Strada Per L'inferno

20 Nem tudo o que se quer, pode se ter


Notas iniciais
Olá crianças, tudo em cima? Enfim estou de férias e adivinha o que isso significa? Que eu tenho uma porrada de coisas que quero fazer e provavelmente não irei conseguir fazer metade! hahaha. Que noticia animadora, não? Essa fic aqui está me dando um trabalho que vocês nem imaginam. Esse capítulo que estou postando é o último que eu tinha e tenho cem por cento de certeza que iria postar. Os outros ainda são um pouco nebulosos para mim. Então torçam para eu achar a luz, porque senão... O capítulo não é tão grande e teria uma POV do Aaron, mas iria ficar muita coisa, então eu cortei. Mas ainda assim está bom, creio eu. Vamos parar de enrolação logo para vocês lerem, mas antes eu só quero fazer uma última coisa: agradecer de coração a fofa da Ana Clara que recomendou a fic. Eu simplesmente amei sua recomendação e esse capítulo é dedicado a você. Godere

Acordei relativamente cedo na manhã seguinte. Dormira bem pouco, como previra. Assim que os primeiros raios de sol anunciaram-se no horizonte, levantei-me após ter tirado um leve cochilo. Abri as cortinas, inundando o quarto com a luz de um dia cinzento. A mesma cor da qual minha alma encontrava-se. Após minha higiene matinal, troquei de roupa, vestindo uma saia sequinha e uma bata branca larga que valorizava minha cintura. Prendi meus fios em um coque e abri a porta do quarto, saindo ao corredor. A casa estava silenciosa, denunciando que a maioria ainda dormia. Desci com cuidado as escadas da sala, sem querer fazer nenhum barulho que pudesse acordar os outros. Rumei à cozinha e encontrei as empregadas já de pé. Enquanto uma preparava o café, a outra varia o chão. Provavelmente, os cacos de vidro da noite anterior que Aaron e eu deixamos para trás.

–Bom dia, senhora – A cozinheira viu-me na porta da cozinha, sorrindo-me. A empregada também me cumprimentou logo em seguida.

–Bom dia – Sorri-lhes suave.

–É bom tê-la de volta – A cozinheira, Agustina se não estou enganada, comentou contente.

–Obrigada – Agradeci sorrindo minimamente.

–Bem que a senhora Miranda comentou que a jovem havia voltado... – A empregada, que desconhecia o nome, manifestou-se.

–Sim, decidi voltar – Concordei apoiando meus cotovelos ao balcão com os quadris empinados.

–Senhor Aaron deve estar bem feliz de ter a esposa de volta em casa – Agustina comentou.

–É... – Concordei vaga, olhando ao balcão.

–A casa estava precisando de uma alma feminina de novo – Agustina continuou.

Levantei a cabeça, sorrindo-lhe sem mostrar os dentes. A empregada recolheu os últimos cacos de vidro do chão, botando-os na pá.

–Você não se cortou com o os cacos, espero – Comentei olhando-a.

–Não, senhora – Ela afirmou sorrindo.

–Desculpe pela bagunça.

–Imagina, senhora. Este é meu trabalho – A empregada sorriu.

–Da próxima vez não deixarei isso acontecer – Afirmei – Alguém pode se machucar e eu não gostaria disso.

–Então é melhor eu despedir logo de uma vez a empregada – Aaron comentou irônico atrás de mim, anunciando sua presença.

Virei-me para encara-lo, encostando as costas no balcão. Ele estava encostado no arco da porta com as sobrancelhas arqueadas. Suas mãos estavam nos bolsos da jeans surrada de lavagem clara, combinada com uma blusa verde simples e tênis. Os cabelos, agora sempre, rebeldes. Muito diferente das camisas sociais, calças de alfaiataria, sapatos sociais lustrados e cabelos sempre perfeitamente penteados.

–Buongiorno – Cumprimentei-o com um sorriso mínimo.

–Buongiorno – Ele cumprimentou-me acenando com a cabeça.

A empregada saiu da cozinha levando os cacos e a cozinheira voltou-se ao fogão, prestando atenção exclusivamente naquilo. Balancei um pouco, abaixando a cabeça sem saber como portar-me. Ao fim, decidi-me aproximar-me. Andei a passos lentos, ficando a sua frente numa distância aceitável.

–Dormiu bem? – Perguntei baixo tentando puxar conversa.

–Não tanto quanto eu posso – Sua resposta soou tanto quanto seca – E você? – Ele perguntou indiferente, mais por retribuição a minha pergunta do que interesse.

–Não tanto quanto eu posso – Imitei-o cabisbaixa.

Um sorriso irônico abriu-se no canto de sua boca, amargamente.

–Vou trabalhar – Ele informou desencostando-se do portal.

