Notas iniciais
Olá again! Logo aparecerão os demais personagens, tenham paciência =)

Vagarosamente, Kurapika se levanta. A garota então sai do quarto e ele começa a acompanhá-la. Saito também os segue. Saindo do quarto, há um pequeno corredor que dá para uma sala. Não há muita coisa no local, apenas um sofá velho, uma lareira, algumas cadeiras e uma mesa de madeira. A sala é interligada com uma pequena cozinha que possuía apenas um armário, um fogão a lenha, uma despensa e uma pia.

– Sente-se. Irei preparar outro chá pra você.

Kurapika se sentou em uma das cadeiras e passou a observar os movimentos da garota. Saito se aproximou dele e deitou em seus pés. Aparentemente, estava querendo receber mais alguns carinhos de seu novo amigo. Kurapika atendeu seu pedido.

– Acho que ele realmente gostou de você. – comentou a garota ao ver a cena.

– É. Eu costumo me dar bem com animais. Talvez seja por que fui criado na natureza.

– Entendo. Diga-me, como se chama?

A garota começou a mexer no armário da cozinha. Retirou algumas ervas, das quais Kurapika não conseguiu identificar, e colocou em um recipiente com agua. Colocou tudo no fogo.

– Kurapika. E você?

– Por enquanto apenas eu faço as perguntas. – Olhou para ele com expressão severa – O que estava fazendo na floresta?

Apesar de contrariado, Kurpaika resolveu seguir as regras de sua anfitriã.

– Estava procurando uma pessoa.

– Quem você estava procurando?

– Sinto muito senhorita, mas isso é confidencial.

A expressão da garota ficou ainda mais severa. Aparentemente sua resposta havia deixado a garota nervosa. Ele ficou esperando xingamentos ou palavras intimidadoras, mas ao contrário do que esperava, ela apenas permaneceu olhando fixamente pare seu visitante. O jovem Kuruta começou a se sentir desconfortável com aquela situação então falou:

– Se você me respondesse alguma de minhas perguntas, eu poderia responder as suas também.

A garota parecia refletir sobre sua proposta.

– Maia.

– Maia?

– Sim, meu nome. Maia.

– Entendi. Bem Maia, eu estou procurando por um especialista em Nen que vive aqui na montanha. Por acaso você conhece algum?

– Especialista em Nen? Sinto muito, está perdendo seu tempo. Não há ninguém morando nessa montanha.

– Foi o que me disseram. Mas você está aqui, não está?

Kurapika não tinha certeza se ainda estava na montanha, mas conseguiria sua resposta assim que a garota respondesse.

– Como pode dizer que ainda está na montanha?

Por essa o jovem Kuruta não esperava, parecia até que a garota havia lido seus pensamentos.

– Tem razão, não posso. Porém, tendo como base o tempo que demorei para chegar até onde eu estava na montanha, seria difícil você me carregar até a base da montanha tão rapidamente. Sendo assim deduzi que ainda estamos na montanha.

– E pelo visto também deduziu que fui eu quem o resgatou?!

– Sim, uma vez que não vi mais ninguém desde que acordei.

– Entendo. Você é do tipo observador, não?

– Se você está dizendo.

Maia retomou seu caminho em direção ao fogão. Retirou o recipiente contendo as ervas e dispensou-as na pia. Colocou o conteúdo em um copo e serviu ao garoto.

– Beba.

Kurapika pegou o copo e dessa vez, sem hesitar, bebeu seu conteúdo.

– Você gosta de dar ordens, não é?

– Se você está dizendo. — rebateu na mesma moeda

– Hm. Ok, você me pegou. Pergunte o que quiser.

– Por que está procurando um especialista em Nen?

– Meu empregador me solicitou esse serviço. Sua filha teve seus poderes roubados e nenhum usuário de Nen que foi contratado conseguiu resolver o problema. Então ouvimos um boato sobre um exorcista que vivia nessa montanha.

Kurapika decidiu falar a verdade para garota, pois, de alguma maneira, sentia que se mentisse, ela saberia.

– Compreendo seus motivos, entretanto sua viagem foi em vão. Como eu disse, não há ninguém vivendo nessa montanha, exceto eu.

Ela respondeu isso de propósito, apenas para confirmar a minha hipótese de que ainda estamos na montanha. Aparentemente estou ganhando sua confiança.

– Entendi senhorita Maia. Porém não posso retornar até percorrer toda essa montanha. Se mesmo assim não encontrar, irei embora.

