Notas iniciais
Quase meia, estou quase virando abóbora, mas estou aqui postando. hahahaa. Vejam que valente essa autora... Há alguns dias eu venho sendo aporrinhada porque faz "quase um mês" que não posto, por isso estou por aqui com os olhos arregalados, secos, cansada e querendo dormir. Vou falar o mínimo possível nas notas iniciais e finais hoje, já aviso, porque dizem que eu escrevo mais por aqui no que no capítulo. Então só aviso: quem reclamar do capítulo comprido demais vai apanhar. hahaha. Estavam querendo um capítulo grande e eu passei um tempão editando esse capítulo enorme para vocês. Sorriam, portanto. hahahaha. Ouçam o capítulo com a música "Iris", Goo Goo Dolls. É a música mais próxima do que queria que achei. Encontra-se na playlist da fic e sinalizarei onde devem colocar o play em ação. http://minilogs.com/egldkw0 Godere P.S. Notas finais...

POV Aaron

Suspirei ouvindo as palavras que já esperava saindo de sua boca. Fechei os olhos, ainda sentindo o peso de seu olhar ansioso sobre mim. Sabia que ela estava louca para me abordar sobre esse assunto novamente e era questão de tempo até ela criar coragem para fazê-lo. O problema era que não queria falar sobre isso.

Eu havia enterrado essa história há anos. E seria completa burrice desenterra-la agora.

Comprimi os lábios e abri os olhos prestes a acabar com todo aquele momento estranho e gay em que nos metera. Mas ao encara-la, havia uma suplica e compreensão silenciosa em seus olhos. Eram aqueles mesmos olhos que enxergavam através de mim sem julgamentos. E me matava olha-los toda vez depois de uma discussão: opacos e sem vida. Ainda que gostasse vê-la linda e irritada comigo até leva-la para a cama e fode-la de todas as maneiras imagináveis, estava cansado de vê-la desapontada. Estava cansado de desaponta-la e sentir raiva e desespero incomuns toda vez que ela me dava às costas.

Fechei os olhos novamente e me perguntei o que diabos fazer antes de fazê-lo.

– A gente tinha dezessete quando se conheceu. Ela era amiga de infância do Colin.

Acaricia seus cabelos, acalmando-me. Ela estava com os braços cruzados sobre o meu peito, a cabeça provavelmente apoiada neles enquanto me observava atenta. Porque mesmo de olhos fechados, vendo tudo aquilo que jurei nunca mais tocar, sentia o peso suave e opressor de seu olhar.

– Ela trabalhava em um café em Chicago e eu era novato no tráfico. Quando eu a vi pela primeira vez foi, porra, eu não sei. Pareceu toda aquela baboseira de amor à primeira vista. E para ela também.

"Ela era linda. Eu não conseguia parar de olha-la. Ela parecia um anjo. Era engraçado porque ela ficava muito constrangida quando eu a encarava e dizia essas coisas. As bochechas ficavam vermelhas rapidamente. Você a lembra nesse aspecto...".

Lane remexeu-se e soube que estava incomodada com as comparações quando a verdade era que as semelhanças entre elas eram quase nulas. Lane era o oposto de Sienna e por isso a escolhi. Limpei a garganta e continuei, tentando falar o mínimo de como Sienna me enfeitiçava.

– O Colin foi o que mais relutou a ideia de nós dois juntos. Eles eram praticamente irmãos e ele não queria que nada de ruim acontecesse a ela. Porque mesmo sendo moleques e novos no ramo, sabíamos que nada era seguro. E quando ele cedeu, começamos a namorar de vez.

A música continuava tocando de fundo e o que antes era insignificante, começou a me irritar. Bufei e abri os olhos, olhando para o celular tocando no canto. Lane pareceu adivinhar o que faria e levantou-se, desligando o aparelho e voltando para a posição anterior.

– Durante uns dois anos foi tudo bem. Eu e os moleques crescemos como traficantes e nada de mais tinha acontecido. E chegamos a um ponto que esse era o problema. Nós ainda não éramos patrões e queríamos ser. E a oportunidade para isso apareceu. Alexander, que era o nosso chefe, tinha um negócio em expansão aqui em Nova Orleans e era o lugar perfeito para começarmos a dar os primeiros passos. Não era tão grande como Nova York, Los Angeles ou Chicago, mas era algo.

