Notas iniciais
Alô, Alô Terezinha... Sentido, cadê você? hahaha. Não liguem, eu só queria ser diferente na minha saudação inicial desta vez. Vocês repararam que fui rápida, né? Bom, nem preciso dizer que fui OPRIMIDA a isso. hahahaha. Nem vou citar nomes, mas... Brincadeiras a parte, cá estou com um capítulo novo. Ele não tá lá essas coisas, porque eu perdi-o e tive que reescrevê-lo, mas eu consegui chegar a um meio termo do que era antes e do que seria depois das mudanças que eu tinha planejado fazer nele. E atenção que esse capítulo tem trilha sonora: "Out of the Woods", Taylor Swift. Acho que casa bem com esse capítulo e a montanha russa emocional dele. Ou bipolar, se preferirem. Eu avisarei quando vocês devem começar a escuta-la. http://minilogs.com/egldkw0 Godere P.S. Capítulo dedicado a anna H. Obrigada pela recomendação, querida. Eu que agradeço pela paciência comigo e pelo amor para com minha história. E tenho fé de que esses dois acabam juntos sim.

Aaron saiu do banheiro e meus olhos desviaram-se imediatamente para ele. Não conseguia esconder minha inquietação e muito menos fingir prestar atenção à televisão, pausada em um canal aleatório.

Havia gotículas de água correndo por seus braços, nuca e peitoral provenientes do cabelo encharcado. A toalha estava enrolada na cintura. E por mais que a visão de seu corpo seminu fosse um convite a devaneios, meus olhos urgentes estavam em seu rosto. Ele levantou-o após parar de espalhar gotas pelo quarto e seus olhos cruzaram-se com os meus. Ele bufou e revirou os olhos.

– Você é chata pra cacete. – murmurou entrando no closet.

– Eu não disse nada.

Peguei o controle e desliguei a TV. Seu barulho antes indiferente começava a incomodar-me.

– Você não fala, mas esse seu olhar é infernal. É pior do que se você não calasse a boca.

– Desculpe-me, mas você vem me enrolando o dia todo. Eu estou nervosa.

Encostei-me ao portal do closet. Observei-o, como não parava de fazer a um bom tempo. Ele agora vestia uma boxer e uma calça de pijama preta. Era raro vê-lo com roupas mais coloridas.

– Não posso imaginar o quanto deve estar nervosa, amore mio. – debochou jogando a toalha em um canto qualquer.

– Você é um grosso estúpido às vezes. – comentei calma.

Ele se virou para mim com um sorriso debochado e carregado de malícia.

– Estúpido talvez. Mas grosso sempre.

Revirei os olhos e ele aproximou-se rindo pelo nariz. Ele colocou seus braços ao lado de minha cabeça, apoiados pelas palmas das mãos na parede. Portanto, prendendo-me. Seu corpo estava inclinado a um passo de roçar no meu. Seus olhos negros estavam fixos nos meus azuis de modo penetrante. Minha respiração chegou aos meus ouvidos falhada.

– Que tal fazermos algo melhor do que ter essa conversa chata? – murmurou roçando seus lábios nos meus.

Perdi a razão por um instante com seu contato. Sua mão pousou em meu quadril e deslizou para minha bunda, apertando-a e empurrando meu quadril de encontro ao seu. Mas minha consciência gritou ao senti-lo dar sinal de animação.

Eu não cederia. Não antes de ter a conversa que esperei o dia todo para ter.

– Que tal termos essa conversa chata e depois fazermos o que você quiser? – murmurei com o som da minha respiração quando seus lábios encontraram meu pescoço.

Aaron voltou a virar impaciente e afastou-se mal-humorado.

– Você é mesmo chata pra cassete.

Suspirei, fechando os olhos e relaxando o corpo. Ouvi a TV de novo e voltei ao quarto, encontrando-o jogado na cama mudando de canais com um braço em baixo da cabeça.

– Meu pai vai estar nessa festa? – perguntei cruzando os braços apoiada na parede.

– É o que dizem. – deu de ombros sem tirar os olhos da tela.

Ele desligou o aparelho e jogou o controle ao seu lado. Ele sentou na cama com as costas contra o encontro e me olhou.

– O único jeito de ter certeza é se você ligasse para ele e perguntasse.

Ri irônica, jogando a cabeça para trás.

– Claro. "Olá babbo, como está? Vou bem. Com saudades de você, mamma e Grace. Queria que viessem me visitar. Oh, recordo-me agora! Você virá para a festa de um traficante da cidade representar a máfia italiana, não? Aaron estará lá também."

