Notas iniciais
Olha quem está aqui para o primeiro capítulo do ano... Primeiro, eu gostaria de agradecer as mensagens de passagem de ano e dizer que estarei respondendo os comentários logo. Estava tão focada em escrever que acabei não percebendo essa falta. Esse capítulo está dividido em duas partes e logo estarei postando a segunda. Se conseguir, SE CONSEGUIR (ou seja, se não estiver viajando), postarei a segundo em uns quatro, três dias. http://minilogs.com/egldkw0 Godere P.S. Clara Menezes, esse é para você. Ri e sorri com suas palavras e não posso dizer o quão contente fico com seu apreço por minha loucura chamada "Strada Per L'inferno". E claro, com os elogios que aumentam meu ego. hahahha. Aaron é basicamente um deus grego do mal, então se o vê assim, acho que faço um trabalho. hahahaha. E não se preocupe com a recomendação, está perfeita do jeito que está. Grazie per le belle parole, cara. Sono grato per l'amore che ho. Innegabilmente e indiscutibilmente.

Todos olhavam para nós com expressões surpresas e chocadas. Sem exceção. Alguns refletiam mais nossas palavras, mas outros só conseguiam olhar nossas caras como se tivéssemos pirado de vez. Confesso que estaria do mesmo modo que eles se não tivesse ajudado a montar o plano. Algumas partes também achei arriscadas, mas a segurança com a qual Aaron falava e o pensamento de que era a única forma de nos ajudar me deixaram calma.

— Vocês só podem ter fumado juntos de novo. — Dylan foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Isso é sério, Dylan. É nossa única chance agora, na verdade.

— É perigoso, Aaron. Quase insano. Vamos ter Callum e a máfia italiana no nosso cangote.

— Sabemos, Zack. Mas se tudo der certo, e está elaborado para isso, nada de errado vai acontecer.

— E você concordou assim com isso, Lane? — Caitlin parecia impressionada.

Olhei para Aaron e ele me olhou de volta. Pela primeira vez, estávamos juntos de verdade em tudo. Ele relutou no começo e brigamos, para variar. Mas assim como eu, ele viu que não havia outra saída. E se ele não conseguisse validar esse contrato, as chances de Callum conseguir seriam altas. Sem contar que, por mais que fosse batalhar com todas as minhas forças para ficar ao seu lado, ambos não sabíamos qual seria nosso destino. E se ele tivesse uma aliança com minha família, nossas chances de permanecemos juntos eram muito maiores.

— Na saúde ou na doença.

Sorella, isso é loucura.

Voltei-me para Grace e ela estava, de longe, com a expressão mais chocada. Ela me olhava com os olhos arregalados e temerosos, com um fio de esperança brilhando para que eu dissesse que era brincadeira ou que voltasse atrás. Mas por mais que meu amor por ela fosse enorme, o meu por Aaron também. E no fim, sabia que conseguiria ajudar mais do que só a nós também. Esperava incluí-la nessa lista.

Suspirei e me levantei, olhando para Aaron uma última vez antes de caminhar até Grace. Ele sabia o que eu faria e o que ele deveria fazer.

— Vamos até lá fora, por favor.

Sem relutância, ela deixou seu lugar ao lado de Colin e saiu sem olhar para trás. Troquei olhares com Caitlin, que também me acompanhou. Sentamo-nos na cozinha, e Grace me olhava como se fosse uma aberração maluca.

— Eu sei que tudo isso é muitos novo para você, Grace. Pra mim também. Acredite. Essa é a primeira vez que Aaron me deixa participar de algo, e por falta de opção. Mas é exatamente por isso que precisamos de você. Não temos opção. Não será nada de muito complexo, você viu. E nos ajudará muito, não só a mim e Aaron, mas a equipe toda também. Eles contam com isso. Se não conseguirem, eles estarão em maus lençóis.

— Eu entendi, Lane, e não é por mim que temo. É por você. Se babbo descobrir, ou esse homem, Callum...

