Strada Per L'inferno
39 Só não quero ficar sozinha
Notas iniciais
Sentei na cama após revirar-me diversas vezes sem conseguir dormir. Olhei no relógio e bufei ao ver que só passara cinco minutos desde a última vez que checara. Ainda eram quatro da madrugada. Fechei os olhos, passando os dedos no cabelo embaraçado e pensando.
Estava agitada com esse convite de Callum, pela reação e palavras de Aaron, pela volta de Miranda, pelas questões mal resolvidas com minha família e com minha relação indefinida com Aaron. Tudo estava dando um emaranhado em minha cabeça e nem por um segundo eu conseguia deixa-lo de lado para relaxar. Abri novamente os olhos e olhei para o lado. A cama estava do mesmo jeito desde que deitei: vazia. Aaron não subira para o quarto, embora tenha feito promessas de que sim. Ele permanecera no escritório.
Ele estava tenso, eu sabia. Tentamos disfarçar, no entanto, para que Miranda não desconfiasse de nada. Sorrimos, conversamos e comemos antes dela deitar-se cedo alegando cansaço. Confesso que senti um alivio ao desaparafusar o sorriso insincero de meu rosto ao vê-la subindo as escadas e desaparecendo no corredor.
Levantei-me sem pressa, prendendo meu cabelo com um elástico no criado-mudo. Não me preocupei em pegar meu roupão de seda ou calçar uma pantufa: saí do quarto de pés descalços e corpo quente contra a corrente gélida típica da casa. Desci pelas escadas dos fundos encontrando a cozinha inundada pelo luar. Passei reto pelo cômodo, seguindo para o escritório. A porta estava fechada, mas a luz acessa vazava por debaixo. Bati duas vezes antes de colocar a cabeça para dentro. Aaron estava com a arma apontada para mim, sentado em sua cadeira. Arregalei os olhos, perdendo o fôlego. Suspirando cansado, guardou o objeto no cinto.
– Pensou que eu fosse alguma assaltante? – coloquei-me para dentro da sala, depois que ele não manifestou nenhuma obstrução a minha entrada.
– Um inimigo. – deu de ombros, olhando a tela do computador.
Ele apertou uma tecla no teclado e encostou-se a cadeira, olhando-me. Ele tinha uma aparência cansada e suas olheiras só confirmavam que ele não dormira um minuto sequer.
– O que você está fazendo aqui acordada, Lane?
– Eu não consigo dormir. – admiti mordendo o lábio. – Então vim até aqui vê-lo. Você disse que ia deitar, mas não apareceu...
– Eu estou trabalhando. – disse sem emoção.
– No que? – perguntei interessada, aproximando-me de sua mesa.
– Acho melhor você voltar pro quarto... – suspirou cansado, jogando a cadeira para trás.
– Eu já disse que estou sem sono. – rebati parando em sua frente na mesa.
Sabia o que estava por vir.
– Então suba e fique contando carneirinhos até ele vir ou que bata no relógio uma hora apropriada para você descer.
– Pare de ser grosso. Eu não vou te atrapalhar.
Aaron não mudou um milímetro de expressão com minha leve irritação. Suspirei, diminuindo o tom de voz e cruzando as pernas com o olhar baixo ao admitir:
– Só não quero ficar lá em cima sozinha.
Aaron jogou a cabeça para trás, massageando as têmporas. Levantei os olhos, mordendo meu lábio numa má mania.
– Tudo bem. – bufou voltando a olhar-me. Abri um sorriso. – Mas se começar a encher o meu saco, eu te arrasto até lá em cima pelos cabelos.
– Prometo que serei boazinha.
Dei a volta na mesa, beijando sua bochecha. Aaron olhou-me estranho e notei minha reação espontânea. Recuei um pouco envergonhada.
– Mas então... – coloquei as mãos na cintura, olhando o computador. – No que está trabalhando?
– Estou vendo um vídeo de uma das minhas boates. – apontou a tela do computador.
Havia uma imagem congelada. A imagem era em preto em branco, mas de uma incrível nitidez. Era claramente uma boate, onde havia mulheres dançando para homens e pessoas bebendo em um bar ao fundo da cena.
– O que tem de tão especial nesse vídeo?
