Still Alive [Hiatus]

46 This Means War


Notas iniciais
Aaawnt, queria começar o capítulo agradecendo à JUSSARA CULLEN que me deixou uma recomendação super fofa *u* Recomendem também e façam uma autora chata mais feliz! u_ú
Esse capítulo é pra ela! ♥
Queria agradecer também à todas as minhas leitoras super amadas que comentaram a valer, fazendo a autora soltar foguetes e escrever o maior capítulo da fanfic! Espero que gostem minhas amoras *u* ♥

— POV SARAH —

Há muito tempo o céu já havia se tornado escuro, e apenas um lampião iluminava o ambiente, com sua luz fraca e alaranjada.

Rick, Michonne e Carl ainda não haviam retornado, o que me deixava totalmente inquieta.

Após minha cena com Andrea, Daryl não havia me procurado. Talvez ele soubesse que eu precisava de um tempo para organizar minhas ideias.

Eu não conseguia entender se todo o ódio que sentia de Andrea ainda era abastecido pelo rancor do passado e estava usando sua nova aliança para justificá-lo, ou se apenas sua atual escolha me afetava tanto.

Afinal, eu não tinha nada a ver com suas escolhas. Se ela assim quisesse, poderia passar o resto de sua vida ao lado de seu querido Governador. A única coisa que eu queria é que ela decidisse à qual lado pertencia, pois já não aguentava a dúvida cruel que habitava em mim, entre acreditar que ela realmente queria nossa conciliação e crer que tudo não passava de uma grande emboscada.

Suspirei pesadamente, escorando meu rosto na grade gelada da passarela de observação. Há mais de horas eu estava no mesmo local, esperando ver um farol ao longe, indicando o retorno de minha família.

Minhas pernas doíam e meu estômago revirava-se, implorando por uma refeição decente, mas eu não queria ceder. Até que eles não estivessem de volta, eu não ousaria pregar o olho.

Ouvi passos ritmados e rápidos aproximarem-se, contudo, não me dei ao trabalho de virar. Sabia muito bem quem era.

— Sarah, você precisa descansar... — seu hálito quente chocou-se em meu pescoço, ao passo que seu corpo prensava levemente o meu contra a grade da passarela.

— Eu não posso. Não antes de eles voltarem — murmurei fechando os olhos.

— Eles voltarão. Sempre voltam — afirmou enquanto apoiava seu rosto em meu ombro.

— E se não voltarem? — questionei mais para mim mesma, tornando a abrir os olhos.

— Eles vão voltar — repetiu pausadamente. — Agora você precisa voltar lá pra dentro e comer alguma coisa — insistiu, beijando meu ombro.

Apenas acenei negativamente com a cabeça. Eu queria dar a notícia de Andrea diretamente a Rick. Sabia que era uma das únicas que tinha certeza sobre as intenções dessa reunião.

Um calafrio percorreu meu corpo assim que o vento gelado da noite atingiu-me em cheio.

Daryl bufou, e eu sabia que tinha vencido aquela discussão.

Logo, passou a beijar meu pescoço, provocando-me arrepios com sua barba por fazer.

Lentamente virei-me em sua direção, fazendo com que nossos olhares se encontrassem de forma profunda. Seus braços contornaram meu corpo e seus lábios buscaram os meus como se tivessem pressa, como se no segundo seguinte tudo pudesse acabar.

Minhas mãos instintivamente infiltraram-se em seu cabelo, puxando-o para mais perto, como se fosse possível nos aproximarmos ainda mais.

Ah... Eu sentia tanta falta de seu toque, de sua presença, de seu calor... Era como se nada mais importasse. Eu precisava tanto dele que chegava a doer. Sim, meu peito doía com sua distância.

Cedo demais sua boca abandonou a minha, e então aqueles olhos profundos e azuis como o oceano coloram-se aos meus. Por meio daquelas orbes eu enxergava sua alma, e eu sabia que naquele simples gesto estava impresso o “eu te amo”, aquele que não precisava ser dito.

