Notas iniciais
Olá anjos, tudo bem? Voltei de viagem (de volta a civilização graças a Deus) e tive uma semana bem agitada, por isso nem deu para dar uma passada rápida para postar. Mas o passado é história e o que importa é o agora. Até que rimou, ein? hahahaha. Esse capítulo para mim está um tanto quanto...Hm, confuso e esclarecedor. Complicado de entender essa definição, né? Não darei o caminho das pedras, mas espero que ao fim, você mesmos entendam o que quis dizer. Antes de dar uma instruçãozinha básica para lerem o capítulo, uma breve explicação: algumas pessoas reclamaram que eu não pus a tradução da frase em italiano do capítulo passado. E eu explico o porquê. Como eu havia colocado no capítulo anterior (Luxúria - Parte II), eu não voltei a coloca-lo. Vocês devem ter reparado que sempre que colocado tradução para uma palavra, não volto a traduzi-la de novo deduzindo que já saibam o significado. Por ser uma frase, no entanto, é mais complicado e entendo. Por isso, eu coloquei a tradução de novo nas notas finais do capítulo passado e quem ainda estiver em dúvida sobre o significado, sinta-se à vontade para conferir lá. Agora ao que interessa. Ouçam o capítulo ouvindo "Just Another Girl", The Killers. Sinalizarei onde devem dar play. Está na playlist da fic. http://minilogs.com/egldkw0 Godere P.S. Capítulo dedicado a Natália. Eu sempre a vi como uma das leitoras mais ativas e interativas e simplesmente adorei quando vi sua recomendação. Cada palavra me tocou e mentiria se dissesse que o tamanho de meu sorriso ao lê-las é mensurável. Quem tem de agradecer sou eu, porque se continuo com a história e sempre estou mais e mais inspirada para escrevê-la é por causa de vocês. Grazie, bella.

Acordei com a cabeça doendo como nunca. Parecia que estavam martelando-a por dentro. Abri os olhos com muita dificuldade, sendo cegada por alguns segundos. As cortinas estavam totalmente abertas, deixando o quarto com uma claridade insuportável. Olhei em volta. Era o meu quarto e de Aaron; não o da boate onde adormecera. Forcei-me a pensar e não conseguia lembrar-me como fora parar ali. A cama ao meu lado estava bagunçada, denunciando que não dormira sozinha. Sentei-me lentamente, sentindo minha cabeça latejar ainda mais. No meu corpo uma camiseta de Aaron. Arqueei a sobrancelha. Coloquei o pé para fora da cama, sentando-me antes de levantar. A cada passo que dava para o banheiro, minha cabeça doía mais.

Tomei um susto com meu reflexo no espelho. A maquiagem estava toda borrada em meu rosto. O batom estava espalhado por toda minha boca de forma desbotada e irregular e meus olhos eram bolsões pretos. Prendi meus cabelos secos e sujos e lavei meu rosto. Retirei a maquiagem e observei-me de novo. Minhas olheiras eram enormes. Há um ano, elas não existiam. Suspirei. Minha cabeça martelava cada vez mais. Despi-me, percebendo que vestia a camiseta e nada mais. A água gelada ajudou-me um pouco. Por deliciosos minutos, perdi-me nela. A dor ainda incomodava, mas ainda assim, pareceu distante. A sensação era de que meus problemas escorriam ralo a baixo.

Enrolei-me na toalha e peguei outra no armário, enrolando meu cabelo. Peguei uma calcinha e vestia uma blusinha seca com shorts. Penteei meus cabelos e senti-os grudando nas costas até a cintura. Fazia tempo que não os cortava. No quarto, notei que havia um copo de água em meu criado mudo. Aproximei-me e vi um comprimido ao lado. Não havia bilhetes nem nada. Todavia, peguei o comprimido e a água e engoli-os.

Saí do quarto e o cheiro de comida impregnava a casa. Meu estômago revirou-se. Estava com fome, mas ao mesmo tempo sentia que vomitaria se comesse. Desci as escadas e encontrei Agustina na cozinha. Ela sorriu a mim quando me viu.

– Boa tarde, dona Lane.

– Oi Agustina. Que horas são? – perguntei parando no meio da cozinha. Ela olhou no relógio no parapeito da janela.

– Meio dia e cinquenta e dois. – e depois sorriu em minha direção. Puxei o lábio, sentindo que até isso provocava pontadas em minha cabeça.

