Stop Calling Me Out

2 Capítulo 2: 'What Was I Made For?'


Para Vince, estar vivo não fazia o mínimo sentido. Nem um por cento. Seu propósito de vida era apenas ser ser tratado como um Zé Ninguém? Ser espancado, humilhado? À custo de que?
Ninguém nunca iria lhe acodir? Digo, ninguém precisava realmente sentir pena de si, mas queria alguma ajuda; qualquer tipo de ajuda. Como as pessoas simplesmente não faziam nada a respeito? Tentar rebater apenas piorava as coisas. Aceitar sua realidade foi o que lhe restou. Isso não quer dizer que ele entendia o porquê disso tudo, afinal, nunca deu motivo para que merecesse tal tratamento.
Se perguntava como é ser amado, acolhido, abraçado. Não fazia ideia de como era receber um gesto de carinho genuíno e verdadeiro.
Imaginar era o que lhe restava fazer.

Os livros empilhados no interior do seu armário retratam assuntos como: amor, romance e paixão; mas, mesmo lendo diversas descrições sobre o que seriam tais coisas, sequer chegou perto de sentir as mesmas. Tudo não passa de uma sensação infinita de sufocamento.

Vince encarava as capas duras dos livros antes de pegá-los e os aconchegar em seus braços. Fechou a porta do armário e o trancou. Hades Middlam, o super popular capitão oficial do time de futebol, passava pelo corredor, cumprimentando os demais presentes no local. Diferente dos demais rapazes, o jogador moreno, portador de olhos cor de mel e um cabelo liso, cujo a franja caia sobre uma parte da sua testa, não seguia dos princípios dos demais integrantes do time. Ele é um cara genuinamente bom. Boa gente e com um futuro promissor com o futebol. Tinha a ficha escolar impecável. Boas notas, ótimo desempenho nos esportes. Todos o amam.

Afton soltou suspiro discreto, começando a caminhar pelo corredor com o olhar baixo e as costas inclinadas. Parecia a mais lerda das lesmas de tão devagar e inseguros que seus passos eram.

"Vince Afton dá a bunda"

A enorme pichação na parede era visível à metros de distância. O loiro encarou aquilo, tendo um semblante cansado no rosto enquanto analisava a frase. Abraçou os livros com mais força a medida que avançava pelo corredor, até que, devido a um desatentamento de ambas as partes, sentiu seu corpo se chocar ao de Hades. Tudo que Vince segurava nos braços caiu no chão. Era como nos livros que ele lia, mas aquilo era a vida real, é totalmente diferente; é uma cena extremamente constrangedora.

— Desculpa!

Vince rapidamente disse, fechando os olhos com força, escondendo o rosto com as mãos, esperando algum tipo de agressão. Hades o olhou confuso. Piscou

— Está tudo certo. Eu que te peço desculpas pela minha lerdeza. — O maior retrucou.

Vince franziu levemente o cenho, abaixando um pouco as mãos até a altura da bochecha, abrindo os olhos, encarando o jogador, extremamente confuso.
Sem gritos? Xingamentos? Socos? Tapas? Aquilo é tão incomum.

Hades se agachou e pegou os livros do chão.

— Você também é fã de romance? Eu me amarro também. — Abriu um pequeno e discreto sorriso, analisando as capas.

Vince não respondeu.

O jogador aproveitou o momento para encarar o Afton.
Nada tinha ele de nojento, ou repugnante como todos diziam. Bonito ele era.
Talvez magro demais; deveria beirar os 48 quilos quando encharcado. Seu olhar, agora, apesar de cabisbaixo, tinha um ar assustado e confuso. As olheiras como as de alguém que acabara de acordar. Por que toda a implicância com o rapaz de fios loiros?? Simplesmente por ser gay? Hades não entendia aquilo, tinham outros gays na escola, alguns sofriam com zoações, outros não. Parecia que usavam a sexualidade de Vince como uma desculpa (extremamente esfarrapada) para pegá-lo pra Cristo.

— Enfim — Pigarreou -, desculpe pelo esbarrão.

Hades esticou os braços, entregando os livros à Vince, que voltou a os aconchegar nos braços.

— Tudo bem.

O sinal tocou.

