Notas iniciais
Hey babys. Aqui estou com um presente adiantado de Natal. Devo dizer que esse capítulo está super especial para mim particularmente, pois eu o amei do começo ao fim. Lógico que sempre fico com a neura de mudar uma coisa aqui e ali, mas isso é normal. O importante é que eu gostei e espero que gostem também. Não tenho muito mais o que falar. Talvez nas notas finais coloque a boca no mundo, mas por enquanto é só. Escolham uma música legal e play. http://minilogs.com/egldkw0 Godere P.S. Dedicado a TODOS OS LEITORES como presente meu e do Santa Claus.

Abri a porta do escritório e, sem surpresas, encontrei Aaron atrás de sua mesa. Mas ele não analisava nenhum papel ou olhava o notebook como de costume. Mas sim olhava para o nada, mergulhado em pensamentos. Não o culpava. Todos andavam nervosos com os preparativos e ninguém aguentava mais rever as instruções que já sabiam de cor. Ainda mais Aaron. Adentrei o cômodo e ele desviou a atenção para mim. Sorri minimamente e andei até ele, sentando na mesa em sua frente.

— Comprou o vestido e tudo mais?

Assenti, e ele concordou com a cabeça. Sua mão subiu por minha coxa, brincando até o elástico da calcinha. Olhei-o em silêncio até ele cair para trás na cadeira com as mãos no rosto.

— Eu não tenho certeza sobre isso, Lane. Está tarde para voltar atrás, mas se algo der errado...

— Hey, nada vai dar errado.

Sentei em seu colo e peguei seu rosto em minhas mãos, fazendo-o me olhar. Ele tinha os olhos sérios, exaustos e com aquela firmeza sexy que era um dos milhares de motivos em minha lista de porquês eu era perdida por esse homem.

— Essa é a nossa única chance e vai dar certo. Somos uma equipe agora, não? Faremos dar certo. Eu não vou falhar, e você também não. Tudo dará certo, okay?

Aproximei meus lábios dos seus e iniciei um beijo lento. Mas quando suas mãos subiram por minhas costas, apertaram minha cintura e empurraram minha cabeça para mais perto com um punhado generoso de meus fios entre os dedos, sabia onde aquilo iria parar. Mas antes mesmo de sua mão chegar ao feixe do meu sutiã por debaixo da camisa, batidas na porta nos interromperam. Caitlin entrou no escritório sem sequer nos dar tempo de nos separar e olhou feio com as mãos na cintura para nós. Como uma mãe que repreende os filhos por alguma traquinagem.

— Isso é hora para pornô? Vocês sabem quanto tempo leva para deixar uma loira preparada?

— Acho que o excesso de coloração e tempo com o Dylan está te deixando...

— Não ouse continuar. — forçou um sorriso. — Agora, saia do colo desse homem porque vocês tem o resto da vida para fornicarem e eu só tenho algumas horas para te aprontar.

Ele revirou os olhos e sorri de lado dando-lhe um selinho antes de me levantar. Antes que estivesse longe do seu toque, senti meu pulso ser envolto por seus dedos.

— Nós vamos não ver antes...?

Olhei por cima do ombro para uma Caitlin na porta fazendo gestos para me apressar e sorri piscando para ele. Voltei a me aproximar e, dando um beijo em sua bochecha, sussurrei:

— Com certeza, senhor Walker.

Duas semanas e meia antes

Olhei nervosa para o vestido preto em cima da cama. Ele era simples e elegante, mas também provocante, apesar de não ser essa imagem que gostaria de passar. Suspirei e peguei a peça, conformada que, a essa altura, aquilo era tudo que teria. Quando terminava de ajeitar o vestido, Grace entrou no quarto. Seus olhos arregalaram na porta, assim como as sobrancelhas se ergueram.

— Estou bem? — coloquei a mão na cintura.

— Bem? Você está linda. Tão...

— Sexy?

Ela riu comigo, concordando. A porta atrás dela se fechou e ela caminhou até mim.

— Nunca te imaginaria em um vestido desses.

— Nem eu me imaginaria usando um vestido desses antes.

— Ele te mudou. — sorriu de lado, calorosa.

