Strada Per L'inferno
65 Na saúde ou na doença
Notas iniciais
"Passageiros do voo 2098 da American Airlines, destino Roma, por favor, encaminhem-se para o portão de embarque 6."
Desviei o olhar do nada e olhei para minha mãe e Grace. Ambas me olharam de volta e sorriram reconfortantes, levantando-se com suas bolsas em mãos. Respirei fundo e as imitei, erguendo-me com toda a minha tristeza e falta de forças. Os saltos estalavam conforme seguíamos as placas, alguns pescoços virando e observando com certa curiosidade. Os seguranças de babbo estavam espalhados pelo local e só dois nos acompanhavam de perto.
— Mamma, eu preciso parar antes no banheiro.
— Claro, vamos todas.
— Não. Eu preciso ir sozinha.
Ela se virou para mim, parada no meio de um dos aeroportos mais importantes dos Estados Unidos, e inclinou a cabeça. Um suspiro escapou de seus lábios e ela tirou os óculos de sol, aproximando-se de mim. Suas mãos passaram pela minha bochecha e seus olhos estavam pesarosos e compreensíveis.
— Vai melhorar, querida. Eu lhe garanto. Ele não era o homem certo para você. Isso irá passar e você encontrará alguém descente.
— Eu sei, mamma. Mas eu preciso de alguns minutos antes de entrar naquele avião. Sei que já estamos longe, mas isso será definitivo e... Preciso de alguns minutos.
O olhar de minha mãe não poderia ser mais compreensível. Era um tipo de compreensão dolorosa e só a vivência poderia lhe dar isso. Seu olhar, ao mesmo tempo que me intrigou, deixou-me culpada. Ela assentiu ao meu pedido e beijou minha testa longamente.
— Não faça nenhuma besteira.
Concordei, mesmo com a palavra perdão presa entre meus dentes. Ela se afastou com Grace, que me dirigiu um último olhar misterioso, e um dos seguranças. Eles seguiram reto e eu virei à esquerda duas vezes, achando as grandes portas do banheiro e as empurrando. O segurança que sobrou ficou do lado de fora, montando guarda.
Dirigi-me à pia e tirei os óculos, apoiando a bolsa na parte seca. Olhei minha própria expressão abatida e balancei a cabeça, tentada a colorir aquela tela depressiva. Mas ao invés de pegar um batom, peguei meu celular e chequei as horas e mensagens. Digitei onde estava e como estavam as coisas antes de apagar todos os registros e jogar o celular na grande bolsa. Abaixei a cabeça, apoiada ao mármore, respirando fundo e esperando. Ouvi o barulho de saltos no piso frio e um par de Manolo Blahnik parou ao meu lado. Lentamente, levantei os olhos para a criatura ruiva que retocava o batom da cor de seus cabelos, porém mais quente.
— Gostei da cor — murmurei, apontando pelo espelho.
Um sorriso surgiu em seus lábios e seus olhos caíram sobre meus óculos na cabeça.
— M.A.C. Gostei dos óculos.
— Prada.
Um último sorriso de simpatia foi trocado entre nós antes de jogar o batom dentro de minha bolsa e sair rebolando para fora com o modelo Victor Hugo idêntico ao seu nos braços.
Duas Semanas e meia antes
Aaron me olhava com um sorriso frio e maldoso nos lábios, idêntico ao de Callum. Mas diferente de antes, com Callum, eu temia aquele sorriso agora, em Aaron. Era verdadeiramente horripilante, ainda mais quando suas feições mais carinhosas para comigo se transformavam naquilo que esperava já ter enterrado. E seus olhos... Esses eram os piores. Estavam tão duros, raivosos, e ainda assim se juntasse ambas as coisas não superava a falta de qualquer sentimento bom.
Era mais um vazio negro do que qualquer coisa.
— Não vai dizer nada, Lane? Não vai dividir suas impressões do maravilhoso jantar com seu marido?
— Co-como soube?
Seu sorriso aumentou. Eu não me dei conta, mas, involuntariamente, pressionava meu corpo contra a porta do carro. Mas Aaron não deixou passar. Ele notou e se ajeitou para mais perto de mim, fazendo-me pressionar toda minha lateral direita contra a lataria estofada.
— Com medo, amore mio?