— Eu sinto tanto a sua falta... — sussurrei, encostando meu rosto em seu peito, aspirando seu cheiro.

— Estou sempre aqui — respondeu enquanto escorava seu rosto no topo de minha cabeça.

Acenei positivamente e permiti-me fechar os olhos, aproveitando o raro momento.

Senti que por um instante seus braços abandonaram meu corpo e protestei internamente, porém, logo sua jaqueta cobriu meu corpo, e levantei os olhos para encará-lo.

Daryl sentou-se no chão, estendendo sua mão em minha direção.

— O que você está fazendo? — indaguei estreitando meus olhos, pegando sua mão.

— Não vou te deixar aqui sozinha — deu de ombros, puxando-me para seu colo.

— Mas está frio, você devia estar lá dentro — murmurei enquanto ele ajeitava-me como se eu fosse uma criança, envolvendo seus braços firmemente entorno de meu corpo.

— Justamente por isso. Você deveria estar lá dentro porque está frio — ressaltou as palavras, revirando os olhos. — Mas como você é muito teimosa, vou ter que ficar aqui fora.

Apenas sorri, repousando meu rosto na curva de seu pescoço.

— Sarah... — sussurrou em meu ouvido. — Acorda.

Remexi-me um pouco, abrindo um olho e depois o outro, mas tudo que encontrei foi escuridão.

— Eu dormi? — soltei a pergunta mais óbvia.

— Por mais de uma hora — comentou sério.

Virei meu rosto e percebi a suave claridade que provinha da parte debaixo da prisão. Levantei-me rápido demais, e logo senti minhas pernas fraquejarem, devido à tontura.

Por vezes esquecia-me de minhas fraquezas de grávida. Mais que depressa Daryl segurou-me de forma firme, passando seu braço por minha cintura.

Ouvi-o bufar, e sabia que ele incomodava-se com meu descuido, mas fiquei feliz por ter não reclamado comigo.

Em silêncio, acompanhou-me até onde os outros estavam.

— Que bom que vocês voltaram! — disse enquanto abraçava Carl, que possuía um porta-retratos com uma foto dele com Rick e Lori.

— Acabei encontrando um conhecido — Rick deu de ombros, parecendo um pouco incomodado.

Apenas acenei, sem querer me intrometer em seus assuntos.

— Sei que já é tarde, e vocês devem estar cansados, mas será que podemos conversar? — questionei um pouco sem jeito.

— Claro — Rick respondeu simplesmente, pegando as mochilas no porta-malas.

Michonne e Carl acenaram, seguindo-nos até dentro da prisão.

— Bem, eu vou ser direta — iniciei, sentando-me em uma das mesas do bloco. — Andrea esteve aqui — tive vontade de incluir um “para variar”, porém me contive. — Ela disse que o Governador quer nos encontrar amanhã pela manhã, propor uma trégua. Sinceramente, acho que não haverá trégua alguma... — concluí, encarando o chão.

— Nós iremos — Rick afirmou.

— Como? — testei.

— Nós iremos. Se ele quer conversar, ouvirei o que ele tem a dizer.

— Tem certeza? — indaguei encarando seus olhos.

— Tenho. Ele tem seu exército, mas nós não estamos sozinhos.

— Temos que sair logo ao amanhecer. Andrea nos deu as coordenadas — soltei, conformando-me.

— Nós não. Você vai ficar — rosnou Daryl ao meu lado.

— Eu vou! — bradei fitando-o.

— Daryl está certo, Sarah. Não acho uma boa ideia que você vá. Você precisa ficar. Alguém tem que por ordem aqui enquanto estivermos fora — Rick comentou.

— Ordem? Como assim? — continuei, totalmente perdida.

— Apenas Daryl e Hershel me acompanharão. Quero que você fique aqui e mantenha as coisas em ordem.

