Strada Per L'inferno
21 E se fosse?
Notas iniciais
POV Aaron
Parei o carro na frente da boate e tirei a chave da ignição, abrindo a porta e fechando-a com certa força ao sair. Lane me tirava tão do sério que até meus carros sentiam as consequências. Aproxime-me dos seguranças na porta.
–Bom dia, chefe — Ambos cumprimentaram-me.
Olhei-os de cara fechada e eles logo abriram a porta, sabendo que não estava num bom dia para aturar puxas sacos. Entrei na boate e encontrei as meninas ensaiando sob a supervisão de Kimberly, que gritava furiosamente com uma delas por ter errado um dos passos. Revirei os olhos e adentrei mais a boate.
–Kimberly! – Gritei.
As meninas não envolvidas na discussão logo arregalaram os olhos e ficaram eretas. Kimberly e a menina que discutiam pararam. A menina imitou as outras e Kimberly, que estava de costas a mim, congelou. Sua postura ficou ereta e ela virou-se para mim, sorrindo safada. Ajeitando o cabelo e encarando-me, ela avisou as garotas para continuarem ensaiando e veio até mim. Ela aproximou-se rebolando igual a vadia que era e parou a minha frente com as mãos para trás do corpo.
–Não sabia que estaria aqui há essa hora, chefe – Ela sorriu.
–Porque não é da sua conta – Revidei irritado, fazendo-a apagar o sorriso – Me siga – Pedi virando-lhe as costas a tempo de ver o sorriso voltar a brotar em seus lábios.
Segui para as escadas e pude ouvir o barulho irritante de salto atrás de mim. Subi as escadas e segui em frente, virando à esquerda e abrindo a última porta do pequeno corredor. Meu escritório se encontrava do mesmo jeito de sempre. Joguei-me em minha cadeira e Kimberly parou na frente de minha mesa com as mãos na cintura e os cabelos para trás. Como sempre, ela vestia uma saia minúscula e um top apertado, assim como ela ostentava aquele sorriso safado e atirado que ela abria quando me via.
–O que você queria comigo, patrão? – Ela perguntou.
–Quero que você me traga uma garrafa de uísque do bar. Dos bons. E um copo – Mandei pegando o telefone em minha mesa.
–Só isso? – Ela perguntou insinuativa.
–Só isso está valendo seu emprego, então é melhor você voltar daqui a cinco minutos com tudo que pedi se não quiser ser mandada pro olho da rua – Disse rude, discando o número de Nick.
Ela revirou os olhos e se dirigiu a porta.
–E não se esquece do gelo – Gritei assim que ela fechou a porta.
Coloquei o telefone na orelha e após três toques, Nick atendeu.
–Fala Aaron – Ele atendeu direto.
–Colin falou com os policiais? – Perguntei botando os pés na mesa.
–Falou – Ele confirmou – Eles confirmaram que estarão lá hoje pro pagamento.
–Sabia que eles não iam dar pra trás... – Sorri.
–O Colin falou que teve que pressionar um pouco, porque eles ficavam a toda hora repetindo que a policia está começando a desconfiar e estão pensando em investigar. Mas no fim, a fome de grana se sobressaiu.
–E o medo de levar bala de mim também – Acrescentei.
–Pode ser – Ele concordou indiferente – Mas você não ligou pra perguntar disso, não é?
–Não – Confirmei – Quero que você e os outros estejam na boate em meia hora.
–Meia hora? O Dylan nem deve estar acordado!
–Problema – Dei de ombros, ouvindo a porta abrir e Kimberly aparecer com uma bandeja – Ou é em meia hora, ou ele vai ficar um bom tempo sem foder nenhuma. E isso vale pra todos.
–Tá – Ele concordou bufando – Daqui a pouco estamos aí.