– Tem alguém em casa além de mim?

– Não. Senhor Aaron saiu agora a pouco e Dona Miranda saiu logo pela manhã. A senhora irá almoçar?

– Não, Agustina. Eu não me sinto muito bem para isso.

– A senhora está um pouco pálida.

Assenti, dizendo me retirar para os jardins. O dia estava cinzento. Nuvens pesadas anunciavam chuva. Andei em volta da piscina, sentando-me em uma das cadeiras de sol. Não me lembrava de muita coisa depois de ter apagado naquele quarto da boate. Lembrava-me da discussão, do sexo, do beijo em Colin... Como eu fora estúpida a ponto de fazer isso? Colin era um cara legal, me tratara bem, mas eu mal o conhecia e ele era colega de Aaron. E falando no diabo...

Aaron era um troglodita, um idiota, me tratava mal e deixava bem claro que eu não era nada mais do que negócios. Mas havia um lado dele que era diferente. Havia um lado de Aaron que ele escondia por debaixo de muitas mascarás e cadeados. Um lado cuidadoso, um lado legal. Havia um homem bom e capaz de amar que fora afogado por mágoas e cicatrizes mal curadas do passado. E esse lado se mostrava de vez em quando para mim. Quando isso acontecia, eu esquecia o outro e apaixonava-me por sua companhia. Eu poderia gostar facilmente desse Aaron. Na verdade, eu poderia ama-lo.

Mas coisas simples traziam as máscaras e os segredos de volta. Ele voltava a se armar por coisas bobas e o velho Aaron ruim voltava. Era irritante, frustrante e decepcionante. E duvida que conseguisse aprender a gostar desse Aaron.

Uma das empregadas veio até mim com o aparelho de telefone em mãos, acordando-me de meus pensamentos.

– Para a senhora. – estendeu o telefone. Levantei as sobrancelhas. – É a sua irmã.

Sorri, pegando e agradecendo-a. Quando já estava a certa distancia, coloquei-o na orelha.

– Grace?

Sorella! – exclamou e – Que saudades!

– Oi Grace. Que bom ouvir sua voz.

– Você sempre liga quando não estou em casa. Estou começando a achar que me evita...

– Bobagem. É só falta de sincronia... – dei de ombros.

Um sorriso fraco brincava em meus lábios. Minha cabeça ainda doía, mas esqueci-a por um momento. A saudade que tinha dela e de minha casa eram grandes e abateram-se sobre mim quando ouvi sua voz. Outro tipo de dor me tomou. Uma muito mais avassaladora e forte.

– Bom que seja. Você está bem? Como anda as coisas aí? Seu marido?

– Vai tudo bem. Eu estou bem. E Aa... Henry também.

– Aa-Henry? – perguntou confusa. Mordi o lábio, repreendendo-me pela quase burrada e pela mentiria que estava por vir.

– Eu estava com vontade de espirar. – forcei um espirro, realçando a embromação.

– Ah...

– E aí? Como andam as coisas? Você está bem? Mamma e babbo?

– Todos bem. Babbo trabalhando como sempre e mamma cuidando da casa e indo a Roma uma vez por semana. Com você longe, ela sente-se mais sozinha.

Meu coração apertou-se. Minha vontade era dizer o mesmo. Dizer o quanto sentia a falta dela também e de o quanto estava só do outro lado do Atlântico. De seus sorrisos doces e de ajuda-la na cozinha. De seus conselhos sábios e de sua risada materna e suave. De seus abraços calorosos e de suas repreensões para meu bem.

– Eu sinto a falta dela também.

– Ela sabe disso.

– Sinto sua falta também, Grace.

Sorella! – suspirou como em reprovação. – Eu sinto muito sua falta. Aqui parece tão triste desde que você se mudou... Não tenho mais com quem conversar à noite, não tenho mais minha melhor amiga e confidente.

Senti lágrimas teimosas rolarem por meu rosto. Grace era minha melhor amiga também. Sempre fomos muito unidas. Se uma caia, a outra chorava; se uma se cortava, a outra sangrava; se uma estava alegre, a outra sorria. Sentia sua falta mais do que tudo. Meu único consolo era Caitlin, que preenchia o vazio que minha irmã deixara de maneira esplendida e melhor impossível.

