Stracci famiglia: Liberdade e corrupção
57 Feliz aniversário
Notas iniciais
A quarta e última quinta-feira de novembro havia chegado, e com ela, o dia de ação de graças. Apesar de ser uma data consideravelmente relevante para Alice, que fora criada como uma americana durante toda a adolescência, não seria esse o evento celebrado pela família Stracci. Depois de alguns meses de planejamento árduo e secreto por parte de Hans, em meio àquele enorme salão de baile enfeitado até mesmo nos menores e mais insignificantes cantos, poderiam finalmente comemorar os dezoito anos de sua primogênita.
Embora ela houvesse proclamado sua pouquíssima vontade de festejar, não lhe restara muita opção. Era a oportunidade perfeita para que seu pai pudesse apresentá-la aos parceiros de trabalho que tanto ansiavam conhecê-la sem aparentar ser suspeito devido aos problemas anteriores. Como o homem de negócios que sempre fora, jamais deixaria de lado uma chance dessas; a forma de atestar que definitivamente não tinha medo de mostrá-la ao mundo e que, ainda por cima, confiava plenamente nos convidados a ponto de permitir uma aproximação da pessoa mais preciosa em sua vida.
Como as apresentações não cessavam nunca, Pan já tinha se apossado da mesa de petiscos mais escondida do recinto, desanimada para socializar com os conhecidos da família. Pela manhã nem ao menos se recordara de que era a data de seu nascimento de tão transtornada que esteve ultimamente pelos acontecimentos mais recentes. A última ligação de Luca não saía de sua cabeça, seguia atormentando sua mente a cada segundo. Se fosse para ser honesta, diria que preferia comemorar seu aniversário como sempre; ao lado de Hector que todas as madrugadas fazia questão de trazer-lhe um bolo para comerem-no juntos enquanto conversavam até que aparecessem os primeiros raios de sol na manhã. Era uma tradição especial que haviam criado quando estava encarcerada, porém não se importava nem um pouco de seguir com ela eternamente, se possível. Estava grata pelos esforços de seu pai em dar-lhe uma grande festa, contudo em comparação à esta de suas lembranças, qualquer outro tipo de celebração parecia completamente vazia e desinteressante, em especial se acabavam se tornando uma desculpa esfarrapada para transações de negócios nos fundos do recinto.
Quer dizer, desde que começara a noite, Hans não colocara os pés para fora da sala de reuniões. Foram várias visitas de pessoas esperançosas para terem seus pedidos ouvidos, porque o esperado era que se tornasse mais generoso no aniversário da querida filha.
— Imagina minha surpresa quando acordei de manhã e vi uma mensagem da Sarah me dizendo pra aparecer na sua festa de dezoito anos hoje. — A voz de Evan fez-se audível, retirando-a de seus devaneios para encará-lo com um sorriso e um canapé folhado nas mãos. Estava formalmente vestido com uma camisa branca e uma calça social preta, tão elegante e diferente que de algum modo fizera seu coração errar uma batida. — Esse tipo de notícia eu acho que minha namorada deveria me passar pessoalmente, não? Ainda mais depois de me dar um bolo, desmarcar nosso encontro e sumir por um tempão sem me dar sinal de vida. — Disse em uma entonação minimamente entristecida, combinando em nada com a expressão maliciosa em seu rosto enquanto posicionado a poucos centímetros de distância dela. No fundo possuía receio de tê-la assustado ao proclamar seu amor tão cedo.
— Então imagina a minha quando minha mãe me acordou falando parabéns e percebeu que eu tinha esquecido do meu aniversário? — Riu, forçando o canapé contra os lábios dele e obrigando-o a comer. — Mas pelo menos a comida tá gostosa.
— Meu Deus. — Ele revirou os olhos, engolindo o petisco ainda sem desfazer o semblante divertido. Sentia-se entretido todas as vezes que interagia com a garota em questão. — Só você dá conta disso. — Massageou as têmporas suavemente, sem fechar a risada. — Esquecer o próprio aniversário, sério...
— Pra ser justa, era minha data preferida até virar uma desculpa esfarrapada pro papai ficar bancando o palestrante na salinha dos fundos. — Comentou desinteressada, chacoalhando brevemente o pescoço para se livrar dos pensamentos desnecessários. Os nomes Hector e Luca pareciam não querer deixá-la em paz naquela noite específica. Abriu um sorriso forçado e empenhou-se em manter a compostura, abaixando-se para retirar os saltos que tanto a incomodavam. Deu uma volta com os pés descalços, aproveitando o quanto estavam livres agora, permitindo que seu vestido preto e longo esvoaçasse pelo ar. — Bem melhor. — Deu de ombros e voltou a fitá-lo, estendendo ambas as mãos em sua direção como se aguardasse por algo. — Trouxe meu presente?
— Trouxe dois. — Murmurou ladino, entrelaçando os dedos nos dela para levá-la ao meio do salão, aonde todos estavam dançando. Sutilmente tocou-lhe as costas para aproximá-la um pouco mais e começou a guiá-la entre a multidão. — Um deles ficou lá na porta com o segurança, e o outro sou eu. — Provocou; os lábios curvados ardilosamente.