— Se cada um fizer bem sua parte, nada vai dar errado. Confie em mim.

Ela suspirou e cobriu o rosto com as mãos, apoiando os cotovelos na bancada. Olhei para Caitlin e ela levantou as mãos em rendição.

— É louco, concordo com sua irmã. Mas tendo todos os meus amigos e meu namorado nessa, o que posso fazer?

Sorri de lado e ela retribuiu. Grace levantou os olhos e passou de uma para a outra a atenção lentamente. Finamente, suspirou alto e concordou. Abraçamo-nos e rimos, felizes enquanto o perigo de verdade não começava.

— E olha, depois as duas têm muito a me contar, entenderam? — Caitlin estreitou os olhos com o dedo apontado.

— Como? — arqueei a sobrancelha.

— Como você dobrou o senhor Indomável e como a senhorita aqui fez Colin aparecer todo feliz essa manhã.

Minha irmã corou violentamente e eu ri, analisando-a bem. Não sabia bem o que acontecera, mas conhecia bem ambos para perceber que algo rolara. Grace era tímida na presença de homens, mas Colin era atrevido. Não que pensasse que ele suprira suas necessidades masculinas com minha irmã, pois ela ainda era virgem e não se entregaria na primeira, mas algo com certeza rolou.

Voltamos a sala depois de Grace desconversar e Aaron me olhou a espera de uma confirmação. Assenti positivamente e voltamos a nossos lugares.

— Mas alguém vai se opor? Se sim, saia agora por aquela porta. Mas saiba que, a partir do momento que fizer isso, esqueça a existência de qualquer um nessa sala e as coisas que nos envolvem.

Ninguém nem ousou olhar para a porta, todos nós ficávamos sem hesitação. Talvez sentissem medo, mas era natural. Eu estava morrendo de medo e Aaron possuía muita pose e autoconfiança, mas temia sim no fundo. Mas o medo não podia nos impedir, pois pelo menos alguma coisa estava em jogo para cada pessoa dentro da sala. Contive o sorriso empolgado e Aaron limitou-se a acenar com a cabeça em seu modo frio. E assim, a verdadeira reunião começou.

(...)

Saí do closet e Aaron levantou os olhos ao barulho dos saltos. Sua expressão ao me fitar dos pés à cabeça foi entre encantado e hipnotizado.

— Estou pronta. — mordi o lábio, parando em sua frente. — O que acha?

Ele subiu para meu rosto e molhou sua boca vagarosamente, um brilho safado surgindo em seus olhos. Ele me fitou por longos segundos e só podia imaginar o que sua mente perversa tramava. Algo entre rasgar minha roupa, jogar-me violentamente na cama e fazer amor ao seu estilo: forte e duro. Ri de meus pensamentos, despertando-o com isso. Puxei suas mãos para mim, pois queria sentir seu calor em meu corpo. Sua expressão era a melhor, tão desejosa e pecaminosa. Não podia deixar de sorrir diante da reação que provocava nele. Era bom saber que tinha armas muito úteis contra ele.

Aaron não era de se deixar levar, mas quando o assunto era quente, ele honrava seu sexo: sempre pensando com a cabeça de baixo.

— Fodidamente gostosa ao ponto de me fazer querer te jogar nessa cama e mandar seus pais pra puta que pariu, pois eu tenho que treinar netinhos com a filha deles.

— Aaron!

Bati em seu ombro, na intenção de ser séria. Mas não conseguia, eu ria e o via me dar um sorriso em troca. Sinceramente, seu sorriso era uma das minhas coisas favoritas no mundo. Seu sorriso sincero e espontâneo, que o iluminava de um jeito que nem o melhor pintor ou poeta poderia retratar.

— Queria que estivesse usando meus presentes... — murmurou, pegando minha mão e brincando com ela.

— Eu também, mas não combinaram.

— Sei de algo que combinaria.

