Strada Per L'inferno
67 O jogador
Notas iniciais
Lane saiu do closet, despertando-me com o barulho dos saltos. Eu não conseguia tirar os olhos de seu corpo naquele vestido. Era hipnótico. E preto combinava tão bem com sua pele.
— Estou pronta. O que acha? — anunciou, parando em minha frente.
A filha da puta mordia os lábios e isso me excitava para caralho, enchendo minha cabeça de pensamentos sacanas. Molhei a minha boca encarando seu rosto. Porra, ela era tão linda que dava raiva. Só um cego ou otário não notaria e babaria. E isso me irritava. Principalmente pelos dias que viriam. Eu teria que o fato de que haveria caras desejando o que era meu sem fazer nada. Não era justo. Havia um motivo para eu saber manusear uma arma e cada vez mais pensava que defender minha mulher dos olhares maliciosos era um deles.
Ela riu da minha expressão e puxou minhas mãos para ela, pousando-a em seu quadril. Apertei com gosto, sentindo vontade de fazer isso em sua carne sem o pano. E ela sorria maliciosa.
Desgraçada gostosa e provocativa.
— Fodidamente gostosa ao ponto de me fazer querer te jogar nessa cama e mandar seus pais pra puta que pariu, pois eu tenho que treinar netinhos com a filha deles.
— Aaron!
Ela bateu em meu ombro, rindo. Sua risada era um dos meus sons favoritos, junto com os gemidos que fazia na cama. Era tão puro e inocente. Não costumava pensar muito nessas coisas de céu, até porque sabia bem para onde iria, e era o caminho contrário, mas desde que ela entrou na minha vida me via vez ou outra com a cabeça nisso. Se existiam anjos, a aparência deles deveria ser igual a de Lane. E com certeza o famoso canto angelical era a risada que ela soltava.
Quando sua risada acabou, peguei sua mão e comecei a brincar com ela. Vi seu dedo anelar esquerdo vazio e o peguei.
— Queria que estivesse usando meus presentes...
— Eu também. Mas não combinaram — murmurou e senti-a um pouco tensa.
— Sei de algo que combinaria.
Não precisei levantar os olhos para saber que ela engolira em seco, pegando a indireta. Recuando a mão, ela se afastou para arrumar sua bolsa.
Levantei-me e me aproximei dela por trás. Admitia que achar uma arma na sua bolsa naquela noite me excitou pra caralho, mesmo não tendo certeza se ela sabia bem manuseá-la. Havia o idiota do Colin e a coisa toda do baile, mas não éramos de falar muito sobre isso. Toquei sua cintura e a senti arrepiar antes mesmo de descer meus beijos por seu pescoço desnudo. Minhas mãos apertavam sua cintura e subiam até seus seios, que apertei e massageei até sua cabeça tombar em meu peito.
— Aaron, para — pediu, mas não havia firmeza em sua voz. — A gente tem que ir daqui a pouco...
— É sério. Eu realmente estou cogitando mandar seus pais se foderem para eu poder fazer isso com você.
Ela riu baixo e conseguiu se afastar. Bufei frustrado, ainda mais porque estava começando a me excitar com aquilo. Ela se virou de frente a mim e colocou suas mãos em meu peito, ajeitando minha camisa e paletó.
— Eu também não gostaria de ir, mas temos pelo plano. Lembra?
Assenti irritado. Um sorriso mínimo iluminou-a e ela me deu um selinho rápido antes de se virar e pegar a bolsa. Ela queria me testar me mostrando seu traseiro, só podia ser.
— Lembra de tudo que tem que fazer? — perguntei, cruzando os braços.
— Sim, Aaron. Eu te ajudei a montar esse plano e estava lá todas as um milhão de vezes em que repetiu o que tínhamos de fazer — comentou do banheiro, arrumando os cabelos de novo na frente do espelho.
— Ótimo. Você sabe que tudo tem que ser perfeito.
— Eu sei. Será. Confia. — deu-me outro selinho.
— Mas uma porra dessas e eu juro que me descontrolo e não penso como esse maldito batom vai borrar a sua e a minha boca.
Ela sorriu e balançou a cabeça, afastando-se para a porta. Impedi-a antes que chegasse a girar a maçaneta, ganhando seu olhar confuso.
— Eu vou na frente e vinte minutos depois você desce. — ela concordou. — Quando estivermos lá embaixo, o plano já vai estar rolando. Então seja a boa atriz que sei que é. Só aqui e no escritório podemos agir normalmente. E no carro, mas se eu disser algo antes. Senão, pense duas vezes antes de dizer qualquer coisa.