— Não sei o que é o primeiro, mas você tem a nota fiscal pra devolução do segundo, né? Vou querer trocar. — Retrucou, também em tom de escárnio, esboçando um sorrisinho triunfante que arrancara-lhe algumas gargalhadas.
— Acho que minha mãe não guardou a nota fiscal de quando me teve, foi mal, ruivinha. Mesmo assim, eu não recomendaria essa troca. — Assim que a viu arquear confusa as sobrancelhas, diminuiu a distância entre seus rostos e sussurrou: — Às vezes é bom se desapegar das coisas velhas e dar uma chance para as novas, sabe? Você pode se surpreender.
— Licença... — Sarah interrompeu, separando-os ao se posicionar entre eles. — Se importa? — Pigarreou, sinalizando que gostaria de tomar o lugar do rapaz e dançar com a aniversariante. À contragosto ele cedeu, prontificando-se a fazer companhia ao melhor amigo que as observava de longe, segurando um copo de champanhe. — Você tá bem? Fiquei sabendo sobre o que aconteceu com o Lorenzo... — falou melancólica, apoiando o queixo no ombro dela ao mesmo tempo que a guiava durante a música lenta ecoando pelo recinto — me desculpa por não ter ficado do seu lado. Deve ter sido horrível.
— Não foi culpa sua. Eu sai correndo com o Evan depois de ver os documentos, então você não tinha como saber o que aconteceria quando eu voltasse. — Trouxe-a ainda mais para perto de si como se quisesse abraçá-la, embora sem cessar os movimentos da dança. — Fui egoísta outra vez. Coloquei meus problemas em primeiro lugar e te deixei preocupada, né? Eu que deveria te pedir desculpas.
— Já me acostumei com isso. — Curvou a boca tão singelamente que fora quase imperceptível, perdendo-se um segundo nos próprios devaneios. — Você sempre foi muito intensa, muito impulsiva. Sempre mergulhou nas coisas sem pensar, e é por isso que eu tenho medo de te deixar sozinha. — Aqui sua expressão fechou-se em uma tristeza imensurável, mas logo se recompôs e voltou ao normal. — Não quero que você se perca outra vez.
— Eu não vou. — Recuou a cabeça lentamente, fazendo contato visual direto. Existia convicção ali. — Não igual daquela vez, pelo menos. Não igual eu era... — a entonação diminuiu, e sôfrega, complementou: — antes de poder sair de casa.
Sarah engoliu seco, ciente da mentira implícita. Talvez não fosse voltar a ser a mesma bonequinha de porcelana em cacos daquela época, mas existia uma mudança ali que se fazia presente de maneira nada sutil. Ela havia perdido a felicidade no rosto, e o brilho inocente que antes possuía no olhar havia dado lugar à uma certa indiferença. Não chegava a ser o mesmo vazio, porém inevitavelmente se via pensando no que isso se transformaria com o passar do tempo, e isso a assustava.
De todas as pessoas do mundo, ela era a única que jamais aguentaria perder, afinal.
— Promete? — Quis se certificar. Precisava disso; dessa confirmação. Um resquício de esperança ainda a fazia acreditar que jamais mentiria. Ao menos não para ela.
Mas Pan forçou um semblante alegre que a fizera desabar por dentro. A viu olhar para os dois rapazes que as aguardavam na mesa de quitutes e sua atenção parou em Evan, demonstrando uma indiferença que deixou as coisas bem claras. Tinha noção do quanto estava brincando com os sentimentos do garoto, do quanto o estava usando para tampar o buraco deixado pela partida de Hector, e ainda assim, não dava a mínima. Desde que pudesse satisfazer o próprio ego e amenizar a dor da perda apenas pela sensação de ter alguém ao seu lado prezando romanticamente por ela, então ficaria bem.
Antigamente teria ficado muito mais balançada se lhe entregassem nas mãos uma parte decepada e ensanguentada de alguém. Havia se enojado com a imagem tão repentina? Sim. Porém estava assustada o suficiente, considerando esta ser a sua primeira experiência com situações do tipo? Não.
E foi ali que Sarah percebeu o quanto sua querida Pan Stracci já havia se perdido, embora nem mesmo ela se desse conta disso.
Manipular os outros ou proferir juras vazias para aqueles que amava estava fora de cogitação no passado, porém lá estava ela, dissimulada e sem dar importância aos laços que tinham, fazendo exatamente isso ao sussurrar:
— Sim, prometo.
Se agora era capaz de mentir assim tão friamente na cara de alguém que considerava família, o que diabos estava disposta a fazer com os outros?
— Obrigada. — Relevou, mantendo a compostura. Apesar de tudo, ainda era seu aniversário e não o estragaria ao trazer à tona tópicos que lhe estavam atormentando a mente nos últimos tempos. Beijou-a na bochecha e descansou o corpo contra o dela, antes de escutar o final da música e dizer contra seu ouvido: — Feliz aniversário.