E ele brincava com meu dedo anelar esquerdo enquanto falava. Engoli em seco, mas nada comentei. Usava alguns anéis, mas nenhum naquele dedo. Nunca usava nada daquele dedo. Não desde a aliança, que nunca mais vi na minha vida depois do incidente de seis meses. Às vezes, devaneava que voltaria a colocá-la ali, mas na maior parte do tempo mal lembrava disso.

Aaron me ver e reconhecer como sua mulher já era maior e melhor do que um círculo de ouro em meu dedo.

Peguei minha bolsa, colocando celular, documentos e maquiagens dentro. Sem armas desta vez. Senti Aaron tocando minha cintura, arrepiando-me de surpresa, e por ser a reação natural de meu corpo ao seu. Beijos foram descendo por meu pescoço enquanto eu mordia meu lábio, tentando focar em terminar o que estava fazendo. Mas era tão difícil com suas mãos passeando em meu corpo, apertando e massageando meus seios. Cedi e tombei minha cabeça para trás, direto em seu peito.

— Aaron, para. A gente tem que sair daqui a pouco...

Na minha cabeça, conseguiria dizer tudo aquilo com controle, mas na prática foi mais para um gato ronronando.

— É sério. Eu realmente estou cogitando mandar seus pais se foderem para eu poder fazer isso com você.

Ri e, com todo esforço, afastei-me dele, vendo-o bufar. Coloquei minhas mãos em seu peito e ajeitei sua camisa e paletó em desculpa para não olhar o quão animado ele estava com aquilo e acabar comprando sua ideia.

— Eu também não gostaria de ir, mas temos, pelo plano. Lembra?

Ele assentiu a contragosto e eu sorri, dando-lhe um rápido selinho antes de me afastar. Afinal, a libido ainda era palpável.

— Lembra de tudo que tem que fazer?

— Sim, Aaron. — rolei os olhos, afastando-me para o banheiro e me conferindo no espelho uma última vez. — Eu te ajudei a montar esse plano e estava lá todas as um milhão de vezes em que repetiu o que tínhamos de fazer.

— Ótimo. Você sabe que tudo tem que ser perfeito.

— Eu sei. Será. Confia.

Parei em sua frente e dei mais um selinho nele.

— Mas uma porra dessas e eu juro que me descontrolo e não penso como esse maldito batom vai borrar a sua e a minha boca.

Balancei a cabeça, mas sem conseguir não sorrir. Peguei a bolsa e fui para a porta, mas Aaron segurou em meu braço antes de sequer estar perto.

— Eu vou na frente e vinte minutos depois você desce. — concordei. — Quando estivermos lá embaixo, o plano já vai estar rolando. Então seja a boa atriz que sei que é. Só aqui e no escritório podemos agir normalmente. E no carro, mas se eu disser algo antes. Senão, pense duas vezes antes de dizer qualquer coisa.

— Eu já sei o plano, Aaron. Não precisa repetir. — revirei os olhos, exasperada.

— Quer que eu chame Grace para vir até aqui?

— Não. Não precisa. Só passe no quarto dela e a relembre. Ela sabe tudo direitinho, mas...

— Entendi.

Afastei-me da porta depois de um último olhar entre nós e ele saiu batendo-a. Fui até o banheiro e conferi minha maquiagem. Vinha dormindo mal, o que não era proposital, mas ajudava na aparência abatida. O corretivo estava mal aplicado com intenção e o cristal japonês que Caitlin arranjara me rendera umas boas lágrimas, além das técnicas de pensamentos negativos, que complementaram o visual inchado. Eu estava um caco e a maquiagem mal disfarçava.

Perfeito então.

Fiz hora no quarto até dar os vinte minutos de Aaron. Passei de leve o cristal nos olhos e sai fungando para o corredor. Desci as escadas, vendo Grace encolhida no sofá e Aaron andando de um lado ao outro com um copo nas mãos. Era pela encenação, mas sabia que parte de suas tensões estavam sendo levadas por aqueles goles de fogo. Meus saltos fizeram cliques na escada e ambos se viraram para mim. Sequei as lágrimas de cabeça baixa e parei atrás dos sofás. Aaron mal me olhou entre virar o último gole de bebida na garganta e se dirigir até a porta, sem uma palavra dita.