–Você nem tomou café – Protestei, virando-me para trás e olhando Agustina fazer ovos mexidos numa frigideira.

–Meu tipo de fome é outra – Ele sorriu safado, olhando-me de cima a baixo.

Corei sob seu olhar e comentário, afastando-me um pouco.

–Você passará o dia fora? – Perguntei não conseguindo encara-lo nos olhos.

–E a noite também – Ele confirmou – Mas provavelmente dou uma passada em casa.

–Então você não estará para o almoço? – Botei meus cabelos para um ombro só, num hábito velho que cultivara.

Aaron sorriu e aproximou-se com um passo, deixando-nos tão próximo possível. Sua mão levantou-se e esquivei-me, estranhando seu gesto. Ele soltou uma risada, parando a mão no ar e encarando-me divertido por alguns segundos. Sua mão alcançou meus cabelos, passando seus dedos por entre meus fios numa espécie de carinho.

–Lane, não estamos na Itália – Ele sorriu dando-me calafrios na espinha – As pessoas nem sempre estão para o almoço e para a janta. Às vezes, nem em casa elas estão para se deitar.

Engoli em seco, encarando-o sem resposta. Ele sorriu, desgrenhando seus dedos de meu cabelo. Ele afastou-se e saiu da cozinha. Passei a mão na testa, recompondo-me. Olhei para trás e Agustina desviou o olhar rápido, fingindo não ter visto nada. Alisei minhas roupas, saindo firme do cômodo. A porta do escritório estava aberta e entrei na sala sem pensar duas vezes. Aaron estava lá, atrás de sua mesa com um revolver em mãos. Assustei-me tanto com o objeto que cheguei para trás. Aaron subiu o olhar para mim, vendo minha expressão e rindo pelo nariz, voltando de novo os olhos a arma.

–Achei que depois de me ver a matando um monte, uma armazinha não a intimidaria mais, amore mio – Aaron comentou irônico.

Passei a língua pelos lábios, sem saber que resposta lhe deveria dar. A lógica seria essa, mas as circunstâncias foram tão diferentes. Eu estava tão apavorada, somente sentindo-me grata por sua presença. Não parara para analisar nada na hora, nem o certo nem o errado. E depois, preferi não analisar nada.

–Aquele dia foi diferente – Argumentei baixo, sem saber mais o que deveria ou poderia dizer.

–Ah, sim, foi mesmo – Ele concordou – Não é sempre que se resgata a esposa quase sendo estuprada por uma cara que a comprou num leilão.

–Como você sabe tanto? – Perguntei curiosa – Como você sabe que foi um leilão? Como você sabe onde estava?

–Informações rolam... – Ele deu de ombros, jogando a arma na mesa e voltando-se a gaveta aberta – Deduzi que se você não estava em nenhum lugar obvio e se sua bolsa e o carro ficaram para trás provavelmente você foi sequestrada. Alguns conhecidos então disseram que havia um clube que leiloava virgens pela região e que naquele dia haveria leilão. Fui até lá e... Bingo!

Concordei com a cabeça, cruzando os braços.

–Mas você não veio até meu escritório só para me perguntar como te encontrei naquele fim de mundo... – Ele subiu os olhos a mim, sorrindo sarcástico.

–Não – Concordei.

–E...? – Ele pegou a arma e encaixou no cós da calça na parte de trás.

–Bem, eu vim perguntar se você não poderia passar o dia em casa... – Encolhi os ombros.

Aaron parou de mexer nos papéis em sua mesa, subindo o olhar para mim e encarando-me. Achei que ele iria estrangular-me ou algo do tipo, mas tudo que fez foi dar um belo sorriso irônico. Ele ajeitou-se, ficando ereto e encarando-me com as sobrancelhas levantadas.

–E por que eu faria isso? – Ele perguntou com um tom de deboche.

–Porque... – Mordi o lábio inferior tentando pensar em uma resposta plausível.

Aaron sorriu, dando a volta na mesa e encostando-se a ela na parte da frente, mais próximo de mim. Sua sobrancelha estava erguida, seu sorriso debochado pendurado no rosto e os braços cruzados.

–Por que, Lane? – Ele insistiu.

–Ah, bem... Eu e Miranda voltamos para cá e você poderia passar um tempo com sua mãe... E comigo – Sugeri hesitante.

Aaron abriu um sorriso maior.

–Perder um dia de trabalho para ficar em casa... Com minha mãe e esposa? – Ele debochou frio, gargalhando gostoso em seguida.

Senti-me extremamente idiota diante de sua reação. Sua risada foi como um balde de água gelada sobre mim. Ele ria sem pudor algum e fazia-me questionar se, de fato, meu pedido fora tão estúpido assim para ser recebido dessa maneira. Engoli em seco, olhando-o ir recompondo-se aos poucos.

