Ströme der Seele
7 Saito
Notas iniciais
01/04 – Cidade de Putyn
– Vamos Leório, rápido! – gritava Gon enquanto corria em direção ao trem parado na platarfoma.
– Acalme-se Gon! O trem não vai sair antes do horário previsto você embarcando mais cedo ou mais tarde! – Leório gritava de volta ao amigo visivelmente ansioso
– Deixa ele Leório – disse Senritsu enquanto sorria ao ver o garoto correndo – Ele está ansioso, e para falar a verdade eu também estou. Sinto-me agoniada por não poder ir com vocês. – lamentou ela enquanto mudava rapidamente sua expressão de alegria para tristeza.
– Não se preocupe, vamos achá-lo – Killua limitou-se a responder enquanto caminhava calmamente ao lado dos dois.
– É isso mesmo! – completou Leório com entusiasmo na tentativa de confortar a garota – E assim que o acharmos vamos arrastá-lo de voltar pra cá e vamos enche-lo de porrada por ter sido tão imprudente e por ter nos deixado preocupados!
– Sim, eu sei. – suspirou a garota – Mas eu gostaria de ajudar a encontrá-lo. Infelizmente o Sr. Nostrade estava irredutível. Disse que Kurapika sabia se virar sozinho e não me liberou para poder ajudar em sua procura. – concluiu ela com uma expressão de desapontamento.
– Confie na gente, nós o encontraremos. – concluiu Leório com um sorriso encorajador.
Os três amigos finalmente se juntaram a um Gon tremendamente agitado. Assim que concluíram suas investigações sobre a floresta de Kobi e decidiram partir para encontrar Kurapika, Gon havia entrado em um estado de frenesi. Assim como Senritsu, o garoto tinha a sensação de que o amigo precisava de sua ajuda e que cada minuto era valioso.
“Atenção todos os passageiros do tem 7411 com saída prevista para 15:41 com destino a Faleq Por favor dirijam-se as plataformas de embarque”
– Está vendo, está vendo! – exclamou o garoto afobadamente.
– Sim Gon, nós ouvimos – suspirou Killua.
– Bom, é aqui que nós nos despedimos Senritsu. Não se preocupe entraremos em contato assim que tivermos alguma noticia. – disse Leório enquanto se despedia.
– É Senritsu. Vai dar tudo certo – dessa vez foi Gon quem se despediu.
– Então tchau. – disse Killua enquanto subia os degraus que davam acesso ao vagão de passageiros.
– Espere Kurapika, nós estamos indo – sussurrou Gon para si mesmo.
Senritsu observava com um semblante pesado enquanto o trem ia se distanciando.
Confio em vocês, garotos!
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02/04 – Floresta de Kobi
Outra derrota. Kurapika já estava cansado de perder para a garota. Ela realmente era boa no jogo, o que o fez questionar sua única vitória.
Talvez ela apenas quisesse me testar. Se eu fizesse uma pergunta que ela não quisesse responder, poderia recorrer a uma mentira no final das contas.
O kuruta concluiu que não adiantava mais ficar pensando sobre o assunto. Porém algo voltou a lhe preocupar. Já estava a quase um mês sem dar noticias à Senritsu e, conhecendo-a bem, sabia que estaria extremamente preocupada.
Droga! Como poderia avisá-la que estou bem?
– Escute Maia – disse o garoto enquanto movia seu cavalo pelo tabuleiro.
– O que é? – respondeu a garota enquanto manobrava uma de suas torres.
– Existe alguma maneira de se comunicar daqui de onde estamos com o pé da montanha ou qualquer outro local?
– Não, muito menos enquanto há tempestade.
– Mas em dias sem tempestade, é possível? – insistiu o garoto.
– Já disse que não. Por que pergunta? – questionou a garota, agora movendo sua rainha.
– Estou preso aqui a muito tempo, meus amigos podem estar preocupados. Prometi entrar em contato para dizer que estava seguro.
Maia pareceu pensar sobre sua resposta. Kurapika a encarava com expectativa, porém ela apenas voltou a atenção ao jogo, realizando uma manobra que deixaria o Kuruta encrencado.
– Droga – protestou ele ao notar sua situação
– Xeque-mate – proclamou Maia enquanto se levantava.
– Aonde vai? – perguntou ele.
– Chá. – respondeu secamente.
Kurapika suspirou novamente. Estava cansado daquela situação. Sentia-se impotente em frete aquela nevasca que o obrigava a permanecer confinado naquele local. Sabia desde o início que essa missão seria uma grande perda de tempo e energia. No final das contas, não existia mesmo ninguém naquele fim de mundo que seria capaz de ajudar Neon a recuperar seus poderes.
– O quão importante é pra você?
O jovem Kuruta se assustou com a pergunta repentina. Estava tão focado em seus pensamentos que não pôde escutar com clareza o que a garota havia lhe perguntado.
– O que? – perguntou ele.
– O quão importante é pra você poder avisar seus amigos? – perguntou mais detalhadamente, porém visivelmente irritada por ter que repetir a pergunta.
– Muito. Por que pergunta? – Kurapika perguntou mostrando curiosidade.
– Saito.
– O que tem ele?
Mas antes de Maia responder, Kurapika se deu conta de um detalhe. Saito nem sempre estava presente na cabana. O Kuruta até havia reparado na ausência do canino em algumas ocasiões, porém concluiu que deveria estar tirando um cochilo em algum canto da sala. Mas se...
– Ele pode se movimentar com mais facilidade que a gente na tempestade. Afinal, é um animal desta região.
Então era isso. Saito podia sair e voltar quando bem entendesse, o que explica o fato de desaparecer eventualmente.