"Depois de um serviço para Alexander, tivemos uma 'folga' e viemos todos para cá. Pretendíamos ficar definitivamente depois do golpe que daríamos porque seria perigoso e burro demais voltar. Havia uma carga grande com destino a Chicago que passaria por aqui. O trabalho era tão grande que o capataz de Alexander que comandava por aqui iria conferir pessoalmente. Nós os surpreendemos e roubamos todo o carregamento. Alexander logo soube e ficou puto. Correu para cá exigindo tudo de volta ou morreríamos. Ele poderia muito bem nos matar, mas ele não o faria. Não sem ter a carga antes de volta. E nos tínhamos escondido tão bem que ele nunca acharia.

Então, negociamos com ele: a carga pelo comando de Nova Orleans. Ele não gostou, mas teve que aceitar. A carga era muito valiosa. Cheia de armas e drogas de todo tipo que você pode pensar, além de conter amostras de um novo tipo em experiência na época. Se ele perdesse essas amostras, teria de pagar uma fortuna para conseguir outras. Mas se ele as tivesse, pagava para alguém produzir mais para ele. Ele não teve outra escolha a não ser passar o comando para gente. Nova Orleans pode não parecer nada de mais perto dos outros lugares que ele tinha; na verdade, não era mesmo. O que o deixou puto da vida foi ter perdido pra um moleque de vinte anos que costumava ser seu empregado."

Parei para tomar fôlego. Não notei o quanto minha boca estava seca. Molhei os lábios e me remexi, incomodado por ficar tanto tempo na mesma posição. Lane saiu de cima de mim e tirei o braço dormente de baixo da cabeça. Peguei uma almofada do sofá e deitei sobre ela, puxando Lane de volta para mim. Desta vez, ela deitou a cabeça em me peito e ficou ouvindo-me recomeçar enquanto traçava desenhos imaginários em meu abdômen. O arranhar suave de sua unha em meu abdômen era reconfortante e familiar.

– Até nos estabelecermos por aqui demorou um pouco. Mas em um ano estava tudo indo bem. Nós morávamos todos juntos, com exceção de minha mãe, que se enfurnou naquela casa de campo. Era legal, mas percebemos que era burrice vivermos juntos. Se alguém tentasse nos matar, não seria tão difícil com todos debaixo do mesmo teto. Eu e Sienna também queríamos mais privacidade e fomos os primeiros a nos mudar pra outro apartamento. Daí pra frente tudo começou a desmoronar.

"Eu consegui minha primeira boate de prostituição e vivia muito tempo lá cuidando dos negócios e Sienna logo começou a dizer que eu a traía. Era só paranoia da cabeça dela, mas quanto mais as coisas pioraram entre nós, passou a ser verdade. Alexander voltou também a dar sinal de vida e isso não era bom. Acabava descontando tudo nela e nas drogas. Brigávamos todos os dias e em alguns ela saia de casa chorando para os braços do Colin. Eu ficava puto com isso. Ela era minha mulher e ia chorar nos braços de outro cara, mesmo que fosse o 'irmão' dela? Ele a defendia e passamos a nos desentender. Eu comecei a ficar sobrecarregado: era Sienna arisca, era Alexander roubando minhas cargas e vendendo-as em meu terreno, era eu e os moleques nos desentendendo... Eu tinha que decidir no que focar e fiquei com o trabalho. E descobri que o capataz de Alexander me sabotando era o sobrinho dele: Callum."

Callum? O Callum que mandou o convite para o baile? – ela interrompeu-me pela primeira vez.

Olhei-a e ela parecia surpresa e não ao mesmo tempo. Acenei em um sim com a cabeça.

– Ele era uma espécie de filho pro Alexander. Pelo que sei, os pais dele morreram quando ele era criança e Alexander o criou. Eu não o conhecia porque ele vivia no exterior, mas quando o tio o chamou de volta, ele veio correndo. Vi nele um ponto fraco de Alexander e armei um plano. O problema era que eles também tinham armado um para mim.

"Havia um infiltrado deles na minha equipe e eu descobri quem era. Mandei-o falar para eles que uma carga muito valiosa estava chegando para mim. Eu mesmo iria pega-la com minha equipe e uns seguranças. Pouca gente, porque andava desconfiado de que havia um infiltrado e estava ficando paranoico, desconfiado de todos.

Ele caiu na pista falsa e correu para Nova Orleans. Ele, o sobrinho e uns paus mandados. Mas na hora, quando eles deveriam aparecer para tentar roubar a carga, só foram uns três capangas. Eles foram com um celular."

