Strada Per L'inferno
33 Luxúria - Parte I
Notas iniciais
Recuei o batom e observei o resultado no espelho. Nada espalhafatoso nem discreto o suficiente para passar despercebido. Na medida. Guardei o objeto de volta no armário e pus-me a observar-me por inteira. Aaron teimara em fazer surpresa e não me dissera nada mais do que "não vá de burca porque vai passar calor e nem sonhe em colocar algo curto demais que me faça comete um crime do qual você não vai gostar". Porém, como queria atiça-lo um pouco mais, decidi ousar um pouco. Coloquei um cropped preto de mangas com uma saia curta e modelada ao meu corpo da mesma cor. Um salto aberto com fivelas e uma maquiagem limpa, apesar do batom vinho arroxeado. Não gostava de cores muito fortes, mas Caitlin insistiu que eu deveria comprar esse batom e usa-lo ao menos uma vez para enlouquecer Aaron. E como hoje esse era meu objetivo, acrescentei-o a maquiagem. O cabelo estava solto caindo pelas costas e ombros.
– Lane, porra! Eu disse meia... – Aaron apareceu no closet, sua a voz estando elevada e irritadiça.
Virei-me e ele calou-se. Parou na divisão dos cômodos e me encarou surpreso e malicioso. Seus olhos trilharam-me dos pés a cabeça antes de um sorrisinho nada inocente tomar seus lábios.
– Merda, Lane. – sussurrou aproximando-se lambendo os lábios. Ele pegou em minha mãe me fez dar uma voltinha para ele. – Juro que se cometer um assassinato essa noite, a culpa será toda sua.
– Está pronto? – desvencilhei-me dele, pegando minha bolsa carteira.
Ele assentiu e segui a seu encontro. Ele estava bonito, tinha de admitir. Já me acostumara aos cabelos rebeldes, que dessa vez estavam arrumados em um topete desleixado que o deixava sexy. Podia ver uma camiseta branca lisa por debaixo da jaqueta de couro e a jeans clara surrada com rasgos por toda quer parte. A calça estava alguns centímetros abaixo da linha da cintura, mas depois de ver Dylan com uma calça na metade da bunda, não vi tanto problema na maneira que Aaron usava suas peças.
O carro que Aaron escolhera já estava parado do lado de fora da garagem. Tudo que eu sabia sobre o veículo era que se tratava de conversível potente na cor prata e que Aaron tinha um apreço maior pelo carro do que por mim. A última parte não me surpreendia. Não mais. Dirigi a porta do passageiro e esperei que Aaron abrisse para mim, mas ele deu a volta e entrou sem fazer cerimonias no banco do motorista. Bufei, abrindo a porta e fechando-a com força ao sentar-me. Aaron virou o pescoço, olhando-me feio.
– Esse carro custou uma nota e se tiver que pagar pelo concerto dele, tenha certeza de que acharei uma maneira de fazê-la se arrepender por ter estragado.
– Não duvido disso. Você acha todos os dias uma maneira nova de me fazer me arrepender de ter dito "sim" na igreja, então acho que isso será fácil demais até.
Aaron limitou-se a molhar os lábios olhando-me perigosamente fixo. Revirei os olhos e me voltei para a janela, observando o jardim. A carteira de mão praticamente vazia estava pousada em meu colo.
– Estou começando a mudar de ideia sobre ter te convidado. – falou a si mesmo, ligando o carro e dando partida.
– Ainda dá tempo de me deixar aqui. Só não se arrepende depois se eu desperdiçar minha noite me aprimorando no estúdio. – rebati com calma e acidez. Estava ficando cada vez mais fácil responder a Aaron com doses de seu próprio veneno.
– Lane, cala a boca agora para mais tarde não reclamar se eu fizer alguma besteira. – trincou os dentes, a voz saindo seca e áspera.
Bufei alto e foquei-me somente na paisagem do lado de fora. Nova Orleans era tão agitada e bonita à noite. E possuía um traço forte que me recordava perfeitamente a minha Itália: o carnaval. Não sabia como eles nomeavam a festa ou a maneira ao certo como comemoravam, mas pelo que pesquisara e as fotos que vira, havia muitas semelhanças. Seja como fosse, havia muita animação e alegria que me deixava saudosa. Só dei-me conta de que tínhamos chegado quando o carro parou. Olhei pela janela e encontrei uma majestosa boate erguendo-se a frente.
