Strada Per L'inferno
35 O mesmo de novo
Notas iniciais
Toda ação tem reação. Terceira Lei de Newton. Nunca gostara muito de física, mas uma das poucas coisas que gravara eram as Leis de Newton. E a terceira queimava em minha mente enquanto via Aaron dirigir-se a Colin. Seus olhos eram brasas vivas de uma cólera fulminante. Eu sabia que se não fizesse algo, prejudicaria alguém inocente que seu único pecado fora ser legal comigo durante toda a noite. Por isso, andei até Aaron e segurei seu braço. Sua cabeça virou-se e seu olhar atroz pousou sobre mim. Senti uma sensação há muito adormecida tomar meu ser: medo. Sentira medo de Aaron como no inicio de nossa convivência.
– Por favor. Não faz nada contra ele. Ele não tem culpa. – sussurrei suplicante sentindo um nó em minha garganta. Como dissera, a bebida estava distorcendo e ampliando meus sentimentos. E nesse momento era o desespero, o arrependimento e o medo impregnados em minha pele.
– Me solta, Lane. De você eu cuido depois. – rangeu entre dentes, ameaçadoramente.
– Vai bater em uma mulher, Aaron? – Colin manifestou-se ouvindo nossa conversa. Ambos olharam-no. Sério e ousado, assim o descreveria. Aaron cerrou mais os punhos.
– Colin, por favor, não se mete. Vai embora. Deixa-me cuidar disso sozinha. – pedi urgente. Ele não mexeu um dedo.
– Me larga, Lane. Essa é a última vez que repito. – Aaron ameaçou olhando fixo ao outro.
– Deixa Lane. Deixa. Quero ver se ele é homem mesmo para lidar com alguém do tamanho dele. – Colin debochou. Aaron fez menção de ir. Apertei mais minhas mãos em seus braços, colocando-me em sua frente.
– Por favor, Aaron. – supliquei. Peguei em seu rosto e o fiz olhar-me. Seus olhos negros estavam sem vida: só uma escuridão profunda e oca. – Eu o beijei. Eu mereço seu ódio. Não ele. Faça o que quiser comigo. Só, por favor, não o machuca. Ti scongiuro.
Seu olhar demorou-se em mim. Eu tentava manter o contato por mais difícil que fosse. Ele pareceu analisar meu pedido por alguns segundos antes de soltar-se de meu aperto. Prendi a respiração. Já o via andar até o parceiro e o desastre que temia ocorrer. Sua mão ao redor de meu braço e seu aperto firme e doloroso foi, portanto, uma surpresa.
– O que é seu tá guardado, Hunt. – mirou-o com ódio, dizendo entre dentes. Ele puxou-me para longe e olhei por cima do ombro. Colin fazia menção de seguir-nos, mas balancei a cabeça e movi os lábios para repreendê-lo. Ele entendeu, parando e observando-nos ir com os punhos cerrados.
Fomos para perto do bar. Reparei, pela primeira vez, que havia um corredor ao lado. Uma curva logo no início à esquerda desembocava em um longo caminho iluminado por lâmpadas em luminárias imitando tochas. Não se via a saída do outro lado. Só trevas. Cruzamos o corredor. Aaron dava passos largos e grandes que minhas pernas mais curtas não acompanhavam muito bem. Tropecei diversas vezes e quando cai, ele puxou-me pelo braço sem delongas, colocando-me de pé machucando-me sem ligar. Agradecia-me internamente por ter tirados os saltos. O final do corredor chegou e era um portal. A visão do outro lado era nublada por uma seda púrpura. Como na entrada para os quartos da boate. Aaron empurrou o véu para o lado e me puxou. Saímos em outro corredor. Dó lado esquerdo, a entrada que vira para o "prostibulo" quando chegara. À direita, diversas portas. Aaron puxou-me pelo corredor das portas. Ouvia gemidos, gritos, pancadas... Tudo que pudesse imaginar. Aquilo me assustava e deixava-me intrigada, enquanto a Aaron pareciam nem existir. Seu olhar de raiva ainda mortificava seu rosto. Abriu a última porta do corredor antes dele fazer uma curva a leste e empurrou-me para dentro. Cambaleei, massageando meu braço. Olhei-o e havia a marca bem avermelhada de seus dedos. Provavelmente ficaria roxo esverdeado. Ouvi o barulho da tranca e a luz foi acesa. Virei-me para Aaron.
Seu olhar ganhara uma pitada maníaca, deixando de serem opacos. Agora, tinham um brilho doentio.