Depoimento de Any John para o 'Good Morning America: Edição Especial (10 Anos do fim de Boca Raton)' exibido em 14 de Novembro de 2033:

"A reunião de dez anos aconteceu recentemente. Eu fui. Mais sete pessoas foram. Os únicos que restaram. Foi tão estranho, porque a escola toda estava lá. Somos o que restou.

Estou lúcida e me lembro daquela época como se fossem ontem. Ora, era meu último ano de escola, claro que eu me lembro; qualquer um lembraria de tal época. A excitação de estar se formando, a tristeza de amigos por saber que não iriam mais se ver todos os dias. Eu estava radiante em saber que não teria mais que aguentar Erick, aquele insuportável professor de espanhol barato; aposto que nunca falará uma mísera palavra em espanhol fora daquele colégio.

Ian, o amável professor de história; que saudades dos seus conselhos. Helen, a indeferente professora de Inglês, Philip, o estressado professor de matemática; as veias ficavam saltadas em sua testa e nuca quando se enfurecia. Haviam diversos outros professores, mas esses são os que me vêm na mente agora. Nenhum deles escapou.

Oh, como pode deixar de menciona-lá?! Karen! Professora de Educação Física e Ciência Química. Todos amavam ela; eu inclusa. Não sei como e porque ela não gostava de Vince. Muitos afirmam que era por ele ser gay, mas não vejo sentido algum nisso. Tiana Jones era lésbica, Karen era sua professora favorita e ambas se davam super bem. Sou suspeita para falar, me aproximei de Charlie poucos meses antes do baile apenas, apesar de conhecê-lo à milênios.

Por um sorteio, fomos colocados no mesmo grupo em um projeto de química. Dedicado ele era. Inteligente, ao contrário do que muitos pensavam."

— Any John, Hades Middlam, Mariah Sherwood e Vincent Afton.

Karen aproximou-se da mesa do grupo, chamando a atenção dos estudantes. Uma maquete de um vulcão estava sobre a mesa. Estava conectada em um fio que acabava em um botão vermelho; uma bateria plugada na parte interior do objeto dava-lhe energia.

— Bom dia, professora.

Mariah cumprimentou, animada.

— Está radiante. — A professora sorriu. — É um bom sinal.

Vince manteve-se cabisbaixo, encarando seus sapatos. Bastou Karen se aproximar e seus batimentos aumentaram.

— A maquete está esplêndida. Impecável. Poderiam me explicar como foi feita? — Levantou a prancheta, erguendo a caneta sobre o papel, preparada para começar as anotações referentes ao trabalho do grupo de alunos.

Majoritariamenre feita de argila, continha, entre o seu meio, um copo de plástico que mantinha tudo de pé; mesmo não estando à mostra, obviamente. Um amontoado de terra misturada com argila fazia o vulcão tomar forma. Pintado delicadamente de marrom escuro, lá estava ele. Uma maquete perfeita.

Vince a montou, Any coloriu, Hades plugou os fios e os configurou, e Mariah preparou a tinta que simularia o magma.

Any, junto com Hades, começou a explicar como fizeram suas partes; Mariah os acompanhou logo em seguida.

— Entendi. — Disse a professora. — E Vince? Ficou apenas olhando? Não disse um "a" sequer até agora.

— Ele montou tudo. — Hades respondeu.
A professora levantou o olhar, sem erguer a cabeça.

Pigarreou.

— Perdão?

— O Vince que começou tudo do zero. — Any disse, simplesmente. — Não foi, Vince?

Vince olhou para a maquete, em seguida para Any, e depois, para a professora.

Abaixou o olhar novamente.

— Foi. — Murmurou.

— Não lhe ouço. Fale alto, Vinny. — Ordenou Karen.

— Meu nome não é esse. — O loiro respondeu, ainda em tom baixo.

— Estou impressionada com tal informação... Essa miniatura está perfeita. Explique-me como foi feita.

Vince paralisou.

Sua mente trabalhava de forma tão desesperada, que é como se estivesse prestes a pegar fogo. Pensava em como explicar a sua parte; não sabia como o fazer. A sensação avassaladora de estar sendo observado pelos cristais verdes de Miss Colby lhe causa arrepios. Tão intimidadora, mas só consigo. Parecia sentir ódio de Vince. Um ódio sem motivo aparente; só ódio.

— Vamos!

— Eu... Eu...

— Você...?

Seus colegas de grupo encaravam a cena, intercalando os olhares entre a professora e Vince. O botão que ativava o vulcão estava sobre a mesa; ninguém o tocara.