–Lane, será que você não entendeu ainda que nosso casamento é fachada? – Ele perguntou levantando uma sobrancelha – E se nosso casamento é falso, por que eu iria ficar em casa brincando de casinha com você e a minha mãe?

–Eu iria sentir-me melhor depois de ontem... – Murmurei baixo.

–Desculpe desaponta-la, mas meu único dever é mantê-la viva – Ele sorriu frio – E não confortável.

Mordi o lábio inferior, passando a mão no cabelo e olhando para o lado.

–Perché è così difficile, mio Dio? – Perguntei a mim mesma, encarando vaga a prateleira.

–Non è difficile. E 'facile, il mio amore. Solo voi che non avete ancora visto – Ele comentou debochado.

Virei-me para ele e encontrei seu sorriso estampado no rosto. Não pude suportar aquilo. A toda hora, a cada palavra que dizia, ele debochava de mim.

–Fácil? Só eu que ainda não vi? – Perguntei apontando a mim mesma.

Ele não me respondeu. Só continuou a encarar-me a espera de minha continuação.

–Como você pode dizer isso? – Perguntei exaltando-me um pouco – Nada em minha vida está fácil! Nada – Voltei a repetir, olhando-o fixo.

Aaron estreitou ligeiramente os olhos, como quisesse prestar atenção em mim e o sol atrapalhasse sua visão. Ele apagou o sorriso, tornando sua expressão séria.

–Minha vida virou de cabeça para baixo descobrindo que estou cercada de pessoas mentirosas e desonestas e você quer que eu encare isso numa boa? Pois bem, eu não consigo! E tudo que eu te peço em meio a tudo é um dia em casa. Um misero dia que eu tenho certeza que não lhe fará falta no trabalho. Um único dia para poder me fazer companhia e me deixar te conhecer melhor – Suspirei, fechando os olhos – Um dia para fazer algo funcionar na minha vida.

Continuei de olhos fechados, respirando fundo ao fim de minha fala. Ouvi o barulho da mesa rangendo e os passos de Aaron em minha direção. Sua respiração bateu em meu rosto e sua mão subiu a meu cabelo, envolvendo-o nos dedos pela segunda vez no dia. Abri os olhos lentamente, encontrando seu rosto sério.

–Nem tudo que se quer, pode se ter Lane – Ele falou calmo e firme – E o que você quer é um conto de fadas. Um casamento de verdade. Mas isso não é um casamento de verdade. E eu não sou seu marido perfeito. Eu finjo muito bem. É isso que eu faço contigo. E é isso que eu continuarei fazendo.

Fechei meus olhos novamente, sentindo mais uma dilaceração em minha alma. Aaron parecia fazer questão de ser direto e frio, sem se importar se feria ou não meus sentimentos. Isso era frustrante. Seu rosto aproximou-se mais de meu. Seus lábios pairaram sobre os meus e senti-os roçando. O que Aaron fez depois, no entanto, foi depositar um longo beijo em minha bochecha. Ele voltou a se afastar e abri meus olhos.

–Maridos e mulheres de casamento de fachada não deviam ter esta intimidade – Argumentei.

Ele abriu um sorriso debochado.

–Nem aquela intimidade que tivemos na nossa noite de núpcias.

Abri a boca, pega de surpresa por sua fala. Seu sorriso alargou, contando já vitória.

–Aquilo foi... Diferente – Molhei os lábios.

–Por quê? – Ele levantou uma sobrancelha.

–Porque eu não sabia que éramos fachada – Abaixei a cabeça.

–E agora que você sabe tudo muda? – Ele perguntou baixo, passando sua mão para minha cintura e acariciando-a.

Respirei fundo, soltando o ar de uma vez. Aaron se postou mais perto, chegando sua boca bem perto de meu ouvido e provocando-me espasmos pelo corpo. Fechei os olhos.

–Non cambia – Ele negou em meu ouvido – Sarà ancora voglia di farci lavorare senza successo. Volendo dimostrare a me che potrebbe essere la moglie perfetta. A tutti. Fino a letto.

Não consegui responde-lo. Sabia que ele sorria, apesar de não abrir os olhos. Ele afastou-se, tirando as mãos de mim. Ouvi seus passos em direção à porta e abri os olhos.

–Eu não sou tola por acreditar nos casamentos, Aaron – Disse em voz alta, encarando sua janela e a luz que entrava por ela – Mas sim por ter acreditado e continuar acreditando que um casamento com você possa dar certo. Afinal, desde que cheguei, você só vem me mostrando que as únicas mulheres que te interessam são as desclassificadas sem pudor que pulam em cima de você e de sua cama sem nem você pedir.

