Notas iniciais
Olha só, nem demorou tanto assim vai. rs Aproveitem! ;)

07/04 – Floresta de Kobi

Nossos heróis levantaram logo que os primeiros raios de sol apareceram no horizonte. Saito, que havia se ausentado desde o dia anterior, voltou a reaparecer um pouco depois do termino do turno de Kurapika, sendo recepcionado por Gon que ficara extremamente contente pela inesperada companhia. Após todos estarem completamente despertos, decidiram fazer uma breve refeição antes de retomarem a caminhada.

– Maia...- começou Kurapika enquanto terminava de mastigar — ...você acha que conseguiremos chegar ainda hoje ao pé da montanha?

– Creio que sim, agora já não falta muito. Se mantivermos esse ritmo chegaremos antes de escurecer – respondeu ela.

Leório de Gon ficaram surpresos, pois pelo que lembravam, até a noite anterior, tanto Maia quanto Kurapika demonstravam nitidamente não fazer questão de dirigir a palavra um ao outro. Essa repentina mudança de comportamento, assim como a expressão mais leve de Kurapika evidenciavam que algo havia se passado sem que eles tivessem tomado nota.

O que será que pode ser acontecido com esses dois? – pensou Leório.

Killua era o único a não demonstrar nenhum espanto com o comportamento de ambos. Kurapika logo percebeu o que se passava quando notou a expressão dos três amigos.

Killua não parece surpreso. Não seria de se espantar se ele tivesse ouvido toda nossa conversa ontem a noite. – pensou o Kuruta.

Tendo todos terminados suas refeições retomaram a caminhada. Dessa vez o caminho não parecia ser mais tão tortuoso como no dia anterior. Talvez o fato de todos terem retomado seu característico humor tenha contribuído para essa considerável melhora. Gon conversava animadamente com todos e vez ou outra arriscava inclusive a falar com Maia. A garota não o ignorava, mas também evitava prolongar qualquer tipo de diálogo com o jovem garoto. Assim se deu o restante da descida até o ponto mais baixo da montanha.

–------

– Olha só Killua, olha só – falou Gon alegremente. – Já posso ver a aldeia daqui, olha! – continuou o garoto enquanto chacoalhava o amigo.

– Eu não sou cego Gon, não precisa me chacoalhar – respondeu Killua ao amigo empolgado.

– Ufa ainda bem, já não estava mais aguentando andar – suspirou Leório enquanto descansava ambas as mãos nos joelhos.

– Ainda temos que passar por aquela passagem ali antes de alcançarmos a tribo – comentou Maia apontando para a direção que deveriam seguir.

– Bom, então vamos – disse Kurapika tomando a dianteira.

Caminharam por aproximadamente mais duas horas até finalmente deixarem de vez a Floresta de Kobi. Todos pareciam aliviados em sair daquele local. Gon, Killua e Leório estavam felizes por terem encontrado o amigo a salvo e por terem o trazido de volta. Kurpaika, apesar de não ter realmente encontrado quem procurava, estava até bastante satisfeito com a conclusão de sua missão. Chegou àquele local sem expectativa nenhuma de encontrar a tal pessoa capaz de ajudar Neon a recuperar seus poderes, por isso sentia que saía de lá no lucro com a possibilidade de Maia realmente conhecer alguém que poderia curá-la.

Assim que adentraram à aldeia foram recebidos com grande entusiasmo pelos pacatos moradores da tribo Ubuh. Não era todo dia que eles recebiam tantos convidados. Apesar de serem reservados, os habitantes da tribo podiam tornar-se pessoas realmente amorosas e receptivas quando se tratava de pessoas das quais confiavam. Enquanto caminhavam vagarosamente por entre as pequenas casas do povoado, uma garotinha de aproximadamente quatro anos de idade veio correndo animadamente em direção ao grupo.

– Maia-san! – gritou a menina enquanto envolvia a mais velha pela cintura em um apertado abraço.

Maia ficou congelada no mesmo lugar enquanto a pequena garota aumentava cada vez mais o aperto em sua cintura.

– Lira, pare já com isso! – ordenou uma senhora à garota enquanto se aproximava correndo afobada até ambas.

– Mas mamãe. – protestou Lira agora olhando em direção a senhora recém chegada.

– Desculpe-me senhorita Maia... – começou meio ofegante – ...as vezes ela fica tão empolgada que chega a agir de forma inconveniente – comentou a senhora mais velha dando um olhar de reprovação á pequena garota.

– Não tem problema – respondeu Maia apoiando uma das mãos na cabeça de Lira que ainda a abraçava.

Como era de se esperar, os quatro garotos ficaram boquiabertos. Para um estranho, aquele simples gesto poderia até ter sido considerado frio, porém nossos amigos, principalmente Kurapika, sabia que tratava-se de um gesto sincero e carinhoso por parte da garota.

– Maia-san vem comigo, vamos brincar – falou a menina agora pegando a garota por uma das mãos.

– Lira, já disse para parar de importunar a senhorita Maia. Não vê que ela e seus amigos estão cansados da viagem? – disse a mãe repreendendo-a.

– Mas mamãe – insistiu a garota com os olhos chorosos.