Olhei para Grace e ela se levantou, acompanhando-me lado a lado para fora. No jardim, Aaron quase corria até o carro em passos furiosos. Sentia os olhos dos seguranças na cena, mas principalmente em mim e Grace. E não eram olhares respeitosos nem inocentes.

Ele pegou a sua Ferrari que possuía mais de dois lugares. Eu nunca andara naquela e fiquei na dúvida entre ser uma de suas novas aquisições ou somente um carro que ele não usava muito e deixava oculto atrás dos outros milhares que ele tinha. Uma vez que os três estavam dentro do carro com os cintos, ele acelerou sem dó. Eu já estava acostumada, mas Grace arregalou os olhos de modo que jurava que iam saltar de suas órbitas. Não disse nada até estarmos a uma distância segura da casa, já pelas ruas movimentadas de Nova Orleans.

— Aaron, vai devagar. Grace não está acostumada.

— Não posso diminuir. E quanto mais natural a reação, melhor.

— Tudo bem. — forçou um sorriso pelo retrovisor para mim, mas jurava que seu rosto ficava verde nas curvas ou freadas bruscas.

Observava a janela na maior parte do tempo, mas quando me virava e fitava Aaron, ele tinha uma expressão fechada e concentrada, quase tensa. Sabia muito bem o porquê daquilo, mas não custava nada tentar fazê-lo vocalizar seus pensamentos. Coloquei a mão em sua perna e ele me olhou de soslaio ao parar, milagrosamente, em um semáforo.

— Tudo bem? — arqueei as sobrancelhas.

Ele confirmou com um aceno e nada mais disse. Ele mentia, mas não tinha tantas esperanças que falasse a verdade. Mas como disse, não custou tentar. Tirei minha mão da perna de Aaron e me virei definitivamente para a janela, treinando minhas fungadas. Quando estávamos perto, vi o cemitério Lafayette em toda sua magnitude sombria. Olhá-lo me arrepiava e trazia lembranças, mas eram boas. Mia não era nada minha, além da coincidência do mesmo sobrenome, mas me sentia estranhamente conectada a ela. Ela e sua tumba me deram uma parte boa de Aaron no momento em que precisava e aquele momento era um dos milhares especiais em minha cabeça.

O chofer abriu a porta e me forcei a dar meu melhor sorriso agradecido e acabado. Aaron veio para meu lado, colocando a mão em minha cintura de um jeito possessivo. Gostava, mas fingia que não, o que era bem difícil, pois seu calor me confortava e tinha que aparentar o contrário. Grace vinha ao meu lado, retraída e calada. Aaron disse o nome da reserva por nós e tive de me fazer de boba perante o olhar safado da hostess e o sorriso de Aaron. Se não fosse por disfarce, teria provado ali de quem o homem era, além de dar um longo sermão para ele depois.

Avistei meus pais ao fundo em uma mesa mais afastada e calma. Claro que seria assim e nem dei tanta importância, estava me acostumando rápido. Abaixei a cabeça, começando a sentir as malditas borboletas de nervosismo. Queria que Aaron apertasse minha cintura e dissesse que tudo daria certo, mas ele não podia. Muita bandeira para um examinador nato como meu pai. A hostess saiu nos desejando bom jantar e levantei a cabeça. Minha mãe tinha um sorriso caloroso, tentando amenizar todo o clima. Mas as áureas de babbo e Aaron eram muito pesadas e firmes para somente aquela gentil mulher abafar. Ela se aproximou de mim e de Grace, abraçando cada uma com amor. Retribuí desajeitada enquanto minha irmã pendeu mais para estátua. Babbo olhou para cada uma das filhas e balançou a cabeça. Não esperava abraços de sua parte, de qualquer modo.

