Notas iniciais
Hey babys! Demorei? Um pouco né? Mas esse capítulo estava complicado para sair, mas foi e acho que está bom... QUEM VIU O NOVO CD DA SELENA? Gente, adorei. Tá de parabéns. hahahaha. Sério, pra mim esse é o melhor álbum dela. Mais maduro, forte e frágil ao mesmo tempo. E as letras, algumas, me lembram muito esses dois doidos daqui, o que me embalou ainda mais. Mas sem papo porque sei que não é isso que vocês querem. Vocês querem ler e eu já vou deixar depois de pedir só uma coisa: "Paint It Black", versão da Ciara, e "The One That Got Away", Katy Perry. NESSA ORDEM E A PARTIR DO PONTO DE VISTA DA LANE. Obrigada. http://minilogs.com/egldkw0 Godere

POV Aaron

Bati a porta do carro e liguei o mesmo já pisando no acelerador. Agradecia por a maioria desses engravatados estúpidos usarem limusines e serem borra as calças, deixando o caminho praticamente livre para o carro. Não liguei para o cinto ou para a merda dos convidados que estavam correndo pela rua tardiamente. Quase atropelei cinco, que, por sorte, desviaram do carro. Porque a última coisa que faria era parar e socorrer algum filho da puta que me fizesse perder tempo.

Que a fizesse perder tempo.

Não pensava enquanto atravessava a cidade. Passava por semáforos vermelhos e era xingado a cada esquina, sem contar as quase mil batidas que teria levado se não estivesse acostumado com a adrenalina de uma corrida. Mas não liguei nem para o meu bebê. Aquela era, com certeza, a primeira vez que não ligava para um arranhão ou batida na lataria do meu Aston Martin DB9. Isso era o de menos. Tinha conserto ou, caso não, comprava um outro. Já ela, não.

Ainda me perguntava como Callum descobrira tudo. Fomos cuidadosos durante todo o processo, só nós sabíamos do plano completo. Os seguranças souberam uma semana antes, mas somente sua parte, que era quase insignificante. Alguém havia vazado algo. E quem quer que fosse eu não teria piedade.

Cheguei à autoestrada derrapando na pista pela chuva fina que começava a se formar. Vi os faróis de um caminhão à frente e desviei para a pista correta a tempo de não ser atingido. O filho da puta me xingou e buzinou, mas não era o primeiro, e eu não iria parar para brigar por qualquer um. Não iria parar por ninguém. A chuva começou a apertar, e eu pisava mais fundo no acelerador, sabendo bem onde ficava esse endereço.

Já havia perdido muito lá para perder de novo.

Virei o carro abruptamente na estrada de terra. Por milagre, ele não girou e eu perdi o controle. Milagre. Se isso existe mesmo, espero que impeça que mais desgraça aconteça em minha vida, já tive o suficiente para distribuir por aí. O caminho de barro era traiçoeiro e interminável. Via-o voando para grudar na lataria e nas janelas, misturando-se com a água da chuva e formando rastros marrons semelhantes a filetes de choro.

Era o seu choro, esperando por mim.

A fábrica queimada e destruída se apresentou a frente. Logo as lembranças ruins voltaram, querendo me desnortear por meros segundos. Não era tempo para recordações, sejam boas ou más. Era tempo para agir. Estacionei o carro de qualquer jeito na frente daquele pedaço de entulho e abri a porta, deixando a chave na ignição enquanto corria pela chuva. Encontrei uma entrada nas ruínas e me emprenhei sob o teto que a qualquer hora poderia desabar. Rasgava minha garganta gritando seu nome, mas ninguém me respondia. Ela provavelmente estava fraca e apagada, como Colin contou.

Cheguei ao centro das ruínas, onde meu mundo desabou da última vez. Estava diferente, claro. O teto não passava de metal retorcido e um vazio preenchido pelas nuvens espessas e gotas de chuva. Os móveis amontoados e a fogueira não estavam mais ali; porém, a lembrança deles como marcas de queimado no chão, sim. As paredes se encontravam em situação parecida com a do teto: ou eram ferro retorcido ou grandes vazios dando para o mato ao redor. Mas nada aquilo me chamou a atenção.

Não havia nada ali para chamar a minha atenção.