— Eu já sei o plano, Aaron. Não precisa repetir. — revirou os olhos.
— Quer que eu chame Grace para vir até aqui?
— Não. Não precisa. Só passe no quarto dela e a relembre. Ela sabe tudo direitinho, mas...
— Entendi.
Trocamos um último olhar antes de sair batendo a porta intencionalmente. Duas portas à direita, no outro lado do corredor, era o quarto de Grace. Fiz algo que nunca fazia, principalmente na minha casa: bati antes de entrar. Ela era a irmã mais nova da minha mulher e por mais que fosse gostosinha, não queria a ver nua ou alguma coisa que me gerasse dor de cabeça depois. Ela estava sentada na cômoda, ajeitando as joias como a irmã havia feito há pouco. Ela olhou para mim quando entrei fechando a porta. Não tinha intimidade com ela. Na verdade, mal falara com ela durante esses dias que esteve aqui. Portanto, não a culpei quando se mexeu desconfortável no banco e me olhou sem ser diretamente nos olhos.
Igual a irmã no começo. Se tivesse os olhos azuis... Isso me fez querer sorrir, mas me contive.
— Lane me pediu para vir aqui relembrar o plano contigo. Por segurança.
— Não será preciso. Mas obrigada.
— Tudo bem. — dei de ombros pronto para sair de novo.
— Aaron.
Virei-me e ela se levantou, encarando-me sem jeito. Ela apertou os lábios e me estudou, procurando as palavras. Arqueei a sobrancelha e ela suspirou.
— Lane gosta de você. Ela te ama. Provavelmente você já sabe e eu não sei se é recíproco. Mas mesmo que você não seja o cara que eu gostaria de ver com ela, desejo que seja e que vocês possam ser felizes. Só... não a machuque. Lane está diferente e sei que ela está mais forte, mas no fundo eu conheço minha irmã para saber que ela também continua a mesma. Então, por favor, cuide dela. Não a magoe.
Fechei os olhos, esfregando o rosto, totalmente surpreso por suas palavras. Não podia culpá-la por pensar e me pedir algo assim. Eu sabia que era um filho da puta e que machucar Lane era fácil para mim. Mas também sabia que aquela garota explosiva e doce tinha me virado do avesso e me fazia tentar ser alguém melhor. Quando a voltei a encarar, eu tinha certeza de minhas palavras.
— Eu preferia arrancar meu próprio coração com as mãos do que machucar o dela.
Ela assentiu, parecendo satisfeita com minha resposta e deixei o quarto. Desci para a sala e me encaminhei direto à mesa de bebidas. Os últimos minutos e as horas que viriam a seguir mereciam um brinde do melhor uísque que ali tinha. Grace desceu poucos minutos depois e eu só lhe dirigi um olhar rápido e duro. Todo cuidado agora era pouco e, para todos os efeitos, não gostava de nenhum Giordano no momento. Quando Lane desceu as escadas após o tempo que estipulei, só queria mandar toda essa merda pro ar e agarrá-la. Notei que seus olhos estavam mais irritados e vermelhos, e lágrimas escorriam deles. “Por um bem maior”, repeti a mim mesmo. Virei o resto da bebida na garganta e andei até a porta sem esperar nenhuma delas.
Elas andavam lado a lado e nem me atrevia a me aproximar dela ou olhar para trás, pois sabia que encontraria o olhar de todos aqueles segurança filhos da puta a secando. Deveria ser pouco amor à vida e muita vontade de perder o emprego. Mas me controlei. Entrei em minha Ferrari 612 Scaglietti, o único esportivo na minha garagem que possuía mais de dois lugares. Grace ia conosco e não estava a fim de passar a imagem de genro cuidadoso. Nem era essa a intenção. Elas entraram pouco depois e esperei elas colocarem o cinto para acelerar, com um carro lotado de meus homens atrás.
— Aaron, vai devagar. — Lane pediu após cinco minutos a mais de cem e já bem longe da mansão. — Grace não está acostumada.
— Não posso diminuir. E quanto mais natural a reação, melhor.
— Tudo bem. — ela garantiu, mas sua feição estava entre o branco e verde.
Continuamos em silêncio, somente o ronco do motor e o barulho externo. O barulho a cada freada e aceleração me acalmava. Mesmo que não estivesse indo direto à adrenalina, ele me passava a sensação que sim. Senti a mão de Lane em minha perna quando aproximamo-nos de um semáforo e olhei de soslaio a ela.
