Notas iniciais
Hey babys, adivinhem quem já passou de ano? hahahaha. Sim, eu já passei, o que significa mais tempo para escrever e agilizar as coisas. Juro que estou tentando ser o mais rápida possível, mas às vezes tem capítulos que emperram. Como esse. Até eu decidir o produto final, foi duro. Mas eu consegui e a melhor parte, em minha humilde opinião, é a parte mais no sense. hahahaha. Vocês verão o que um simulado de ciências, café, uma semana sem dormir e o fato de estar sozinha em casa com chuva faz com um ser humano. Ah, e claro, não posso esquecer dos blues. E esse capítulo tem música sim. E quero que ouçam senão a vibe não vai ser completa. Escolham entre "Not on Drugs", da Tove Lo; "We Found Love", Rihanna e Calvin Harris; ou a música que me inspirou e até cito no capítulo, "The Thrill Is Gone" do B.B. King. Deixarei o link da playlist da fic, que tem todas essas músicas, e mais um link de um remix de "Not on Drugs" que curti muito. https://www.youtube.com/watch?v=PS848RBToKc http://minilogs.com/egldkw0 P.S. Para Lana Dellacour. Primeiro, faz sim a diferença para mim. Ver vocês mostrando seu carinho é o que me impulsiona e inspira quando eu estou zerada e com vontade de jogar tudo para o alto. Segundo, quem foi esse santo que divulgou? Preciso dar um beijo nessa pessoa! hahahaha. Fico muito feliz em saber que te viciei e que acha a fic coesa (porque até eu duvido disso em 99% do tempo) e que nutre carinho por ela. Espero que esteja aqui ainda para o final, porque acho que demorará um pouco. O final definitivo, ao menos. E se caso virar um livro um dia, saiba que você, assim como os outros leitores, são tão responsáveis quanto eu. Eu só sento em um computador e bato nas teclas. Vocês me enviam amor. E sim, estou na TPM e estou melosa e bastante agradecida pelos elogios. E espero que curta uma brisa, porque é isso que esse capítulo em sua homenagem está... P.S. 2 Não acho que seja assim tão boa para não ser mostrada, mas se você diz... hahahaha.

Abri a porta do escritório e encontrei uma cena diferente da que pensei. Aaron não estava afundando em seus papéis e notebook. Ele estava com um cigarro na mão, jogado no sofá olhando para o nada. E pelo cheiro na sala, eu sabia que não era um cigarro comum.

Ele levantou os olhos assim que me viu, mas não deu muita significância a minha presença, virando a cabeça de novo. Suspirei e fechei a porta atrás de mim.

— Vou mudar a senha logo. Nem sei como descobriu essa.

— Nick me disse. — dei de ombros, andando até uma das cadeiras perto do sofá.

Ele as havia adquirido há pouco tempo. Na verdade, eu comprei e decidi enfiar ali, e ele as manteve depois que ameacei fazer greve de sexo. Aaron tragou o cigarro e segurou a fumaça por três segundos antes de soltá-la.

Com certeza, não era um mero cigarro. O cheiro era forte e marcante, lembrava-me bem daquele cheiro no dia em que voltei à mansão e descobri tudo e naquela boate onde fui leiloada e salva por Aaron. Mas não era só isso: seus olhos estavam vermelhos, e suas pálpebras, caídas; seu rosto estava inexpressivo, e seus lábios, vermelhos. E notei um leve tremor em seus dedos quando levou o cigarro à boca e o abaixou.

— Pensei que não usasse mais essas coisas.

— Só porque parei de usar na sua frente, não significa que não faço pelas suas costas.

— Então você continua me traindo? — levantei a sobrancelha.

Ele tragou mais uma vez e me respondeu, deixando-me notar com maior clareza a sua lentidão e enrolação ao pronunciar as palavras:

— Talvez. Você nunca vai saber.

— Já passei dessa fase, Aaron. Talvez eu nunca descubra, mas talvez deixe você descobrir se tem chifres ou não caso a dúvida me mate.

— Você não faria. — rebateu descontraído — É até patética sua ameaça.

— Patética? — repeti calma.

— Se toca, Lane. Você mesmo expôs um fato que desmente essa sua ameaça tosca. Você me ama e daria pra trás na hora que tentasse.

— Pelo que me lembro, não fui a única a dizer.