Desliguei o telefone sorrindo, observando Kimberly servir o uísque que pedi no copo com gelo. Ela inclinava-se empinando a bunda e deixando todo seu decote apertado em vista para mim. Se não estivesse tão irritado, consideraria fazer o que ela intencionava com seus gestos. Kimberly rebolou até mim e estendeu o copo pronto.
–Não – Balancei a cabeça negativamente, fazendo-a ficar confusa.
–Eu não fiz nada de errado! – Ela olhou da bandeja, para o copo e para mim.
–Não bateu na porta antes de entrar – Sorri frio.
Ela abriu a boca para retrucar, mas só revirou os olhos e voltou para a bandeja. Ela botou o copo de novo nela e pegou-a, indo para a porta e fechando. Sua batida foi ouvida do lado de fora.
–Entra – Mandei tirando a arma do cós de minha calça.
Ela abriu a porta, emburrada, e andou até a frente da mesa. Abri a gaveta e joguei a arma ali dentro. Quando levantei o olhar, Kimberly estava ao meu lado com o copo estendido a mim. Peguei-o sorrindo debochado e levei aos lábios. O uísque desceu queimando, como gostava. Estalei a língua no céu da boca e Kimberly olhou-me à espera com as mãos na cintura.
–Pode ir – Mandei seco.
–Está de mau humor, chefinho? – Ela perguntou sorrindo de lado.
–E você, pelo visto, gosta de quando eu te trato mal... – Sorri sínico a ela.
–O que te deixou assim? – Ela perguntou andando até a bandeja, fechando a garrafa que ela deixara aberta.
–Você estar insistindo em me agradar quando eu não quero ver sua cara está contribuindo muito – Comentei tomando mais um gole de minha bebida.
–Hm, me desculpe – Ela pediu sem realmente lamentar.
Revirei os olhos e tomei o último gole, estendendo o copo a ela. Ela pegou-o sorrindo e voltou a abrir a garrafa.
–Eu fiquei sabendo... – Ela começou a dizer, enchendo meu copo de novo – Que a patroazinha gringa voltou para casa.
–Então você fica ouvindo fofoca enquanto eu te pago pra trabalhar? – Levantei uma sobrancelha.
–Bem, comentaram por aí e acabou chegando aos meus ouvidos... – Ela deu de ombros.
–E...?
–Bem, eu queria saber se é verdade – Ela deu a volta na mesa e estendeu o copo.
–Bem, isso não é da sua conta – Peguei o copo, respondendo-a com um sorriso sínico.
Ela fez uma careta e levantou as mãos ao ar. Ela voltou a dar a volta na mesa e mexeu de novo na garrafa, fechando-a e depois me olhando mexendo no cabelo.
–Ainda vai precisar de mim? – Ela perguntou.
–Vou – Confirmei chacoalhando meu copo suavemente e a vendo abrir um sorriso esperançoso – O mais longe de mim o possível.
Ela desmanchou o sorriso e fez mais uma careta, retirando-se rebolando. Ela fechou a porta e tomei mais um gole de minha bebida, demorando a engoli-la. Pousei o copo na mesa com um estrondo e encostei minha cabeça à cadeira, fechando os olhos e massageando as têmporas.
Lane não estava nem há uma semana comigo e já me dera mais trabalho no que em todos os outros seis meses juntos. Frágil, sensível, inocente, burra, mas gostosa pra porra. Era isso que Lane era. Mas o fato dela enlouquecer-me com aquele corpo dela e a inocência dela não compensava a raiva que ela provocava-me com aquela ilusão estúpida e irritante que ela tem de sermos um verdadeiro casal.
Flashback on
Caímos cansados na cama, cada qual ao seu lado. Ela, para variar, logo se aconchegou em meu peito, deitando sua cabeça ali enquanto desenhava linhas imaginárias em meu abdômen com o dedo. Eu passei meu braço por sua cintura.
–Aaron – Ela chamou-me com aquela voz de quem queria algo.
–Hm – Respondi de olhos fechados.