— Tudo bem?
Balancei a cabeça que sim, na intenção de só me livrar das perguntas e possíveis olhares que me dirigiria. Nada estava bem. Ela metida na sujeira, levando de quebra a irmã, e a margem de erro estando bem alta para meu gosto e padrão não era nada bom. Sem contar a chatice que viria a seguir e o traiçoeiro do pai dela, que apesar de ela amar, era um grandíssimo filho da puta. Nem eu mesmo entregaria minha filha a um cara com eu, e mesmo que estivesse na posição em que ele esteve, daria um jeito. Mas ele não o fez, e mesmo que agradecesse por isso, sabia que ele a queria de volta. E ele tinha meios de conseguir isso, o que me deixava tenso pra caralho. Não perderia mais uma. Não essa. Fosse para o pai dela, fosse para qualquer um ou qualquer coisa. E isso incluía a morte.
Chegamos ao restaurante sem mais palavras trocadas e saímos do carro. Notei o olhar dos poucos caras ali sobre minha mulher. Eu sabia que aquele maldito vestido era justo demais, mesmo que tivesse um comprimento aceitável. Andei até ela e peguei em sua cintura, puxando seu corpo com força até mim. Ela deu um pequeno tranco e sua respiração falhou de surpresa, mas continuamos olhando para frente. A hostess sorriu e perguntou o nome da reserva. Notei a malícia em sua voz, assim como os peitos que ela estufou. Boazinha, mas Lane ainda conseguia ser melhor. Retribuí o sorriso na intenção de irritar Lane e ajudar toda essa merda em que estávamos, e ela nos guiou até a mesa, onde meus sogros já esperavam.
Percebi o quanto Lane ficou tensa ao meu lado ao ver os pais e abaixou a cabeça. Não queria a ver tão intimidade assim, mas para o momento, sua reação era oportuna. Os velhos levantaram os olhos e o corpo assim que nos viram e podia se notar um claro conflito de emoções. A mãe dela, Chiara, era um pouco como as filhas. Transparente, não conseguia bem esconder o que sentia. Ainda mais quando se tratava do próprio sangue. Diziam que mães eram derretidas pelos filhos e notei isso quando ela abraçou emocionada Lane e Grace. Já Antenore... Se havia um ator de verdade entre nós, esse era ele. Ele se limitou a acenar com a cabeça para as filhas e imaginei que nem eu conseguiria ser tão frio assim com o meu sangue quanto ele.
Lane se sentou entre Grace e eu na mesa redonda. Seu pai ficava na minha diagonal e sua mãe na sua, ficando uma cadeira vazia para sua irmã encarar. O garçom saiu após todos aceitarem taças do mesmo vinho que os pais tomavam.
— Como vocês estão? — Chiara começou, puxando conversa com as filhas.
— Bem. — Lane forçou um sorriso e até um cego notaria a falsidade empregada ali.
Grace concordou com a irmã e a mãe assentiu com um sorriso igualmente forçado. Foi a vez de Antenore atacar.
— Soube que esteve em um jantar com um amigo recentemente, belle. Divertiu-se?
— Foi agradável, babbo — respondeu depois de me olhar com cautela.
Antenor me encarou com um sorriso frio e eu retribuí. O garçom nos serviu de vinho e todos aproveitaram suas taças de tinto seco.
— Sua expressão está abatida, Lane. Anda dormindo mal? — sua mãe pareceu preocupada depois de abaixar a taça.
— Não muito, mamma.
— Por que será? — seu pai riu irônico.
— Talvez fosse a ansiedade de estar logo em um restaurante lotado de seguranças armados para um jantar com os pais mentirosos dela. — dei de ombros.
Ela me olhou espantada, igual à mãe. O pai levantou as sobrancelhas levemente, como se me cumprimentasse pela sacada.
— Esqueceu-se de acrescentar de sentada ao lado do marido opressor e... violento? Podemos colocar assim? — encarou a filha.
Lane estava branca e eu sabia que aquilo não era pelo papel. Ela realmente estava nervosa e via suas mãos apertarem a bolsa no colo para disfarçar os dedos trêmulos.
— Eu não ando tendo boas noites. Só. — limitou-se a dizer.
Sua mãe pareceu desconfiada, mas se virou a outra filha.