Um manobrista abriu a porta para mim e sorri agradecida, agarrando-me a minha carteira. Uma fila enorme de pessoas se estendia na frente da boate e um segurança com uma prancheta checava uma por uma antes de liberarem-na. Aaron aproximou-se de mim e fez algo inesperado: passou sua mão por minha cintura, apertando meu quadril contra o seu corpo. Era um aperto possessivo, indicando a quem eu pertencia. Logo o porquê dele foi evidenciado: muitos olhares recaíram sobre nós, principalmente em Aaron. Mas os homens pareceram mais interessados em mim. E os olhares e caretas que recebi não poderiam ser ditos inocentes.
Aproximamo-nos do segurança e assim que o homem de dois metros de altura posou seus olhos em meu marido, jurei ter visto-o tremer na base. Ele abriu passagem para nós e não houve protestos nem vaias, como imaginei que haveria. As pessoas mais observavam intimidadas. Mal ouvia a meus pensamentos quando entramos na boate com aquela música psicodélica tocando. A entrada dava em uma varanda com duas escadas enormes ao lado. A decoração era luxuosa em tons de prata, preto e vinho. Havia um enorme lustre de cristal no centro ao invés de uma bola de discoteca que dava esse glamour a mais. Na parede do fundo, onde ficava a mesa do DJ na pista baixo, eram jogadas projeções que combinavam com a batida tocando no momento.
Aaron puxou-me para descer as escadas. Ele colocou-me em frente a seu corpo, ainda segurando possesso em minha cintura. Desviamos de algumas pessoas que subiam rindo e sorrindo alegremente. Bêbadas, provavelmente. A perspectiva do andar de baixo era ainda mais fantástica. Abaixo das escadas, ficava o bar. O pé direito era altíssimo e sustentado por colunas estilo grego. Essas colunas eram envolvidas por panos de seda púrpura, que se interligavam no ar acima das cabeças das pessoas. A cor forte contrastava com o mármore claro das pilastras. O bar era longo, de mármore também. A iluminação fraca de cor sangue deixava-o com um aspecto erótico. Bancos de mármore estilo lanchonete dispunham-se a frente. Ao redor, ainda na parte coberta, encontravam-se mesinhas do mesmo material, sem cadeiras nem nada. E nas paredes, sofás de couro marrons. Todos estavam lotados, logicamente. Prestei atenção a um casal em um dos sofás. Eles cochichavam um no ouvido do outro e a garota loira ria abertamente de algo que lhe fora dito. O homem sorria olhando-a. Não era bem um sorriso feliz; era um sorriso predatório, como se ela fosse uma presa que ele acabara de empalar em sua teia. Arrepiei-me com isso.
– Vamos, Lane. – Aaron puxou-me para longe, impaciente. Ele empurrou-me para frente e guiou-me em direção do bar.
Porém, ele virou a direita repentinamente. Notei que havia uma passagem na parede antes oculta a meus olhos. Era um longo corredor, novamente de mármore. Ele fazia uma curva brusca à esquerda e dava em uma escada um tanto estreita. Dava para passar duas pessoas, uma subindo e outra descendo. Os degraus pareciam incontáveis. Estava começando a incomodar-me ter de subir tantos lances. Estava prestes a virar-me a Aaron e perguntar se não poderíamos voltar para baixo, e se ele se incomodaria de levar-me no colo, quando finalmente a escadaria deu em algo. Era uma ampla sala toda de mármore. Um lustre igual ao da pista de dança, porém consideravelmente menor e negro, estava pendurado ao centro. Havia vários sofás de couro espalhados, desta vez na cor verde garrafa. Uma replica menor do bar no andar de baixo encontrava-se na parede leste. Só não possuía a iluminação fraca e diferenciada. O ambiente todo já se encontrava assim. No centro, havia um espaço considerável para dançar-se. Algumas pessoas o faziam. A parede oeste, no entanto, era uma parede de vidro. Tínhamos uma visão ampla da boate, melhor até dos que chegavam.