— Não, mas sabe que é a única que vai levar a sério. Eu posso até te amar, Lane, mas eu também amei Sienna, e isso não me impediu de colocar vários enfeites na cabeça dela antes de morrer. Isso não me impediu de fazer qualquer merda que eu fiz com ela.

Respirei fundo e escondi o rosto nas mãos. Eu sabia o que Aaron estava fazendo e estava caindo igual a um patinho. Ele estava chateado e queria me magoar, porque, em sua mente, isso o aliviaria, mas mesmo com seu dedo pressionando a minha ferida com sal, eu não cederia. Ele estava se armando de novo, ruindo com nosso processo de evolução. Não. Não permitiria que jogasse tudo isso na lata de lixo de novo.

Abaixei as mãos e o encarei. Seus olhos ainda focavam o nada, perdido em pensamentos. O cigarro queimava em seus dedos lentamente, enchendo a sala com o cheiro agridoce. Levantei-me, e ele ainda assim não tirou os olhos de seu ponto fixo. Ele só foi obrigado a desviar quando me sentei em seu colo e passei os braços ao redor de seu pescoço.

— Eu sei o que você está fazendo, Aaron. E saiba que não conseguiu. Eu não vou deixar você em paz para voltar ao que era antes. Não vou deixar nós voltarmos a ser o que éramos antes.

— O que éramos antes? — arqueou a sobrancelha, abrindo um sorriso debochado. — O que somos agora, amore mio, que difere de antes?

— Somos um casal. Eu confio em você agora. Confio em nós, independente do que os outros possam pensar.

— Seus pais, quer dizer.

Riu pelo nariz, levando o cigarro aos lábios. Observei sua ação com cuidado, vendo a maneira com que seus lábios abriam e ele segurava a fumaça antes de expelí-la para o lado, mas sem tirar os olhos dos meus. Ao abaixar o cigarro, olhou para ele e depois para mim, abrindo um sorrisinho brincalhão.

— Quer experimentar "essas coisas"?

Revirei os olhos com seu sarcasmo.

— Não, obrigada. Aprendi que drogas não são boas.

— Aprendeu também que roubar, mentir e matar é feio, e olha só: seu marido e seu pai são os melhores nisso.

— Você tem que ironizar tudo o que eu digo, não?

— Não teria graça se não fosse assim.

Ele voltou a tragar e, desta vez, aproximou seu rosto do meu e baforou sobre meus lábios. Fechei os olhos, e seus dentes puxaram meus lábios antes de sua boca seca se colar à minha. Seu hálito tinha o gosto ruim da maconha e impregnou cada canto da minha boca. Seu beijo era lento e desatento e, quando ele se afastou, sua respiração era muito mais ofegante do que deveria.

— Vamos, amore mio. Não há nada a perder aqui.

Afastei-me e mordi meu lábio, vendo-o estender o cigarro para mim. Hesitei ainda mais alguns segundos antes de pegar e levá-lo até meus lábios. Sem jeito, puxei a fumaça para meus pulmões e comecei a tossir loucamente com a fumaça em minha boca.

— Você tem que puxar pouco e devagar. E prender um pouco a fumaça na boca antes de deixar ir.

Assenti e, com o cigarro entre o indicador e o dedo do meio, levei-o aos meio dos lábios de novo. Puxei a fumaça lentamente até abaixar o cigarro e deixar a fumaça quente parada em minha boca fechada. Expeli aos poucos, não sentindo nada.

— E aí? — perguntei, devolvendo o cigarro.

Ele fumou e soltou a fumaça em meu rosto de novo.

— Traga mais uma vez.

Fiz o que ele disse tão cuidadosamente quanto da outra vez e soltei a fumaça em seus lábios. Ele sorriu entorpecido e pegou o baseado antes de me beijar. Seu beijo parecia ainda mais distante do que antes, mas dessa vez senti que a culpa não era só dele, eu também estava começando a me sentir longe dali.

Afastei-me dele, sorrindo boba para seu sorriso igualmente drogado. Ele estava tão lindo. Ele era tão lindo. Fechei meus olhos, e suas mãos percorreram meu rosto, contornando-o. Seus dedos pareciam gelo, e minha pele, brasa. Seu toque me atingia com uma intensidade que nunca antes sentira. Via estrelas em diferentes cores no céu. Tão reluzentes. Explodindo. Brilhando como diamantes.

E então veio a água.

