Strada Per L'inferno
45 Vadias de Aaron
Notas iniciais
Acordei com a sensação terna dos braços de Aaron ao meu redor. Braços esses que me embalavam num abraço firme e casual ao ponto do desleixo.
Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios.
Ele envolvia-me por trás fazendo-me sentir sua respiração em minha nuca, arrepiando-me com o hálito quente. Seu pênis estava pressionado contra minha bunda desnuda por baixo do lençol e sua ereção matinal era sentida. Corei aos primeiros raios de sol que entravam pela janela, o que era totalmente lógico e não.
Aaron e eu éramos, supostamente, um casal de fachada, mas após a noite de ontem, eu não sabia mais se esses termo nos cabia. Não houve emoções ditas em voz alta, mas o que se vê nas entrelinhas conta. Aaron abriu-se para mim e eu provei que era totalmente entregue a ele. Casais de fachada não faziam isso. Mas o que éramos então continuava na penumbra.
Desvencilhei-me dele com cuidado e calma. Sentei-me na ponta da cama e concentrei-me em fazer um coque com o cabelo sujo e grudado nas costas. Ouvi um resmungo e sobressaltei-me achando que ele havia acordado. Aaron remexeu-se pouco e enfiou o rosto no meu travesseiro murmurando:
– Lane...
Minha boca abriu-se involuntariamente e o ar filtrado e "puro" das narinas foi substituído pelo ar quente e infeccioso da boca.
Ele sussurrara meu nome durante o sono? Foi baixa e rapidamente. Poderia ser sílabas sem nexo para alguém que não ouvisse as mesmíssimas sílabas na exata ordem há dezoito anos. Saíra tão fortuito e melódico... Em minha estúpida e utopista mente soou como uma ópera de Verdi.
Continuei a observa-lo, mas nada de impacto veio. A não ser o pensamento de quão angelical e inocente Aaron parecia ser ao sonhar. Como algo poderia parecer tão doce à vista, mas tão amargo à primeira mordida? Era esse o dilema que internamente ao admira-lo.
Levantei-me tocando as pontas dos pés no chão frio. A manhã estava nublada e fresca, dando os primeiros sinais do fim do inverno e começo da primavera. Meu robe estava no mancebo da mesma maneira desde a noite anterior. E intacto continuou quando sem som algum andei ao closet e peguei uma camiseta de Aaron. O caimento foi o esperado: até metade da coxa e folgada em meu corpo. A peça caia-me estranhamente bem: dava-me uma sensação de calor, proteção, bem estar. E o cheiro distante de seu perfume impregnado no tecido só reforçava as impressões.
Vesti uma calcinha e saí do quarto tão silenciosamente quanto o transitei. A manhã era acolhedora na casa. Os empregados deveriam estar de pé em suas funções em uma hora ou menos. A cozinha era banhada por claridade ao invés dos típicos raios solares matinais. Abri a geladeira e armários, decida a preparar algo para mim e Aaron. Não era sempre que era agraciada por sua presença em casa.
Comecei a trabalhar no café da manhã distraidamente. Cantarolava canções de minha infância e músicas que Caitlin introduzia-me nos ensaios. A facilidade e distração com que palavras em italiano davam lugar as em inglês e vice-versa poderia intrigar a primeira vista. Minha mente viajava para Aaron e "nós" a todo o momento. Como diabos acabamos assim?
Há um ano eu era uma adolescente italiana sonhadora cuja figura de um príncipe encantado a tomando nos braços e beijando-a era o que mais ocupava meus pensamentos.
– A volte penso che si vive nel vostro mondo di fantasia dolce che nella nostra realtà crudele. — Amapola, nossa empregada na Itália vivia dizendo para mim.
– Preferirei vivere in un mondo di fantasia che nel mondo reale finché non trovo quello che cerco. – era o que eu costumava responder.