Em um dos sofás, mais perto do bar e mais afastado do núcleo, reconheci algumas faces. Eram os amigos de Aaron, incluindo Nick. E no meio deles, havia algumas mulheres. Estas eu desconhecia, por exceção de uma.
– O que Caitlin está fazendo aqui? – olhei surpresa, por cima dos ombros, para Aaron. Ele deu de ombros.
– Você tinha que ter alguém para conversar e não ficar muito meu cangote e Dylan precisava de uma garota para comer.
– Mulheres não são carnes, Aaron.
– Eu sei. Tem um gosto melhor. – sorriu pervertido. Revirei os olhos, seguindo decidida até os outros.
– Lane! – Caitlin sorriu para mim, levantando-se do meio de Dylan e Zac, que na verdade dava atenção à outra mulher ao seu lado. Ela parecia até aliviada ao ver-me e cumprimentar-me.
– Não sabia que estaria aqui – abracei-a. Ela revirou os olhos com um sorriso.
– Só topei porque Dylan disse que você vinha e eu não podia te deixar sozinha na sua primeira experiência na vida noturna. E porque eu também nunca entraria aqui se não fosse assim...
Balancei a cabeça rindo de seu comentário. Cumprimentei os meninos com acenos, enquanto Aaron já havia feito seu toque com todos e estava no bar. Caitlin puxou-me para um três sofás ocupados por nós. Esse estava vazio. Ela puxou sua bebida na mesinha para perto e se virou para mim.
– Então, por que demoraram tanto? – procurou o canudo com os lábios, sugando vagarosamente o conteúdo alcoólico.
– Estávamos nos arrumando. – dei de ombros. – Não sabia o que vestir também. Nunca vim a um lugar desses.
– Não foi isso que ouvi... – sorriu maliciosa. Encolhi os ombros, comprimindo os lábios num falso sorriso inocente.
– Aê, Aaron! Pega uma bebida lá pra mim!
– Levanta e vai pegar. Você não é aleijado.
Levantei os olhos e vi-o aproximar-se de mim com um copo em mãos. Pela cor do conteúdo, ou pela falta dela nesse caso, deduzi ser vodca. Jogou-se ao meu lado de modo esparramado, estendendo o braço livre pelo encosto do sofá. Sua mão ficou apoiada ao couro no meio de Caitlin e eu. Olhei-o com a sobrancelha arqueada.
– Não acha que é meio folgado?
– Não acha que está na hora de você voltar-se a sua amiguinha e ficar falando sobre assuntos de mulherzinha ao invés de encher a porra do meu saco? – levantou a sobrancelha, bebendo generosamente sua bebida.
– Acho que deveria ter ficado em casa treinando mesmo. – sorri falsamente, virando-me de costas. Não antes, porém, de ver seu olhar raivoso e fulminante.
– Vish... Nem parece que estavam transando há uma hora. – Dylan riu levantando-se.
– Não estávamos. Alguém fez questão de interromper bem na hora que as coisas estavam melhorando. – Aaron disse indiferente, com um fundo de irritação.
– Meu bem, sua noção de tempo é ruim. As coisas já tinham acabado quando Dylan ligou. Eu mesma interrompi, lembra? – olhei-o falando num tom falsamente doce e inocente. Vi a cólera crescer em seus olhos ao som das risadas dos amigos e de Caitlin.
– Que isso, Aaron? Tomou um balde de água fria da esposa, foi? – Zac riu.
– Pelo menos eu não tomei de uma vadia. – rebateu gélido. O amigo parou de rir e o resto continuou a explodir em risadas. Revirei os olhos, sorrindo, e levantei-me indo ao bar. Caitlin seguiu-me.
– O que vai querer? – o barman com um olhar discreto, mas malicioso, e um sorriso que não deixava dúvida de suas intenções, questionou-me.
– Eu vou querer...
–Uma vodca com morango para ela, por favor. – Caitlin passou a minha frente, cortando-me. – Pensando melhor, eu também vou querer uma. São duas vodcas batidas com morango.
Ele assentiu e deu-nos as costas. Sentei em uma das banquetas vagas e Caitlin a minha frente. As risadas dos amigos de Aaron continuavam e, surpreendentemente, ele também ria. Observei-o com um leve sorriso, consolidando mais minha certeza de que a risada pura de Aaron era maravilhosa.