Mordi meu lábio e me virei para o espelho, arrumando o decote quadrado que juntava e dava volume aos meus seios. O comprimento, ao menos, era até abaixo do joelho, mas o olhar de Grace pelo espelho pesava. Suspirei, dando-lhe a tão desejada resposta:

— Nós nos mudamos, Grace.

Depois do sorriso satisfeito, mudei de assunto, perguntando se tudo estava certo. Ela concordou e me afastei, catando pelo quarto o que precisava para terminar de me arrumar. Grace me ajudou com o cabelo e, em meia hora, terminava de calçar o salto.

— Como estou?

— Ainda melhor.

Sorri agradecida, pegando minha bolsa antes de sair do quarto atrás dela. Nem fiz questão de me olhar uma última vez no espelho. Isso me faria pensar em Aaron e como desejaria estar bonita daquele jeito para ele, arrancando-lhe piadas, palavras e olhares sujos.

Colin estava na sala, sentado no sofá mexendo no celular, provavelmente falando com algum dos meninos e reforçando a mentira. Quando ouviu o barulho de meus saltos, levantou-se e me olhou. Havia o quê de atenção provido pelos hormônios masculinos, mas tanto ele quanto eu nos acostumamos com o laço quase fraternal formado entre nós. Qualquer incidente entre nós no passado ficou no passado. Aproximei-me e ele sorriu, pegando minha mão e me fazendo dar uma voltinha.

— Você está linda. — deu um beijo em minha bochecha.

Agradeci e ele me soltou. Olhei em meu relógio de pulso e faltava vinte minutos para as oito.

— Brad já está lá em baixo?

— Está. Ele e mais dois seguranças irão contigo. Já conversei com ambos e só Brad entrará no restaurante, ficando mais afastado. O que acontecer lá, ficará lá, nenhum deles vai abrir a boca.

Concordei um pouco mais aliviada, mas ainda assim não em paz. Também, como poderia? Colin se afastou e pegou algo em cima da mesa. Sabia antes mesmo se ver o que era. Grace, sentada no braço da poltrona no outro lado da sala, estremeceu quando viu. Ela já estava ciente de toda a história, pelo menos de grande parte dela, mas ainda não estava acostumada. Entendi-a e admitia que ela estava sendo mais forte do que fui no começo.

— Já sabe como usar, não?

Confirmei, lembrando das, inicialmente, fatídicas aulas de tiro antes do baile. Ele me entregou a arma e a peguei com cuidado, observando-a. Conhecia bem aquela arma. Era uma das várias que já vira escondida pela casa. Aaron a amava e fora com ela que treinara a maior parte dos tiros ao alvo com Colin. Abri a carteira e enfiei a arma dentro. As únicas coisas ali eram meu batom, celular e arma.

Depois de me despedir de Colin e Grace com muitas recomendações de cuidado e uma impressão de haver certo clima entre eles, entrei no carro em direção ao restaurante. Brad ia no banco de trás comigo enquanto os outros dois seguranças iam na frente, um deles a frente do volante. Olhava a paisagem, os prédios modernos se transformando em edifícios antigos de inspiração francesa. O jazz ia tomando as ruas, os bares e os restaurantes nos andares térreos dos edifícios atraíam turistas encantados nas calçadas. Enquanto observava, pensava em quão estranho era chamar aquela cidade de lar. Eu me sentia em casa, mas não via aquilo tudo como casa. Meu lar era aquela mansão, os amigos bobos e insanos que a enchiam, aqueles quartos frios que agora eram aconchegantes, Aaron...

Fechei os olhos e apertei o colar em meu pescoço. Era um presente de aniversário de Aaron. Quando completei meus dezoito anos, ainda no interior, cega a tudo e aos cuidados de Miranda, ele me mandou essa joia. Era uma borboleta cravejada de rubis e turmalinas com as antenas sendo de diamantes. Era lindo e delicado, e apesar de ser menina demais para a mulher poderosa que queria encarnar, não resisti quando o encontrei no armário. Nunca usei e mesmo tendo certeza se que fora escolhido por Miranda ou Nick, era especial. E combinavam de forma discreta com os brincos de diamante do casamento. Em resumo, estava coberta de presentes de Aaron em uma forma de me sentir mais segura. O que resultava, mas também gerava o efeito colateral da culpa ainda maior pela mentira.