O que estava a procurar era o meu príncipe. E não achava que viria a parar de sonhar até encontra-lo. Mas o fiz. Eu vivia no mundo real. Aaron forçara minha queda e cai mais do que imaginava. E não achei meu príncipe. Mas será que essa antiga visão era correta? Dizem que o amor te faz flutuar, te leva a sonhar ainda mais. Um coração partido te leva à queda. Podia ter certeza de poucas coisas e dúvidas de muitas, mas uma das poucas coisas que sabia era que Aaron não partira meu coração. Ele me levara ao mundo real, mostrara toda a podridão que me cercava, me magoara mais do que todos já fizeram e conduzira-me a pecados e segredos incontáveis. Mas ainda assim conseguia acordar ao seu lado e sorrir por ele estar ali.
Aaron não era meu sonho, o que tanto quis e imaginei. Ele era o oposto. Eu não o amava. Porém acreditava que tudo era possível. Não era cética. Nunca fora. E depois de me casar com um criminoso e saber que meu pai era um mafioso, e ainda continuar a ama-lo, por que não podia aprender a amar o primeiro? Talvez...
– Buon giorno. – sua voz rouca e baixa quebrou o silêncio.
Suas mãos agarraram minha cintura e seu corpo colou-se ao meu por trás. Seu nariz percorreu a lateral de meu pescoço e seus lábios depositaram beijos castos. Arrepiei-me e contorci-me proporcionando-lhe um riso fraco. Ele virou-me para si e encostou-me a ilha.
Aaron estava maravilhoso. Seu rosto não estava inchado de sono, apesar de seus fios estarem desgrenhados. Em seu corpo, só uma calça de moletom cinza escura. Seus pés estavam descalços e seu abdômen e peitoral desnudos. Meus olhos percorreram esta parte de seu corpo rapidamente enquanto meus dedos se esparramaram na pele firme. Seus olhos brilhavam ao percorrerem meu corpo e sua língua molhava lenta e sensualmente os lábios. Um sorriso levado enfeitou seu rosto. O olhar negro estava fixo no meu azul; não havia maldade, dureza ou sarcasmo. Havia a habitual libido, mas havia mais também... Uma calma gostosa e terna que dava vontade de encarar o dia inteiro.
Sorri involuntariamente.
– Buon giorno.
– Você está gostosa na minha camiseta. – sussurrou apertando minha cintura por baixo da peça. – Mas eu a quero de volta.
– Não Aaron... – choraminguei rindo.
Tentei tirar sua mão de meu corpo, mas ele insistia com um sorriso no rosto.
– Está cedo e eu estou fazendo o café.
– Ótimo. Eu como duplamente. Tem coisa melhor?
– Estou falando sério! – bati em seu ombro.
Ele riu e de sua garganta saiu o som gostoso e raro que gostava. Sua risada pura. Um enorme sorriso foi arrancado de mim. Seus olhos estavam nos meus e seu sorriso rasgava as bochechas e mostrava todos os seus dentes. Reparei que o dente incisivo direito lateral estava lascado e seu canino esquerdo possuía uma falha maior ainda. Defeitos que me intrigaram quanto a sua origem, mas não me fizeram pensar nem durante um segundo que diminuíam sua beleza. O som de sua risada espalhava-se pela cozinha e quando o eco começou a diminuir junto à fonte, meu coração pareceu saltar. Vontade de não parar mais de ouvir aquele som; de ver a forma renascentista de como seu rosto contorcia-se; observar seus dentes falhados e ainda perfeitos em harmonia com seu sorriso maravilhoso e contagiante.
Cheiro de ovos queimados encheu minhas narinas. Olhei por cima do ombro de Aaron e os ovos queimavam na frigideira.
– Aaron, os ovos! – bati em seu peito, alarmada.
Ele virou a cabeça calmamente e soltou uma gargalhada. Desvencilhei-me de seus braços e desliguei o fogo. Os ovos estavam pretos, totalmente queimados. Cruzei os braços e o olhei. Ele aproximou-se aos risos e aumentou-os ao mirar o que seria parte do café.
– Você estragou meus ovos. – fiz bico.
– Eu não. Você que não sabe cozinhar. Se deixa os ovos queimarem, imagina o que faz com o resto. Eu não vou comer sua comida. – olhou a ilha arrumada para o café.
– Engraçadinho. Você ama minha comida.
– Eu amo outra coisa sua. – sorriu libidinoso.