Pisquei algumas vezes, tentando organizar as ideias. Eu? Ordem? Algumas coisas estavam um pouco confusas.

— Sim, Sarah. Eu quero que você fique. Merle escuta apenas a você e a Daryl. Se você estiver aqui, ficarei tranquilo, sabendo que as coisas vão dar certo — Rick esclareceu após um tempo.

Acenei lentamente, entendendo o ponto.

— Mas... Vocês vão sozinhos? E se for uma armadilha? E se eles estiverem em grande número? — inquiri apavorada. Eu não suportaria conviver com a ideia de que talvez Daryl não voltasse.

— Se ele quisesse nos encurralar já teria o feito, Sarah. Aquela van atravessando os portões foi uma boa prova disso — insistiu, tentando me tranquilizar.

— Só... pelo amor de Deus, prometam que vão voltar — sussurrei, encolhendo-me um pouco.

— Nós voltaremos para casa — Rick disse, beijando minha testa. — Agora descansem, amanhã será um longo dia — encerrou, dando margem para que cada um rumasse para sua cama.

Daryl acompanhou-me até nosso “quarto” e deitamo-nos no ambiente totalmente escuro. Não demorei a aconchegar-me em seus braços fortes.

— Daryl... — sussurrei, escondendo meu rosto na curva de seu pescoço.

— Sim? — respondeu beijando o topo de minha cabeça.

— Você promete que vai tomar cuidado? — murmurei sentindo minha garganta apertar-se.

— Eu prometo. E... Se cuide por aqui também — pediu um pouco sem jeito.

Apenas balancei minha cabeça lentamente, sabendo que ele entenderia.

Ele apertou-me com um pouco mais de força e levantei-me um pouco, encontrando nossos lábios em um selinho demorado.

Eu não poderia existir em um mundo em que Daryl não estivesse comigo, não mais. A simples ideia de que algo ruim pudesse acontecer com ele fazia um calafrio percorrer meu corpo.

Logo que nossos lábios se separam, ele beijou minhas pálpebras já fechadas, e por fim, não resisti ao cansaço que tomava conta de meu corpo.

Fui tomada por um sono sem sonhos, e tive uma noite totalmente agitada. Meu corpo implorava por um descanso, mas o nervosismo não me abandonou em um instante sequer.

Há certa altura da madrugada — antes mesmo de o sol raiar — senti Daryl levantar-se, e instintivamente abri os olhos, lhe buscando em meio à escuridão.

— Nos já vamos — comentou, abaixando-se a minha frente.

— Só... — comecei, mas logo fui interrompida.

— Sim, nós voltaremos. Eu prometo — bufou impaciente.

— Por favor — supliquei, passando meus braços entorno de seu pescoço.

Ele acenou brevemente com a cabeça, dando-me um selinho.

— Cuide de tudo por aqui. Não deixe Merle quebrar a cara de ninguém — brincou, e mesmo no escuro, sabia que havia revirado os olhos.

— Mesmo que Andrea apareça? — testei, tentando aplacar meu nervosismo.

— Sarah...

— Tudo bem... — dei-me por vencida, unindo nossos lábios novamente.

— Até logo — despediu-se, saindo a passos largos.

Assim que Daryl saiu, joguei-me novamente na cama, fechando os olhos com força. Queria ser como o resto do grupo, fechar os olhos e voltar a dormir tranquilamente. Mas como eu poderia? Daryl estava lá fora, junto com Rick e Hershel. Eles eram nossa força, nossa estrutura. Sem eles era como se estivéssemos sem liderança alguma.

E se essa bobagem de reunião fosse apenas um pretexto para tirar a todos da prisão, atacando-a em seguida? Senti meu estômago revirar-se, e mordi meu lábio com força, tentando afastar esse pensamento. Desde quando eu havia me tornado tão desconfiada? A verdade é que toda essa confusão instalou-se em minha cabeça no momento em que chegamos à prisão. Primeiro os presos, depois esse tal de Governador... Era como se ao menor descuido pudéssemos ir ao chão.