– Você mal entrou na floresta e quase morreu. Acha mesmo que será capaz de sobreviver aqui?

– Então foi você mesmo que me salvou? Se for, devo-lhe minha vida!

– Sim, fui eu. Senti sua presença quando utilizou seu Nen na floresta. Hoje me dia é raro, mas ainda existem hunters que vem aqui. Alguns querem provar que são fortes o suficiente para voltar de onde nenhum hunter voltou. Outros vem atrás dos supostos tesouros escondidos na floresta. Você é o primeiro a vir com esse propósito.

– Você pode me dizer o que era aquela névoa?

– Aqueles são gases tóxicos que emergem do solo. Entretanto isso só ocorre quando há um movimento das placas de metal que ficam no subsolo, elas são abundantes nessa região. A fricção entre essas placas provoca um aquecimento no solo que, em contato com o clima gelado, forma essa névoa. Esse fenômeno ocorre ocasionalmente.

– Então eu fui o azarado da vez?

– É o que parece. De qualquer forma, não é a toa que todos os hunters que entraram aqui não sobreviveram. Essa montanha é traiçoeira.

– No entanto, você está aqui, não é?

– Eu conheço os perigos desse lugar, por isso sou capaz de sobreviver. Além do que, estou acostumada ao frio intenso, então não tenho que me preocupar com a temperatura, isso já me da uma vantagem.

– Está acostumada? Você foi criada nesse tipo de ambiente?

– Isso não importa. Você deve partir assim que se recuperar.

– Eu já disse, não posso partir. Se você conhece todos os perigos da floresta, poderia me ajudar, não é?

– Não vou te ajudar. Não foi o bastante salvar sua vida?

– Sim, e estou em debito eterno com você! Graças a você, poderei continuar com minha missão. Não posso morrer até concluí-la.

Por um momento Kurapika pensou a garota iria lhe perguntar sobre sua missão, porém ela permaneceu muda. De certa forma, sentiu-se grato por ela não ter questionado o assunto. Será que ela notou se tratar de um assunto pessoal? Ou será que ela realmente não tem interesse em saber? De qualquer forma, sentiu-se aliviado.

– Senhorita Maia, poderia me dizer por quanto tempo estive desacordado?

– Em primeiro lugar, pare de me chamar de senhorita Maia, como eu disse, meu nome é apenas Maia, chame-me assim. Em relação a sua pergunta, você esteve desacordado já fazem três dias.

– Três dias? Estive fora por muito tempo. Espere, onde você vai?

Maia começou andar em direção a uma porta, que ao que tudo indica, dá acesso a parte de fora da cabana.

– Sair.

– Mas....

Não houve tempo para que continuasse a pergunta, pois Maia já havia fechado a porta.

Que garota mal educada!

Kurpaika pode concluir que seria difícil lidar com Maia. A maneira gélida como ela olhava pra ele o fazia sentir de certa forma intimidado. Algo realmente surpreendente, uma vez que nunca havia se sentido assim na presença de alguém. Concluiu também que seria muito difícil finalizar sua tarefa. Apesar de se mostrar seguro em frete a garota, sentia-se ao contrário quanto a prosseguir com sua busca. Talvez o episódio com a névoa tenha lhe causado mais danos do que apenas os físicos, ele estava mentalmente abalado. Pôde perceber o quanto sua existência era frágil. Até mesmo a ideia de voltar ao pé da montanha o assustava. Precisaria da ajuda da garota. Resolveu que deveria aguentar suas grosserias até conseguir convencê-la a ajudá-lo.

– Aiai. – suspirou – Me diga Saito, alguma dica em como lidar com sua amiga?

Saito apenas lhe deu mais um daqueles seus olhares profundos antes de deitar novamente a cabeça.

– É. Parece que vou ter que descobrir sozinho...

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Passaram-se 2 horas desde que Maia havia saído. Nesse tempo Kurapika pegou um dos livros localizados na velha estante do quarto. Começou a pensar que talvez pudesse ter acontecido alguma coisa com ela. Logo afastou esses pensamentos, afinal ela mesma disse “conhecia todos os perigos da floresta”. Voltou a se concentrar em sua leitura. Para sua surpresa, descobriu um livro realmente interessante que falava sobre plantas. Muitos dos livros na estante tratavam o mesmo tema. Será que Maia se interessava por esse assunto? Sem perceber começou a pensar novamente na garota.

