Ströme der Seele
43 O trem fantasma
Notas iniciais
11/04 — Capital Faleq
— Ta, me explica exatamente como funciona isso – pediu Kurapka
Após a conversa no telhado do hotel, Kurapika e Maia combinaram de se reunir em uma praça próxima ao estabelecimento. Optaram pelo local devido a baixa, se não quase nula, circulação de pessoas. Devido a baixa temperatura, poucos se arriscavam a ficar muito tempo longe de um ambiente confortavelmente aquecido.
— Minha habilidade é a remodelagem. Resumindo, consigo pegar um material e remodelá-lo, ou seja, basicamente o reconstruo. Existe algumas variações dessa habilidade, porém já estaria entrando em detalhes – respondeu ela.
— Interessante. Você a utilizou quando te joguei do trem? – questionou novamente.
— O trem era razoavelmente alto, tive tempo de agir. Usei meu sobretudo – disse apontando para a peça de roupa – Reconstruí os tecidos, alongando-os até ficar semelhante a uma corda. Envolvi ela numa barra lateral do trem e fiquei pendurada.
Kurapika a encarava surpreso. Ela parecia dominar bem sua habilidade. Teve capacidade de agir rápida e precisamente em uma condição extrema.
Isso só seria possível tendo plena confiança em sua capacidade.
— Parece ser uma habilidade muito útil – comentou ele
— Sim, mas tem suas desvantagens – acrescentou ela
— E quais seriam? – perguntou novamente.
Maia o encarou um pouco descrente antes de sorrir desdenhosamente.
— Não é porque fizemos um trato que eu vou te contar minhas fraquezas – rebateu ela
— Parece justo – respondeu ele sorrindo de volta
A garota suspirou.
— Então, fim do inquérito? – perguntou ela
—Fim? Está brincando né? Estou apenas começando – respondeu ele divertido.
Ela fechou os olhou e estreitou o cenho. Permaneceu assim por um momento antes de suspirar e abrir novamente os olhos.
— Pergunte.
Ela parece estar se esforçando para ser mais sociável – pensou se divertindo
— Então... – insistiu ela um pouco irritada
— Desculpe – disse ele – Bom, queria que me dissesse sobre o que aconteceu no trem. Quem era aquele cara e por que fez aquilo? O que houve depois que eu desmaiei? – lançou uma pergunta após a outra
— Meu Deus, onde fui me meter? – resmungou ela irritada
Kurapika a encarou rindo, esperando até que se sentisse preparada para responder
— Aquele homem se chama Seiyo. Não sei por que atacou e matou aquelas pessoas – parou ela para pensar – Depois que desmaiou eu te levei para cabine e tratei seu corte. Em seguida fui até a sala de maquinas descobrir uma maneira de parar o trem.
— Isso não parece ter sido um problema para você – comentou ele
— Não foi. Depois que parei, voltei para te pegar e te trouxe até aqui.
— Espera, você parou o trem no meio do caminho? – questionou ele
— Sim, por quê?
— Imagino o que devem ter pensado quando encontraram o trem parado com todas aquelas pessoas mortas e sem ninguém de testemunha – falou ele
Maia olhou para ele e se levantou
— Venha comigo
Kurapika obedeceu a garota e se levantou, seguindo-a. Ambos caminharam lado a lado pelas ruas da cidade. O jovem Kuruta não sabia para onde a garota o estava levando, mas não se preocupou com a questão. Ele pareceu se sentir mais leve após o acordo entre eles. O fato de não ter que se preocupar com alguma possível má intenção da garota o deixava mais tranqüilo.
— Veja – disse ela apontando para uma banca de jornal a sua frente
Kurapika andou até o local procurando por algo que pudesse lhe chamar a atenção. Não precisou se esforçar muito para encontrar. Os jornais do dia estampavam uma manchete chamativa:
“Onde está o trem?”
O Kuruta se aproximou e pegou o exemplar na mão.
— Ei amigo, vai comprar ou não? – perguntou o vendedor
— Sim, desculpe. – respondeu ele tirando algumas moedas do bolso e pagando o senhor.
Kurapika começou a ler o texto:
“Todos estão estarrecidos. Autoridades locais ainda não conseguiram explicar o sumiço do trem 1564, na última terça-feira dia 10/04. O trem que vinha em direção a capital Faleq simplesmente desapareceu sem deixar qualquer vestígios. Os parentes dos passageiros exigem maior empenho do poder público para solucionar a questão. 368 passageiros estavam a bordo do trem segundo a empresa de transporte. O gerente executivo da empresa TrainExpress se manifestou ontem pedindo mais paciência as famílias, dizendo que todos estão mobilizados e trabalhando arduamente para ajudar as autoridade a fim de solucionar o caso. O responsável pelas investigações, sr. Fujimoto, também se manifestou levantando a hipótese de um possível atentado terrorista:
— Penso que alguma organização criminosa possa estar por trás deste incidente lamentável. Temos ciência que existem algumas pessoas plenamente capazes de “sumir” com um trem, mesmo nos parecendo algo impossível. – declarou Sr. Fujimoto
Enquanto não temos mais novidades sobre o caso, só nos resta especular. Será obra humana ou trata-se de algo além do que nos é conhecido?”
Kurapika parecia surpreso quando terminou a leitura
— Você tem idéia de quem pode ter feito isso? – perguntou ele
— Não sei, mas considerando as diversas hablidades Nen, não seria difícil imaginar algo assim acontecendo. – comentou ela
— Sim, mas a questão é, por quê? Por que sumir com o trem?
— Você pode pensar em inúmeras possibilidades Sherlock, mas nunca terá uma resposta a não ser que pergunte ao responsável – falou a garota
— Tenho que concordar com você, Watson – respondeu ele suspirando e despejando o jornal em uma lixeira próxima
Os dois voltaram a caminhar vagarosamente pela cidade. Kurapika estava novamente perdido em seus pensamentos.
Eles mataram todos e sumiram com o trem. Se quisessem ser discretos, não agiriam dessa forma, pois tanto sumir com o trem quanto deixar ser encontrado com os corpos mutilados, chamaria atenção de todos. Se quisessem roubar algo, não precisariam fazer toda essa cena também. Arg....isso não faz sentido.
— Não entendo essa sua mania de ficar buscando explicações e sofrendo por algo que não pode saber – falou a garota
Kurapika suspirou
— Não posso evitar pensar em todas as possibilidades – respondeu ele.
— Vai acabar enfartando – falou ela
— Preocupada comigo? – perguntou ele divertido
— Sim, claro.
Kuraika ficou parado por um momento encarando as costas da garota. Ela se virou assim que percebeu a ausência do garoto andando a seu lado. Ele piscava rapidamente com a boca ligeiramente aberta.
— O que? – perguntou ele
— O que “o que”? – devolveu ela
— Você disse “sim, claro”
— Sim, pois se você enfartar e morrer, perderei um possível cliente – respondeu ela
O garoto mudou sua expressão, parecendo desapontado. Logo começou a rir alto.
— O que foi? Por que está rindo? – perguntou a garota carrancuda
— Não é nada, apenas constatando que algumas coisas nunca mudam – respondeu sorrindo – A diferença está somente na maneira como recebemos as coisas – comentou voltando a andar a seu lado.
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