— E você, Grace? Seu vestido é lindo, mas não me lembro dele na mala que mandei para a casa de sua irmã.
— Era de Lane. Ela me deu. Não gostava mais dele — respondeu retraída e seca.
— Oh! Bem, ficou muito bonito em você. Está linda. Você também, Lane.
— Concordo com a mãe de vocês. Mas não acha esse vestido um tanto quanto indecoroso para uma mulher casada, Lane? Quero dizer, atrai muito olhares para você, belle, e seu marido certamente não deve gostar.
— Não gosto, mas eu sei que no fim da noite eu serei o único que vou tirá-lo e ver o que tem por baixo. Ou melhor, rever.
Os olhos de Antenore faiscaram ao meu sorriso cínico. Lane estava corada.
— Vamos pedir a comida? — Chiara forçou um sorriso ao acenar para o garçom.
— Eu já sei a minha sobremesa.
— Aaron! — pediu baixinho, encarando-me de lado.
Os cardápios vieram e foram em cinco minutos. Todos pediram seus pratos e o garçom foi depois de encher de novo as taças que estavam pela metade.
— Bom, não vamos enrolar mais. Todos sabem o motivo desse jantar e não queremos fazer mais sala: Lane e Grace, sua mãe e eu desejamos muito que voltassem para casa.
Gargalhei. Todos me encararam enquanto olhava para o cinismo de Antenore. Via Lane arrepiada e assustada ao meu lado. Sabia o que se passava por sua cabeça.
— Não estou entendo a graça, rapaz. — colocou com calma.
— Vou explicar: vocês mentem a vida inteira pra elas, deixam cada uma descobrir a verdade de uma maneira fodida e agora, na maior cara de pau, querem que elas voltem como se nada tivesse acontecido. Olha, eu não sei o que a filha mais nova de vocês vai querer, mas espero que ela seja esperta e fuja disso, mesmo que ainda seja responsabilidade de vocês. De qualquer modo, eu não ligo. Agora Lane, ah, essa não volta com vocês nem fodendo.
Foi a vez de Antenore sorrir.
— O que te faz pensar que tem algum direito sobre minha filha, rapaz? Podem ser muito bem casados, mas isso acaba dentro de poucos dias e não há moleque nenhum de vinte poucos anos que me impeça de levar minha filha de volta para o lugar de onde ela nunca deveria ter saído.
— Aí que se engana, Antenore. Se ela quiser e ela quer ficar comigo, então não há velho nenhum de máfia nenhuma que a leve de mim.
— Garoto, você não sabe com o que está brincando... — riu baixo.
— Chega.
Viramo-nos para Lane e ela tinha os olhos fechados e a respiração controlada. Quando passou os olhos azuis do velho para mim, estavam vermelhos.
— Eu não sou um brinquedo. Eu estou bem aqui enquanto vocês brincam de cabo de guerra. Eu sou uma pessoa e tenho vontades, e quaisquer que sejam, peço que as respeitem ao invés de ficarem medindo forças para ver quem leva a melhor em me desrespeitar e me levar para longe de onde quer que eu tenha escolhido ficar.
— Querida... — sua mãe suspirou.
— Eu sou seu pai, Lane, e só prezo o seu melhor. E o seu melhor você sabe que não é ao lado desse homem. Um homem violento, que não te respeita, que a oprime e te afasta de nós. Não caia na história dele, Lane. Você é somente uma boa moça que ele está usando para conseguir o que quer. Mais uma boa moça.
— Violento? Que não a respeita e oprime?
— Não sabe que sou tudo isso, senhora? Seu marido não te contou ainda? Assim como ele não contou que está me pintando de vilão só para que ele seja o bonzinho, claro. Bonzinho que enganou a família por anos a fio e deu a filha a um desconhecido perigoso que mora do outro lado do Atlântico. Bem bonzinho mesmo.
— Ele te bate, querida? — ignorou tudo que disse para insistir na pergunta para a filha.
Lane fechou os olhos e via suas mãos apertando, assim como os lábios. Sabia o que vinha a seguir. As primeiras lágrimas escorreram e ela abriu os olhos com mágoa e raiva. A Lane revoltada em meio às lágrimas. Aquilo até me excitava, para ser sincero.
— Eu não sou uma boneca de pano.
Ela se levantou, jogando o guardanapo na mesa e a bolsa na cadeira. Ela olhava com raiva para mim e o pai, principalmente.
