Stracci famiglia: Liberdade e corrupção

22 O fim do espetáculo, o início do pavor


Notas iniciais
Olá meus leitores queridos ♥ ♥ espero que estejam bem~ Já peço desculpas pela quantidade de diálogos nesse capítulo, mas eu queria fazer os principais interagirem mais entre si. Espero que vocês gostem do capítulo, boa leitura ♥

Hector e Evan se entreolharam, quase trocando faíscas ao encararem-se de modo tão fulminante, cada um segurando um dos pulsos da garota. Ela estava confusa com toda aquela situação, porém conseguia compreender o motivo de Evan querer tão desesperadamente conversar com ela após o ocorrido em sua casa, embora não tivesse vontade alguma de encará-lo sozinha.

— Eu te acompanho. — Hector murmurou, fazendo-a retirar toda a tensão dos ombros. Tê-lo ali para acompanhá-la era realmente tranquilizador, e a evitaria dizer tantas besteiras que provavelmente não deveria. Ele sabia muito bem que ela estava com medo de precisar mentir sobre suas origens e o trabalho de sua família.

— De preferência sozinhos. — Evan retrucou em tom firme, encarando-a pelo canto dos olhos. — Pode ser, ruivinha? — Pediu uma vez mais. Ela rapidamente endureceu os ombros outra vez, um pouco nervosa.

— Não vai ser possível. — O outro respondeu em seu lugar, afastando-a do garoto para que deixasse de importuná-la.

— Eu tenho certeza absoluta de que ela consegue falar sozinha. Você é o quê? O pai dela, por acaso? — Provocou, fazendo com que Hector franzisse o cenho irritado. Aquele moleque realmente tinha um talento excepcional para tirá-lo do sério.

Antes mesmo que uma briga se iniciasse, Pan agarrou-os pelas mãos e levou-os consigo para longe da multidão. Apesar de incomodados, ambos cederam e a acompanharam mesmo que à contragosto. Estavam cientes de que permanecer ali discutindo igual dois imbecis não era prudente.

Longe dali, em um dos quartos afastados nos fundos do salão iluminado apenas por uma luz fraca das luminárias laterais, Isis servia vinho para si mesma e sua acompanhante, que permanecia sentada em um divã, com as pernas cruzadas e os dedos entrelaçados acima do colo, esfregando os polegares um pouco nervosa enquanto esperava a quebra daquele silêncio interminável e torturante.

— Eu não deveria estar fazendo isso. — A voz de Isis fez-se audível, e Kate rapidamente sobressaltou com a surpresa, sentindo o pulso acelerar. Não estava aguardando por aquelas palavras tão vagas, porém de certa forma elas não lhe traziam conforto algum. Apenas abriu um pouco os lábios e arqueou as sobrancelhas, aguardando por uma explicação que tirasse todo aquele peso de seu peito. — Te servir álcool, Kate. Não pense que estou arrependida em te chamar aqui. — Concluiu, revirando os olhos. Naquele instante, sua companhia conseguiu respirar normalmente outra vez, pegando uma das taças em sua mão e direcionando o olhar até o líquido vermelho nela contido, observando seu próprio reflexo ali.

— Desculpa, eu só... — Murmurou hesitante, incerta sobre o fato de completar aquela frase.

— Você só pensou que eu nunca mais quisesse olhar na sua cara depois de tudo o que aconteceu? — Isis indagou, levando sua taça aos lábios e deixando ali a marca de seu batom. Kate apenas assentira, apertando um pouco sua saia com a mão livre.

— É assim que deveria ser. — Sussurrou apertando ainda mais o tecido, em um gesto acanhado e cheio de inseguranças. Era torturante precisar relembrar-se do passado tantas vezes em um curto período de tempo.

— É assim que você quer que seja?

— Eu disse que te odiava, Isis. — Ela agora levantou um pouco o tom de voz, embora em tom trêmulo e nada convincente. — Eu beijei outra pessoa na sua frente, te xinguei de todas as coisas possíveis, como você ainda consegue olhar na minha cara e me tratar tão bem? — Completou quase arrastando as palavras. Parecia que tinha uma faca apontada para a própria garganta.