Parei mais uma vez e Lane passou as unhas em meu peito. Abri os olhos. A pouca luz a favorecia e deixava-a ainda mais nova. Costumava pensar que Sienna era um anjo, mas Lane se parecia muito mais com um. Seus lábios entreabertos e seus olhos grandes da cor do céu, numa ansiedade e curiosidades dócil e inocente, me faziam pensar que ela não poderia ser menos que divina. E que ela só poderia estar ali por dois motivos: para me salvar ou ser corrompida. E ao mesmo tempo em que não queria salvação, pensava que corromper um ser tão puro poderia ser excitante ou meu fim.

Caso fosse a última opção, esperava levar ela comigo para baixo.

– Você não precisa continuar se não quiser. Você já me disse o suficiente.

Seu tom era baixo e compreensivo, como seus olhos. Ela não fazia ideia de como me enlouquecia com esse seu jeito.

– Eu vou terminar. Eu não começo nada sem terminar.

Ela assentiu, concordando sem protestar. Seu corpo pequeno apertou-se mais contra o meu e sentia seus seios redondos contra minha caixa torácica.

– O cara trouxe o telefone até mim e era Alexander do outro lado da linha. Ele debochou de nosso plano e disse ter uma surpresa para mim.

Lane prendeu o ar, arfando entre os lábios abertos. Sua expressão foi tão espontânea quanto o de uma criancinha. O pensamento cruzou minha cabeça rapidamente. Rápido demais para eu considerar se sorriria se fosse outro momento. Molhei os lábios e continuei.

– Ele colocou Sienna na linha e ela chorava e implorava para eu ir resgata-la. Eu acho que nunca senti tanto ódio na vida.

"O que ele queria era negociar comigo. Nova Orleans por Sienna. E depois eu e a minha equipe sumiríamos no mundo. Iríamos nos encontrar pela manhã em um ponto isolado na estrada e faríamos 'a troca'. Mas eu sabia que ele não nos deixaria ir assim tão fácil como dizia. Por isso concordei com a ideia dele enquanto bolava um plano.

Até hoje não sei como diabos Nick descobriu onde eles estavam, mas ele o fez. A ideia era chegar lá e pega-la. Se desse para meter bala em alguém no caminho era lucro. Era um plano louco e as chances eram mínimas, mas era o único que tínhamos".

Três anos antes

Sai do carro encostando a porta e olhando para Dylan. Ele fez um positivo com o dedo, indicando que tudo estava certo. Olhei ao redor, procurando meus homens no escuro. Estava tudo silencioso demais, tanto de nossa parte como da deles. Avancei na frente e não me surpreendi quando Colin veio atrás. Trocamos um rápido olhar. Não conseguia ver o corte em sua sobrancelha, mas sabia que ele ainda ardia e lembrava-o da vontade mútua que ele tinha de me matar pelo que acontecera. E mesmo que pudesse entrar em outra briga sem problemas, nossa melhor chance era juntos.

E Sienna era mais importante para nós do que o caixão do outro reluzindo.

Acenei com a mão livre e três seguranças apareceram na minha frente com as armas apontadas para a porta da fábrica. Os passos de todos eram silenciosos, embora estivessem armados até os dentes. A arma em meu tornozelo incomodava, assim como o cinto de balas apertava minha circulação. Mas nada disso importava enquanto a raiva misturava-se a adrenalina em meu sangue. Enquanto Sienna não estivesse comigo.

O segurança empurrou a porta com o ombro e fez sinal positivo. A fábrica estava escura e um pontinho de luz era visto ao final do corredor, numa curva a direita. Vozes bem baixas soavam junto. Fiz sinal para mais dois seguranças avançaremos e cinco cobriam-nos na frente. Viramos o corredor e os tiros começaram.

Avancei e atirei. Não sei quantos acertei nem onde. Minha cabeça estava longe e meu corpo trabalhava no automático. Só abaixei a arma quando o último filho da puta sangrava no chão. O tiro não fora meu. Olhei em cima dos ombros e Nick abaixava a arma ofegante. Olhei ao redor e quatro homens meus jaziam no chão. Outros nove acompanhavam.

Pulei os corpos em direção a uma porta do outro lado do corredor e todos me seguiram. Parei em frente à maçaneta de ferro enferrujada. Respingos de sangue a manchavam. Olhei por cima do ombro. Olhos ansiosos esperavam por algum comando ou ação minha. Chamei sete seguranças para frente e deixei cinco na retaguarda.

A porta abriu e eles avançaram por um corredor reto com as amas em punho. Não havia ninguém, apesar de um crepitar suave e distante. Seguimos alertas e vimos o túnel negro ir clareando até a luz no final dele. A apertada passagem abriu-se em um amplo salão. As paredes estavam lotadas de maquinários encostados a elas. Os sucos no chão provavam que foram arrastadas até ali. O teto era abobado com vidros, muitos deles quebrados e o resto sujo e engordurado. Alguns ninhos se fizeram nas hastes que cruzavam o céu até o começo das paredes. Mas nada disso era tão chamativo quanto a enorme fogueira quase apagada no centro do cômodo. Cobertores puídos alimentavam o fogo.

