Strada Per L'inferno

55 Máscaras - Parte III


Notas iniciais
Hey baes... Estou de volta com mais um capítulo do forno e tenho algumas noticias para dar. Vou começar com a ruim. hahahah. O próximo capítulo deve demorar mais porque eu tenho de reescrevê-lo e vou entrar em provas, sem contar que a semana que virá será uma loucura por conta de trabalhos que tenho que fazer. Então... A boa noticia vou dar lá embaixo porque essa sou eu. hahaha. Coloquem uma música de sua preferência e curta esse capítulozinho... http://minilogs.com/egldkw0 Godere P.S. Patynay, esse é para você. Obrigada pelo carinho e lealdade. Espero que ainda achasse meus personagens viciantes daqui para frente...

POV Lane

Voltei ao salão principal discretamente, aliviada por não ter sido flagrada ao sair da sala. Fui descuidada quando não chequei com Nick se o corredor estava limpo, mas, no calor do momento com Aaron, tudo esvaiu-se de minha mente.

Terminei minha taça de champanhe e já peguei outra, largando a antiga em uma mesa qualquer. Procurei por meu nome nas mesas e "Ava Wilde" estava escrito em letras floreadas em um cartão sobre um prato em uma mesa do lado oposto à dos meninos e de babbo, o que não foi nenhuma surpresa. Pousei a bolsa na mesa e sentei-me. O plano era esperar a grande entrada de Callum e um momento oportuno para entrar em ação. No meio disso, pagaria de "bela donzela solitária".

Olhei na direção da mesa de babbo e, felizmente, ambos estavam de costas para mim, conversando com alguém de cacife. Não haviam me notado ainda. Aaron ainda não havia voltado, o que me fazia imaginar o que o prendia tanto tempo por lá. Por um momento, minha mente vagou. Estava tão absorta no êxtase e auto orgulho que não comentei ou observei com a devida atenção detalhes como o quanto Aaron estava lindo naquele terno. Havia ajudado a escolher há duas semanas atrás. Fora uma das raras vezes em que ele saíra comigo daquela mansão, e também um dos melhores dias com ele. Lembro-me de como ele ficara perfeito naquele terno preto que realçava, se possível, suas órbitas negras e marcava seus ombros largos e abdômen liso. E hoje, arrumado do jeito que eu orientei, com sua pose mandona e preocupada de bônus, estava irresistível. Ele dissera que estava louco com minha roupa, mas eu não me deixava atrás com a dele.

Acordei do meus devaneios para ver a figura poderosa que admirava voltar ao salão com passos calmos, mas marcantes. Aaron era marcante. Ele não olhou uma vez ao redor, pois agora estávamos sob observação por todos os cantos. Por isso, desviei meu olhar para o resto do salão, procurando minha taça na mesa com os dedos e fingindo mapear com os olhos cada pedaço daquele lugar. De certa forma, isso não era mentira. Aaron parou a mesa de babbo, reparei de canto de olho, e inspirei secretamente fundo antes de virar um gole de champanhe na boca.

Levantei-me e achei melhor desaparecer de suas vistas por um tempo, caso uma das partes, ou ambas, decidissem acabar com o disfarce com olhares ou gestos mais diretos. Desloquei-me pela lateral do salão suavemente, com somente a taça em mãos. Pensei em voltar a entrar no corredor que estivera há pouco, mas achei arriscado. Então entrei em outro atrás das escadas.

Assim como o outro corredor, este possuía vários quadros de arte nas paredes. A diferença era que as portas não ficavam em um lado, mas sim ao fundo. Mais especificamente depois de virar à direita. Havia três portas no curto corredor: duas, sendo uma em frente à outra, e a terceira ao fundo. Não lembrava o que tinha nas duas primeiras, mas sabia muito bem o que tinha na última. E quando vozes se propagaram de lá, não soube se agradecia ao meu cérebro disperso e pés ativos ou se os praguejava.

De primeira, não entendi bem o que falavam. A porta estava entreaberta e as vozes eram baixas e abafadas. O comprimento do corredor ajudava, mas o provável isolamento acústico da sala não.