Sobre seu ombro, conseguiu avistar o namorado acenando para que se avizinhassem como se precisasse lhe dizer algo, e após assentir, sinalizou à outra que fossem até lá, levando-a pelo salão.
— Conseguiram conversar um pouco? — Chris perguntou com ternura, ciente de que há tempos as garotas precisavam se resolver. Não foi fácil permanecer ao lado da amante enquanto a via cada dia mais triste pelos acontecimentos em sua casa, especialmente por viver dizendo o quanto gradativamente se afastava da pessoa mais indispensável para ela. Quando concordaram de mãos dadas, finalmente pôde suspirar aliviado. — Isso é bom. Aliás, o pai de vocês não poupou esforços nessa festa, hein? O lugar tá parecendo a porra de um palácio. — Comentou averiguando os arredores.
Pan balançou a cabeça em desaprovação, roubando o copo do colega para virá-lo inteiro, quase como se quisesse afundar suas frustrações e comentou:
— Ele só caprichou porque a festa é uma desculpa pros negócios dele. Toda festa sempre foi assim, então o meu aniversário não ia ser diferente. — Agora pegou a taça das mãos de Evan, fazendo a mesma coisa sem hesitar. — Já perdi as contas de quantos amiguinhos dele eu precisei cumprimentar hoje como se fizessem parte da minha vida há anos.
— É porque todo mundo espera que ele esteja de bom humor nas datas comemorativas, principalmente no aniversário da filha, então os pedidos aumentam. — Sarah voltou ao seu lado para confortá-la, ciente de que não estava satisfeita com um evento tão grande e chamativo. — Tem alguma coisa que eu possa fazer pra você se sentir melhor? — Ofereceu.
A conhecia muito bem, apesar de tudo, e tinha noção de suas preferências. Uma simples comemoração entre as pessoas amadas seria o suficiente, e não um típico baile caríssimo e clichê que não servia para nada além de introduzi-la aos conhecidos de seu genitor e limpar a sujeira feita por ele ao escondê-la dos associados da família. Precisava reconquistar a confiança de todos e não existia oportunidade melhor do que convidá-los para celebrar os dezoito anos de sua queridinha, mas ainda assim, como pai esse foi outro erro cometido. Como diabos podia esperar vê-la contente com essa situação? Se prestasse o mínimo de atenção em suas vontades, saberia que a última coisa que a faria feliz era passar o primeiro aniversário livre perto de um bando de desconhecidos tentando consertar erros dos quais não tinha culpa alguma. Ela compreendia o sacrifício, contudo possuía o direito de não aceitá-lo com um sorriso no rosto.
— Eu só queria sair daqui e ficar com vocês sem tanta formalidade. — Os ombros caíram desanimados enquanto vidrada na multidão de adultos à sua frente, todos a encarando como se fosse um animal exótico para exposição. Odiava aquilo. — É pedir muito? — Aqui a voz saiu pesarosa, quase como um rumorejo fraco.
— E por que a gente não sai daqui? Tá tão lotado que ninguém vai perceber se alguns desaparecerem. — Evan ponderou, e a garota saiu de seus devaneios para fitá-lo. — O que foi?
— Acho que se eu sumir eles vão perceber. — Apontou discretamente com o queixo para ambos os lados, alertando-o sobre os seguranças que a vigiavam incansavelmente. — Eu sou a aniversariante.
— É, mas convenhamos que a estrela da noite tá sendo o seu pai. — Jogou-lhe uma verdade inevitável na cara e uma pontada de esperança surgiu. — Tem janelas nos banheiros. Eu posso ir primeiro com o Chris porque não quero deixar vocês duas sozinhas lá fora e depois de uns cinco minutos... — não considerou ser necessário completar a frase, considerando que todos já haviam captado a ideia. Nem mesmo os guarda-costas as seguiriam no banheiro, portanto a tentativa seguia válida.
— Fugir assim no meio de uma vendetta é um pouco irresponsável, mas... — Sarah fixou a atenção na considerada irmã, percebendo o coração apertar com sua chateação. Fugiram juntas para um show, para festas e para mil outras coisas antes, então de que custava agir estupidamente uma vez mais? era uma ocasião especial. — A decisão é sua, Pan.
— Sim, por favor, antes que o papai venha atrás de mim com mais alguém pra apresentar. — Suplicou, forçando uma atuação fingida como se estivesse derretendo com a situação. Todos gargalharam em uníssono e se despediram para iniciar o plano, apontando para o relógio antes de se afastarem.
Dado o horário combinado, as meninas se dirigiram ao toalete, tomando cuidado para que ninguém as seguisse. Ainda descalça, Pan não teve problemas em subir no vaso e pular pela janela, ao contrário da outra que sofrera com o salto alto. Descer com a ajuda dos colegas facilitou o processo, e quando finalmente chegaram ao lado de fora, surpreenderam-se negativamente com o acompanhante extra.
— Diego... — rosnaram, desapontadas com a possibilidade de serem arrastadas de volta.
