Stormsea - Livro 1 [INTERATIVA, Finalizada]
51 Bryanna na Fortaleza Mormont
Notas iniciais
Bryanna na Fortaleza Mormont
Segurou-o pelas peles de seu manto, pois não queria deixá-lo partir. A frota desceria definitivamente para a batalha na Muralha, Nayra jurou que cumpriria a profecia com ou sem Greyjoy para distrair os Stark. Após duas semanas observando a guarnição e os castelos abandonados da Patrulha da Noite, o plano fora montado por todos os grandes líderes de tribos selvagens e os Lordes das Três Grandes Casas de Skagos. Mesmo se não conseguissem manter a vitória sobre a Muralha, iriam destruir os mil homens da Patrulha e colocariam seus nomes da história, para que as profecias se cumprissem. Mesmo que isso sinignificasse derrota em seguida. Lady Nayra era uma líder forte, mas ela também era uma mulher insensível. Syrena queria esganá-la.
— Eu vou voltar – Georj sorriu, mas parecia inseguro até mesmo para isso. – Seja forte, minha senhora.
— Voltar? Tudo o que eu ouço aqui é sobre profecias e sobre como elas sempre se realizam. – Syrena deixou as lágrimas escorrerem – Você está indo embora e tudo o que eu tenho é uma profetiza que diz que nosso casamento será curto.
Ele não tinha resposta para aquilo, pois também acreditava nas profecias. Beijou-a para afastar aqueles pensamentos de sua mente, sempre funcionava. Syrena tinha lábios finos, mas que se encaixavam bem aos seus. Ela era toda pequena e ele adorava abraçá-la e segurá-la. Amava a sua esposa e não queria deixá-la viúva tão cedo. Mas se este era o seu destino, teriam de cumprir conforme os deuses quisessem. As árvores-coração balançavam com o vento vindo do norte, do verdadeiro norte, e a Lua orava para que a viagem fosse tranquila e que a batalha fosse sangrenta para o lado inimigo.
— Cuide de minha mãe – segurou-a mais uma vez antes de finalmente embarcar no navio que conduziria até a Baía das Focas. Seu pai também estava comandando cinco navios próprios. As mulheres, um grupo inflexível de rostos nortenhos e corações endurecidos, não erguiam as mãos para acenar aos seus esposos e não temiam pela morte de seus filhos. Elas olhavam-nos partir, deslizando sobre os navios e sorriam consigo mesmas. Um dos sorrisos mais tristes já vistos por Syrena.
Ela não conseguiu ser forte como uma mulher nortenha, nem insensível como um homem de ferro. Era fraca demais para isso. Sua nova mãe a envolveu e consolou seu pranto, ambas com as peles geladas e os olhos fixos no horizonte. Lady Owl-Wood era uma mulher respeitada em Skagos, principalmente por ser uma das damas de criação de Lady Nayra. Mas mesmo ela não teria seu filho poupado da guerra. Para as demais, era um conforto saber que estavam juntas, mas um terrível medo, pois se todos fracassassem como era provável, então todos os Stane estariam mortos e o próximo herdeiro das Ilhas de Pedra seria Georj.
Lentamente, conforme a noite ia caindo na praia, elas deixaram que as suas famílias se fossem e retornaram para seus castelos escavados nas montanhas. Syrena sentou-se nas pedras e continuou vigiando, mesmo quando era a única ali, sentia que se saísse dali, estaria traindo Georj e seu pai. Alezabeth estava morta, não havia notícias de Ornstein, Drustan se declarava herdeiro das Ilhas de Ferro e Lorde Greyjoy parecia morrer pouco a pouco, seu corpo se imobilizando. Os meistres diziam que logo a sua mente também estaria parada e então ele viveria mais alguns dias, antes de morrer de fome.
Syrena Greyjoy aceitara ser parte do povo selvagem de Skagos, trocando seu nome para Greyjoy-Owl. Ela aceitara ter uma nova família, conforme era exigido das mulheres casadas. Sua Casa era os Owl e não mais os Greyjoy. Mas, se perdesse Georj, o que ela teria? Viúva e sem filhos, voltaria a ser uma Greyjoy em terras distantes, sobrinha de um lorde doente, seus primos desaparecidos ou mortos, toda a família escorregando por entre seus dedos.