O segurança parou na frente do restaurante e Brad saiu para abrir a porta para mim, mesmo o chofer estando ali para isso. Sorri agradecida e me virei para a porta. Uma senhora me olhava feio, e não sabia se era pelo fato do segurança estar no banco traseiro comigo ou pelo seu marido me secar sem pudor. Passei o nome da reserva a hostess e ela sorriu, confirmando que meu acompanhante já me esperava. Olhei para Brad uma última vez antes de acompanhar a hostess. Meu segurança particular sumiu pelo lugar e eu avistei Callum sentado em uma mesa ao fundo. Longe da agitação e das janelas, ele apreciava um vinho ao som de seus pensamentos e do jazz que enchia o salão.

Dispensei a mulher e completei o caminho até a mesa sozinha. Callum virou a cabeça quando parei em frente da mesa e abriu um sorriso grande e medonho. Nada que não tivesse visto antes na face de Aaron. Ele se levantou em seu terno sob medida e pegou minha mão. O azul claro da camisa combinava com os olhos escuros e gelados. Seus lábios de mesma temperatura tocaram meu dorso e tentei não estremecer.

— Está esplêndida, Ava.

— Lane. Já disse que meu nome é Lane.

— Claro, me desculpe, senhora Walker.

Sorri falsa à pronúncia tão pomposa e enojada de meu nome e me sentei na cadeira que, assim como ele fez questão de puxar, empurrou-a. Assim que se acomodou na minha frente, chamou o garçom e solicitou mais vinho.

— Gosta de vinho, não?

— Sou italiana. Mais convincente do que isso só se dissesse que era francesa.

Ele sorriu e pegou o cardápio. Não fiz questão de pegar o meu, mas sim de encará-lo. Ele estava tão calmo, com toda aquela prepotência de se achar o mais poderoso ali que eu já estava acostumada. Intimidava de primeira, mas ter Aaron como marido tinha vantagens como essa.

— Sei que sou bem atraente, Lane, mas creio que seja casada.

— E muito bem. Só estou esperando se tocar que não estou aqui pela comida, e sim pela conversa.

— Direta. Você e Aaron não gostam de fazer rodeios, não?

— E você adora. — sorri.

A minha taça de vinho foi preenchida pelo vinho levemente seco que, após um brinde de sorrisos falsos, molhou meus lábios. O gosto de álcool era absurdamente notável e eu me perguntava se sua intenção era me embebedar logo com uma grande dose de álcool ou me dar a impressão que sim.

— Não deveria ir logo bebendo o que lhe oferecem. Poderia estar envenenado, sabia?

— Você não faria nada com a filha de Antenore Giordano, esqueceu? Ainda tem amor pela vida.

— Touché.

Abaixei a taça e me encostei a cadeira, cruzando as pernas por debaixo da mesa enquanto brincava com o anel em meu dedo. Callum observou atento meu movimento antes de subir os olhos ao meu rosto de novo.

— Sabe, nunca entendi esse gosto de Aaron pelas mais novas, mas agora começo a ver com outros olhos...

— Não se iluda pela minha aparência e idade. Sou mais que um rostinho bonito de dezoito anos.

— Dezoito. Wou! — riu fraco, enjoando-me com o som por ser até agradável. — Sienna tinha quantos mesmo antes daquele fatídico dia? Dezenove? Mais um ano de reinado antes da aposentadoria.

— Arranjou esse jantar para me ameaçar, senhor Madox?

— Senhor. Por favor, Callum. Já disse.

— Disse a Ava, não a Lane. Eu não sou ela.

— Claro. Apesar de que fico feliz que as roupas e a aparência se mantenham a mesma.

Comprimi os lábios e peguei a taça, ignorando seu olhar e sorriso indecentes. Deus, o que Aaron faria se visse aquilo? Estava em dúvida entre uma longa tortura seguida de fuzilamento ou uma única bala, certeira e rápida, no meio de sua testa.

