Ströme der Seele
24 Maré Vermelha
Notas iniciais
05/04 — Lago Tensai — Parte Sul da Montanha Huggia
Kurapika finalmente despertou com os gritos do amigo. Não se sabe quantas vezes Gon precisou gritar para enfim alcançar a consciência do jovem Kuruta. Quando olhou para trás avistou o garoto de vestes verdes fazendo sinais frenéticos com ambas as mãos. O garoto loiro sabia que algo não estava bem. Travando uma batalha interna entre ficar ou partir, Kurapika decidiu por fim dar um passo em direção ao desesperado amigo. Após o primeiro passo sua mente foi ficando mais clara e logo estava correndo em direção a fogueira.
Droga, onde estou com a cabeça?
Chegando mais perto pôde ver o rosto de sofrimento do companheiro, fazendo seu corpo estremecer mais uma vez.
– Kurapika, a respiração do Leório está...está... – tentou dizer o amigo com cara de choro
Kurapika não podia culpá-lo. Apesar de ter passado por diversas situações que uma criança da idade de Gon jamais imaginaria passar, ele ainda era uma crianças e como tal, mais vulnerável a determinadas situações. O Kuruta ajoelhou-se próximo ao corpo esticado do amigo no chão. Killua esfregava suas partes vitais como havia sido orientado. Pegou o o braço do jovem estudante para verificar o pulso. Não conseguiu senti-lo.
– Droga! Precisamos fazer uma reanimação! – disse ele urgentemente.
Colocou rapidamente a palma de ambas as mãos no peito do rapaz e começou a pressioná-la repetidas vezes. Killua se afastou para dar mais espaço para realização da manobra. Gon observava aflito. Kurapika intercalava entre a massagem cardíaca e a respiração. Continuou a realizá-la mesmo depois de perceber que o amigo não demonstrava nenhuma reação. Seu coração gelou.
Por favor, eu não quero mais perder ninguém....Por favor.
Seus olhos se fecharam fortemente enquanto repetia a prece em sua cabeça. Foi então que sua mente clareou...
– Killua!? – chamou ofegante – Você consegue controlar precisamente a voltagem de seus choques? – perguntou sem parar a reanimação.
– Claro! – respondeu Killua parecendo entender o que o amigo queria propor.
– Então ajuste para 200 Joules e de uma descarga com as duas mãos nessa posição, ok? – disse ele mostrando a posição correta com as mãos – Gon, está vendo aquelas plantas ali? Esprema o caule delas e espalhe o gel que sair nas mãos do Killua – orientou o outro amigo. — Killua, assuma meu lugar no mesmo momento que eu sair, não podemos parar de fazer a reanimação nem por um instante – alertou ele já se preparando para sair e dar o lugar ao amigo.
A manobra foi rápida, sem espaço para hesitação. Killua se ajoelhou sobre Leório e no mesmo instante Gon espalhou a gosma esbraquiçada que retirou das plantas nas mãos do amigo. Logo em seguida veio a primeira descarga elétrica. Leório não mostrou nenhuma reação.
– De novo Killua, agora aumente para 220J. – disse o jovem Kuruta.
O garoto repetiu o movimento, reproduzindo a função de um desfribilador. A cada nova tentativa Kurapika orientava Killua a aumentar a potencia, chegando assim a 300J. Foram necessários 5 choque até que Gon pudesse notar que seu amigo voltara a respirar.
– Gon ajude-me a enrolar ele no cobertor e levá-lo para mais perto da fogueira – pediu Kurapika checando mais uma vez os sinais vitais de Leório
Só quando Gon não se mexeu foi que Kurapika percebeu que havia algo errado.
– Gon, o que é que...
Kurapika não conseguiu, ou melhor, nem precisou terminar a pergunta, pois assim que se levantou e virou em direção ao garoto, pôde entender o motivo pelo qual Gon não havia saído do lugar. A camada de gelo que cobria o lago estava tingida de vermelho. Killua que havia se encarregado de levar Leório para mais perto das chamas, agora observava o fenômeno juntamente com os outros dois.