Meus olhos semicerraram-se entre a fumaça e o fogo baixo para o outro lado. Alexander sorria feito o filho da puta que era. O sobrinho permanecia sério ao seu lado no papel de baba ovo. Ao lado, Sienna estava ajoelhada com a arma de um capataz apontada para sua cabeça. Ela chorava silenciosamente e quando nossos olhos se encontraram o fluxo aumentou, limpando a poeira de seu rosto. Comprimi os lábios, sentindo mais medo e ódio do que em toda minha vida.

Ela estava suja e sua roupa estava rasgada em alguns pontos. Havia um corte em sua bochecha com sangue seco e alguns hematomas roxos em se braço. Seus olhos estavam tão apavorados olhando-me que eu colocava toda minha concentração em não correr em sua direção e salva-la. Porque sabia que se o fizesse, seria o seu e o meu fim.

– Ora, ora... Enfim Romeu apareceu, Julieta. – Alexander sorriu sarcástico a Sienna.

Ela olhou-o com desprezo, assim como eu.

– Solte ela. – rosnei.

Um sorrisinho presunçoso ganhou seus lábios. Ao seu redor, seguranças em maior número que os meus o rodeavam, saindo das sombras e revelando-se.

– Sabe Aaron, esse não era nosso acordo. O acordo era uma troca pela manhã na estrada. Mas acho que sua ansiedade em ver sua amada ou sua desconfiança de que ela estava em boas mãos o fez apressado.

Ele se voltou ao segurança ao seu lado.

– Me diga, quantos homens perdi agora com a brincadeirinha dele?

– Nove.

– Nove homens! – bateu no ombro do segurança e me olhou como se repreendesse uma criança levada de cinco anos.

– Não confiei em você e com motivos. Ela não está intacta como prometeu. – meus olhos percorreram-na toda.

Cada arranhão e roxo em sua pele me faziam apertar mais o punho fechado.

– Ah, não foi nossa culpa. – sorriu em "desculpas". – Sua mulher é levada e tentou dar suas escapadas.

– Solta ela, seu desgraçado! – Colin gritou.

Olhei-o fuzilando e ele ignorou-me. Seus olhos estavam fixos em Sienna.

– O que temos aqui? Outro cavaleiro em armadura para resgata-la, querida? – Alexander riu para Sienna.

– Me solta, seu monstro. – murmurou.

A arma foi forçada contra sua cabeça e ela gemeu de dor. Tanto eu quanto Colin nos seguramos para não corrermos em sua direção ou atirar de uma vez. O sorriso desprezível de Alexander aumentou.

– Sabe querida, acho que agora seria um momento bem interessante para você contar a novidade aos nossos convidados. Com certeza eles a adorarão.

– Pare de joguinhos e a solte, Alexander, para então negociarmos.

– Você não quer saber o que sua mulher nos contou e tanto nos interessou? Conte a eles, querida. – apertou sua bochecha.

– Pare com isso, Alexander. – gritei.

Ele soltou-a e ela olhou-o ainda mais irritada. O sorriso dissimulado que se estendia até os olhos se voltou para mim.

– Sabia que você será papai, Aaron? Sua mulher nos agraciou com essa maravilhosa notícia enquanto implorava pela vida dela e do seu filho.

Senti meu estômago cair. Sienna me encarava com lágrimas nos olhos. Seus lábios rachados abriram-se e ela murmurou um "desculpe" sem som. Mais lágrimas caíram marcando mais o caminho claro em seu rosto. Minha pele estava fria, embora o ódio queimasse com mais fervor em minhas veias. Minha vontade era de sacar minha arma e descarrega-la nele. Mas novamente, tinha que raciocinar e ser frio para salva-la.

Salvar a ela e ao meu filho.

– Vamos negociar Alexander. Mas primeiro, deixe-a ir.

– Nós já tínhamos negociado. Só que você quebrou o acordo ao vir até aqui e atirar em meu pessoal. Portanto, não sei se quero mais negociar contigo.