Continuei rondando aquela fábrica, escorregando no chão molhado, tirando o paletó e jogando-o em qualquer canto em certa altura, incomodado com a porra da roupa. Gritava inutilmente o seu nome, olhando igual a um louco para todo canto escuro. Mas não havia nada neles ou na luz.

Saí sentindo o desespero tomar meu peito. Conhecia Callum. Se ele fosse matá-la, que fosse na minha frente. Comigo olhando seus olhos pela última vez, comigo sabendo que aquela era a última vez. Sabia por experiência própria. Ele não a esconderia em um canto qualquer daquele lugar. Ele a deixaria bem visível, como não acontecia ali.

Rodei ao redor do fábrica, mesmo sem acreditar que ela estava ali. Ela não estava ali. Meu peito pesou ainda mais. Não me perdoaria se algo acontecesse com ela. Não me perdoaria por deixar acontecer uma segunda vez.

Voltei para o carro, mas não o abri e entrei, catando pneu para longe dali e das lembranças, que, naquele momento, eram inúteis, para então fazer algo de útil: achá-la. Antes que pudesse fazer isso, fui arremessado para longe, ouvindo um barulho ensurdecedor antes de não ouvir mais nada. Senti o calor em minhas costas enquanto encontrava o chão lamacento e fofo, mas que não me impediu de sentir uma dor tão insuportável como a de quebrar todos os ossos do corpo de uma vez. Mas não senti a dor por muito tempo. Apaguei antes que pudesse voltar a abrir os olhos.

Se é que eu voltaria a abrir os olhos.

POV Lane

Duas horas antes

Apertei a barra da toalha de mesa quando Callum terminou de falar ao microfone e abriu a pista de dança com sua puta, que, surpreendente, dançava valsa decentemente. Porém, minha cabeça nem estava naquele plano para fazer essas pequenas observações ácidas.

Meu olhar estava focado em Callum e em todos os seus movimentos. Esse era o único jeito de ainda conseguir me concentrar no que tinha de fazer.

— Lane, daqui a cinco minutos, um segurança disfarçado irá convidá-la para dançar.

Engoli em seco, não respondendo nada e não fazendo nenhum movimento. Havia muitas pessoas por perto que poderiam ouvir e o salão estava suficientemente escuro para Nick não enxergar nenhum movimento meu das câmeras.

Um flashback de tudo passava em minha cabeça, por mais que tentasse evitá-lo. Via as lágrimas, os sorrisos, os gemidos, os gritos, as mentiras e as confissões. Sentia as sensações que ele causava em minha pele já com um gosto saudoso. E ele estava ali, a menos de dez metros de mim.

Fechei os olhos.

— A senhorita daria a honra de uma dança comigo?

Abri os olhos. Não era ele. Era o tal segurança, que era o oposto dele. Foi inevitável e involuntária a sensação de desapontamento por não serem seus olhos negros, mas sim um par caramelo e estranho para mim. Forcei um sorriso de lado, pegando em sua mão e levantando.

Pegando respeitosamente em minha cintura e mantendo uma distância segura, começamos a dançar. Fazia tudo automaticamente, como se meus pés fossem uma parte separada e autônoma de meu corpo. Meus olhos passeavam pelo salão por cima de seus ombros. Observava tudo, sendo cuidadosa em evitar que meus olhos caíssem sobre sua mesa. Fomos girando e andando conforme dançávamos para mais perto do corredor dos banheiros, aproximando-nos, aproximando-me mais da ação solo.

Senti uma mão em meu ombro e enrijeci na hora. Paramos de dançar, mas porque o segurança encarava o desconhecido com certo respeito. Respirei fundo, torcendo para que não fosse ele. Virei-me, encontrando o sorriso galanteador e falso de Callum. Retribuí aliviada e forçada.

— Me concederia a mão de sua bela companhia para uma dança? — perguntou ao segurança sem tirar os olhos de mim.

— Claro. — sorriu contido como fora treinado.

Logo eram as mãos de Callum em meu corpo. Essas eram mais firmes e ousadas, ainda que respeitosas. O espaço entre nós quase não existia e eu mantinha meu queixo levantado para olhar sobre seu ombro.

— Baile muito bonito, Callum.

— Muito entediante, você quis dizer.

Olhei para seu rosto e me limitei a dar um sorrisinho, vendo-o ser correspondido na mesma moeda. Aaron era mestre em dar esses sorrisos. Empurrei-o para fora de minha cabeça e voltei a ver o salão sobre o ombro de seu inimigo.