— De qualquer modo, não arranjei esse jantar com a intenção de ameaçá-la. Mas sim de dividir algumas informações e chegar a um acordo ao final da noite.

— Que informações? — levantei a sobrancelha.

— Poderíamos começar pelo contrato que envolve seu casamento, que tal?

Abri a boca, suavizando a expressão em surpresa. Seus lábios crisparam em satisfação consigo mesmo e logo joguei meus ombros para trás de novo, voltando a minha posição anterior inabalável.

— Como sabe do contrato?

— Por favor, Lane. — riu. — Descobrir sua identidade não foi fácil, mas depois disso, quase nada se tornou impossível.

— Impressionada — murmurei, rolando os olhos e levando a taça a boca.

— Sabia que estava demorando a vir. Deixe a ironia rolar solta, ela não cai tão bem em seu marido quando em você.

— O que quer me dizer sobre o contrato? Que logo ele acaba e não serei mais casada? Realmente impressionante.

— Não isso, mas eu acho esse detalhe em particular bem especial. — sorriu malicioso.

— Estou começando a pensar que esse jantar só foi perda de tempo. — bufei.

Estiquei minha mão para pegar minha bolsa e ele colocou a sua por cima. Um arrepio me percorreu, mas não foi boa coisa. Ele se inclinou sobre a mesa e deixou seu rosto de sorriso sempre malvado e debochado mais perto.

— Não irá querer ir antes de eu te contar sobre a única condição que valida o contrato, não?

Engoli em seco e ele sorriu mais. Queria saber, mas não tinha a certeza se ele blefava ou falava a verdade. E não tinha quase nenhuma verdade para usar de base, uma vez que tudo que sabia se limitava à cláusula do casamento.

— Você está blefando — murmurei, mas não me mexi.

— Estou? Bom, se diz isso só pode ser por não saber a verdade sobre o contrato. Além do detalhe do casamento. E se não sabe nada sobre o resto do contrato, como imagino que não sabe, você não tem noção nenhuma sobre o que é verdade ou não. Isso te deixa então com duas opções: sair sem ouvir mais nenhuma palavra duvidosa da minha boca ou arriscar acreditar em mim.

Seus olhos desafiavam os meus. Se puxasse minha mão e bolsa, ele se calaria. Se não, saberia algo que nunca conseguiria dos lábios de Aaron. Seu sorriso ampliou após dez segundos e ele voltou a se ajeitar na mesa, recuando sua mão. Imitei-o, esfregando o dorso da minha no vestido. Se ele notou, disfarçou chamando o garçom.

— Você é inteligente, Lane. Gosto de mulheres inteligentes.

— Não fiquei para receber elogios, mas sim para ouvir o que tem a me dizer.

— E direi. Mas já que ficou, será sob meus termos. E primeiro iremos escolher algo do cardápio.

— Não estou...

— Escolha qualquer coisa. — cortou-me indiferente.

Respirei fundo e peguei o cardápio com o garçom. Escolhi um uma massa qualquer com molho de trufas e camarões enquanto ele escolheu qualquer coisa com lagosta. Nossas taças foram cheias de novo e ele abriu a boca quando o garçom se afastou.

— Vamos então ao contrato. Ele não te contou então sobre o único detalhezinho que valida tudo isso? Tcs, tcs, tcs. Que marido mais desleixado.

— Não é sobre o tipo de relação que tenho, nem o tipo de cônjuges que ele e eu somos que estamos discutindo.

— Não, claro que não. Só quero deixar uma observação: com Sienna, ele era muito mais aberto.

Travei meu maxilar e apertei o guardanapo em meu colo, dando-o mais com o que se deleitar.

— Mas vamos ao que interessa. Aaron precisa conseguir 51% do Estados Unidos para se tornar... Hm, "sócio" de seu pai e Dom Mantovani. E isso até o final do prazo estipulado no contrato: o aniversário de um ano do casamento de vocês.

— Conseguir 51%...

— No tráfico. Sim.

