Ströme der Seele
44 Melodia em construção
Notas iniciais
13/04 – A caminho da mansão Nostrade.
O resto do percurso até a propriedade Nostrade foi estranhamente calmo. O jovem casal parecia finalmente ter acertado sua relação. Não que Maia tivesse se transformando em uma pessoa comunicativa do dia para noite, porém era nítido seu esforço para manter o “bom” relacionamento com o Kuruta. Kurapika também havia conseguido alcançar certo equilíbrio. Já “conhecia” a garota e sabia até que ponto poderia chegar ou não, porque mesmo tendo feito um acordo, não seria justo pressioná-la demasiadamente.
Após uma breve caminhada pela mata que levava a propriedade, puderam avistar uma enorme e imponente construção pertencente a família Nostrade. Kurapika se adiantou e comunicou seu retorno pelo interfone do portão.
— Sou eu, Kurapika. Por favor, abra o portão. Estou com um convidado – anunciou ele.
Demorou alguns segundos até que as grades foram abertas. Provavelmente, estavam examinando a garota como um risco em potencial. Ficou se perguntando a que conclusão teriam chegado.
— Venha – pediu a ela que o acompanhasse enquanto adentrava a propriedade.
Maia seguiu ao lado do garoto, observando tudo ao redor. O jardim da frente era extenso até onde a vista não conseguia alcançar. Havia duas fileiras de lagos artificiais que estavam posicionados verticalmente a mansão, deixando um corredor de terra ao centro para que os transeuntes tivessem acesso a residência. Ao fundo era possível avistar um bosque com vegetação mais densa, diferente da frente e das laterais, que ostentavam plantas ornamentais distribuídas de forma planejada a fim de criar um ambiente luxuoso e imponente.
— Tenho que te alertar sobre meu empregador – começou ele.
— Estou escutando
Kurapika suspirou
— Bom. Ele é um homem firme e esta disposto a fazer de tudo para recuperar sua fonte de riqueza. – falou direcionando a ela um olhar sério.
— Você acha que eu já não havia considerado essa possibilidade? –respondeu a garota.
— Sim, eu imaginei que teria, porém preferi reforçar a idéia, apenas por precaução. – disse ele com um fraco sorriso.
Kurapika sabia bem que Nostrade não mediria esforços para convencer a garota a entrar em contato com o usuário de Nen que havia mencionado. Mesmo tendo justificado dizendo ser apenas uma precaução, ele na verdade tinha a intenção de que ela percebesse que aquilo significaria que seria ele o responsável por aplicar as medidas cabíveis caso ela se mostrasse resistente. Dessa forma, rezava para que ela soubesse conduzir de forma apropriada toda a situação, mesmo se optasse por utilizar alguma manobra evasiva.
Tendo percorrido o longo caminho entre o portão e a mansão, finalmente chegaram à residência. Um mordomo/segurança aguardava no hall de entrada para recepcioná-los.
— Bem vindo de volta senhor – cumprimentou o homem.
— Obrigado James. – agradeceu ele – Esta é a senhorita Maia, ela será nossa convidada por enquanto- completou apresentando a garota.
Maia acenou levemente a cabeça para cumprimentá-lo.
— É um prazer conhecê-la, senhorita – disse ele se curvando.
— James, por favor, avise o Sr. Nostrade que já regressei e que estarei na sala de reuniões caso ele precise falar comigo – pediu ele se dirigindo as escadas.
— O senhor está ausente no momento, porém lhe foi transmitido o recado de seu regresso assim que adentraram a propriedade – respondeu James.
— Certo. Obrigado James – acrescentou ele enquanto subia a escadaria.
Maia seguiu em silêncio os passos de Kurapika em direção ao segundo andar. Novamente observando tudo ao redor. Os quadros famosos e excêntricos, extremamente caros, as peças de prata e ouro espalhadas por todos os cantos, as escultuars exuberantes, nada lhe passou despercebido. Assim como o Kuruta, Maia era extremamente observadora e perspicaz.
Kurapika parou em frente a uma porta dupla toda entalhada em Mogno, empurrando-a logo em seguida.
— Essa é a sala de reuniões, a mais confortável em minha opinião – comentou ele entrando.
Ela seguiu seu exemplo e adentrou ao recinto. Havia uma grande mesa no canto esquerdo da sala, com um grande monitor fixado na parede logo atrás, provavelmente utilizado para realização de vídeos-conferência. Mais ao centro, alguns sofás e poltronas estavam distribuídos harmoniosamente. Mais para o canto direito, um belo exemplar de piano dava um ar mais ameno ao local.
— Por favor, sente-se um instante, preciso verificar se o Sr. Nostrade irá demorar em regressar ou não. – disse ele apontando para área das poltronas antes de se virar e sair da sala.
A garota preferiu caminhar lentamente pelo recinto ao invés de sentar-se, analisando o local. Após uma pequena inspeção, enfim, decidiu se sentar.
— Nunca encontrei alguém que me deixasse confusa quanto a uma melodia – comentou uma pequena garota de aspecto esquisito entrando na sala por uma porta lateral.
Maia voltou sua atenção para a recém chegada, mirando-a nos olhos.
— Meu nome é Senritsu, alias. Desculpe minha falta de modos. – disse ela sorrindo e se aproximando da garota.
Maia nada disse, apenas continuou observando a pequena mulher enquanto se aproximava.
— É uma canção vazia, porém cheia ao mesmo tempo. É como dar um excelente instrumento a alguém que não sabe tocar. – comentou ela se dirigindo agora ao piano.
Uma melodia suave preencheu o ambiente. Era lenta e melodiosa. Senritsu sustentou esse ritmo durante toda música. Em alguns momentos, entrava com uma nota que dava abertura para uma grande transformação, porém isso não acontecia, voltando a mesma levada de antes. Era quase como uma tortura a expectativa. Assim que terminou a peça, Senritsu se virou para encarar a garota.
— É assim que interpreto a melodia do seu coração – explicou ela.
Maia encarou-a confusa. Não estava entendendo nada do que aquela mulher falara desde que entrou na sala. Seria ela uma doente mental? Apesar da aparência peculiar, não acreditava nessa possibilidade.
— Você fala coisas que não entendo. – comentou a garota.
— Ah sim, as vezes esqueço de dar explicações. – comentou Senritsu dando uma risadinha baixa.
Maia continuou esperando até que a mulher se pronunciasse, mas ela apenas a encarava com um sorriso melancólico. Quando a mulher esboçou iniciar sua fala, Kurapika voltou ao recinto.
— Ah, Senritsu, você está aqui. – comentou ele surpreso.
— Sim, fiquei sabendo do seu regresso e vim te recepcionar. – disse ela sorrindo – De qualquer forma, conheci sua amiga. – finalizou apontando em direção a Maia.
— Entendo, espero que tenham tido uma boa conversa. – comentou ele meio incomodado.
Maia ia responder a seu comentário, porém foi interrompida pela entrada de James.
— O senhor Nostrade já retornou e o aguarda em seu escritório. – informou James.
— Bom, melhor nos apresarmos então.- falou ele se direcionando a garota.
Maia se levantou sem dizer nada e seguiu-o em direção a porta. Senritsu permaneceu no lugar observando os dois. Antes de deixar a mulher sozinha, Kurapika comentou.
— Não sei se estou pedindo demais, mas, por favor, esteja preparada. – comentou ele com um olhar pesado, enquanto fechava a pesada porta, deixando uma Senristu preocupada para trás.
Fale com o autor