Notas iniciais
Oi amores do meu coração! E cá estou aqui, com capítulo novinho de Still Loving. Este capítulo foi reescrito, por isso, para aqueles que leram antes, podem notar algumas diferenças, mas, no geral, tudo o que era importante está aqui. Quero agradecer imensamente a Monirubi2009, TommySan e Sally-Yagami pelos comentários no capítulo anterior. Muito obrigada pelo carinho de vocês. E, se você leu, deixe um comentário, vou adorar saber o que está achando da trama. Boa leitura e enjoy❣

Riachão do Dantas, Sergipe, dezessete meses atrás...

Ele estava no estado de Sergipe há negócios. Havia surgido uma oportunidade, comprar umas ações de um resort em Aracaju, o qual ele achou uma excelente oportunidade. E, após a reunião, onde lhe foram apresentadas as propostas de venda, ele decidira relaxar, conhecer uma cidade do interior, a fim de manter a cabeça um pouco fria para as negociações do dia seguinte que, ele bem sabe, serão exaustivas, afinal, está neste ramo há bastante tempo para saber disso.

Ele está na praça da igreja matriz da cidade, olhando para aquelas escadarias, vendo as pessoas indo e vindo, bem como os vendedores ambulantes, que, tentam vender suas mercadorias, nada que realmente interesse Arthur, afinal, como um homem de posses, nada daquilo verdadeiramente lhe interessa.

E, é então que ele a vê.

O sol do Nordeste Brasileiro aviva mais aqueles cachos ruivos, cachos naturais e de uma cor única, um vermelho vivo, como ele nunca viu em toda a sua vida. E, a jovem dona dos cabelos sorri para um cliente, enquanto oferece para ele uma das flores de sua cesta.

*****

Maria Flor ainda está incrédula. Parada, no meio da rua e com Arthur olhando para ela, sente o seu rosto perder a cor.

Não pode ser...!

De todas as pessoas que ela poderia encontrar nesta cidade infernal, por que logo ele?

― O que você está fazendo aí parada? – questiona Arthur, tirando Maria de seus pensamentos – Entra logo na droga desse carro!

― O que?! – Maria se vê questionando, ainda apertando o filho adormecido contra o seu peito.

― Entra no carro. – ordena Arthur, abrindo a porta do carona e praticamente obrigando Maria a entrar – Não podemos ficar parados no meio dessa chuva, além de tudo, estamos atrapalhando o trânsito.

Sem alternativa e, incapaz de protestar devido ao choque por ter reencontrado Arthur, Maria nada faz para impedir que ele a empurre para dentro do carro, e, após ela sentar no banco do motorista, ainda em choque, ela vê Arthur fechando a porta do carona, e, dando meia volta, sentando no banco do motorista, fechando a porta e dando partida no carro em seguida.

― Isso é sequestro, sabia! – fala Maria, começando a recuperar o controle sore si.

― O que?! – fala Arthur, sem entender do que a jovem está falando – Mas do que é que você está falando, menina?

― Você me obrigou a entrar dentro deste carro, eu não queria isso!

― Eu apenas estava lhe tirando da chuva. Deveria agradecer por meu gesto e bondade. Aliás, só a nível de curiosidade, por que raios você estava andando no meio da chuva igual a uma doida? E, mais importante, o que é que você está fazendo aqui no Rio?

― Eu estou morando nesta cidade já tem algum tempo. – Maria Flor responde, ainda na defensiva e evitando a primeira pergunta propositalmente.

― Certo. – continua Arthur- E quanto a primeira pergunta.

― Que pergunta? – Maria se finge de desentendida.

― Acorda, menina! Por que estava andando no meio da rua igual a uma doida?

― Eu estava desesperada. – ela apenas diz – E, tudo porque essa droga de cidade não tem um bom atendimento médico.

― Você está doente?

― Não! Meu filho! Ele está queimando de febre e nenhum hospital público ou UPA quer atender ele, pois os médicos estão em greve! – Maria dispara as palavras, praticamente as lágrimas.

Só então Arthur se dá conta da criança adormecida nos braços de Maria. Um bebê com cachos ruivos iguais aos dela.

― Então é isso? – fala Arthur, como se aquilo não fosse nada demais – E, por que você não paga uma consulta particular pra ele?

― Você acha pouco? E outra coisa, nem todo mundo é rico e tem condições de pagar uma consulta particular para uma criança.

― E quanto ao pai da criança? Certamente ele deve lhe ajudar com alguma coisa.

― O pai dele me abandonou grávida. Sou sozinha com o meu filho.