— Tranquilas, gatinhas, estamos no mesmo time. Fui eu quem despistei os seguranças daqui de fora. — Puxou-as pela cintura no intuito de abraçá-las, arrancando um grunhido ciumento de seus namorados. Realmente sabia como provocá-los e se deleitava com isso. — Não vou falar nada, mas confesso que fiquei chateado por não ter sido convidado. Sério que vocês pretendiam me deixar sozinho com esse bando de velhos? — Reclamou vividamente, quebrando parte da tensão.
— Vamos logo antes que eles voltem. — Evan alertou, aproveitando a oportunidade para afastá-lo delas e correr em direção ao carro mais próximo.
O destino final do trajeto de vinte e tantos minutos no veículo foi um fliperama no centro da cidade, aonde divertiram-se durante toda a noite enquanto ignoravam as milhares de chamadas perdidas de Hans no celular do sobrinho de seu conselheiro, furioso com o sumiço de sua filha em um momento tão importante. Ela, no entanto, não parecia nem um pouco incomodada com isso. Estava contagiando a todos com sua alegria inexplicável ao lutar bravamente contra a garra da máquina de pelúcias para conseguir um prêmio, gastando todas as moedas de seu guarda-costas para, no fim, obter alguma coisa apenas com a ajuda dos amigos.
Depois de uma uma sessão animada de jogatinas e uma derrota avassaladora de sua parceira contra Chris no hóquei de mesa, Evan fora obrigado a pagar tudo na lanchonete do estabelecimento como punição. Cansados, se levantaram da mesa e partiram para uma caminhada ao longo do quarteirão, aproveitando a agradável brisa noturna enquanto terminavam seus milk-shakes. Por ser dia de ação de graças, vários eventos e desfiles ocorriam nas ruas, porém o que realmente capturou a atenção de Pan foi a melodia agradável vinda de uma banda independente cantando na calçada, cessando seus passos para apreciá-la junto ao resto da multidão.
— Sabe, ruivinha, eu sempre quis te perguntar uma coisa. — Murmurou, avizinhando-se dela. Estavam separados do resto do grupo, então ninguém mais fora capaz de ouvir. — Qual seu problema com sapatos? — Apontou aos seus pés, arrancando dela uma risadinha abafada.
— Acho que você vai achar meio bobo, mas é que eu nunca usava sapatos em casa quando não podia sair, aí acabou virando um costume. — Mordeu os lábios, desviando o olhar de volta aos músicos, tomando um gole de sua bebida. — Alguma parte de mim ficava mais livre descalça naquela época. Parece idiota, né?
— Você é inteira idiota. — Deu um leve empurrão na testa da moça, aproximando o rosto para sussurrar em seu ouvido: — Mas entre todas as loucuras que você já me disse, essa é a primeira que faz muito sentido. — Beijou-a na bochecha, aumentando novamente a distância. Lhe direcionou uma piscadela marota e caminhou até os cantores de rua, retirando alguns dólares do bolso e os colocando em um chapéu largado no chão após dialogar com o vocalista principal.
— O que o "amor da sua vida" foi inventar agora? — Diego diminuiu a distância para irritá-la, arqueando as sobrancelhas em estranheza. Sorriu com a cotovelada indiscreta que recebera como resposta, vendo-a singelamente balançar a cabeça em negação, demonstrando que não havia sido alertada sobre as intenções do rapaz. — Será que ele vai te pedir em casamento publicamente? — Seguiu com a zombaria, testando os limites e sendo rudemente ignorado.
Evan assumiu a guitarra e o microfone principal, tornando-se o foco para alguns repórteres ali aglomerados que cobriam matérias sobre as atrações da data.
— Boa noite. — Pigarreou, cumprimentando a plateia e batendo no captador de áudio para testar o som. O melhor amigo arregalou os olhos ao vê-lo se expondo dessa forma, preocupado especialmente com o fato de estar sendo gravado pela mídia sem o disfarce. Sabia a opinião de seus pais quanto à carreira na música, portanto era inevitável se afligir. — Me desculpem por interromper, mas hoje é o aniversário de uma pessoa muito especial pra mim e eu queria pedir a ajuda de vocês com esse presente. — Limpou a garganta novamente, retirando uma partitura da carteira e entregando-a para o resto da banda atrás de si. — Eu poderia ficar a madrugada toda fazendo um discurso, mas prefiro fazer isso de outro jeito. Enfim, venho trabalhando em uma música sobre ela já faz um tempo e eu gostaria muito que vocês ouvissem.
Confiante, gesticulou que os outros músicos se preparassem, iniciando contagem regressiva ao dar três batidas de pé compassadas antes de fazer soar a primeira nota na guitarra e começar a música. Sua voz era vibrante de maneira serena, possuía uma dominância contagiante, tornando impossível não olhar em sua direção. A melodia suave servia apenas para complementar seu carisma; não parecia o mesmo garoto arrogante e invasivo de sempre. Na realidade, quando cantava era autêntico e apaixonado, ridiculamente cativante.
Foi assim que Pan encontrou-se involuntariamente vidrada nele.