— ... longe. Essa é a última vez que eu repito. Estamos entendidos?

— Acho melhor você procurar um médico, porque tá ficando surdo. Eu já disse que não vou dar as caras na sua festinha.

A primeira voz era grave, claramente masculina. Já a segunda era de mulher: suave, mas temperada ao fundo com ácido. E não era só seu tom.

— Não abuse. Tô falando sério. Não quero gracinhas.

— Tudo bem, papai — debochou entediada.

— Te quero longe daqui. Assim que eu sair, chame Javier ou algum outro para te levar até o hotel.

— Me quer longe para eu não ouvir os gemidos da vadia depois? — perguntou mais irônica do que irritada.

— Talvez. Ela parece ter uma bunda melhor do que a sua.

Uma risada feminina, baixa e elegante, mas arrepiante para mim, ecoou. Ouvi seus passos leves na sala e travei, só soltando o ar com o barulho de cadeira girando.

— Duvido. Você sabe que nenhuma é melhor do que a minha. — sua voz baixou e arrastou-se sensualmente.

Foi a vez do homem rir, rouco. Sua risada não era como a que estava acostumada: era mais grave e fria.

— Acho que anda contando muita bola para seu lado. Se fosse você, tomava cuidado.

— Sente-se e veja, querido, você mesmo beijar meus pés depois de eu cumprir a minha parte.

Ele riu mais uma vez e disse algo tão baixo que não consegui distinguir. A seguir, beijos e leves gemidos soaram dentro da sala, sinalizando a minha deixa. Voltei ao corredor maior e, quando saía deste, pensando já estar livre para refletir sobre tudo que ouvira, esbarrei em um segurança.

— O que está fazendo aqui?

Levantei o rosto e sorri, apesar de sua expressão e voz serem duras. Meu coração palpitava rápido e controlava minhas mãos para tremerem ou meu sorriso vacilar.

— Oh, eu estava admirando os quadros. Tem alguns bastante interessantes. Se não me engano, era uma obra do Daniel Ritchter lá atrás, não? — desconversei, sorrindo mais e aproximando a taça mais do peito, como se jogasse charme.

Ele não pareceu se afetar.

— Esta área é proibida aos convidados. A senhorita deveria voltar ao salão.

— Tudo bem. Se assim deseja...

E dando um último sorriso inibido, rebolei de volta ao salão. Meu coração ainda batia forte quando achei minha mesa no meio da muvuca, que parecia ter aumentado. Queria procurar por Aaron e contar o que tinha ouvido, mas não podia. Teria que esperar para dividir a estranha conversa que ouvira.

Havia uma mulher em minha mesa. Ela batia o salto no chão e olhava as unhas, desinteressada no ambiente ao seu redor. Não precisei olhar duas vezes para saber que era uma puta. Pousei meu champanhe já quente na mesa e peguei minha bolsa. Ela me olhou de cima a baixo, analisando-me, e logo voltou às suas unhas. Não disse nada, como ela, e me retirei para os sofás no canto. Sentei na ponta de um e peguei outro champanhe com um garçom que passava. Sabia que não podia abusar e defini que aquele seria o último que tomaria por espontânea vontade.

Recolhi-me aos meus pensamentos, esperando meu coração voltar ao compasso e a leve tremedeira que tivera depois do confronto com o segurança passar. Ignorei as conversas baixas ao redor, preenchidas por muitos risos falsos e gemidos treinados, e a fumaça de charuto e cigarro que coçavam meu nariz. Permiti-me procurar por Aaron uma única vez, achando-o na mesa com os meninos. Ele estava de lado para mim, conversando com Dylan enquanto mexia com certa impaciência na máscara que ele deveria estar usando. Conti um leve sorriso. Sabia que ele havia odiado a ideia de usar uma máscara e já ficava feliz em ver que, ao menos, ele a trouxera.