Eu deveria ser menos paranoica, entretanto, parecia ser algo insuportavelmente difícil considerando a forma como as coisas estavam.

Remexi-me por mais alguns minutos no colchão, e quando percebi que permanecer deitada havia se tornado insustentável, eu levantei-me, acendendo o pequeno lampião que estava ao lado de nossa cama.

Percebi que o poncho de Daryl estava sobre sua mochila, largado em um dos cantos, e não pensei duas vezes em vesti-lo. Ter algo seu em contato com meu corpo e sentir seu cheiro, era uma das poucas formas de conseguir acalmar-me.

Rumei até o banheiro, fazendo minha higiene e caminhei pé por pé até a “cozinha”, tentando não acordar os demais.

Peguei uma das garrafas de água e enchi a chaleira, colocando-a sobre o fogareiro em seguida. Eu precisava de um café ou acabaria desmaiando em qualquer lugar.

Enquanto esperava a água ferver, sentei-me em um dos bancos, deitando meu rosto na tábua gelada da mesa.

O nó em minha garganta apertava-se a cada segundo, tornando-se cada vez mais insuportável.

Será que eles já haviam chegado?

— Bom dia — ouvi a voz de Maggie e sobressaltei-me, levantando meu rosto rapidamente.

— Bom dia — respondi com a voz arrastada. Quando ela havia chegado ali?

— Está tudo bem? — questionou, sentando-se ao meu lado e colocando sua mão sobre a minha.

— Na verdade não — suspirei profundamente. — Eu tenho medo do que pode acontecer lá...

— Você teme por Daryl, não é? — inquiriu, e meu silêncio se encarregou de responder-lhe. — Ele vai voltar. Não acredito que estejam planejando um ataque. Além do mais, você mesma sabe que ele já sobreviveu a coisas piores.

— Mas Maggie... Eu preciso tanto dele — murmurei, sentindo meus olhos tornarem-se marejados.

— Eu sempre me sinto assim quando Glenn não está. Se você pensar muito sobre isso, fará as coisas parecerem ainda piores. Acalme-se, arrume alguma coisa para se distrair. Quando der por si, eles já estarão de volta — concluiu sorrindo.

— Você está certa. Obrigada, Maggie — sorri aliviada, levantando-me para desligar o fogo. — Aceita um café? — indaguei, já pegando as xícaras.

— Claro — respondeu, passando a mão pelos cabelos.

Servi nossos cafés e me sentei ao seu lado. Acabamos conversando sobre amenidades, e logo Maggie havia conseguido me distrair, tirando de meu peito toda aquela aflição desnecessária.

Continuamos conversando enquanto vigiávamos a prisão em uma das torres, e o tempo não demorou a passar. Quando dei por mim, já era em torno de meio dia.

Voltamos para dentro da prisão, e ao chegarmos ao centro do bloco, pude notar que Glenn, Beth, Michonne e Carl organizavam as munições, espalhando-as uniformemente pelo local. Enfim eles haviam percebido que a cada momento o perigo tornava-se mais real e devíamos estar preparados.

— O que deveríamos fazer é colocar algumas armas na caminhonete e fazer uma visitinha ao Governador — comentou Merle, juntando-se aos demais. — Sabemos onde ele está agora.

— Está sugerindo ir até lá e matá-lo? — inquiriu Glenn, descrente.

— Sim, estou — Merle reforçou sua tese.

— Dissemos ao Rick e ao Daryl que ficaríamos aqui — interveio Michonne.

— Mudei de ideia, amorzinho — soltou Merle, com sua ironia habitual.