Abaixei a cabeça sentindo a vermelhidão espalhar-se por minha bochecha. Peguei a frigideira e joguei fora os pontos negros e coloquei-a na pia. Aaron puxou-me para si assim que virei. Seus lábios colaram-se aos meus. Sua língua não esperou para pedir passagem e inundar minha boca com o gosto de pasta de dente de menta. Fui solta sem fôlego e olhei-o surpresa. Mais um sorriso brincava em seus lábios, mas desta vez de alegria.
Ao menos foi assim que interpretei.
– Eu tinha que fazer isso.
– E eu isso. – beijei-o com calma.
Senti sua boca repuxando-se num sorriso.
Fomos interrompidos por uma tossida. Separamo-nos e Agustina nos olhava cerrado com os braços cruzados.
– Bagunça na minha cozinha?
– Desculpa. Eu estava fazendo o café da manhã... – mordi o lábio.
– E eu estava tentando pegar minha camiseta de volta.
Olhei de olhos arregalados e bati em seu braço. Ele riu baixo e Agustina estreitou mais o olhar com um sorriso nos lábios.
– Vão! Saiam da minha cozinha! Eu termino esse bendito café! – abanou as mãos nos forçando a recuar para a porta.
Rimos e Aaron beijou sua bochecha. Surpreendendo-me, ele pegou-me no colo. Gritei e o som misturou-se a sua risada e ao murmúrio inaudível de Agustina. Ela sorria e observava-nos enquanto pensava alto, mas não o suficiente para ouvirmos:
– Dois bobos apaixonados...
Duas semanas depois
O telefone tocou na sala assustando-me.
Eu estava sozinha. Miranda havia se mudado na semana passada para seu apartamento após as conclusões das obras e decorações. Caitlin pouco vinha me visitar. Desde que topara o plano dos meninos, vivia em treinamento. Até da boate afastara-se. Sem contar, é claro, seus problemas com Dylan. Eles andavam estranhando-se e eram raras as ocasiões em que ocupavam o mesmo espaço sem farpas.
Aaron era, no entanto, o menos presente. Ele estava focado e concentrado no plano. Sempre estava no tal galpão ou na boate. Se estava em casa, era no escritório. Comigo, só na cama de noite. Dormindo ou não. Ainda assim, trocávamos poucas palavras e sempre que perguntava como iam as coisas, ele me respondia um "bem" lacônico.
Corri a sala, largando a panela fervendo no fogo e atendi ao telefone. Já fora um alívio enorme acabar com aquele toque que se igualava ao som de tiros no silêncio da casa.
– Alô?
– É da casa do Aaron?
Do outro lado da linha, uma voz feminina e calma. Levantei as sobrancelhas. Logo minha mente começou a criar um perfil físico para a dona da voz.
– Quem é? – respondi com outra pergunta.
Caso fosse uma inimiga. Afinal, Aaron não é flor que se cheire.
– Por favor, só responda-me se é da casa dele e se ele está.
Seu pedido foi um tanto petulante, mas encoberto muito bem com camadas de doçura no tom.
– Só responderei caso me diga quem é.
Ouve um suspiro do outro lado.
– Na verdade, acho que você já respondeu...
Havia certa ironia, disfarçada com um risinho fraco da própria fala.
– Uma velha amiga.
– E o que você deseja com meu marido, "velha amiga"?
– Nada. Eu só queria saber se o telefone permanecia o mesmo.
– O telefone sim, o estado civil não.
A convivência com Aaron estava tirando-me um pouco da paciência. Principalmente para com a falsidade. Ela soltou um risinho fraco de novo e tive vontade de puxar os fios loiros artificiais que imaginava ter.
– Eu não teria tanta certeza das coisas por muito mais tempo se eu fosse você.
E desligou.
Olhei incrédula e raivosa para o aparelho. Desliguei-o e voltei à cozinha praguejando sozinha em italiano.
Aaron e suas vadia.
(Coloquem a música para tocar)
Nunca procurei inteirar-me sobre suas traições, até porque isso era doloroso e burro demais. Sempre senti uma leve pontada com elas, mas não tanto quanto agora. Depois que comecei a nos ver como uma espécie de casal, parei de questionar se suas puladas de cerca continuavam. Mas esse telefonema reacendeu a dúvida.