– Queria tanto vê-la, Lane. – admitiu com um tom tão triste que partiu mais meu coração. Limpei a garganta, livrando-me do leve embargo que se formara. – Por que não vem nos visitar? Quero tanto vê-la! A ti e a teu marido.

– Eu também quero Grace. Mas é complicado. Henry se ocupa muito com seus negócios.

– Então por que não vem sem ele? Não que não goste dele, mas gosto muito mais de você e quero vê-la logo.

O silêncio tomou-me. Meus lábios estavam entreabertos, mas nenhum som saia. A pergunta pairava em minha mente sem resposta.

Por que não ia à Itália, de volta a minhas origens? Longe de Aaron e de todo seu mundo de volta para ao que eu pertencia? Será por que, depois de Aaron abrir meus olhos, eu não sentia mais que voltaria para um lar e sim a uma mentira? Por que, uma vez ciente de tudo, não saberia como agir naturalmente? Por que não estava preparada para encarar meu pai novamente após tudo que soube? Por que, talvez, minha vida anterior fosse tão loucura quanto a atual? Por que, na verdade, estava a gostar desta insanidade em que vivia? Por que não conseguia mais sentir-me eu mesma longe de tudo isso? Por que não conseguia mais me ver distante de Aaron?

Nunca tinha considerado ou pensado sobre essas questões até agora.

– Desculpe sorella. – Grace pediu sem graça, após minha falta de resposta. – Claro que você não vem sem ele nem deveria. Ele é seu marido. Você quer ficar perto dele e entendo.

– É... – murmurei vaga, molhando os lábios e sentindo minha boca seca.

– Peça depois para Henry arranjar um tempo para voar para cá. Os dois juntos.

– Pedirei. – sorri triste.

Vi o reflexo de Caitlin na água do outro lado da piscina e levantei a cabeça. Ela vinha andando até mim de óculos escuros e uma cara fechada. Deveria estar de ressaca também.

– Grace, terei de ir.

– Henry está por aí? – havia malícia em sua voz. Ri fraco.

– Não. Tenho que falar com uma das empregadas sobre o almoço. Coisas de dona de casa. – olhei a Caitlin e suas sobrancelhas levantaram. Sorri minimamente de lado.

– Tudo bem. Depois voltamos a nos falar.

Despedi-me e a linha foi encerrada. Abaixei o telefone, encarando-o com os lábios comprimidos. Meu coração continuava apertado no peito. Olhei para Caitlin e ela observava-me atenta.

– Sua irmã? – assenti e ela virou a cabeça para o céu. – Legal. Da próxima vez, fala que a sua amiga gostosa e empregada mandou um beijo.

– Desculpe. Não queria que ela começasse a fazer um monte de perguntas e sentisse ciúmes.

– Hm. — empinou o nariz ainda brava. Ri baixo. A dor estava quase extinta agora.

– Aí que merda de ressaca...! – resmungou tirando os óculos e bufando, massageando a testa.

– Quer um comprimido?

– Não, já tomei. Mas essa ressaca aqui... Tá foda.

– Entendo... – murmurei mexendo na barra da blusa.

– Você sumiu ontem de vista na boate. O que aconteceu? – se virou curiosa a mim. Olhei-a, abrindo a boca, mas voltei a abaixar a cabeça e a morder o lábio.

– Você também sumiu ontem... – levantei a sobrancelha. Ela riu baixo, assentindo com a cabeça. Encostou-se a cadeira, voltando a colocar os óculos e fitar as nuvens que anunciavam chuva.

– Entendi. Você não quer falar. Tudo bem. Eu começo: eu transei com o Dylan ontem.

Pisquei algumas vezes, sentando-me ereta e olhando-a incrédula. Caitlin não se alterou, continuou calma voltada ao céu. Abri a boca, fechando-a diversas vezes. Dylan era louco para dormir com ela; todos sabiam. Mas Caitlin mal ligava. Na verdade, ela o ignorava e cortava de todas as maneiras possíveis. E apesar de eu achar que nunca ela ainda nutria algo por ele, pensei que não cederia. Ao menos não tão cedo.

– Como? — foi tudo que consegui perguntar. Riu baixo.

– Um pouco de bebida aqui, outra ali até eu estar dançando bêbada na pista. Ele me agarrou por trás e como eu estava fora de mim e com uma vontade sobrenatural de acordar na cama de alguém no dia seguinte, aconteceu. E até que não me arrependo. – deu de ombros fazendo-me ainda mais pasmem. – Dylan é bom de cama.

