Notas iniciais
Espero os comentários de vocês, suas lindas *--*

– POV DARYL –

A viagem estava sendo mais longa do que eu esperava. Sarah estava de mal a pior. Sua febre estava aumentando gradativamente, e não sei por quanto tempo seu corpo frágil iria resistir.

— Deus, se é que você realmente existe, não vai deixar que alguém tão pura se perca dessa forma — pensei comigo mesmo, enquanto a observava se revirar no pequeno sofá.

Ela deveria estar sonhando, ou delirando novamente. Desde ontem ela vem dizendo coisas desconexas, algo como ser inútil, um fardo. Tenho que me lembrar de falar umas verdades para Andrea quando as coisas se acalmarem.

Suspiro cansado, afinal já é a segunda noite que não durmo para ficar ao seu lado. Era o terceiro dia que ela estava desacordada e eu me recusava a sair dali. Fico encarando seu rosto delicado, e por um momento penso como seria a sensação de tocá-lo. Ela era tão linda. Sua boca era perfeita e rosada. Uma vontade de beijá-la e sentir seus lábios nos meus tomou conta de mim, mas me segurei, ela iria pensar que estou louco. Em um momento estou sendo extremamente grosso com ela, e no outro tendo esse tipo de pensamentos...

Eu mesmo acho que devo estar ficando louco, afinal, não é meu perfil estar aqui observando uma garotinha dormir, preocupando-me com ela, e pensando em beijá-la. Realmente minha sanidade estava em estado de ser questionada.

Não conseguia para de olhar para ela, sentia-me tão culpado por ela estar daquela forma. De repente vejo que seus olhos começam a se abrir, e com muita dificuldade ela sussurra:

— Daryl... — meu corpo inteiro ferveu com a simples pronuncia de meu nome. Por que ela estava me chamando? Ela devia estar delirando novamente, e com certeza ela não deveria estar feliz ao dizer meu nome. Sarah devia estar pensando na forma em como eu a assustei no dia em que lhe encontrei. Sorri mesmo assim, ela estava pensando em mim, de uma forma ou de outra, oras.

Levei a mão a sua testa. Sua febre ainda estava alta, mas não tanto quanto ontem. Quando baixo meu olhar para seu rosto, pego-lhe me encarando, e fico preso naquele mar verde que me fitava como se eu fosse especial, importante... Ninguém nunca me viu dessa forma antes...

— Veja só quem acordou — comentei, feliz por ela estar finalmente voltando à consciência. Tentei esconder meu sorriso, afinal, se ela me visse sorrindo depois de tudo que a fiz passar, ela pensaria que eu era, no mínimo, bipolar. — Como você está?

— Estou bem — ela disse, e tive certeza de que era mentira. Ela estava péssima, mas por algum motivo que não entendo, ela quis esconder.

— Ótimo — disse áspero. Não queria demonstrar o quando estava feliz com a sua melhora.

— Obrigada por cuidar de mim — ela falou, de uma forma extremamente doce, e sorriu em seguida. Cedo demais, fechou seus olhos novamente. Devia estar muito cansada.

— Como se eu pudesse escolher — sussurrei, enquanto via a pequena fechar seus olhos.

A viagem seguiu tranquila até o CCD, fora o fato de que o trailer parou e Rick e Shane foram atrás de uma mangueira nova para o mesmo. Infelizmente, eu tive que me separar de Sarah e ficar do lado de fora, de olho para que nenhum Walker se aproximasse.

Quase no fim do dia, chegamos ao nosso destino. Acordar Sarah foi um trabalho difícil, ela estava realmente muito mal, por isso tive que carregá-la.

Na frente do CCD havia milhares de corpos atirados, e o cheiro de podridão estava acabando com todos. Sarah imediatamente pediu para que eu a soltasse no chão, e começou a vomitar, deixando-me ainda mais preocupado. Apenas afastei o cabelo de seu rosto, e esperei que ela terminasse. Ela sorriu com se me agradecesse, eu passei meu braço por sua cintura, para seguirmos caminho sem que precisasse carregá-la novamente.

Ao chegarmos na porta, a mesma estava trancada. Rick começou a gritar feito louco, dizendo absurdos sobre ter gente ali dentro. O problema começou de fato, na hora em que um bando de Walkers começou a rumar para nossa direção, atraídos pelo barulho. Como se não bastasse, Rick continuava a gritar para a porta, atraindo cada vez mais deles.

Sarah se escondeu como uma criança atrás de mim, e me apertou forte com seu braço bom. Céus, a garota não estava em condições de fugir, e nós estávamos absurdamente ferrados.

De repente a porta se abre, e sem pensar duas vezes todos entram.

— Depois que entrarem, as portas não se abrirão mais. Alguém foi mordido? — disse um homem vestido todo de branco, com uma incrível cara de cansado.