Uma pausa dramática surgiu em meio à canção, e nesse instante, ela sentiu-se tão confortada pelo refrão que até mesmo percebeu os olhos marejarem; como se as palavras houvessem sido talhadas no plano sonoro especialmente para ela; como se estivesse sendo abraçada pelas notas, trazendo-lhe uma paz inexplicável.
Red hair, green eyes, you showed up like the Sunrise
Lighting up the day out of my window
Stubborn little perfection, pure crystal inside a blood desert
Inside you, there's a fire that no one can see...
But when the right time comes, you will realize
Open your wings, little bird, and fly
Show the world who you really are
Let them see how strong you can be
Don't let your hope light disappear
Girl, let me be clear, and tell everyone
How special you're for me...
A letra transmitia sem desculpas a perfeita bagunça que ela era. Durante toda a performance, seus olhos não se desviaram dos de Evan nem por um mísero segundo. Parecia que o espaço-tempo ali havia sumido, e naquele instante infinito, apenas eles existiam diante do mundinho à parte criado pela melodia impecável no ar. Sem perceber, o rapaz tinha se tornado um pilar de apoio necessário em sua vida, e conquanto soubesse de sua incapacidade de amá-lo do jeito que gostaria, era exatamente disso que precisava. De um novo começo, novas emoções para afastá-la da melancolia causada pelas velhas.
Afinal, usá-lo de estepe não poderia ser tão ruim assim, certo?
A magia fora quebrada com a boa salva de palmas recebida após os muitos agradecimentos à plateia. Ele retornou o controle do microfone ao verdadeiro dono e acercou-se de Pan em passos hesitantes, sem graça por ter aberto o coração assim. Para dar-lhes privacidade, Diego os deixou sozinhos, embora não pudesse perdê-los de vista.
— Isso foi muito bonito. — A entonação dela continha orgulho, porém sua expressão intercalava entre um sorriso e as lágrimas que lutavam para sair. — A pessoa pra quem você cantou é muito sortuda.
— Vou fingir que não tô te ouvindo bancar a sonsa, sendo que a letra inteira é uma descrição sua. — Cruzou os braços, franzindo o cenho em desaprovação.
— Você não disse meu nome. Fiquei com medo de acabar sendo presunçosa. — Brincou, vendo-o diminuir ainda mais a distância. De certa forma não possuía a urgência de se afastar como antes.
— Eu nunca faria isso, porque se eu dissesse, viraria uma declaração pública. Te conheço muito bem a ponto de saber que, se eu enfiasse o seu nome ali e fizesse um gesto grandioso na frente de uma plateia enorme, você não ficaria confortável pra se decidir sozinha.
— Como assim?
— Escuta... — coçou a nuca para disfarçar o nervosismo, embora sua ansiedade estivesse bem clara — você é inspiradora pra mim, ruivinha. Eu poderia compor mil músicas sobre você e ainda teria material para outras mil, mas eu nunca usaria nenhuma delas pra te pressionar a aceitar os meus sentimentos. Fui sincero quando disse que não ia mais brincar e que te esperaria decidir sozinha. Isso que eu fiz, ali, agora, foi só um agradecimento por te ter na minha vida, e nada mais.
Aquelas palavras foram como um gatilho em sua mente impulsionando-a a dar dois passos para frente e colocar-se na ponta dos pés antes de puxá-lo pelo pescoço e selar seus lábios, surpreendendo-o a ponto de retirar-lhe as reações. Era um beijo diferente dos que haviam dado antes; um beijo cheio de emoção e desejo que causara arrepios em ambos os lados. As memórias da promessa feita na porta da casa dos Stracci passaram por sua mente em um filme rápido, e assim, ele fechou os olhos, imergindo na sensação sem igual que era finalmente tê-la apenas para si. Intensificando o gesto, suas mãos perderam-se em algum lugar nas costas dela, apertando-a contra seu corpo como se jamais quisesse deixá-la ir.
E realmente não queria. Perceber que existia uma chance de seus sentimentos serem minimamente recíprocos depois de tanto tempo empenhando-se em conquistá-la era como uma brisa de ar fresco em meio ao deserto; um resquício de esperança inestimável, que ele definitivamente não tinha vontade alguma de que se apagasse.
— Evan? — Ela sussurrou contra sua boca, cessando todo e qualquer movimento. Sua voz baixa e manhosa o trouxera de volta à realidade, e mesmo que contra sua vontade, ele abriu os olhos para averiguar o motivo de ter sido chamado, aguardando por uma continuação daquela fala. — Não quero voltar pra festa. — Hesitou, aproveitando a falta de resposta imediata para acrescentar: — Na verdade eu não queria voltar pra casa e ouvir bronca hoje.
Os batimentos aceleraram com aquela afirmação que mais parecia uma súplica. Pensava ser um imbecil por tê-la interpretado parcialmente de maneira sensual, entretanto sabia que, vindo da pessoa à sua frente, tal coisa não seria possível.
— É só não voltar. — Terminou com um selinho rápido, averiguando a distância de Diego. Estava concentrado em uma ligação, portanto a brecha existia e deveria beneficiar-se dela. Apressou-se em pegar a mão de sua parceira e levá-la ao táxi mais próximo sem explicação, atendendo ao seu desejo.