–Agora que eu sou sua namorada... – Ela começou a falar e eu a gargalhar, fazendo-a interromper-se.
Ela desencostou a cabeça de meu peito e olhou-me, irritada e magoada.
–Qual a graça? – Ela levantou uma sobrancelha.
–Eu nunca te pedi em namoro! – Ri.
Ela corou um pouco, porém sua reação mais notável foi sua revirada de olhos.
–Como se você fosse fazer isso... – Ela deu de ombros.
–Como? – Levantei as sobrancelhas.
–Ah, Aaron, vai me dizer agora que iria me pedir em namoro? – Ela sorriu de lado.
–E se fosse? – Perguntei sorrindo, apertando sua cintura e trazendo-a para cima de mim.
Ela abriu a boca, mas fechou-a e deu lugar a um sorriso. Ri pelo nariz e colei meus lábios nos seus, puxando com os dentes seu lábio inferior. Ela riu e aprofundou o beijo. Tomei sua boca com fervor e ela retribuiu. Apertei sua cintura e deslizei minha mão para sua bunda, apertando-a. Ela gemeu baixo e eu sorri. Ela afastou-se ofegante e grudou sua testa na minha. Dei-lhe um selinho e fui fazendo uma trilha de beijos até sua orelha.
–Quer ser minha namorada? – Sussurrei em sua orelha.
Abri os olhos e a vi fazer o mesmo, abrindo um enorme sorriso.
–Muito – Ela respondeu antes de me beijar.
Flashback off
A porta do escritório foi aberta e a abri meus olhos, furioso por terem interrompido meus pensamentos. Era Kimberly.
–Chefe, o Eric falou que precisar abastecer o bar de vodca – Ela disse direta, parando a frente de minha mesa.
Olhei-a fulminante, controlando-me para não sacar minha arma na gaveta.
–A porta, Kimberly – Silabei entre dentes.
Ela revirou os olhos e saiu, fechando a porta. Ela bateu do lado de fora e abriu-a sem eu dizer nada.
–Patrão, o Eric falou que... – Ela começou repetir tudo de novo.
–Eu ouvi da primeira vez – Cortei-a irritado.
Ela fez de novo sua careta, fazendo-me respirar fundo para não lhe acertar um tiro. Estendi meu copo a ela e ela pegou-o, voltando a enchê-lo. Desta vez, ela não deu a volta na mesa, mas sim estendeu o copo e peguei-o. Tomei um gole, fechando os olhos e relaxando.
–O que eu devo dizer a ele então? – Ela perguntou.
Abri os olhos, mirando-a frio.
–Eric sabe que ele mesmo deve fazer o pedido e informar o valor depois diretamente a mim – Respondi-a entre dentes.
–Ele pediu-me para vir perguntar... – Ela deu de ombros.
–Então acho que preciso demiti-lo – Comentei abrindo minha gaveta.
–Por...? – Ela perguntou botando as mãos na cintura.
–Por não me ouvir – Peguei um cigarro e o isqueiro – E você por incomodar-me.
Ela arregalou os olhos e abriu a boca. Acendi o cigarro em minha boca e traguei fundo, soltando a fumaça na sua direção. Ela tossiu e eu olhei-a.
–Agora que já disse tudo que tinha para falar, saí – Mandei.
–Aí que mau humor! – Ela resmungou dando as costas e seus cabelos batendo nas costas.
Ela saiu rebolando e com seus saltos tilintando. Ela fechou a porta e dei mais uma tragada. A porta abriu de novo e fechei os olhos respirando fundo para não atirar realmente na testa de Kimberly. Porém, pelos barulhos de sapato, soube logo que não era ela.
–Um copo só? Cadê o meu? – Dylan perguntou alto.
Abri meus olhos e encontrei-o se jogando em meu sofá. Nick sentava-se a minha frente. Zack e Colin não estavam.
–Onde estão os outros? – Perguntei calmo.
–Estão vindo – Nick informou.