– Sabe, Lane, você me decepcionou hoje. – deu alguns passos a frente, obrigando-me a dar a mesma quantidade para trás. – Hoje foi um dia muito bom para mim. O assalto deu certo e eu decidi te tirar um pouco daquela casa pensando que ambos poderíamos nos dar bem com isso. Mas estava errado.
Ele continuava avançando e eu esquivando-me. Olhava fixo em seu rosto, que adotara um sorriso frio e psicopata.
– Começou com a dança... Eu gostei tanto de vê-la no pole dance e quando estava a caminho de fode-la, você me dá gelo. Eu não gostei nada disso, mas relevei e te trouxe para cá.
Minhas costas chocaram-se contra a parede e o sorrio de Aaron aumentou. Poderia ter corrido para outro lado se logo ele não estivesse em minha frente, apoiando suas mãos a parede ao lado de minha cabeça. Ele fez uma jaula com os braços, impedindo-me de sair. Levantei os olhos para os seus, engolindo em seco. Sua satisfação louca era quase apalpável.
– Mas foi só chegar aqui e você confundiu liberdade com libertinagem. Te deixei beber, dançar; divertir-se. E o que você faz? Me corna com o Colins.
– Você não foi nenhum santo também. – joguei em sua cara. Se estava na chuva era para me molhar. E se não tinha escapatória, que levasse a pior de alma lavada dizendo tudo que queria. – Você foi além de mim, Aaron. Enquanto eu dei um misero beijo no Colins, você quase transou com aquela menina na minha frente e de todos.
– Tcs, tcs, tcs... – balançou a cabeça, debochado. – Eu repeti tantas vezes e você ainda não entendeu? Eu quem mando aqui. Eu faço o que quiser Lane. E os outros aceitam. E os outros acatam. E você, amore mio, – acariciou minha bochecha. – está inclusa nesse porcentual.
(Coloquem para tocar "Locked Out Of Heaven")
Houve um estalo. Quando meu cérebro voltou a racionar, minha mão estava no ar e o rosto de Aaron virado. Eu respirava pesado, o sangue correndo em grandes fluxos principalmente por minha cabeça. Sua bochecha ganhou uma coloração avermelhada com rapidez. Ele olhou-me. Sua respiração saia entrecortada, tão pesada quanto a minha. Seus olhos estavam puro ódio.
Meu corpo foi prensado com força na parede e meus lábios atacados com violência. Gemi surpresa, não correspondendo. Sua mão subiu pela parte de trás de minha coxa e chegou a minha bunda. Ele apertou-a sem dó. Abri os lábios, querendo protestar em dor, e ele invadiu minha boca com a língua. Impulsionou-me para cima e não lutei contra: subi em seu colo e passei as pernas em seu quadril. Estava rendida ao beijo de Aaron. Um calor e uma sensação de querer fazer o errado tomaram-me. Talvez beber deixasse-me mesmo fora de mim. Ou talvez fosse o próprio Aaron que tivesse esse poder. Sóbria ou bêbada. Passei os braços ao redor de seu pescoço e senti a sensação familiar de seus cabelos entre meus dedos. Os cabelos de Colin eram macios, mas nada comparados aos de Aaron. Sua língua batalhava ferozmente contra a minha. Havia uma libido, desejo, luxúria imensurável. Nada de carinho ou suavidade. Ele não fazia esse estilo e hoje, em especial, ele estava animal.
O fôlego acabou e separamo-nos. Nenhum dos dois fez algo. Só ofegamos um contra a boca do outro. Quando abri meus olhos, achei os de Aaron. E eles diziam o mesmo que os meus. Ele voltou a me beijar com fúria. Desencostou-me da parede e andou comigo no colo às cegas até a cama.
Fui jogada contra a maciez do colchão. Ele colocou-se de quatro em cima de mim agilmente, sem tirar sua boca da minha. Uma mão afundava o colchão ao lado de minha cabeça para apoiar-se; a outra, travessa, contornava minhas curvas até parar em cima de meu seio. Ele apertou-o e gemi partindo o beijo. Sua boca desceu para meu pescoço. Duvidava que ele pudesse sentir metade do prazer que eu sentia quando ele fazia isto. A sua boca macia e quente contra minha pele gélida provocava arrepios e estragos prazerosos. Seu beijo molhado e a leve sucção que fazia antes de aumentar gradativamente a intensidade até arrancar-me gemidos baixos e deixar marcas sacanas levavam-me ao delírio. Invadi sua camiseta, sentindo os músculos de sua barriga definida contra meus dedos. Contornei-os com a unha, provocando-lhe espasmos com os leves arranhões. Soltei um longo suspiro quando deixou um chupão em cima de outro antigo. Puxei seus fios, obrigando-o a olhar-me.
