Strada Per L'inferno
40 Proposta
Notas iniciais
– Deixa ver se eu entendi: você transou selvagemente na cozinha com o Aaron depois partiu para mais três rodadas no chuveiro e na cama e ontem, além do Aaron ter sido legal contigo, ainda te fodeu mais?
Assenti corando. Caitlin abriu a boca incrédula, piscando os olhos e balançando a cabeça. Ri baixo e ela gargalhou.
Estávamos sentadas no sofá da sala. Ela viera me visitar para ver como estava. Não nos víamos desde o dia do plano de reconciliação: desde o dia do sexo na cozinha. Era começo de noite e o sol logo iria se pôr, mas Caitlin tinha a noite de folga, por isso conversávamos com calma.
– Eu não acredito. – sorriu boba. – Pra se entenderem, só mesmo depois de um sexo bem picante. Ou melhor: depois de muito sexo picante.
– É que isso é tão... bom. – mordi o lábio e ela riu de meu constrangimento. – Ele é bom e nos damos tão bem daquele jeito. Sem brigas, discussões... Ele pode até ser carinhoso se quiser!
– Sinto cheiro de amor no ar... – cantarolou balançando-se.
Revirei os olhos, ajeitando-me no sofá. Passei a mão nos cabelos, distraindo-me com ele entre os dedos enquanto a olhava de frente.
– É sério. Eu me sinto... Bem. – suspirei. – O Aaron se transforma em outro. Ele é bruto, mas de uma maneira positiva. Ele chega a ser cuidadoso comigo. E as sensações que eu tenho quando ele me toca são... – arrepiei-me ao pensar.
Caitlin ampliou o sorriso.
– Sei como é. Odeio admitir, mas se tem alguma coisa que o inútil do Dylan faz bem é sexo. A gente ficava a noite inteira transando se desse. – comentou e dei um leve sorriso.
– E eu não sei bem, mas... Quando a gente tá na cama parece que por um momento eu vejo o verdadeiro Aaron, sabe? Não tem toda aquela frieza, o sarcasmo, o mistério... É só ele e eu. Corpo contra corpo.
– Isso parece coisa de mulher apaixonada... – cantarolou de novo.
Olhei-a rindo, negando com um aceno.
– Eu apaixonada pelo Aaron? Não. Eu posso gostar um pouco mais dele agora, mas com certeza não é amor. É...
– Sexo? – completou com as sobrancelhas arqueadas.
Assenti, embora sua expressão mostrasse descrença.
– Isso. É só algo físico.
– Aham. Sei... – sorriu insinuativa.
Revirei os olhos e levantei-me.
– Vou pegar alguma coisa para beber. Quer algo?
– Uma água. Eu te acompanho. – levantou-se e seguiu comigo para a cozinha.
– Acho que estou me tornando uma ninfomaníaca.
Suspirei, colocando o copo d'água vazio sobre a bancada. Caitlin levantou a sobrancelhas, abaixando o copo para rir.
– Aaron é um. Disso eu sei.
– Acho que ele está me infectando então...
– Deus, devolve a Lane. Eu não conheço essa. – olhou para cima, balançando as mãos para o teto. Ri, balançando a cabeça.
Ouvimos o barulho da chave na porta e vozes em seguida. Olhei a Caitlin e sabíamos que Aaron chegara junto aos meninos. Voltamos ao cômodo e eles pararam de falar imediatamente, voltando suas atenções para nós.
– Temos visitas. – comentei sorrindo suave e me aproximando de Aaron.
Ele assentiu. Pela sua expressão séria, soube que havia algo errado.
Os rapazes cumprimentaram a Caitlin e a mim. Todos estavam ali. Até Colin. Nossos olhares cruzaram rapidamente e desviei com a mesma velocidade, constrangida pelas imagens da boate que ainda queimavam em minha mente. Além do que, Aaron poderia flagrar, não gostar e fazer besteira.
– Vocês vieram para jantar? – perguntei esperançosa.
Companhia era bom para preencher aquela casa enorme e gélida.