A mesa era redonda, o que era o ideal naquela situação, uma vez que estávamos em número ímpar. Aaron se sentou ao meu lado, e Grace, no outro. Babbo ficava na diagonal de Aaron e mamma, na minha. Na de Grace, uma cadeira vazia. O garçom chegou para oferecer vinho, que meus pais já degustavam, e todos aceitaram, até Grace, que era menor de idade. Tecnicamente, eu também era, mas para uma mulher já casada e que passou por tudo que passei, julgava-me tão madura quanto uma de 21.

— Como vocês estão? — mamma quis ser simpática e puxar conversa, olhando para mim e minha irmã.

— Bem — murmurei sem animação, forçando um sorriso.

Grace concordou com a cabeça. Mamma não acreditou em nenhuma de nós e assim era melhor.

— Soube que esteve em um jantar com um amigo recentemente, belle. Divertiu-se?

Virei-me levemente assustada pela repentina fala de babbo. Ele sorria com uma taça de vinho sendo pousada por seus dedos em sua frente. Olhei de soslaio para Aaron, procurando escolher as palavras com cuidado.

— Foi agradável, babbo.

Aaron e ele trocaram sorrisos frios e só não houve farpas, acredito, pois o garçom chegou nos servindo de vinho.

— Sua expressão está abatida, Lane. Anda dormindo mal? — mamma questionou preocupada.

— Não muito, mamma.

— Por que será? — babbo riu com ironia.

— Talvez fosse a ansiedade de estar logo em um restaurante lotado de seguranças armados para um jantar com os pais mentirosos dela.

Não pude, assim como minha mãe, conter o olhar espantado sobre Aaron. Deveria ter imaginado algo desse tipo saindo de sua boca, mas mesmo assim, a perspicácia e rapidez que seu cérebro tinha em dar patadas era espantosa.

— Esqueceu-se de acrescentar de sentada ao lado do marido opressor e... violento? Podemos colocar assim?

O olhar que meu pai me deu deixou claro que ele sabia de certos eventos. E me perguntando até que ponto ele era bem informado, apertei minha bolsa. A intensidade com que ele me olhava também não me deixava mais tranquila.

— Eu não ando tendo boas noites. Só.

— E você, Grace? — mamma se virou para Grace, mudando de assunto. — Seu vestido é lindo, mas não me lembro dele na mala que mandei para a casa de sua irmã.

— Era de Lane. Ela me deu. Não gostava mais dele.

— Oh! Bem, ficou muito bonito em você. — forçou naturalidade diante da secura e limitação da fala da filha. — Está linda. Você também, Lane.

— Concordo com a mãe de vocês, mas não acha esse vestido um tanto quanto indecoroso para uma mulher casada, Lane? Quero dizer, atrai muito olhares para você, belle, e seu marido certamente não deve gostar.

— Não gosto, mas eu sei que no fim da noite eu serei o único que vou tirá-lo e ver o que tem por baixo. Ou melhor, rever. — Aaron provocou, com um sorrisinho fazendo a cereja do bolo.

— Vamos pedir a comida? — mamma chamou o garçom.

— Eu já sei a minha sobremesa.

— Aaron! — olhei-o de lado em súplica, pois já estava sofrendo de constrangimento.

Em pouco tempo, escolhemos nossos pratos. Não prestei muita atenção, falando o primeiro nome em que bati o olho.

— Bom, não vamos enrolar mais. — babbo limpou a garganta antes de prosseguir. — Todos sabem o motivo desse jantar e não queremos fazer mais sala: Lane e Grace, sua mãe e eu desejamos muito que voltassem para casa.

Aaron explodiu em uma gargalhada fria, assustando-me e chamando a atenção para si.

— Não estou entendo a graça, rapaz.

