em sua boca, apertando ainda mais os olhos. Afastei-nos para poder gemer em toda minha plenitude enquanto ele mordia meu ombro sob grunhidos. Nossas mãos apertaram-se tão forte que não duvidava que pudessem quebrar-se. Ele, numa lufada de ar rápida do ultimo momento do ápice de seu orgasmo, disse meu nome.
Lane.
Soou como uma pequena ladainha. A mais perfeita delas em seus lábios.
Amoleci meu corpo e cai com a cabeça em seu peito. Ele continuou dentro de mim, sem se mexer. Seu peito subia e descia rápido contra o meu. As respirações eram tão altas e desesperadas que audíveis mesmo sob o fluxo intenso de água que caia sobre nós. Fazia um cafuné, distraída, em sua nuca enquanto sentia o cheiro molhado dele com o meu e de sexo no ar. Sua mão envolvida com a minha desceu-as lentamente e me afastei para ver seu rosto. Seu cabelo estava todo molhado e despenteado, fazendo gotas escorrerem por seu rosto. Seus lábios estavam um pouco inchados e avermelhados. E seus olhos eram o enigma que se tornara meu favorito.
Ele me encarou por um tempo em silêncio antes de suspirar e se afastar de mim, fazendo-me sair descer colo.
– Eu preciso acertar umas coisas na boate...
– Me deixa ir com você.
Ele me olhou rápido, do jeito que fazia quando falava algo "absurdo". Mas seu olhar irritado e sarcástico não estava ali. Mas sim uma nuvem de incerteza. Ele passou a mão nos cabelos e balançou a cabeça.
– Eu não sei...
– Por favor.
Me aproximei dele e coloquei a mão em seu peito. Ele abaixou os olhos para mim, pousando as mãos em minha cintura. Seus polegares faziam círculos em minha pele.
– Você irá se comportar?
– Aaron, eu não tenho cinco anos. Eu te disse isso... outro dia. – engoli em seco.
Não queria relembrar de nossa briga e muito menos que ele o fizesse. Ele revirou os olhos.
– Lá terá velhos babões que...
– Morrem de medo de você. Será seguro. Aquele é o seu lugar.
– Eu sei. Só ia dizer que eles vão ficar te secando como se você fosse uma das putas.
– Mas não sou. Sou só sua. Lembra? – arqueei a sobrancelha.
Ele assentiu, suspirando. Acaricie sua nuca com meus dedos, esperando calma por sua resposta. Sentia que tinha ganhado a batalha.
– Tudo bem. Você pode ir.
Sorri radiante e beijei-o agradecida. Ele foi pego de surpresa, mas enroscou-se logo com minha língua e tirou meu ar. Sua mão desceu para minha bunda e arfei em sua boca. Afastei-o, olhando feio enquanto ele sorria.
– Agora vamos tomar logo um banho antes que eu mude de ideia e decida batizar as áreas de casa que ainda faltam.
Ri suavemente balançando a cabeça e virei-me de costas a ele. Ele jogou suas roupas para fora do box e tomamos, enfim, o banho embaixo de carícias e risos.
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