Sua mão subiu por meu braço, arrepiando-me. E não da maneira que costumava e gostava, era mais um sinal de medo do meu corpo. Seus dedos frios passaram pela alça do vestido, brincando antes de subir pela nuca. Fechei os olhos, apertando minha bolsa com força. A arma pressionava minha coxa, fazendo-me sentir seu formato perfeitamente. Sua respiração ficou em meu pescoço desnudo e sua outra mão pousou em minha perna. Minha respiração falhava e eu me praguejava por temê-lo e desejá-lo ao mesmo tempo. Sua boca ficou tão próxima de meu ouvido que quase a sentia encostando.
— Deveria temer mesmo, porque não estou nada contente com seu comportamento.
Comprimi meus lábios e seu corpo se afastou do meu, dando-me a chance de respirar. Esperava estar somente maluca pela mentira que vinha me consumindo. Esperava que Aaron, ali ao meu lado, fosse ilusão. Repetia em um mantra interno silencioso que era tudo fruto de minha imaginação. Mas quando abri os olhos e vi meu braço todo arrepiado, meu ombro pressionado contra a janela e seu reflexo no espelho retrovisor, soube que não estava fora de mim. Engoli em seco e me ajeitei no banco, tentando acalmar meu coração, que desde o início teve um leve mau pressentimento.
— Como soube? — consegui pronunciar sem gaguejar.
Não tinha coragem de olhá-lo, por isso mantinha os olhos na janela. Estávamos nos distanciando do Quartel Francês e nos aproximando de casa.
— Não agora, Lane. — não havia mais deboche, só frieza. — Quando chegarmos, discutimos isso.
Não o contrariei. Não tinha vontade nenhuma de enfrentá-lo num carro pequeno rodando pela cidade com dois seguranças no banco da frente de testemunhas. Calei-me, apertando os lábios e a bolsa com força entre meus dedos. O meu celular começou a tocar, cortando o silêncio no carro. Os seguranças eram cópias perfeitas dos guardas do Palácio de Buckingham, com exceção do motorista, que se movia, ainda que somente o necessário, para dirigir o carro.
— Pode atender, contanto que coloque no viva-voz. Pode ser seu novo amigo.
Quis jogar o telefone em sua cabeça ou pela janela, contanto que parasse e eu não fosse submetida aquilo. Peguei o aparelho e atendi a ligação no último minuto.
— Graças a Deus. Pensei que poderia ter acontecido alguma coisa.
Aaron não olhava para mim, mas percebia que prestava atenção. Era inevitável quando a voz de Caitlin era o único barulho naquele pequeno espaço.
— Estou bem, Caitlin. Eu posso te ligar depois?
— Sua voz não tá boa. O que aconteceu? Aquele filho da puta fez alguma coisa?
— Depois te explico, Caitlin. Não aconteceu nada demais.
— Tudo bem. E Aaron? Ele...
— Caitlin, por favor, conversamos depois. — praticamente choraminguei.
Ela notou o tom ainda mais suplicante em minha voz e parou. Despedimo-nos rapidamente e desliguei a ligação. Havia mensagens de Colin, mostrando-se preocupado.
— Pelo visto, todos sabiam e eu fui o único feito de bobo.
— Caitlin é minha melhor amiga. Eu não conseguiria, nem se quisesse, esconder as coisas dela.
Ele riu de escárnio, mas não respondeu. Mandei uma resposta rápida para Colin, avisando que estava bem e indo para casa, além de pedir que Grace passasse a noite no apartamento dele, pois o tempo ia fechar na mansão.
Assim que o carro cruzou o portão e parou, abri a porta. Aaron me imitou e já estávamos no caminho para a casa enquanto os seguranças se arrumavam e tentavam o mínimo possível serem discretos em nos encarar. Sorri fraco a Brad, que parecia miserável pelo olhar. Ele se culpava e eu entendia o porquê, mesmo que não fosse justo. Se alguém realmente deveria carregar aquele peso, era eu. E eu já o sentia em minhas costas, agora com ainda mais intensidade.
Aaron abriu a porta e fechei-a a minha passagem, jogando a bolsa na poltrona. Ele estava parado no meio da sala, as mãos no cabelo, bagunçando-os loucamente de costas para mim. Parei ao lado do sofá, cruzando os braços e pernas esperando ele dar o primeiro grito.