— Eu não sou UM BRINQUEDO. PAREM DE ME JOGAR DE UM LADO AO OUTRO. PAREM DE ME TRATAR FEITO TAL.
Ela saiu correndo nos saltos para o banheiro e fiquei impressionado como ela era rápida em cima daquelas coisas. Não que eu tivesse reparado por muito tempo. Sua bunda ficava boa demais naquele veludo para reparar em outra coisa. Chiara se levantou logo atrás e foi atrás da filha.
— Se amam de verdade Lane, não deveriam agir assim. — Grace levantou-se suspirando e nos olhou. — Você já nos decepcionou demais, babbo. Tente ser mais compreensível dessa vez. E Aaron, eu realmente não sei o que minha irmã viu você, mas se você quer tanto ficar com ela, não aja dessa maneira.
Ela saiu atrás da irmã e sobraram só nós dois. Assim que a filha sumiu, Antenore me encarou. E se seus olhares antes já eram frios e duros, esse ganhava de longe. Mas ele não me intimidava como muitos. Cresci conhecendo aquele tipo de olhar e eu mesmo fazia um bom uso dele.
— Escuta aqui, moleque, agora serei franco com você como já devia ter sido há muito tempo: eu fui forçado a te ter perto da minha filha, mas agora não vou mais aturar essa palhaçada. Não importa se ela está feliz ou não com você, você não é bom para ela. Ou pensa que não sei sobre o jantar com Callum e os gritos depois? E as roupas compridas que ela vem usando? E nem preciso falar dos olhos a denunciando. Te denunciando. Sem contar aquela boate que você tem e que sempre está por lá. Não caio no conto da carochinha como minha filha de acreditar que é um esposo fiel. Você foi a pior coisa que já tive que impor a minhas filhas e vai acabar assim que esse contrato vencer. E eu sei que logo acontecerá isso mesmo. Não teremos nenhuma ligação e você nunca mais chegará perto da minha família de novo.
— Você é um velho hipócrita mesmo, Antenore. Me condenando pelos mesmo erros que você cometeu. Mas quer saber? Sim, eu fui um filho da puta pra sua Lane. Eu a tratei mal pra cacete e ando faço às vezes, mas ela é meu equilíbrio. Sua filhinha, infelizmente, é boa pra mim e eu vou mantê-la por perto, mesmo que a corrigindo quando ela erra. Então acho melhor você se acostumar com a ideia de sermos da mesma família, porque eu te garanto que seremos.
— Você se acha muito esperto, não? Mas eu te digo o que é: arrogante. Arrogante em pensar que ainda tem uma chance e que eu não sei do seu joguinho. Você só a quer, só está a iludindo assim porque acha que se a tiver ao seu lado, mesmo ao fim dessa merda toda, seremos condescendentes. Mas eu já te aviso: caridade não é nosso forte. Não terei pena de nenhum desgraçado que machucou minha filha. Ela voltará comigo sim e se depender de meus esforços, te odiará e conhecerá alguém descente de verdade para ela. Você será só uma merda de uma lembrança. Literalmente, pois eu te destruirei, moleque. Te farei comer o pão que o diabo amassou. O fim que seu pai teve parecerá prazeroso perto do seu.
Meus punhos já estavam fechados e latejando para desfigurá-lo. Senti toda minha raiva correr por minhas veias dos pés à cabeça e só queria poder descarregar cada pedaço dela em algo. O que era atuação virara realidade e eu sabia que se permanecesse mais um segundo naquela merda, me descontrolaria e daria o que ele queria. E talvez perdesse Lane pra valer. Levantei-me, o guardanapo caindo no chão, e não pensei duas vezes antes de dar as costas aquele velho. Saí pisando duro e vi a hostess sorrir a minha aparição. Mas o sorriso e o decote estufado morreram quando viu minha expressão e agradeci por ser prudente, e não oferecida como muitas. Pois com certeza faria um estrago se ela aparecesse na minha frente.
Meu carro estava na saída, para facilitar minha vida. Entrei pegando as chaves com um dos cagões ali e pisei no acelerador assim que fechei a porta. Que se fodesse o cinto. Eu não estava pensando direito. Saia cortando pelas ruas de Nova Orleans sem me importar com pedestres gritando e motoristas xingando. Por mais puto que estivesse, iria seguir o plano. Iria fazer exatamente a mesma coisa antes de ter uma dose a mais de vontade de matar um italiano.
O único problema era acabar mergulhando demais nessa e dar àquele vecchio exatamente o que ele queria.
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