— É que eu não sou idiota, e muito menos tão boa assim quanto você pensa. — Admitiu, confundindo-a ainda mais. Ao vê-la com os olhos um pouco mais arregalados e os lábios entreabertos, sorriu de canto e decidiu que tinha algumas explicações a fazer. — O dia que você terminou comigo eu já sabia. Você nem conseguia olhar direito na minha cara, e aquela com certeza não era a expressão de alguém que me odiava. Mesmo assim, eu deixei o seu teatrinho continuar e fui atrás do meu sonho, sabendo que te magoaria. Eu fui egoísta.

— Não coloca a culpa toda em você, por favor. — Suplicou, esboçando um semblante entristecido.

— É a verdade. Eu fui embora, e cada dia longe de você foi insuportável. Fingir que eu amava outro homem pra promover o filme enquanto estava apaixonada por você foi uma das coisas mais difíceis que eu fiz em toda a minha vida. — Respondeu melancólica, virando todo o vinho de uma vez só, como se quisesse matar alguma coisa dentro de si ou até mesmo criar coragem. Aproximou-se de Kate e abraçou-a após perceber que tinha os olhos marejados, talvez induzida pelo álcool ou até mesmo pelos próprios sentimentos. — Eu fui porque sabia que nunca suportaria te ver sofrendo por pensar que tinha acabado com o meu sonho, mas mesmo depois de conquistar tudo o que eu sempre quis, eu percebi que a fama e o dinheiro não eram suficientes se eu me sinto tão vazia sem você do meu lado. Eu acho que meu sonho acabou virando você, Kate. — Sussurrou próxima ao ouvido de sua acompanhante, vendo-a corar. Por um instante seguraram as mãos e permaneceram assim, sem deixar que qualquer outra palavra quebrasse aquele clima tão significativo e suficiente. Sim, suficiente. Tudo o que precisavam era daquele momento à sós, quietas enquanto apreciavam um belo vinho à meia-luz.

Longe dali, em um pequeno gazebo rodeado por um enorme jardim de flores brancas alastradas por toda a sua extensão, Pan havia sentado no pequeno banco de madeira posicionado próximo às grades que cercavam a estrutura, apreciando a brisa noturna enquanto aguardava o momento em que Evan começaria a falar. Ele caminhava em círculos buscando pelas palavras certas, e também tentando acalmar-se após sua intriga com Hector, que o observava de braços cruzados, batendo os pés impacientemente. Achava patético o fato de precisar aguardar até que um adolescente mimado se decidisse sobre a vida enquanto ocupava seu tempo.

— Vamos logo, moleque. Nós não temos a noite toda à sua disposição. — Bufou, sentando-se ao lado de sua protegida, já cansado de tanta espera.

— Moleque? — Evan indagou, arqueando as sobrancelhas. — Vem cá, cara, você não me parece ser muito mais velho do que eu. O que te faz pensar que pode me chamar assim? — Questionou em tom desafiador, quase como se quisesse começar uma briga ali mesmo. Ele não tinha noção que a pessoa com quem estava tentando comprar rixa poderia matá-lo em alguns míseros segundos e fazer com que seu corpo sumisse, no entanto.

— Não é uma questão de idade, e sim de vivência e maturidade. As coisas que eu já vi e vivi você não conseguiria nem imaginar enquanto fica com a bunda na poltrona de veludo do papai. — Retrucou com um sorriso ladino, feliz com o jeito que suas palavras irritavam o garoto. — Além disso, um arruaceiro como você não merece ser tratado de outro modo.

— Vocês estão brigando? — Pan questionou inocentemente, fazendo-os amaciar com sua voz tão pacífica e juvenil. Parecia uma criança entristecida quando via os pais discutirem no banco da frente do carro.

— Não. — Ambos responderam em uníssono, ainda trocando farpas entre olhares.

— Sério? Eu não quero vocês brigando, não gosto de ver ninguém chateado. — Tentou ter a certeza uma vez mais. Aquilo, para ela, parecia uma discussão, mas se eles diziam que não, então ela acreditaria.

— Sim, ninguém tá brigando, ruivinha. Não fica chateada, beleza? — Evan aproximou-se dela e afagou aqueles cabelos vermelhos, recebendo um olhar extremamente desdenhoso e quase mortífero de Hector, sem que ela percebesse. — Mas deixa, não é sobre isso que eu preciso falar com você também.

— E o que você precisa falar comigo? — Perguntou ansiosa.