Seus olhos varreram o salão um minuto depois, procurando pelos meus como se soubesse que eu o observava. Nossos olhares se encontraram, e mesmo sendo errado e podendo colocar tudo a perder, nós o sustentamos. Ele queria ter certeza de que eu entendera tudo muito bem, e eu queria garanti-lo de que tudo estava sob controle.

As luzes então apagaram e eu perdi seus olhos na escuridão. Um holofote voltado às escadas acendeu-se e, como todos, voltei-me curiosa ao ponto de luz. Callum e uma puta ao seu lado sorriam a todos no patamar das escadas. Sorri de canto, com a mesma sensação que a maioria esmagadora naquele cômodo: a noite tinha acabado de começar.

POV Aaron

Fechei o paletó e cruzei o salão tentando parecer calmo. Pois eu estava tudo menos calmo com a ideia de que Lane me observava de algum ponto por ali, vestida num puta vestido sexy, pronta para arriscar a sua bunda maravilhosa em um plano que poderia levar todos nós à morte. Queria procurar por seus olhos, ter certeza de que ela realmente entendera isso, mas eu não podia.

Agora estávamos jogando e todos interpretavam tudo, menos si mesmo.

Foquei na mesa de Antenore e Don Mantovani. Eles conversavam com algum puxa-saco medroso, pois eu via seus ombros encolhidos e os muitos sorrisos e risadas forçadas. O núcleo mafioso da mesa parecia entediado, o que era benéfico para mim. Não ficariam ainda mais putos comigo por interromper uma conversa chata por uma muito mais interessante, tanto para mim quanto para eles. Não era como se eu ligasse também para seus sentimentos para comigo.

— Você poderia nos dar licença?

O homem, que deveria ser um futuro candidato a deputado ou assessor de algum político babaca ali, pareceu surpreso. Arqueei as sobrancelhas, dando-lhe um aviso. O merdinha logo se borrou como eu sabia que ia e saiu rapidamente. Puxei a cadeira e sentei-me sem cerimônias.

— Não sei se lhe agradeço por nos livrar de uma conversa verdadeiramente martirizante ou se me espanto por sua falta de educação.

— Realmente inspirador vindo de um homem que manda recados através de balas enterradas na testa. Mas eu não vim jogar conversa fora enquanto vocês tricotam. Vim pedir um favor.

— Que tipo de favor? — Antenore arqueou a sobrancelha.

— Do tipo de que você não acabe com meu plano e vá falar com sua belle di giorno no meio dessa gente toda.

— Ela está aqui?

Seu tom e expressão foram totalmente neutros, como se discutíssemos coisas triviais. Antenore era tão bom quanto eu em esconder as coisas. Talvez até melhor.

— Ela adora fazer joguinhos. Acho que você esqueceu de mencionar isso quando fechamos negócio.

— Ela não era assim antes de você, e todos sabemos.

— O que ela está fazendo exatamente aqui? — Dom Mantovani mostrou-se curioso por detrás da máscara indiferente.

— Além de me desafiar, veio pelo mesmo motivo que me trouxe até aqui.

— E você simplesmente aceitou? — havia deboche na voz de meu sogro.

— O que eu podia fazer? Dar um escândalo e arriscar tudo? Ela foi inteligente dessa vez. Passou a perna direitinho em mim. Parabéns. Se saiu bem à família que tem.

Sorri irônico, levantando-me, não querendo estender mais aquela conversa e precisando de um bom gole de uísque para digerir tudo. Antenore estreitou os olhos, apesar de sua voz continuar insensível.

— Se algo acontecer, não preciso acrescentar que é um homem morto.

— Se algo acontecer, você pode ter meu cadáver depois de eu ter o do anfitrião.

Acenei com a cabeça e deixei-os para trás antes que alguma das partes acabasse se exaltando, e eu sabia que seria a minha. Achei um garçom no caminho e dei um bom gole no uísque. Ao menos aquele merda não economizava na ostentação. Os caras me olharam ansiosos quando voltei a sentar do lado de Cindy.

— E aí? — Zack perguntou.