– Nós temos que tratar de alguns assuntos no escritório, Lane.
– Ah...! – sorri sem graça.
– E precisamos que você venha, Caitlin. – Dylan completou.
– Eu? – levantou a sobrancelha.
Eles assentiram. Entreolhamo-nos e ela parecia mais surpresa do que eu. Ainda que não pudesse ter a mínima ideia do que eles iriam querer com ela.
– E Lane?
– O que tem ela? – Aaron perguntou calmo.
– Ela não vai participar também dessa reunião ou seja lá o que for?
– Não.
O tom de Aaron foi decidido e seco. Arqueei ligeiramente as sobrancelhas, sentindo por um momento a objetividade fria de suas palavras. Sem sobra de duvidas, ele não me queria presente e isso me magoava.
– Então eu também não. – Caitlin cruzou os braços.
– Caitlin, vamos tratar de... Algumas coisas. E precisávamos de sua ajuda. – Dylan ponderou.
Ele estava sério. Sério como nunca o vi.
– Tudo bem. Posso ajuda-los. Desde que minha amiga também esteja lá.
– Não tem necessidade de ela estar lá. – Aaron devolveu um tanto duro.
Senti uma pontada de tristeza. Olhei a Caitlin, colocando a mão em seu braço.
– Caitlin, não precisa. Eu vou espera-los aqui. – sorri tentando convencer a mim e a ela.
Ela, no entanto, conhecia-me melhor do que pensava.
– Tudo bem. Eu espero contigo. Não vou se você não for. – deu de ombros.
Dylan revirou os olhos e Aaron bufou, bagunçando os fios.
– Ok! Lane pode participar também. – concordou a contragosto.
Ela sorriu vitoriosa e eu tímida. Ele seguiu na frente e nos logo atrás. Os meninos fechavam o comboio. Aaron abriu a porta do escritório e sentou-se atrás de sua cadeira. Sentamos nas cadeiras em sua frente e os meninos no sofá. Dylan fechou a porta e encostou-se a parede.
– Então? O que queriam comigo? – Caitlin cruzou os braços.
– Você se lembra do Callum? – Dylan tomou frente.
– Não é o cara que estava aprontando para vocês? Que era uma espécie de rival, inimigo ou sei lá? – Dylan assentiu. – Tá. O que esse cara e eu temos a ver?
– Nada. – Aaron afirmou e as atenções voltaram a ele. Ele estava sério e seu olhar estava semicerrado. Intenso. – Por enquanto.
– Vocês serão diretos ou vão ficar nesse blábláblá?
– Há dois dias, uma das minhas boates foi incendiada. Uma das minhas melhores boates de prostituição. Eu desconfiava que fora o Callum, mas não tinha provas. Poderia ser qualquer um. Graças a Lane, eu consegui provas.
Caitlin me olhou confusa enquanto Aaron prosseguia.
– Daqui a um mês, o Callum vai dar um baile na casa dele. Muita gente importante estará lá. Senadores, deputados e até o prefeito. Gente do tráfico também estará lá. E dizem que o seu pai irá também. – olhou-me pela primeira fazendo-me engolir em seco.
– Ok. Legal. Onde eu entro no meio disso?
– Queremos dar o troco pela boate. E essa festa será a oportunidade perfeita.
– Vocês vão incendiar o lugar? – levantou as sobrancelhas.
– Não. Nós vamos roubar uma coisa muito valiosa dele. – retrucou sereno.
– O que?
– Informações sobre cargas e contas bancárias. E uma informação em especial que pode nos valer mais do que só dinheiro.
Um sorriso diabólico tomou seus lábios. Senti um arrepio na coluna. Minha curiosidade queria que perguntasse mais especificamente da informação, mas meu bom senso sabia que não tiraria nada produtivo daí. Ele não me responderia e ainda seria grosso. Em outras palavras, uma tensão seria gerada de algo bobo.
– Eu ainda não entendi onde eu entro no meio disso. – Caitlin admitiu confusa, fazendo-me voltar a ela de novo.
