Ströme der Seele
23 Brincadeira de mau gosto?
Notas iniciais
05/04 — Lago Tensai — Parte Sul da Montanha Huggia
Kurapika olhou aflito para o local onde Maia havia estado pouco antes de ser engolida pelas águas congelantes. Naquele momento sentiu como se suas mãos estivessem atadas, nada poderia fazer a não ser torcer para que a garota voltasse o mais rápido possível para a superfície. Foi então que uma voz familiar despertou-o de seu pensamento
– KURAPIKA!
O jovem Kuruta não havia notado a presença dos dois garotos do outro lado do lago até a voz de Gon chegar à seus ouvidos.
Gon? Killua?
Ao longe pôde ver os dois garotos correndo em sua direção rodeando a margem do lago. Após hesitar por um instante decidiu correr em direção aos dois, afinal não havia nada mais a se fazer naquele momento. Não demorou muito até que o trio se reunisse novamente.
– Gon! Killua! – exclamou o Kuruta surpreso.
– Kurapika que bom que te encontramos! – respondeu Gon afoito.
– Não é hora de perdermos tempo papeando! Precisamos pensar em algo para tirar aqueles dois da água – disse Killua em tom de seriedade.
– Precisamos estar preparados para quando eles emergirem – respondeu o Kuruta
– Não podemos esperar eles saírem Kurapika, precisamos pensar em um jeito de tirarmos eles de lá – disse Gon nervoso
– Não podemos fazer nada, então...
– Não diga isso! Precisamos....
– Não Gon, Kurapika tem razão. Não podemos fazer nada – disse Killua
– Não fala isso Killua, assim eles vão...eles vão...
– Não se preocupe Gon, Maia vai trazer o Leório de volta – respondeu Kurapika calmamente
– Maia? – repetiu Gon para si mesmo
– Você ouviu Gon. Agora temos que nos preparar para aplicarmos os primeiros socorros assim que eles aparecerem – disse Killua
– Gon, preciso que você separe roupas secas. Killua, arrume um espaço na entrada da floresta para acender uma fogueira, depois pegue um pouco de água e aqueça, mas não esquente muito, apenas amorne – coordenou Kurapika
– Sim! – responderam ambos ao mesmo tempo
– Vou ficar aqui atento a qualquer movimentação para tirá-los da água o mais rápido possível – explicou o garoto loiro.
Enquanto os dois garotos se encarregavam de suas tarefas, Kurapika mantinha seus sentidos em alerta máximo. Seu coração batia rapidamente, mesclando sentimentos de expectativa e medo. Apesar de confiar na garota, não podia deixar de temer o pior, afinal as condições eram as mais adversas possíveis. Por mais que estivesse acostumada com o frio, ficar muito tempo submerso em uma água com temperaturas baixíssimas era absurdamente perigoso.
Droga Maia, cadê você?
Como se os pensamentos lamuriosos do jovem Kuruta tivessem sido ouvidos, suas aflições chagaram ao fim juntamente com o som de batidas no gelo. O garoto correu rapidamente até o local de onde o som estava sendo emitido, perto de uma margem não muito longe de onde ele estava. Devido a proximidade da margem, a camada de gelo no local se tornava mais densa do que em toda a extensão do lago, e portanto mais difícil de transpassar. Ao se aproximar do local, percebeu uma ligeira diferença na colocarão sob o gelo em uma determinada área e concluiu que aquele seria o local onde se encontravam. Se aproximou com cautela tateando o chão de gelo com os pés para ter certeza que o mesmo não se romperia com seu peso. Após a confirmação de que o gelo aguentaria seu peso, se ajoelhou para auxiliar a garota a quebrar a grossa camada de gelo. Não demorou muito até que um buraco começasse a se formar, revelando em seguida dois rostos familiares.
– Maia! – exclamou o garoto aliviado – O Leório está...?
– Está inconsciente. Vamos, me ajude a tirá-lo da água – pediu a garota em tom de urgência.
A garota fez um movimento para erguer o corpo inerte do jovem estudante de medicina, empurrando-o em direção ao Kuruta, que por sua vez o agarrou por ambos os braços, puxando-o para fora do lago congelado.
– Ele precisa se aquecer logo, se não morrerá – disse ela alertando o companheiro
– Sim! Mas antes me dê sua mão para que eu possa te puxar também – respondeu o garoto esticando sua mão.
– Não perca tempo, leve ele logo daqui...eu consigo sair sozinha!
O Kuruta olhou seriamente em seus olhos antes de erguer o amigo em seus braços e correr em direção a fogueira recém acessa por Killua. Apesar de estar preocupado com a garota, Kurapika sabia que não adiantaria discutir com ela, decidindo seguir as orientações da mesma, mas não partiu sem antes ter certeza, através de seus olhos, que ela ficaria bem. Já estava bem próximo do local quanto avistou Gon.
– Gon, prepare as roupas secas, precisamos tirar essas molhadas o mais rápido possível!
Kurapika depositou o corpo gelado do amigo no chão assim que chegou. Rapidamente os dois começaram a despir o companheiro enquanto Killua esquentava água.
– Ele não está reagindo Kurapika – comentou Gon preocupado
– Ele ainda tem pulso! Esfregue o peito e a região do abdome, é onde o sangue mais precisa circular! – orientou o amigo.
Naquele momento Kurapika ouviu um som que fez sua espinha tremer. Instintivamente olhou para trás em direção ao local onde Maia deveria estar. Por um segundo visualizou o corpo da garota se erguendo do buraco feito no gelo e no segundo seguinte viu o mesmo corpo sendo tragado novamente em direção ao buraco. O cérebro do jovem Kuruta demorou um pouco para registrar o que seus olhos haviam acabado de ver. Enquanto a garota se erguia para fora das águas congelates, algo se agarrou ao seu pé esquerdo, puxando-a violentamente de volta à água através da fenda recém aberta. Gon virou o cabeça para o mesmo lugar e quando virou novamente para seu amigo mais velho, este já havia se levantado para correr em direção a garota.
– Não pare Gon! – gritou Killua ao amigo – Kurapika vai resolver a situação! Precisamos ajudar o Leório! – disse Killua trazendo o amigo à realidade novamente.
Kurapika correu desesperadamente ao local onde a garota estivera a poucos segundos. Procurou em todas as direções algum sinal de movimentação. Sabia que quanto mais o tempo passava, mais perigo a garota corria. Sem contar o fato de haver alguma estranha criatura agora envolvida.
O que era aquilo? Alguma criatura mágica?
Um minuto. Dois. Três.
Podia ouvir Gon gritando distante
– KURAPIKA!
Novamente estava impotente. De que adiantou todo o esforço até agora se não podia ajudar as pessoas a sua volta? Seus olhos miravam fixamente o buraco no gelo. Tudo o que mais desejava era que a garota aparecesse e saísse da água para lhe dizer qualquer frase desdenhosa.
– KURAPIKA!
Apesar de não ter sido ele a cair no lago, sentia o corpo congelado. Uma frase martelava em seu cérebro incessantemente, e mesmo se esforçando para apagar a imagem daquelas palavras da cabeça, sua luta estava sendo em vão. Afinal não podia ser verdade. Maia apareceria em instantes e diria que aquilo tudo não havia passado de uma brincadeira. Mas ele sabia, no fundo ele sabia...Maia não era do tipo que gostava de brincadeiras....
Maia...
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