Ante as palavras de Maria, um longo silêncio se faz entre os dois. Arthur olha para Maria, o rosto sofrido, e, ele consegue ver o desespero em seus olhos por não ter como dar atendimento a criança.

― Idiota. – Arthur enfim se pronuncia.

― O que? – Maria simplesmente não entende as palavras do homem.

― O pai dessa criança. O homem que abandona uma mulher grávida não merece um pingo de respeito.

― Você acha, é? – a voz de Maria Flor é carregada de ironia.

― E você não?

― Eu e meu filho não precisamos do pai dele, me viro muito bem sozinha.

― Estou vendo. – é a vez de Arthur ser irônico – De qualquer jeito, você não tem mais com o que se preocupar, eu pago uma consulta para essa criança.

― O nome dele é Heike Sadrak. E, eu não preciso que você pague por nada, eu posso me virar sozinha.

― Primeiro, que raio de nome esquisito é esse que você colocou nessa criança? Segundo, se você ama e se preocupa com seu filho, deixe-me lhe ajudar, pelos velhos tempos.

― Que velhos tempos?

― Deixa de ser boba, menina! Não finja que não se lembra do que aconteceu entre nós!

― Lembro que você me enganou, me embebedou para me levar para a sua cama! Não vejo nada disso como velhos tempos!

― Deixa de ser boba, Maria! Você se apega a detalhes que não tem a mínima importância!

― Então você acha que o fato de você me enganar e me embebedar não tem importância?

― Acho. Até porque, quem vive de passado é museu.

― Temos pensamentos bem diferentes com relação a isso.

― Que seja. Mas, de qualquer forma, isso não muda o fato de que eu posso lhe ajudar e vou fazer isso.

― Não estou pedindo a sua ajuda! Posso muito bem me virar sem ela!

― Deixa de ser orgulhosa. Se não quer aceitar sua ajuda por você mesma, aceite por esta criança que tem em seus braços.

― Já disse que o nome dele é Heike Sadrak.

― E eu já disse que esse nome é muito esquisito. Mas, não mude de assunto, aceite a minha ajuda, pelo bem de seu filho.

Maria olha de Arthur para o filho, e, leva suas mãos a testa adormecida de seu bebê, vendo como a febre está alta. E, tenta deixar um pouco da raiva que ela sente de Arthur para trás, afinal de contas, o seu filho deve estar em primeiro lugar em sua vida, assim como ele sempre esteve desde o dia em que ela descobriu sua gravidez.

― Tudo bem. – Maria dá de ombros – Aceito a sua ajuda, mas, somente como um empréstimo.

Ante as palavras de Maria, Arthur nada diz, apenas começa a dirigir em direção a Copacabana, para um dos melhores hospitais. Enquanto dirige, olha pelo canto de olho para Maria e, vê a preocupação dela, enquanto seu olhar está fixo no garotinho que ela tem em seus braços, a preocupação explícita nos olhos dela.

― O pai desse menino é um grande idiota. – Arthur comenta, como quem não quer nada.

― O que? – Maria Flor o encara, confusa.

― Disse que o pai desse menino é um grande idiota. Que tipo de homem abandona uma mulher grávida? Isso não é coisa que se faça!

Maria nada responde, apenas revira os olhos, como se as palavras de Arthur não lhe interessassem. E, de fato, elas não lhe interessam, principalmente porque, no momento, tudo o que lhe interessa é seu filho.

Seu amado menininho, que, no momento, precisa dela mais do que qualquer coisa.

― Não vai me dizer nada? – questiona Arthur, tirando-a de seus pensamentos.

― Do que você está falando? – Maria não consegue deixar de falar.

― Do pai do seu filho. Você o amava? Por isso não diz nada sobre o comportamento deplorável deste meliante?

― Nunca o amei, se é isso o que você quer saber.

― Menos mal.

― Por que?

― Como eu já disse, seria um erro muito grande de sua parte amar um homem que lhe abandona grávida. Não o conheço, mas, ele é um grande imbecil. Aliás, não entendi ainda porque você está morando aqui no Rio, sua família se mudou pra cá tem muito tempo?

― Não, eu sou sozinha. Acontece que o meu pai me expulsou de casa quando descobriu a minha gravidez.

― Em que século o seu pai vive? Hoje em dia não existe mais este tipo de coisa.

― Arthur, nós dois somos de mundos completamente diferentes. Sei que, em seu mundo, este tipo de coisa não existe. Mas, no meu, é algo normal. Eu venho de uma cidade do interior do Nordeste, meu pai trabalhou a vida inteira na roça, o pensamento dele é muito diferente do seu. Para ele, eu meio que desonrei a família ao aparecer grávida solteira.