— Anda, Vinny! Acorde! — Exclamou a professora, sem paciência. — Ou você não fez nada e eles estão te acobertando?!

— A senhora acha mesmo que eu faria isso? — Mariah se pronunciou. — Ora, quem não faz nada no meu grupo é expulso.

— >Vince< fez sua parte sim. — Falou Any.

— Não ouço ele dizer isto. Fez ou não fez, Vinny?!

De repente, a lava fictícia começou a ferver, uma pequena fumaça começara a sair da mesma.

— Meu nome é Vince!! — O loiro exclamou em um tom alto, quase que gritando.
O líquido disparou da maquete, respingou em grande quantidade no pulso esquerdo de Karen. Deixou a prancheta e caneta caírem, soltando um grito moderado de dor, afinal, o fluido estava fervente.
Os alunos se assustaram.
Vince saiu.

Correu pelos corredores, as lágrimas rolando pelo rosto. Aquela professora, aqueles alunos; aquela escola é um inferno! Talvez fosse seu castigo por ser gay.

Ainda com a visão turva, devido às lágrimas insistentes, caminhou até seu armário, o abriu, pegou sua mochila, pôs ela nas costas e fechou o armário. Foi embora. Que se danem as aulas restantes daquele maldito dia.

Atravessou o corredor principal de 'Viv High school', passou pela porta de saída, desceu as escadas, e já estava do lado de fora. Suspirou ao sentir a brisa bater contra o seu rosto; aquele maldito rosto espinhento feito um bom-bom choquito.

Começou a caminhar pela calçada, subindo a pequena coluna que a rua formava. Sua vida podia ser para sempre como aquele momento. Calmo, silencioso, sem ninguém para lhe humilhar, bater... Só ele a sós.

Agora já descia a Edgard Street. Atravessou o semáforo vermelho, passando pelo cruzamento da rodovia. Sentiu o sapato afundar na areia rasa da praça ali presente, começando a caminhar por esta. Algumas crianças brincavam em escorregadores, outras se balançavam nas gangorras e balanços.
Manteve o olhar baixo. A deixa perfeita para que Stephannie, a garotinha de sete anos, se aproximasse de Vince com sua bicicleta rosa-choque, soltando uma gargalhada fina e estridente ao encará-lo.

— Vince bichona! Vince bizarro!

Afton se assustou, recuando um passo, sentindo o coração começar a palpitar mais rápido, olhando para a menininha. Suas pupilas dispararam por alguns instantes.

— Vince dá a-... — Stephannie foi interrompida. Junto de sua bicicleta, foi levantada do chão, em vinte e nove centímetros, e arrastada cinco metros de Vince. Caiu no chão, contra aquela areia rasa e dura. Ralou todo o joelho, machucou a testa e arranhou a bochecha direta. Com o beiço inchado, começou a chorar.

Vince sorriu, encarando aquela maldita criança por mais uns segundos e voltou a caminhar.
Pensou: "Praga. Que se esvaia em sangue. Stephannie, Karen, Ronnan, Joseph, Irma. Todo mundo! Afoguem-se com o próprio sangue e me deixem em paz".

Stephannie não é flor que se cheire. Apesar dos poucos anos de existência, dava dor de cabeça à seu pai e à todos que estavam em seu convívio. Diziam as más línguas que aquele pedaço de gente, com trejeitos forçados de um bebêzinho de um ano de vida, e uma voz fina forjada, conseguia manipular o homem crescido e mau-humorado de 38 anos, para ter o que queria e não levar uma bronca por qualquer besteira que fizesse. Era verdade.

Passou pela praça, atravessando por mais um semáforo vermelho, agora caminhando pelo canto da estreita calçada da Maddox Avenue. Passou pelo 'Posto Sherwood' (Mais cedo, naquele mesmo dia, Mariah havia comentado do recém aberto posto de gasolina que seu pai montara após anos de investimento e esforço. Não duraria sequer um ano até que fosse totalmente destruído), em seguida pela loja de costura de Felice John, depois pela ponte que, embaixo, cruzava o rio que envolvia a cidade. Caminhou por mais alguns minutos, atravessando o ponto de táxi e virou a esquina, adentrando a Jessye Street. Parou de caminhar. Conseguiu ver seu bangalô dali.