– Mostra a invasão a essa boate a uma noite atrás.
– Posso ver?
Perguntei esperançosa, contendo um sorriso e uma carinha de pidona. Ele não curtiria.
Aaron deu de ombros e apertou o enter. Aproximei-me de sua cadeira, sentando no braço da mesma. Aaron acelerou a fita e tudo começou a acontecer rapidamente. Uma hora tudo estava normal e em outra havia fogo em toda parte.
– Quantas vezes viu esse vídeo? – virei meu pescoço para encara-lo.
– Umas cem.
Ele coçava os olhos e bocejava. Em sua mesa, o copo de bebida estava vazio. Ele cheirava a bebida. Dei uma rápida olhada para sua mesinha ao canto e a garrafa de uísque estava vazia. Havia também umas latas de enérgico vazias também.
– Por quê?
– Tem alguma coisa que eu estou deixando passar. Tenho certeza. – olhou para a tela.
Seu rosto tinha um misto de concentração e irritação.
– Posso ver de novo? Desde o começo?
Assentiu e voltei a olhar a tela. Aaron regrediu o vídeo todo e inclinei-me mais para a tela. Surpreendendo-me, ele puxou minha cintura e sentou-me em seu colo. Olhei-o de sobrancelhas arqueadas e ele prestava atenção ao vídeo, dando inicio a ele novamente. Fiz o mesmo, concentrando-me nas imagens. Passou-se cerca de dez minutos sem nada demais. Até que...
– O que aquela dançarina está fazendo?
Apontei a uma dançarina ao canto esquerdo movimentando-se na frente de uma mesa com um homem sentado. Ele bebia e observava-a e poderia se dizer que ela dançava para ele. Mas uma dançarina de verdade saberia que não.
– Prostituta. – corrigiu-me sem entusiasmo. – E presumo que esteja dançando.
– Não. Ela não está. – neguei continuando com os olhos fixos na tela. – Pare o vídeo.
Aaron o fez, um pouco descrente nas palavras que iria ouvir. Virei-me para ele e apontei a tela.
– Os olhos dela não estavam nele enquanto ela se mexia e seus movimentos eram muito direcionados a um lado só. Muito para a direita dela. E olha, os braços dela se movimentam na mesma direção. É como se ela apontasse alguma coisa para ele.
Aaron analisou a imagem e deu play novamente. Após mais um minuto observando exatamente o que eu falara, ele bateu na mesa de punho fechado e pausou de novo.
– Esse cara ali no fundo – apontou a um homem que acabara de surgir ao fundo da imagem, olhando para a dançarina. –, é um segurança da boate. Ele foi um dos únicos que saiu praticamente ileso. Ele só pode estar mancomunado com o Callum.
Assenti e o vídeo rodou de novo. No instante seguinte, o homem que observava a dança olhava para o segurança. Eles trocavam o olhar e o cliente pegou o celular. Após alguns cliques, ele movimentava a cabeça a cabeça olhando para a dançarina. Ele parecia forçar-se a olhar para ela, o que leva a crer que assentia para o segurança.
Aaron voltou a pausar o vídeo e deitou a cabeça no encosto da cadeira. Sua mão na mesa voltou a soca-la. Desta vez ele não se contentou com uma batida. Seu punho deu repetidas investidas e quando o copo caiu e rolou para seu fim estilhaçado no chão, decidi intervir.
– Aaron! – pousei as mãos em seu rosto.
Ele respirou fundo, parando. Acariciei sua face e seus cabelos e senti-o relaxar sob mim. Quando ele abriu os olhos, via a frustração e a irritação. Ele mordeu os lábios e bufou a plenos pulmões.
– Como eu deixei passar tudo isso?
– Você está cansado, Aaron. Não é nenhum crime...
– Não, Lane. Isso é importante.
Ele ajeitou-se e olhou fixo para a tela. De maneira rude e odiosa. Tirei minhas mãos de si, já não as vendo como bem vindas.
– Aquele cliente é um capanga do Callum. Eu tenho certeza. Ele deve estar de complô com a prostituta e o segurança. Ele deve ter dado o “ok” do chefe nessa hora para o segurança, permitindo a entrada dos filhos da puta para incendiaram o local. Mas os caras não entraram com galões de gasolina na mão, porque isso geraria suspeita logo de cara. Então eles só podem ter escondido dentro da própria boate e com a ajuda dessa puta.