— Eu acho que você já sabe, né? Eu preciso saber se eu to muito ferrado ou não, já que eu roubei seu primeiro beijo. — Disse quase em tom de deboche, observando o outro homem ali presente pelo canto dos olhos. Ele não exibiu expressão alguma, no entanto, apesar de estar realmente frustrado. — Você é a filha do presidente ou alguma coisa assim? Eu nunca vi tanto cara armado na minha vida a não ser naquelas fotos de exército que a gente vez ou outra vê nas propagandas de alistamento. Eu sei que aqui é a América, mas mesmo assim, não é normal. — Argumentou.

— Eu não sei qual o seu interesse em saber sobre a família dela, mas eu vou fazer o favor de te ajudar só para que você deixe ela em paz. — Hector se posicionou, não dando brecha alguma para que ela respondesse àquela questão. Era muito arriscado deixá-la lidar com isso sozinha a não ser que ela não se importasse com o fato daquele garoto acabar à sete palmos do chão no instante em que seu pai descobrisse que ele sabe mais do que deveria. — Hans Stracci, o pai dela, é dono de uma rede de cassinos. Ele é um homem muito rico e poderoso que pode acabar atraindo inimigos, já que, afinal, quantas pessoas cheias de dívidas por jogos não existem por aí?

— Muitas. — Ele concordou.

— E quantas dessas pessoas poderiam ter a ideia de sequestrar a filha de um homem poderoso em troca de dinheiro ou quitação de dívidas? — Perguntou, percebendo a expressão de Evan murchar. Tudo aquilo fazia muito sentido, na realidade. Sentiu-se até mesmo um idiota por fazer tanto alarde por algo assim. — Bom, a sua dúvida tão importante foi respondida. Agora, se nos dá licença, temos coisas mais importantes pra fazer. — Completou, entrelaçando os dedos nos de Pan e levando-a consigo. O menino parecia convencido, e não queria correr o risco de ela acabar dizendo alguma besteira caso aquele assunto continuasse. O que havia dito não era uma mentira, porém era apenas uma mísera parte utilizada superficialmente para esconder o que realmente era o trabalho da famiglia.

— Você parece bravo hoje. — Pan murmurou, acariciando suavemente o topo da mão daquele homem com o polegar, em movimentos circulares. Estavam ainda do lado de fora, sozinhos e longe de todo o barulho. O único som audível ali era o de um fraco piano bem distante, mas de certa forma, romântico e acolhedor.

— É mesmo? — Indagou surpreso. Não havia percebido essa mudança em seu comportamento, mas se ela dizia, estava certa. Ninguém o conhecia melhor do que aquela garota.

— Sim, é mesmo. — Sorriu.

— Perdão, não queria estragar a sua noite. Tem alguma coisa que queira fazer? Nós estamos em uma festa, então deve ter alguma coisa que você queira fazer, certo?

— Sim, tem. — Ela assentiu com certa ternura em sua voz, aproximando-se dele e obrigando-o a tocar sua cintura com a mão livre que tinha seu braço, mantendo os dedos entrelaçados nos dele do outro lado e colocando a cabeça em seu peito. — Dançar com você. A gente acabou não fazendo isso por causa do Evan. — Sussurrou, esboçando um sorriso tímido nos lábios pintados de vermelho. Aquele seu vestido longo de um azul marinho intenso com dois cortes nas laterais que deixavam à mostra parte de suas coxas combinava perfeitamente com o cenário daquele jardim belíssimo, contrastando com o branco das flores ao seu redor. Toda a cena parecia mais a de uma pintura em um quadro; uma perfeita e proibida obra de arte.

— Como eu vou me conter se você continua fazendo esse tipo de coisa? — Ele rumorejou, exibindo um sorriso cansado enquanto ainda a mantinha em seus braços. Era pedir muito que as coisas fossem menos complicadas e não tão profanas entre eles?

— Como assim?

— Não é nada.

— Tudo bem, eu não vou te forçar a falar se você não quiser. Eu não quero te deixar bravo outra vez.

"Eu sei. É uma das coisas que eu amo em você", ele pensou.

No interior do salão, Sarah e Chris continuavam a caminhar em busca de algum conhecido. Ela achava constrangedor que estivessem à sós, portanto evitava ao máximo fazer contato físico ou até mesmo verbal com ele.

— Olha, se eu conheço bem a Alex, ela deve estar comendo alguma coisa por aí. — Ele riu, tentando puxar assunto.