— Levante-se, mãe – assustou-se com a voz que riscava a noite como um raio lunar. A Lua brilhava ao seu lado, seus pés descansos afundavam nas pedras geladas e úmidas, mas ela não tremia de frio. – Seus filhos a esperam.
— Como?
— Syrena – a garota se ajoelhou e segurou-lhe a mão, esfregando o dedo pelas linhas na palma. – “filha do mar e da lua”. Mãe do Rei do Norte. Seu destino foi previsto antes do seu nascimento e nada o fará escapar de você. Nem mesmo a sua morte.
— E como isso é possível? – murmurou segurando novamente as lágrimas. – Ele se foi, irá morrer como todos, estarei sozinha.
— Isso é verdade. O destino de Georj Owl-Wood também foi escrito antes de nascer, mas isso não o impediu de cumpri-lo, mesmo que signifique morrer.
Syrena estreitou os olhos, mas não conseguia entender o que a sacerdotisa dizia.
— Levante-se, mãe. Precisamos voltar para onde é quente.
Ela não queria, mas permitiu que a levantasse e conduzisse por entre as trilhas nas montanhas até a caverna dos Stane. A maioria das mulheres dormia no pátio, envoltas em peles ou rezando por seus filhos. Assim que ela e a Lua se aproximaram, o silêncio preencheu os céus e a terra e Syrena notou que não olhavam diretamente para a sua garota profetiza e sim para ela. A destinada mãe do futuro herói de Skagos, maior que Lady Nayra ou qualquer outro. Um Rei para o Norte livre.
— Embora não saibamos como, os deuses sempre fazem tudo perfeitamente. É difícil entender o que eles planejam, até que aconteça – a Lua beijou-lhe a testa e então sorriu – Para que você estivesse aqui hoje, uma guerra foi iniciada. Apenas para que você e Georj concebessem um filho, milhares morrerão nos próximos dias. Mas nada disso foi em vão. Nada será em vão. Seja grata, Syrena, mesmo que odeie o seu destino. Não o torne ainda mais difícil.
— E quando eu der a luz ao menino, o que será do meu destino?
A menina sorriu novamente e deu de ombros.
— Então vivemos.
( º º º )
Bryanna deixou a cabine assim que ouviu os gritos de terra à vista. O capitão dissera que levariam um dia para alcançar a Baía de Gelo e que era possível encontrarem a frota de ferro no trajeto. Mas apenas uma noite se passou e assim que sua cama parou de balançar, Bryanna percebeu que aqueles mares estavam mais calmos do que deveriam, como se fosse inverno. Ouvira dizer que o Mar de Gelo tinha esse nome porque suas águas ficavam praticamente congeladas no inverno, calmas e mortas. O que mais a impressionou não foi isso, no entanto, mas sim a cor das ondas. Era de um azul intenso e puro, como o céu. Todos os mares que havia visto eram esverdeados, mas aquele era verdadeiramente azul. Tinha a sensação de que, se caísse ali, morreria congelada em segundos.
A Baía dos Ursos era um lugar pequeno que dava início a única cidade da Ilha. Os outros navios de Roddrick traziam carpinteiros e construtores para construir o novo porto, assim como mestres para comandar a construção dos navios da frota do Norte e um meistre escriba para oficializar o novo título de Lorde Mormont como protetor dos mares do Norte. A garota Stark tocou seu manto novo, costurado por Clarysse. Dentro do forro da gola, escondido sob as peles de lobo, estava um pequeno bordado no formato de um urso. Bryanna ainda se lembrava das palavras da irmã no dia em que partiu para a Ilha dos Ursos:
— Se ele for fraco, seja a sua força. Se ele for forte, seja o seu conforto. Não importa o que ele seja, sempre precisará de um complemento. – Clary tocou seus ombros e então sorriu torto, como se a consolasse. Bryanna nunca imaginou a própria irmã fazendo algo assim. Tinham a mesma mãe, mas eram muito diferentes. Enquanto Lilyne sorria melancólica, era Clarysse quem lhe dizia que podia fazer aquilo. Bryanna pensou no que havia ouvido a sua vida inteira: o matrimônio faz de garotas, mulheres. – Se precisar da sua irmã, estarei aqui.