― Seu pai é um tolo!

― Não fale assim dele!

― E você ainda o defende?

― É claro! Ele é o meu pai! Não importa a forma como ele pensa e o que fez comigo. Eu o amo e o respeito!

Ante as palavras de maria, Arthur apenas dá de ombros, pois, para ele, é bastante difícil compreender o que se passa na mente dela.

Não demora muito, e, eles chegam ao Copa D’Or. Arthur estaciona o carro e, desce rapidamente, dando meia-volta e abrindo a porta do carona para maria, que, desce em seguida.

Os dois vão para a recepção, onde Arthur não perde tempo em dizer:

― Precisamos de uma consulta com um pediatra.

― Plano de saúde ou particular? – a recepcionista fala, de forma mecânica.

― Particular. – responde Arthur.

― O valor de uma consulta particular em pediatria é de trezentos reais. Qual será a forma de pagamento?

― Dinheiro.

Arthur tira de sua carteira algumas notas, para a recepcionista, que, pede dos dados da criança e em seguida ela apenas diz que eles precisam aguardar e aponta para as elegantes cadeiras da recepção. Arthur se senta em uma delas, mas, Maria Flor permanece de pé, a inquietação tomando conta de si.

Não demora nem cinco minutos, e, o pediatra chama por Sadrak. Maria e Arthur entram juntos e, o médico logo começa a fazer todo o tipo de perguntas para Maria, que responde a elas pacientemente.

Em seguida, o médico faz sinal para que Maria deite o menino na maca e, ela o faz imediatamente. A jovem observa o médico examinar o seu filho com atenção e paciência e, enquanto seu bebê é examinado, ela apenas faz preces silenciosas, pedindo que não seja nada grave, afinal, tudo o que ela não quer é que seu filho continue a sofrer.

― A senhora não tem de se preocupar, Maria. – o médico fala, após terminar de examinar o bebê – O Heike Sadrak tem apenas uma gripe forte, algo comum em crianças na idade dele, irei passar algumas medicações para ele tomar nos próximos sete dias, e, agora, irei medicá-lo para que a febre dele baixe. Daqui a alguns dias ele estará completamente bem.

― Obrigada, doutor. – fala Maria Flor, completamente agradecida.

O médico dá indicações para que Maria leve o filho até a sala de medicações e, ela assim o faz. Não demora muito e, o menino é medicado. Eles recebem instruções para que permaneçam ali, pois a criança precisa ficar uma hora em observação a fim de garantir que a medicação vai realmente fazer efeito.

Maria então se senta, ainda com o filho adormecido em seus braços e, Arthur apenas observa como ela encara a criança de maneira preocupada.

― Não se preocupe tanto, ele vai ficar bem.

― O que? – Maria se volta, surpresa, para o homem ao seu lado.

― Sua criança vai ficar bem. Não precisa se preocupar tanto.

― O nome dele é Heike Sadrak, creio já ter lhe dito isso.

― Sim, umas quinhentas vezes, creio eu.

― Então...

― Acontece que esse nome que você escolheu para esta criança é complicado demais, além do mais, ele é seu filho, não meu. Então, eu imagino que não tenha obrigação nenhuma de me referir a ele por este nome horroroso que você escolheu.

Ante as palavras de Arthur, Maria Flor apenas o encara de forma totalmente irônica, como quem não está acreditando que, ela realmente está ouvindo essas palavras. Logo dele!

Dele!

Dando de ombros, e, tentando ignorar por completo o homem a seu lado, ela mais uma vez volta a sua atenção para seu filho, que, continua a dormir em seus braços.

Arthur apenas continua a encarar a jovem à sua frente, prestando atenção na forma genuína como ela se preocupa com a criança que ela tem em seus braços. Ele percebe, pela forma como ela age, que, o amor que ela sente e a preocupação para com aquele bebê é real demais.

Nunca viu algo assim em uma mulher. As mulheres que ele conhece, se engravidasse e o homem fugisse a responsabilidade, logo entrariam na justiça, e, com um simples exame de DNA, conseguiriam ajuda financeira para o filho.

Mas Maria Flor é diferente.

Esta jovem, pelo que ele pode entender, deixou um desqualificado qualquer à enganar e a usar, para depois descarta-la grávida e sozinha.

Maria Flor se permite olhar por um momento para Arthur, e, não deixa de pensar no quanto ela quer ir embora, pois, quanto antes ela se livrar da presença do homem, melhor, pois, sente que está trilhando por um caminho perigoso demais.