Pisquei algumas vezes com a informação. Não entendia bem desse mundo, porém mais da metade no comando do tráfico em um país grande e cheio de adversários como os Estados Unidos era muito. Sabia que Aaron não era iniciante e já tinha sua cota de respeito, mas conseguir tudo isso em menos de um mês era muito.

— Muito, não? Só para que saiba, ele já possui o controle de 41%. — ele riu da minha cara de espantada. — E eu possuo 44%. Cortesia de meu tio Alexander e conexões. Bem, a parte de meu tio está dividida. Metade está com...

— Por que está me dizendo tudo isso?

Suas sobrancelhas se ergueram com a minha interrupção. Ele não demonstrou irritação, mas sim deboche. Ainda maior, se era possível.

— Por que estou lhe dizendo isso? Hm, é uma boa pergunta. Ela nos leva onde realmente quero chegar. — após uma pequena pausa sacramentada pelo meu silêncio, ele prosseguiu. — Quero que me ajude a conseguir os dez por cento que faltam ao invés de Aaron.

Se a ideia não tivesse me deixado chocada, teria gargalhado; afinal, era tão hilária quanto absurda. Procurei em sua face algo que o denunciasse como comediante ou fora de suas faculdades mentais, mas não havia nada. Ele falava sério e tive que arregalar os olhos e adicionar mais álcool ao meu sangue para lidar com aquilo.

— Você está brincando comigo, não está?

— Nunca falei tão sério, Lane.

— Por que diabos eu te ajudaria a trair meu próprio marido?

— Tenho vários motivos, entre eles o risco de levar um belo fora após o fim do contrato, mas o mais forte deles é porque o ama.

Finalmente ri. Joguei a cabeça para trás e cobri a boca com os dedos quanto o olhei de novo. Ele me observava calmo com um sorriso desfigurado de lado e nada perturbado por rir em sua cara.

— Você é louco.

Levantei-me com minha bolsa na mão e ele não me impediu, pelo contrário, ostentou uma expressão de calma e deboche ainda mais irritante.

— Eu posso ser louco, mas sou ambicioso. Assim como seu marido. E no mundo da máfia, isso é essencial e suicida. Pois quanto maior a altura, maior a queda. E se você ama alguém, não quer ver essa pessoa machucada. E se puder evitar que se machuque, fará tudo ao seu alcance para isso. Não estou certo?

De novo, ele me deixou sem palavras e paralisada. Comprimi meus lábios e apertei minha bolsa até meus dedos estarem dormentes. Ele notou tudo com o pior e maior dos sorrisos irônicos. Ele apertava a ferida ao mesmo tempo que oferecia a cura, o que era perturbador e me deixava sem saída. Joguei a bolsa na mesa de novo e me sentei, ao mesmo tempo em que a comida chegou. O triunfo estampado em seu rosto me deixou com vontade de sacar a arma em minha bolsa e atirar no meio de sua testa, como Aaron se orgulharia caso tivesse coragem de fazer.

Não foi preciso ser dito nada para que soubesse que ele não abriria a boca de novo até o fim da refeição. Mal toquei em meu prato enquanto ele pareceu se deliciar com o seu. Foi necessária meia hora de tortura silenciosa para que ele limpasse a boca no guardanapo e retirassem nossos pratos.

— Não gostou da refeição?

— Disse que estava sem fome.

Deu de ombros e tomou mais vinho antes de recusar sua oferta por sobremesa. Um riso escapou de seus lábios quando ajeitou seu paletó, olhando-me.

— Está mal humorada, Lane. E impaciente. Te entendo, mas não cai bem...

— Chega dessa merda de enrolação. Você vai me dizer agora que droga você quer comigo, senão eu saio por aquela porta. E talvez eu me arrependa, mas garanto que você irá muito mais por ter deixado a chance escapar.

Ele levantou as mãos em rendição e não pronunciou mais nenhuma palavra além das que queria ouvir.

— Se Aaron conseguir validar o contrato, o que eu sei que ele está perto de fazer, ele terá muito poder em mãos. E irá querer mais. Ele vai tentar ter mais. O que implica em fazer até insanidade que podem levar à própria morte. Então, além de ter vários querendo matá-lo pela alta posição, ainda terá ele mesmo se arriscando. Seu marido morrerá, simplificando. Mas se escolher me ajudar, ele não conseguirá cumprir o acordo e assim você terá mais oportunidades de o convencer a deixar isso. Ou pelo menos, ter mais tempo com ele.