Apesar da expressão incrédula, ela não demonstrara aversão ao plano de fuga.
— Não pensei que você fosse me levar a sério. O papai vai te matar, sabia? — Esboçou uma risadinha satisfeita, esfregando os pés um no outro para retirar o excesso de sujeira antes de se deitar no colo do rapaz, tocando-lhe suavemente a bochecha. — Mesmo assim, obrigada.
— Ele já tentou uma vez. Ou duas, porque até hoje não sei se aquele vaso quase caindo na minha cabeça semana passada foi obra dele. — Deu de ombros, passando alguns segundos até o inicio de uma gargalhada coletiva, tão forte que ela até mesmo soltara um som anasalado divertido. — Aliás, porquinha... — provocou ao tocar-lhe o nariz, se referindo ao ruído anterior — Dei o endereço da minha casa, tem problema? Meus pais ainda estão no hospital, aí vamos ser só nós dois.
— Não ligo pra isso. Já fui lá e eles também não estavam, lembra?
— Como eu ia esquecer de você perdida das amigas igual um cachorro abandonado, quase sendo levada por um velho esquisito no meio da rua? — Comentou sarcástico, fazendo-a bufar. — Mesmo assim, você nunca ficou sozinha comigo uma noite inteira. Tem certeza de que confia em mim?
Uma leve revirada de olhos e um grunhido indecifrável foram as únicas respostas obtidas com essa questão. Logo depois ela adormeceu levemente com a nuca ainda apoiada em suas coxas, até que chegassem ao final do trajeto e fosse obrigada a se levantar, caminhando ao interior da casa com muita preguiça envolvida.
— Toda aquela comida pesada me deixou com sede, então vou pegar um pouco de leite pra mim. Quer alguma coisa? — O anfitrião ofereceu, alcançando dois copos no armário mais alto da cozinha.
— Só água. — Sentou-se exausta no sofá da sala principal, com os olhos ainda semicerrados e bocejando entre as palavras. — Obrigada. — Acrescentou com um sorriso fraco e convidativo, abrindo espaço para acomodá-lo ao seu lado antes de beber tudo em um único gole.
— Tem espaço pra sobremesa? — Questionou, encarando animado a tela do celular. Em poucos segundos o soar da campainha o fez levantar.
— Espera, você vai atender? — Segurou-o pelo pulso. — E se for o Diego querendo me levar?
— Não é ele, sério.
— Não dá pra saber.
— Confia em mim, tá legal? Ele me mandou uma mensagem enquanto você tava dormindo no carro dizendo que conseguiu enrolar seu pai. Nós temos algumas horas até você precisar ir embora. — Explicou sereno, tocando a maçaneta sem preocupações para receber a entrega que havia requisitado em um aplicativo durante sua breve viagem de táxi. — Vou repetir minha pergunta. — Voltou ao sofá com o pacote em mãos, posicionando-o na mesinha de centro. — Tem espaço pra sobremesa?
— Depende. — Acercou-se curiosa. — O que você pediu?
Limpou a garganta e prontificou-se a abrir a embalagem um tanto envergonhado, com medo de que ela pudesse se incomodar com a surpresa.
— Sei que é meio clichê, mas me senti mal de te ver sem um bolo no seu aniversário. — Murmurou, segurando um pequeno bolinho de chocolate com uma vela apagada no topo. Alcançou um isqueiro acima das revistas na mesa e a acendeu, iluminando o rosto da garota. — Queria ter comprado algo melhor, mas já é de madrugada e todas as padarias estão fechadas. Pelo menos dá pra você fazer um pedido, eu acho.
Pan titubeou, procurando pelas palavras certas que acabaram se perdendo em sua própria confusão interior. Era tudo o que ela queria naquela noite; tudo pelo que ela tanto estava esperando. Comemorar seu nascimento devorando um bolo durante a madrugada ao lado de alguém especial. Ao lado de alguém que a entendesse por completo e tivesse ciência de que uma festa clássica com um baile de gala, champanhe e petit fours não eram seu ideal de aniversário. Apesar de entender perfeitamente as boas intenções de seu pai e a necessidade de utilizar a ocasião como maneira de apresentá-la sutilmente ao mundo sem parecer algo forçado e causado pela necessidade de limpar a sujeira feita após todo o ocorrido com Vincenzo, parte de si ansiava por aquele momento no meio da noite aonde Hector apareceria exausto em seu quarto com um bolo nas mãos, forçando um sorriso para não preocupá-la em um dia que considerava tão especial. Era como uma tradição, e apesar da pessoa à sua frente não ser a mesma de sempre ela se derretera com o gesto tão atencioso. Sem saber, Evan havia lhe dado o que tanto ansiava.
— Não... — sorriu terna, contagiada pela emoção que a consumia gradativamente ao fitá-lo. Estava tão cuidadoso ao segurar aquele cupcake que mal parecia o rapaz bruto de sempre; era caloroso permanecer ao seu lado. — Isso é perfeito. Obrigada. — Abraçou-o com força, percebendo os olhos marejarem.
