Ströme der Seele
34 As coisas importantes
Notas iniciais
07/04 — Tribo Ubuh
– Alô?
– Bom dia senhor, aqui quem fala é Kurapika.
– Kurapika! Você demorou a retornar! Conseguiu encontrar aquela pessoa?
Ele não se importa nem um pouco em saber se estou bem ou não afinal.
– Não exatamente, entretanto encontrei uma pessoa que alega conhecer alguém com uma habilidade capaz de ajudar a senhorita.
– Explique-se melhor. Quem é essa pessoa?
– Encontrei-a enquanto estive nas montanhas. Me contou que conhece alguém com capacidade de resolver o problema, porém possui algumas exigências.
– Exigências?
– Sim, ela exige conhecer a senhorita, bem como conversar com o senhor pessoalmente.
–Se não é ela quem vai resolver o problema, por que está fazendo tais exigências?
– Também a questionei sobre isso senhor. Ela falou que essa pessoa só aceita atuar em casos específicos e se a senhorita não se encaixar nesse determinado perfil, ele não ajudará.
– Ajudar? Não é como se ele fosse me fazer um favor, eu irei pagar! Pagarei o que for preciso se ele prometer curar Neon!
– Eu sei senhor, porém há pessoas que não são facilmente compradas. Essas pessoas colocam seus princípios e valores em primeiro lugar.
– Bobagem! O dinheiro pode comprar qualquer coisa!
Velho tolo.
– Entendo senhor, porém lhe garanto que ela não mudará de ideia.
– Então traga-a aqui. Veremos quais serão suas exigências...e se ela se recusar a contatar essa pessoa de forma pacífica, teremos que tomar certas providências.
– Farei como desejar sr.
– Ah, e Kurapika....enquanto estiverem voltando aproveite para observá-la atentamente. Se tivermos que agir de forma mais agressiva é melhor que estejamos cientes de seus pontos fracos.
– Conte comigo.
– Eu sempre conto. Esteja preparado.
– Sim.
– Agora preciso desligar. Aguardo você em breve.
– Certo sr.
Tu.....Tu.....Tu....
Apesar de ter encerrado a ligação, Kurapika continuava com o gancho em sua orelha. As palavras de Nostrade ainda pairavam em sua mente.
Agir de forma agressiva?
Kurapika já tinha imaginado que seu patrão assumiria esse tipo de postura, porém ouvir isso vindo diretamente de sua boca era completamente diferente do que apenas imaginar. O que ele faria se tivesse realmente que intimidá-la? Desde que começou a trabalhar para Nostrade, colocou em sua mente que faria de tudo para concluir seus objetivos, até mesmo corromper-se. Já havia intimidado, torturado e até mesmo matado outra pessoa. Será que conseguiria fazer o mesmo com a garota?
– Kurapika?
O jovem Kuruta foi puxado de volta a realidade ao ouvir a voz de Gon na porta de entrada do quarto. O menino sustentava um semblante preocupado em seu rosto.
– O que foi Gon, aconteceu alguma coisa? – perguntou Kurapika finalmente colocando o gancho em seu devido lugar.
– Não, nada. Eu apenas pensei que pudesse estar com algum problema. Você estava fazendo uma careta bem ameaçadora agora a pouco.
– É mesmo? Desculpe preocupa-lo, não é nada. Apenas alguns problemas com o trabalho. – respondeu tentando esboçar um pequeno sorriso.
– Então tudo bem. Mas você sabe que pode dividir seus problemas com a gente, não é? – disse o garoto já mais animado.
– Claro! E onde estão os outros?
– Leório disse que ia tirar um cochilo. Killua e eu estávamos pensando em passear pela tribo! Quer vir com a gente? — perguntou Gon empolgado
– Acho que vou passar Gon. – respondeu com uma risadinha – Mas e a Maia?
– Bom, ela saiu logo que você veio telefonar. Não disse pra onde ia.
– Estranho seria se ela tivesse dito – suspirou o garoto loiro
– Bom, então nós estamos indo.
– Certo. Mas não causem problemas – respondeu Kurapika com certo ar de reprovação.
– Pode deixar! – respondeu ele sorridente enquanto corria ao encontro de Killua.
Não importa quanto tempo passe, esses dois não mudam nunca. – pensou Kurapika alegremente.
De volta a cozinha não havia ninguém a vista, como dissera Gon. Leório estava jogado no sofá da sala do sr. Kouta. Mesmo que não o visse, poderia facilmente identifica-lo pelo som de seus roncos.
Ele realmente deve estar cansado. Depois de tudo que passou...não é a toa.
Kurapika decidiu deixar o amigo descansar e dirigiu-se até a porta de saída da casa. Assim que chegou ao lado de fora, notou a movimentação frenética dos moradores. Parece que todos estavam ocupados com os preparativos para a comemoração de hoje a noite. Como Maia havia dito, tratava-se de um evento muito importante para as pessoas daquela tribo. De alguma forma, Kurapika sentia-se curioso em observar a participar de tal comemoração. Já fazia um tempo que não se dava ao luxo de poder comemorar alguma coisa.
Já que estou aqui vou tentar aproveitar ao máximo.
Com esse pensamento em mente passou a ajudar os aldeões em suas tarefas. Conversou com muitas pessoas diferentes...jovens, adultos e idosos...havia de tudo por ali. Aquelas pessoas mostraram-se novamente muito gentis e receptivas com ele. Vez ou outra deparou-se com Gon e Killua aprontando alguma coisa. Não pode deixar de sorrir com a visão dos dois garotos se divertindo com as outras crianças. De alguma forma, sentia-se mais leve.
– Com um sorriso desses tenho certeza que qualquer garota dessa tribo se apaixonaria por você, rapaz – comentou uma senhora que estava ao seu lado.
– Hm? Ah....obrigado. Agradeço o elogio, mesmo discordando de sua afirmação.
– Discorda é? Fico curiosa pensando o porquê. – indagou ela
– Não penso que seria uma boa pessoa para alguém se apaixonar. – respondeu ele brincando.
– E por que acha isso meu jovem?
– Não seria capaz de dar o valor e a atenção devida a essa pessoa – respondeu ele sinceramente.
– Por causa do seu trabalho, é?
– De certa forma sim.
– Não deveria colocar isso em primeiro lugar. Amor, família, amigos...há tantas outras coisas mais importantes. Se você se focar somente em seu trabalho, perderá tudo isso que faz a vida realmente valer a pena.
Não importa que tenha razão, porém não posso me dar ao luxo de aproveitar a vida enquanto não completar meu objetivo. Meus companheiros...ainda estão sofrendo afinal!
– Eu sei. Obrigado pelo conselho – respondeu ele com um sorriso falso.
A senhora lhe devolveu o sorriso e se afastou. O jovem Kuruta então voltou sua atenção a tarefa que estava executando. Essa era uma questão muito delicada para ele no fim das contas. Sabia que os outros se preocupavam com sua felicidade, porém, a partir do momento que decidiu seguir por esse caminho, não iria voltar atrás.
“Agir de forma mais agressiva”
Foi o primeiro pensamento que lhe surgiu.
Será? Será que conseguiria fazer isso afinal?
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