Bryanna mordeu os lábios do mesmo modo que apertava as mãos. Estava nervosa em conhecer o seu prometido, tanto quanto Rod estava nervoso em oferecer paz e guerra ao seu inimigo, ao mesmo tempo. Com a morte da filha de Lorde Greyjoy, o acordo de paz poderia ser tanto aceito quanto recusado, mesmo com as terras concedidas aos homens de ferro. Os dois Stark cavalgaram junto da guarda que os escoltou até a fortaleza dos ursos. Bryanna admirou o edifício todo construído de madeira da ilha, era tão antigo quanto os seus próprios ancestrais e parecia exalar resistência.
Os sinais da batalha não eram visíveis, mas ela notou que covas foram cavadas perto do porto, mais do que seria possível para a população da Ilha. As linhas de cicatrizes em sua mão doeram e ela parou de apertar os dedos nas palmas das mãos. Aquela noite assustadora não saíra de seus pensamentos. Não havia sonhado com ela, mas carregava os sinais da adaga que havia segurado. Os ferimentos, no entanto, não pareciam cortes, mas sim queimaduras. A pele estava enrugada e flácida em certos pontos, brancas como se fosse morta. Não mostrara aquilo a ninguém, não contara sobre o fantasma a ninguém. Nem mesmo Lilyne. Isso era algo apenas seu, tinha medo de que, se falasse sobre o assassino, ele pudesse retornar.
Os cavalos conheciam o terreno e chegaram rapidamente até os estábulos, onde um cavalariço a ajudou a descer. Roddrick passou a passos largos em direção à fortaleza, onde seu lorde aguardava seriamente. Eles trocaram algumas palavras e então o irmão entrou sem se despedir. Lorde Mormont olhou-a e sorriu.
— Bem vinda à Ilha dos Ursos, milady.
— Obrigada – Bryanna retribuiu a mesura.
— Meu filho lhe mostrará a fortaleza.
Sem mais pausas, o lorde seguiu Rod para dentro do edifício, deixando-a sozinha no pátio, onde seu prometido deveria vir buscá-la para uma caminhada “romântica”. A menina Stark olhou ao redor, desde o estábulo até a cozinha. Aquele lugar lamacento e com cheiro de floresta seria sua nova casa pelas próximas décadas. Viveria mais tempo ali do que vivera em Winterfell. Provavelmente também morreria ali. Teria seus filhos ali, veria-os crescer, andar e cavalgar. Tudo dentro daquele pátio. Encontrou conforto no que via. As muralhas de madeira, os portões cavados no solo, as grossas estacas de madeira enfileiradas, pedra e barro. Por algum motivo, o entalhe das janelas e os pórticos de madeira eram mais bonitos que os de pedra que tinha em Winterfell, o vento parecia estar sempre carregado do cheiro de chuva e de floresta que ela adorava. Os cavalariços tinham rostos comuns, as cozinheiras davam pedaços de pão duro para os órfãos que trabalhavam como mensageiros, pajens, cuidadores de cães e ovelhas. Um meistre com pelo menos cem anos atravessava o pátio da mesma forma que ela: lenta e encantadamente. Ele olhava para os lados, seus olhos brilhavam de entusiasmo, ao mesmo tempo que os pés vacilavam sobre seu cajado improvisado.
— Milorde – Bryanna ignorou as correntes da Cidadela em seu pescoço e chamou-o pelo título de maior respeito que ele poderia merecer. Enroscou seu braço ao fraco ombro do meistre e ajudou-o a dar os próximos passos. – O senhor é novo por aqui?
— Novo? – o meistre estreitou os olhos – Ah, sim. Vim agora mesmo. – então sorriu como uma alma caridosa e Bryanna não suportou deixá-lo carregar os próprios pertences. Tomou o saco de suas costas e ignorou a cara de espanto do homem.
— Está procurando algum lugar específico?