Apenas escorei-me em uma das paredes, sem nada de realmente relevante para comentar. Merle estava realmente considerando pegar o Governador desprevenido? Até parecia uma boa ideia, mas talvez um confronto surpresa fosse uma tática suicida. Nós não sabíamos quantos capangas ele havia levado consigo. De qualquer forma, a única certeza que tínhamos é que estaríamos em desvantagem.

— Ficar parado, com meu irmão lá fora... — continuou após um tempo. — Não gosto da ideia.

— Você não é o único — murmurei, e infelizmente os demais me ouviram.

Glenn encarou-me como se duvidasse que aquelas palavras houvessem saído mesmo de minha boca. Rapidamente calei-me, me lembrando do atrito que existia entre ele e Merle, além de todos os favores que ele já tinha me prestado.

— Eles estarão juntos — disse Glenn, encarando-me. — Não sabem que estamos indo, podem até virar reféns e morrer — passou a fitar Merle. — Mil coisas podem dar errado.

— E darão! — retrucou Merle.

— Meu pai sabe se cuidar — apontou Carl, parando ao meu lado.

Acenei positivamente, tentando ter ao menos um terço do otimismo dele.

— Me desculpe filho, mas a cabeça dele pode acabar em um espeto em breve — Merle deu de ombros.

— Chega Merle! — bradei. Ele não tinha o direito de falar assim com Carl.

— Não diga isso a ele — falou Maggie, arrumando algumas caixas de munição.

Merle apenas deu de ombros novamente, ignorando a nós duas.

— Não é a decisão certa. Não agora... — Glenn parou a minha frente, tocando meu ombro. — Não podemos arriscar colocá-los em fogo cruzado. É minha decisão final — concluiu firmemente, lançando um olhar ameaçador em direção a Merle e saindo em seguida.

Ele não parecia nenhum pouco a vontade por ter visto seu plano fracassar. A verdade era que eu sabia que se Merle bem quisesse já estaria lá fora, mesmo sozinho. Isso me deixava preocupada, mas estava irritada demais com ele. O que ele tinha na cabeça para falar aquilo para Carl? Ele era apenas uma criança!

Deixei que Merle se recolhesse à sua cela, e passei a ajudar os outros com a organização das caixas de munição. O clima estava pesado desde a intervenção de Merle, então todos se mantiveram em silêncio.

Após um tempo ele retornou e passou a nos ajudar, dessa vez em silêncio, para seu próprio bem.

Cerca de meia hora depois Glenn voltou, após ter concertado a cerca do exterior da prisão.

— Hey, você não irá! — rosnou Glenn para Merle, e só então percebi que ele não estava nos ajudando, e sim arrumando uma mochila para partir nessa viagem suicida e maluca de encontro ao Governador.

— Você só pode estar louco! — acusei-o, estreitando os olhos.

­ — Não preciso de permissão — respondeu-nos sem sequer desviar-se de suas tarefas.

— Você vai colocar tudo a perder — murmurei, sentindo meus olhos marejarem. Sim, aquilo era suicídio! Se ele insistisse naquela droga de plano, ele, Rick, Hershel e Daryl morreriam.

— Não posso permitir — Glenn se impôs.

— Merle, você não pode... — insisti, como se pudesse fazer alguma diferença naquele momento.

— Nem me impedir — Merle comentou simplesmente, voltando a me ignorar.

Aquilo já estava começando a me deixar nervosa. Rick e Daryl confiaram em mim. Acreditaram que eu poderia parar Merle, e eu estava sendo um total fracasso naquela tarefa. Sequer conseguia fazê-lo me ouvir.

— Se viverá conosco, será sobre nossos termos! — interveio Maggie firmemente.

Sim, nosso líder estava fora, e agora a responsabilidade era de cada um de nós.

— Se Michonne consegue, por que você não? — ela gritou enquanto ele se virava em direção a saída.

Glenn engatilhou sua arma e senti meu coração falhar uma batida.

— Porque ele é meu irmão! — Merle berrou, como se o motivo fosse tão claro quanto à cor do céu.