— Mas que porra você fazia COM ELE?
Os seus olhos estavam injetados em cólera e seu rosto vermelho. Cobri minha face com as mãos, respirando fundo. A distância entre nós não era tão grande, mas parecia o equivalente a Terra–Lua.
— Nós estávamos conversando. — mordi o lábio, abraçando-me com mais força. — Ele tinha coisas a me dizer que talvez nos ajudasse...
— Nos ajudar? — riu. — Por favor, Lane! Como você pode ser tão estúpida? Você podia estar morta agora, sabia?
— Eu sei. Mas ele não faria nada contra mim. Eu ainda sou filha de quem sou, não é? Ele não seria louco a esse ponto...
Sua gargalhada foi alta e sem vida, fazendo jus às risadas do antigo Aaron. Aquele que estava vindo à tona de novo, quando já esperava termos superado.
— Ele não é louco a esse ponto? — aproximou-se, falando baixo e me deixando assustada com seu olhar louco. — ELE FARIA DE TUDO PARA ME ATINGIR, MESMO QUE IMPLICASSE EM MATAR A FILHA DA MÁFIA ITALIANA! ELE TERIA O PRAZER DE ACABAR COM MINHA VIDA DE NOVO. MELHOR, DE ME AFUNDAR AINDA MAIS DEPOIS DE ACABAR COM A MINHA VIDA!
Suas palavras foram como estacas em meu corpo. O final foi como um golpe certeiro em meu coração. Encarei-o de boca aberta, não pretendendo falar nada, mas simplesmente só esperar que se tocasse do que falara. Mas sua raiva o consumia e cegava, e ele era do tipo do calor do momento, com um ego enorme que o impedia de reconhecer e se desculpar. Eu sabia que ele não pretendia ser tão baixo, mas estava cansada também de ser a única a ceder. Relacionamentos são concessões de ambos os lados, e o nosso era somente unilateral. E até o maior dos esperançosos se cansa uma hora ou outra.
Virei sem uma palavra dita e não dei dois passos antes de meu braço ser puxado para o centro da sala.
— ME SOLTA.
— VOCÊ NÃO VAI SAIR ATÉ ME EXPLICAR QUE MERDA ESTAVA ACONTECENDO.
Olhei para seu rosto a centímetros do meu, sua respiração cruzando com a minha e batendo em mim. Meus lábios tremiam e os seus também, mas por motivos totalmente opostos.
— Você não se toca das coisas que faz e diz e que machucam as pessoas, não é, Aaron? — murmurei, tentando controlar a emoção.
— Lane, não começa com suas...
— SUA VIDA ACABOU POR CAUSA DE CALLUM?! EU SOU O QUE ENTÃO?
Seu maxilar trancou e sua língua passou pelos lábios. Ele me soltou e massageei meu braço, vendo-o ir até a mesa de bebidas.
— Isso. Agora você foge das respostas bebendo.
— VOCÊ QUER QUE EU FAÇA O QUÊ? BATA EM VOCÊ? PORQUE É EXATAMENTE ISSO QUE EU QUERO FAZER.
— FAÇA! ME BATA! FAÇA IGUAL FAZIA COM SIENNA. ELA NÃO ERA A SUA VIDA? USE O ESTEPE AQUI PARA SE LEMBRAR DOS BONS TEMPOS ENTÃO!
Ele não me respondeu. Ambos ofegávamos nos encarando, decidindo o próximo passo. Aaron o deu. Ele se dirigiu até mim em passos largos e decididos, fazendo-me pensar que me atravessaria. Minha surpresa não poderia ser menor quando pegou em minha cintura e nuca, colando nossas bocas. Não tive tempo de pensar. Meu corpo reagiu ao seu automaticamente, correspondendo ao seu beijo duro e selvagem. Levei minhas mãos a sua nuca e agarrei seus cabelos como ele fazia comigo, deixando seu corpo ainda mais junto ao meu. Sentia seus músculos rígidos do abdômen assim como a arma em sua cintura. Aquilo costumava me arrepiar, agora até excitava.
— Pare de falar merda. Você não é meu estepe. Você é a minha mulher.
— Pela merda de um contrato — murmurei com sua boca em meu pescoço.
— É. Mas ele me dizia para manter as mãos longe de você, e essa é a única coisa que não posso fazer.
