Still Alive [Hiatus]
32 Death or Birth?
Notas iniciais
Só queria avisar que o próximo será um capítulo inédito para quem já leu.
Quando reli notei que faltavam algumas coisas, então farei um capítulo amanhã e tentarei deixá-lo bem longo para compensar *--*
— POV SARAH —
Nas últimas semanas as coisas têm funcionado perfeitamente, se fossemos considerar toda a calmaria que se seguiu durante todos aqueles dias totalmente amenos.
Sem walkers na prisão, Hershel estava a cada dia melhor, até estava reaprendendo a andar com o auxílio de muletas. Beth e eu fazíamos questão de levá-lo para uma caminhada todos os dias. O humor de Rick já não estava tão ruim, ao menos ele sorria de vez em quando, principalmente quando se tratava de piadinhas a respeito de mim e Daryl. Os prisioneiros nos deixaram em paz, mantendo-se em seu bloco e sem mais transtornos. Eu e Daryl tínhamos um tempo apenas para nós todos os dias. Digamos que no momento, o vestiário era o meu local preferido da prisão.
Praticamente tudo estava em seu devido lugar, e não fosse pelo fato de estarmos morando em uma prisão, eu poderia dizer que o mundo tinha voltado ao seu estado normal: Com a vida seguindo seu rumo e a morte sendo o ponto final.
Daryl, Rick, Glenn e eu, estávamos do lado de fora — mais precisamente no campo da prisão —, admirando tudo aquilo que conquistamos com nosso próprio esforço.
Os demais estavam dentro do pátio apenas aproveitando o dia de sol, coisa que adquirimos o luxo de ter novamente.
Em um segundo tudo estava bem, e no momento seguinte tudo ruiu, no exato momento em que ouvimos gritos vindos do pátio.
Quando olhei para a prisão, diversos walkers estavam invadindo o pátio onde os outros estavam. A pergunta era: Como eles haviam parado ali?
Nenhum de nós disse uma palavra sequer, apenas corremos, porém, tínhamos que atravessar cerca de três portões até de fato chegarmos até eles.
Como se tudo estivesse conspirando para que as coisas piorassem, um som ensurdecedor de alarme começa a soar. Agora com certeza todos os walkers da região possuíam destino certo.
Faltando apenas um portão para atravessarmos, percebemos que não fomos rápidos o suficiente... Um walker havia agarrado T-Dog e ninguém poderia o ajudar.
Lori, Maggie e Carl correram para dentro da prisão; Beth, Hershel, Sophia e Carol conseguiram se trancar em um dos portões de entrada para nosso bloco.
Assim que Rick abriu o cadeado e enfim entramos na prisão, notamos que era tarde demais: T-Dog já havia partido. Ele estava morto e nenhum de nossos esforços o traria de volta...
Não tivemos tempo de chorar nossa perda, tínhamos outra ocupação no momento. Precisávamos nos livrar dos walkers que continuavam vagando por ali e ainda achar uma forma de acabar com aquele barulho insuportável.
Enquanto Daryl e eu tentávamos eliminar os walkers, Rick e Glenn atiravam desesperadamente nos alto-falantes, tentando inutilmente parar com o alarme.
Livramo-nos de grande parte dos errantes e então Rick o Glenn desistiram de tentar silenciar os alto-falantes e passaram a nos ajudar.
Após concluirmos nossa tarefa, Rick deu uma última olhada em T-Dog — como se pedisse perdão —, e então atira em sua cabeça.
Dirigimo-nos para o local onde estava Hershel e os outros.
— Vocês viram a Lori? — questionou Rick, entrando em desespero.
— Eles foram por ali — Hershel indicou a direção. — Maggie e Carl foram com ela.
De repente Axel e Oscar — os prisioneiros que sobreviveram —, apareceram desesperados.
— O que está acontecendo? — indagou Axel assustado, como sempre.
— Eu que pergunto isso pra vocês! — bradou Rick, nervoso. — Por que esse alarme não para de soar?! Temos que desliga-lo imediatamente.
— Deve ser um dos geradores de emergência — informou Oscar. — Sei onde fica e como desliga-lo.
— Ótimo, precisamos ser rápidos.
Não foi preciso dizer mais nenhuma palavra, apenas o seguimos em direção ao gerador. Estávamos com tanta pressa que procuramos desviar da maioria dos walkers, matando o mínimo possível.