— Até agora, o acontecimento mais interessante da noite, em minha opinião, foi nosso encontro acidental.

— Acredito que a noite é uma criança, Callum. E como você mesmo disse, até agora foi o acontecimento mais interessante.

— Compartilho da mesma opinião. Até agora...

Distanciávamo-nos do corredor enquanto a música não parecia ter fim, deixando-me nervosa. Ele estava muito perto de mim. Sua presença me intimidava, ainda que nunca fosse admitir. Sem contar que temia que ele visse o ponto em minha orelha. E, aí sim, eu teria um motivo concreto para me arrepiar em sua presença.

Como se alguém ouvisse minhas preces, um dos seguranças de Callum surgiu, colocou-se ao seu lado e cochichou em seu ouvido. Sabia que não era coincidência, assim como sabia do que se tratava. Mas, ainda assim, fiquei agradecida pelo timing perfeito do segurança. Callum parou a dança e suspirou, olhando-me e me soltando.

— Infelizmente, meu compromisso como anfitrião me chama, Ava.

— Compreendo. É uma pena.

— Sim. Mas como você mesma disse, a noite é uma criança.

Ele pegou em minha mão e novamente a beijou lentamente com seus lábios gelados. Sorri sem dentes, contida o suficiente para ser sexy, e ele se afastou com o seu segurança. Respirei aliviada, retirando-me do meio da pista. Em um ato inconsciente, olhei para o lado e encontrei seu olhar. Ele estava atento em mim, afundando seus olhos negros em minha pele para certificar-se de que estava bem, ou era assim que minha mente interpretava, pregando-me uma boa peça. Engoli em seco sentindo os olhos secos antes de desviar rápido para o corredor à frente, onde entrei sem pensar duas vezes.

Diferente de mais cedo ou dos dias anteriores, nos treinamentos, não sentia o êxtase de estar me arriscando. Não sentia a adrenalina que pensei que me percorreria dos pés à cabeça e me faria sorrir como uma boba quando tudo estivesse acabado e eu tivesse sido sucedida. Eu só me sentia gelada, com uma espécie de febre congelante que me dava uma sensação ruim na boca do estômago e apertava meu coração.

Os corredores estavam vazios como o esperado. Nick, apesar de todo meu treinamento e conhecimento, sussurrava no ponto as direções e me garantia que as câmeras estavam congeladas. O corredor do escritório não era tão longe do corredor em que entrei, mas parecia que dera a volta em toda a mansão quando finamente parei na frente da porta do escritório de Callum. Reparei nela com mais atenção agora: era de madeira fina envernizada, como qualquer porta de uma casa luxuosa, mas essa possuía um controle com senha ao lado. Nick me deu a senha e depois retirei de meu decote um pedaço de pano com as digitais de Callum, encostando-o no leitor. Não fazia ideia de como Aaron e os meninos haviam conseguido as digitais, só sabia que Colin havia pego o pano para mim depois de drogar Kimberly. A trava da porta fez um estalo e a empurrei com minhas mãos com luvas. Não as havia colocado somente por charme.

O escritório era maior do que o de Aaron. Havia sofás ao lado da porta, formando uma espécie de sala com uma mesinha de bebida encostada na parede abaixo de uma TV de LCD. Atrás, havia uma prateleira cheia de livros puramente decorativos, assim como os de Aaron, pois eu duvidava que algum dos dois tivesse lido "Ulisses" uma vez na vida. Do lado esquerdo, havia outra sala, onde estava sua mesa colossal com sua cadeira de veludo e madeira atrás. Havia cadeiras e um suporte com uma escultura de arte à frente e uma grande janela com cortinas elegantes e pesadas atrás.

Fechei a porta atrás de mim e guardei o pano de volta no decote.

— Os sensores já estão desligados, Lane. Pode ir.

Andei até a mesa dele e sentei em sua cadeira, que, sem surpresa alguma, parecia um pedaço de nuvem de tão macia. Seu notebook estava fechado em cima da mesa, como se já esperasse por mim. Era estranho, mas nada comentei. Liguei-o e tirei uma de minhas luvas para manusear o mouse embutido. Peguei o pen drive preso na cinta-liga e Nick me deu a senha do computador. Estava muito fácil. Nick descobrira todas as senhas com facilidade e nada acontecia. Podia ser só minha inexperiência, mas sentia que algo estava muito errado. Muito fácil para ser verdade.