– Você realmente me surpreende Caitlin. Pensei que demoraria mais para os dois se acertarem. – comentei voltando a me deitar.

– A gente não se acertou. Eu só transei com ele. Eu continuo não querendo nada com ele e ele continua querendo me foder mais.

– Um dia, ainda, os verei juntos. Eu sei. – ri baixo fazendo-a revirar os olhos.

– E nesse dia, você e o Aaron serão o casal mais lindo e apaixonado que eu já vi.

Comprimi os lábios, olhando para meus dedos. Caitlin virou-se e xingou baixo, sentando-se ereta e retirando os óculos. Ela me olhou sentida.

– Me desculpa Lane. Eu tô de mau-humor por causa da ressaca. É sempre assim. Eu sei que você gosta daquele traste...

– Eu não gosto dele. – murmurei sem levantar os olhos. – É que... Eu fiz burrada ontem.

– O que você fez? – perguntou baixo, atenta. Suspirei.

– Eu beijei o Colin.

– O Colin!? – praticamente gritou. Fechei os olhos, sentindo pontadas em minha cabeça. Caitlin xingou-se também. Levantei os olhos e encontrei os seus arregalados.

– Você beijou o Colin? Aquele que trabalha com o Aaron e o Dylan e que é um amor de pessoa? Que tem quase dois metros de altura e gostosura? – assenti e ela piscou algumas vezes. – Meu Deus. Conta isso melhor. Agora.

Contei a história minuciosamente a ela, que prestava atenção integral. Sua expressão estava imparcial durante todo o relato e quanto terminei cabisbaixo, ela suspirou.

– Olha Lane, eu entendo a sua culpa. E não vou dizer, porque sou sua amiga, que você não tem culpa nenhuma. Mas vamos combinar que o Aaron é bem cachorro e mereceu, mas... Bem, é o Aaron. As reações dele sempre são exageradas.

– Ele me olhou com tanta... Posse. E os olhos deles eram mortais para Colin. Assustei-me de verdade.

– Ele e o Colin desde que os conheço não se dão bem. Então é de se entender. E quanto a você, Lane, ele sente ciúmes.

Aquilo é ciúme? – ri incrédula. Ela me deu um leve sorriso.

– O Aaron é esquisito. Ele não se encaixa nos padrões normais. – deu de ombros.

– Estou começando a achar que eu também não...

– Talvez. – concordou sem dar muita importância. – Mas eu tive uma ideia de como concertar as coisas.

Seu sorriso foi enorme e malicioso. Estremeci com medo do que viria. Mas ao mesmo tempo, sentia uma disposição de topar tudo que viesse. Tudo que pudesse botar as coisas de volta aos eixos.

(Coloquem para tocar "Just Another Girl")

POV Aaron

Bati o segundo copo de uísque vazio na mesa e Kimberly riu pelo nariz. Suas mãos estavam em meus ombros numa massagem satisfatória, mas não boa. Ela insistia em fazer essa merda pensando que ajudava, mas no final estava só a me irritar mais.

– Patroinha anda lhe dando muita dor de cabeça? – debochou apertando, particularmente, com força demais. Grunhi.

– Na verdade, a sua voz está me irritando. E para com essa merda. – bati em sua mão e ela retirou ambas como se fosse infeccioso.

– Tão tenso... – cantarolou rindo pelo nariz. Ela pegou meu copo e rebolou até a mesa de bebidas. – Conheço uma coisa que te aliviaria muito mais...

– Eu também: você calar a porra da boca. – massageei as têmporas. Minha cabeça parecia que ia explodir, doendo como há tempo não fazia.

A porta do escritório foi aberta repentinamente e Nick, Zack e Dylan entraram. A brutalidade com que a porta foi escancarada me fez olha-los mortalmente. O merda do Colin não estava junto. Achei bom. Se ele tivesse, com certeza a coisa federia.

– Fala meu chapa! – Dylan bateu em minhas costas e olhei-o fuzilando. Ele seguiu até Kimberly e bateu em sua bunda. – Kim, gostosa.

– Senhor Dylan. – ela sorriu-lhe como a perfeita vadia que era.

Kimberly me enojou. Como muitas vezes antes. Ela aparentava ser a perfeita puta: provocadora, fácil e submissa. Mas a conhecia atempo o bastante para saber que não passava de uma faixada. Ela era bem astuta, mirabolante e sabia demais. Não era de total confiança. Mas como diz o ditado: mantenha seus amigos perto e os inimigos mais perto ainda.