O pessoal dele começou a atirar. Alguns de meus homens caíram antes de revidarmos. O tiroteio começou e tudo que focava era Sienna, agora nos braços de Callum. Ele atirava contra meu pessoal e a mantinha sobre suas asas de qualquer jeito. Atirei em um segurança de Alexander e avancei para o lado oposto. Abaixava-me e escondi-me atrás de alguns móveis, protegendo-me sem noção alguma de quem estava na vantagem. Via Nick do outro lado com Zack e dois seguranças atirando atrás de uma barrica de móveis. Ouvia o grito de Colin de algum ponto atrás de mim enquanto não via nenhum sinal de Dylan.

Atirei em um segurança que apontava para o lado do meu pessoal. Ele caiu segurando a perna e a vi. Sienna estava lutando nos braços de Callum enquanto ele a prendi com a arma apontada para outro lado. Poderia tentar atirar em seu braço, desarmando-o e distraindo-o para ela fugir. Mas era arriscado demais. Poderia acerta-la.

Um tiro passou ao lado de minha cabeça e vi o filho da puta do Alexander sorrindo para mim. Rosnei atirando em sua direção. Passou a milímetros de seu braço. Ele voltou a atirar, desta vez sem parar. Afundei mais contra o chão e engatinhei para o outro lado, escondido sob os móveis e correndo mais em direção ao campo inimigo.

Tiros passavam por meus olhos e zumbiam em meu ouvido. Atirava pelas lacunas entre as pilhas de madeira, mirando em Alexander. Parei atrás de um monte de ferros retorcidos e pedaços quebrados de madeira e atirei mais uma vez. O tiro passou distante de meu alvo, que atirou de volta e quase acertou meu braço bom. Xinguei-o e apertei o gatilho mais uma vez para descobrir que não tinha bala. Xingando mais, enfiei a mão no cinto e catei o máximo de balas que pude. Enfiei-as de qualquer jeito, algumas caindo no chão e fazendo barulho. Mais balas de Alexander chiaram por mim e desta vez o filho da puta acertou.

Urrei com o tiro de em meu ombro esquerdo. O tecido havia rasgado e meu ombro sangrava e ardia. Mordia meus lábios para não gritar. Ainda que agradecesse que não fosse meu braço bom pego, a dor era insuportável.

– Vamos, Aaron. Apareça. Você está perdendo a brincadeira aqui! – Alexander gritou rindo como o maníaco que era.

Com dificuldade, levantei-me pegando a arma que escapara de minha mão. O desgraçado mal viu minha cabeça e já puxou o gatilho. Abaixei de volta, certo de que a bala acertaria minha cabeça senão fosse meu reflexo rápido. Gemi apertando o braço que manchava toda minha camiseta de sangue. Os tiros continuaram e rolei para o lado sob meu braço. Cegado de dor, puxei a arma e nem pensei bem antes de enfia-la em um vão de minha proteção. Atirei as cegas e ouviu um grito do outro lado que me fez sorrir em meio à dor.

Olhei pelo buraco e vi Alexander caído no chão. Ele urrava com a mão na perna, que sangrava mais que meu ombro. Meu sorris aumentou. Mirei em sua cabeça, pronto para dar um fim definitivo aquele bastardo.

– PAREM TODOS OU EU ATIRO NELA!

Levantei os olhos e vi Callum ao lado do tio com a arma contra a cabeça de Sienna. Ela chorava muito e ele a apertava com força bruta. Se aceitasse o tio, ele a acertava.

Passei a arma ao braço ruim e apoiei-me com o bom para me levantar. Conti o gemido de dor e me ergui encarando mortalmente o sobrinho igualmente filho da puta. A fogueira parecia mais viva, alimentada com mais pedaços de móveis. Havia muitos corpos no chão e não conseguia reconhecer meu pessoal no meio dos de Alexander. Nick e Zack ainda estavam juntos, atrás de outra barrica. Eles tinham as armas apontadas para Callum. Dylan estava em outro canto, apontando para um homem ferido aos seus pés. Colin era o mais perto de mim e Sienna. Ele estava com os olhos vermelhos da fumaça e ira, os lábios repuxados para cima numa expressão de rosnado que reconhecia em mim. Sua arma estava bem apontada para a cabeça do desgraçado do Callum. Outros homens, ainda em pé, revezavam-se entre apontar para nós ou para Callum e seu pessoal.

Ele se virou e me olhou. Siena fez o mesmo e não consegui sustentar seu olhar de súplica. Por isso concentrei-me no de ódio do outro, pois esse era o sentimento que queimava em maior escala em meus ossos.

– Solte essa arma, Aaron.

– Solte Sienna primeiro.

– Não confio em você.

– Então somos dois. – sorri falso.

Ele apertou mais a arma contra a sua cabeça.

– Não vou repetir. Solta a arma ou ela leva bala.