— Coloque o pen drive no notebook e ele copiará todos os arquivos do computador e os deletará do mesmo depois.

Fiz isso e me encostei a cadeira. Mas nada aconteceu. Não era expert em computação, mas sabia que deveria aparecer uma janela mostrando a transferência dos documentos para o pen drive. Mas isso não aconteceu.

— Nick, não está acontecendo nada.

— Como assim?

— Conectei o pen drive e nada acontece. Deveria a menos mostrar uma janela da transferência dos arquivos, né?

— Sim. Não está aparecendo?

— Não.

— Merda. Abre a área de documentos do computador.

Abri e estava limpa. Exceto por um único documento.

— Nick, só há um documento aqui.

— Abra-o.

Fiz o que ele pediu. E estreitei os olhos quando vi o que era.

Era a filmagem do salão em tempo real. Tudo estava como tinha visto antes de sair. Pessoas dançando na pista com a iluminação de um holofote enquanto o resto do ambiente apreciava de suas mesas em uma luz amarela cálida. Procurei pela mesa de Aaron e estava tudo normal. Aaron e Dylan sentados com suas putas, enquanto os outros dançavam para tentar serem o mais natural possível.

— Lane? O que é o arquivo? — Nick perguntou no ponto, fazendo-me lembrar dele.

— É uma transmissão de vídeo em tempo real das câmeras do salão.

— O quê? Você está vendo o salão do baile em tempo real?

— É.

Ele xingou e começou a falar umas coisas, mas acabei por ignorá-lo, pois via algo. Uma das hostess conversava com Dom Mantovani e babbo, que se levantaram ao fim do discurso com expressões sérias e a seguiram em direção à porta.

— Nick, meu pai e Dom Mantovani estão deixando o salão com uma hostess? — cortei sua pergunta ao meio, sem nem ao menos ter certeza mesmo se era uma pergunta.

— Puta que pariu. Sim. Você está mesmo vendo tudo, né?

— Nick, me diga para onde eles estão indo.

— Calma. Eu estou o acompanhando com as câmeras. Ele está indo para o hall...

Novamente o deixei falando sozinho quando outra coisa me chamou a atenção. A outra hostess se aproximou da mesa dos meninos e entregou algo para Aaron.

— Nick, você está vendo...?

Não pude terminar a frase, pois antes disso, houve um tremor na casa toda e um barulho ensurdecedor. Fechei os olhos, sentindo meu coração palpitar. Quando voltei a olhar a tela, tudo era um caos. Pessoas correndo, parecendo gritar, enquanto o segundo andar da casa era pura fumaça e chamas. No momento em que abri a boca para perguntar a Nick o que estava acontecendo, outro barulho me cortou.

A porta foi arrombada e eu me levantei na hora, vendo três homens de terno entrarem no escritório e me encararem. Num reflexo rápido, agarrei a estátua de bronze que havia na mesa e me levantei. Eles vinham me cercando pelos lados e engoli em seco, tentando pensar em algum movimento que Colin me ensinou que se aplicasse ao momento. Não fui muito rápida, pois logo um deles avançava em minha direção. Acertei sua cabeça com a estátua como resposta. Outro já veio para cima e eu consegui lhe acertar uma joelhada nas partes íntimas, fazendo-o cair como o colega. Sobrou só um, de quem corri rápido para a porta. Não consegui, no entanto, passar por ela antes que ele me puxasse pelos cabelos, pegando também no colar. Fui sufocada e puxada de volta de surpresa, o que me fez soltar a estátua e cair aos seus pés. Havia lágrimas em meus olhos e eu tossia, segurando em meu pescoço e implorando com o olhar para que ele me soltasse. Ele sorriu amargo, puxando o colar com brutalidade de meu pescoço, mas deixando meu cabelo em paz. A maior parte, ao menos, pois o ponto ficou visível e ele não tardou em tirá-lo com alguns fios de brinde.