Peguei seu rosto e ele me deixou olhá-lo, enxergar dentro e através de seus olhos, seu interior. Eu odiava como ele conseguia virar o jogo do modo que desejava em questão de segundos. Porque a raiva continuava ali, mas não o dominava mais. Ele estava de deixando as muralhas cair de novo e dizendo a verdade, e isso ruía com as minhas proteções, fazia-me ainda mais vulnerável a ele.
Rocei nossos lábios e ele me beijou mais uma vez, porém lenta e gradativamente, sem pressa ou euforia, mostrando-me tudo que queríamos falar, mas não expressávamos em palavras. Caí levemente ofegante com a cabeça em seu ombro, aspirando seu perfume enquanto acariciava sua nuca. Ele fazia carinhos em minha cintura e cabeça também e, por bons e longos minutos, permanecemos assim.
— Vamos conversar. Mas, por favor, tira essa roupa.
Afastei-me e o encarei, confusa.
— Eu não suporto imaginar que você se arrumou assim para ele, e ele ficou querendo o que era meu a noite toda sem poder fazer nada. Uma vez já foi o suficiente.
Assenti e lhe dei um selinho.
— Só para saber, me arrumei imaginando a sua reação. Não a dele.
Subimos para o quarto, pegando a bolsa no caminho, e ele se sentou na cama enquanto caminhei ao closet e depois ao banheiro. Tirei o vestido e amarrei os cabelos mais firmemente antes de tomar uma rápida ducha. Vesti uma calcinha e uma camisa de Aaron, saindo do banheiro com minhas joias ainda no corpo. Aaron continuava sentado na cama, agora sem os sapatos e camiseta. A arma que levara comigo na bolsa estava em seu colo, e a sua, no criado mudo.
— Onde conseguiu?
— Colin me emprestou.
Ele assentiu e continuo encarando a arma. Aproximei-me sem medo e sentei ao seu lado igual índio.
— É uma Beretta 92FS. Uma arma de fabricação italiana, mas popular aqui.
Sorri e ele se virou para mim, deixando a arma de lado. Seus olhos passaram desde meus cabelos e a camisa fina mostrando meus seios rijos até as joias que ainda usava.
— Por que estava usando essas coisas?
Engoli em seco, sentindo a pressão e intensidade de agora o ter mirando meus olhos.
— Era um jeito de me sentir mais próxima de você. Me dava segurança e culpa também. Enquanto seus presentes pesassem em mim, estaria segura, mas a culpa por estar mentindo não seria esquecida por nem um segundo.
Sua cabeça balançou e seus dedos passaram pela borboleta em meu colo, fechando-se sobre ela. Por um momento pensei que fosse puxá-la, estourando o colar, mas ele não fez, soltando a peça e se levantando ao invés disso.
— Tira essas coisas. Não precisa mais disso.
Deixei tudo sobre o criado mudo, assim como a arma. Voltei-me a ele sem mais nada além das roupas no corpo. Ele estava voltando do closet, agora só de moletom e cueca. Ele parou em minha frente e esticou sua mão até meu pescoço, desfazendo o meu coque. Meus cabelos, um tanto marcados e cacheados, caíram por minhas costas e ele me puxou para si. Parei em sua frente e ele me envolveu com os braços, puxando-me para cima. Enlacei sua cintura com as pernas e me segurei firme ao seu pescoço. Com os olhos grudados nos meus, ele se sentou na cama comigo em seu colo e começou a me beijar lentamente.
Curtimo-nos por um tempo até ele me soltar e ofegar em meu pescoço. Não tinha certeza sobre dar o primeiro passo, mas como ele o fez na sala, decidi fazer aqui, enquanto ainda tinha sanidade o suficiente para uma conversa.
— Como descobriu?
Minhas mãos brincavam em seus cabelos e braços, às vezes nas costas. A sua boca tinha passe livre por todo o meu pescoço e busto, com direito a clavícula também.
— Coloquei alguns seguranças na sua cola sem saber. Eles me avisaram quando foi para a casa de Colin ao invés de Caitlin e quando chegou no restaurante onde Callum estava, e não seus pais.