Para retribuir o gesto, colocou na mesa o que tinha em mãos e afundou os dedos nos cabelos dela, carinhosamente sinalizando o quanto estava feliz por sua presença. Vê-la radiante por causa de um simples presente extra era a melhor recompensa existente possível.
— Feliz aniversário. — Sussurrou; seu tom de voz cheio de uma alegria que lutava para conter, amedrontado de tudo não passar de um sonho do qual despertaria a qualquer instante.
— Seu coração tá acelerado. Consigo ouvir daqui. — Acomodou-se no colo dele, uma perna para cada lado de seu corpo, diminuindo a distância de suas faces. Tomou as rédeas da situação e transformou o abraço afetuoso em um beijo desesperado, fazendo-o se perder completamente.
Que as consequências viessem no dia seguinte ou no próximo. Ao menos dessa vez, se permitiria ser a vilã da história.
Evan se perdeu na sensação, tão imerso que mal percebeu as mãos desenharem toda a coluna dela até que lhe tocassem a bunda. Diabos, estava louco? Pensava ser um imbecil por passar dos limites dessa forma, portanto cessou o beijo e observou-a cheio de remorso.
— Desculpa. — Segurou a testa, decepcionado consigo. — Meu Deus, eu não...
— Tá tudo bem. — Acenou afirmativamente com a cabeça, deixando claro que também queria aquilo; que também o queria da mesma forma.
— Tem certeza? — Fixou os olhos nos dela, demonstrando seriedade. — Eu não quero ser o cara com quem você dorme e se arrepende no dia seguinte, ruivinha.
— Não vou me arrepender. — Mordeu os lábios, minimamente acanhada. Estaria com vergonha por ter tomado a iniciativa? Não, isso não era de seu feitio. A verdadeira vergonha era por não ter noção de como proceder daqui em diante. — Não ligo que a minha primeira vez seja com você. — Foi honesta, um verdadeiro livro aberto. Pra merda com todas as regras sobre a virgindade feminina, ela não dava a mínima, só precisava curtir seus dezoito anos sem tantos problemas na mente, e essa parecia a ideia perfeita para esquecê-los.
— Então... — tocou seus mamilos enrijecidos com os polegares, ouvindo-a soltar um baixo gemido abafado — não precisa se preocupar com nada. Prometo fazer você se sentir muito bem essa noite. — Completou, beijando-a fervorosamente para contornar com a língua o interior de sua boca em uma provocação perigosa.
Abriu lentamente o zíper de seu vestido, apreciando cada segundo enquanto o via deslizar pouco a pouco. Tão exposta, tão insuportavelmente sensual, com os seios tampados apenas por míseros fios de cabelo largados que nada escondiam... era inevitável devorá-la com o olhar. Ela então se levantou, permitindo que a peça caísse aos seus pés, divertindo-se com o grunhido afobado dele ao ficar coberta por nada além de uma calcinha fina de renda, dando margem para que todos os tipos de pensamentos pecaminosos corressem pela imaginação de Evan.
— Porra, você é... — ele engoliu seco, sem quebrar contato visual. Sua voz tinha uma entonação sofredora e gentil. Era perceptível em sua face o quanto estava se segurando para não rasgar aquele maldito pedaço de tecido em pedacinhos e revelar o que tanto ansiava para ver. O volume bem marcado em suas calças sociais também não era nada discreto, evidenciando seus desejos. — Você é linda pra caralho. — Colocou-se de pé, segurando-a pela cintura ao beijar seu pescoço, causando-lhe arrepios. Ao notá-la forçando as unhas contra seus ombros, segurou-a pelo pulso e a levou até sua cama no andar de cima.
O ambiente tinha o cheiro do dono, era reconfortante. Segurou fortemente um punhado dos lençóis, sentindo-o percorrer seu corpo com beijos.
Primeiro os lábios.
Clavícula.
Seios.
Barriga.
E então a respiração pesou com o último, bem aonde ansiava para ser tocada.
Como se o estivesse dando permissão novamente, puxou seu corpo para ainda mais perto, seu hálito acariciando a pele através da calcinha, fazendo-a suspirar com o choque de seu indicador gelado ao ter o clitóris acariciado, pressionado sutilmente em movimentos circulares, causando-lhe um prazer inédito. Os batimentos descompassaram, ela se retorceu.
Que maldita sensação deliciosa era aquela, caramba?
Tão estranho e ao mesmo tempo tão bom. O interior aumentava gradativamente a temperatura, o abdômen se contraía, os dedos dos pés se curvavam mais e mais...
Evan não parecia o mesmo de sempre. Estava sensível, carinhoso, um tanto inseguro e hesitante em seu tato, como se relasse em uma peça delicada de porcelana. O contato era tenso, porém suave, obrigando-se a manter a calma, segurando-se para não machucá-la sem querer.
Indiscretamente, Pan desabotoou sua camisa, surpresa com o torso impecavelmente definido que agora enxergava diferentemente. Óbvio, tinha ciência sobre o histórico esportivo dele, contudo antes não o via como alguém atraente. Ali, permitindo-se ser dominada pela curiosidade à medida que o mapeava com primor, sua intimidade pulsava, ansiando que ele aliviasse toda a necessidade iminente que há pouco descobrira existir dentro de si.