–Oh, Aaron, passa um cigarro aê! – Dylan pediu.
–Compra o seu – Respondi-o grosso, tragando o meu.
–Eita cara, que humor! – Ele reclamou – Nem a bebida rola?
Revirei meus olhos. Virei-me para a porta e gritei por Kimberly. Alguns segundos depois, seus saltos irritantes foram ouvidos no corredor. Ela apareceu na porta sorrindo.
–Traz quatro copos, mais uma garrafa de uísque e gelo – Mandei pegando meu copo e tomando um gole.
–Só isso chefinho? – Ela perguntou sua voz insinuante.
–Isso e você parar de encher a minha paciência com essas perguntas.
Ela saiu com o rabo entre as pernas e Dylan desatou a rir.
–Cara, você tá de mau humor mesmo! – Ele concluiu rindo.
Revirei os olhos e abri a gaveta, pegando o cinzeiro e colocando-o em cima da mesa. Apaguei o cigarro após a última tragada.
–Você contou tudo para a Lane? – Nick perguntou sério.
–Tudo que ela precisava saber – Confirmei olhando para meu copo.
Percebi que tanto Nick quanto Dylan aguçaram-se em seus lugares.
–E como foi? – Nick continuou.
–Ela não acreditou que o paizinho dela era criminoso — Comentei levantando meu olhar a eles – Mas eu dizer que sou também não pareceu impressionar muito ela.
–Por que será? – Dylan sorriu irônico.
Fuzilei-o com os olhos e ele conteve-se.
–Só isso? – Nick perguntou interessado.
–Não – Neguei me virando a ele – Ela deu uma crise e eu tive que botar ela na cama. Ela acordou depois de madrugada e eu continuei a história enquanto ela continuou chorando alto querendo acordar a vizinhança toda.
–E depois de ela parar de chorar, vocês fizeram o que? – Dylan perguntou com um sorriso malicioso.
–Dylan, eu devia te meter um tiro no meio das pernas para ver se você consegue ficar sem falar em sexo a cada dois minutos – Comentei chacoalhando meu copo quase vazio.
–Não transaram – Ele concluiu rindo.
Bateram a porta e abriram-na, revelando Kimberly com uma bandeja em mãos. Ela repousou a bandeja ao lado da outra e pegou a garrafa já aberta, servindo em dois copos com gelo. Dylan e Nick olhavam a bunda empinada de Kimberly, porém Dylan ganhava a disputa de mais malicioso. Kimberly entregou os copos para cada um e Dylan sorriu-lhe sem pudor. Ela retribuiu o sorriso e eu pigarreei, enjoando com a ceninha pré-sexo a minha frente. Kimberly se virou para mim e eu estendi o copo. Ela encheu-o e eu apontei com os olhos para a porta. Ela bufou, me entregando o copo e saindo rebolando.
–Sua assistente... – Dylan mordeu o lábio inferior após abaixar o copo.
Revirei os olhos.
–Mas você e Lane acertaram-se? – Nick retomou o assunto.
–Nick, estou começando a achar que você está afim da minha mulher – Olhei-o irritado.
Dylan riu e Nick revirou os olhos.
–Eu queria saber, porque a Lane é uma pessoa legal – Ele deu de ombros tomando um gole de sua bebida.
Revirei os olhos de novo e virei metade do copo na garganta. A porta foi aberta pela milésima vez e Zack e Colin entraram.
–Quando eu digo meia hora, não são cinquenta minutos – Comentei chacoalhando meu copo.
–Estávamos terminando de revisar os carros para sábado à noite – Zack disse abrindo a outra garrafa, parado a minha frente.
Colin se jogou no sofá ao lado de Dylan e cumprimentou o mesmo. Zack encheu seu copo e o de Colin e entregou-o a ele depois de tomar um gole do seu.
–Agora que todos estão aqui, vamos trabalhar – Tirei o pé de cima da mesa, pousando o copo na mesma.
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