Meu céu foi borrado por um copo de água espalhando a guache no papel. Tão borrado, mas tão lindo. Abri os olhos e era a boca de Aaron em meu pescoço. Tão molhada e tão intensa. Peguei em seu rosto, e meus dedos formigaram. Ele levantou os olhos e sorriu. Diamantes. Sorriu diamantes. Era tão lindo e engraçado.

Tão engraçado.

Ri, jogando a cabeça para trás, e ele continuou borrando minha tela. Era tão bom. Água e risos. Eu afundava e ria. Mas era tão bom rir. Ele me puxou para si de volta e me mostrou o cigarro. Peguei e traguei o gosto ruim. O gosto ruim e mágico. Mágico.

Salagadula mexegabula bibidi-bobidi-bu

Isso é magia, acredites ou não

Bibidi-Bobidi-Bu

Gargalhei ainda mais, sentindo o cigarro desaparecer de meus dedos. Magia de novo. Magia que me deixava desfocada de meus problemas. Magia que me levava em uma viagem para longe de meus problemas. Magia que me fazia me perder. Me perder em mim mesma e em Aaron.

Observei, entre risos e sorrisos, o jeito que ele exalava a fumaça. Ele exalava nuvens, sorrindo. As nuvens batiam em meu rosto. Era quente, não era frio como a ficção me fazia acreditar. Algodões doces quentes e bonitos saindo do meu Michelangelo sombrio. Minha bochecha doía de rir e sorrir, mas era tão bom...

Seus lábios roçaram nos meus. Lábios de gelo. Seus dedos se perderam em meus cabelo e empurraram minha nuca para ele. Para a sua boca. Doces. Sua boca parecia o paraíso dos doces explodindo nos melhores sabores. Era tão bom e tão mau. Por que tão mau?

Minhas costas caíram em cima do couro. Era jacaré ou cobra, mas eu não ligava. Sua boca desceu seu veneno por meu maxilar e pescoço. Ele me mordeu, mas não sangrou. Ele me infectou, mas gostei. Aaron direto em minhas veias. Abri os olhos e seu teto... Onde estava o teto? Ele estava borrado. Era a guache molhada no papel de novo.

Sorri.

— Isso é tão bom...

Ele riu pelo nariz. Ele riu no meu ouvido. Doce e alto. Trombetas e piano. Meus dedos escalavam seus músculos. Eram tantos e cheios de texturas. O bosque dos meus pais na Itália. Familiar. Casa. Seu corpo cobriu o meu com fogo. Chamas. Chamas iguais a cobertores felpudos. E ele me olhou.

Meu Deus, tão lindo.

Tão sombrio e tão lindo.

Tão poético e tão lindo.

Mozart, van Gogh e ambrósia. Aaron era tudo isso e mais. Ele era a Nona em uma Noite Estrelada Sobre o Ródano com a comida mais letal e mais divina.

Divino.

Ele era divino como o mais belo dos anjos caídos. Pois ele e eu sabíamos que Aaron não era celestial. Não. Ele brilhava como os céus, mas não pertencia a ele. Ele fazia parte do submundo. E ele estava me levando para baixo. Por uma estrada direto para o inferno.

E ardia. Mas era tão bom.

Fechei os olhos, e seus lábios me tocaram de novo. Infectaram-me um pouco mais. Se isso me levaria a morte, então eu a abraçaria com prazer. Abraçaria ouvindo o blues na minha cabeça.

Não, a emoção não se foi. Ele me fazia mal. Oh, Deus, como fazia. Mas eu me sentia tão livre. Tão livre como um pássaro. Tão livre de tudo, mas com certeza não do seu feitiço.

Não do seu feitiço.

(...)

Desci as escada ouvindo vozes na cozinha. O cheiro de pizza era o que mais me atraía, apesar de tudo. Entrei na cozinha e fechei os olhos, cega por alguns segundos graças a luz forte. Abaixei a mão e, com os olhos semicerrados, encontrei todos me fitando.

Minha aparência deveria estar péssima, mas eles podiam disfarçar.

Arrastei-me até a caixa de pizza e peguei um pedaço de mussarela, mordendo e sentindo todas as células de meu corpo festejarem.

— Cara, sua mulher foi atropelada por um caminhão ou sequestrada por dois dias?

Revirei os olhos e continuei mordendo a pizza, que terminou na terceira mordida.

— Meu Deus, que cheiro de... — Caitlin se interrompeu no meio da fala e me olhou de olhos arregalados.

Dylan sorriu e bateu no ombro de Aaron.

— Safado! Vocês estava queimando a Mary e nem chamaram os amigos!