Mal tive tempo para respirar e ele já me puxava pelo braço para ficar em pé. O homem que levou a ajoelhada caminhou com dificuldade até nós, pegando o meu outro braço. O amigo deles, em quem bati a estátua, deveria estar inconsciente. Mal me estabeleci no salto e já era arrastada pelos corredores. Queria gritar, lutar, mas ainda não tinha fôlego para isso. Lembrava de Nick gritando no ponto para dizer o que acontecia. Esperava que ele tenha avisado Aaron e os outros, pois não via muitas opções de fuga para mim. Eles me levavam pelos corredores para a direção oposta ao salão, aos fundos da casa, com o ar já ficando pesado pela fumaça. Debatia-me e gritava mais conforme recuperava minhas forças, mas de nada parecia adiantar. Tudo que recebi em troca foram apertos em meus braços, que deixariam roxos, e vários "cala a boca" rudes.

Saímos para a noite, o ar frio batendo nas lágrimas de dor que escorriam por meu rosto. Ouvia os gritos de desespero vindo do jardim da frente, assim como ouvia o crepitar das chamas aumentar dentro da casa. Sentia-me fraca, inútil, chorando enquanto rezava para que fosse salva. Fechei os olhos, sentindo a maquiagem querer escorrer para dentro deles enquanto meus dedos das mãos começavam a ficar dormentes. Odiava voltar a minha posição de menininha indefesa e chorona da Itália, mesmo não tendo certeza de tê-la deixado um dia.

E então o ouvi um novo baque.

Abri os olhos e o segurança a minha direita estava inerte no chão. O armário a minha esquerda começou a olhar para os lados, sacando a arma enquanto ainda me segurava com uma das mãos. Houve um segundo disparo e o segurança não só se juntou ao outro no chão, como me levou junto. Caí com o rosto na grama fofa, sentindo parte do peso do segundo homem morto em cima de mim. Mas não foi o fato de ter um homem morto em cima de mim que me fez gritar, mas sim estar olhando para os olhos cheios de sangue de um. Havia um buraco pequeno em sua testa, de onde escorria um filete generoso de sangue por seu rosto, fazendo entrar em seus olhos sem vida. Gritei alto, remexendo-me para tirar o peso morto das minhas costas. Milagrosamente, consegui, ou assim pensei por dois segundos.

Meu braço foi puxado para cima e me levantei aos tropeços, equilibrando-me no salto antes de me curvar e vomitar.

— Vamos, antes que tudo exploda.

Não era uma voz conhecida. Limpei minha boca, olhando para um rosto desconhecido, que me puxava para o jardim da frente sem eu ter forças para revidar. Ele não era tão bruto como os outros e eu não sentia que ele pretendia me machucar, mas ainda assim não o conhecia e, muito menos, confiava nele.

— Quem é você? Trabalho pro Aaron? — perguntei fraca, minha voz arranhando em minha garganta.

Ele não me respondeu, só me puxou mais. Voltei a fazer a pergunta e ele bufou.

— Anda. Depois te explicam tudo.

— Não. Me solta... — pedi, debatendo-me com os resquícios de força que tinha. — AARON!

Acabamos no jardim da frente, onde nos misturamos com a centena de convidados desesperados que deixavam a casa às pressas. Continuava a gritar por Aaron, mas minha voz era um sussurro no meio do alvoroço. Procurava-o no meio da multidão, ainda me debatendo e gritando por ele. Mas não o encontrava. Procurei por Dom Mantovani e babbo, mas também não os localizava. Girava minha cabeça loucamente e a única pessoa que vi foi Colin.

— COLIN! COLIN!

Ele me viu e pareceu aliviado por dois segundos antes de me ver sendo arrastada. Ele começou a abrir caminho na multidão até mim. O segurança percebeu e tapou minha boca, puxando-me com mais força em direção à rua. Mordi a sua mão e consegui lhe acertar um chute na intimidade, fazendo-o me soltar. Afastei-me desesperada, tentando correr até Colin, mas sendo guiada conforme a maré. Não estava nem perto de alcançá-lo quando me puxaram pela cintura pra trás. Antes que pudesse gritar, seus dedos pressionaram minha traqueia e desfaleci com esse único movimento.

POV Aaron

Uma hora antes

As luzes do salão diminuíram e um grande holofote foi ligado sobre uma pista no meio das cadeiras. Callum sorria como o filho da puta falso que era com sua acompanhante enroscada em seu braço. Ele tinha um copo em uma mão e um microfone na outra.

— Queria agradecer de novo a presença de todos aqui. Espero que a noite esteja sendo agradável e que tenham gostado da comida. Agora, depois de um bom banquete, vamos gastar um pouco da fartura que ganhamos.

Todos riram por educação. Mantive minha expressão inalterada, esperando que a palhaçada terminasse o quanto antes.