Engoli em seco e fechei os olhos. Deveria ter imaginado que ele faria algo assim. Mesmo com a suposta segurança de meu pai, ele era protetor ou neurótico demais para me deixar só com Brad. De modo estranho, até gostava de sua superproteção. Senti sua respiração em meu rosto e sua língua em meus lábios, pedindo passagem. Concedi e suas mãos foram apertando minha cintura e bunda conforme ele aprofundava, mas sem tornar algo sensual e carnal demais.
— Me conta tudo — sussurrou contra meus lábios, ofegando alto junto comigo.
Comecei pela ligação e pela oferta de jantar, que aceitei por curiosidade e certo receio. Disse porque menti e contei como Grace, Caitlin e principalmente Colin me ajudaram, o que não tornou meu amigo mais simpático aos seus olhos. Cheguei então ao jantar, que ele ouviu com muita dificuldade e o maxilar travado. Não temi em falar sobre a proposta de Callum, contando sobre tudo que me revelara, omitindo somente a última coisa que me dissera. Não sabia porque o fizera, mas sabia bem minha decisão sobre a oferta de Callum naquele momento. Seria incapaz de conseguir de trair Aaron dessa maneira de novo. Iria me destruir enquanto o prejudicava, e eu era incapaz de o machucar intencionalmente dessa forma.
Quando acabei, Aaron fechou os olhos e os esfregou com o dorso da mão. Mordi meu lábio, nervosa, esperando sua reação. Não achava que ele iria explodir, mas Aaron era uma caixinha de surpresas, com uma nova sempre que você pensava já saber todas.
— Ele quer Miami.
— O quê?
Ele abriu os olhos e havia ódio ali. Mas não era a mim, e sim a Callum. Era algo crescente, contido e do tipo mais letal.
— Callum quer tomar Miami. E ele marcou esse jantar para que eu soubesse disso. Ele sabia que você iria me contar e assim eu iria sacar que ele tem um plano pra foder com o meu.
Abri a boca, surpresa com as últimas informações. A lógica de Aaron me espantava, mas a de Callum também. Ele era mais psicótico do que julgava.
— Miami? Isso tem a ver com os 51% do contrato com babbo, não? — ele confirmou.
— Miami é minha tacada final para conseguir validar o contrato. A cidade em si já vale muito, e com as conexões que conseguiria derrubando o chefe de lá, eu conseguiria mais do que os 10% que preciso.
— Você vai derrubá-lo em menos de um mês? — riu do choque em minha voz.
Era sua risada boa, a que eu gostava. Tive vontade de abrir um sorriso de lado, encantada com o som puro como sempre ficava quando ele o soltava.
— Não exatamente. Já venho enfraquecendo o cara há bons meses, mas nessas três semanas eu daria a tacada final, ficando com a cidade e o contrato com seu pai e Dom Mantovani.
— O que tem de tão importante nesse contrato com meu pai? — perguntei, acariciando sua nuca, que voltara a ficar tensa.
— Tudo, Lane. Se conseguir uma aliança com a Itália, poderia ter cargas de tudo que quisesse com muita mais facilidade. Conseguirei comandar o país em um ano ou dois. Ter a proteção e ajuda de uma máfia tão importante como a de Dom Mantovani é crucial nesse ramo. Ou você é muito foda pra se fazer sozinho ou você é esperto para se ligar as pessoas certas. Até hoje, só vi a segunda opção.
Suspirei e concordei, deitando a cabeça em seu ombro de novo. Ficamos em silêncio, cada um em seus pensamentos. Minha cabeça trabalhava a mil, tentando achar uma solução para nós. Se ele conseguisse chefiar os Estados Unidos, correria os riscos que Callum dissera. Mas isso era importante para ele e, nesse ramo, não havia como largar e seguir sua vida. Ou você subia ou você morria tentando, o que me levava de novo ao meu dilema. Mas agora, naquele momento, o futuro era Miami e o contrato. Aaron iria conseguir com ou sem minha ajuda, e se eu pudesse ser útil, seria.
Na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza, até que a morte nos separe.
— Aaron?
— Hm?
Levantei minha cabeça e olhei seus olhos calmos, ternos, encarando-me com atenção. Imaginava que sua reação mudaria toda sua expressão, mas eu tinha de ir em frente. Pro seu, pro meu, pro nosso bem.
— Eu quero te ajudar e tive uma ideia para isso.
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