Chegamos à sala do gerador, e Oscar ensinou Rick como desliga-lo, contudo, havia muitas chaves para serem viradas.
Daryl, Glenn e eu ficamos na porta, pois os walkers que deixamos para trás empurravam-na incansavelmente.
De repente um dos prisioneiros antigos aparece misteriosamente. Rick não havia o matado? Isso estava me deixando um pouco confusa.
Nós não podíamos pará-lo, precisávamos ficar na porta ou as coisas ficariam apenas piores.
Oscar apontou a arma para Rick, enquanto o outro prisioneiro dizia um monte de asneiras sobre eles dominarem a prisão que eu preferi ignorar, já que estava totalmente tensa.
Minha angústia aumentou quando Oscar nada disse, apenas ficou encarando-o ainda com a arma apontada para Rick.
Para minha surpresa, ele desviou sua arma e mirou para o outro prisioneiro, atirando nele sem hesitar. Creio que havíamos ganhado um aliado.
Rick e Oscar terminaram de desligar o gerador, então nós nos afastamos da porta, deixando que os walkers entrassem, acabando com eles logo em seguida.
Seguimos em silêncio de volta ao pátio central.
Rick estava um pouco ansioso. A gravidez de Lori já estava em um estado avançado e todos sabiam que o parto se aproximava. Um grande susto era tudo que ela menos precisava naquele momento.
— Eles ainda não voltaram? — indagou Glenn, preocupado.
— Ainda não — respondeu Hershel, no mesmo tom.
Alguns segundos depois, ouvimos o portão do outro lado sendo aberto.
Corremos até ele, porém apenas Maggie e Carl estavam ali, com expressões devastadoras.
Maggie tinha um bebê em seus braços. Lori enfim havia dado a luz.
— Onde está Lori? — perguntou Rick, com a voz embargada.
Maggie deixou escapar algumas lágrimas e Carl apenas abaixou a cabeça, abatido. Já perdemos tantos nesse grupo que palavras já nem eram necessárias para que soubéssemos da verdade.
— Não! Não! Não... — era a única coisa que Rick repetia debilmente, desolado.
Nenhum de nós se aproximou dele. Rick precisava ter seu momento.
Ele deitou-se no chão e encolheu-se em completa angústia. Era muito doloroso ver alguém chegar a esse ponto. Apesar da forma fria com que ele estava tratando Lori nos últimos meses, ele com certeza a amava muito. A cena a minha frente não me permitia mentir.
Abracei Daryl fortemente, deixando que lágrimas quentes escorressem por meu rosto. Passamos meses na estrada, correndo perigo a cada segundo, e justo agora que havíamos encontrado um local seguro tínhamos que perder duas pessoas tão especiais?
Quando isso acabaria? Será que a morte nunca deixará nosso grupo?
Já tínhamos diversas mortes para chorar, e sequer conseguíamos fazer um funeral adequado. Mal superávamos uma perda e já tínhamos que lidar com outras.
Rick levantou-se e seguiu pelo caminho de onde Maggie e Carl vieram. Novamente, ninguém o impediu. Ele tinha o direito de sofrer à sua maneira.
Carl permaneceu imóvel, deixando que as lágrimas rolassem de seus olhos claros. Ele estava aguentando a barra melhor que o pai.
Apesar de toda a dor que estávamos sendo expostos, precisávamos ser fortes. Agora todos nós tínhamos uma criança indefesa que precisava de proteção.
Sem mãe e com o pai em completa agonia, cada um de nós se tornaria responsável por ela, ao menos por hora.
Deixei minha dor de lado e caminhei até Hershel, que segurava o bebê desajeitadamente.
Estendi os braços para o bebê e ele deixou que o pegasse em meu colo. Apesar de nunca ter contato com um recém-nascido, era como se estivesse totalmente preparada para àquilo.
— Como ele está? — questionei enquanto embalava-o instintivamente.
— Ela — corrigiu-me. — Está bem. Forte e saudável, mas não sobreviverá muito tempo sem leite em pó.
— Não diga isso! — intercedeu Daryl, interrompendo nossa conversa e aproximando-se de mim. — Nós daremos um jeito. Não perderemos mais ninguém nesse grupo — concluiu determinado, passando seu braço sobre meus ombros.
Ninguém mais suportaria outra perda. Todos nós estávamos cientes disso, até mesmo Daryl, aquele que parecia ser o mais afastado e indiferente sentia isso.
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