– Aaron, por favor. Faz o que ele está pedindo.

Olhei-a. Seus olhos estavam inchados e vermelhos. Como das tantas vezes que brigamos. Seu rosto brilhando por onde as lágrimas passaram. Olhei seu corpo todo e parei em sua barriga. Não havia protuberância ali. Ela devia estar no começo da gravidez. Engoli em seco e olhei para seu rosto de novo. "Por favor": seus lábios trêmulos formaram em uma súplica sem som.

– Se eu abaixar a arma, você a solta?

– Joga a arma para mim e eu a solto. Você sai daqui com ela e seu pessoal sem mais tiros e nós fazemos o mesmo.

(Coloquem a música para tocar)

Assenti e abaixei a arma. Coloquei-me de cócoras, ainda segurando-a. Ele a segurou pelo braço, afastando-a de si. Joguei a arma na hora que ele a soltou. Corri a ela e seu tio no chão pegou o objeto que deslizava pelo chão. Foi tudo tão rápido que no momento que a tinha em meus braços, ela caia. Apertei-a vendo seus olhos entreabertos me fitarem. Sua blusa estava encharcando-se de sangue a partir de um ponto em suas costas. Toda a gritaria e os tiros se desfaziam enquanto a encarava com lágrimas nos olhos.

– Sienna, fala comigo. – pedi segurando seu rosto.

– Me desculpa Aaron... – sussurrou fraca.

– Shiu. Não fala. Só aguenta firme. Eu vou levar você e o bebê para o hospital.

– Eu queria ter te contado antes, mas eu estava com medo...

Ela tossiu e mais sangue manchou minha camisa.

– Não fala. Vocês vão ficar bem. Eu vou cuidar dos dois.

– Você seria um pai tão bom. – sussurrou com lágrimas nos olhos. – Mas...

Ela voltou a tossir sangue antes de cair mole em meu colo com os olhos fechados.

– Sienna! – sacudi-a.

Sua respiração estava tão fraca que era quase imperceptível. Seu pulso tão era quase zero. Ela só desmaiara, mas se demorasse mais... Olhei para cima, vendo os safados fugindo com a ajuda dos seus homens. Rangi os dentes.

– Colin!

Ele olhou-me assim que atirou em um homem e correu para nós antes que o chamasse de novo. Ele largou a arma no chão e olhou preocupado para Sienna. Alguns seguranças começaram a nos cobrir e impedir de sermos atingidos pelas costas.

– Cuida dela. Tire-a daqui. Leve para um hospital. – levantei-me pegando sua arma.

– Aonde você vai? – olhou-me enquanto a colocava nos braços e se levantava.

– Vou matar esses filhos da puta. – rangi os dentes.

– Boa sorte. – desejou sincero.

Via em sua expressão a mesma vontade animal de matar aqueles que fizeram aquilo com Sienna.

– Vou na frente dando cobertura para vocês saírem.

Ele assentiu e peguei a arma em meu tornozelo, ficando com as duas em punho. Mirei em todo cara de Alexander que aparecia em minha frente. Saíamos da fábrica pela mesma porta lateral que os filhos da puta e acenei com a cabeça para Colin.

– Eu vou cuidar dela. – garantiu.

Assenti incapaz de dizer algo. Olhei-a uma última vez, vendo seus cabelos manchados de vermelho balançaram no vento fraco. Ele correu para a direita com ela enquanto eu corria na direção contrária.

O escuro era total naquela área. Sentia galhos se quebrando em meus pés e mato seco se esfregando em meus tornozelos conforme o ar da noite batia em meu rosto. A dor em meu ombro era pior do que antes, mas a adrenalina e a ira em minha corrente sanguínea era muito maior do que uma porra de uma bala alojada em meu ombro. Seguia os sons de passo, gritos e tiros que eram dados na noite. Pulei muitos obstáculos no caminho, ignorando que muitos eram corpos. Não parei nenhuma vez sequer para checar de que lado era. Logo acabei em frente a cinco enormes picapes com os faróis acessos. Meu pessoal e o de Alexander trocavam tiros. Eram poucos, entre eles Dylan. Alexander se escorava em um segurança perto da picape do meio. O segurança estava ocupado trocando tiros com Dylan.

Apontei em sua testa e acertei. Ele caiu na hora e levou consigo o chefe. Seus seguranças se voltaram para mim, mas acertei a todos com a ajuda de Dylan e dois dos meus seguranças. Ao fim, só havia meu pessoal e Alexander.

Olhei o bastardo arrastando-se no chão e aproximei-me. Pisei em sua mão assim que a esticou para pegar a arma do pau mandando morto. Ele gritou e levantou os olhos para mim. Mirava o meio de sua testa.