A cada segundo que passa na frente deste homem, sente que está em perigo. É certo que ele a está ajudando e, ela é muito grata por isso. Mas, também é certo que, isso não muda o fato de que ela ainda não o perdoou pelo que ele lhe fez quando se conheceram no Nordeste.

Isto, ela jamais será capaz de perdoar!

Por isso mesmo, é que ela prefere conversar o mínimo possível, e, não gosta nem um pouco das tentativas do homem de tentar puxar assunto com ela, como se os dois fossem grandes amigos, coisa que, definitivamente, eles não são!

Nunca foram e nunca serão!

Os dois são de mundos completamente diferentes, e, estes mundos não se cruzam.

Ele é um homem rico, arrogante, manipulador e enganador!

Ela, uma moça humilde que, infelizmente, no passado, fora ingênua demais e acabou caindo no conto do vigário deste homem, que a enganou apenas para conseguir uma noite de sexo fácil!

Para Arthur fora um grande um sete um, alguém que entrara em sua vida para lhe prejudicar, pois, desde o dia em que o conheceu, a sua vida nunca mais fora a mesma.

Arthur não deixa de notar a forma como Maria Flor parece querer evitar falar com ele, e, simplesmente não consegue entender qual é o problema com ela. Parece que ela nutre por ele algum tipo de ressentimento pelo que houve entre os dois no passado, mas, para ele, isso não faz o menor sentido, visto que, fora apenas uma noite de sexo casual. Algo que, para ele, é bastante natural.

― Você vai mesmo continuar me ignorando? – Arthur não consegue deixar de perguntar.

― Eu não sei do que você está falando. – Maria Flor se finge de desentendida.

― Até parece. – ironiza Arthur – Maria, você sabe muito bem do que estou falando.

― Eu apenas não quero conversar. Será que isso é um crime? Pelo amor! Eu tô preocupada com o meu filho! Pra você que é um egoísta que só pensa no próprio umbigo acho que é difícil de imaginar. Mas a minha vida gira em torno do Sadrak, e, eu não consigo ter cabeça para nada além do meu filho!

― Nossa, não precisa ficar tão nervosinha. O seu filho já recebeu atendimento e medicação. Ele vai ficar bem!

― Olha, eu realmente não espero que alguém como você seja capaz de entender dos meus sentimentos.

― Não finja que você me conhece, menina.

― Bom, o que eu conheço já dá para imaginar o resto, afinal de contas, você é do tipo que engana e embebeda garotas inocentes só para satisfazer o seu apetite sexual.

― Não fale como se fosse uma puritana, afinal de contas, essa criança que você tem em seus braços é a prova de que você não é.

― Não vou me dar ao trabalho de lhe responder!

― É claro, pois você bem sabe que eu estou com a razão.

― É mesmo? – a voz de Maria é carregada de ironia.

― Menina, você não sabe com quem está brincando.

― Talvez eu apenas não queira brincar.

― Você leva as coisas a sério demais.

― Talvez porque a vida foi dura comigo desde que eu era apenas uma criança, diferentemente de você que, por ser rico, deve ter nascido em berço de ouro.

― O fato de eu ter uma vida diferente da sua não quer dizer que eu não tenha algum tipo de problemas.

― Sim, mas certamente seus problemas devem se resolver no momento em que você abre a sua carteira. Ao contrário dos meus, que, são muito mais abrangentes do que isso. Criar um filho sozinha não é fácil.

― Nisso você tem razão. Mas é um absurdo que o pai desta criança não faça nada por ela!

― O pai dele simplesmente não se importa. Nunca se importou comigo ou com o Sadrak.

Arthur quer dizer mais alguma coisa, mas, o médico chega, faz um rápido exame no menino e, ao constatar que a febre já começou a baixar, o libera.

Arthur e Maria começam a caminhar em direção a recepção e, consequentemente, para a saída do hospital e, enquanto caminham, Arthur começa a notar que o bebê nos braços de Maria está acordando. Pela primeira vez, ele começa a prestar atenção naquela criança e, o que lhe chama a atenção são os olhos, olhos azuis...

― Quanto tempo mesmo você disse que tem essa criança? – Arthur pergunta, ao acaso.

― Eu não disse. – responde Maria, dando de ombros.

― E quanto tempo ele tem?

― Oito meses. – Maria responde automaticamente.

― E quanto tempo faz que nos conhecemos? – ele volta a perguntar, como quem não quer nada.

― Um ano e oito meses. – responde Maria, arrependendo-se quase no mesmo instante em que profere as palavras, sua face ficando totalmente branca ao notar a compreensão chegando aos olhos de Arthur.

Notas finais
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