Ele não me respondeu, porém senti um aperto repentino em meu braço seguido de um tranco forte. Fui obrigada a virar-me de frente a Aaron, que me fuzilava com o olhar. Sua expressão era amedrontadora, severamente fechada e perigosa.

–Tome cuidado com as palavras, Lane – Ele disse entre dentes, o maxilar travado – Porque você acabou de classificar-se como uma delas, uma vez que você também me interessa e muito.

Seu aperto doía muito e a aplicação de força que ele botou ao fim de sua fala fez-me gemer de dor. Encarei-o assustada, implorando pelo olhar que me soltasse. Ele encarou-me um pouco mais, seus olhos dando-me medo pelo sentimento ruim que passavam. Ele soltou-me sem aviso e cambaleei para trás. Ele saiu do escritório a passos pesados e firmes, sem nem pensar em olhar para trás. Fiquei massageando meu braço dolorido até ouvir a porta da frente da mansão ser fechada com brutalidade. Fechei os olhos e respirei fundo. Meu braço doía, mas a dor física não era nada se comparada a emocional. Principalmente quando me lembrava de seus olhos tão escuros e cheios de ódio. Arrepiei-me de novo, dessa vez só em pensar em sua expressão em conjunto. Abri os olhos e estes se encheram. Pisquei e uma lágrima safada rolou por meu rosto. Levando a mão rapidamente a meu rosto, sequei as lágrimas antes que rolassem mais. Saí daquele cômodo o mais rápido que conseguia, fechando a porta a minha passagem e caminhando a cozinha. Agustina continuava ali, terminando o café.

–Oh, senhora, ainda bem que apareceu! – Ela sorriu-me de relance, quando me viu entrar – Queria perguntar-lhe se a senhora desejava que pusesse a mesa da sala de jantar para o café. Sabe, quando era somente o senhor Aaron, ele nem comia direito em casa, então não havia a necessidade, mas agora...

–Não precisa de tudo isso – Neguei cortando-a – Aaron saiu e... Sou só eu mesma.

–E eu? – A voz de Miranda soou atrás de mim.

Virei-me e ela vinha da área de serviço, provavelmente tendo descido a escada dos fundos. Sorri-lhe fraco, enquanto ela sorria-me abertamente.

–Bom dia, dona Miranda – Agustina cumprimentou-a, virando-se para dirigir-lhe um sorriso.

–Bom dia, Agustina – Miranda cumprimentou de volta.

– Buongiorno – Sorri-lhe fraco.

–Bom dia, querida – Ela sorriu grande, vindo para abraçar-me.

Porém, no caminho, ela impediu-se. Ela parou, olhando para meu braço. Tentei tapa-lo, mas ela pegou-o com delicadeza antes que o fizesse. Ela observou a vermelhidão que aos poucos se tornava roxa.

–O que aconteceu?- Ela perguntou preocupada.

–Ah... Nada de mais – Forcei um sorriso – Eu acabei por batendo na parede. Estava meio aérea.

Miranda olhou-me séria e soube que ela não caíra em meu papo furado. Porém, ela se voltou a Agustina e perguntou a mesma se o café já estava pronto. Ela confirmou que sim e Miranda sorriu-me a mim.

–Se importa se ajudar-me a colocar a mesa, Lane? Assim agilizamos para podermos sair e fazer algumas compras – Ela perguntou sorrindo.

–Claro – Concordei sorrindo fracamente.

Miranda voltou-se ao armário de louças e eu peguei a toalha, estendendo no balcão. Dispus a louça para nós duas comermos, distraindo meu cérebro de pensar e lamentar pela cena de alguns minutos atrás.

Notas finais
Buongiorno - Bom dia Perché è così difficile, mio Dio? - Por que é tão difícil, meu Deus? Non è difficile. E 'facile, il mio amore. Solo voi che non avete ancora visto - Não é difícil. É fácil, meu amor. Só você que não viu ainda Non cambia. Sarà ancora voglia di farci lavorare senza successo. Volendo dimostrare a me che potrebbe essere la moglie perfetta. A tutti. Fino a letto - Não muda. Você ainda vai querer fazer-nos trabalhar sem sucesso. Querendo provar para mim que poderia ser a esposa perfeita. Em tudo. Até a cama. Pois é, pois é. Aaron é meio bipolar. Mas ele tem suas razões, ou não, para isso. Enfim, pelo menos a Lane está começando a tomar alguma atitude. Não é nada radical, mas um começo, certo? E pro próximo capítulo, provavelmente terá uma POV do Aaron. Aquela que eu cortei desse capítulo. Enfim, nada confirmado ainda. Mas se eu postar a POV dele, saibam que grandes emoções aguardam os próximos capítulos. Grandes mesmo. Xoxo