– Suas últimas palavras, patrão. – debochei engatilhando a arma.

– Podemos conversar Aaron. Eu posso te tornar meu sucessor. Te passar alguns de meus negócios até antes de morrer...

– Péssimas últimas palavras. No seu lugar, teria pedido pro capeta me aceitar quando estive lá. Por que duvido que até ele te queira.

Puxei o gatilho. Ele caiu para trás. Um filete de sangue escorria de sua cabeça enquanto ele tinha a boca e os olhos abertos em terror e surpresa.

Voltei a Dylan e ele me olhava preocupado. Deu tapinhas em minhas costas e paramos observando o corpo de Alexander. O cara que tanto nos infernizou estava finalmente morto e eu não sentia nenhuma empolgação em ter seu sangue em minhas mãos.

– Taquem fogo em tudo. – me dirigi aos seguranças.

Eles assentaram e prontamente foram agir.

– Vamos voltar.

– Com tá a Sienna? – acompanhou meu passo de volta pela trilha escura.

Lembrei-me que meu celular estava no bolso e peguei-o. Liguei a lanterna, iluminando o caminho. Ambos continuávamos com as armas em punho. A de Colin, sem balas, estava em minha cintura.

– Colin levou-a para um hospital. Ela tomou um tiro nas costas. O pulso dela estava fraco.

– Ela vai sair dessa, cara. Ela e o seu filho.

Assenti torcendo para que suas palavras se concretizassem. Meu celular apitou com mensagem e abri-a. Era de um número desconhecido.

"Me encontre na fábrica. Na fogueira. Sozinho. Callum".

– Esse cara só pode estar querendo levar bala! – Dylan riu irônico. – Se eu fosse ele, já teria dado o pé.

– Vamos até lá. – disse firme.

Dylan deu de ombros, murmurando algo como acabar com a ninhada. Acabara com o tio, agora tinha que terminar o serviço com o sobrinho.

Paramos ao lado da porta retorcida de ferro da fábrica. Ali deveria ter existindo um portão de ferro há muitos anos, mas agora só as dobradiças sobraram para contar história. Fiz sinal para Dylan permanecer ali e ele maneou a cabeça positivamente sacando a arma do cós da calça.

– Callum? – chamei-o entrando com a arma apontada.

Não obtive resposta. A fogueira queimava francamente e corpos ainda lotavam o chão. Meu pessoal daria um jeito depois, mesmo que os frequentadores do espaço fossem sem tetos enlouquecidos e jovens pilhados com heroína nas veias. Mas no meio da montoeira de cadáveres, um copo me chamou atenção. Perto das barricas pela qual correra dos tiros de Alexander, era um corpo de estrutura pequena e delicada com longos cabelos loiros escuros espalhados pelo chão ao seu redor.

– Sienna? – chamei já correndo até ela.

– Mais um passo e eu atiro.

Virei à cabeça e Callum saiu das sombras. Ele emergia da mesma ponta em que atirara em seu tio e que Sienna levara um tiro. Ele tinha a arma apontada para meu peito. Pela primeira vez, parei para reparar nele com atenção.

Seu cabelo estava desgrenhado e sua roupa suja e rasgada em alguns pontos. Havia um corte em se supercilio e seu olho esquerdo estava roxo e inchando.

– O que você fez? – gritei dividindo as atenções entre ele e Sienna.

– Meu tio e o seu pessoal correu para o oeste onde os carros estavam. Era óbvio demais. Se o nosso pessoal não os viu chegando era porque chegaram pelo lado inverso. Leste. Corri então para lá e enfiei-me no primeiro carro que vi. E justo quando estava dando partida seu amiguinho apareceu com ela.

Ele acenou com a cabeça para ela e olhei-a engolindo sem seco. Suas costas não se mexiam com o movimento da respiração. Apertei mais a arma em minhas mãos.

– Era uma chance muito boa para desperdiçar. Sabia que meu tio morreria, então porque não devolver na mesma moeda para você? Enquanto ele a colocava no banco de trás, dei-lhe uma coronhada na cabeça. Ele caiu na hora e eu a peguei. Trouxe-a pelo mesmo caminho que vocês fizeram parar entrar. Por sorte, estava praticamente vazio.

– Filho da puta. – rangi sentindo meus dedos formigarem na arma. – Se ela morrer...

– Ah, ela já está morta. Conferi o pulso quando a coloquei no chão. Zero. – sorriu maldoso.