Dei um passo à frente, em sua direção. Se ele realmente queria fazer isso, não faria sozinho. Era seu irmão, mas também era o homem que eu amava.

— Sarah, por favor — pediu Glenn, olhando para mim.

Apenas dei de ombros, sentindo-me sufocada.

— O que há com vocês?! — Merle continuou. — Será que a minha cunhadinha é a única que percebeu que meu plano é o correto?! — passou seus olhos rapidamente sobre mim.

Em seguida, ele correu em direção à saída, mas Glenn permaneceu à sua frente, sem recuar um passo sequer.

Aproximei-me dos dois, temendo que algo pior pudesse acontecer.

— Não vou deixar que os coloque em perigo — Glenn sussurrou, encarando Merle de forma ameaçadora.

— Vire homem, garoto — disse Merle entredentes. — O cara tenta se aproveitar de sua mulher, fere cruelmente a garota do meu irmão, e você se acovarda?

Droga, droga e droga. Merle jamais deveria ter dito aquilo.

Meter Maggie e a mim naquela discussão era golpe baixo. O que havia de errado com ele?! Esse era o Merle que as pessoas tentavam me fazer enxergar o tempo todo?

— Saia do meu caminho — ele insistiu, entretanto, Glenn permaneceu imóvel.

— Não.

­ — Saia do meu caminho! — Merle repetiu, e mais rápido do que meus olhos puderam acompanhar, eles já se enroscavam em uma briga.

Apenas eu e Maggie estávamos ali naquele momento. Encarei-a com o olhar suplicante, implorando para que ela me desse uma luz sobre o que fazer naquele momento.

Vendo que eles não pretendiam se separar tão cedo, ela correu em direção a Glenn, tentando puxá-lo para longe. Sem muito tempo para pensar, lancei-me nas costas de Merle, tentando inutilmente fazer com que ele o soltasse.

Instintivamente ele revidou, acertando-me uma cotovelada no rosto e depois na barriga, fazendo com que eu caísse ofegante no chão.

Droga, tudo doía um bocado! Gemi de dor enquanto pressionava minha barriga, com medo de que ele pudesse ter feito algum mal ao bebê.

Ao menos meu sofrimento fez com que eles parassem de se engalfinhar e prestassem atenção em mim.

Merle imediatamente virou-se em minha direção, caminhando apressadamente até onde eu estava.

— Saia daqui! — gritei, reprimindo um soluço.

Eu não sabia se o choro se devia à dor ou a enorme decepção em relação a Merle. Eu só sabia que doía. E doía muito.

— Sarah, eu...

— Você não ouviu?! Cai fora daqui! — berrou Maggie, me ajudando a levantar.

Glenn passou por Merle esbarrando fortemente em meu braço e caminhou até onde eu e Maggie estávamos, auxiliando-nos no caminho até andar superior.

Merle permaneceu observando a tudo, parecendo estático.

— Você está bem? — inquiriu Maggie ajoelhando-se a minha frente, assim que me sentei no colchão.

Acenei brevemente, pressionando minha barriga.

— Daryl não vai deixar isso barato — disse Glenn, abaixando-se ao lado de Maggie.

— Ele não precisa saber disso — murmurei, mordendo o lábio com força.

— Como não?! Merle bateu em você! — soltou incrédulo.

— Em você também. Não é o fim do mundo — suspirei, apenas para constatar que esse simples gesto acentuava a dor.

Ele apenas revirou os olhos enquanto bufava, parecendo não acreditar em minhas palavras.

— Sarah, nós não poderíamos esconder isso nem que quiséssemos — disse Maggie, com a voz controlada.

Não entendi suas palavras, até que ela levantou-se e caminhou em direção à cela ao lado, voltando de lá com um pequeno espelho em mãos.

Ela parou a minha frente e quase não pude respirar assim que encarei meu reflexo no espelho. Havia um grande hematoma vermelho arroxeado formando-se em minha bochecha.