– Todas essas informações ficam num computador no escritório dele. Nenhum de nós poderá ir até lá no meio da festa e rouba-las porque seria muito óbvio. Precisamos, portanto, de alguém infiltrado para fazer isso por nós.
Caitlin não precisou de mais palavras para erguer as sobrancelhas e apontar para si, estupefata.
– Vocês querem que eu faça isso?
– Sim.
Ela riu. Melhor, gargalhou. Todos a olhavam surpresos ou calmos. Ela ajeitou-se na cadeira e encarou Aaron com um sorriso debochado.
– Vocês enlouqueceram. Eu sou uma prostituta; uma dançarina. Não uma bandida, infiltrada ou seja lá o nome que queiram dar.
– Sabemos disso. Por isso achamos que será mais perfeito ainda. – Aaron ponderou sem alterar-se.
– Ah claro! Porque foder com alguém sob pagamento é o mesmo do que roubar. – riu pelo nariz.
– Caitlin. – Dylan a chamou.
Ela olhou-o.
Ele aproximou-se e abaixou-se ao seu lado. Colocando as mãos em sua bochecha, surpreendi-me por ela não o rejeitar ou tentar afasta-lo. Ele olhava fixo em seus olhos e ela parecia um pouco assustada. Fosse por liberar o que sentia escondido debaixo do deboche ou pela aproximação publica de Dylan.
– Acalme-se. Eu também acho essa ideia louca, mas deixa a gente explicar primeiro qual é o plano. Depois você pode dizer o que quiser sobre ele e sair por aquela porta. Mas antes, só escute. Ok?
Ela suspirou, fechando os olhos e assentindo. Ele não esboçou o sorriso que achei que daria. Ele só levantou-se e apoiou-se contra a estante. Ela abriu os olhos, voltando-os sérios para Aaron.
– Diga qual é a ideia suicida de vocês.
– Você entraria separada de nós. Em hipótese nenhum poderia falar conosco. Estaria, no entanto, com um ponto e nos comunicaríamos com você e você conosco por ele. Em determinado hora da festa, você sumiria de vista e iria para o escritório. Lá, colocaria um pen drive no computador. Sob a orientação de Nick, passaria todas as informações do computador para ele. Não seria algo difícil, pois o pen drive já estaria com um programa que faria metade do serviço para você. Quando o processo fosse finalizado, você voltava à festa como se nada tivesse acontecido.
– E quais são as chances de algo dar errado?
– Grandes. Mas se fizer tudo certo, nada acontecerá.
– Ok. E por que eu? Há milhares de garotas... Poderia ser uma puta sua.
– Você é bonita e sabe como envolver um cara. Vestida para a ocasião, passaria fácil na porta e poderia ter na sua mão qualquer que quisesse. Além do que, ele não te conhece e você é de confiança. Minhas putas podem trabalhar para mim, mas não quer dizer que tomamos chá e trocamos segredos.
Ela mordeu o lábio, nervosa, refletindo as palavras que acabara de escutar.
– Eu namorei com Dylan. Como tem certeza de que ele não me conhece?
– Não temos. Mas as chances dele conhecê-la são mínimas.
Caitlin cruzou os braços e virou-se para Dylan. Ele a encarava, sem expressão.
– Você está de acordo com isso? Sério?
– Eu não estou de acordo com isso. Na verdade, eu neguei a ideia. Ainda nego. – disse firme, não deixando dúvidas de que dizia a verdade.
Ela voltou a suspirar, cobrindo o rosto com as mãos por um momento.
– Eu vou pensar. – declarou enfim, olhando séria a Aaron. – Posso ao menos?
– Você tem três dias. Nós não temos tempo e você precisará de treinamento, por segurança.
Ela concordou num aceno rápido e levantou-se. Eu a imitei. Ela andou para a porta e abriu-a, saindo sem me esperar. Segui-a, parando antes de encerra-los no cômodo. Olhei para Aaron. Ele estava me encarando. Quando nossos olhares cruzaram, minha pergunta foi respondida. Engoli em seco e fechei a porta, saindo à procura de Caitlin.
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