E se Aaron continuasse a me fazer de idiota, as coisas não seriam nada boas para ele.
Como se soubesse que falava de si, a porta da sala foi aberta bruscamente. Não precisei ouvi-la bater para saber que Aaron chegara. Seus passos ecoaram no corredor enquanto concentrava-me em cortar a salsinha. Quando pararam, senti sua presença no batente da porta. Encarando minhas costas.
– Oi.
– Oi. – respondi seca.
Seus pés colidiram mais uma vez com o solo e ele agarrou-me pela cintura, por trás. Sua boca achou meu lóbulo e chupou-o vagarosamente.
– Saí Aaron. – remexi-me impaciente.
Ele agarrou meu braço e virou-me para si sem cerimônias. Soltei a faca assustada. Ele estava com uma sobrancelha arqueada de dúvida e eu com a boca numa linha fina de raiva.
– Ficou louco? Eu podia me cortar ou te cortar!
– Você não faria isso. – deu de ombros com pouca importância. – Agora, o que tá havendo?
– Nada. Eu só quero cozinhar em paz. Sem você tentando me levar pra cama. Aliás, essa é a única coisa que você faz comigo... – ri debochada.
Sua sobrancelha curvou-se mais.
– Você é uma péssima mentirosa. O que é ótimo para mim e péssimo para você.
– Vai se catar, Aaron.
Tentei virar, mas ele me puxou de novo e me beijou. Sua mão embrenhou-se nos meus fios e minha cintura, apertando-me forte contra seu corpo. Sua língua mal pediu passagem e já me contagiava com seu gosto de menta e cigarro.
– Não pense que isso muda algo. – sussurrei sem fôlego.
Ele riu e abri os olhos. Ele sorria sapeca. Sua boca aproximou-se da minha de novo e ele roçou-as fazendo-me fechar os olhos. Beijos foram trilhados de meu maxilar até minha orelha, onde ele voltou a chupar o lóbulo.
– Te foder gostoso em cima desse balcão de novo muda?
Empurrei-o e ele bufou, passando a mão no cabelo. Voltei às panelas, despejando a salsinha no molho.
– Tá. O que aconteceu?
Olhei por cima dos ombros. Ele estava sério, encostado ao balcão de braços cruzados. Desta vez, sua sobrancelha indicava sua espera por minha resposta.
– Recebi um telefonema mais cedo. – dei de ombros desligando o fogo.
– E...?
– E era uma de suas vadias.
Sua gargalhada preencheu a cozinha com gosto. Olhei-o brava, cruzando os braços parando em sua frente. Ele jogava a cabeça para trás e soltava aquele som puro que fazia meu coração derreter, por mais brava que estivesse.
– Minhas vadias? Tá falando das garotas da boate?
– Estou falando das garotas com quem você me traí e ainda dá o telefone da nossa casa para elas te procurarem feito cachorrinhos. – bati em se peito com o indicador a cada palavra.
Ele olhava-me divertido, sem mover um músculo. Rosnei de frustração e irritação com sua atitude, dando-lhe mais risadas baixas.
– Lane, eu não dou o meu telefone para as pessoas. Muito menos pras putas com quem te traía. Não percebe o quanto isso é estúpido? Traficante distribuindo se telefone como um adolescente. – riu balançando a cabeça.
Mordi minha bochecha internamente, odiando-me por ter que concordar.
– Deve ter sido a Kimberly, minha secretária. – deu de ombros. – Eu vou conversar com ela depois sobre suas brincadeirinhas...
Engoli em seco, levantando o queixo. Repassei suas palavras em minha cabeça e me toquei de um detalhe que deixara passar em branco. Um detalhe importante.
– Você disse que me traía? – repeti levantando a sobrancelha.
– Te traía. – confirmou sorrindo cafajeste.
Estreitei os olhos procurando por mentira nos seus. Havia o deboche, a diversão e a calma irritante, mas não a falsidade. Ele não mentia. Constatar isso me alegrou por dentro, mas ainda estava irritada por estar a brincar comigo.