A casa era de dois andares, porém pequena. De uma sala, uma cozinha, dois quartos, dois banheiros, com um quintal frontal e outro traseiro.

A mãe nesse horário estaria no trabalho; sequer saberia que estava cabulando aula.
Deu mais alguns passos, invadindo o gramado verde, subindo as escadas da varanda de entrada, destrancando a porta da frente e entrou em casa.

Escura era a casa por dentro, devido a falta de luminosidade, graças às cortinas fechadas, e com algumas gravuras religiosas espalhadas pelas paredes pintadas de branco.
Preparava-se para retirar a mochila das costas, à medida que aproxima-se da sala, porém, assustou-se ao chegar no cômodo, seu coração errando uma batida. Viu um homem alto de costas, que sentiu sua presença e virou-se.

— Oi, Vincent. — Sorriu.

Que sorriso sinistro.
Vince engoliu seco.

— Tio Andrew... — Murmurou, piscando. — O que está fazendo aqui?

— Isso é jeito de receber seu tio? Quanta frieza da sua parte, meu sobrinho.

Tinha uma bíblia debaixo dos braços.

— Desculpe. Minha mãe não me avisou que o senhor estava à caminho.

— Está é a casa dela, satisfações à você ela deveria dar? — Riu sem humor. — Pelo jeito, essa história de gay continua. Ajeite essa postura, Vincent.

Vince calou-se, encarando o mais velho.
Pensou: "Pra que lhe serve essa Bíblia em seus braços? És um fofoqueiro nato, portanto, um pecador. Quanta hipocrisia."

— Boa tarde para o senhor, tio Andrew. Vou para o meu quarto.

Virou-se.

— Nada disso, mocinho. Você não deveria estar na escola?

Vince gelou. Engoliu seco.

— Ahn?

Andrew pôs a língua para fora e soprou, fazendo barulho de peido.

— Está indecente... Não sabia que gostava de indecências. Eu deveria ter suspeitado... Com toda essa história de gay.

— Não sou resumido à minha sexualidade. — Retrucou, sem se virar. — Em relação aos meus estudos, darei satisfações à minha mãe mais tarde. Uma boa tarde para o senhor, tio Andrew... Fique a vontade e tenha uma boa estadia.

Foi o que o rapaz loiro disse antes de caminhar em direção à escada e seguir até seu quarto.
Ótimo, agora tinha em casa um ex-pastor fofoqueiro que lhe atormentará desde os primórdios de sua existência. Pelo menos teria dois dias longe da escola. Era sexta-feira.

Any, Hades e Mariah levaram a professora machucada para a enfermaria, e em seguida, enquanto a mulher recebia os atendimentos médicos, deixaram o local juntos. Mariah seguiu seu caminho pelos corredores até que encontrasse seu armário. Any e Hades tinham em mente o que presenciaram mais cedo. O corredor estava cheio, repleto de alunos que conversavam entusiasmos com o fim do expediente escolar daquele dia. Os sons de todas aquelas conversas se amontoavam como em uma enorme pilha de vozes, mas o silêncio entre John e Middlam era quase tangível; o peso do que tinham testemunhado pesava sobre seus ombros.

Any sentia uma mistura de perplexidade e preocupação. Seus pensamentos se debatiam como um furacão enquanto ela revivia o ocorrido no ginásio. Ela conhecia Vince como alguém passivo, incapaz e fraco; alguém que nunca causaria mal a ninguém. No entanto, não conseguia ignorar a conexão entre ele e o evento, até então, inexplicável, que havia machucado a professora.

Hades, cuja mente estava repleta de curiosidade sobre o inexplicável ocorrido, estava profundamente intrigado, mas também um pouco assustado. O incidente que presenciara não se encaixava nas leis naturais que ele tanto gostava de explorar. Ele sentia uma inquietação, uma sensação de que algo maior estava se desenrolando, algo que poderia ter consequências imprevisíveis. Any também sentia isso.

Se olharam.

Enquanto caminhavam pelo pátio da escola, a luz da tarde lançava sombras longas, adicionando um toque de melancolia ao ambiente. Any e Hades trocaram olhares carregados de significado, mas nenhum dos dois estava pronto para abordar o assunto. Se sentiam impotentes, cúmplices de algo que poderia, e até teve, levando em consideração o machucado de Karen, uma consequência desagradável, mas que poderia ser ainda maior.