— Eu queria o meu... lugar – ele murmurou algumas palavras baixo demais para Bryanna ouvir. – O garoto dos corvos devia ter me levado para meu quarto, antes de levar os baús. Agora vou por mim mesmo. A senhora não precisa ter piedade de um velho teimoso como eu.
Ela riu e ajudou-o a se sentar em um dos montes de pedras e terra. A fortaleza Mormont parecia ser feita apenas disso. E madeira, muita madeira.
— Uma jovem tão gentil, milady – o meistre tomou-a pela mão – Posso saber seu nome?
— Bryanna Stark – ela disse como normalmente responderia a alguém, mas somente depois é que percebeu o peso que seu nome teria fora de Winterfell. Os olhos do velho se abriram de tal forma que ele engasgou com a própria saliva e se levantou na mesma hora.
— Lady Stark, perdoe os meus modos – sua reverência foi torta e dolorosa. – Sou um velho cego, claro que eu iria reconhecer a sua beleza em qualquer lugar se tivesse olhos bons.
— Eu não sou a mais bonita das minhas irmãs, mas obrigada – ela sorriu e tentou fazê-lo se sentar novamente.
— Por favor, deixe-me aqui! – ele deu um passo para trás. – Willam! Seu moleque irresponsável! Não esqueça um velho para trás!
O jovem que recebia os gritos do meistre tinha no máximo doze anos e corria com as bochechas vermelhas. Bryanna achou a cena engraçada e aquela memória tirou um pouco do medo que sentia quanto a viver naquela ilha. Pensou que a culpa novamente era do cheiro de floresta, acalmando-a e deixando-a mais leve. Não percebeu a aproximação de seu pretendente, até que ele estivesse já a suas costas.
— Lady Bryanna.
— Ah!, oi. – ela olhou por cima do ombro ainda sorrindo – Eu só estava ajudando o...
— É um prazer conhecê-la. – Tomah se curvou, mas Bryanna apenas olhou confusa para ele. Estava vestindo roupas comuns como as de qualquer um naquela fortaleza e seu rosto era também comum. Então ela notou o detalhe do broche de urso em seus ombros e enrubesceu, a ansiedade de repente retornando como um soco.
— Lorde Tomah – também se curvou, um tanto atrasada.
Tomah viu o meistre e seu ajudante se afastarem, o velho praguejando e o garoto andando apressadamente com o resto das coisas. O novo meistre viria para substituir o anterior, já que este havia recebido ferimentos graves demais e estava indo se recuperar no grande hospital da Cidadela. Quando voltou a olhar para Bryanna, ela estava mais séria do que antes. Ele imaginou que havia vislumbrado um sorriso em seu rosto, mas talvez a graça tivesse se perdido quando ele chegou.
— Meu pai pediu para que lhe mostrasse a fortaleza, se não for um incômodo.
Bryanna assentiu e tomou-o pelo braço. Eles caminharam primeiro em direção aos estábulos, onde ela já havia conhecido a maioria das coisas normais de um estábulo. Tomah não estivera nervoso pela manhã, também não estivera nervoso quando a encontrou. Mas a cada passo que davam na frente dos criados da fortaleza, sentia que estava pisando nas próprias entranhas espalhadas pelo chão.
A garota não o incomodava, era uma dama normal. Mas tinha a estranha sensação de estar sendo vigiado pelas pessoas que o viram crescer, e elas riam por baixo da mão. Enquanto passavam por entre a oficina e o armazém, uma ideia passou por sua mente, algo que com certeza lhes daria um assunto para conversar e o deixaria mais a vontade.
— Prometi a meu primo que iria vê-lo hoje. Quer vir junto?
Bryanna assentiu, pois não tinha condição de recusar. Talvez fizesse parte do passeio, mostrá-la ao primo. Sabia que os Mormont não se casavam com Casas muito grandes, eles presavam aqueles que moravam mais próximos da Ilha dos Ursos, de onde também raramente saíam. Uma Stark deveria ser a primeira Casa Grande com quem um Mormont se envolvia e, para todos os efeitos, aquilo não parecia ser uma honra. As pessoas da fortaleza a encaravam a cada passo, perscrutando os seus modos e ouvindo suas palavras, tentando avaliá-la. Bryanna conhecia esses modos, eram os mesmos com que Clarysse tratava as convidadas de Winterfell, quando ambas eram mais jovens. Mas Clary fazia isso por ciúme, a Ilha dos Ursos fazia por insegurança, medo, talvez por incômodo.