Juntei novamente nossos lábios e mais um beijo voluptuoso nos prendeu a atenção. Havia uma troca incessante de sabores alcoólicos entre nossas bocas. Senti a minha tequila, a minha vodca, o seu uísque e sua cerveja; e havia também um gosto peculiar que lembrava alcatrão, mas menos acre. Passei uma perna para o meio das suas e comecei a roça-a por cima das jeans. Desci uma mão para o zíper de sua calça, brincando com ele. Não o abri, mas ouvi seu suspiro quando apertei de leve sua ereção. Ele desceu beijos por meu maxilar e senti sua mão descer por minhas pernas, apertando minhas coxas e entrando no meio delas. Seu dedo passou por cima de minha intimidade coberta, provocando-me a mesma reação que possuiu. Cravei as unhas em suas costas, trazendo-o para mais perto de mim. Sua mão colocou-se sobre a minha em sua nuca e puxou-a, estendendo-a no colchão. Nossos dedos entrelaçaram-se e apertaram-se firmes. Sua boca colou-se em minha orelha e seu hálito quente arrepiou-me.
– Oggi sarà la strada più dolce che mi ha portato all'inferno , il mio amore. – sussurrou rouco em meu ouvido, fazendo meus pelos enrijecerem-se e minha calcinha molhar.
A mão de Aaron desceu para a barra da minha blusa e ele rasgou-a. Assustei-me com a facilidade e a falta de cerimonias. Senti o tecido escorrendo pela minha pele e caindo na cama. Ele tirou as mangas de meus braços e jogou o trapo longe. Seus olhos queimaram sobre meu sutiã. Arqueei as costas e ele abriu o feixe com destreza. Suas mãos apertaram meus seios livres e gemi baixo de prazer. Passei a mão na barra de sua camiseta e puxei-a para cima. Ele tirou-a e atacou meus seios, chupando e passando a língua. Agarrei seus ombros, arranhando-o com as unhas. Minha intimidade entrava em contato com sua e o volume era perceptível. Passei a mão por ali e ele rosnou. Sua boca trilhou beijos por meus busto e clavícula, depois de tratar bem os meus seios. Leves mordidinhas foram deixadas em meu maxilar e nossos lábios se chocaram com necessidade. Seus beijos pareciam cada vez mais com drogas. Nunca experimentara, mas pensava que seu efeito era o mesmo: bom, viciante, alucinógenos e sempre com um gostinho de quero mias. Muito mais.
Separamo-nos sem fôlego e Aaron tratou de livrar-se de suas calças. Tirei minha saia e joguei-a ao pé da cama. Aaron voltou para cima de mim e eu agarrei-o, jogando para o lado. Surpreso, ele sorriu cafajeste quando me viu sentada sobre si. Esparramei minhas mãos em seu abdômen e sorri descarada. Meu sexo estava sobre o seu e esfreguei-os de propósito, vendo-o morder o lábio inferior. Debrucei-me sobre seu tronco e comecei a distribuir beijos e leves chupões. Cheguei a sua boca e dei um longo selinho. Logo quis introduzir sua língua, mas afastei-me e balancei a cabeça sorrindo sapeca. Aaron molhou os lábios.
– Prefere rasgar a calcinha ou que eu a tire para você? – sussurrei em sua orelha. Meus dedos brincavam em seu abdômen, apalpando-o e arranhando-o. Em momento nenhum parei de rebolar.
Afastei-me e o sorriso de Aaron já indicava tudo. Ele colocou as mãos nas laterais da calcinha de renda azul e forçou-as até cederem. Ele jogou o pano inutilizável longe ao som de minha risada. Afastei-me milimetricamente de si para puxar sua cueca. Instantaneamente, seu pênis pulou para fora. Não sabia se era porque estava bêbada ou estava me viciando em sexo com Aaron, mas nunca sentira mais vontade de tê-lo dentro de mim. Sua cueca deslizou sobre seus pés e ficaram ao fim da cama.
Sentei-me sobre seu membro e as mãos de Aaron procuraram minha cintura. Mordi o lábio, jogando a cabeça para trás. Aaron fechou os olhos, apertando suas mãos em meu corpo.