— Eu estou preocupada com a Pan também. Ela não sabe ficar sozinha sem causar problemas. E se alguém tentar fazer alguma coisa, ou se alguém tocar nela... — Sarah tagarelava preocupada, não fazendo questão alguma de esconder seu nervosismo. Seu estado era até mesmo preocupante; estava muito estressada.

— Calma, calma. — Chris tentou apaziguar a situação, tocando-a suavemente no ombro, como se tentasse consolá-la. — Você vai acabar tendo um ataque se continuar assim. Vem aqui, senta um pouco e eu vou pegar alguma coisa pra você beber, pode ser? — Ofereceu educadamente, percebendo-a tão alterada. Queria muito fazer algo para ajudá-la a relaxar.

— Eu não acho uma boa ideia. É melhor a gente continuar procurando. — Contestou, negando com a cabeça.

— É sério, Sarah. Por favor. — Ele insistiu, pegando dois copos d'água de um dos garçons que passaram ao seu lado. — Eu nem precisei sair daqui, viu? É um sinal pra você parar e descansar um pouco. — Sorriu, entregando-a um dos copos. Ela apenas suspirou e sentou-se no sofá mais próximo, como ele havia instruído, ciente de que talvez o estivesse ofendendo com aquele comportamento tão esquivo.

— Me desculpa. Eu estou sendo super grosseira com você, né? — Comentou desanimada, mordiscando os lábios. — Eu não estou muito acostumada a fazer amizades sozinha. É um pouco desconfortável.

— É desconfortável ficar comigo? — Perguntou e ela rapidamente balançou a cabeça em negação, quase desesperadamente, fazendo-o rir. — Calma, calma. Vamos tentar de um jeito diferente, então. — Completou, estendendo a mão em direção à ela, com um sorriso ladino nos lábios. — Muito prazer, eu sou o Chris.

— Muito prazer, Chris, eu sou a Sarah. — Respondeu em resposta à brincadeira, sendo inevitável soltar um riso abafado que lutara para esconder com o copo que tinha nas mãos.

— Vamos jogar o jogo das dez perguntas? Eu te pergunto dez coisas que eu quero saber sobre você, e você pode fazer o mesmo comigo. — Ofertou. — É um jeito da gente se conhecer melhor.

— Eu não sei, Chris. — Murmurou hesitante, desviando o olhar até os pés.

— Vamos, você não pode ser tão dependente da Pan pelo resto da vida.

— Eu não sou dependente dela! — Contestou.

— Se ela estivesse aqui você jogaria?

— É claro que sim. — Respondeu quase que instantaneamente, vendo-o encará-la como se tivesse razão sobre tudo. Na verdade, ele realmente tinha, porém feria seu orgulho precisar admitir aquilo. — Tá bom, você venceu. — Suspirou desanimada, deixando cair os ombros.

— Vou começar, então. — Disse e ela assentiu. — Qual sua matéria favorita?

— História. É muito bonito o conceito de aprender tudo o que os nossos antepassados fizeram antes de chegarmos até aqui. — Confessou, com um brilho no olhar. Chris encontrou-se vidrado nela por um instante, vendo-a tão apaixonadamente citando todo e qualquer aspecto que lhe atraía naquela matéria que, para ele, acabara de ficar muito mais interessante. — E você? O que você mais ama fazer?

— É essa a sua pergunta? Bom, jogar futebol, eu acho. — Sorriu. Ela apenas revirou os olhos com a resposta tão óbvia.

Não demorou muito para que as dez perguntas se tornassem quinze e depois vinte, sem que eles nem ao menos percebessem. Sarah pela primeira vez estava se abrindo com alguém que não fosse Pan, e sem que estivesse acompanhada dela também. Era uma sensação diferente, porém nada desagradável, e ela logo estava sorridente ao lado de seu novo amigo, como se toda e qualquer outra alma presente naquele salão fosse completamente invisível. A interação entre eles era tão natural que poderiam jurar que já se conheciam há anos. Chris estava cada vez mais intrigado com aquela moça tão misteriosa, e que ao mesmo tempo tinha um charme sem igual que o atraía incontestavelmente, inebriado pela beleza do sorriso que ela tinha quando se permitia aproveitar o momento sem preocupar-se com mais nada.

Naoki, por outro lado, havia acabado de encontrar-se com Alex, devorando vários petiscos na mesa ao centro do salão. Ela estava com as bochechas cheias, e já havia desistido de toda e qualquer tentativa de parecer ter alguma classe. Pro inferno com os saltos altos, certo?