— E aí que as coisas mudaram. Kimberly tá fora do páreo e ela tá dentro.

— Como ela fez isso?

— Nick a ajudou.

— Não me inclua nessa. Eu só soube agora há pouco. — reclamou pela escuta.

Colin riu baixo e me virei mortalmente a ele. Depois que Lane me deixou sozinho na sala, revi meus pensamentos e concluí que só poderia estar louco. Colin e Lane mal se falavam e assim desejava que fosse. Não confio nele perto do que era meu, ainda mais depois do pequeno showzinho deles. Mas ao vê-lo se divertir e relembrar que ele demorou mais do que o combinado para falar com Kimberly, não havia dúvidas de que ele se juntara a Lane pelo simples prazer de me irritar.

— Filho da puta — rugi entredentes, apertando o punho para não o enfiar em sua cara na frente de todos. — Já não basta ter visto uma morrer, quer fazer o mesmo com a outra, hm?

Ele instantaneamente endureceu as feições. Agora eu não parecia ser o único que desejava uma briga. Se ele viesse para cima, revidaria com prazer.

— Calma aê, pessoal. Foco. Se vocês fizerem burrada, fudeu pra todo mundo e, aí sim, a desgraça vai rolar solta. Então, relaxa aí com toda essa testosterona.

Dylan bateu nas minhas costas e de Colin. Ainda trocamos um último olhar de ódio, sabendo que aquela conversa continuaria depois. Virei o rosto e procurei involuntariamente por aquele par de olhos azuis. Não os achei em parte alguma, mesmo que não tenha esquecido um canto sequer. Não sabia onde ela estava, mas torcia para que fosse no banheiro, e não aprontando por aí e colocando-se em risco.

Zack xavecava a sua puta e as outras conversavam entre si. Dylan puxou papo comigo, querendo saber como fora com Lane há pouco. Contei até onde ele precisava saber.

— Essa menina é muito louca, cara. Ela é a minha garota, só que sua e da Itália.

— Ela é a minha dor de cabeça da Itália. — corrigi, brincando entre os dedos com a máscara que ela escolhera.

Lane sempre estivera envolvida nesse plano. Mesmo quando, para mim, era só indiretamente.

— Vai dizer que não gosta? Eu bem que noto os chupões violentos que os dois arranjam quase toda semana.

— Fica olhando pros peitos da minha mulher? — arqueei a sobrancelha.

— Quê? Não, cara. Eu reparo só nos do pescoço. Mas, com todo o respeito, que peitos, ein? Se eu tivesse um par de peitos como aqueles...

— Dylan, se você não fosse necessário agora, você não teria mais olhos, muito menos um pau.

Ele riu e eu soltei a máscara na mesa. Não consegui evitar procurá-la de novo pelo salão. Dessa vez, achei-a. Ela estava na parte dos sofás, sentada em um deles com uma taça e a bolsa no colo. Ela me encarava. Mesmo sendo arriscado pra caralho, sustentei seus olhos azuis escuros pela pouca luz.

Até as luzes se apagarem. Observei de rabo de olho todos se voltarem às escadas, assim como ela o fez. Não precisei olhar para saber o que estava acontecendo: o show estava começando.

Notas finais
Caso estejam se perguntando sobre esse artista que citei, sim, ele existe. Procurem depois no Google. Ele possui obras muito bacanas. As boas: próximo capítulo Callum já aparece. Yupi! A diversão de verdade começa. A outra boa é que eu já fiz o pedido de capa. Muito obrigada a todas que me mandaram links e suas visões de quem seria o Aaron. Escolhi uma que achei bem adequada, depois de pensar e duvidar bastante, e explicarei porquê a escolhi depois de postar a capa (quando ficar pronta) e vocês verem quem é. NÃO CAIAM DE PAU EM CIMA DE MIM SEM ANTES ME OUVIREM, OKAY? E aliás, obrigada a todas que me ajudaram. Não consegui responder os reviews dessa vez, mas como sempre, li e vibrei com todos. Basicamente é isso. Xoxo