Soltei um urro de raiva, ódio, frustração e descrença. Ela não podia estar morta. Não pensei duas vezes antes de atirar em sua direção. Ele desviou e caiu atrás do mesmo monte de ferro onde me escondi. Ele atirou em minha direção, mas errou. Sua bala certou uma das barras de sustentação enferrujadas do teto.

Só ouviu-se o estrondo antes dela cair. A fogueira acendeu-se. Afastei-me e tapei os olhos das faíscas que voavam. Olhei para o corpo de Sienna e corri para lá. Mas antes de alcança-la, uma bala passou por mim. Fui atingido de raspão no mesmo braço machucado.

Cai com dor que voltou a queimar e olhei a área vermelha um pouco abaixo do buraco sangrento. Cerrei os dentes e procurei Callum. Ele estava com a arma ainda mãos e um olhar assassino no rosto. Mirei com dificuldade e atirei. Os móveis velhos empilhados caíram em cima dele. Seu urro foi abafado ao ser soterrado.

Olhei para Sienna. Precisava chegar a ela.

Tentei me levantar, mas ao apoiar o braço no chão, cai de costas gritando de dor. Fechei os olhos e travei o maxilar, podendo quebra-lo com a intensidade. Levantei-me cego e segurando meu braço, arrastei-me até ela. A arma ficara para trás. As hastes no teto rangiam.

– Aaron!

Olhei para trás e Dylan me procurava. Gritei e ele achou-me com os olhos. Pareceu suspirar de alívio antes de ver o sangue e o braço pendente segurado pelo outro.

– Me ajuda aqui! Sienna está aqui!

Ouvi seus passos correndo até mim enquanto continuava andando.

– Aaron, em cima de você!

Olhei e uma das hastes de ferro desprendera-se e caia em minha direção. Joguei-me para o lado, sobre meu ombro e braço machucado. Vi estrelas com a dor que senti e tive certeza de que o quebrara. O som do ferro batendo no chão foi o som da minha dor.

Senti Dylan abaixando-se ao meu lado e chamando-me. Abri os olhos. Ele estava sobre mim e me olhava aliviado. O teto rangia e mais hastes ameaçavam a cair. Levantei o pescoço e vi que a haste que quase me atingira colocara-se entre mim e Sienna.

– Cara, vamos sair daqui. Esse lugar tá caindo aos pedaços. – ele puxou-me para cima.

– Sienna... Eu preciso salva-la. Ela não pode ter morrido.

– Cara, eu sinto muito. Mas eu ouvi o Callum: ela morreu e não tem como passamos para pegar o corpo dela.

– Ela não morreu. – rangi os dentes, olhando-o.

Eu apoiava-me nele com meu braço bom em volta de seu pescoço e o seu em minha cintura. Ele sorriu triste, dando seu melhor olhar de pena. O olhar que não suportava.

– Eu sinto muito, irmão.

Outra haste caiu e ele puxou-me para fora sob protesto. Eu perdia muito sangue e mal raciocinava de dor, por isso não lhe socava como queria para poder voltar e resgata-la.

Saímos da fábrica e ouvimos outro estrondo de ferro contra o concreto. Senti que ia perdendo os sentidos enquanto era levado até os outros.

Os olhares de pena de todos pararam sobre mim quando apareci amparado por Dylan. Fechei os olhos e minha audição abafou, assim como minha cabeça girou e perdi a sensibilidade nas pernas. Cai e senti Dylan puxando-me para cima com ajuda dos outros antes de desmaiar.

Notas finais
Já vou avisando que tem erros gramaticais propositais. E outros de cansaço mesmo... hahahaha. Enfim, três coisas: 1° Eu não ando colocando dedicação para ninguém porque os dois últimos capítulos que postei, esse e o anterior, são bem especiais para mim e eu sou egoísta. hahahaha. Nos próximos eu serei fofa, ok? 2°Eu voltei a responder os reviews. hahahaha. Depois de meses, eu tomei vergonha na cara. Passarei a responder os mais recentes, dos últimos capítulos que postei. Nas férias tentarei colocar tudo em dia. Mas olha, caso se perguntem, eu leio-os sempre. Independente se os respondo ou não. 3°Eu preciso de um beta. Urgente. Sério, gente. Eu andei relendo uma partes e tens uns erros... Por mais que eu revise e tals, sempre passa. E isso me irrita. Então eu preciso de uma segunda pessoa para corrigir essas coisas e dar uma opiniãozinha básica, né? Aceito candidaturas, por isso estou a falar... É isso. Hoje estou direta. hahahaha. Mais ou menos né, por essa gosta de falar. Xoxo