— Não, estamos todos bem. A garota precisa urgentemente de antibióticos! — respondeu Dale, desesperado, enquanto Sarah apoiava-se em mim para não cair.

— Meu Deus, o que houve com ela? — o doutor perguntou, aproximando-se em um segundo. Ele parecia realmente preocupado.

— Ela bateu a cabeça. Tem um corte profundo, e um braço quebrado — falei sem dar muito detalhes. Estava desconfortável com a proximidade daquele cara.

— Tudo bem. Me acompanhem, mas o exame de sangue é o preço para ficarem.

Todos concordaram e o seguiram. Rick e o doutor começaram a conversar e acabamos descobrindo que apenas o Dr. Jenner tinha sobrado. Eu mal prestava atenção, estava sentado e Sarah dormia tranquilamente no meu ombro. O Dr. tinha trocado seus curativos e colocado seu braço de volta no lugar, o que foi um processo extremamente doloroso para ela. Mas o que mais me impressionou em tudo isso, foi que em nenhum momento ela derramou uma lágrima sequer. Algo nela estava mudando, porém eu não sabia o que era.

Depois de todas as conversas, fomos encaminhados até nossos respectivos “quartos”. Eu disse que não sairia do lado de Sarah, o que deixou todos com olhares desconfiados, mas foda-se, eu só me importava com o que ela pensava.

— Pode ir tomar banho primeiro, ouvi dizer que tem água quente nos chuveiros — dei de ombros enquanto largava minha mochila em um dos cantos do quarto. Ela abriu um sorriso enorme, como se aquela fosse a melhor notícia da face da terra, e se encaminhou para o banheiro. — Me chame se precisar de ajuda — falei a ela, pois sabia que ela teria dificuldades com os curativos.

Ao lhe olhar, percebo que ela está absurdamente vermelha, e imediatamente me dou conta da tamanha asneira que acabara de falar. Porra, eu sabia que não tinha jeito com as palavras! Em nenhum momento tive malícia no que disse, mas depois de saber o que ela estava pensando, confesso que fiquei muito animado com a ideia. Contive um sorriso enquanto ela se encaminhava até o banheiro murmurando algo como um “obrigada”.

Ela parecia estar realmente melhor. Depois de termos feito os exames, o Dr. Jenner lhe aplicou algumas medicações. Sarah já estava começando a caminhar sem apoio, mas eu tinha medo de que ela pudesse desmaiar a qualquer momento.

Cada minuto a mais que ela demorava no banho, me torturava, fazendo-me imaginar que algo de ruim pudesse ter acontecido. Tive que segurar-me para manter a cabeça em outras coisas, até que enfim ela saiu.

Quando ela saiu do banho estava linda. Seus cabelos meio úmidos caiam sobre seus ombros, e ela tinha refeito o curativo na testa. Estava usando uma camiseta preta e por cima uma camisa xadrez, que provavelmente foi Lori quem emprestou. Ela usava o mesmo short jeans e um coturno marrom. Estava totalmente perfeita...

Eu estava cruzando o quarto para ir até o banheiro, quando ela tropeça e cai sobre mim, nos derrubando no chão. Como ela era desastrada!

Nada foi dito, ela apenas me encarava com aqueles enormes olhos verdes, e eu não conseguia parar de encará-los de volta.

— M-me desculpe — ela disse, assim como da primeira vez que nos vimos, e minha atenção foi desviada por aquela boca rosada se movendo lentamente. Eu estava com uma vontade absurda de beijá-la. Aproximei-me lentamente, mas quando estava quase a beijando lembro-me de seu estado, e levanto-me com cuidado, levando ela comigo. Eu deveria estar enlouquecendo! Por que essa garota estava me causando esse tipo de reações? Deveria estar numa puta seca, pra estar pensando essas coisas. É claro, eu deveria protegê-la! Se ela estava daquela forma, era por total culpa minha. Era isso que eu deveria fazer... De uma forma estranha e incompreensível, eu sentia que deveria me redimir de alguma forma, impedindo que ela se machucasse novamente. É só isso, Daryl. Só isso. Repeti para mim mesmo.

— Tudo bem — apenas concordo, e logo saio em direção ao banheiro, sem olhar para trás. A deixei parada no mesmo lugar, olhando-me sem compreender. E também, como poderia entender, quando nem mesmo eu sabia o que estava se passando?

Desde o dia em que aquela garota pequena e desastrada apareceu na minha vida, eu estava tendo reações totalmente anormais, até para mim mesmo. Não era certo, eu não deveria me apegar, e eu sabia disso. Devia me manter afastado, o máximo que pudesse. Sentia-me como se tivesse uma espécie de dívida com ela, e deveria ser minha maldita consciência que me obrigava a continuar ali ao se lado. Devia ser isso, só isso...

Notas finais
E então? *--*