— Você viu a Pan por aí? — Perguntou, embora soubesse que ela não estava em condições de respondê-lo. A percebeu engolir apressada tudo o que tinha na boca, limpando-a com o pulso. O sorriso que surgira nos lábios dele foi inevitável. — Eu devo admitir que você ficou muito bonita vestida assim, é diferente de quando eu te vejo no colégio com aquelas roupas de esporte. Espero que não ache isso estranho. — Elogiou-a afagando os cabelos, um pouco acanhado.

— Obrigada. Você também tá bem charmoso. — Retrucou colocando outro canapé na boca e piscando provocativa em direção à ele. — Só não vai se apaixonar. Meu coração já tem dono. — Riu, fazendo-o revirar os olhos.

— Eu me pergunto como você consegue manter o peso comendo tanto assim.

— Eu pratico muito, ué. Enfim, quer me ajudar a encontrar o Chris? Acho que cansei de comer também.

— Sim, por favor. Eu já to perdido aqui.

— Me dá a sua mão. — Ela ordenou, estendendo o braço em direção à ele.

— O quê? — Questionou surpreso.

— Pra você não se perder, caramba. Anda logo. — Ela riu, forçadamente entrelaçando os dedos nos dele, fazendo-o corar. Naoki instintivamente desviou o olhar para o outro lado, evitando os comentários maldosos que provavelmente viriam caso Alex tivesse percebido suas bochechas ruborescidas.

Repentinamente todas as luzes do estabelecimento se apagaram e um burburinho tomara conta do ambiente, fazendo com que Alex apertasse a mão do amigo, um pouco nervosa com o que talvez poderia ter acontecido. Assim que as luzes se acenderam outra vez, alguns minutos depois, ela pôde finalmente suspirar aliviada.

— Você tá bem? — Naoki questionou, percebendo sua respiração acelerada e a força que fazia no pulso ao segurá-lo.

— Eu não gosto muito de escuro em lugares lotados assim. — Esclareceu, respirando fundo antes de liberar a tensão dos ombros e braços. — Tá tudo bem agora.

Instantes depois, um grito ecoou pelo local, mais alto do que qualquer conversa ou música. Novamente os cochichos tomaram conta do ambiente, e até mesmo a orquestra acima do palco havia cessado as atividades. Alex e Naoki foram até o meio do salão, buscando saber o que havia acontecido. No momento em que ela colocara os olhos na mulher responsável pela gritaria, percebeu a bainha do vestido toda banhada de um vermelho escarlate vivo, enquanto ela desesperadamente chorava tentando explicar o que havia acontecido. Era sangue. Aparentemente o sangue de seu próprio marido, estirado com a garganta aberta bem ao lado de seus pés, no mesmo lugar em que todos anteriormente dançavam alegres naquela data festiva.

O telão acima do palco, atrás da orquestra, fora ligado sem o consentimento dos responsáveis pelo evento, exibindo um aviso mortal: "Cinco minutos até a próxima vítima."

Assim que Alex passou os olhos por aquela frase, instintivamente tensionou os ombros e abraçou Naoki, apavorada com toda aquela situação. Sua maquiagem havia manchado a camisa branca do garoto quando suas lágrimas começaram a sair. Seus batimentos eram perfeitamente audíveis, e as veias de sua testa pareciam querer saltar à qualquer segundo, enquanto ela segurava com toda a força os braços do amigo, pegando boa parte do tecido de seu terno entre os dedos. Havia até mesmo perdido parte de sua audição, dominada pelo pavor que lhe trazia uma sensação gelada de dentro para fora, afrouxando-lhe a força das pernas e acelerando sua respiração.

— Alex, fica comigo! Fica comigo, Alex, olha pra mim! — Naoki abraçou-a com força, fazendo questão de cobrir-lhe os olhos e retirar aquela cena horrenda do seu campo de vista. Colocou suavemente a mão entre os cabelos dela, afundando sua face em seu torso para confortá-la. — Vai ficar tudo bem, eu prometo. Não vou deixar nada acontecer com você, tá legal?

Notas finais
Eita, que treta né? Tem um assassino solto na festa, e tá todo mundo separado, o que será que vai acontecer? :w Espero que tenham gostado do capítulo, obrigadinha por ler ♥