– Agora – a voz de Aaron despertou-me e olhei-o. Seus olhos queimavam de desejo e sua voz rouca, que sabia enlouquecer-me, estava no limite. –, rebola.
Sorri e comecei com movimentos lentos para provoca-lo. Ele mordeu os lábios, dando-me a certeza de que estava funcionando. Suas mãos apertaram-me dolorosamente e soube que não pararia até aumentar. Fiz isso. Comecei a rebolar com mais intensidade, vendo-o abrir um sorriso satisfeito. Ele sentou-se na cama e puxou-me mais para si, fazendo-me senti-lo mais plenamente. Sua boca desceu para meus seios de novo, dando-me mais prazer. Procurei seus cabelos, sentindo a maciez entre meus dedos. Minha outra mão estava em seu braço, apertando-o e sentindo seus músculos firmes. As mãos de Aaron em minha cintura auxiliavam-me. Aumentei o ritmo e senti-me as primeiras gotas de suor correram por meu corpo quente. Meu cabelo já grudava na nuca. Os gemidos que saiam de minha boca aumentavam de volume gradativamente. Soltei um excessivamente alto quando Aaron chupou meu mamilo com força. Seu riso rouco encheu meus ouvidos.
Sentia-me próxima do ápice. Puxei seus cabelos e ele levantou a cabeça me fitando bravo. Seus olhos desceram para minha boca e vice-versa. Antes que raciocinássemos, beijamo-nos selvagemente. Sua língua brigava com a minha em busca de explorar o território e eu o imitava. O gosto de álcool e cigarro a muito ficou para trás. Agora havia um gosto apimentado, exótico e acanelado. Era o gosto da luxúria. Da tentação. Joguei a cabeça para trás e apertei seus braços quando o orgasmo veio. Soltei o gemido mais alto e longo da minha vida, facilmente confundido com um grito. Minha vontade era de cair cansada sobre seu corpo, mas ele ainda não havia alcançado o clímax. Continuei movimentando-me. Aaron encostou sua cabeça em meu ombro e mordeu-o. Soltei um suspiro misturado a um gemido de dor. Ele soltou um som gutural e seu liquido escorreu dentro de mim. Deitei meu corpo cansado sobre o seu. Ele voltou a esconder o rosto na curvatura de meu pescoço. Sua respiração pesada arrepiava-me. Tanto ele quanto eu pingava de suor. O cheiro no quarto era de sexo. Saí de cima dele e joguei-me na cama ao seu lado. Sentia-me cansada, meus olhos pesavam. Queria deitar de lado e senti-lo abraçar-me até ambos cairmos no sono.
Ouvi o barulho de isqueiro e abri os olhos. Aaron tinha um cigarro entre os dentes e acendia-o. Minha vontade era de manda-lo apagar aquilo e fazer o que ansiava. Mas não o fiz. Estava cansada até para falar. Puxei os lençóis, cobrindo-me e virando de lado. Logo o cheiro de sexo misturava-se ao fedor do cigarro. Desgostava profundamente do aroma acre podre, mas Aaron parecia não se incomodar. Ele continuou fumando sem se importar. Respirei fundo, sentindo aquela fumaça tóxica penetrar meus pulmões. Meu corpo doía e minha cabeça estava latejando de leve. Mas o cansaço era maior; como se estivesse impregnado em meus ossos. Estava adormecendo rápido e facilmente, mas senti a cama desafundar ao meu lado quando ele levantou. Ouvi quando catou suas roupas e vestiu-as. A porta abriu-se e ouvi o som baixo que ecoava da boate pelo corredor. O som foi abafado; Aaron saiu e me deixou para trás.
A primeira coisa que passou por minha cabeça foi que me sentia como uma baldracca. Só faltava o dinheiro jogado na cama. Respirei fundo, abrindo os olhos. O quarto estava escuro e eu estava sozinha. As primeiras lágrimas chatas rolaram por meu rosto. Preferia mil vezes que ele tivesse gritado e nos tivéssemos discutido; que ele tivesse saído pela porta batendo-a e xingando-me até me pensamentos. Tudo isso a essa atitude fria e indiferente.
O sono chegou rapidamente e adormeci encarando a porta com lágrimas borrando a maquiagem e marcando meu rosto. Adormeci a espera de vê-lo voltar por aquela porta e começar a gritar comigo, fazendo-me sorrir internamente ao pensar que tudo era o mesmo de novo.
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