— Eu, portanto, abrirei a pista e convido todos a se juntarem a mim em uma valsa.

Ele entrega o microfone e o copo para uma das hostesses e caminha com a puta até um pouco mais ao centro. Uma música começa e minha cabeça vira, pouco me fodendo por perder ou não essa cena. Havia coisas mais interessantes a se observar. Como uma mesa do outro lado do salão. Como uma mulher do outro lado do salão. A minha mulher do outro lado do salão.

Lane observava tudo com elegância e serenidade. Mas eu não confiava nas emoções que transpareciam em seu rosto. Ela não era tão boa atriz, mas se me enganou e está aqui hoje, é porque a subestimei. E talvez seus talentos cênicos sejam melhores do suponho; até agora, estão sendo.

Ela saiu da varanda, da conversa com Dom Mantovani, cerca de meia hora depois de as portas fecharem. Parecia calma, embora seus passos fossem rápidos até o banheiro. E seus olhos... Eu conhecia os seus tão bem quanto ela conhecia os meus. Eles a denunciavam. Quis ir atrás dela, atrás daquele velho, mas me contive. Estragaria tudo e só teria uma dor de cabeça maior para nós. Tentei persuadir Nick pela escuta a me dizer o que eles tinham conversado, mas ele disse que não conseguiu ouvir bem e que Lane guardou a escuta na metade da conversa. Não acreditei nele, mas sabia que não adiantaria pressionar. Lane também estava roubando a lealdade de meus amigos.

O jeito então foi encher mais a cara no uísque e apertar meus punhos para não ser impulsivo.

A pista foi se enchendo aos poucos e a expectativa na mesa foi crescendo.

— Tudo certo. Daqui a cinco minutos, a Lane vai ser convidada pelo segurança. E então é com ela. — Nick avisou nos pontos.

— Avise-a. — murmurei sob a música clássica chata e alta.

— Já avisei.

Desviei meus olhos para sua mesa, mas não a encontrei nos olhando. Ela estava focada. Ou me evitando.

Mesmo sendo errado, continuei com o olhar fixo nela, até o segurança aproximar-se e convidá-la. Ela logo estava na pista com ele, que sabiamente mantinha-se a uma certa distância e pegava nas partes certas de seu corpo. Ou senão não me incomodaria de ter um segurança a menos depois.

O segurança era esperto, já Callum, não. Ele parecia que queria antecipar sua morte, tirando Lane para dançar no momento em que ela quase estava quase entrando em ação. E o desgraçado era abusado, quase grudando seu corpo no dela e encostando em sua bunda.

Minha juntas ficaram brancas em segundos e, dessa vez, não houve como não trancar o maxilar.

— Merda. — Dylan murmurou ao meu lado.

— Aaron, calma. A Lane sabe o que tá fazendo.

— O que ele está dizendo para ela? — perguntei entredentes.

Ela sorria e ficava contente sem saber que era bem falsamente, já ele... Tinha vontade de quebrar aquela sua mandíbula que se mexia e furar um de seus olhos, porque o outro eu queria bem atento ao meu sorriso quando acabasse de vez com sua vida.

— Eles estão conversando sobre o baile.

— Nick... — sabia que era mentira.

— Ele está se insinuando para ela. É isso que quer ouvir? Lane está se esquivando bem. Relaxa.

— Filho da puta.

— Hey, irmão, calma aê. Você ouviu o nerd. Sua morena é dura na queda. O que ela tem de gostosura, tem o dobro de inteligência. — Dylan bateu em meu ombro.

— Lane pega rápido as coisas. Ela tem uma boa lábia. — Colin reforçou e só o fuzilei, ignorando.

Um dos paus-mandados dele se aproximou e lhe disse algo que, em menos de cinco minutos, o fez soltar minha mulher e se despedir dela, fazendo-a então seguir seu caminho. Mas eu não a observei. E sim a ele, pois ele seguiu para a porta da frente. Mas não antes de fazer um aceno bem leve de cabeça para a mesa de Dom Mantovani. E Antenore retribuiu.

Algo muito estranho estava acontecendo.

Os minutos seguintes foram tranquilos. Ou mais ou menos isso. Eu me perguntava a toda hora se Lane estava indo bem e se não teria posto seu lindo traseiro em perigo. Nick estava quieto, então achava que não havia problemas, até ver uma das hostesses vir até minha mesa com algo na mão, pouco depois de Dom Mantovani e Antenore deixarem a festa acenando com a cabeça.