Vince, após um longo e demorado banho quente, finalmente pôde se deitar em sua cama, suspirando em satisfação ao sentir o tecido macio entrar em contato com sua pele e o seu corpo afundar o colchão.
Fechou os olhos.

O conforto da cama era como um abraço acolhedor depois de um dia exaustivo. Sentia uma sensação de paz incomum, atípica e estranha. A água quente do chuveiro que, até poucos minutos atrás, caia sobre si, ainda fazia seu corpo relaxar, e a sensação de limpeza e frescor o envolvia; ele estava totalmente entregue à tranquilidade do momento. Queria que o resto de sua vida fosse assim.

Seus pensamentos começaram a vagar lentamente, como se estivessem à deriva em um mar de calma. Ele relembrou os eventos do dia. Se questionava o que fez de tão errado para que todos sentissem tanto ódio, nojo e repulsa de si.
Sua mente era como uma grande biblioteca, cujo agora, Vince vagava sobre, relembrando dos demais momentos que passara na escola.
Eram tantos momentos ruins.
Agora tinha um livro em mãos, intitulado "Aula de Química, Nov. 2022".

O loiro se lembra com clareza daquela maldita e ensolarada tarde de terça-feira, cujo a sala de aula estava permeada pelo cheiro característico dos produtos químicos que estavam sendo usados ​​para os experimentos.

Vince estava focado em sua bancada, seguindo à risca as instruções do professor para um experimento que seria crucial para seu desempenho na disciplina. Ele é um aluno dedicado. Talvez se enquadrasse no termo "CDF".

Enquanto a maior parte da turma estava concentrada em suas próprias experiências, Ronnan Konded estava sentado em sua bancada. Sempre com aquela postura arrogante, o olhar malicioso e repleto de más intenções. Um parasita sádico. Ele observava cada movimento de Vince. Achava patético como o rapaz fazia tudo em uma calma descomunal, quase como se tivesse medo de se mexer. No fundo, nem o próprio Konded sabia porque tinha essa obsessão por Vincent, só tinha. Os trejeitos atrapalhados de boiola do Afton lhe acendia um fogo nos olhos.

Vince estava prestes a adicionar um reagente químico crítico à sua solução, quando Ronnan, disfarçadamente, estendeu o braço para a prateleira próxima a ele, onde estavam armazenados os frascos com os reagentes. Com uma destreza impressionante, ele trocou o rótulo de dois frascos quase idênticos, os quais tinham nomes e concentrações similares.

Agora, o reagente que Vince adicionava à sua solução, era, na verdade, uma substância completamente diferente da que ele acreditava ser a que foi indicada pelo professor. Ronnan assistiu com satisfação enquanto Vince, alheio à troca maliciosa, adicionava a substância errada, comprometendo completamente o resultado de seu experimento.

À medida que o experimento prosseguia, Vince começou a notar resultados inexplicáveis e confusos. Ele estava perplexo, tentando entender o que havia dado errado em seu procedimento. Ronnan, sentado em sua bancada, mal conseguia conter um sorriso de triunfo ao ver a frustração e confusão de Vince.
O experimento começou a borbulhar e a jorrar do frasco, tal como uma Coca-Cola que foi manipulada por uma bala Mentos. O loiro se assustou e se afastou da bancada, analisando o líquido, confuso.

Viu quando a sala inteira começara a rir de sua cara de tacho. Patético, não conseguia sequer fazer um experimento químico escolar.

Vince fechou aquele maldito livro e saiu de sua biblioteca metal, fazendo com que sua mente voltasse a ser envolvida por uma escuridão não assustadora, mas relaxante e acolhedora.
À medida que a noite avançava, a paz que ele sentia era como um refúgio seguro. Seu corpo afundava mais profundamente no colchão, seus músculos relaxavam completamente, e a mente de Vince começa a encontrar um estado de serenidade que há muito tempo não experimentava. Era um momento raro de alívio e descanso em meio às adversidades de sua vida.

Enquanto se entregava ao conforto de sua cama, Vince sentia que, apesar de todas as provações, havia uma força dentro dele, uma determinação silenciosa para superar os desafios e seguir em frente. Aquela noite, ele dormiu com a promessa de enfrentar o amanhã com coragem e determinação, preparado para qualquer obstáculo que a vida lhe trouxesse.

[...]