Notas iniciais
Então leitoras, vocês me abandonaram? Agora que estou reescrevendo não tenho mais o apoio de vocês? :/
Estou um pouco triste com isso, mas prefiro pensar que é por causa das manifestações, provas, enfim, qualquer coisa, menos que vocês me abandonaram...
Boa leitura.

– POV SARAH –

Eu estava em um lugar absolutamente lindo. Não se parecia em nada com o caos que o mundo estava. Eu não sentia nenhum tipo de dor e minhas roupas eram brancas e leves. O cenário era tão diferente que poderia até jurar que ouvia os pássaros cantando ao meu redor. Nada de zumbis, pessoas devorando umas as outras, nada de medo. Tentei reconhecer o local, mas eu tinha certeza de que nunca estive ali antes.

Observo ao longe, e vejo duas figuras se aproximando lentamente. Quando enfim começam a entrar melhor em meu campo de visão, vejo que são meu pai e minha mãe. Corro em direção a eles para abraça-los, mas minha mãe me impede, colocando a mão à sua frente, em um claro sinal de pare.

— Mãe, pai! — falo, enquanto meus olhos instantaneamente enchem-se de lágrimas. — Eu senti tanta falta de vocês!

— Eu sei meu anjo — minha mãe disse, sorrindo.

— Eu morri? — a pergunta era idiota demais, porém foi a primeira que veio a minha cabeça. Primeiro aquele lugar, depois meu pai e minha mãe... Se fosse juntar todas as peças aquele lugar seria como... o céu?

— Não querida, e nem vai. Não tão cedo. — sua voz era suave e tranquila, enquanto seus longos cabelos escuros eram balançados pela leve brisa do local.

— Mas eu quero ficar aqui com vocês! — eu já estava entrando em desespero, queria abraçá-la, não queria voltar para aquele inferno. Talvez fosse tudo o que eu mais precisava: ficar em segurança, no conforto da minha família.

— Você precisa voltar meu anjo. Você é jovem, tem toda uma vida pela frente — dessa vez foi meu pai quem respondeu. Uma vida pela frente? Como se fosse possível viver no mundo da forma como estava. Aquilo era apenas sobreviver, um dia após o outro, sem nenhum tipo de esperança.

— Eu não quero! Ninguém precisa de mim, ninguém se importa comigo. Sou um peso, um fardo, e sozinha não consigo sobreviver. Não quero atrapalhar ninguém — as lágrimas eram demais, meus olhos ardiam. — Eu só... eu só quero a minha vida de volta... Que tudo volte a ser como antes, como deveria ser — minha voz já estava trêmula. Aquilo tudo era demais para mim.

— Sarah, filha... se te salvamos é por que sabíamos que você seria forte o bastante para sobreviver sem nós. Você é nossa única filha, não seria certo que morresse tão jovem — meu pai explicou calmamente, e na sua voz, tudo parecia fazer sentido.

— Eu não quero mais continuar pai, não tenho mais forças. Você está enganado. Eu sou fraca, muito fraca. Eu não valho nada, não sei nem me defender sozinha — enxuguei algumas lágrimas que atrapalhavam a minha visão. Pra que continuar?

— Vá filha, você não precisará defender-se sozinha. Tem alguém nesse mundo que se importa com você, mesmo que não vá admitir. Não tão fácil. Um anjo que daria sua própria vida para salvá-la, alguém que precisa de você, de sua doçura, carinho e conforto. Faça nosso sacrifício valer a pena. Nós te amamos meu amor.

E como em um piscar de olhos eu estava sozinha novamente. Estava deitada, e meu corpo estava dolorido. Minha pele queimava, mas mesmo assim sentia frio. Meu braço e minha cabeça estavam doendo demais. Ao meu lado tinha um anjo. Ele me observava com uma expressão tão preocupada... Eu queria ver quem era, contudo, minha visão estava tão turva...

Forcei meus olhos ao máximo. Não podia ser! Eu nem sequer estava acreditando. Eu conhecia meu anjo, e ele não era como os outros. Ele tinha os olhos azuis mais profundos que eu já havia visto, cabelos loiros, e uma barba por fazer. Com certeza ele não era um anjo comum. Ele era tão bonito, porém seu rosto estava tão sofrido, algo estava o machucando... Meu coração doeu, como se não fosse eu quem precisasse de ajuda, como se fosse ele quem precisasse de mim.

Era difícil de entender o porque de ser justamente ele... No pouco tempo em que convivemos, pude notar que ele era uma pessoa extremamente arrogante, e não parecia preocupar-se com nada além de si mesmo. Isso seria verdade, ou ele apenas escondia algo por detrás daquele seu jeito? Eu tinha medo de acreditar nesse sonho. E se fosse algo idiota, e ele não se importasse realmente comigo? Mas se esse fosse o caso, por que ele permanecia ali ao meu lado?

No início ele hesitou em me trazer para o grupo, mas quando eu caí, ele voltou por mim... Quando voltei da floresta ele me protegeu... Bem, com seu jeito rude e nada delicado, mas pelo menos essa era sua intenção.

Havia tantas coisas para se pensar, e minha cabeça estava dando um nó. Meus sentimentos estavam ficando confusos, e eu não entendia a razão de tudo isso. Daryl era um estranho para mim, e eu era apenas a garotinha assustada para ele, mas mesmo assim, bem lá no fundo, algo me dizia que eu precisava dele.

Aquele sonho não teria sido em vão. Teria? Não... Parecia ser tão real. Tendo-o tão próximo de mim como ele estava naquele momento, as coisas pareciam se encaixar perfeitamente em seus devidos lugares...

— Daryl — sussurrei entre meus devaneios. Ele ficou surpreso e sorriu, algo que eu nunca tinha visto, e meu Deus, era o sorriso mais lindo do mundo.

Ele levou a mão até minha testa, provavelmente achando que eu estava delirando. Olhei para ele e me perdi naquela imensidão azul que me encarava.

— Veja só quem acordou — ele disse, afastando-se um pouco, tentando reprimir um sorriso. — Como você está?

— Estou bem — menti. Não queria que ele se preocupasse.

— Ótimo — ele disse, cortando o assunto.

— Obrigada por cuidar de mim... — disse-lhe e fechei os olhos, adormecendo novamente. Antes de ser engolida pela inconsciência, ainda o escuto sussurrar algo do tipo “como se eu pudesse escolher”. Adormeço feliz, sabendo que alguém aqui nesse lugar se importava comigo, mesmo sem entender realmente o porquê...