Eles deixarem a festa no meio com a maior tranquilidade já era suspeito, a hostess vir até mim com o maior sorriso falso só confirmou que merda estava prestes a acontecer.

— Senhor Aaron. — sorriu, entregando-me algo em mãos e se retirando antes que abrisse.

Era uma papel de carta dobrado ao meio. Meus dentes poderiam ter trincado com a força que os bati quando li a única frase ali.

"Mais sorte com o próximo plano".

E então o segundo andar explodiu.

Todos gritaram e olharam o segundo andar em chamas, arregalando os olhos antes de correr. Antes que eu pudesse olhar para todos e sintetizar que porra estava havendo, o caos já estava instalado. Mas eu estava pouco me fodendo para o alto escalão ali. A única pessoa que realmente me preocupava não estava ao alcance de minhas vistas.

— Nick, onde está Lane? — gritei no ponto, olhando para os corredores, esperando vê-la sair de um deles.

— Ela está no escritório. Tá acontecendo alguma coisa. Ela não me responde!

Soquei a mesa, e a cadeira voou para trás quando a empurrei para entrar no caos.

— Colin, Zack, levem as garotas para fora. Vou com o Aaron. — ouvi Dylan dizer atrás de mim.

Não me virei para ver se ele me seguia ou esperá-lo. Corri para o corredor, entrando e tentando enxergar entre a iluminação fraca e a fumaça baixa. Gritava seu nome, ouvindo os passos de Dylan atrás de mim. Pensei que fosse ele até sentir um punho colidir com meu queixo. Caí surpreso no chão para ver um verme de um segurança montar em cima de mim e começar a distribuir socos. Meu tempo de reação foi pouco, mas consegui fazer algo que ele não: usar o cérebro. Joguei-o para o lado quando Dylan apareceu atrás, brigando com seu colega e o distraindo.

Peguei minha arma atirando em sua perna e mão, ganhando tempo para levantar e poder chutá-lo no estômago e no rosto, para então mandá-lo para o inferno com o rosto deformado. Olhei para Dylan, vendo-o dar o último tiro na testa do filho da puta caído. Continuei com a arma em punhos, assim como ele, enquanto avançávamos sentindo o ar pesar mais. Meus olhos ardiam, e as vozes e agitação do salão começavam a ficar para trás, deixando o crepitar do fogo dominar.

— Aaron! Nick disse que não está conseguindo falar contigo.

Passei a mão em meu terno e orelha. Meu ponto deveria ter caído na hora da pequena palhaçada com os seguranças.

— Perdi o ponto.

— Ele disse que essa parte da casa é só fumaça e fogo. E o escritório não é para aí.

— Merda, por que ele não disse antes?! — gritei, empurrando-o.

Voltei pelo mesmo caminho e peguei o corredor para a esquerda ao invés de voltar ao salão. O calor começava a ficar insuportável e tirei aquela gravata ridícula que me pinicava, jogando-a ao fogo. Gritávamos por ela, notando a porta do escritório escancarada como a primeira coisa. Corri para dentro e só dei de cara com uma cena um tanto revirada e um cara desacordado no chão. Nenhum sinal de Lane, além do notebook ligado e o pen drive na mesa. Não precisava ser um gênio para saber que o filho da puta a pegara.

E o pior era que eu não estava surpreso com isso.

Corri até o cara, e Dylan veio atrás, apontando uma arma para a cabeça dele enquanto eu o acordava. Dei alguns tapas e gritos, e o cara acordou desnorteado. Ele olhou tudo ao redor, confuso quando viu a arma.

— O que...?

— Onde ela está?! Pra onde a levaram?

— Ela...?

— A mulher que você queria sequestrar, porra! — peguei em sua camisa, levantando-o e o sacudindo.

— Aaron, assim ele vai ficar mais confuso. Pega leve.

— Mulher que... porra. Vadia. — suspirou, fechando os olhos.

— Onde ela está? — gritei mais uma vez.

— Não vou te dizer. — olhou-me firme, mesmo tendo uma arma apontada para sua cabeça.

— Ele não vai hesitar em atirar, filho da puta. Então se eu fosse você, falava logo e poupava a merda da minha vida.

— Você vai atirar assim que eu falar.