– Eu não havia nem reparado que ele havia saído alguma vez. – disse com certo espanto.
– Sim, mas não costuma ir muito longe. Apesar de tudo, ainda é perigoso.
– Então não adianta nada, não é? Se ele não pode se distanciar muito, não precisava nem ter me dado esperanças. – resmungou o jovem Kuruta ao ver que sua única alternativa havia ido por água abaixo.
– Imagino que ele tenha capacidade de ir até a aldeia ao pé da montanha. Seria arriscado, mas quem decide o risco é ele. – disse ela ignorando a irritação do companheiro.
– O que? E desde quando um lobo, por mais inteligente que seja, tem a capacidade de raciocínio tão desenvolvido? – perguntou ele curioso
– Eu já disse uma vez. Saito não é um lobo comum – respondeu irritada.
– Ok, não precisa se zangar! Vou falar com ele. – disse enquanto se levantava para procurar o canino.
– Está no quarto. – disse apontando em direção ao corredor.
Kurapika se dirigiu até o recinto deixando para trás uma Maia irritada terminando seu precioso chá.
Não posso nem imaginar como ela ficaria se por acaso acabassem suas ervas de chá! – pensou ele se divertindo, e ao mesmo tempo assustado, com a idéia.
Chegando no quarto, não teve dificuldades em localizar Saito, que estava tirando um cochilo na cama de Maia. Com seus sentidos aguçados, logo o animal percebeu a entrada do visitante no local e levantou a cabeça para encará-lo.
– Oi Saito – cumprimentou o jovem – Será que eu posso me sentar?
Como o lobo não demonstrou nenhuma reação, tomou isso como um sim.
– Bom isso é mesmo estranho, mas, gostaria de saber se pode me fazer um favor.
O lobo continuou a encará-lo sem demonstrar estar compreendendo sua fala.
Droga, isso é perda de tempo! Ela me paga...
– É...eu preciso de alguma forma avisar meus amigos que eu estou bem. Maia me disse que você consegue aguentar a nevasca, então pensei que talvez você pudesse levar um bilhete até a aldeia ao pé da montanha, assim, caso alguém aparecesse por lá me procurando, saberiam que eu estava em segurança.
Saito permanecia encarando-o sem mudar sua expressão. Kurapika resolveu aguardar mais alguns segundos para ter certeza de que o lobo não se manifestaria. Desistindo, resolveu se levantar para sair do recinto. Quando estava chegando à porta, notou uma movimentação. O canino havia saido da cama e se encaminhava para o criado-mudo. Abrindo o móvel com a boca, retirou primeiramente o caderno e o repousou no chão, para repetir, logo em seguida, o mesmo processo com a caneta. Kurapika ficou sem palavras.
Então ele pode mesmo nos entender!
O Kuruta se aproximou do lobo e agarrou os objetos no chão.
– Você está certo disso? Não quero colocá-lo em perigo. – perguntou ele demonstrando preocupação.
O lobo apenas moveu seu focinho em direção aos objetos, deixando claro sua posição.
– Irei escrever um bilhete então – disse ele visivelmente aliviado.
Resolveu escrever uma nota breve, sem entrar muito em detalhes. Saito apenas deitou-se a seu lado, esperando pacientemente que ele terminasse sua tarefa. Uma vez terminado, Kurapika passou a procurar uma maneira de prender o bilhete no animal. Com a nevasca, certamente o papel se desmancharia devido à alta umidade do ar.
– Droga – exclamou ele.
– Deixe comigo – disse Maia que estava parada ao lado da porta apenas observando a cena.
– Caramba Maia! – disse o garoto nitidamente assustado – Você tem que parar com essa mania de aparecer sorrateiramente, se não eu vou acabar tendo um ataque do coração – reclamou o garoto que agora tentava normalizar sua respiração.
– Deixa de ser fresco – respondeu ela – Vamos, me dê o bilhete aqui. Vou amarrar em uma cápsula para que não se molhe no caminho – ordenou ela.
– Toma – obedecendo ao pedido da garota.
Kurapika observava enquanto Maia tirava a cápsula do bolso e amarrava em um cordão no pescoço de Saito. Apesar de Maia aparentar indiferença a tudo e a todos, o jovem Kuruta ficou surpreso em observar como ela realizava sua tarefa com delicadeza e cuidado para não machucar o animal. Ao terminar sua tarefa, a garota posicionou ambas as mãos por detrás das orelhas de Saito, acariciando-as. Gradualmente foi se aproximando dele até encostar suas testas uma na outra sem interromper a caricia em nenhum momento. Com as testas encostadas, murmurou algo para o canino, porém Kurapika não pôde entender. Assim que terminou de falar, soltou o companheiro e se levantou.
– Está feito – disse ela enquanto se dirigia para saída do quarto com Saito em seu encalço.
O que será que ela disse a ele?
Demorou um pouco até Kurapika segui-los. Encontrou ambos na sala, próximos a porta que da acesso a parte de fora da cabana. Maia então destrancou a entrada, abrindo uma pequena fresta, suficiente para o lobo se esgueirar para fora. Tendo saído, trancou novamente a cabana.
– Ele ficará bem? – perguntou preocupado.
– Sim, Saito é forte. Se ele aceitou seu pedido é porque acredita que conseguirá cumpri-lo, caso contrário, ele recusaria. – concluiu.
– Como pode ele ser tão inteligente? – indagou ele enquanto observava Maia se movimentar pela sala.
– Me perguntou a mesma coisa sobre você ser tão curioso – respondeu ela devolvendo o olhar.
Kurapika fez uma pequena careta de desagrado, mas logo suavizou sua expressão. Afinal, aquela era Maia.
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