– Ei Lira, por que você não vai brincar com o Saito, hein? Ele está bem ali, olha. – disse Maia apontando em direção ao canino.

– Eba! Eu vou brincar com ele então. Mas depois você vem brincar com a gente também, né? – perguntou a garota enquanto corria em direção ao lobo branco.

– Sim, pode deixar – Maia respondeu enquanto via a garota se distanciar.

– Desculpe-me novamente senhorita Maia, Lira está muito empolgada com a sua chegada. – comentou a mãe da garota.

– Não se preocupe senhora Garder, não foi nada – respondeu ela despedindo-se da senhora que marchava em direção à filha.

Os garotos permaneceram calados enquanto observavam a senhora Garder fazer seu caminho até a filha. Nenhum deles ousou dizer uma só palavra, mesmo sendo essa a vontade de todos naquele momento, sabiam que qualquer comentário equivocado provocaria a ira da garota. Porém não houve necessidade de estender por muito mais tempo o silencio entre eles, uma vez que notaram a aproximação do senhor Kouta, o velho ancião que os recebera na primeira vez que chegaram a tribo.

– Fico contente que tenham regressado com vida. Todos aqui na aldeia estavam temerosos por vocês. Imagino que nossa amiga Maia tenha lhes dado uma mãozinha, não foi? – perguntou ele brincalhão – Por falar nisso, seja bem vinda novamente minha querida. Já faz um bom tempo desde que nos vimos pela última vez – disse ele dirigindo seus cumprimentos à garota.

– Agradeço por me receberem novamente em sua casa – respondeu a garota fazendo um gesto de agradecimento.

– É sempre um prazer minha cara. – respondeu devolvendo o gesto – Bom, que tal agora todos irmos até minha moradia, hein? Aposto que estão cansados, com frio e com fome. – comentou ele sorridente.

– Pode apostar que sim senhor! – respondeu Leório aceitando a proposta prontamente.

Assim combinado o velho ancião os conduziu até sua residência mais ao fim do vilarejo. Enquanto caminhavam por entre a vila, muitos aldeões cumprimentaram efusivamente a todos, mas principalmente Maia. Os garotos ficaram surpresos pelo modo amável como aquelas pessoas a tratavam, porém ficaram mais surpresos ainda em como ela lhes respondia de forma educada. Ao que parece a relação entre a garota e os habitantes da tribo era de mutuo respeito. Entre os garotos, Kurapika era de longe o mais curioso em saber sobre o que aquelas pessoas tinham a dizer sobre a garota, mas repreendeu-se mentalmente por considerar declinar a tal capricho.

Ao chegarem enfim a residência do senhor Kouta, o mesmo logo tratou de acomodá-los e de servi-los com petiscos e chá. Além disso, fez questão de aumentar a temperatura da lareira para que todos se sentissem mais confortáveis.

– Vou ter que pedir desculpas à vocês mas no momento só possuo esses tira-gostos. Entretanto hoje teremos uma grande celebração a noite e serviremos um grande banquete para todos na vila! – comentou o velho ancião animadamente – Claro que vocês estão todos convidados a participar.

– Agradecemos muito o convite senhor, mas temos a intenção de partir ainda hoje – Kurapika se apressou a dizer.

Gon e Leório pareceram ficar desapontados com a recusa do amigo. Percebendo o clima de desanimo, Killua logo acrescentou:

– De qualquer forma ficamos agradecidos por ter nos recebido. Esses petiscos estão uma delícia – comentou o garoto de cabelos brancos.

– Fico feliz que tenham gostado! – respondeu com um sorriso triste. – É uma pena não poderem ficar para festa. Trata-se de uma comemoração muito importante para nós. – acrescentou ele.

– Muito obrigado pelo convite senhor, aceitaremos com prazer adiar um pouco nossa partida para compartilhar com vocês a alegria desse dia especial – respondeu Maia educadamente.

O velho sábio logo se alegrou com a resposta afirmativa ao convite.

– Tenho certeza que irão gostar, porém não quero atrapalhar a viagem de vocês. – comentou ele.

– Não atrapalhará de forma alguma – acrescentou Maia rapidamente.

– Excelente! Então pedirei licença a vocês agora, pois tenho que finalizar alguns preparativos. Fiquem a vontade, a casa é de vocês. Maia querida, caso seus amigos tenham alguma dúvida, por favor os auxilie, ok? – disse o velho ancião já desaparecendo por entre a porta.

A saída do senhor Kouta foi acompanhada por um instante de silêncio. Kurapika cultivava um semblante sério no rosto, provavelmente irritado por ter sido tão facilmente contrariado pela garota. Antes que alguém pudesse fazer algum comentário, a garota falou:

– Esse festival é a comemoração mais importante para os habitantes dessa tribo. Hoje eles celebram o Krishmatan, ou seja, o Dia do Espirito. Nesse dia eles saúdam seus antepassados que já se foram e pedem a eles proteção para que possam dar continuidade na perpetuação da linhagem. – explicou ela – Essa é uma comemoração bastante particular para eles, portanto se ele nos convidou é mais do que nossa obrigação aceitarmos com prazer. A recusa seria vista como uma grande falta de respeito. – acrescentou ela.