Aaron rangeu os dentes e seu olhar não foi dos mais bonitos.

– Não brinque comigo, Lane.

Bufei, passado as mãos no cabelo. Prendi-o no alto da cabeça desajeitadamente e andei a cama, sentando na beira. Olhei-o e o mesmo olhar furioso ainda estampava seu rosto.

– Aaron, eu não posso ligar para ele. É sandice. Babbo não sabe que eu sei. Ele não sabe de você. Esqueceu?

Ele passou as mãos no rosto e respirou pesadamente. Ele pegou o telefone no criado mudo e estendeu para mim.

– Liga.

– Aaron, você ouviu o que acabei de dizer?

– Lane, pense. É lógico que você não vai perguntar se ele vai estar na cidade em algumas semanas. Você vai jogar verde: ver se ele revela algo conversando casualmente dando pequenas insinuações.

Olhei para ele e para o telefone. Ele estava firme e irritado, mas era o aparelho, inanimado e frio, que me assustava. Aaron balançou o telefone, perdendo o resto de paciência retida, e peguei-o com incerteza. Em nenhum momento olhei para Aaron enquanto discava e encostava o aparelho na orelha. Meu olhar estava fixo na colcha e minha mente longe dali.

– Ciao.

Prendi a respiração por um momento. Era babbo. Era a primeira vez que ouvia sua voz em meses. E a primeira desde que descobrira tudo. Por mais que intencionasse falar com ele, não esperava que ele atendesse. Ele nunca atendia ao telefone a não ser que fosse do seu escritório. E eu não ligara em seu escritório.

Babbo. – minha voz saiu mais baixa do que planejara.

– Lane!

Ele pareceu surpreso, mas verdadeiramente contente. Já eu não podia dizer o mesmo. Mordi o lábio, brincando com a colcha entre meus dedos. A consciência do olhar de Aaron queimando sobre mim também não ajudava.

– Como está o senhor?

– Eu estou bem. E você, belle di giorno?

– Bem. E como vai mamma e Grace?

– Bem também. Elas estão em Roma fazendo compras.

– Ah...!

– Como andam as coisas aí? Com seu marido, a casa...

– Tudo anda bem. Henry é maravilhoso. – engoli em seco, olhando-o pela primeira vez.

Ele não inflamou seu ego ou manifestou qualquer reação. Seu olhar continuou sério e atento a mim e a conversa.

– Coloca no viva-voz. – mandou mexendo só os lábios.

Assenti e afastei o telefone, fazendo-o.

– Que bom que esteja feliz, mia belle di giorno. É bom saber que escolhi bem para você.

Engoli em seco, olhando para Aaron fixamente de novo.

– Sim babbo. Mas estou morrendo de saudades do senhor, de mamma e Grace.

– Nós também, mia figlia.

– Queria tanto que vivessem ver-me. Conhecer minha casa, minha vida aqui... – comecei a insinuar, fazendo o que Aaron dissera.

– É difícil, belle di giorno. Eu estou muito ocupado e sua mãe está a toda com preparativos do festival da cidade. E Grace está em pleno período de aulas.

– Eu sei. Henry anda muito ocupado com o trabalho também. E eu não posso deixá-lo.

– Eu entendo.

Um silêncio pairou por um tempo e eu não tinha ideia de como tentar de novo persuadi-lo a falar o que queríamos. Aaron olhava-me impaciente, querendo que continuasse. Mas não conseguia. A conversa estava a me desgastar. Não conseguia compreender como este homem amável e atencioso que falava comigo poderia ser tudo aquilo que Aaron falara.

– Lane?

– Estou aqui. É que Henry estava a me chamar. Vou ter de desligar. Desculpe-me.

– Está tudo bem, figlia. Se seu marido precisa de ti, vá até ele. Não se prenda ao velho de seu pai.

Ri fraco, exercendo uma força para isso que duvidava que não percebesse o quão forçado fora.

– O que você está fazendo? – Aaron gesticulou furioso enquanto me despedia.

Ignorei-o.

Ti amo, belle di giorno.

– Ti amo anch'io, babbo.

(Coloquem a música para tocar)

Senti um bolo em minha garganta e desliguei a ligação antes de fechar os olhos e sentir as lágrimas traiçoeiras rolarem.

– Mas que porra foi essa?! – a voz de Aaron soou ao fundo, num rosnado.

Respirei fundo e abri os olhos. Ele estava em pé me fuzilando com os olhos. Seus punhos estavam cerrados e ele estava nada menos que irado. Porém eu não conseguia reagir contra sua ira.