Aquilo demoraria dias ou mesmo semanas até sumir.

— Por favor... — implorei, fechando os olhos.

Glenn voltou até onde eu estava e levantou minha blusa, quase violentamente. Maggie nada fez, apenas continuou estática.

Tomei coragem para observar minha barriga, onde havia um hematoma ainda maior, acompanhado de um filete de sangue.

— Droga... — sussurrei, pensando no que diria a Daryl.

— A decisão é sua, mas acho que você terá que inventar uma desculpa muito boa se quiser proteger Merle de uma idiotice que ele cometeu! ­— bradou Glenn, marchando a passos largos para o andar inferior.

— Só... Fique bem, Sarah — pediu Maggie, beijando levemente a minha testa e correndo na mesma direção que Glenn.

Atirei-me no colchão suspirando pesadamente, medindo minhas escolhas.

Eu não poderia mentir para Daryl, mas se contasse a verdade, sabia que ele e Merle discutiriam... Que outra escolha eu tinha?

Minha decepção quase me sufocava, então tentei me concentrar em qualquer outra coisa que não fosse a dor.

Acabei adormecendo, como de costume quando tinha muito tempo ocioso.

Acordei ao perceber que havia uma movimentação intensa no andar inferior. Levantei-me devagar e peguei o espelho, jogando meu cabelo praticamente todo para frente, tentando cobrir aquele hematoma horrível.

Pelo que percebi, já estava escuro, o que me ajudaria um pouco.

Logo que cheguei ao andar debaixo, Rick abraçou-me de forma estranha, e então Daryl tomou-me para seus braços, segurando-me como se a qualquer momento eu pudesse desmaiar.

Aquele clima estava começando a me assustar profundamente.

Todos, sem exceção alguma, estavam reunidos na parte central, o que evidenciava que alguma coisa muito importante seria dita.

— O que está acontecendo? — questionei em um fio de voz, percebendo que Rick estava fortemente armado.

— Eu conheci o tal Governador — ele começou, parecendo um pouco confuso sobre o que era de fato importante para nos contar. — Conversei com ele por um bom tempo.

— Só vocês dois? — ouvi a voz de Merle, mas sequer fiz menção de virar e encará-lo.

— Sim — Rick afirmou.

— Devia ter ido quando tivemos chance, irmão — disse sugestivamente a Glenn, passando à sua frente.

— Ele quer a prisão — continuou Rick, ignorando a cena de Merle. — Quer que a gente suma. Mortos.

Encolhi-me um pouco, e Daryl apertou-me com mais força. Infelizmente, até agora nada me parecia novidade.

— Ele nos quer todos mortos, pelo que fizemos em Woodbury — Rick esclareceu. O silêncio naquele bloco era quase fúnebre, e a voz dele ecoava pelo pavilhão. — Nós vamos para a guerra.

Sim, eu sabia disso o tempo todo, mas ouvir aquelas palavras através da entonação de Rick, tornava tudo ainda mais real.

Eu sabia que dali para frente às coisas seriam ainda piores, apesar de duvidar que isso pudesse acontecer.

***

I can't go on this way

Eu não posso continuar desse jeito

Not as I am today

Não como eu sou hoje

The ugly side of me is strong

Meu lado feio é forte

Take aim a loaded gun

Mire uma arma carregada

Pull back on all who run

Atire em todos os que correm

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Avenged Sevenfold — This Means War

Notas finais
Então, como nem tudo são flores, tenho quase certeza que não vou postar na quinta... Vou trocar de turno com a minha colega e trabalhar de tarde, já que pela manhã tenho endoscopia ( blergh ). Viu, vocês não podem estressar a tia Bella porque ela tem gastrite :c
Enfim, juro juradinho que vou fazer de tudo pra postar na sexta!
Comentem e faça uma pessoa feliz e inspirada *u*
Xoxo ♥