– Isso é sangue. Imagino que tipo de criatura precisou morrer para produzir tamanha quantidade – ponderou Killua.
Maia... pensou o Kuruta lembrando-se que a garota ainda estava submersa
Quando ouviram a tosse de Leório foi que se recordaram em que situação estavam. Gon se apressou em pegar a água que Killua havia amornado para dar ao amigo enfraquecido.
– Gon, dê em pequenas doses para que ele não corra o risco de engasgar ou de ter um choque térmico. Molhe um pouco algum tecido com a água também e coloque nas extremidades que devem estar mais congeladas. – disse o Kuruta aliviado ao ver o amigo voltar a vida.
Quando tudo parecia estar normalizando, um forte estrondo chamou mais uma vez a atenção dos garotos. Juntamente com o barulho houve também um pequeno tremor, desequilibrando quem se encontrava em pé. O que houve em seguida foi tão rápido e repentino que nenhum dos três conseguiu entender perfeitamente. Do centro do lago abriu-se um buraco por onde passou a jorrar uma grande quantidade de água, como se fosse um gêiser. Devido a cortina de água formada pela explosão não foi possível identificar o que estava acontecendo, até que notaram um corpo despencando das alturas. O vulto chocou-se com tudo de costa no gelo. Do jeito que caiu, permaneceu. Killua, que estava mais próximo a margem foi o primeiro a correr em direção ao corpo.
– Kurapika, deixe que Killua vá, preciso da sua ajuda – pediu Gon ao amigo quando o mesmo fez menção de se levantar e seguir Killua.
Killua chegou ao local onde Maia havia aterrissado. Pela violência do impacto o garoto deduziu que ela estaria inconsciente e que provavelmente teria alguns ossos quebrados. Surpreendeu-se ao se deparar com a garota de olhos abertos. Maia percebeu a aproximação do garoto, entretanto não se moveu. Killua se aproximou e ajoelhou ao seu lado.
– Suba nas minhas costas, vou te levar até onde estão os outros. – disse ele virando de costas para garota poder montar.
Maia mexeu o corpo para o lado com a intenção de apoiar os braços e conseguir força para se levantar. Apesar de tentar manter uma fachada neutra, não conseguiu evitar a expressão de dor ao se movimentar.
– Espera, deixa eu te ajudar – disse o garoto oferecendo sua mão.
A garota entretanto recusou, afastando a mão do garoto para longe. Killua ficou irritado com a atitude da garota, mas deixou que ela fizesse como bem entendesse. Maia se apoiou sobre seus braços e vagarosamente se ergueu. Após permanecer parada, aparentemente tentando recuperar o fôlego e a energia, deu um pequeno passo. Logo ambos caminhavam lado a lado em direção a fonte de calor na entrada da floresta. De longe avistou Kurapika e um garoto mais novo de cabelos castanhos socorrendo o homem mais velho que ela retirara do lago. Este parecia estar se recuperando bem já que seu rosto estava voltando a coloração natural. Killua olhava à garota de lado. Ele sabia que ela estava gravemente ferida e mesmo assim teimava em se fazer de forte.
Se parece muito com um outro alguém que conheço...pensou ele suspirando
Assim que chegaram no local onde Kurapika e Gon estavam, o garoto de cabelos loiros se levantou e se aproximou de ambos.
– Você está bem? – perguntou à garota.
– Não seja idiota, é claro que estou bem – respondeu ela desviando o rosto.
Killua olhou de um para o outro e logo decidiu se retirar, indo até onde Gon estava cuidando de Leório.
– As roupas que você tirou estão ali no canto, seria melhor você se trocar rápido, se não poderá pegar uma hipotermia – alertou ele
Sem dizer uma palavra a garota andou até o local indicado pelo Kuruta. Gon observou a garota se aproximar a fez menção de dizer algo, mas se calou quando viu ela lhe dando as costas e adentrando mais fundo na floresta.
– E eu que achava o Kurapika difícil de lidar, mas essa ai superou ele de longe – disse Killua assoviando.
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