Assenti, sem saber bem o que falar. Ou se devia falar. Aaron bufou mais uma vez, passando a mão no rosto e minimizando a tela. Ele pegou o celular em cima da mesa.
– Eu preciso falar com os garotos sobre isso.
– Não.
Entonei em alto e bom som, pegando o aparelho de suas mãos. Ele olhou-me surpreso e irritado.
– Você está cansado, Aaron. E os garotos devem estar dormindo ou fazendo sabe se lá o que há essa hora. Tudo menos pensando em trabalho. Então você vai dormir nem que seja por uma hora e depois você pensa em contar o que quer a eles.
– E o que te faz pensar que eu vou te obedecer? – levantou a sobrancelha.
– O fato de que se não fosse por mim, você não teria descoberto nada.
Aaron molhou os lábios e não me respondeu. Seu olhar, no entanto, dizia tudo. Ele estava com raiva porque meu argumento fora válido. Empurrou a cadeira para trás e eu saí de seu colo com o aparelho ainda em mãos. Ele olhou-me ainda enraivecido por ter de obedecer-me e levantou-se.
– Meu celular. – estendeu a mão.
– Só vou te devolver depois. E nem tente me persuadir do contrário. – cruzei os braços com o objeto firme em mãos.
Riu de pelo nariz.
– Você é teimosa.
– Sangue italiano, amore. – sorri debochada. Aaron assentiu com um sorriso cansado.
Esperei-o desligar o computador e dar a volta na mesa, espreguiçando-se. Era possível ouvir suas juntas estalando. Sua camiseta subiu um pouco e revelou parte de seu tanquinho. Prendi-me àquilo, não notando minha boca escancarada. Sua risada despertou-me.
– Você tem que ser mais discreta, amore mio.
– Como se você fosse. – revirei os olhos.
Aaron sorriu. Aquele sorriso malicioso com mistério.
– Eu sou discreto, Lane. – aproximou-se sem pressa. – Eu te sequei a noite inteira nesse pijama curto e você nem sequer reparou.
– Quem disse?
Arqueei a sobrancelha, tentando passar a impressão de confiante quando estava surpresa com sua revelação.
– Sua reação. Eu sou boa em ler as pessoas. E você é como um livro aberto. – parou em minha frente.
Subi os olhos, controlando-me para não engolir em seco.
Aaron sempre estava a me surpreender.
– Então o que eu estou pensando agora? – sussurrei esforçando-me para não vacilar.
Ele deu um passo para frente, ficando tão próximo que nossas respirações cruzavam. A minha começou a vacilar.
– Que você quer que eu te beije. – murmurou antes de pegar em minha cintura e fazê-lo.
Sua língua pediu passagem suavemente e concedi passando meus braços por seu pescoço. Seus movimentos eram suaves e seu hálito estava com gosto de bebida e cigarros. Soltei o celular e ele caiu no chão fazendo barulho. Nenhum dos dois ligou. Suas mãos desceram por meu corpo e ele pousou-as abaixo de meu bumbum, impulsionando-me para cima. Passei as pernas por sua cintura e as mãos por seu pescoço. Comigo em seu colo, ele andou até o sofá e sentou-se. Passei as unhas por sua nuca e seus lábios desceram para meu pescoço. Arfei quando eles sugaram com força minha pele sensível.
– Gosto do jeito que enfeito seu pescoço. – riu ao pé da minha orelha, provocando-me risos também.
Desci as unhas a suas costas, entrando por dentro de sua camiseta. Cravei-as na carne macia e puxei seu cabelo ao mesmo tempo, fazendo-o rosnar. Puxei sua cabeça e dei-lhe um beijo sedento. Ele retribuiu, apertando em minha cintura e bunda. Gemi rebolando em seu colo.
– Você joga baixo, Lane. – riu em minha boca. – Gosto disso.
– O que posso dizer? Sou casada com você.
Ele riu rouco. Levantou-se comigo e subimos para o quarto esbarrando em tudo no caminho, lixando-nos para o horário e hóspede.
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