Eu não queria brigar, eu queria ser consolada.

– Será que você poderia, uma vez na vida, ser legal e me consolar?

– Você acabou de deixar uma chance passar! Agora não temos certeza se seu pai vem ou não, e isso pode ser crucial para o plano!

– Meu Deus, Aaron!

Levantei-me e andei até ele, parando em sua frente.

– Eu sou sua mulher e estou chorando em sua frente. Será que você pode, por favor, parar de gritar e me abraçar?

Ele comprimiu os lábios, sem dizer nada.

– Meu pai é um bandido. O homem que sempre me criou para ser uma pessoa boa, justa e certa é a pessoa mais hipócritas que conheço. E eu não consigo entender isso. Isso não entra na minha cabeça. E você fica me pressionando, querendo que eu te ajude com algo que eu não sei direito. Algo que você fazia questão de me deixar fora se fosse possível.

Ele não mudou de expressão. Ficamos nos encarando por um tempo sem mudanças significativas. Aaron parecia avaliar a mim e a minhas palavras, mas não as considerava. Respirei fundo, fechando os olhos. Passei minhas mãos no rosto, limpando a trilha molhada.

Dios mio! Nem sei por que estou a chorar. – ri sem humor.

Abri os olhos e Aaron molhava os lábios.

– Acabou o show? – arqueou a sobrancelha.

Mordi a bochecha, respirando fundo. A fraqueza que sentia há minutos deu lugar rapidamente à raiva. Dei-lhe as minhas costas e nem pude me afastar antes dele me puxar para si. Fui girada e meu rosto parou a centímetros do seu. Sua mão posou firme em minha cintura e a outra em meu rosto.

– Agora é depois.

E dito isso me beijou. Resisti, mordendo seu lábio e empurrando-o. Ele me soltou, levando a mão aos lábios. O inferior estava sangrando e inchando. Seu olhar para mim foi mortal.

– Você ficou louca?!

– Eu não vou para cama com você. Na verdade, eu não quero nem deitar na mesma cama que você. Eu estou irritada contigo, Aaron! Não, melhor: eu estou puta da vida contigo.

Suas sobrancelhas estreitaram-se e um sorriso surgiu em seus lábios antes dele cair na gargalhada. Aaron ria a pleno pulmões enquanto dividia-me entre a incredulidade e a cólera por sua reação. Ele se aproximou aos poucos e acariciou minha bochecha com um sorriso enorme em lábios.

Sei così bella arrabbiata , il mio amore.

Dei um tapa em sua mão, abrindo a boca para xinga-lo com os nomes que sempre soube e nunca usei. Mas não pude, porque de novo fui agarrada e beijada a força. Sua língua entrou tão rapidamente em minha boca, iniciando um beijo urgente que não tive tempo para reagir. Quis espernear de novo e aumentar o estrago em sua boca, mas me vi envolvida em seu beijo antes disso. E não lutei contra.

Aaron era um imã e eu me via constantemente atraída até ele, voluntaria ou involuntariamente. E não havia nada que pudesse fazer. Ou que pudesse imaginar fazer.

– Que nojo. – murmurei sem ar olhando-o. – Sua boca está com gosto de sangue.

Aaron sorriu cafajeste e irresistível.

– Você vai mesmo reclamar do meu sangue depois de ter engolido minha porra na cozinha?

Meu queixo caiu, sem palavras diante das suas. Ele riu, pegando-me de surpresa ao elevar-me e colocar-me sobre os seus ombros. Gritei e ri ao cair no colchão macio. No momento seguinte ele estava sobre mim de quatro beijando-me de novo.

Notas finais
Ciao - Oi, Olá, Alô Belle di giorno - Lírio da manhã Ti amo anch'io - Te amo também Sei così bella arrabbiata , il mio amore - Você é tão bonita com raiva, meu amor Lembrando que as traduções são livre, então se errar em algo, perdoem-me. Agora pra quem tinha perguntado sobre a pergunta da Lane para o Aaron: ela não falou em voz alta o que era. Ela olhou para ele e teve a resposta por olhar. E não era bem uma pergunta, era mais uma angustia, uma necessidade de falar com ele, e ele "respondeu-a" que mais tarde eles conversariam. Como aconteceu, mais ou menos, neste capítulo. Próximos capítulos a coisa fica cada vez mais séria... A festa do Callum está se aproximando e algumas revelações também. E, ah, eu quero MUITOS COMENTÁRIOS. Cadê os leitores fantasma dessa fic? APAREÇAM SENÃO EU ME TORNAREI A FANTASMA! É só isso. Xoxo