– Ressaca? – Zack perguntou jogando-se no sofá. Assenti.

Kimberly entregou-me o terceiro copo cheio de gelo de uísque com um sorriso enorme. Peguei sem dizer nada e metade já desceu queimando por minha garganta. Nada melhor para combater a ressaca do que mais álcool.

– Precisa de mais alguma coisa, patrão? – colocou as mãos na cintura, me olhando com aqueles olhos obedientes dissimulados. Sua voz estava arrastada, fina, tentando ser sexy e a maneira como sublinhou a última palavra me deixou ainda mais possesso com sua presença.

– De você fora dessa sala. — pousei o copo na madeira da mesa, dizendo grosseiramente sem olha-la.

Ela retirou-se fazendo uma careta e fechou a porta a sua passagem. Nick estava sentado em uma das cadeiras em minha frente e me observava atento. Odiava quando ele fazia isso. Lembrei-me das vezes que Lane o fazia. Quando eram seus olhos sobre mim, sentia-me muito mais desconfortável. O azul gelo parecia penetrar através de minha pele, analisando-me por dentro. E sempre que o fazia, não havia julgamento. Mas sim, por vezes, pena. E eu odiava pena.

– Quer parar de ficar me olhando? Eu não sou nenhum animal de circo.

– Mas age como um. – argumentou calmo. Irritei-me com o comentário. Mais bebida molhou minha boca e desceu ao meu estômago.

– Fala logo o que quer. Hoje não tô com paciência.

– Você e o Colin brigaram ontem na boate?

– Sim. Satisfeito? – olhei-o indiferente.

Meu humor estava péssimo desde ontem. E a culpada era Lane. Desde que metera essa pirralha na minha vida, parecia que vivia numa montanha-russa. E quem a comandava era ela. Se estava irritado, como agora, fora porque ela aprontara uma; se estava de bom humor, fora porque fodera com ela. Era tudo ela.

Nick riu pelo nariz e ficou a balançar a cabeça com uma expressão incrédula e sarcástica. Aquilo me irritava. Dylan, ao fundo, servia-se de bebidas minhas. Era vodca e pela sua cara, deveria ser um porre contra a ressaca. Zack também parecia afetado, mas diferente de mim e Dylan, preferia o modo tradicional de combater o mal.

– Você e Colin já não vivem em um mar de rosas, com essa porra de briga, como vai ser agora? – Nick perguntou duramente enquanto esvaziava o copo e levantava-me para enchê-lo de novo.

– O de sempre. – dei de ombros. – Não é a primeira vez que eu e o merda do Colin brigamos.

– Não, mas sempre que isso acontece, acaba com todos os planos. E hoje nós temos que fazer o depósito do dinheiro e cuidar do carregamento que chega à noite.

– E nós vamos fazer isso, porra. Não sei por que da frescura no cú.

– Qual foi o motivo da briga? – Zack perguntou ao fundo. Sentei de novo na cadeira, com os pés para cima e o copo nas mãos.

– Aquele filho da puta pegou a minha mulher.

– O que? – Dylan sentou-se ereto de olhos arregalados. O copo que estava em suas mãos quase virou e manchou meu tapete. Vi gotas minúsculas caindo. – O Colin catou a tua mulher? A Lane?

Assenti minimamente e ele caiu na gargalhada. Zack olhou-o como se fosse um demente e Nick me encarava de olhos arregalados. Mas eu prestava atenção a Dylan: minha mão coçava para pegar a arma na gaveta e meter uma bala no cú dele.

– Como foi isso? – Nick perguntou reestabelecido.

– Como foi isso? Aquele arrombado catou a minha mulher e beijou-a na minha frente enquanto eu estava com uma puta qualquer.

– Ah, dor de corno é foda, né? – Dylan tirou sarro. Trinquei os dentes.

– Mais uma gracinha, Dylan, e eu juro que pego a minha arma e enfio uma bala nessas bolinhas de gude que você chama de saco.

Ele levantou as mãos em rendição e calou-se.

– Você estava comendo outra na frente dela? – Nick levantou a sobrancelha e assenti bebendo. – Então você mereceu.

– Que? – juntei as sobrancelhas, incrédulo. Ele não podia estar dando razão à insanidade de Lane.