— Vou explicar: vocês mentem a vida inteira pra elas, deixam cada uma descobrir a verdade de uma maneira fodida e agora, na maior cara de pau, querem que elas voltem como se nada tivesse acontecido. Olha, eu não sei o que a filha mais nova de vocês vai querer, mas espero que ela seja esperta e fuja disso, mesmo que ainda seja responsabilidade de vocês. De qualquer modo, eu não ligo. Agora Lane, ah, essa não volta com vocês nem fodendo.

— O que te faz pensar que tem algum direito sobre minha filha, rapaz? Podem ser muito bem casados, mas isso acaba dentro de poucos dias e não há moleque nenhum de vinte poucos anos que me impeça de levar minha filha de volta para o lugar de onde ela nunca deveria ter saído.

— Aí que se engana, Antenore. Se ela quiser e ela quer ficar comigo, então não há velho nenhum de máfia nenhuma que a leve de mim — silabou entredentes, fazendo meu pai rir baixo.

— Garoto, você não sabe com o que está brincando...

— Chega.

Fechei os olhos e tentei controlar minha respiração. Sabia que era minha hora de interferir e ganhar o foco, e escolher as palavras não foi tão difícil, uma vez que o modo como estava sendo tratada entre eles não estava me agradando.

— Eu não sou um brinquedo. Eu estou bem aqui enquanto vocês brincam de cabo de guerra. Eu sou uma pessoa e tenho vontades, e quaisquer que sejam, peço que as respeitem ao invés de ficarem medindo forças para ver quem leva a melhor em me desrespeitar e me levar para longe de onde quer que eu tenha escolhido ficar.

— Querida...

— Eu sou seu pai, Lane, e só prezo o seu melhor. E o seu melhor você sabe que não é ao lado desse homem. Um homem violento, que não te respeita, que a oprime e te afasta de nós. Não caia na história dele, Lane. Você é somente uma boa moça que ele está usando para conseguir o que quer. Mais uma boa moça.

— Violento? Que não a respeita e oprime? — mamma nos olhava espantada.

— Não sabe que sou tudo isso, senhora? Seu marido não te contou ainda? Assim como ele não contou que está me pintando de vilão só para que ele seja o bonzinho, claro. Bonzinho que enganou a família por anos a fio e deu a filha a um desconhecido perigoso que mora do outro lado do Atlântico. Bem bonzinho mesmo.

— Ele te bate, querida?

Fechei os olhos, respirando fundo e voltando a apertar minhas mãos. Agora a conversa estava mexendo comigo ainda mais e só canalizei mais algumas coisas ruins antes das lágrimas virem. E quando abri os olhos para todos naquela mesa, meu estado de espírito era explosivo.

— Eu não sou uma boneca de pano — murmurei, levantando-me.

Foquei principalmente em meu pai e Aaron, que realmente estavam me dando nos nervos só de olhar.

— Eu não sou UM BRINQUEDO. PAREM DE ME JOGAR DE UM LADO AO OUTRO. PAREM DE ME TRATAR FEITO TAL.

Saí correndo até o banheiro e ouvi saltos atrás de mim. Não sabia se era de mamma ou de Grace, mas não procurei saber até me apoiar na pia com as lágrimas ainda escorrendo. A porta foi aberta e os passos pararam atrás de mim. Senti uma mão quente e familiar em minhas costas. Abri os olhos para a minha progenitora e me larguei em seu abraço. Afoguei todas minhas preocupações, decepções e inseguranças dos últimos tempos ali. Ela passava as mãos em meus cabelos e me apertava forte, tentando me confortar. O barulho da porta de novo anunciou que mais alguém se juntava a nós e quando senti outro corpo quente se juntar a nós, soube que era Grace. As lágrimas então aumentaram.

E aquilo era só o começo.

Notas finais
E agora a coisa começa a esquentar de verdade... Estou amando essa fase e todo o suspense. Acho que os melhores capítulos estão por vir agora. Revelações serão feitas, fidelidades serão testadas, limites quebrados, amor colocado a prova. A-D-O-R-O. hahahaha. Xoxo