– Sinto cheiro de paixão no ar ou é impressão minha? – Caitlin chamou-me de volta a Terra. Olhei-a cética, balançando a cabeça.
– Impressão causada pelo álcool.
– Bebi um copo só. Não estou nem perto de estar bêbada.
– De qualquer jeito, foi só impressão. – garanti desenhando linhas imaginárias pelo balcão com as unhas. Vi seu sorriso e olhar desconfiados e maliciosos pairarem sobre mim, mas ignorei-os até sumirem.
As bebidas chegaram e eu sorri agradecida ao barman. Ele pareceu não entender o significado de meu sorriso, já que o que ostentava era pura malicia. Caitlin provou a bebida e me incentivou, com o barman nos observando.
– Prove. Aposto que irá gostar. Fiz com carinho para você. – disse descendo os olhos para meus seios. Senti nojo. Vi Caitlin abrir a boca para responder alguma bem mal-educada quando braços envolveram meus ombros e os dela.
– O que está rolando aqui, gatas? – Dylan perguntou olhando-nos e depois ao barman.
– Nada. Só estávamos agradecendo o homem pela bebida. – sorri minimamente a ele.
– Pode ir então. – acenou para o homem deixar-nos. Ele o fez, levemente intimidado.
– Obrigada. – sorri a Dylan. Ele deu de ombros, tirando as mãos dos meus ombros, mas não dos de Caitlin.
– Disponha gata. Sempre que quiser sair de uma fria sem ver o Aaron enfiando bala no crânio de todo mundo, pode me chamar.
– Pode deixar.
– Será que dá para você me soltar? – Caitlin levantou as sobrancelhas a ele, quando chamou outro barman para atendê-lo.
– Tão tensa Caitlin. – comentou apertando-a mais para junto de si. Vi-a bufar. – Você tem que relaxar.
– Assim que um idiota me largar, minha amiga se separar do bocó com quem é casada, eu começar a ganhar dois mil por noite e os Giants chegarem a final do Super Bowl, vencendo essa temporada, eu penso no seu caso. – sorriu-lhe falso, tirando seu braço de seu redor. Observei-os sorrindo abobada, balançando a cabeça.
– Tá sorrindo assim por quê? – voltou-se irritadiça a mim.
– Nada. Só acho vocês perfeitos um pro outro. – dei de ombros, rindo ao girar minha bebida com o canudo. Tinha uma coloração rosada clara e pedaços de morango perdidos flutuando.
– Isso, Lane! – Dylan ergue os braços atrás de Caitlin. Ele passou o braço ao redor dela de novo e encostou seus lábios na bochecha dela. – Viu amor? Todo mundo acha isso também...
– Amor o cacete. – empurrou-o para longe. Ele cambaleou para trás. – Dane-se o que todo mundo pensa: eu ainda te acho um idiota e isso é o que importa.
– Nossa, amor! Tudo bem. – fez cara de ofendido, erguendo as mãos. Ele parecia um pouco aéreo. – Depois, se você me vir dançando com uma gostosa lá embaixo, não vem com ceninha dizendo que eu estou te traindo. Você que me traiu desprezando nosso amor. – voltou para junto dos amigos deixando Caitlin bufando e eu gargalhando.
– Ele já é chato sóbrio, bêbado então é uma desgraça. – murmurou bebendo uma boa dose de sua bebida.
– Ele já está bêbado? – levantei as sobrancelhas, pousando minha bolsa no colo.
– De leve, mas tá. Também, estava bebendo vodca como água até agora... ! Ele já foi me buscar animado demais pros padrões.
– Você o conhece tão bem assim? – apoiei o cotovelo ao balcão, pousando a cabeça a mão posteriormente. Meu rosto estava virado a ela, assim como minha atenção.
– Infelizmente.
– Eu queria conhecer o Aaron assim tão bem... – comentei dispersa, desviando o olhar para um ponto qualquer.
– Há males que vem para o bem. – comentou suave. Assenti, sabendo que tentava me confortar sem ao mesmo tempo culminar falsas esperanças, como muitos faziam.