Virei para a pia, ficando na ponta dos pés para pegar uma caçarola no armário. Com ela em mãos, sinto um arrepio ao seu toque possessivo em minha cintura e seu beijo casto em meu pescoço. Respiro fundo, fechando os olhos e resistindo a tentação. Se cedesse seria vidro para todo quer lado, amor tórrido na ilha e pelas paredes e a constatação de que minha carne realmente é fraca a seu toque.
– Me solta, Aaron. Eu tenho que terminar o jantar.
– Eu quero jantar outra coisa. E agora. Pode ser aqui mesmo... – sussurrou entre beijos em minha pele.
Pousei a caçarola com força na pia, fazendo o atrito entre o vidro e o mármore ecoar alto na cozinha silenciosa. Com exceção das sucções da boca dele em meu pescoço. Mordi o lábio ao sentir uma longa chupada e um beijo depositado por cima.
– Aaron, para. Por favor. – pedi num suspiro.
Ele virou-me para si. Me encostou a bancada e afastou meu cabelo do rosto, fitando-me meu com um sorriso sacana. Ele beijou-me ferozmente e levei minha mão a seu rosto, segurando-me a pia atrás pela outra. Sua mão em minha cintura desceu por minhas coxas, apalpando-as até meter-se entre elas. Senti seu dedo roçar o pano úmido de minha calcinha por debaixo do vestido e suspirei em sua boca. Quando o pano foi afastado e fui acariciada leve e rapidamente, apartei o beijo e arfei olhando sua expressão de divertimento maldoso.
– Quer ainda que eu pare amore mio? – arqueou a sobrancelha em deboche.
Seu dedo movimentando-se em círculos lentos em meu clitóris. Mordi o lábio, negando com a cabeça.
– Não ouse. – murmurei.
Apertei o mármore da pia com as duas mãos, jogando a cabeça para trás tentando conter os gemidos. Ele acelerou e sua boca tocou meu pescoço. Arfei arqueado as costas em direção aos seus dedos. Aquela altura havia jogado todo meu ciúme pelo ralo.
Gemidos escaparam de meus lábios, ainda que os mordesse na tentativa de conte-los. Soltei um gritinho ao ser invadida por dois dedos de uma vez. Abri os olhos e procurei os seus. Luxuria pura. Puxei-o pela nuca até nossas bocas encontrarem-se bruscamente. Sua língua raspou na minha antes de enroscar-se. Senti o ápice aproximando-se.
Encostei nossas testas e senti a maciez de seus fios entre meus dedos. Soltei um longo gemido ao me desfazer em seus dedos, olhando em seus olhos. Seus dentes morderam o lábio inferior e senti sua ereção na minha coxa, por baixo dos panos.
Ele retirou os dedos e colocou-os na altura de nossos olhos. Entendi o queria. Abri a boca e chupei seus dedos calma e sensualmente. Via sua boca apertada, imaginando outra coisa sua no lugar dos dedos. Assim que os retirou, beijou-me. Seu corpo prensado no meu deixava nossas intimidades em contato, fazendo-o mais duro e eu mais molhada.
– Você tem um gosto ótimo.
– Você é doente. – ri balançando a cabeça.
Ele sorriu.
Seu celular começou a vibrar. A tremedeira espalhava-se por sua e minha perna.
– Mas que merda! Justo porque a melhor parte ia começar...
Ele pegou o aparelho no bolso e ajeitei meu vestido.
– É o Zack. – disse antes de atender e se virar de costas.
Me arrumei enquanto Aaron mais ouvia do que falava. Observei quando seu corpo endureceu e ele ficou tenso. Passei a mão no cabelo e dei a volta por ele, ficando em sua frente. Ele estava de cara fechada e mandíbula travada.
– Que hospital?
Meu corpo ficou tenso as suas palavras. Minha mente devaneou para os meninos, em principal Dylan, mas não deixava Caitlin de fora.
– Eu já tô indo pra ai.
Ele desligou e não esperei para enche-lo de perguntas.
– O que aconteceu? Quem está no hospital?
Aaron levantou os olhos para mim e molhou os lábios. Temi o que iria dizer após esse olhar duro, irritadiço e um tanto cauteloso.
– Caitlin.
Meu queixo caiu e encostei-me a ilha. Olhava-o arregalada, esperando que fosse uma mentira que me deixaria irritada e aliviada. Mas Aaron não brincava. Ele não era desse tipo e não estava tentando ser naquele momento.