Por que será que ela está aqui? Da onde será que ela veio? Acho que fui muito rude com ela, afinal ela salvou minha vida! Talvez devesse me mostrar mais grato.

Mal notou quando a garota voltou a cabana. Ela carregava alguma coisa em suas costas. Parecia um animal, algo parecido com um cervo talvez. Ela foi diretamente para cozinha, sem nem ao menos olhar para o garoto. Ele apenas aguardou ela se pronunciar. Após alguns minutos ela voltou para sala.

– Como se sente?

Kurapika se espantou com a preocupação da garota. Provavelmente ela queria que ele melhorasse logo para que saísse de sua casa.

– Estou melhor. Tenho certeza que poderei ir embora ainda hoje.

– Isso não será possível.

O jovem Kuruta ficou sem palavras por um instante.

– Impossível? Por que diz isso?

– Há uma enorme tempestade de neve se aproximando rapidamente. Você não conseguirá chegar ao pé da montanha a tempo e será pego por ela. Se isso acontecer você morrerá.

– Então terei que ficar aqui até a tempestade passar, estou certo?

– Sim. Você pode dormir na sala enquanto espera a tempestade passar.

– Espera um minuto. Você está dizendo que essa tempestade pode durar mais de um dia?

– As tempestades de neve podem durar até mesmo semanas. Foi sorte eu ter te achado antes dela começar, caso contrário não teria como você escapar.

Kurapika ficou chocado com a informação. Semanas? Como isso poderia acontecer? Agora estava muito claro o motivo pelo qual os hunters terem sido mortos tão facilmente, esse lugar era realmente perigoso. Enquanto refletia sobre isso, algo lhe passou pela cabeça. Por que ela o havia salvado? Será que existiram outros hunters que ela salvou? Não é possível, caso contrário eles teriam comunicado sua volta da floresta com vida. Será que ele foi o único?

– Maia?

– Sim. – respondeu a garota enquanto preparava outro chá.

– Já encontrou outros hunters na floresta anteriormente?

– Sim.

– Você também os salvou?

A garota então voltou sua atenção à Kurapika.

– Não.

– Então por que me salvou?

Ela pareceu refletir um pouco sobre sua pergunta, até enfim responder.

– Você está com o amuleto da tribo Ubuh, a tribo que habita o pé da montanha. Se eles lhe deram um amuleto significa que eles acreditam que você é um espirito bom e que precisa de ajuda. Eles já me ajudaram em algumas ocasiões, por isso estou em débito com eles.

– Então me ajudou apenas por que estava em débito com a tribo?

– Sim.

Novamente o silencio tomou conta do recinto. Aquela informação deixou Kurapika desconfortável. Será que ela já havia visto vários hunters morrerem sem lhes prestar ajuda? Se sim, que tipo de pessoa seria ela? Em alguns momentos ela, mesmo de maneira fria, se mostrou empenhada em ajudá-lo, até mesmo oferecendo-lhe sua casa como abrigo. Entretanto, tudo isso foi movido apenas por gratidão aquele povo? Essa ideia fez Kurapika detestar estar na presença daquela garota.

São pessoas assim que fazem o mundo pior. Pessoas sem alma, sem compaixão, movidas apenas por interesse e satisfação pessoal. Essas pessoas deveriam estar mortas.

Assim que terminou de colocar os chás nos copos, levou um até o jovem Kuruta. Dessa vez, ele parecia decido a recusá-lo.

– Não, obrigado.

Ela apenas lhe dirigiu um olhar vazio.

– Faça como quiser.

Virando-se de costas, foi em direção ao quarto.

Agora ele tinha certeza, ela não se importava de fato com ele, apenas fez sua obrigação, salvando-lhe a vida. Após isso, não tinha porquê ajudá-lo mais. Em um curto espaço de tempo, tomou uma decisão. Superando seu medo e insegurança decidiu que era hora de partir. Levantou-se, pegou seus pertences e saiu. Notou que estava em uma parte da montanha mais afastada da mata densa. Não sabia com certeza que caminho deveria tomar, só tinha uma certeza, não ficaria mais um minuto nesta cabana.

Notas finais
È isso ai! Me digam se estão gostando da história! Tenho dedicado meu pouco tempo livre nela e espero que meu esforço não esteja sendo em vão rs. A personagem Maia é criação minha. Não encontrarão nada a respeito dela no mangá ou no anime. Se encontrarem algum erro por favor me avisem!