Mordi minha bochecha e pensei em suas palavras, olhando-o em silêncio. Havia sentido em suas palavras, assim como manipulação pura e mascarada. Sabia que Aaron era ambicioso e sem limites, e exatamente por isso o contrato acabava sendo uma moeda de faces iguais. Pois se não conseguisse o poder agora, Aaron faria alguma loucura para tê-lo, o que acarretaria em algo grave também. O efeito que as palavras de Callum tiveram então foi de me deixar em uma encruzilhada.

Não deveria aceitar, mas talvez pudesse conseguir essa vantagem ilusória que ele vendia. Mesmo que isso fosse trazer grandes problemas com Aaron.

— Ele está perto de conseguir validar o contrato?

A confusão em minha voz era verdadeira, mas a inocência do tom era manipuladora. Queria fazê-lo falar mais, pois precisava saber mais.

— Sim. E isso será tudo que saberá sobre isso até me dar uma resposta concreta.

Bufei e mordi o lábio, virando para o quadro na parede. Mostrava Nova Orleans nos anos 20. Era pura diversão e prazer boêmio com aquela classe que os só aquela década poderia dar aos charutos e jazz. Fechei os olhos, sentindo os dele queimar sobre mim em pressão por uma resposta. Queria tanto negar de boca cheia e não trair ainda mais Aaron, mas não podia dar esse não com toda a certeza. A única coisa que pude dizer sem sair de meu dilema foi...

— Preciso pensar.

Seu sorriso foi imparcial, mesmo que pendesse ao satisfeito.

— Como queira. Tem dois dias, a partir de agora. Caso não receba um telefonema seu dentro deste prazo, considerarei sua resposta como não.

Assenti e peguei minha bolsa, levantando definitivamente. Ele se levantou também, pegando em minha mão de novo para um último beijo.

— Foi um prazer conversar com você, Lane.

— Não sei de posso dizer o mesmo. — puxei a mão de volta, fazendo-o ampliar, pela última vez na noite, o sorriso.

— Talvez você ache mais agradável da próxima vez, quando tentarei falar o mínimo possível sobre as filiações de Aaron e irei querer saber mais sobre você.

Com a última semente da curiosidade e desconfiança plantada em mim, ele se afastou e esperou que me retirasse. Andei para longe, certamente aliviada por dar as costas a áurea carregada daquela mesa e de meu acompanhante, mas inegavelmente perturbada por tudo que ouvira. Achei a saída e não vi Brad em lugar nenhum. Desejei então que já estivesse do lado de fora, esperando junto dos outros seguranças para me levar o mais distante dali.

E ele estava. Quando me viu, jurei que seu pomo de Adão desceu e subiu rápido antes de ele abrir a porta do carro para mim. Entrei e suspirei, fechando os olhos e encostando a testa no vidro. O carro começou a se movimentar e não ouvi o barulho da porta do outro lado sendo aberta e fechada pela entrada de Brad. E antes que abrisse os olhos e checasse o porquê, senti meu coração acelerar no peito com o susto que tomei.

— Se divertiu, amore mio?

Notas finais
E agora que a cobra vai fumar, o bicho vai pegar, a coisa vai ferver. hahahah. Bem, devem ter percebido que eu estou colocando uma pequena prévia dos próximos capítulos no começo (fiz isso no passado e neste). Isso porque quero deixa-los mais intrigados e instigados pelos próximos capítulos, que pretendo que sejam os últimos da temporada. Serão capítulos decisivos e com ação, se Deus quiser. Então não posso garantir a vocês que essas prévias irão aparecer mesmo nos capítulos, mas elas serão subentendidas ao longo deles. Okay? E por fim, bem, FELIZ NATAL A TODOS! Tudo de bom e do melhor, que seja um dia de muita paz, amor, reflexão e comida. hahahah. Espero postar antes do ano novo e pretendo. Então lá serei mais melosa. Hasta chicos. Xoxo