Ela sabia que se casaria com um lorde inferior ao seu pai, afinal ela era da Casa Stark, a maior casa do Norte. Mas nunca imaginou uma fortaleza menor que Winterfell ou menos bandeiras pelas muralhas. Aonde ela esperava ver pedra, havia madeira. Aonde ela imaginava ouvir risadas, ouvia o som de panelas e conversas em voz baixa. Se perguntassem a qualquer um onde estavam as pessoas mais frias do mundo, diriam que era em Winterfell. Mas agora Bryanna discordava. Mesmo Winterfell seria barulhenta demais para a Fortaleza Mormont.
Aquela sensação de pertencimento esvaneceu-se lentamente.
— Espero que não esteja desapontada conosco, Lady Bryanna. – Tomah a guiou para dentro da fortaleza. Era um lugar enorme, mesmo que não parecesse por fora. Os salões eram tão belos com sua simplicidade de mobília e decoração que o sentimento de conforto retornou. Havia uma lareira acesa. – Somos uma Casa pequena, mas de homens leais.
— Soubemos tudo sobre a batalha contra os Greyjoy – ela assentiu – Ninguém esperava que fossem revidar.
— Podemos parecer fracos, — o rapaz a encarou – mas eles invadiram a nossa casa. Essa Ilha nos pertence e ninguém a ameaça e sai ileso.
— Eu não quis dizer isso...
— Eu sei – Tomah sorriu – Não gosto que me lembrem sobre isso.
— Não é ruim que esteja prometido a filha do Senhor do Norte? – Bryanna cutucou-o com os olhos e fingiu não ter percebido.
Tomah não a respondeu. Não saberia dizer se ela estava sendo arrogante ou apenas sarcástica. Antes que precisassem começar outro diálogo, alcançou o quarto de Brandon. Seu primo era o deus do carisma, todos os problemas estariam resolvidos quando apresentassem os dois e então poderia ficar em um canto, ouvindo e aprendendo quem realmente era a sua noiva. Bran estava com sua perna ferida ainda envolta nos panos ensanguentados, o final dela, pelo joelho, fora escondido nos lençóis, onde travesseiros formavam uma cama protetora e fingiam um volume inexistente da continuação da perna. Ele ergueu o rosto e sorriu para o primo. Era possível ver nos olhos do primo que ele sabia em que situação estava. E adoraria rir dela.
— Você demorou. – ele se sentou na cama e puxou os lençóis sem medo – Disseram que só me deixariam sair daqui se você estivesse junto.
Enquanto se levantava, apoiando-a na mobília, a perna mutilada de Brandon ficou suspensa no ar e sua roupa de baixo quase não cobriu-lhe as vergonhas. Tomah se colocou a frente de ambos, envergonhado com o que seu primo estava fazendo com Lady Stark. A menina nunca deveria ter visto um homem nu ou ferido daquele jeito. Submetê-la àquilo era uma ótima forma de desejar boas-vindas à Ilha dos Ursos.
— Ele lutou na batalha? – Bryanna perguntou.
— Sim. – Tomah tentou dar de ombros, mas só se encolheu.
Ela o empurrou e se aproximou do morimbundo. A garganta de Tomah se fechou, mas o primo não demonstrou surpresa enquanto a garota Stark o ajudava a chegar até uma cadeira e a sentar-se de frente para a escrivaninha. Imediatamente Brandon pegou papel e tinta.
— Preciso escrever para minha mãe, você não sabia disso, Tom? Ah, você não tem mãe – Brandon dirigiu o olhar carismático a garota e então se colocou a escrever.
— Tem certeza que está à vontade com ele? – Tomah perguntou a Bryanna, porém ela assentiu sem rodeios.
— Eu já cuidei de pessoas machucadas.
— Mas Brandon é...
— Ah, ela quer cuidar de mim, Tomy. Apenas aceite.
Brandon sorriu de lado e voltou a escrever sua carta.
Algo dizia a Tomah que aquilo não sairia bem.
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