– Vamos Lane, ainda não a vi experimentar a bebida! – desviou de assunto, fazendo-me olha-la de sobrancelhas arqueadas. Ela riu. – Você vai gostar. Certeza.
Olhei um pouco desconfiada ao copo, mexendo-o mais um pouco. Coloquei o canudo na boca e suguei o liquido sobre o olhar atento e ansioso de Caitlin. Quando o álcool desceu por minha garganta, queimando junto ao doce sabor do morango e do açúcar, fiz uma leve careta.
– É bom. – disse ao fim.
– Eu sabia que ia gostar! – levantou o braço, abaixando rapidamente num gesto de comemoração. Ri fraco.
Olhei por cima de seus ombros enquanto ela pedia mais uma bebida para si. Aaron bebia e ria descontraidamente com os amigos. Algumas novas garotas, que não sabia de onde diabos tinham surgido, estavam fazendo companhia aos meninos. Uma delas, uma morena arruivada com um vestido colado e cultíssimo, estava muito perto de Aaron, jogando a cabeça para trás numa risada escandalosa toda vez que ele dizia algo. A cena despertou um sentimento nada amigável dentro de mim. Peguei o copo e coloquei o canudo entre meus lábios. Antes que pensasse melhor e me arrependesse, suguei mais da metade. Empurrei-o para longe na bancada sentindo o gosto ardentemente doce descer por minha garganta. Caitlin olhou-me um pouco espantada. Continuava com o olhar fixo na ceninha, portanto quando virou seu pescoço e viu o que eu fixava, entendeu.
– Pega. – empurrou meu corpo de volta para mim. Olhei-a confusa.
– O que...?
– Toma esse restinho. Agora. – disse firme. Continuei olhando-a, sem entendê-la. Bufou. – Lane, você confia em mim?
– Sim. – respondi sem hesitar. Caitlin era minha única amiga e sempre estava disposta a ouvir-me e tentar ajudar-me. Sabia que podia confiar nela de olhos fechados.
– Então toma logo esse resto de bebida.
Olhei por alguns ao copo e peguei-o, ignorando o canudo e bebendo tudo de uma vez. A queimação em minha garganta criou lágrimas em meus olhos, que espantei piscando. A nova bebida de Caitlin chegou e ela empurrou para mim, fazendo-me levantar os cenhos.
– Você não vai beber. – esclareceu aliviando-me havia um sorriso maroto em seus lábios ao olhar de soslaio a meu marido. – Pegue o copo e vá até Aaron. Vire-o no vestido da ruiva que conversa com ele. Mostre a ela que ele tem dona.
Mordi o lábio inferior, em dúvida. Olhei para ele. A ruiva, sentada no braço do sofá ao seu lado, praticamente enfiava o decote em seu rosto. E o cafajeste olhava sem pudor. Aquilo me deu a certeza que faltava. Virei-me a Caitlin e peguei o copo no balcão. Um sorriso abriu-se enorme em seu rosto. Coloquei a carteira em sua posse e levantei-me decidida. Caminhei sem pressa até o sofá com o copo balançando seu liquido dentro. Olhava fixo a Aaron e a ruiva. Ela passara um braço atrás da cabeça dele e estava fazendo menção em tocar seus fios e nuca. Apertei com mais força o copo, achando que poderia quebrar em minha mão. Se acontecesse, não ligaria: tacaria os cacos na mulher e faria uma bela de uma cicatriz em Aaron.
Aaron virou o rosto para mim e levantou as sobrancelhas quando abri um enorme sorriso falso para ele. A ruiva também olhou, porém com curiosidade e nojo. Ela analisava-me de cima a baixo.
– Voltei. – anunciei com falsa alegria, sentando em seu colo e virando o copo na ruiva.
Seu grito sobressaiu-se a música alta. As pessoas viraram-se curiosas. Ela levantou-se alarmada e olhou a seu vestido totalmente encharcado. Aaron franziu mais o cenho e começou a rir. A ruiva dirigiu-me um olhar cheio de fúria e eu a ela um sorriso falso.
– Desculpe-me, querida. O copo estava pesado e eu desequilibrei-o ao sentar-me.