Foi a vez de Aaron revirar os olhos. Peguei o segundo pedaço.

— O que vocês estão fazendo aqui?

— Seu marido chamou. — Colin deu de ombros.

— Gata, vai com calma nessa pizza. A gente sabe que um baseado dá mais fome que um período na África, mas não queremos prejudicar esse corpinho escultural, né?

Preferi morder a pizza de novo ao invés de responder. Caitlin se aproximou e cochichou para mim:

— Você está ciente que está bem bagunçada e com a calcinha de renda aparecendo embaixo dessa camiseta do Aaron, né?

Estreitei as sobrancelhas e a encarei longamente antes de olhar para meu corpo. Para ajudar ainda mais, meus seios até estavam marcados. Suspirei e olhei para Aaron. Ele me encarava pensativo, nem de longe enciumado ou safado. Longe. Ele me encarava com a cabeça em outro lugar. Nossos olhares se encontraram, e ele se virou para Zack, que dizia uma besteira qualquer. Aquilo bastou para eu entender que o momento que tivemos em seu escritório era um momento isolado.

O contrato pairava em nossas cabeças em uma ameaça clara que não podíamos evitar mais ou camuflar.

Terminei o pedaço de pizza e lavei as mãos na pia.

— Eu vou tomar um banho. Vocês vão sair ou alguma coisa?

— Reunião no escritório. Estamos esperando o Nick.

Reparei então que ele, de fato, não estava ali.

— Onde ele tá?

— Com a Riley. — Dylan sorriu malicioso.

— Riley?

— A stripper do seu marido.

Abri a boca em um "o" e assenti. A garota dourada. Virei-me para subir, mas a voz de Aaron me impediu.

— E sua irmã?

Virei-me para ele, confusa.

— O que tem Grace?

Ele bufou.

— Onde ela está? Dormiu, morreu, sumiu pela casa?

Bati a mão na testa. Esquecera-me de Grace.

— Dei um calmante para ela dormir. Deve fazer umas quatro horas agora...

— Lane, você dormiu por seis horas. São nove da noite.

Xinguei baixo e esfreguei meus olhos.

— Só eu estou boiando?

— Eu vou tomar banho e depois vou olhá-la. Ela deve estar para acordar.

— Sua irmã está aqui?

— É uma longa história — suspirei. — Depois explico.

Caitlin assentiu e subi as escadas dos fundos para meu quarto.

Estava terminando de me arrumar quando ouço gritos e uma movimentação no andar de baixo. Larguei o pente e a toalha e corri para o andar de baixo. Os garotos corriam para o lado de fora. Gritei por eles, mas nenhum me respondeu. Desci dois degraus de cada vez e cheguei à porta a tempo de vê-los correndo pelo gramado até seus carros. Caitlin estava parada no meio do gramado, vendo-os partir. Os seguranças se moviam ao redor dela, correndo até os seus carros também.

— Aaron!

Ele, que puxava a porta de seu carro, levantou a cabeça quando me ouviu. Seus olhos cruzaram com os meus, e ele sustentou por alguns segundos antes de se abaixar e entrar no carro. Eu parei de correr, ficando ao lado de Caitlin e olhando ele acelerar e passar pelos portões da mansão.

— O que está acontecendo? — sussurrei, fitando os carros dos meninos e dos seguranças o seguirem.

— Callum roubou um carregamento, pelo que entendi. Eles estão indo atrás para tentar recuperar.

O último carro dos seguranças passou, e os portões pesados foram fechados. Brad se aproximou de nós com um sorriso sem dentes.

— Eu tenho a ordem de levá-las para dentro, senhoras, e ficar de olho em ambas e na outra senhorita.

— Não precisa dessas formalidades, Brad. Você sabe.

Ele assentiu e observei uma última vez a rua vazia, só com a lembrança do ronco do motor e do som dos pneus no asfalto. Suspirei e me virei para a casa, girando o colar em meu pescoço, pensando no aperto que já crescia em meu peito e não ia cessar tão cedo.

Notas finais
Sei que ficou curto, mas me deem um desconto. A pobre coitada aqui está com a imaginação meio para baixo e o próximo capítulo já está sendo uma batalha. Mas tentarei algo maior e melhor. Quanto aos comentários, pretendo mesmo responder TODOS dessa vez. Nessas férias vai. hahahaha. É isso. Muito obrigada pelas energias positivas porque EU PASSEI P****! hahahaha. Xoxo