– Aaron, você mereceu. Quantas vezes você traiu-a sem ela nem ao menos saber?

– Sei lá. – dei de ombros, desinteressado. – Do que isso importa?

– Pra mim nada, mas pra ela tudo. Se você foi traído uma vez e está assim, imagina o que ela vem guardando há tanto tempo calada das suas puladas de cerca que foram além de um beijo.

– Isso é problema dela. Eu nunca disse que era exclusivamente dela. Mas sempre deixei claro que ela era exclusivamente minha. – sublinhei as palavras inclinando-me ligeiramente para frente batendo com o dedo na madeira da mesa.

– Aaronzinho bota chifres, mas não gosta de chifres em si. – Dylan afinou a voz, imitando uma mulher. Ele abanava a mão no ar e piscava. Era uma cena ridícula, viada e irritante.

Rangi os dentes e Dylan sorriu largo em minha direção. Ele voltou a erguer os braços, num sinal para apaziguar as coisas.

– Você não pode condena-la pelo mesmo crime que você cometeu. – Nick ponderou calmo. Essa serenidade e "inteligência" dele não ajudavam.

– Se fosse minha mulher, eu estaria puto também. Não importa. – Zack manifestou-se. Alguém sã.

– Mesmo se sua mulher tivesse aguento todos os chifres que você deu nela? – Nick levantou as sobrancelhas. Zack abriu a boca, mas calou-se de novo.

– Olha cara, acho que vocês dois estavam errados. Mas dá um desconto também pra Lane. A Caitlin disse que a embebedou legal. Ela devia tá doidona. – essa foi à primeira coisa séria que saiu da boca de Dylan desde que entrou na sala.

Os outros concordaram com ele, sendo a gota d'água para mim.

– Porra, será que vocês não entendem? – bati o copo na mesa e eles deram um pulo de susto, por surpresa, mas não se intimidaram. – A Lane é minha mulher. Eu não a quero beijando o barman ou o merda do Colin. E o fato de ela ter beijado justo aquele filho da puta que só rouba o que é meu, me deixa ainda mais puto.

Joguei a cabeça para trás e comecei a massagear a têmpora. A porra da ressaca ainda não havia passado. Minha respiração estava pesada e eu xingava baixinho pelas porras de pontadas em minha cabeça. A sala estava silenciosa.

– Aaron, a Lane não é a Sienna. – Nick disse ao fim, com um tom delicado. O tipo de tom que um médico usaria para visar a uma família que seu ente querido morrera. O tipo de tom que não suportava: o tom de pena.

– Eu sei, porque uma tá morta e a outra me infernizando. – levantei a cabeça e olhei-o raivoso.

– Eu já vi essa filme antes. – Dylan sorriu malicioso. Limitei-me a revirar os olhos e murmurar "qual filme?". Não estava a fim de manchar meu estofado com o sangue dele.

– Você tá amarradão na Lane.

Minha boca abriu-se e estava pronto para argumentar e xinga-lo. Mas fechei-a sem perceber. Enfiei o rosto nas mãos sustentadas pelo cotovelo na mesa e bufei pela milésima vez naquele dia. Eu não podia estar amarrado naquela pirralha e não estava. Ela era negócios. Apenas negócios.

Notas finais
Entenderam a "charada" das notas iniciais? Bom, senão, só digo isto: para mim, parece que temos anúncios de romance no ar. Anúncio importante para o próximo capítulo: coloquem o ar-condicionado e o ventilador no máximo. Porque promete. Eu recebi algumas recomendações capítulo passado e fiquei chocada. No bom sentido. Eu amei todas. Assim como os comentários. Pra valer. Ainda não consegui responder a todos, mas eu irei. O meu problema agora, além de tempo, são essas minhas unhas enormes. Pra uma garota que sempre roeu unhas, tê-las enormes é difícil. Muito difícil. hahahaha. Perdoem-me qualquer erro, mas estou com o problema das unhas, preguiça de revisar algo que revisei ontem de madrugada, pressionada para sair logo do computador e uma dor adorável nas pernas. A menina nunca dança em festas, mas é só vir a formatura que despiroca e dança como se não houvesse amanhã. Uma cena, no mínimo, ridícula de se ver, mas atire a primeira pedra quem não gosta de dançar aqui. Bom, acho que só meus amores. Preparem-se para o próximo capítulo: Lane e Caitlin juntas não é boa coisa. Xoxo