– Eu não sabia se tratar de um evento tão importante. – defendeu-se o Kuruta. – Quando ele voltar oferecerei minhas sinceras desculpas pela recusa anterior.

Após a resposta de Kurapika todos voltaram suas atenções à refeição servida pelo velho ancião. Parecia que finalmente o cansaço os havia alcançado. Leório estava lutando entre permanecer acordado e comer ou dormir recostado na mesa.

– Ei Kurapika? Não seria bom entrarmos em contato com a Senritsu para avisar que estamos todos bem? Ela estava muito preocupada quando saímos – comentou Gon.

– Estava pensando exatamente nisso Gon. – respondeu Kurapika. – Pelo que me lembro o senhor Kouta possuía um telefone aqui em sua casa. – comentou olhando em direção à garota esperando que ela lhe desse a resposta para sua dúvida.

– O telefone fica na última porta á direita no corredor – respondeu ela.

Colocando um último pedaço de bolacha na boca, Kurapika se levantou e saiu do recinto, dirigindo-se prontamente na direção apontada pela garota. Ao adentrar o local, deparou-se com uma pequena biblioteca. Não se lembrava de ter entrado nessa sala da última vez que esteve aqui. Ficou curioso em saber que tipo de livros aquele velho sábio teria em seu acervo, mas policiou-se para não vasculhar o local sem a devida permissão. Não demorou em localizar um velho aparelho de telefone em cima de um pequeno móvel no fundo do aposento. Imaginou que talvez aquele fosse o único aparelho telefônico disponível em toda tribo. Considerando o isolamento da aldeia, era de se esperar que o contato com o mundo externo fosse extremamente limitado.

Imagino que seja uma linha utilizada apenas para emergências

Deixando o pensamento de lado, começou a discar rapidamente o número da colega de trabalho. Tinha intenção de entrar em contato com seu chefe também, porém considerou avisar Senritsu mais importante do que ele.

– Alô, Senritsu?

– Kurapika? Graças a Deus, eu estava ficando muito preocupada!

– Agradeço sua preocupação, mas pode se acalmar, está tudo bem comigo e também com Gon, Killua e Leório.

– Eu sabia que tudo ia ficar bem, nunca desconfiei da palavra de Gon quando ele disse que te encontraria – comentou ela enquanto soltava um risinho.

– Pelo visto confia mais no Gon do que em mim né? – perguntou ele brincando.

– Você sabe que não é isso, mas não há como negar que aquele garoto passa uma segurança inabalável – respondeu ela entrando na brincadeira.

– Sim, isso não há como negar.

– Bom, estou realmente curiosa em saber tudo que aconteceu com vocês, mas não vou ficar te segurando no telefone. Agora que sei que está seguro acho que consigo segurar minha ansiedade até você voltar.

– Não se preocupe, contarei tudo a você nos mínimos detalhes quando eu regressar.

– Estarei esperando ansiosa. Você planeja voltar quando?

– Creio que partiremos amanhã. Recebemos um convite para participarmos de uma celebração aqui na aldeia, além disso, Leório ainda parece cansado devido ao esforço de hoje, então acho sensato realmente ficarmos mais um dia.

– Aconteceu algo com ele? – perguntou ela preocupada.

– Sim, mas ele já está bem. É uma longa história, te contarei quando chegar ai.

– Então tudo bem.

– Alias, é provável que eu volte acompanhado – acrescentou ele.

– Algum dos garotos virá com você?

– Não, levarei uma outra pessoa que encontrei enquanto estive na floresta.

– Não me diga que realmente encontrou o tal especialista?

– Não exatamente, mas talvez ela possa ajudar.

– Ela? É uma mulher?

– Sim.

– Entendi. Mas por que disse que provavelmente viria acompanhado? Não é algo certo?

– Mais ou menos. Antes preciso falar com Nostrade para ver o que ele decide, uma vez que ela possui uma série de exigências para ir até ai.

– Hm. Bom, então é melhor entrar logo em contato com ele. O homem está enlouquecendo aqui com sua ausência. Ao que parece depositou todas as suas fichas em você.

– Imaginei que isso aconteceria. Então está certo, farei isso. Obrigado mais uma vez Senritsu e me desculpe por preocupa-la.

– Tudo bem, você está perdoado. – respondeu ela rindo.

– Então até breve.

– Até.

Notas finais
E ai pessoal! Viram só o tamanho do capítulo? Eu sou ou não sou uma escritora muito legal e boazinha com meus leitores? rs Bom, indo ao que interesse...o que acharam? Esse capítulo foi mais ameno pois tive a intenção de caminhar um pouco mais com a história. Geralmente eu foco bastante nos pensamentos e sentimentos dos personagens e as vezes esqueço que tenho que dar andamento na trama rs. Mas e ai, o que será que vai acontecer nesse festival? E a Maia hein, toda polida dessa maneira? Ta vendo, ela pode ser agradável quando quer rs. É isso ai meus queridos. Deixem seus comentários, críticas e sugestões para sua amada e dedicada escritora...ela ficará muito contente! Bjos :*