– O que aconteceu? Como ela está?
– O filho da puta do Callum aconteceu. Ela estava com Dylan na rua e os homens dele atacaram. Não sei se o intuito era atingir Dylan e ela só estava no lugar errado ou se aquele desgraçado descobriu tudo. Eles trocaram alguns tiros e um pegou no braço dela. Dylan a levou pro hospital e Zack disse que desde então eles não tem notícias dela.
– Eu preciso ver minha amiga. Vamos pro hospital.
Desencostei-me da ilha e meu intuito era subir as escadas dos fundos, ir para o quarto, vestir o primeiro casaco e calçar o primeiro sapato que visse para sair. Mas Aaron segurou-me. Olhei para sua mão em meu braço e para seu rosto, mais irritada do que confusa porque sabia o que seguiria aquele gesto.
– Você não vai.
Travei o maxilar, como muitas vezes o vi fazendo. Dei um tranco em meu braço e coloquei-me a centímetros dele, de queixo erguido e olhar desafiador.
– Eu vou. É a minha amiga que está naquele hospital. Minha única amiga aqui e nem você nem ninguém vai me impedir de ir vê-la.
Aaron estreitou os olhos. Vi o negro escurecer ainda mais e sabia que o havia irritado pra valer.
– Vamos ver.
Antes que imaginasse o que queria dizer, ele pegou-me pelas pernas e ergueu-me em seus ombros. Soltei um grito estridente de surpresa. O típico grito de menina que odiava desde minha infância nas aulas de balé com garotas maldosas que os soltavam.
– Me solta, Aaron! – bati em suas costas com os punhos fechados.
Ele não me respondia. Só caminhava em direção as escadas. Ainda que concentrada em ralhar e estapeá-lo, uma parte pequena de meu cérebro remetia a cena aos filmes românticos americanos que tanto assistia com Grace na Itália. Patético e clichê, mas ambas concordávamos que riríamos e não acharíamos mal se acontece conosco. Agora, meu marido americano fazia isto comigo nos Estados Unidos e eu não achava a menor graça. Muito menos gostava da situação.
Aaron empurrou a porta do quarto com o pé e entrou. Ele jogou-me na cama sem cerimônias e foi para a porta, trancando-a por dentro.
– Qual é o seu problema?
Sentei-me na cama, gritando frustrada.
– Qual é o seu problema?
– Eu preciso ir ver minha amiga. Por que está me impedindo? Eu não sou sua prisioneira! – levantei gesticulando ainda exaltação.
– Mas que caralho, Lane! Você ouviu alguma merda que eu disse? O Callum deve estar na nossa espreita. Se eu te levar no hospital, ele vai saber quem você é e pronto! Sem paz para mim!
– Então é disso que se trata? Sua "paz"? – fiz aspas, debochando.
Aaron bufou e andou até mim. Não abaixei a cabeça ou mostrei estar intimidade. Afinal, há muito ele não me dava calafrios de medo. Ele parou a centímetros de mim, sua respiração pesada batendo em meu rosto.
– Às vezes penso que você só pode ser burra. Eu estou tentando te proteger. Se Callum tiver sua descrição, uma foto sua ou simplesmente só souber a porra do se nome, ele vai atrás de você. Eu nem quero pensar no que te aconteceria ou o que eu faria aquele filho da puta caso isso acontecesse.
Engoli em seco, mordendo o lábio. Aaron desviou o olhar, passando os dedos nos fios já desgrenhados. Dei dois passos para frente, esticando a mão para tocar seu rosto. Ele me olhou e o beijei calma e ternamente. Aaron resistiu, permanecendo duro de início. Acariciei seu rosto, colei meu corpo ao seu e puxei sua mão para minha cintura. Ele finalmente reagiu, levando a outra mão para minha nuca e apertando-me contra si. Com relutância, mas precisando de ar, separei-nos e o olhei com calma.
– Por que é tão difícil para nós nos comunicarmos?
Ele soltou um riso. Do tipo que gostava e que iluminava o seu e o meu rosto com um sorriso.
– Quando você vai sacar que eu sou complicado?
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