— EU ESTOU POUCO ME FODENDO EM METER BALA NO SEU CU! EU SÓ QUERO SABER ONDE ELA TÁ!

— Não vou dizer. — trincou os dentes.

Larguei-o com força no chão, fazendo-o bater a cabeça e gemer. Isso me deu tempo para levantar e começar a chutá-lo sem uma reação rápida. Levou pelo menos um minuto até ele agarrar meu pé e me puxar. Caí e, antes que ele pudesse agir, saquei minha arma e mirei no meio de seus olhos, vendo o sangue estourar do buraco que fiz.

Levantei-me, guardando a arma na cintura e olhando o homem morto. Passei a mão no cabelo, bufando e socando a parede mais próxima.

— AARON!

Virei-me para Dylan, vendo-o pressionar o ponto em sua orelha.

— Colin disse que ela está no jardim! Um cara tá tentando arrastá-la enquanto ela tá lutando.

Pelo menos minha garota não estava facilitando.

Corri para o corredor, tossindo com a fumaça alta. Conhecia os mapas daquele casarão, mas minha cabeça estava cheia demais para lembrar cada maldito corredor daquele labirinto. Dei algumas voltas com Dylan naquela merda, xingando toda vez que virava e não via a saída. Consegui achá-la a tempo de não virar churrasco, mas perdendo muito tempo para tentar salvá-la.

Saí para o jardim da frente, virando a cabeça freneticamente atrás de sua silhueta inconfundível. Mas não achei nada.

— Merda! — Dylan gritou, puxando-me com ele.

Olhei para a direção em que seguíamos, torcendo para não ser nada do que imaginava. E não era. Colin estava vindo em nossa direção, correndo com uma arma na mão.

— Ele a enfiou num carro! Eles entraram e partiram. Ela estava desacordada. Tentei atirar nos pneus e talvez tenha acertado.

— Filho da puta! — empurrei-o, socando. — VOCÊ TINHA QUE TER IMPEDIDO! É SUA CULPA ELA ESTAR AQUI!

Dylan me segurou enquanto Zack, Alfredo e mais alguns seguranças vinham até mim. Ele tentou avançar, mas foi contido por Zack.

— Se algo acontecer com ela, eu juro que te mato como deveria ter feito quando foi a Sienna!

— Ela tá morta por sua causa! Você que merecia uma bala, desgraçado! — cuspiu de volta.

— CHEGA! DISCUTIR NÃO VAI RESSUCITAR A SIENNA E NEM TRAZER A LANE! SE ACALMEM, PORRA! PRECISAMOS PENSAR.

Respirei pesado, tentando me acalmar e pensar, mas olhar a cara de Colin tinha o efeito contrário. Abaixei a cabeça e me soltei de Dylan, que não protestou. Passei a mão no cabelo e respirei pausada e calmamente.

— Aaron, você tem alguma ideia de onde ele possa a ter levado?

— Se tivesse, já estaria lá, porra.

— O que estava escrito naquele bilhete? Não tinha um endereço nem nada?

— Não. Só dizia "Mais sorte com o próximo plano".

— Confere de novo. — Zack pediu.

— Não sei onde está.

— Você enfiou no bolso antes de sair correndo.

Arqueei a sobrancelha, mas enfiei a mão no bolso. Senti uma bola de papel e a peguei. Era mesmo o bilhete amassado. Desdobrei-o e olhei de novo com atenção. E achei um detalhe antes despercebido. No verso, havia um endereço.

E eu sabia muito bem onde era.

— Desgraçado.

— Achou algo?

— Ele tá levando ela pra fábrica.

— Pra fábrica?! — Zack gritou incrédulo, mas eu não respondi.

Larguei o papel para trás e corri entre as poucas pessoas até os manobristas. Gritei pela minha chave, mas eles estavam atrapalhados e assustados, irritando-me ainda mais. Vi a chave do meu Aston e peguei, saindo correndo até o estacionamento da mansão. Encontrei meu carro fácil entre os poucos carros ali e entrei batendo a porta.

Notas finais
Sinto que receberei muitas ameaças de morte. hahahaha. Não resisti em fazer isso com vocês. Me desculpem. Pois é. A Lane não estragou tudo como pensávamos que ia, mas as coisas também não foram do jeito que eles queriam. Aguardem para saber o que acontece depois desse sequestro, dessa nova explosão... Morte? Hm... Xoxo