Evan sorriu de canto, afastando-a de si, gesticulando que seria o único responsável por lhe dar prazer. A deitou novamente e posicionou o rosto entre suas pernas, afastando com diligência as coxas uma da outra antes de começar a masturbá-la lentamente, distribuindo beijos por sua virilha. Ela gemeu, expirou com vontade, e logo a tensão nos músculos aumentou ao perceber os dedos sendo trocados por sua língua. Mordeu parte do cobertor, empenhando-se em não enlouquecer ao ser chupada com vontade, deleitando-se com a insaciável vontade do rapaz de satisfazê-la. O orgasmo não demorou a chegar, passando como uma onda rápida, arqueando suas costas, enrolando os dedões dos pés, fechando os olhos, contorcendo-se entre rumorejos afobados.
— Evan... — chamou manhosa e cheia de adrenalina, admirando-o totalmente desnudo enquanto caminhava até a cômoda para alcançar um preservativo.
— O que foi? — Retornou para fazer-lhe companhia. — Se não quiser passar disso é só me falar. — Alegou compreensivo, empenhando-se em transformar a experiência na mais confortável possível para sua parceira.
Ela negou com a cabeça, deitando-se novamente, esboçando uma expressão convidativa que dissipara todas as dúvidas. Em um gesto rápido, ele desenrolou o preservativo em si, sem jeito por percebê-la fixada em cada um de seus movimentos, realizado por ver um indício de interesse em seus olhos.
— Se doer muito é só me dizer e eu vou parar. — Disse terno, e ela assentiu.
A antecipação era a pior parte, vendo-o se acomodar entre suas pernas com o coração acelerado, vagarosamente aproximando o corpo do seu até que se tocassem finalmente. Sendo vagarosamente penetrada, centímetro por centímetro, com muita calma e uma paciência excessiva, tendo cada reação sua analisada antes de senti-lo por completo. A ardência e a cólica inicial a fizeram hesitar momentaneamente, soltando um leve grunhido agoniado, contudo o fato de estar infinitamente relaxada, molhada e segura consigo mesma mostrou ser um grande auxílio para minimizar a aflição.
— Dói muito? — Indagou preocupado, cessando o ato.
— Só um pouco no começo. — Explicou tranquila, com a respiração ainda bagunçada, se acostumando com o incômodo que progressivamente se tornava mais tolerável. — Continua, por favor. — Choramingou, excitando-o em dobro. Por mais que em algum lugar dentro de si houvesse um indício e culpa, ouvi-la implorar lhe ocasionava um tesão inexplicável.
Visando amenizar o desconforto, Evan lambeu dois de seus dedos, voltando a acariciar seu clitóris, afundando-se nela com um ritmo agradável, fazendo-a roçar as unhas contra suas costas, suspirando pesado ao ter outro orgasmo.
Ela precisava ser tão inebriante? Seu corpo, sua voz, a maneira como era tão confiante em si mesma e não tinha vergonha da exposição, não pedia para desligar as luzes... era tão gostosa a forma como não fazia questão alguma de esconder nem sequer uma única parte de seu corpo, e tudo se intensificava com o maldito e delicioso som que fazia a bunda dela ao bater contra suas coxas sempre que a invadia.
Praguejou baixo e cansado, alcançando o ápice de seu prazer, diminuindo a velocidade das estocadas até cessá-las totalmente e gozar. Retirou-se dela e se acomodou ao seu lado, retirando o preservativo para jogá-lo no chão.
— Tudo bem? — Indagou ofegante, assegurando-se de que não a havia lesionado.
— Sim. — Concordou exausta, aproveitando o momento de paz e silêncio que parecia tão aconchegante após o ocorrido. Um bocejo escapou de seus lábios e então, levantou-se à contragosto em direção ao banheiro. Estranhamente sentia-se suja e grudenta, portanto tentaria aliviar isso.
— Vai tomar banho? Quer companhia? — Perguntou malicioso, a atenção cravada em sua silhueta nua.
Ela franziu o cenho, cerrou os punhos e logo suavizou o semblante. Quer dizer, uma transa era uma transa, e nada além disso. Para ela, tomar banho com alguém possuía um significado sentimental, e honestamente? Estava fora de cogitação compartilhar um momento tão íntimo com aquele homem. Não o amava, nem ao menos possuía afeto romântico. Embora tivesse lutado muito para desenvolver uma faísca, ela não se acendera.
— Não vou tomar banho. — Retrucou indiferente, apressando-se em adentrar o toalete e se limpar um pouco antes de colocar suas roupas e voltar à cama.
Evan tomou uma rápida ducha logo após, vestindo apenas sua cueca antes de voltar aos lençóis e abraçá-la por trás, envolvendo-a carinhosamente contra seu corpo.
— Ruivinha? — Murmurou, tocando-lhe a nuca com a boca sem aguardar por uma resposta para seguir: — Acho que eu te amo.
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