Ela fez menção de voar em cima de mim quando Nick a segurou. Sorri-lhe agradecida, mesmo que uma mínima parte de mim tivesse vontade de que ela fosse mesmo para cima de mim. Ele convenceu-a de ir ao banheiro limpar-se e acompanhou-a no trajeto. As pessoas, aos poucos, voltaram a suas conversas e drinks. Coloquei o copo vazio na mesinha e levantei, quando Aaron segurou minha cintura e puxou-me para baixo. Cai em seu colo, sentindo minha intimidade prensada contra a sua.
– Você fica uma puta duma gostosa com ciúmes. – sussurrou em meu ouvido, mordiscando meu lóculo direito.
– Que bom. Agora quer fazer o favor de me soltar? – perguntei irritada. Ele riu baixo.
– Enciumada e irritada. Assim você vai me deixar duro, amore mio. – beijou meu pescoço. Comprimi meus lábios, controlando o ronronar que queria escapar de minha boca.
– Aaron me solta antes que eu comece a fazer um escanda-lo. – mandei autoritária. Ele riu de novo, intercalado aos beijos e chupadinhas.
– Pode fazer escanda-lo se quiser, mas ninguém vai socorrê-la. Todos só fazem o que o chefe manda, e o chefe aqui sou eu.
– Essa é uma de suas boates? – perguntei interessada e chocada.
– Por que o espanto? Eu te disse que possuía algumas. – murmurou afastando meu cabelo para começar a beijar o outro lado. Entretanto, não permiti. Girei em seu colo, sentando-me de frente a ele.
– Você disse que tinha boates de prostituição. Não boates luxuosas e bem frequentadas.
– Você acha isso mesmo, amore mio? – levantou as sobrancelhas. Um sorrisinho de escárnio brincava em sua boca. Ele aproximou a boca de minha orelha, afundando as mãos acima de minha bunda. – Então dê uma olhada em volta. Retroceda o filme do lugar em sua cabeça e me diga de novo o que acha.
Suspirei, mas olhei ao redor. Havia outros sofás e pessoas bebendo neles. E havia sim os que conversavam. Mas havia os que faziam preliminares publicamente. E havia mulheres, como a ruiva, que rondavam os solteiros e se ofereciam a eles. E quanto o olhei de novo, de boca aberta, seu sorrisinho parecia brilhar mais do que antes. Fechei os olhos e refiz o caminho dentro do lugar. Na varanda ao alto, havia a escada à esquerda, pela qual descemos, à direita. E do lado da escada direita, havia uma porta. Havia um segurança na frente dela e a visão além dela era nublada por uma seda que caia como porta.
– Há quartos lá em cima e a ruiva e outras mulheres rondando por aí são prostitutas. – disse voltando a olha-lo. Ele assentiu, mostrando mais os dentes.
– Agora, o que pensava mesmo sobre a boate, Lane? – perguntou subindo as mãos por minhas costas, contornando meu corpo.
Não o respondi. Mordi meu lábio inferior e uma música de batida mais forte começou a tocar. Ouvi Caitlin gritar e virei-me preocupada. Ela vinha em minha direção, animada.
– Eu amo essa música! – ela disse puxando minha mão. Desequilibrei-me no colo de Aaron e quase cai para trás. – Vamos dançar!
Olhei para Aaron brevemente e ele fuzilava Caitlin com os olhos, mas ao posa-los em mim, havia libido. Levantei-me e acompanhei para a pista improvisada ao centro, começando a mexer meu corpo junto ao seu. Sabia que movimentos fazer e executava-os sem vergonha. Antes das aulas com Caitlin, sem dúvidas, travaria e coraria até o dedão do pé só de pensar em mexer os quadris. Joguei as mãos para cima e Caitlin aproximou-se de mim, esfregando-se de leve. Flagrei Dylan encarando-nos satisfeito, sentado e bebendo como se estivesse vendo um espetáculo. Mas quando olhei a seu amigo, as coisas eram diferentes. Havia um sorrisinho sacana em seu rosto e ele olhava tudo com atenção. Hora ou outra, o copo de uísque encontrava seus lábios. Quando meus olhos encontraram os seus, luxúria e diversão. E um aviso claro: algo seu aguardava-me posteriormente.
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